quarta-feira, outubro 22, 2014

NOVORRÚSSIA: Quem são as mulheres que combatem no Exército Popular no Donbass

Por Cristiano Alves

A soldado-metralhador "Lama", de uma unidade cossaca do Exército Popular

Com a eclosão do putsch da Maydan a Ucrânia voltou a conhecer algo que não conhecia desde os anos 40, a guerra em suas próprias fronteiras. A guerra civil na Ucrânia se deu pela decisão da Junta de Kiev de proibir a língua russa no país, o que levou a população do leste do país a repudiar o novo governo, levando-os a declarar a independência da República Popular de Lugansk, junto com a República Popular de Donetsk, o que levou as autoridades de Kiev a reprimir militarmente a população do Leste e unidades militares e policiais a desertarem em massa para formar um Exército Popular, depois fortalecido com a chegada de voluntários de todos os países, em reação à adoção de forças mercenárias estrangeiras e "Batalhões Punitivos" para fazer o serviço sujo do tirano Petró Poroshenko nos territórios do leste. 


Guerrilheiras usando a "fita georgiana", símbolo da vitória antifascista

Como foi bem colocado por Antonina Tkachenko, veterana da IIGM que mora em Lugansk (antiga Voroshilovogrado), região Leste da Ucrânia e autoproclamada República Popular de Lugansk, "nós sabíamos quem eram os alemães, mas aqui nós não sabemos quem são os nossos e quem são os outros". Levantaram-se pessoas de toda a região e de outros países contra o regime de Kiev que hoje é liderado por dois partidos de abertas tendências neonazistas, o Svoboda (ironicamente significando "Liberdade") e o Praviy Sektor, que adota a mesma bandeira da OUN-UPA(organização de colaboradores de nazistas durante a IIGM) e tem como seu ídolo nomes como Stepan Bandera e Roman Shuhyevich, comandante do Batalhão Rouxinó, da Waffen SS. Seu hobby é derrubar monumentos a Lenin.

O levante antifascista nas repúblicas populares de Donetsk e Lugansk (Novorrússia) levarou os mais diversos cidadãos a ingressar na Milícia Popular (Opolchenye), formado por pessoas das mais variadas idades, sexos e nacionalidades. As mulheres da Novorrússia encontraram uma forma mais responsável e verdadeira de serem feministas, pegando em armas contra o agressor reacionário, em vez de gritos histéricos e ensandecidos "contra o patriarcado e pela sororidade", típico do rito de onanismo político de energúmenas ocidentais sem qualquer preparo militar ou disposição para mudar a sociedade, seja por armas, seja por ideias. As mulheres do Donbass, em vez de se limitarem a postar selfies com "Eu não mereço ser estuprada" postam selfies com a mensagem "#stopbombingdonbass" (Pare de bombardear o Donbass) e pegam em armas contra o agressor nazi-fascista.

"Eles vem aqui, matam cidadãos pacíficos e nós somos terroristas?!", questionou a miliciana do Donbass

A combatente Vlada, ex-cabelereira, serve num posto em Metallist, o mais perigoso de Lugansk, com uma aparência que em nada lembra o das "nossas revolucionárias virtuais", cujo alvo de seu ódio inclui até mesmo mulheres de cabelos longos, nas palavras da ativista comunista Angela Sztormowsky. Vlada mantém uma aparência feminina e pega em armas ao lado de companheiros masculinos. Ela já está há meses no Exército Popular, veio por que "os combatentes precisam de ajuda", conforme entrevista dada ao canal russo NTV1.

A miliciana Yelyena chegou a gravar um vídeo com um fuzil Kalashnikov2 de coronha rebatível usado por paraquedistas, explicando com convicção o seu testemunho sobre a situação na cidade de Slavyansk em julho deste ano, cidade na qual nasceu. A jovem combatente descreve com detalhes como a cidade foi bombardeada a cada dia pela Junta, pela artilharia e por aviões de ataque, como as pessoas ficaram sem água, tendo que recorrer à fontes da cidade, como pessoas comuns foram mortas pelos bombardeios de Kiev, cujo governo chama ao Exército Popular de "terroristas". Foi para defender essa população massacrada pelas tropas de Kiev que Yelyena se juntou ao Exército Popular, em suas próprias palavras. Ela casou-se, há alguns meses, com o comandante miliciano "Motorola".

Enquanto no Brasil, os médicos são conhecidos por posições ultrarreacionárias, elitistas, racistas e xenófobas, a médica do Exército Popular Natalya Arhipova, apelidada de "Mamãe de jaleco branco", tinha grande prestígio dentre os guerrilheiro novorrussos, todavia, mesmo trabalhando em hospitais militares, Natalya Arhipova foi eternizada após uma bomba de fragmentação lançada por um caça-bombardeiro Su-25 em um prédio onde ela se encontrava. Embora tenha sobrevivido ao ataque, sem as suas pernas, ela insistia que ajudassem os sobreviventes do ataque. Em razão da grande perda de sangue, mesmo trabalhando em hospitais, por ajudas as pessoas ela acabou pagando com o sacrifício da própria vida, com apenas 45 anos de idade, deixando duas filhas. A médica Yekaterina, com apenas 21 anos, ingressou nas fileiras das Autodefesas como médica de campanha, todavia depois trocou de função, tornando-se combatente regular das Autodefesas. Yekaterina, conforme entrevista dada ao canal Russia Today3, já chegou a matar militares a serviço de Kiev. Na entrevista, além de seu fuzil Kalashnikov, ela usa uma camisa de paraquedistas, uma caça camuflada, meias brancas e tênis, em uma toca. Tal é a situação de muitos milicianos, combatentes irregulares, muitas vezes utilizando o que conseguem, o que explica os diferentes uniformes.


Natalya Arhipova, médica do Exército Popular e ministra da saúde da República Popular de Lugansk, encontrava-se agonizante sem as duas pernas após o bombardeio do prédio onde se encontravam pela Força Aérea Ucraniana, clamando aos que a ajudavam que cuidassem dos feridos. Devido à perda de sangue, ela veio a falecer logo em seguida.

Mulheres surgem num vídeo encapuzadas com balaclavas. Não, não se trata de mais um vídeo da banda filo-liberal Pussy Riot, mas sim do destacamento feminino do Batalhão Rus4, da Novorrússia. Essas mulheres não tem nenhuma atenção por parte da grande mídia ocidental. Segundo elas, seguem um estilo de vida espartano, falando de seu alojamento. Junto ao seu espírito combativo está a sua vaidade, junto ao seu fuzil elas guardam laquê para o cabelo, desodorantes, batons e outros artefatos femininos. Elas se dizem prontas para defender a sua pátria. Uma delas serve, junto ao seu namorado, na Milícia Popular. São frequentemente chamadas de "irmãzinhas" pelos seus camaradas.

Miliciana posa com um lança-rojões RPG, em uniforme comunista da IIGM, após os combates em Saur Mogila

Dentre as várias mulheres de diversas convicções políticas, profissões e funções na Milícia Popular está a ex-floricultora Stanislava5, de pouco mais de 20 anos, ela não quis ficar na cozinha nem ser enfermeira de campanha, mas ser combatente e tomar parte diretamente em ações armadas para "defender a sua terra e os seus queridos, a própria mãe, a quem ela ama muito", conforme suas próprias palavras. Em sua entrevista nós percebemos uma jovem equilibrada, emocionalmente e ideologicamente estável, uma "pessoa comum" como ela mesma se descreve, que fala com serenidade sobre suas convicções e motivos que a levaram a pegar em armas. Ela também ridiculariza o argumento de que Kiev quer "libertá-los" e também o de que a Milícia Popular é formada por terroristas, "eles bombardeiam e matam civis pacíficos e nos chamam de terroristas". Stanislava descreve-se como cristã que defende sua terra, as crianças, os homens e mulheres, adultos e idosos. Também afirma ser contra a guerra, que "ninguém quer a guerra", e que tem planos futuros para se casar e ter filhos, conviver num lugar pacífico com seus amigos. Corajosa e ousada, ela afirma que não usa colete balístico durante os combates, pois são pesados para ela, atrapalhando a mobilidade.

Mas as mulheres da Novorrússia não são apenas médicas e fuzileiras, algumas lidam com armamentos pesados e assustadores como a metralhadora6, armamento coletivo. A jovem novorrussa apelidada "Lama", exerce a função de soldado-metralhador. Em entrevista feita pelos próprios milicianos descreve como ela ingressou na Milícia Popular. Filha de um pai militar, ela pretendia, até a eclosão da guerra, ingressar no MVD(o Ministério dos Assuntos Internos) e depois fazer parte de alguma unidade de Operações Especiais. Ela não tem interesse em "cosméticos e filmes", nem mesmo assiste televisão, conforme alega na entrevista. Questionada se não havia outro meio de resolver o problema no Donbass por outro miliciano, ela alega que infelizmente, por enquanto, não há outros métodos além da luta, as conversações pacíficas mostraram-se infrutíferas, não havendo outra proposta, senão a ajuda das armas. Ela afirma está pronta para matar e nada teme, estando os seus pais de acordo com sua atitude. A jovem novorrussa serve na "Volchya Sotnya" (Centúria Lupina), unidade composta por cossacos liderada pelo comandante cossaco Babayev (apelido de Alexander Mojayev).




Não são poucas as mulheres nas forças novorrussas, de nacionalidades diversas. A voluntária bielorrussa Natalya "Solzinho" (do apelido carinhoso "Solnyshko") afirma que cansou de "apoiar a Milícia Popular apenas pela internet, no Facebook e no Vkontakte"7 (redes sociais), ingressando nas forças guerrilheiras como sniper. Ela alega que tomou a decisão por conta própria e foi individualmente até a zona de combate. Era vendedora em Belarus, para onde pretende voltar ao fim da guerra, para ajudar a sua mãe. Durante alguns dias circularam rumores de sua morte, aparecendo viva recentemente.

Ilona Banyevich(Bonya) é comandante de uma Companhia de Comando da Milícia Popular, sua formação é de confeiteira, fazia doces e bolos antes da guerra. Ela foi condecorada duas vezes com a Cruz de São George, a mais alta condecoração da República Popular de Donetsk por suas ações em combate, tendo sido a primeira sido atribuída por um ferimento em combate, um tiro que atingiu a sua face. Bonya participou da tomada do Aeroporto de Donetsk. 


Ilona Banyevich, ex-confeiteira, lidera uma companhia de comando, e foi duas vezes condecorada por heroísmo em combate e por um ferimento em batalha

Mas não são apenas mulheres solteiras que lutam nas forças guerrilheiras. Seguindo o exemplo da lendária Herói da União Soviética Mariya Oktyabrskaya, "Lyena", de Lugansk, é tanquista, operando a metralhadora de um dos tanques adquiridos pelo Exército Popular8. A mãe de uma filha de dois anos luta com o seu marido por esta. Para Oksana, combatente, a feminilidade não afeta o espírito combativo das mulheres, afirma ela, após uma demonstração de sua precisão com um fuzil Kalashnikov de uma nova série, também mãe. Alyona, uma combatente diversionária da inteligência do exército de Donetsk9, serve desde o primeiro dia da guerra no Exército Popular, pois afirma ter como objetivo a "defesa de sua cidade natal, pois não quer seus filhos vivendo sob um governo que manda queimar e matar o próprio povo". A mãe de dois filhos tomou a decisão após presenciar o massacre de Odessa em maio deste ano, quando cidadãos ucranianos, comunistas e sindicalistas, foram queimados vivos e fuzilados por ativistas e paramilitares banderistas pró-Maydan. Ela descreve o seu grupo como "uma família". Em entrevista dada ela também ridiculariza as afirmações caluniosas sobre a guerrilha no Donbass, alegando que por isso não perde tempo com a televisão, e nem perdia em tempos de paz, que ela reflete apenas a desinformação da mídia de Kiev.

As mulheres dão à Novorrússia não apenas o apoio militar, não apenas a força, como também o apoio moral e ideológico. Anastasiya Mihaylovskaya, atriz russa, grava e publica vídeos em favor da luta pela Novorrússia e de Iósif Stalin10, um "sim à existência", com texto do pensador russo Alexader Duguin, disponível no site de vídeos Youtube.



Os milicianos do Donbass vem de todas as partes do mundo, tanto da Ucrânia, quanto da Rússia, quanto de outros países. As mulheres que ingressam na luta, assim como os homens, tem diferentes convicções políticas, mas um objetivo em comum, defender o Donbass de uma força agressora e reacionária, que mata mulheres, crianças e idosos, que destrói famílias e envia batalhões financiados por poderosos oligarcas para fazer da Novorrússia só mais uma província de um Estado fascista e genocida, que executa o seu próprio povo, incluindo cidadãos pacíficos, em nome de uma aliança espúria com a OTAN e a União Europeia. A Junta de Kiev, o regime de Poroshenko, representam os verdadeiros separatistas, não os milicianos que lutam para viver num país independente e socialista, sem oligarcas, onde todos os meios de produção pertencem ao povo. Unidos por um mesmo sentimento, bandeiras da União Soviética dividem a trincheira com bandeiras de Cristo Pantokrator. Bandeiras vermelhas combatem lado a lado com bandeiras amarelas, negras e brancas. 

Mulheres que levavam uma vida normal até a eclosão da guerra demonstram que a guerra também é assunto de mulheres, e que a causa da Novorrússia é uma causa que representa a todos, em defesa de cidadãos inocentes. A causa da Novorrússia é uma causa que merece o apoio dos trabalhadores de todo o mundo, por uma alvorada de liberdade, contra a escuridão do fascismo. A causa novorrussa é uma causa da liberdade, do socialismo verdadeiro, combativo, patriótico, stalinista!


Fontes:

1- https://www.youtube.com/watch?v=uG3VPWaZjzA
2- https://www.youtube.com/watch?v=fZrEoicrp6E
3- https://www.youtube.com/watch?v=aCLYIHjfUyc
4- https://www.youtube.com/watch?v=5PdoCLD32Xw
5- https://www.youtube.com/watch?v=GOCvTER0B_0
6- https://www.youtube.com/watch?v=7axAlhbiB34
7- https://www.youtube.com/watch?v=DBL8K88_FJg
8- https://www.youtube.com/watch?v=IdglBKkRN40
9- https://www.youtube.com/watch?v=3CzdQM0xHz0
10- https://www.youtube.com/watch?v=_hTOHtquZQU

4 comentários:

Jonatan Souza disse...

Força partisans.

Jonatan Souza disse...

Um video de saur mogila Саур-Могила (1943-2014 гг.): http://youtu.be/mWU1jZyN0jA

A Página Vermelha disse...

Eles são "opolchentsy", não "partizany".

Jonatan Souza disse...

Ok