terça-feira, janeiro 08, 2013

RELIGIÃO: Catolicismo e nazismo de mãos dadas

Na Igreja Católica Apostólica Romana é perfeitamente aceito ser fascista, nazista e racista, mas não comunista, pela bula papal do papa nazista Pio XII, denominado "o papa de Hitler". A colaboração entre a Igreja Católica e os nazistas é algo conhecido já de tempos, inclusive no cinema soviético, que retratou-a brilhantemente no filme "A queda de Berlim"(1948), numa conversa entre Hitler e Arsenigo. Com um vasto acervo bibliográfico provando a colaboração entre a Santa Sé e o III Reich, há quem negue-a, alegando se tratar de "propaganda comunista" ou "marxismo cultural". Em 2010, o papa Bento XVI pediu desculpas pelo apoio da Igreja Católica ao nazismo, admitindo-a tacitamente, algo que este artigo bem elucida.



A cumplicidade da igreja com o nazismo e o fascismo
Por Steve


Hitler e o cardeal Arsenigo

A igreja apóia ativamente o crescimento do fascismo na Europa. Em Portugal, ela apóia Salazar. O cardeal Cerejeira (amigo do ditador) chega a dizer que Salazar a tinha a missão divina de governar Portugal.Na Áustria, a igreja apóia o Austro-Fascismo de Dollfuss e Schuschnigg.O primaz Innitzer é o principal apoiante do regime. Innitzer mais tarde apoiaria a "Anschluss" nazista.

Na católica Polônia, a igreja apóia Pilsudski (e sucessores). O regime polaco anexa partes da Ucrânia e Bielorússia e promove a aculturação forçada das 2 nações. Os idiomas (ucraniano e bielorrusso) e a igreja ortodoxa são proibidos. Vários ortodoxos (inclusive padres) são presos e executados. Igrejas ortodoxas são destruídas pelos "piedosos católicos poloneses". Essa repressão duraria quase 20 anos (só pararia com a invasão da Polônia em 1939). O Vaticano foi conivente com a opressão. Essa opressão contra a minoria ucraniana serviria de pretexto mais tarde para o Exército Insurgente Ucraniano (Ukrainska Povstanska Armiya, ou UPA) promover o massacre de 100000 poloneses em Volinia (incluindo crianças e padres) em 1944.

Na Itália, a igreja assina com o Mussolini uma concordata que faz do catolicismo a religião de estado. A igreja sacrifica em grande parte as suas próprias associações (inclusive o Partido Popular de Sturzo, no intuito de ajudar Mussolini consolidar sua ditadura): todas, exceto a Ação Católica, devem integrar as organizações fascistas. O Vaticano promete a Mussolini de fazer com que a AC não se deixe tentar por ações antifascistas. Mussolini, depois de ter assinado a concordata dita "Patti Lateranensi", é qualificado pelo papa como "o homem da providência". Em 1932, o ditador recebe das mãos do papa, a Ordem da Espora de Ouro, que é a mais alta distinção concedida pelo Estado do Vaticano. O Vaticano apoiaria a invasão italiana na Abissínia, sob protexto de que os soldados italianos estavam levando valores cristãos. Estes bons "soldados de Cristo" cometem inúmeras atrocidades contra os "bárbaros" da Abissínia, como por exemplo, o uso de gás mostarda.

Na Alemanha, em março de 1933, o Zentrum, partido católico, cujo líder é um padre (Ludwig Kaas), vota a favor de plenos poderes para Hitler (A lei habilitante, que se aprovada no parlamento, daria poderes ilimitados ao Executivo): Hitler pode assim atingir a maioria de dois terços necessária instituir uma ditadura. Com uma caridade toda cristã, o Zentrum (e o Vaticano) aceita também fechar os olhos pros crimes nazistas. Depois a igreja começa a negociar uma concordata com a Alemanha: nesse cenário, ela sacrifica o Zentrum, então o único partido significativo que os nazistas não tinham proibido. Na realidade ele tinha-o ajudado a chegar ao poder. Em 5 de julho de 1933, o Zentrum se dissolve sob solicitação do Vaticano (cujo Secretário de Estado era Pacelli, futuro Pio XII), deixando o caminho livre para o NSDAP de Hitler, então partido único (A Alemanha assinou a Concordata com o Vaticano em virtude dos votos importantes do Zentrum. Em suma, foi um clientelismo).Hitler declara-se católico no "Mein Kampf", o livro onde ele anuncia o seu programa político. Também afirma que está convencido ser ele um "instrumento de Deus". A igreja católica nunca colocou no seu Índex o "Mein Kampf"(ao contrário dos livros de Rousseau,Sartre,Pascal e Voltaire), mesmo antes da ascensão de Hitler ao poder. Podemos acreditar que as idéias de Hitler não desagradavam à igreja. Hitler mostrará o seu reconhecimento tornando obrigatória uma prece a Jesus nas escolas públicas alemãs, e reintroduzindo a frase "Gott mit uns" (Deus está conosco) nos uniformes do exército alemão. Hitler também foi apoiado pela igreja protestante, a ponto dessa igreja criar o movimento nazi-protestante chamado "Deutsche Christen" liderado pelo pastor Ludwig Müller. Müller e outros religiosos (católicos e protestantes) se tornariam membros do NSDAP. O bispo Alois Hudal (membro do NSDAP), publica um livro que concilia vários aspectos do catolicismo com o nazismo. Ele defende visão arianizada do cristianismo. Hudal nunca foi condenado pelo Vaticano. Hudal mais tarde ajudaria nazistas a fugir da Europa.

Na Espanha, os militares tentam um golpe de estado, que aborta, mas degenera em guerra civil. A igreja os apóia, padres e bispos benzem os canhões de Franco, celebram com muita pompa e Te Deum as suas vitórias contra o governo republicano legítimo (que havia acabado com os privilégios do clero). A guerra faz mais de um milhão de mortos, e Franco fuzila todos os prisioneiros. Franco se mostrará reconhecido por seus santos aliados, nomeando diversos membros da Opus Dei para o seu governo. A influência da Opus Dei crescerá ao longo da ditadura franquista, ao ponto de se chegar a mais de metade dos ministros serem membros dessa venerável instituição católica. Franco proíbe todas as religiões, com a exceção óbvia do catolicismo. A minoria protestante sofreria anos de perseguição por parte do piedoso regime franquista. O Vaticano nunca condenou essa perseguição.

Na Eslováquia (fantoche nazista), o piedoso padre Jozef Tiso assume o poder e promove uma violenta perseguição de opositores, ciganos e judeus (parte das vítimas foi deportada pra Auschwitz). O Vaticano jamais excomungaria este sacerdote exemplar (ao contrário de padres que defendem camisinha, aborto, fim do celibato clerical etc.). Tiso ajudaria Hitler a invadir a católica Polônia. O Vaticano não condena os 2 ditadores, pois ficou sabendo que a Polônia invadida serviria de base pra uma futura invasão à URSS (odiada pela igreja).A Polônia foi literalmente traída pelo Papa.

Na França (Vichy), a igreja declara que "Petain é a França": ela prefere de fato o Trabalho-Família-Pátria de Vichy ao Liberté-Égalité-Fraternité da República, que sempre a horrorizaram. Pétain suspende a laicidade do Estado instituida em 1905 e restabelece os privilégios clericais. Em retribuição, o clero fecha os olhos pros abusos do regime de Pétain.

Na Bélgica, a igreja católica apóia o movimento fascista "Rexisme" (nome derivado de Christus Rex) chefiado pelo devoto Leon Degrelle. Degrelle acabaria influenciado mais tarde pelas idéias de Hitler. Durante a 2ª guerra, Degrelle vira oficial nazista e chefia as SS Wallonie, com a presença de capelães. O padre Cyriel Verschaeve se torna capelão das SS Langemarck (formada por belgas flamengos). Estes 2 católicos exemplares fugiriam da Bélgica (seriam condenados por colaboracionismo) e viveriam no exterior pro resto de suas vidas.

Na Croácia, a "Ustasha"(fantoche nazi), a igreja apóia plenamente (e ativamente) os crimes de Ante Pavelic (líder Ustasha). Cerca de 1000000 de pessoas (sérvios, ciganos, judeus, croatas antifascistas etc.) seriam brutalmente assassinadas. Os terríveis crimes Ustasha chocariam até mesmo os nazistas, aliados de Pavelic.Os padres cooperam com o genocídio promovido pelos Ustashas. Os piedosos padres também promovem a conversão forçada dos sérvios (cristãos ortodoxos) ao catolicismo, sob ameaça de tortura e morte. Várias igrejas ortodoxas são destruídas e o clero ortodoxo sofre terríveis atrocidades por parte dos piedosos Ustashas.O regime de Pavelic constrói o terrível campo de extermínio de Jasenovac, cujo comandante era o sádico padre franciscano Filipovic (O "Irmão Satan"). Os guardas de Jasenovac executam as vítimas friamente com facas, machados, marretas e outros métodos cruéis. O franciscano Brzica, um guarda de Jasenovac, degola mais de 1000 prisioneiros. A crueldade Ustasha(e a cumplicidade dos padres) jamais seria condenada pelo primaz Stepinac (aliado de Pavelic. Stepinac acabaria beatificado pelo Vaticano em 1998) e nem mesmo pelo Vaticano do Papa Pio XII. Pavelic e outros piedosos Ustasha conseguiriam fugir da Europa pós-guerra com a santa ajuda do Vaticano. Até hoje, o Vaticano nunca pediu perdão por sua cumplicidade com Pavelic. (a cumplicidade católica com Pavelic lhe renderia mais tarde um processo  http://www.vaticanbankclaims.com/)

Na Eslovênia, o bispo Gregory Rozman chefia uma terrível milícia pró-nazi. Rozman acabaria fugindo de seu país, procurado como criminoso de guerra (a exemplo do piedoso bispo Ustasha Ivan Saric).

Durante a 2ª guerra mundial, o Vaticano estava ciente das atrocidades nazistas. O papa Pio XII pensou em condenar os nazistas, mas desistiu por causa de seu anticomunismo ferrenho e achando que uma vitória russa seria pior (o Vaticano chegou a considerar a invasão da URSS por Hitler uma ?cruzada contra o bolchevismo ateu?). Na rádio-mensagem de Natal de 1942, Pio XII critica o comunismo, ao contrário de Hitler e seus serviçais (Tiso,Pavelic, Pétain,Franco,Mussolini etc.). Ele falou em sua mensagem natalina das ?centenas de milhares de pessoas que sem culpa nenhuma da sua parte, às vezes só por motivos de nacionalidade ou raça, se vêem destinadas à morte ou a um extermínio progressivo?, porém ele não citou as vítimas e nem os carrascos nazistas. Em 1943, os nazistas ocupam Roma. O terror nazista chega diante das portas do Papa. Eles perseguem judeus, comunistas e outros grupos. Em 23 de março de 1944 um grupo de guerrilheiros atacou um comando nazista e matou 33 invasores. Este ato heróico foi duramente criticado pelo Vaticano e definido como terrorismo. A resposta alemã foi assassinar friamente 335 italianos nas Fossas Ardeatinas sob o comando de Erich Priebke. A Santa Sé simplesmente se lastimou pelas pessoas sacrificadas "em lugar dos culpados". Em outras palavras, o Papa não se oporia se os fuzilados fossem os membros da resistência italiana. A preocupação de Pio XII não era com as vítimas dos nazistas, ou com a ocupação nazi, mas com os partisans que lutavam pela libertação da Itália. Temia que uma abrupta saída dos alemães pudesse deixar a cidade nas mãos da resistência comunista. Apesar disso, o Vaticano ajudaria alguns perseguidos pelos nazistas quando viu que a derrota alemã era iminente. Depois da guerra, o Vaticano ajudaria Mengele, Eichmann, Priebke e outros nazistas a fugirem da Europa através das "Ratlines".

A igreja apoiou também ditaduras na América Latina e África. Na Argentina, a igreja colaborou com a repressão, a ponto de padres cooperarem com a tortura e morte de opositores, inclusive nos vôos da morte, onde os opositores eram atirados ao mar. A igreja também apoiou a repressão de minorias (testemunhas de Jeová e gays, por exemplo). Católicos dissidentes, a exemplo do bispo Angelelli, das freiras francesas e dos padres palotinos, foram mortos perante o silêncio cúmplice da igreja. O núncio Pio Laghi foi um notável apoiante da repressão na Argentina, além de ter tido amizado com a cúpula militar. A igreja apoiou também Pinochet, Somoza, Stroessner, Trujillo e outros fascistas da região. Em Ruanda, padres e freiras cooperaram com o genocídio local. (houve cumplicidade também de líderes de igrejas protestantes e adventistas). O Vaticano jamais excomungou os religiosos envolvidos no genocídio, além de proteger alguns deles.


*Seria bom lembrar que o Vaticano, que foi conivente com o nazifascismo, condenaria diversas vezes o comunismo e outros sistemas políticos "heréticos", a ponto de pedir pros católicos residentes em países comunistas e laicos pra que promovessem rebeliões, desobediência civil, e outras formas de resistência aos governos vigentes. O Vaticano apoiou os "Cristeros" contra o governo mexicano, o sindicato Solidariedade de Lech Walesa contra os comunistas poloneses, a revolta anticomunista na Hungria em 1956 etc.


Extraído de: http://prod.midiaindependente.org/pt/blue/2013/01/515242.shtml
Por sugestão de "Stefano"


Vídeo revela fotos e fatos sobre o fascismo de batina

https://www.youtube.com/watch?v=91PyhdmvCps

6 comentários:

Formiga disse...

Excelente artigo...

Formiga disse...

https://www.facebook.com/sindicalizado.portugal

Anônimo disse...

A cumplicidade da igreja com o nazismo e o fascismo.
Por steve 03/01/2013 às 20:25

http://www.youtube.com/watch?v=mJgj-XTGVaU
http://www.youtube.com/watch?v=Jr5Q5Volv88

http://www.radiovaticana.org/bra/Articolo.asp?c=47351
IGREJA CATÓLICA ALEMÃ INDENIZA 594 ESCRAVOS DO NAZISMO
http://www.radiovaticana.org/bra/Articolo.asp?c=195190
IGREJA NA ALEMANHA RECONHECE QUE EXPLOROU CERCA DE 6000 DEPORTADOS DURANTE O NAZISMO

http://prod.midiaindependente.org/pt/blue//2012/12/515000.shtml

Pedagogia do Futuro disse...

É como eu sempre digo, uma hora acasa cai. Isto é, embora eu seja um cristão católico e fervoroso, entretanto como membro da Sociedade de são vicente de Paulo, eu não tapo o Sol com a Peneira. Porque eu sei que todas as contradições na Igreja Católica surgiram a partir do momento em que ela aliou-se ao Estado, por isso na Divina Comédia, quando chega a parte do inferno, Dante escreveu a seguinte estrofe: "constantino (imperador romano). a que males derivaram? Não do batismo seu. mas por ter dado riquezas a um papa. Depois muitos males derivaram". Isso demostra todas as doenças do Vaticano denunciadas pelo Papa Francisco. E elas foram se reproduzindo durante séculos, vide a história da inquisição, cujo objetivo era eliminar inimigos políticos. Sendo que a sociedade se reproduz, a inquisição se reproduziu em Pio XII, e esta reprodução contaminou com certeza o carisma franciscano, visto que, o autor do artigo cita dois franciscanos assassinos, por isso como modo de dizer, São Francisco, que tinha como objetivo reconstruir a igreja, deveria esta rolando no túmulo de inconformação por causa desses frades bandidos. quanto às vítimas ortodoxas, é aquilo que eu disse em outro comentário, foi uma vingança contra os cristãos que se separaram de Roma em 1054, e sendo que a Igreja Ortodoxa Russa faz parte desse grupo, por isso Pio XII, papa com letra minúscula, ao contrário de Francisco que é Papa com letra maiúscula, quis usar o nazismo como seus cruzados para tentar punir os ortodoxos da União Soviética, e outros ortodoxo também, do mesmo modo como o outro papa com letra minúscula ,Inocêncio III, promoveu uma cuzada contra os mulçumanos, no entanto seu cruzados passaram por Constantinopla, destruíram Igrejas Ortodoxas, e profanaram o Trono de seu Patriarca, o papa João Paulo II, foi cobrado por isso em sua visita à Grécia, e ele pediu perdão pelos pecados dos filhos da Igreja em todos os tempos, pois por ironia, ele mesmo foi vítima de Pio XII, por este ter apoiado o nazismo, que ele o jovem Karol Voytija, futuro Papa João Paulo II, combateu e foi perseguido. É ou não é irônico? Pois é, por isso eu disse em outro artigo, que se o meu confrade vicentino Zefferino Jemenez Malla, não fosse morto pela extrema esquerda, com certeza ele por ser cigano, seria capturado por Franco e entregue à Hitler. Seria outra ironia. Por isso O Papa Bento XVI, como último teólogo vivo do concílio Vaticano II, aberto por João XXIII, e concluído por Paulo VI, pediu perdão por toda esta decepção que ele presenciou, quando adolescente, causada pelo seu antecessor Pio XII.Mas felizmente eu como cristão sei que a Igreja, são todos os batizados, inclusive eu, por isso procuro fazer como São Francisco, reconstruí-la, porque ela ainda anda em ruínas. Por isso reconstruir a igreja Católica, é o que o Papa Francisco está procurando fazer, e eu também fazer a minha parte, pois a Igreja também sou eu pelo batismo.

asd disse...

Pesquisem sobre a carta Mit brennender Sorge do Papa Pio XI e sobre a atitude do Papa Pio XII para com os judeus, especialmente quando ele permitiu que os judeus se refugiassem nas igrejas católicas, inclusive no próprio Vaticano.

Leonor disse...

Uma coisa é ter fé em Deus, outra coisa é ter fé numa igreja. Entendo a fé, mas não consigo entender como é que uma pessoa católica consegue continuar a ser depois dos crimes comprovados dessa igreja. a bula de Pio XI, "Mit brennender sorge (a profunda angústia) nem se aplica propriamente à atitude do Vaticano quanto aos judeus, ainda que Hitler já ascendesse, nessa bula, o papa está mais preocupado com a vertente pagã de Hitler do que com a morte de inocentes. Quanto à ajuda de Pio XII aos judeus pouco se comprova, e o facto de o Vaticano enviar para o estrangeiro criminosos como Eichmann, Mengele, ou Priebke, não abona muito em favor de uma possível ajuda papal aos pobres judeus. É melhor que os católicos vejam as coisas friamente, gostem ou não: os católicos sempre quiseram acabar com os judeus, Hitler foi uma grande ajuda. A verdade é essa! Não foram apenas os judeus que pereceram, mas também cristãos ortodoxos, atravessados nas goelas dos católicos desde o século X, fora ciganos e outros mais. O que interessava mais aos papas Pio XI e Pio XII era a concordata que fora assinada na Alemanha antes da subida de Hitler ao poder.

A Segunda Guerra abriu uma ferida no Cristianismo, jamais se curará. Não foram apenas os católicos que se portaram mal, os protestantes também. Não sou comunista, nunca fui, mas não consigo entender o pavor que os cristãos tinham dos comunistas, afinal tinham à frente a barbaridade do nazismo, e entre comunismo e nazismo, o Diabo que escolhesse.

Admiro a vontade que os cristãos, especialmente os católicos, ainda alimentam de reconstruir a sua igreja, mas não acredito que a consigam reconstruir. Bento XVI condenou levemente o Holocausto (Shoah), e muito tarde, mas neste homem tudo foi condenado, levemente, tarde e às más horas. Foi o que ele fez em 2012, condenando o massacre de Sabra e Chatila, executado por cristãos, os falangistas libaneses, fiéis ao papa, uma condenação feita 30 anos depois. Até hoje, nenhum papa, nem João Paulo II, condenou o massacre do Ruanda, em que uma etnia massacrou outra, mas com grande culpa da Igreja Católica, e de outros pastores cristãos, que instigaram, o mais que puderam, aquele massacre, em nome de uma coisa: exclusividade religiosa, no governo de quem viesse. Quanto a Francisco I, já falou melhor, envereda agora por um caminho que, das duas uma: continua à frente do seu rebanho, cada vez mais pequeno, ou faz como Bento XVI, demite-se, porque a Igreja não tem cura.

Tenho fé em Deus, apenas em Deus, não consigo entender o trauma evangelizador do Cristianismo, querendo converter tudo e mais alguma coisa, qualquer dia tentam evangelizar os cães e os gatos, talvez as formigas. O Cristianismo, que até é das mais jovens religiões do mundo (só tem cerca de 2000 anos), alguma vez conseguirá, em consciência, dividir este mundo com outras confissões? Não fui baptizada pela Igreja Católica (em 1963) por uma razão concreta: o meu pai era judeu, a minha mãe era cristã, e ficámos assim, eu que me baptizasse por aquilo que quisesse, quando entendesse. Baptizei-me tinha 34 anos, pelo Judaísmo, que escolhi em plena opção, ninguém me influenciou. Foi pela procura do saber, que ao cristão basta comungar