sábado, maio 10, 2014

SEMANA DA VITÓRIA: Ivan Kojedub, o herói de duas guerras

Por Cristiano Alves

Ivan Kojedub(1920-1991), Herói da União Soviética por três vezes, e seu caça LA-5

Nascido no norte da Ucrânia, Ivan Kojedub se tornaria o maior ás dos aliados durante a II Guerra.

Kojedub graduou-se piloto em 1941, com o posto de Segundo-Sargento, no mesmo ano do início da guerra, mas seria apenas instrutor. Sentindo que seus talentos seriam melhor aproveitados em voo, ele tomou a corajosa decisão de servir como piloto(em batalhas como a de Stalingrado, o tempo de vida médio de um piloto não costumava exceder 4 horas). No início da guerra os aviões soviéticos, ao contrário dos alemães, não possuíam rádio, tinham que balançar as asas para sinalizar.

A primeira batalha aérea quase foi sua última, seu avião La-5 foi seriamente atingido por um caça Messerschmit Bf 106 e por pouco o projétil não atravessou a fuselagem e o matou em voo. Ele conseguiu retornar à base e pousar seu avião. Sua primeira vitória se deu contra um caça-bombardeiro Ju-87 Stuka, sobre a cidade de Kursk. No dia seguinte ele abateu outro caça, e alguns dias depois lograria abater 2 Bf-106. Em fevereiro de 1944, por ter abatido 20 aviões em seus 146 voos, ele recebeu o título de Herói da União Soviética. 

A partir de 1944, Kojedub passara a voar em um novo caça, um La-5F, construído com os recursos dos camponeses de uma Fazenda Coletiva de mel de abelha da região de Stalingrado. Em agosto seria promovido ao posto de Capitão, passando a comandar um regimento aéreo voando em um La-7. Em 19 de agosto, estavam registrados em sua conta 256 voos e 48 aviões fascistas abatidos. 

Um Lavochkin La-5 da Guarda, modelo pilotado por Kojyedub

Ao final da guerra, Kojedub registrava 330 voos militares, 120 batalhas aéreas e 62 aviões inimigos abatidos. Diferente do maior ás da guerra, o alemão Erich Hartmann, Kojedub jamais foi derrubado(Hartmann por algumas vezes teve seu avião destruído, sobrevivendo de paraquedas). Ao final da guerra, Kojedub, conforme revelado em sua autobiografia, ficaria face ao que mais tarde seria o seu novo inimigo. Numa batalha aérea, um piloto aliado de Kojedub seria atacado por engano por caças da Força Aérea Americana(USAF) nos céus de Berlim. Ivan Kojyedub não titubeou e atacou os dois caças americanos, destruindo ambos. O piloto de um conseguiu se salvar com o paraquedas, o outro morreu dentro do avião. Durante a IIGM, alega-se que Ivan Kojedub também fora o primeiro piloto de caça a destruir um caça a jato, o Me-262.

Herói da União Soviética três vezes durante a IIGM, Kojyedub levava uma vida tranquila no país, gozando dos benefícios auferidos por esse status conferido a civis e militares da URSS e de outros países, dentre os quais o transporte de ônibus gratuito, direito a uma viagem de avião gratuita por ano, redução nos impostos e outros. A paz experimentada por Kojedub cessaria diante de uma nova guerra, agora contra seu ex-aliado, os Estados Unidos, na Coreia.

Com o ataque da Coreia do Sul, forças americanas e da ONU contra a Coreia do Norte, a situação do país piorava, apelando para a ajuda chinesa. Por se tratar de membro da ONU, a URSS não podia intervir diretamente no conflito, em vez disso enviaria voluntários para a guerra. Procurado pelo MGB em plena calada da noite, nem mesmo a esposa de Kojedub entendeu do que se tratava. O ajuda do herói soviético fora procurada por pessoalmente por Stalin, não o marechal, mas o general aviador, filho do líder soviético, ele próprio um veterano da IIGM.

Num exemplo de internacionalismo, Kojedub ajudariam a defender outro país, além do seu. Enviado à Coreia, ele e outros veteranos soviéticos vestiram uniformes chineses e oficialmente lutavam pela China, aliado da Coreia do Norte. Kojedub seria apresentado às novas máquinas que defenderiam os céus da Coreia, os caças a jato MiG-15, uma revolução na aviação, feita a partir dos modelos capturados dos nazistas, mas com um motor sob a fuselagem, motor esse que a URSS conseguiria através da espionagem. Após uma visita comercial a uma fábrica da Rolls Royce, um agente soviético acompanhado do ministro Mikoyan usara um sapato com uma esponja que absolvia as raspas do metal usado na fabricação da turbina Rolls Royce, o último componente essencial na fabricação do caça a jato soviético. Os soviéticos, chineses e coreanos usariam o caça com motor a jato designado no Reino Unido contra os próprios ingleses e americanos nos céus coreanos.

O caça a jato MiG-15 foi pilotado por Ivan Kojyedub. Ele logrou destruir 17 aeronaves da Força Aérea Americana(USAF) nos céus da Coréia Democrática

Kojedub fora enviado para ser instrutor de voo na Coreia, o que elevava o moral dos coreanos e chineses ao saber que eram instruídos por um herói de guerra soviético. O comando soviético proibiu a Kojedub entrar em combate nos céus da Coreia, receoso de um escândalo envolvendo um herói de guerra combatendo os EUA e a ONU. Os demais pilotos soviéticos eram autorizados a combater apenas sobre o território norte-coreano.

Ousado, Kojedub ignorou a ordem do comando militar soviético. Pilotando o caça a jato MiG-15, o ucraniano lograria destruir pelo menos 17 aeronaves americanas, dentre caças e bombardeiros. Os caças MiG levavam grande vantagem sobre os caças de hélice e os patéticos F-80 da USAF, que eram lentos e possuíam um design que não lhes permitia muita manobrabilidade no combate a jato. Além disso, os caças a jato soviéticos, oficialmente da Força Aérea Coreana, tinham grande facilidade para derrubar os enormes bombardeiros americanos, salvando milhões de vidas coreanas e a integridade de diversas cidades. A humilhação enfrentada pelos pilotos americanos foi tão grande que em pouco tempo os EUA copiariam o design do MiG-15, desenvolvendo o F-86 Sabre, a fim de acabar com a superioridade aérea soviética, um caça que usava asas em delta, diferente do F-80.

Diferente de antes, os americanos agora encontravam paridade no combate aéreo, seu caça possuía vantagens a baixas altitudes, embora o MiG possuísse a altas altitudes. Kojedub logrou destruir 17 Sabres americanos até o fim da Guerra da Coreia.

A participação dos pilotos soviéticos na Guerra da Coreia fora segredo por décadas, os pilotos frequentemente levavam cartões com frases em coreano, mas no fogo de batalha acabavam falando russo, algo capturado em gravações de rádio americanas, mas jamais plenamente comprovadas.

Kojedub seria promovido a Marechal no início dos anos 90, tornando-se uma lenda da aviação eternizada em 1991.

Ivan Kojedub eternizou-se como Marechal da União Soviética(nessa foto era general). Ele, e não o nefasto Stepan Bandera, foi o verdadeiro herói da Ucrânia, um ucraniano que combateu o fascismo desde o seu primeiro dia. Kojyedub é um exemplo para todo o povo ucraniano, uma inspiração contra o regime fascista instalado em Kiev com o apoio de um novo inimigo, a OTAN.

2 comentários:

Paulo Pereira disse...

O F-86 Sabre voou em 1947, bem antes da guerra na Coreia. Não era "cópia" do MiG-15, como diz o texto. Mas lhe era inferior em alguns aspectos.

A Página Vermelha disse...

Mesmo voando em 1947 pode ter sido baseado no MiG-15, que por sinal foi observado pelos americanos e outros ocidentais durante a Parada da Vitória em Moscou.

Mas concordo que na aviação "cópia" é um termo muito relativo(exceto em caso de motores), muitas vezes trata-se de uma mesma solução para um mesmo problema.

Abraços!