quinta-feira, maio 11, 2023

"Idiota e degenerado": a resposta de Stalin ao pedido de um jornalista britânico para legalizar a sodomia na URSS

 Talvez o leitor não saiba, mas existe um grupelho de radicais de esquerda, em realidade liberais com capa vermelha, que nos últimos anos têm usado cada vez mais simbologia soviética e praticado até mesmo apropriação cultural para promover os valores da globalização imperialista. Eles são apenas um dos tentáculos do grande capital, que age tanto em círculos de direita, no centro e não seria diferente na esquerda. 

Grupos no Telegram, Discord e canais de Youtube que não raro reúnem impressionantes dezenas de milhares de leitores têm apresentado a URSS como se fossem uma espécie de "Sodoma Vermelha". Não raro esses militantes usam nomes relacionados com Stalin junto com avatares de desenhos animados japoneses, exigem ser tratados por "ela", mesmo se tratando de homens, muitas vezes com grossas vozes e até barba. Um desses grupos autointitulado "Frente Marxista no Brasil" chegou a declarar que "não existe nenhuma prova de que a URSS era contra homossexuais", usando como fonte o publicista Klaus Scarmelotto, que parece ter encontrado no fim do arco-íris o seu baú dourado. Mesmo em língua russa, como denunciado pelo renomado blogueiro comunista Remi Meissner, uma seita chamada "Guarda Vermelha de Spartacus" chegou a dizer que "os marxistas e até os democratas um tanto consistentes não podem se recusar a apoiar todas as demandas justas das pessoas LGBT". Pérolas da pós-verdade e do pós-estruturalismo.

Em verdade essa postura é absolutamente estranha aos marxistas. Aqui vemos o demônio do politicamente correto, da desinformação e da astúcia usar sob nova tintura um "velho bem esquecido".

Em 1934, o jornalista do Moscow Daily News, o britânico Garry White (1907-1960), nascido em Edimburgo, Escócia, chegou a escrever uma carta a Stalin pedindo a legalização da sodomia, isto é, do coito entre homens, na URSS. O seu parceiro havia sido preso pelo artigo da sodomia (conhecido pela legislação russa soviética como "mujelojstvo"). Há alguns anos ela havia sido criminalizada em todas as repúblicas soviéticas, o que refuta a teoria de Klaus Scarmelotto e outros militantes do arco-íris de que "a proibição só existia nas repúblicas islâmicas". Pode um homossexual ser um comunista? Questionava o britânico. (O texto a seguir é longo, pule para o parágrafo em negrito para saber a resposta de Stalin)

Camarada Stalin,

O conteúdo de meu apelo é resumidamente o seguinte. O autor desta carta, membro do Partido Comunista da Grã-Bretanha, solicita uma fundamentação teórica do decreto de 7 de março do Comitê Executivo Central da URSS sobre [a instituição de] responsabilidade penal por sodomia. Uma vez que ele se esforça por se aproximar desta questão a partir de um ponto de vista Marxista, o autor desta carta acredita que o decreto contradiz tanto os fatos da própria vida quanto os princípios do Marxismo-Leninismo.

Aqui está um sumário dos fatos que são discutidos em detalhe na carta anexa:

1. Em geral, a condição dos homossexuais sob o capitalismo é análoga à condição das mulheres, das raças de cor, das minorias étnicas e de outros grupos que são reprimidos por uma razão ou outra;

2. A atitude da sociedade burguesa em relação à homossexualidade está baseada na contradição entre:

  1. A necessidade do capitalismo de “carne de canhão” e de um exército de reserva de mão-de-obra (levando a leis repressivas contra a homossexualidade, que é considerada como uma ameaça às taxas de natalidade);
  2. A pobreza crescente das massas sob o capitalismo (levando ao colapso da família da classe trabalhadora e ao aumento da homossexualidade).

3. Esta contradição somente pode ser resolvida em uma sociedade onde a liquidação do desemprego e o constante crescimento do bem-estar material dos trabalhadores promovam condições em que as pessoas que são normais no sentido sexual possam se casar.

4. A ciência confirma que uma percentagem insignificante da população sofre de homossexualidade inata.

5. A existência desta minoria insignificante não é uma ameaça à sociedade sob a ditadura do proletariado.

6. A nova lei sobre a homossexualidade provocou as mais variadas e contraditórias interpretações.

7. A lei de 7 de março contradiz fundamentalmente o princípio básico da lei anterior sobre a questão.

8. A lei de 7 de março pede essencialmente a “aniquilação” no âmbito da vida sexual.

9. A lei de 7 de março é absurda e injusta do ponto de vista da ciência, que provou a existência de homossexuais inatos e não tem meios a sua disposição para mudar a natureza sexual dos homossexuais.

Estimado camarada Stalin:

Embora eu seja um comunista estrangeiro que ainda não foi promovido ao PC(b)U, no entanto penso que não vai parecer natural para você, o líder do proletariado mundial, que me dirija a você com um pedido para se lançar luz sobre uma questão que, ao que me parece, tem grande significado para um grande número de comunistas na URSS bem como em outros países.

A questão é a seguinte: pode um homossexual ser considerado alguém digno de pertencer ao Partido Comunista?

A lei recentemente promulgada sobre responsabilidade criminal por sodomia, que foi confirmada pelo Comitê Central Executivo da URSS em 7 de março deste ano, aparentemente significa que os homossexuais não podem ser reconhecidos como dignos do título de cidadãos soviéticos. Consequentemente, devem ser considerados ainda menos dignos de serem membros do AUCP(b).

Uma vez que tenho interesse pessoal nesta questão, na medida em que sou homossexual, dirigi esta pergunta a vários dos camaradas da OGPU e do Comissariado do Povo para a Justiça, a psiquiatras e ao camarada Borodin, o editor em chefe do jornal onde trabalho.(3)

Tudo o que consegui obter deles foi um certo número de opiniões contraditórias que mostram que entre esses camaradas não há uma compreensão teórica clara do que pode ter servido de base para a aprovação de tal lei. O primeiro psiquiatra de quem busquei ajuda duas vezes com esta questão assegurou-me (depois de verificar isto junto ao Comissariado do Povo para a Justiça) que se eles são cidadãos honestos ou bons comunistas, seus pacientes podem organizar suas vidas pessoais como melhor lhes pareça. O camarada Borodin, que disse que ele pessoalmente tinha uma visão negativa da homossexualidade, ao mesmo tempo declarou que me considera como um comunista bastante bom, que poderia ser de confiança e que eu poderia levar minha vida pessoal como eu quisesse. Um pouco antes, quando a prisão de homossexuais tinha apenas começado, o camarada Borodin estava bastante indisposto em me ver como um delinquente potencial; ele não me considera um mau comunista, e isto foi confirmado pelo fato de que me promoveu no trabalho nomeando-me chefe da equipe editorial, que é a posição de supervisão mais elevada, à exceção dos membros do comitê editorial. Algo mais tarde, quando a versão de 17 de dezembro da lei já existia, mas antes do decreto de 7 de março, entrei em contato com a OGPU em conexão com a prisão de certa pessoa com quem eu tive relações homossexuais. Disseram-me que não havia nada que me incriminasse.

Todas estas declarações produziram a impressão de que os órgãos de justiça soviéticos não processam a homossexualidade como tal, apenas alguns homossexuais socialmente perigosos. Se este é realmente o caso, então há necessidade de uma lei geral?

No entanto, por outro lado, depois que a lei foi emitida em 7 de março, eu tive uma conversa na OGPU na qual me disseram que a lei se aplica estritamente a todos os casos de homossexualidade que sejam trazidos à luz.

Em relação à falta de claridade que existe nesta matéria, dirijo-me a você na esperança de que você encontrará tempo para me dar uma resposta.

Permita-me explicar-lhe como entendo esta questão.

Em primeiro lugar, gostaria de assinalar que vejo a condição dos homossexuais que são de origem operária ou mesmo trabalhadores como análoga à condição das mulheres sob o regime capitalista e das raças de cor que são oprimidas pelo imperialismo. Esta condição também é similar em muitos aspectos à condição dos judeus sob a ditadura de Hitler, e em geral não é difícil ver nisto uma analogia com a condição de qualquer camada social submetida à exploração e perseguição sob domínio capitalista.

Quando analisamos a natureza da perseguição de homossexuais, devemos ter em mente que existem dois tipos de homossexuais: em primeiro lugar, os que são do jeito desde que nasceram (além disso, se os cientistas discordam sobre as razões precisas disto, então não há discordância de que existem certas razões profundas); em segundo lugar, existem homossexuais que tiveram uma vida sexual normal, mas depois se tornaram homossexuais, algumas vezes por maldade, algumas vezes por considerações econômicas.

Para o segundo tipo, a questão se resolve de forma relativamente simples. Pessoas que se tornam homossexuais em virtude de sua depravação em geral pertencem à burguesia, vários de cujos membros tomam este caminho de vida depois de se sentirem saciados com todas as formas de prazer e perversidade que estão disponíveis nas relações sexuais com mulheres. Entre aqueles que levam esta forma de vida por considerações econômicas, encontramos membros da pequena burguesia, do lumpenproletariado e (por mais estranho que possa parecer) do proletariado. Em consequência da escassez material, particularmente agravada durante períodos de crise, estas pessoas são forçadas temporariamente a se voltar para este método de satisfazer seus impulsos sexuais na medida em que a falta de meios lhes priva da possibilidade de casar ou pelo menos de contratar os serviços de prostitutas. Existem também aqueles que se tornam homossexuais não para satisfazer seus impulsos, mas para ganhar seu sustento através da prostituição (este fenômeno se espalhou particularmente na moderna Alemanha).

Mas a ciência estabeleceu a existência de homossexuais inatos. A investigação demonstrou que os homossexuais deste tipo existem em proporções aproximadamente iguais dentro de todas as classes da sociedade. Igualmente, pode-se considerar como fato estabelecido que, com pequenos desvios, os homossexuais em geral constituem em torno de dois por cento da população. Se aceitarmos esta proporção, segue-se que existem em torno de dois milhões de homossexuais na URSS. Sem mencionar o fato de que entre estas pessoas existem, sem dúvida, os que estão ajudando na construção do socialismo, pode ser possível, como exige a lei de 7 de março, que um número tão grande de pessoas seja submetido à prisão?

Assim como as mulheres da classe burguesa sofrem em grau significativamente menor das injustiças do regime capitalista (você naturalmente se lembra do que disse Lênin a respeito), também os homossexuais natos da classe dominante sofrem muito menos da perseguição do que os homossexuais do meio operário. Deve-se dizer que mesmo dentro da URSS há condições que complicam as vidas cotidianas dos homossexuais e que frequentemente os colocam em situação difícil. (Tenho em mente as dificuldades para se encontrar um parceiro para o ato sexual, na medida em que os homossexuais constituem uma minoria da população, uma minoria que é forçada a esconder suas verdadeiras inclinações em um grau ou outro).

Qual a atitude da sociedade burguesa para com os homossexuais? Mesmo se levarmos em conta as diferenças existentes a este respeito na legislação de vários países, podemos falar de uma atitude especificamente burguesa nesta questão? Sim, podemos. Independentemente destas leis, o capitalismo é contra a homossexualidade em virtude de toda a sua tendência de classe. Esta tendência pode ser observada através do curso da história, mas se manifestou com força especial durante o período da crise geral do capitalismo.

O capitalismo, que necessita de um enorme exército industrial de reserva e de carne de canhão para florescer, considera a homossexualidade como um fator que ameaça com menores taxas de natalidade (como sabemos, nos países capitalistas existem leis que punem o aborto e outros métodos de concepção).

Naturalmente, a atitude da burguesia para com a questão homossexual é pura hipocrisia. Leis estritas são causa de poucos incômodos para o homossexual burguês. Quem estiver familiarizado com a história interna da classe capitalista sabe dos escândalos periódicos que surgem a este respeito: além do mais, membros da classe dominante envolvidos nestes assuntos sofrem em grau insignificante. Posso citar um fato pouco conhecido a este respeito. Vários anos atrás, um dos filhos do Lord e Lady Astor foi condenado por homossexualidade. A imprensa inglesa e americana se omitiu de informar sobre isto, com a exceção do Morning Advertiser. Este jornal é de propriedade de fabricantes de cerveja, e era de seu interesse comprometer Lord e Lady Astor, que tinham agitado pela introdução da proibição. Assim, o fato da [condenação de Astor] tornou-se conhecido graças às contradições dentro da classe dominante.

Graças a sua riqueza, a burguesia pode evitar a punição legal que desce com toda a sua severidade sobre os trabalhadores homossexuais com exceção dos casos em que estes últimos se prostituíram com membros da classe dominante.

Já mencionei que o capitalismo, que tem necessidade de carne de canhão e de um exército de reserva de mão-de-obra, tenta combater a homossexualidade. Mas, ao mesmo tempo, através da piora das condições de vida dos trabalhadores, o capitalismo produz as condições objetivas para o aumento do número de homossexuais que adotam este estilo de vida em virtude de necessidades materiais.

Esta contradição se refletiu no fato de que o fascismo, que empregava o pederasta [Marinus] van der Lubbe(4) como arma em sua provocação, ao mesmo tempo em que suprimia brutalmente o movimento da intelligentsia liberal de “libertação” dos homossexuais, dirigido pelo Dr. Magnus Hirschfeld(5). (Ver o Brown Book, que cita o caso de Hirschfeld como um exemplo da barbárie anti-cultural dos fascistas)(6).

Outro reflexo desta contradição é a figura de André Gide, escritor homossexual francês, dirigente do movimento antifascista e ardoroso amigo da URSS. O público em geral na França sabe da homossexualidade de Gide porque ele escreve sobre isto abertamente em seus livros. E, no entanto, sua autoridade entre as massas como um companheiro de viagem do partido comunista na França não foi abalada. O fato de Gide ter-se juntado ao movimento revolucionário não impediu seu crescimento ou o apoio das massas à liderança do partido comunista. Na minha opinião, isto demonstra que as massas não são intolerantes com os homossexuais.

Elogiando a “pureza da raça” e os valores familiares, o fascismo adotou uma posição ainda mais dura contra a homossexualidade do que o governo pré-Hitler. Contudo, porque o fascismo destrói a família da classe trabalhadora e promove o empobrecimento das massas, ele estimula essencialmente o desenvolvimento do segundo tipo de homossexualidade que descrevi – isto é, [a homossexualidade] em casos de necessidade.

A única solução para esta contradição é a transformação revolucionária da ordem existente e a criação de uma sociedade em que a ausência do desemprego, a crescente prosperidade das massas e a liquidação da família como unidade econômica, assegurem as condições nas quais ninguém será forçado à pederastia em casos de necessidade. Quanto aos chamados homossexuais inatos, enquanto percentagem insignificante da população, eles são incapazes de ameaçar a taxa de natalidade no estado socialista.

“Os resultados gerais do crescimento da prosperidade material levaram ao fato de que, enquanto as taxas de mortalidade cresceram junto à pobreza nos países capitalistas, a mortalidade decresceu e as taxas de natalidade aumentaram na URSS. Comparada aos anos pré-guerra, a população na URSS aumentou em um terço, enquanto na Europa capitalista caiu em dez por cento. Hoje, nosso país com sua população de 165 milhões de habitantes mostra o mesmo aumento da população que a Europa capitalista com sua população de 360 milhões de habitantes. Como você pode ver, neste assunto o ritmo aqui é furioso (risos) ” (Informe do camarada Kaganovich sobre o trabalho do Comitê Central do AUCP(b) na conferência da organização de Moscou – os itálicos são do camarada Kaganovich).

Apesar das leis inusitadamente severas sobre o matrimônio que existem nos países capitalistas, a perversão no âmbito da vida sexual normal é significativamente mais disseminada nos países capitalistas do que na URSS, onde as leis sobre o matrimônio são mais livres e mais racionais do que no restante do mundo. É verdade, sabemos que nos primeiros anos da Revolução certas pessoas tentaram abusar da liberdade proporcionada pelas leis matrimoniais soviéticas. No entanto, estes abusos não foram detidos por medidas repressivas, mas pela amplitude da educação política e do trabalho cultural, e pela evolução da economia na direção do socialismo. Imagino que com relação ao homossexualismo (do segundo tipo) uma política similar se mostraria mais frutífera.

Sempre acreditei que era um erro avançar separadamente a palavra de ordem da emancipação dos homossexuais da classe trabalhadora a partir das condições da exploração capitalista. Creio que esta emancipação é inseparável da luta geral pela emancipação de toda a humanidade da opressão da exploração da propriedade privada.

Não tinha nenhuma intenção de transformar isto em um problema, de colocar esta questão teoricamente e de buscar uma opinião definitiva sobre esta questão do Partido. Contudo, no momento, a própria realidade me obrigou a colocar esta questão, e considero que seja essencial alcançar um esclarecimento geral sobre este tema.

O camarada Borodin indicou-me que o fato de que eu ser homossexual de forma alguma diminui meu valor como revolucionário. Ele demonstrou grande confiança em mim, indicando-me como chefe de redação. Então, ele não me trata como alguém que pode se tornar ou que foi um criminoso condenado. Ele também me indicou que minha vida pessoal não era algo que pudesse prejudicar até mesmo no menor grau minha condição de membro do Partido e do trabalho editorial.

Quando apresentei a ele a questão das detenções, ele mais uma vez (e a OGPU através dele) assegurou-me que no caso dado as razões [para as detenções] eram de natureza política, e de forma alguma de natureza social ou moral, embora a variante de 17 de dezembro da lei já existisse então. Depois de fazer a solicitação correspondente à OGPU, me disseram: “Não há nada de incriminador contra você”. Quando soube da variante de 17 de dezembro da lei, recebi respostas de tipo similar de certo número de pessoas. É verdade que o camarada Degot, do Comissariado do Povo da Justiça, disse que a razão para a lei era que o homossexualismo era uma forma de degenerescência burguesa.

O especialista em psiquiatria com quem eu falei sobre este tema se recusou a acreditar na existência de tal lei até que mostrei uma cópia para ele.

Apesar da existência de certo número de interpretações incorretas por parte de certos camaradas, é completamente óbvio que no período precedente à promulgação da lei, a opinião pública sobre esta questão não era em absoluto hostil aos homossexuais. E isto não me surpreendeu em absoluto.

Aceitei as detenções de homossexuais como um fenômeno totalmente natural, na medida em que na ocasião [das detenções] havia razões de natureza política. Como já mencionei, tudo isto estava de acordo com minha própria análise da questão (como se indica acima), e exatamente da mesma forma não contradiz o ponto de vista expresso oficialmente pelo público soviético. O camarada Borodin me assinalou que não deveria dar demasiada importância ao artigo sobre homossexualismo na Grande Enciclopédia Soviética porque (disse ele) seu autor era ele próprio homossexual e o artigo foi publicado durante um período em que uma série de desvios ainda não tinham sido expostos. Não acho que devamos desconfiar de uma história do Partido Comunista se um comunista a escreveu. Se um homossexual de fato escreveu este artigo, então, tudo o que se exigia dele era uma abordagem objetiva e científica do homossexualismo. Em segundo lugar, sei tanto sobre a eficácia do controle político soviético da imprensa que não posso admitir a possibilidade de que um artigo com desvios sérios pudesse ser impresso numa publicação como a Grande Enciclopédia Soviética. Se isto é possível quando se trata de artigos individuais em alguma revista ou jornal insignificantes, então não é possível na Grande Enciclopédia Soviética. Em qualquer caso, pensei que era possível ter plena confiança em uma publicação cujos editores incluem pessoas como Molotov, Kuibyshev e Pokrovsky (ou mesmo Bukharin, embora ele mereça menos confiança).

Contudo, do ponto de vista que estou defendendo, o artigo na Grande Enciclopédia Soviética não era de grande importância. A atitude do público soviético ante esta questão foi expressa com suficiente clareza na lei que existia exatamente até a adoção da Lei de 7 de março. Se a lei nada tinha dito sobre esta questão, então as dúvidas podem ter existido antes. Mas a lei de fato formulou uma opinião sobre esta questão: ela defendia os interesses da sociedade proibindo a sedução e perversão de menores. Mas isto nos leva a concluir que as relações homossexuais entre adultos não foram proibidas.

A lei, naturalmente, é dialética: muda enquanto as circunstâncias mudam. É óbvio, no entanto, que quando a primeira lei foi ratificada, toda a questão do homossexualismo foi levada em conta como um todo (isto, de qualquer forma, é o que se poderia pensar na base da conclusão do que se seguiu a partir da lei). Esta lei estabelecia que o governo soviético rechaçava completamente o princípio da perseguição ao homossexualismo. Este princípio é de caráter fundamental, e sabemos que princípios básicos não se alteram a fim de torná-los compatíveis às novas circunstâncias. Alterar os princípios básicos para tal finalidade significa ser um oportunista e não um dialético.

Sou capaz de compreender que a alteração das circunstâncias também requer certas mudanças parciais na legislação, na aplicação de novas medidas para a defesa da sociedade, mas não posso entender como a alteração das circunstâncias pode nos forçar a mudar um de [nossos] princípios básicos.

Visitei dois psiquiatras em busca de uma resposta à questão de saber se era possível “curar” a homossexualidade – talvez você vá achar isto surpreendente. Admito que isto foi oportunismo de minha parte (desta vez, talvez, isto pode ser perdoado), mas fui motivado a fazer isto pelo desejo de encontrar algum tipo de solução para este maldito dilema. E menos ainda quero contradizer a decisão do governo soviético. Eu estava preparado para fazer qualquer coisa somente para evitar a necessidade de me encontrar em contradição com a lei soviética. Dei este passo apesar do fato de não saber se os pesquisadores contemporâneos foram bem-sucedidos em estabelecer a verdadeira natureza da homossexualidade e a possibilidade de converter homossexuais em heterossexuais – isto é, em pessoas que participam do ato sexual somente com membros do sexo oposto. Se essa possibilidade fosse um fato estabelecido, então tudo seria muito mais simples, naturalmente.

Mas, falando francamente, mesmo que esta possibilidade fosse estabelecida, eu ficaria incerto de todos os modos sobre se seria desejável de fato converter homossexuais em heterossexuais. Naturalmente, pode haver certas razões políticas que poderiam tornar isto desejável. Mas imagino que a necessidade de tal procedimento de nivelação deva estar motivada por razões inusitadamente fortes.

Sem dúvida é desejável que a maioria das pessoas sejam normais no sentido sexual. Temo, contudo, que isto nunca será o caso. E penso que meus temores são confirmados pelos fatos da história. Penso que se pode dizer com certeza que a maioria das pessoas deseja e continuará a desejar uma vida sexual normal. No entanto, duvido muito da possibilidade de que todas as pessoas se tornem completamente idênticas em termos de suas inclinações sexuais.

Gostaria de lembrar que os homossexuais constituem meros dois por cento da população. Você também deve se lembrar que entre estes dois por cento havia pessoas excepcionalmente talentosas como Sócrates, Leonardo da Vinci, Michelangelo, Shakespeare e Tchaikovsky. Estes são aqueles sobre os quais sabemos que eram homossexuais. Mas quantas de muitas outras pessoas talentosas existem entre homossexuais que esconderam suas verdadeiras inclinações? Não tenho nenhuma intenção de defender a teoria absurda de que os homossexuais pertencem a uma raça de super-homens, que homossexualidade e genialidade são sinônimos, que os homossexuais chegarão algum dia, como se alega, a tomar sua vingança sobre a sociedade por seus sofrimentos unindo-se para conquistar heterossexuais. “Teorias” desta laia já foram condenadas com desprezo considerável (como merecem ser) por Engels em sua carta a Marx de 22 de junho de 1869. Nesta carta, Engels escreve sobre “teoria” proposta por uma camarilha de homossexuais burgueses alemães que tinham formado sua própria e especial organização. Engels classifica todo esse assunto com o epíteto de “porcarias” (schweinerei).

Que foi precisamente a “teoria” política da organização, e não a orientação sexual específica de seus membros, o que despertou a ira de Engels, pode ser visto em sua carta a [Friedrich] Sorge de 8 de fevereiro de 1890. Engels escreve:

“Aqui há outra tempestade em um copo d’água em curso. Você lerá em Labour Elector sobre o bafafá provocado por Peake [?], editor assistente do Star, que em um dos jornais locais acusou abertamente Lord Gaston de sodomia em relação à escandalosa homossexualidade da aristocracia local. O artigo foi vergonhoso, mas foi apenas de natureza pessoal; o assunto não era político”. [A tradução é imprecisa e feita a partir do texto publicado em inglês em um jornal comunista inglês].

“O assunto não era político”. O fato de que Engels se refira ao caso de um membro da classe inimiga, que foi acusado de sodomia e que causou um escândalo no mundo aristocrático, como “não político”, como uma “tempestade em copo d’água”, é de grande e fundamental importância para nós. Se a homossexualidade é vista como um traço característico da degenerescência burguesa, então é correto atacar suas manifestações individuais, particularmente durante um período em que os escândalos homossexuais se generalizavam no meio aristocrático. Contudo, desprende-se da citação que Engels não considerava a homossexualidade como uma forma específica de degeneração burguesa. Ele atacou somente quando (como, por exemplo, nos casos envolvendo a Alemanha) ela adotou a forma política de uma associação de certos elementos burgueses. Quando, por outro lado, o assunto não tinha conotações políticas (como no caso acima citado), Engels não considerou necessário atacá-lo.

Assumo que certos tipos de talento (em particular, o talento no âmbito das artes) são de forma surpreendente frequentemente combinados à homossexualidade. Isto deve ser levado em conta, e me parece que se deve pesar cuidadosamente os riscos da nivelação sexual precisamente neste ramo da cultura soviética, no momento ainda não possuímos uma explicação suficientemente científica da homossexualidade.

Eu me permitirei citar uma passagem do informe do Camarada Stalin ao XVII Congresso do Partido:

“[Qualquer] leninista sabe, se for um leninista genuíno, que o nivelamento no âmbito das necessidades e da vida pessoal cotidiana é um absurdo reacionário digno de alguma seita primitiva de ascetas, e não de um estado socialista organizado de forma Marxista, pois não se pode exigir que todas as pessoas devam ter necessidades e gostos idênticos, que todas as pessoas vivam suas vidas diárias de acordo com um único modelo […]

“Concluir disto que o socialismo requer o igualitarismo, a equalização e o nivelamento das necessidades dos membros da sociedade, o nivelamento de seus gostos e vidas pessoais, que de acordo com o Marxismo todos devem usar roupas idênticas e comer a mesma quantidade de um só e mesmo prato, é equivalente a proferir banalidades e caluniar o Marxismo” (Stalin, Informe ao XVII Congresso do Partido sobre os trabalhos do Comitê Central do PC(b)U. Lenpartizdat, 1934, pp. 54-55. Os itálicos são meus – H.W.).

Parece-me que este trecho do informe do Camarada Stalin tem direta influência sobre a questão que estou analisando.

No entanto, o que é importante é que mesmo quando se persegue este nivelamento no presente, é impossível alcançá-lo seja por meios médicos ou legislativos.

Quando ambos os psiquiatras a quem visitei foram forçados por minhas insistentes perguntas a confessar que existem casos de homossexualidade incurável, finalmente estabeleci minha própria atitude sobre a questão.

Deve-se reconhecer que existe tal coisa de homossexualidade inextirpável – ainda não encontrei fatos que refutem isto – e, portanto, parece-me, em consequência, que se deve reconhecer como inevitável a existência desta minoria na sociedade, seja uma sociedade capitalista ou mesmo uma sociedade socialista. Neste caso, não se pode encontrar qualquer justificativa em declarar essas pessoas penalmente responsáveis por seus traços distintivos, traços estes por cuja criação não carregam nenhuma responsabilidade e que são incapazes de mudar mesmo que quisessem.

Assim, na tentativa de raciocinar de acordo com os princípios do Marxismo-Leninismo como os entendo, cheguei no final à contradição entre a lei e as conclusões que acompanham minha linha de raciocínio. E é justamente esta contradição que me obriga a desejar uma declaração oficial sobre esta questão.

Saudações comunistas
Harry Whyte

Meu endereço:
Bolshoi Afanasievskii, nº 5, apt, 11;
telefone: 3-34-33
Endereço profissional:
Petrovskii pereulok, nº 8,
“Moscow Daily News”,
tel: 2-58-71, 3-33-26.


Como podemos perceber,  o grafómano Harry White usou-se de um estilo muito parecido com o dos chamados "militantes LGBT", com toda uma verborragia que lhes é típica, além de desinformação, por exemplo quando o autor alega que "Tchaykovskiy era homossexual", recorrendo ainda a figuras como Leonardo Davinci. Ainda que o pintor fosse homossexual, no caso de ser verdade, isso de forma alguma legitima moralmente ou biologicamente essa prática, sendo como alegar que o Japão tornou-se uma das maiores economias mundiais "por ter terremotos".

Mas a resposta de Stalin foi lacônica: "Idiota e degenerado! Para o arquivo." Algumas semanas depois Harry White foi expulso da União Soviética. Em 1941, o seu visto de entrada foi negado pela Embaixada da URSS em Londres. White morreu com apenas 53 anos, relativamente jovem, o que não raramente ocorre aos seus pares.


- Fontes de consulta

IVANOV, Viktor Aleksandrovitch. Artigo científico Organizações contrarrevolucionárias dentre os homossexuais de Leningrado no início dos anos 30 e seu pogrom. Em https://cyberleninka.ru/article/n/kontrrevolyutsionnye-organizatsii-sredi-gomoseksualistov-leningrada-v-nachale-1930-h-godov-i-ih-pogrom/viewer

O mito da socialização das esposas no comunismo

Num país como o Brasil um marxista estrangeiro tem duas opiniões sobre o que se convencionou a chamar de "esquerdista médio" no Brasil: a de que se trata de alguém que "aprendeu" sobre o marxismo por sites de extrema-direita e que apreciou justo o que a extrema-direita aprova ou a de que se trata de alguém que não entendeu a obra de Marx e resolveu interpretá-la a seu próprio modo conforme os seus próprios desvios morais. Sobre este último tipo até mesmo Lenin chegou a comentar, em tom de condenação, numa carta a Clara Zetkin.

Um dos mitos mais recorrentes, tanto por reacionários de direita quanto por liberais, é o de que "os comunistas querem socializar as mulheres". Numa variante do mito cita-se que "Marx pediu a socialização das mulheres no Manifesto Comunista", noutra que os bolcheviques tentaram fazê-lo em 1918.


Desde seu surgimento, o movimento socialista (e comunista como parte dele) tem cooperado ativamente com o feminismo (doravante, por feminismo, quero dizer o feminismo real, e não suas formas extremas, que são melhor chamadas de misantropia), e adota vários de seus slogans. Nesse estágio, os movimentos socialista e feminista estão frequentemente tão interligados que é impossível separar um do outro. O socialismo visa a libertação do homem. E a posição de uma mulher daquela época é simplesmente terrível.

É difícil para uma pessoa moderna imaginar o grau de rebaixamento da posição das mulheres na Europa. As raízes dessa atitude remontam ao alvorecer da Idade Média. 

A ironia da história é que nas sociedades consideradas atrasadas no século 19, a posição das mulheres era muitas vezes melhor do que na "civilizada" Inglaterra. Uma comparação impressionante com o Império Russo da época, com sua energia e sarcasmo característicos, foi feita em 1890 por Blavatsky. Mas isso no final do século. Ainda sob o tzarismo, a Rússia criou a primeira universidade feminina da Europa, a Pavlov de medicina, onde muitos brasileiros que encontram um ambiente mais confortável e viável do que em universidades caras como a Unifor para tirarem os seus diplomas (e ainda podem trabalhar depois como médicos em países como a Alemanha, onde receberão em Euros). Alguns historiadores atribuem ao Grão-Ducado da Finlândia, que então fazia parte do Império Russo, o primeiro Sufrágio Universal.

Em meados do século XIX, a situação nos países "civilizados" era ainda pior. Mesmo em comparação com os países islâmicos, a Europa perde no século XIX. De acordo com o Islã, uma mulher pode herdar livremente e dispor de propriedade sem nenhum guardião. Enquanto na Europa, com raras exceções, a mulher até a década de 1890 era considerada uma “criança tola”, cuja propriedade era totalmente controlada por um homem. Mesmo em relação às mulheres das classes altas que ganham a vida com literatura, juízes ingleses tomaram decisões olhar nos olhos de uma pessoa moderna como pura zombaria, "as habilidades mentais de uma esposa pertencem ao marido". E pronto, ela é obrigada a dar tudo ao marido até o último centavo. O que havia a dizer sobre as classes mais baixas...

As mulheres não tinham direito a nada. Até para os próprios filhos. O que é compreensível, em condições em que se acreditava que ela mesma exigia a guarda, a questão da guarda da criança foi automaticamente resolvida não a seu favor.

Reclame comercial americano

A situação com a educação também é triste. Os mais tolerantes estavam na Suíça, e mesmo lá somente em 1842 as duas primeiras garotas puderam se matricular na Universidade de Zurique como voluntárias. Aos poucos, essa prática começa a abranger a Europa. As mulheres são admitidas nas universidades. Embora com uma série de restrições, a critério do professor, em vários países é necessária a autorização dos pais/marido/responsável. Mas tudo isso, em primeiro lugar, ainda é isolado, não massivamente e, em segundo lugar, não afeta os estratos inferior e médio da população.

Assim, as mulheres foram forçadas a sair de todas as esferas da vida social da sociedade. Seu papel de fato era "constituir o estrato de serviço sem propriedade da sociedade, ligado ao trabalho doméstico, incluindo o trabalho no jardim". Mesmo no universo desportivo a atitude da Europa Ocidental tão "avançada e progressista" chegava ao ridículo quando se tratava das mulheres. Alegava-se na academia europeia que o uso de bicicletas podia causar atrito nas partes íntimas da mulher e assim levá-las ao safismo.

Tal situação não poderia agradar aos socialistas, incluindo os marxistas. Imediatamente após o surgimento do movimento, eles fizeram um forte protesto. E imediatamente tropeçou em um completo mal-entendido, misturado com mentiras. Ecos dessa mentira ainda são encontrados, às vezes nos lugares mais inesperados. 

Claro, Marx tinha um estilo muito pesado, não raro sarcástico. A menos que uma pessoa muito preocupada sexualmente possa dar ao termo socialização, que significa dar à mulher um status social independente, uma conotação sexual. É disso que fala Marx no Manifesto, sem esconder, em texto simples, para zombar. "O burguês vê sua esposa como um mero instrumento de produção. Ele ouve que as ferramentas de produção devem ser disponibilizadas para uso geral e, claro, não consegue se livrar da ideia de que as mulheres sofrerão o mesmo destino".

De fato, para os marxistas, a própria situação era intolerável quando uma mulher na sociedade não sobrevive sozinha. E só resta um caminho para ela, o casamento, embora com uma pessoa não amada. Os marxistas não chamavam essa situação de outra forma senão “prostituição legalizada”. Ríspido demais? Talvez. No entanto, há muita verdade nesta frase. Mas o que eles ofereceram em troca? Os marxistas preferiram não resolver esta questão e deixá-la à inteira disposição das gerações futuras.

Engels formulou plenamente esta tese “Assim, o que podemos agora supor sobre as formas de relações entre os sexos após a iminente destruição da produção capitalista é predominantemente negativo por natureza, limitado na maioria dos casos ao que será eliminado. Mas o que irá substituí-lo? Isso será determinado quando uma nova geração crescer: uma geração de homens que nunca terá que comprar uma mulher por dinheiro ou outro meio social de poder em suas vidas, e uma geração de mulheres que nunca terá que se entregar a um homem. por qualquer outro motivo que não o amor verdadeiro, nem recusar a intimidade com o homem que ama por medo das consequências econômicas. Quando essas pessoas aparecerem, elas farão tudo o que, de acordo com as ideias atuais, deveriam fazer; eles saberão por si mesmos o que fazer,

Apesar da revisão de várias teses de Marx, os bolcheviques não recuaram nem por um momento. Mas então quais são as histórias que vagam de livro em livro sobre a introdução do amor livre por decretos, a nacionalização das mulheres na sociedade civil? A história é atribuída aos bolcheviques ou aos anarquistas (sem esquecer de transferir a culpa de qualquer maneira para os bolcheviques). Como A.Velidov mostra de forma convincente, essas histórias são baseadas no “Decreto sobre a abolição da propriedade privada das mulheres” impresso em Saratov por um certo M.Uvarov. Este “decreto” era falso: Qual era o propósito de Uvarov ao escrever seu “decreto”? Ele queria ridicularizar o niilismo dos anarquistas em questões de família e casamento ou estava tentando deliberadamente colocar grandes setores da população contra eles? Infelizmente, não é mais possível descobrir. Anarquistas furiosos destruíram a casa de chá pertencente ao satirista, mataram-no, emitiram proclamações explicando que não tinham nada a ver com isso. Mas já era tarde. O folheto foi reimpresso por dezenas, senão centenas, de jornais. E em vão os bolcheviques negaram.


A questão permanece, existia tal coisa? Poderia realmente ter sido assim? Sim, poderia. Isso, em uma escala ou outra, existe em quase todas as guerras. E ainda mais em civis, caracterizados pela decadência das normas morais e pela amargura. Portanto, os bolcheviques reagiram nervosamente a todos os rumores sobre isso. Não foi à toa que Lenin deu instruções: “Verifique imediatamente os mais rigorosos, se confirmados, prenda os culpados, é preciso punir os canalhas com severidade e rapidez e notificar toda a população. Desempenho do telégrafo."

Portanto, pode-se dizer de forma bastante inequívoca que durante a guerra civil, é claro, houve violência e coerção. Mas não há como afirmar que as autoridades dos lados opostos estejam relacionadas a isso. Em vez disso, podemos falar sobre o "complexo machista" que ocorreu em tal ambiente. O mesmo complexo marcou o primeiro pós-guerra. “Em um ambiente de caos social, gênero e status de idade tornaram-se de fato os únicos “objetivamente” distinguíveis, e as orientações de gênero adquiriram significado especial em um espaço social amorfo. Eles, mais espontaneamente do que propositalmente, influenciaram a ideologia e os códigos comportamentais das pessoas no poder e tiveram um efeito modelador nas estratégias de sobrevivência da população.

Posfácio:

O "Decreto sobre a Abolição da Propriedade Privada de Mulheres" também ficou amplamente famoso no exterior. O estereótipo dos bolcheviques como destruidores da família e do casamento, os defensores da socialização das mulheres foi intensamente introduzido na consciência do homem ocidental da rua. Mesmo algumas figuras públicas e políticas burguesas proeminentes acreditaram nesses sofismas. Em fevereiro-março de 1919, na comissão "Overman" do Senado dos Estados Unidos, durante uma audiência sobre a situação na Rússia, ocorreu um diálogo notável entre um membro da comissão, o senador King, e um americano, Simons, que chegou da Rússia Soviética:

King: Por acaso, vi o texto original em russo e a tradução para o inglês de alguns decretos soviéticos. Na verdade, eles destroem o casamento e introduzem o chamado amor livre. Você sabe algo sobre isso?

Simons: Você encontrará o programa deles no Manifesto Comunista de Marx e Engels. Antes de nossa partida de Petrogrado, se acreditarmos nas notícias dos jornais, eles já haviam estabelecido um regulamento muito definido sobre a chamada socialização das mulheres.

King: Então, para ser franco, homens bolcheviques do Exército Vermelho e homens bolcheviques sequestram, estupram e molestam mulheres tanto quanto querem?

Simons: Claro que sim.

O diálogo foi integralmente incluído no relatório oficial da comissão do Senado, publicado em 1919.

quinta-feira, abril 13, 2023

Os comunistas e os valores tradicionais

Os comunistas e valores tradicionais. Discussão do relatório de G.A. Zyuganov ao Plenário do Comitê Central do Partido Comunista da Federação Russa

Questões levantadas no relatório do Líder do Partido Comunista da Federação Russa G.A. Zyuganov ao XIV (outubro) 2012 plenário do Comitê Central do Partido Comunista da Federação Russa, mais uma vez atualiza o problema da atitude de nosso Partido em relação aos valores tradicionais. Esse problema, no entanto, não é novo. Desde o momento de sua criação, o Partido Comunista da Federação Russa assumiu uma posição completamente clara e inequívoca de proteger os valores nacionais, familiares e santuários espirituais do povo russo, que estão sendo destruídos e ridicularizados pelo regime burguês. É ainda mais importante para nós hoje fazer uma análise de classe social dessas forças sociais e dessas contradições que transformam a atitude em relação aos valores tradicionais em uma questão de política atual, em uma questão de choque de interesses de importantes forças sociais de classes.

Por Sergey Alexandrovich Stroev, co-presidente da filial regional de São Petersburgo do movimento criativo de toda a Rússia "Russian Lad", presidente da comissão ideológica do Comitê Distrital Central do Partido Comunista da Federação Russa em São Petersburgo

Tradução: Cristiano Alves

21/10/2012 19:17 (atualização: 23/10/2012 18:28)



Tradição e seleção natural social

Introdução

Durante um longo período de sua existência, a humanidade desenvolveu estereótipos e normas de comportamento social extremamente estáveis ​​e conservadores. Muitos deles nem mesmo são especificamente humanos e foram herdados pela espécie humana de ancestrais animais. Outros já se desenvolveram no processo de evolução humana adequada. Uma parte significativa dos nossos estereótipos comportamentais é, na verdade, apenas um design cultural, apenas uma espécie de invólucro para mecanismos puramente biológicos, fixados geneticamente e implementados ao nível do funcionamento dos sistemas nervoso e hormonal. Um exemplo vívido disso pode ser, por exemplo, tudo o que os ideólogos burgueses modernos chamam de “papéis de gênero” e, de fato, revelam a relação comportamental mais próxima do homem não apenas com os primatas, mas também com a maioria dos vertebrados superiores.

Modelos estáveis ​​associados à hierarquia na comunidade, com comportamento sexual e parental, têm o valor adaptativo mais importante. Milhões de anos de seleção natural aperfeiçoaram esses modelos tanto no nível da genética quanto no nível da informação não genética transmitida e assimilada no processo de criação e socialização.

Como um ser humano como um tipo apareceu pela primeira vez, e então uma pessoa racional como uma espécie, a sociabilidade humana propriamente dita foi gradualmente formada, e a cultura humana surgiu com base em informações não geneticamente transmitidas de geração em geração no curso da educação. Ao longo de milênios, o comportamento social humano tornou-se cada vez mais complicado, e a cultura tornou-se cada vez mais diversificada e refinada, habilidades de produção acumuladas, artesanato e artes aprimoradas, tecnologias, ciência, teologia e filosofia racional surgiram.

Nas religiões tradicionais, fixam-se formas de relações sociais, normas éticas, modelos estereotipados de relações entre um homem e uma mulher, um pai e um filho, um professor e um aluno, um mais velho e um mais jovem, que passaram pelo teste do tempo e provaram sua capacidade de garantir a reprodução sustentável da vida das comunidades humanas. Do ponto de vista de uma pessoa religiosa, isso é explicado pelo fato de que Deus deu às pessoas as leis mais razoáveis ​​e convenientes para a vida na Terra. Do ponto de vista da metodologia materialista da cognição, isso também não é surpreendente: na forma da religião (e, mais amplamente, das tradições como um todo), os resultados de muitos milhares de anos de evolução social acabaram se cristalizando e formalizado, resultado da seleção natural, que fixou as normas e regras que melhor garantiram a sobrevivência e a multiplicação da comunidade humana em um ambiente em constante mudança.

Essas duas explicações, a propósito, não se contradizem e podem muito bem ser as mesmas formas equivalentes de descrever o mesmo fenômeno como a dualidade onda-partícula do elétron. Mas seja qual for a explicação aceita por esta ou aquela parcela da sociedade, o fato permanece: as normas e estereótipos de comportamento consagrados pelas religiões tradicionais são de enorme importância e valor para a sobrevivência e reprodução das sociedades humanas, são surpreendentemente biologicamente e socialmente expedientes. Se, no entanto, surgiram periodicamente na história sistemas religiosos ou outros sistemas sociais que contradiziam os interesses da reprodução social da vida (por exemplo, seitas gnósticas, maniqueístas, a heresia cátara, outros cultos destrutivos), então eles rapidamente enfraqueceram a sociedade que os aceitou, levou à derrota e à destruição. E desapareceram historicamente junto com ela, como qualquer anomalia nociva desaparece na natureza. As mesmas normas religiosas, morais, familiares que sobreviveram ao longo dos séculos e se tornaram tradição, têm todas as razões para considerá-las comprovadas e confiáveis ​​no sentido da capacidade de assegurar a existência sustentável e a prosperidade da sociedade e da civilização que as professa.

O capitalismo contra a sociedade tradicional

O coletivo "Porta dos Fundos", cujas ações pertencem à Paramount Pictures (51%) e a Antônio Tabet, Fábio Porchat e Gregório Duvivier, produziram um "especial de Natal" debochando do Cristianismo no Brasil. Ataques a religiões quase sempre são restritos a ataques ao Cristianismo no Ocidente e na Rússia

O sistema capitalista é frequentemente descrito no marxismo dogmático como um estágio natural no progresso geral universal estágio por etapas da humanidade. Embora seja bastante digno de atenção o ponto de vista de que, de fato, o sistema capitalista surge historicamente uma única vez e exclusivamente no quadro da civilização da Europa Ocidental, sendo inseparável de seu contexto cultural puramente específico. Sua condicionalidade histórica devido à coincidência de uma série de pré-requisitos culturais, mentais, econômicos e históricos únicos, bem como a natureza única de sua ocorrência, fornecem motivos significativos para duvidar de sua necessidade histórica, universalidade e inevitabilidade. O próprio Karl Marx, aliás, ao contrário da opinião dos dogmáticos “marxistas” vulgares, esteve muito próximo de compreender as limitações do conceito de formação socioeconômica mutante que ele formulou no quadro de uma civilização puramente européia ocidental. Pelo menos ele próprio não tentou extrapolar artificialmente as características do sistema escravista e feudal da Europa Ocidental para sociedades não européias, mas usou a definição de "modo de produção asiático". Ele também admitiu a possibilidade (para a Rússia em particular) de uma transição para o socialismo, contornando o estágio do capitalismo diretamente com base no desenvolvimento da comunidade camponesa. A propósito, a teoria de um caminho não capitalista de desenvolvimento para países não europeus desenvolvida pelo PCUS, o movimento comunista mundial no século 20 e colocada em prática de Cuba aos agora países socialistas da Ásia, também atesta a não -universalidade da fase capitalista.

Assim, a ideia cada vez mais difundida do capitalismo como uma espécie de mutação social aleatória, ou melhor, como um "vírus" extremamente contagioso que surgiu como resultado de tal mutação, não é tão contrária às visões bastante amplas do próprio Marx , e, ainda mais proposto por ele método científico de análise.

Uma característica específica do capitalismo como um tipo especial de organização social e econômica é seu não-equilíbrio. A grande maioria das sociedades tradicionais (com exceção de casos exóticos individuais, como o Estado asteca ou a sociedade hipoteticamente reconstruída da Ilha de Páscoa) tinha uma estrutura adaptada ao máximo para uma reprodução sustentável, de continuidade e de longo prazo em relativo equilíbrio com o ecossistema hospedeiro.

A essência da mutação do capitalismo foi que os atributos do significado transcendente foram transferidos para a atividade econômica puramente prática. O recebimento e o aumento constante do lucro não eram mais percebidos como meio de reprodução da vida, mas adquiriram o caráter de um fim em si, tornaram-se um substituto material do desenvolvimento espiritual. E, ao contrário, a própria reprodução da vida, a própria vida passou a ser percebida apenas como um meio aplicado para a multiplicação sem fim do capital. Surgiu um sistema social parasitário, completamente incapaz de existência sustentável em uma área limitada, mas com um potencial colossal de expansão externa, expansão e destruição do quase-equilíbrio circundante e das civilizações historicamente estáveis. Tendo surgido nas condições específicas da civilização da Europa Ocidental da era dos chamados. "Renascimento" como uma espécie de mutação histórico-cultural, o capitalismo se espalhou pelo mundo, como uma epidemia de uma doença de início súbito, para a qual ninguém ainda conseguiu desenvolver um antídoto.

O capitalismo inicial, tanto no nível da própria vida econômica quanto no nível da política ideologicamente motivada, começou com a destruição da sociedade corporativa de classes complexamente organizada e altamente diferenciada anteriormente existente. O indubitável progresso científico e tecnológico e o crescimento dos volumes de produção não foram de forma alguma acompanhados por um igualmente indubitável progresso espiritual, cultural e social. Além disso, a regressão cultural se expressava no declínio aparentemente acelerado da arte, especialmente da arquitetura e das artes plásticas, que atingiram a completa degradação e degeneração no final do século XX (com algum atraso, a degeneração também se espalhou para a música e a literatura). A regressão social exprimiu-se numa aguda simplificação e depois numa franca desintegração da estrutura social, numa diminuição da especialização e diferenciação social, na crescente atomização da sociedade e na despersonalização do homem, na emergência do fenômeno da multidão no cenário histórico estágio.

Qualquer identidade humana, determinada pela natureza ou pela sociedade, e não por uma escolha arbitrária do indivíduo, passou a ser percebida como “discriminação” e estigmatizada como “fascismo”.

O capitalismo inicial começou reduzindo a florescente complexidade da estrutura étnica, política, de classe e corporativa da antiga sociedade tradicional às nações burguesas modernas e seus derivados, Estados-nação e sociedades civis. No entanto, o desenvolvimento do capitalismo, especialmente no estágio do globalismo financeiro, leva à morte dessas estruturas. A globalização, como processo natural de expansão dos mercados de vendas, matérias-primas e mão de obra, já está apagando as próprias nações burguesas com fluxos migratórios, destruindo as fronteiras estatais e o conceito de soberania nacional, substituindo-as por uma gestão centrada em rede global, decompondo as estruturas da sociedade civil e categorias do direito. Da mesma forma, ao reduzir a família patriarcal extensa característica de uma sociedade tradicional a uma família nuclear, o capitalismo leva à sua decadência e destruição completa.

A ideologia do liberalismo, que elevou ao seu escudo a palavra de ordem da liberdade, atua como um consistente programa de "libertação" do indivíduo de todas as estruturas e vínculos sociais (classe-corporativa, civil, familiar) e de todas as identidades (confessional, étnica, sexual). Essa é a essência do pós-modernismo. Em última análise, a "libertação" de todas as molduras, limites e limites da existência real torna-se "libertação" da própria existência e uma declaração direta de inexistência (imagine uma casa livre de paredes ou uma pessoa livre de uma cabeça). Pior ainda, as identidades naturais são destruídas não apenas pelas exigências ideológicas do liberalismo, mas pelo próprio funcionamento dos mecanismos socioeconômicos do capitalismo, despersonalizando a pessoa e transformando-a em uma unidade unificada de produção e consumo.

Dois caminhos do socialismo

Arte comunista russa: O LGBT É INIMIGO DO PROGRESSO. UMA UNIÃO NORMAL SÓ PODE SER ASSIM

O capitalismo pode ser negado a partir de duas posições de valor diametralmente opostas: ou da posição de proteção dos valores espirituais tradicionais e das instituições sociais, ou da posição de sua negação mais radical. Do ponto de vista formal, em ambos os casos estamos falando da negação dos princípios liberais da liberdade absoluta do mercado, do direito burguês e das normas da democracia burguesa, mas o significado e os objetivos dessa negação são essencialmente opostos.

Na história dos movimentos socialistas, ambos os caminhos foram incorporados. O primeiro caminho é o caminho do renascimento com base na produção socializada das estruturas da sociedade tradicional, valores morais e espirituais conservadores, caminho personificado na figura histórica de Iossif Vissarionovich Stalin. O segundo caminho é o caminho de uma negação radical até mesmo daqueles elementos de valores tradicionais que ainda eram preservados no antigo capitalismo "clássico", ele é personificado por uma multidão de todos os tipos, de Trotsky, Buharin, Radek, Marcuse, Fromm e outros. Esses dois caminhos são diametralmente opostos e absolutamente antagônicos entre si, não quanto aos meios para atingir a meta, mas quanto às próprias metas. Com base nisso, podemos entender a natureza do trotskismo não em um sentido histórico estreito como uma seita política específica de Trotsky pessoalmente, mas como um conceito generalizador para todas as mais diversas formas socialmente destrutivas de esquerdismo, antagonicamente hostis ao stalinismo e à sociedade soviética, ao sistema político, civilização soviética, em geral. O ponto aqui não está em diferenças puramente privadas, como o momento e a escala da coletivização e da industrialização, e nem mesmo em relação a slogans políticos, como a notória Revolução Permanente, mas em uma atitude fundamental para com os valores espirituais e morais tradicionais, para as estruturas tradicionais da sociedade.

Os trotskistas e seus seguidores negaram o valor de uma civilização etnocultural com seus valores tradicionais, e o Estado dentro do qual esta civilização se desenvolveu, viram na Rússia soviética apenas um feixe de mato para atiçar o fogo mundial, apenas um meio temporário para a destruição de outros Estados. Stalin e seus associados, ao contrário, abriram caminho para que o povo russo revivesse o império destruído pelos feveiristas em termos nacionais, territoriais, geopolíticos e militares, entalharam em seu escudo a palavra de ordem do patriotismo soviético. A União Soviética tornou-se de fato uma forma renovada de existência da Rússia histórica, que, sob os bolcheviques-stalinistas, não apenas restaurou sua integridade territorial e soberania do Estado nacional, mas também conseguiu desenvolver qualitativamente formas nacionais específicas de vida e organização interna.

Os trotskistas e seus seguidores professavam a ideia do definhamento acelerado e até mesmo da destruição violenta das nações, da total mistura humana e da despersonalização étnica. Stalin, ao contrário, desenvolveu a doutrina das nações socialistas e, de fato, fez do socialismo um meio eficaz de proteger a autoidentificação nacional da influência corruptora da globalização burguesa.

Os trotskistas e seus seguidores trataram a religião e a Igreja (Nota da tradução: Igreja Ortodoxa Russa), especialmente suas formas tradicionais e conservadoras, com um ódio brutal. Stalin se comprometeu com a Igreja e criou um certo nicho no Estado soviético no qual a Igreja poderia sobreviver. Durante a Grande Guerra Patriótica, o compromisso entre o estado soviético e a Igreja Ortodoxa Russa cresceu em cooperação e apoio mútuo. É fácil, aproximando-se desta tendência, supor que se a linha política de I. V. Stalin não fosse interrompida pelas reformas de Hrushchev, ela acabaria por levar à restauração da sinfonia do poder secular e do poder espiritual.

Os trotskistas e pessoas afins fizeram o possível para quebrar e destruir as normas morais públicas, os valores familiares e a própria instituição da família como supostamente "preconceitos burgueses". A este respeito, podemos recordar a legalização da pederastia (Nota da tradução: coito homossexual entre homens) nos primeiros anos do poder soviético, e os "decretos" extremistas-anarquistas sobre a "socialização das esposas", e as marchas aprovadas pelo governo de ativistas nuas conhecidas como "Abaixo a vergonha!" (Daloy styd!) entre membros do Komsomol e jovens comunistas. A fidelidade conjugal foi interpretada pelos trotskistas como um "preconceito burguês", a maternidade e a família como uma relíquia do passado. Implantou-se a ideia de educação pública de crianças nascidas de sexo promíscuo. O aborto foi legalizado tanto no sentido legal quanto moral (Trotsky, aliás, insistiu especialmente nisso, em termos modernos, falando em “direitos reprodutivos” da mulher). Os trotskistas apoiaram financeiramente e propagaram ativamente a psicanálise freudiana no Estado Soviético como uma doutrina da liberação dos instintos animais e da destruição dos tabus culturais, cultivaram a introdução da psicanálise no sistema de educação da geração mais jovem.

Ao contrário, a vitória de Stalin e de seus associados levou a uma virada de 180 graus na política do Estado em questões de moralidade pública. Abstinência sexual, castidade e fidelidade conjugal tornaram-se a norma da sociedade socialista, e agora a vida sexual promíscua começou a ser avaliada como evidência de degeneração moral e costumes burgueses. A pederastia tornou-se um tipo penal, o aborto foi legalmente proibido, as sociedades nudistas foram dispersadas. Um trabalho ascético e um modo de vida moralmente puro, em muitos aspectos próximos aos exemplos da moralidade ortodoxa, começaram a ser promovidos. A introdução da psicanálise na educação de crianças e adolescentes cessou, e então as instituições psicanalíticas e pedológicas foram completamente destruídas e dispersas. Em vez da grosseria encoberta pela rebeldia revolucionária, os jovens começaram a cultivar consistentemente o respeito pelos pais, professores e mentores e pela geração mais velha como um todo.

A vitória de I. V. Stalin levou à eliminação de perversões pedológicas no campo da educação e educação da juventude, à eliminação de todos os tipos de "inovações" destrutivas e à restauração do clássico tradicional para a escola de classe da Rússia com uma lição como a forma principal de ensino, com uma ampla formação teórica em "disciplinas" obrigatórias, que são os fundamentos das ciências, com trabalhos de casa, com avaliações e exames individuais, com elevada disciplina e respeito pelo professor. No final, ressurgiram até mesmo atributos de um ginásio clássico como uniforme escolar, educação separada para meninos e meninas, estudo de lógica e latim, etc.

Gradualmente I.V. Stalin realizou a reabilitação da história russa (eliminou a sociologicamente vulgar, russofóbica e anticientífica “Escola de Pokrovskiy”), lingüística científica (liquidação da anticientífica Marrovsky “nova doutrina da linguagem”). Essas tendências refletiam claramente o renascimento da ciência acadêmica e a rejeição dos substitutos "ultrarrevolucionários" que substituíram a ciência por uma demagogia ideologizada, aparentemente desajeitadamente estilizada como marxismo. Paralelamente, a liderança stalinista contribuiu de todas as maneiras possíveis para o renascimento no campo da cultura. A literatura, a música, o teatro foram decisivamente limpos das formas degeneradas geradas pela turbulência revolucionária e voltaram aos modelos clássicos.

Paralelamente à reabilitação da história russa e de seus heróis, com a reabilitação do próprio conceito de patriotismo, houve um renascimento e desenvolvimento das gloriosas tradições do exército russo. A partir de setembro de 1935, os postos e graduações militares foram restaurados no exército e, a partir de janeiro de 1943, as platinas, o conceito de "oficial" foi devolvido, o exército foi renomeado de "vermelho operário-camponês" para soviético, o uso das cruzes de São Jorge e outros prêmios do antigo exército imperial russo foram secretamente permitidos.

No final, em março de 1945, I.V. Stalin se autodenominava abertamente um "novo eslavófilo", e essa não era uma frase vazia. De fato, o projeto eslavófilo geopoliticamente importante da união dos povos eslavos foi implementado no âmbito da Comunidade Socialista, do Pacto de Varsóvia e do Conselho de Assistência Econômica Mútua.

De um modo geral, podemos dizer que o socialismo na versão stalinista foi um meio de restauração e desenvolvimento qualitativo da Rússia como Estado nacional, destruído pela revolução burguesa de fevereiro e pela turbulência que se seguiu. Restauração da soberania nacional, fortalecida pela remoção das contradições interclasses internas. Restauração da integridade territorial e subjetividade geopolítica. Restauração das instituições sociais tradicionais, famílias, escolas, exércitos, em parte a Igreja. Restauração da ciência acadêmica e da arte realista clássica, literatura, pintura, arquitetura, teatro. Restauração das normas morais tradicionais, diligência, disciplina e autodisciplina, abstinência sexual, castidade, modéstia, respeito pelos mais velhos.

Pelo contrário, o socialismo na versão trotskista era visto como um meio de destruição final e completa de todos os "remanescentes" da velha sociedade, "não liquidados completamente" pela revolução burguesa, começando pelo estado, soberania nacional e a própria nação e terminando com a família, a moral, a ciência acadêmica e a arte.

Se o socialismo à maneira stalinista estava superando a turbulência burguesa de fevereiro e um meio de renovação qualitativa da antiga Rússia, então o socialismo à maneira trotskista era uma continuação radical de fevereiro, levando a turbulência ao absoluto, a destruição final de todos os valores tradicionais ​​e santuários, tudo o que compunha a Rússia histórica. Esta é precisamente a diferença fundamental e a oposição fundamental entre as duas tendências políticas que são chamadas pelos mesmos nomes de socialismo e comunismo.

Liberalismo e esquerdismo



O trotskismo, no sentido estrito e restrito da palavra, degenerou-se hoje em uma coleção de pequenas seitas políticas, divididas por disputas irreconciliáveis ​​sobre questões puramente escolásticas que nada têm a ver com a vida real. Mas o "neotrotskismo" em sentido amplo, ou seja, uma direção política antitradicionalista, antinacional e antiestatal, escondida atrás de um socialista, ou pelo menos assim chamado. A retórica "esquerdista" está amplamente representada no espectro político, especialmente no Ocidente. Aqui vemos os velhos social-democratas, que remontam à Segunda Internacional, e os revisionistas eurocomunistas, e os trotskistas propriamente ditos no sentido estrito da palavra, e todos os tipos de "maoístas", "proletários" etc., e anarquistas, juntamente com os chamados “antifascistas” e alguns “esquerdistas” abstratos, que muitas vezes saíram dos “verdes” que renunciaram à sua filiação nos partidos comunistas, e vários herdeiros das “revoluções estudantis” - a “nova esquerda”, os situacionistas, o assim chamado. Freudo-marxistas, seguidores da Escola de Frankfurt em geral e de Marcuse em particular.

É digno de nota até que ponto esses “esquerdistas de direita” ocidentais, inconciliáveis ​​com as “perversões soviéticas do socialismo”, são capazes de acumular humores rebeldes e inconformistas da juventude e camadas marginalizadas da sociedade e, ao mesmo tempo, integrar-se no sistema político existente.

De fato, que programa as elites dominantes neoliberais e "fundamentalistas de mercado" estão realizando hoje, e qual é a atitude da chamada "esquerda" européia "correta" em relação a esse programa?

Os liberais fundamentalistas dominantes destroem e corrompem propositalmente o estado-nação como instituição, abolem a soberania nacional e a substituem por um sistema de governança em rede global baseado no poder de estruturas políticas supranacionais, bancos globais e corporações transnacionais. A Esquerda Ocidental, sob slogans mais ou menos anarquistas, exige a aceleração e a escalada do desmantelamento do Estado, a abolição das funções dos tribunais e da polícia, a abertura das fronteiras, etc.

As elites liberais dirigentes incentivam a migração étnica estrangeira, alocam consideráveis ​​fundos para sua implementação, implantam a ideologia do multiculturalismo, jogando com os complexos de culpa do homem branco “pelo colonialismo” formados por eles, promovem as ideias de “discriminação positiva” da população branca originária a favor dos migrantes de outros continentes. Eles introduzem os chamados programas de educação. “tolerância”, gastam enormes somas de dinheiro no “combate à discriminação” e no apoio à “cultura nacional” dos migrantes – ou seja, impedem artificialmente sua assimilação, cultivam sua alteridade em relação à população indígena. Mas a esquerda "correta" ocidental aqui, com todo o fervor rebelde revolucionário, exige mais. São eles que atacam furiosamente com acusações de racismo e xenofobia contra quem se permite duvidar da utilidade da migração descontrolada e do direito dos povos indígenas de limitar o fluxo de visitantes indesejados, transformando a Europa tradicional em um cruzamento entre o Harlem e a Somália.

Os fundamentalistas liberais dominantes estão destruindo diligentemente a família como uma estrutura social que fornece um elo entre as gerações e a transmissão de normas tradicionais conservadoras, preservando laços não mercadológicos e difíceis de controlar entre as pessoas, impedindo-as de formar um consumidor ideal de mercadoria fetiches. Por causa disso, o feminismo está sendo promovido e generosamente patrocinado. Por causa disso, os "direitos reprodutivos" das mulheres (isto é, o direito de matar seus próprios filhos ainda não nascidos) são promovidos. Para isso, foi criada uma legislação completamente fantasmagórica, equiparando o olhar lançado por um homem a uma mulher ao assédio sexual e quase ao estupro. Por causa disso, loucas “faculdades de ciências femininas” estão sendo criadas e financiadas nas universidades. Por causa disso, por causa da possibilidade de misantropos liberais em nome do Estado invadirem qualquer família suspeita de religiosidade, a histeria sobre o tema da violência doméstica se desenrola na imprensa. Por causa disso, um sistema monstruoso de "justiça juvenil" foi criado. Os “esquerdistas” ocidentais estão correndo à frente da locomotiva aqui também, tentando superar os próprios liberais na promoção da emancipação das mulheres, com feminismo raivoso, “livre de filhos” como estilo de vida e a destruição da família como um “remanescente patriarcal”.

As "pessoas do mercado" dominantes encorajam a fornicação indiscriminada e a devassidão sexual, implantam-nas como uma mercadoria bem vendável, introduzem programas obrigatórios de abuso sexual nas escolas e até jardins de infância, transformam os pederastas e outros pervertidos sexuais em um grupo social privilegiado, permitem-lhes " adotar" e desde a mais tenra infância até crianças corruptas. Mas os esquerdistas conseguiram passar à frente dos liberais e, armados com as teorias “freudo-marxistas”, o legado da Escola de Frankfurt e as conquistas dos “filósofos” degenerados da moda, estão na vanguarda dos defensores dos direitos dos pervertidos e coveiros dos direitos da maioria mental e moralmente relativamente saudável.

De fato, não há diferença ideológica significativa entre os neoliberais fundamentalistas e a “esquerda” ocidental. Ambos são globalistas consistentes, inimigos da “estreita mentalidade nacional” (ou seja, o princípio de isolamento e soberania das nações), antiestatistas, oponentes fundamentais da moralidade e da ética, especialmente em questões de abstinência sexual, castidade e casamento, fidelidade, inimigos consistentes da hierarquia e ordem social, perseguidores ardentes da religião, especialmente do cristianismo, inimigos da família e da educação familiar tradicional. Tanto os liberais quanto os esquerdistas (Nota da tradução: o termo original em russo é "levaki", que é uma expressão derrogativa, com o sentido de "extrema-esquerda". Em razão da obra de Lenin "Esquerdismo: doença infantil do comunismo", foi mantida a forma "esquerdista") têm uma base comum de princípios professados, a liberdade do indivíduo da sociedade e dos tabus morais, a rejeição de qualquer "metafísica", qualquer vínculo estável entre as pessoas. As diferenças entre a "esquerda" europeia e a "direita" liberal são puramente tácticas e privadas. Num sentido estratégico e de valor, representam duas alas de uma mesma tendência. Além disso, os "esquerdistas" ocidentais são essencialmente a ala mais radical e raivosa dos globalistas e antitradicionalistas. Os liberais, nesse sentido, parecem ainda mais pragmáticos e moderados em relação ao seu passado. Os casos são profundamente naturais quando os trotskistas, quentes em sua juventude, como foi nos EUA, tendo esfriado com a idade, se transformam em liberais “orientados para o mercado” (o nome “neocons” não deve ser enganoso; os neocons americanos são puramente “liberal-mercado”, que não tem mais nada a ver com o conservadorismo tal como o Partido Liberal-Democrata da Rússia nada tem com democracia). Por meios um tanto diferentes e em um pacote ideológico diferente, eles alcançam o mesmo objetivo em princípio, o estabelecimento de uma ditadura oligárquica mundial sobre as massas impessoais e desumanizadas.

Sim, em essência, e os meios não são tão diferentes. Basta olhar para a era da notória perestroika e as bacanais de Yeltsin que se seguiram para ver como os revisionistas do estilo Hruschov (isto é, no sentido literal, neotrotskistas) que se transformaram em “liberais de mercado” retiveram a continuidade com seus ancestrais ideológicos e muitas vezes de sangue, os trotskistas da década de 1920. Aqui está um ódio desenfreado, demonstrativo e paroxístico pela Rússia, por sua história, suas conquistas e glória, por sua cultura, costumes e tradições, sem falar no próprio povo russo. Aqui está a propaganda de promiscuidade sexual, fornicação suja indiscriminada, pornografia, justificação de todos os tipos de desvios e perversões. Aqui e destruição proposital da família, a introdução de programas de corrupção nas escolas, a legalização total do aborto, o plantio de anticoncepcionais e a esterilidade como um modo de vida "moderno" e "da moda". Aqui está uma tentativa de separar os filhos dos pais, de impor uma educação "pública". Na década de 1920, isso foi feito através da destruição da autoridade dos pais na escola, hoje, através dos órgãos de "tutela social", "mecenato do Estado" e do sistema da chamada "justiça juvenil", supostamente destinada a "proteger" as crianças da chamada "violência doméstica" e a arbitrariedade dos próprios pais. Aqui está a destruição do sistema normal de ensino secundário e superior, a substituição de disciplinas científicas (temas) por todos os tipos de "módulos de treinamento" e "habilidades", a substituição de exames significativos, por testes EGE (NT: exame que substituiu o sistema de distribuição e vestibular na Rússia) no espírito do notório da pedologia e lições com sua disciplina rígida inerente, por algumas "aulas" amorfas. Aqui está o plantio consistente e proposital do culto do grotesco, da falta de educação e a destruição da autoridade espiritual e moral da elite social da sociedade, cientistas, designers, professores, médicos, oficiais. Aqui há o deslocamento da arte genuína em todas as suas áreas (artes plásticas, artes plásticas, arquitetura, literatura, música, teatro, etc.) para oelitismo". Aqui, finalmente, está o amplo apoio do Estado à psicanálise freudiana e outras teorias e práticas pseudocientíficas e semi-ocultistas destinadas a minar a autoridade da moralidade pública e reabilitar, liberar e realizar oficialmente todos os desejos animalescos bestiais que estão apenas nos porões de o subconsciente humano, que em um estado normal são superados com base nos princípios espirituais religiosos, na cultura humana e nas exigências da sociedade.

Entretanto, revelar a relação genética entre o liberalismo fundamentalista de “mercado” e o esquerdismo antitradicional seria superficial e pouco sério se parássemos apenas na “superestrutura” (ideologia, ideais de valor, orientação moral, práticas sociais) e não analisassemos as “fundamento”, ou seja, a natureza de classe social desses fenômenos.

A oligarquia financeira e o lumpesinato

Clássica para o marxismo é a noção de que a principal contradição social sob o capitalismo reside entre a burguesia industrial e o proletariado industrial. De acordo com essa visão, a essência da questão reside no fato de que os proprietários dos meios de produção compram a força de trabalho a um preço próximo ao preço equivalente a sua mera subsistência física e se apropriam de quase toda a mais-valia criada pelos trabalhadores, investindo-o na expansão da produção, isto é, no aumento e elevação da produtividade dos meios de produção, que permitem explorar ainda mais o trabalho, e assim por diante. Essa ideia, é claro, serviu como um modelo adequado dos clássicos modernos do marxismo da sociedade capitalista, mas o último século e meio mudou significativamente a realidade.

Em primeiro lugar, já na época dos próprios clássicos, havia uma tendência à exploração na colônia e, consequentemente, a burguesia passou a “alimentar” os trabalhadores da metrópole. Essa tendência foi observada pelos próprios Karl Marx e Friedrich Engels. No futuro, apenas se desenvolveu. Como resultado, nada parecido com revoluções socialistas ocorreu em qualquer país de capitalismo desenvolvido. Um sistema de compromissos surgiu entre a classe capitalista e a classe trabalhadora, que alisou o antagonismo da luta de classes e a transferiu para um curso relativamente pacífico.

Em segundo lugar, além de trazer a exploração para fora (para a periferia colonial e neocolonial), a exploração de classe foi mitigada pela gradual mecanização e depois automação do trabalho, o que permitiu transferir uma certa quantidade de exploração das pessoas para os mecanismos.

Em terceiro lugar, o fator da revolução socialista na Rússia desempenhou seu papel, que assustou os capitalistas ocidentais e os obrigou, sob a ameaça de uma alternativa socialista, a dar artificialmente ao capitalismo as características humanísticas de uma “sociedade de abundância universal”.

Em quarto lugar, a cobertura de todo o globo pelo sistema capitalista e a impossibilidade de uma maior expansão deu origem a uma grave escassez de mercados de venda, o que obrigou os estados capitalistas a começar a cuidar do poder de compra dos trabalhadores, redistribuindo a seu favor parte da mais-valia retirada dos empresários na forma de impostos cada vez mais altos (modelo keynesiano de capitalismo).

Quinto, a concentração natural e inevitável do capital, e com ela o poder político, junto com a contradição objetiva e insolúvel entre o imperativo do crescimento ilimitado do capital e a base física limitada (recursos naturais, mercados de consumo e trabalho, etc.) rejeição do equivalente-ouro, à virtualização das finanças e à usurpação por um círculo restrito da oligarquia mundial do direito monopolista de produzir equivalentes de valor a custo zero. Isso reformulou radicalmente todo o sistema econômico, político e social, mudando completamente o alinhamento de forças, os polos de antagonismos e a própria natureza do mercado, que passou de um sistema de trocas relativamente equivalentes a um sistema de apropriação e distribuição arbitrárias.

Em sexto lugar, a transferência da produção fora da metrópole mundial para países com mão-de-obra barata, juntamente com a mecanização e automação do trabalho remanescente na metrópole, levou à desfragmentação da classe trabalhadora e sua transformação em uma população cada vez menor e relativamente bem provida. estrato social. O principal volume de trabalho, portanto, "fluiu" da esfera da produção industrial material para a esfera da produção de sinais de informação e imagens virtuais, bem como para o setor de serviços. Isso mudou radicalmente toda a estrutura social. Uma das consequências foi a "dispersão" dos exércitos de trabalhadores organizados e sincronizados pela própria natureza do trabalho, sua atomização, a crise dos partidos de massa. Outra consequência da desindustrialização do Ocidente foi a destruição do antigo sistema de educação de massa, necessário especificamente para a produção industrial. Como resultado, o nível de cultura e autoconsciência das massas caiu drasticamente.

Em sétimo lugar, o processo de concentração do capital imanente ao capitalismo e a absorção do pequeno capital pelo grande capital levaram naturalmente a uma acentuada diferenciação da própria classe capitalista, ao isolamento de um grupo extremamente estreito e fechado de famílias oligárquicas da ampla base social da sociedade civil burguesa, muitas vezes (embora nem sempre) tanto com a produção direta de material real e produtos de informação quanto com entidades do estado nacional.

Oitavo, o processo de ampliação e fusão dos mercados de vendas, natural para o capitalismo, juntamente com a concentração de capital, levou à formação no lugar de muitas burguesias nacionais, primeiro um pequeno número de oligarquias imperialistas e depois uma única oligarquia global. De sua parte, surgiu uma demanda constante e mais do que solvente para a destruição e remoção das fronteiras do estado nacional, a abolição das soberanias nacionais e das instituições democráticas burguesas a elas associadas, a erosão das próprias nações e a transformação da humanidade em uma massa mista impessoal, completamente controlada pelos mecanismos de um pseudo-mercado virtualizado. As funções dos Estados são cada vez mais interceptadas por centros de poder extraterritoriais - organismos internacionais supranacionais e corporações transnacionais.

Nono, a escala e o poder da influência dos meios de comunicação de massa aumentaram acentuadamente. A imagem da realidade formada por eles na consciência de massa começou a superar em seu significado a imagem da realidade formada por sensações diretas. Paralelamente, vários métodos de influenciar a consciência individual e de massa, técnicas de sugestão, programação e manipulação foram aprimorados.

Tudo isso junto levou à formação de uma realidade social completamente nova, na qual as antigas contradições não desempenham mais um papel de liderança e são substituídas por relações fundamentalmente novas e novas contradições sociais. No entanto, tudo o que é novo é o velho bem esquecido, e as últimas tendências do capitalismo mundial global têm analogias diretas com as tendências do mundo antigo em fase de declínio.

No relatório de G.A. Zyuganov para o próximo plenário do Comitê Central do Partido Comunista da Federação da Rússia observou com razão as tendências da crise do sistema capitalista, a degeneração da democracia burguesa em uma ditadura e o fortalecimento da posição financeira, puramente parasitária capital. A autodestruição da democracia burguesa, do Estado-nação e das instituições a eles associadas segue essencialmente o mesmo caminho ao longo do qual foi destruído o Estado republicano romano. A monopolização do capital, a ruína dos pequenos e médios proprietários levaram à destruição da base social da sociedade civil. Em seu lugar, uma estrutura social foi formada, consistindo de uma estreita oligarquia super-rica e uma massa de lumpesinato. Ao mesmo tempo, o lumpesinato,  economicamente e, consequentemente, politicamente, não autossuficiente, dependente, não é um oponente de classe social da oligarquia. Aliás, é justamente isso, ser alimentado com pão e circo, que se torna uma ferramenta nas mãos da oligarquia, sua base social. Surge um sistema semelhante às formas tardias da clientela romana, quando os plebeus seduzidos pelos proprietários, incapazes de subjetividade econômica e política, emasculam os procedimentos democráticos formais, vendendo seus votos a patronos por esmolas materiais e patrocínio.

Vale a pena notar que no mundo moderno, assim como durante a crise das antigas cidades-estados gregas e da República Romana, a eliminação real da democracia e do sistema republicano como tal coincide com a "democratização" formal, ou seja, a extensão dos direitos democráticos a cada vez mais novas categorias de pessoas, em princípio incapazes de gozar conscientemente dos direitos republicanos, seja pela sua falta de independência socioeconómica, seja pelas limitações das suas capacidades intelectuais, mentais e volitivas, ou devido à incompatibilidade cultural com o conceito de Estado jurídico republicano. Como resultado, o coletivo civil original, capaz de se autogovernar, se dissolve em um ambiente de “novos cidadãos” que são fundamentalmente despreparados e incapazes de implementar a democracia, mas que estão prontos para vender seus votos a “patronos” por “pão e circo”.

Em suma, podemos dizer que a "plebe" desclassificada, improdutiva e marginalizada das metrópoles mundiais, provida de pão e circo à custa de riquezas anteriormente acumuladas, progresso tecnológico (crescimento das forças produtivas) e exploração da periferia mundial, tornou-se uma das principais armas dirigidas pela oligarquia transnacional mundial para destruir os resquícios da sociedade civil e do Estado nacional. A propósito, o rápido crescimento desse tipo de estrato marginalizado foi a base para expandir a base social do nazismo e do fascismo na Europa Ocidental nas décadas de 20 e 30 do século XX.

Aqui está a chave para entender uma das principais contradições sociais das sociedades ocidentais contemporâneas. De um lado do confronto estão os remanescentes de uma sociedade civil que protege o estado nacional, as relações jurídicas, a cultura e a civilização. Em termos sociais e de classe, esse lado é representado, antes de tudo, como é frequentemente chamado, pelo cognitariado (trabalhadores intelectuais assalariados, especialistas em TI, tecnólogos, engenheiros, cientistas, etc.) como pequenas, médias e até grandes (mas não monopolistas) empresas manufatureiras nacionais, trabalhadores qualificados e agricultores. O segundo lado do confronto é a aliança da oligarquia financeira (setor bancário e bolsa de valores, empresas transnacionais) e o lumpesinato desclassificado, representado por desempregados beneficiários da previdência social, imigrantes, minorias sociais nacionais, raciais, sexuais e outras que reivindicam esmolas para sua inescapável "discriminação", "ativistas" profissionais, beneficiários de bolsas ("combatentes da discriminação", feministas, "antifa", lutadores pelos direitos dos animais, etc.), pseudo-artistas de vanguarda que organizam todos os tipos de "performances", "performances de rua", arte”, etc ações destinadas exclusivamente a chocar e insultar as ideias públicas sobre decência, os chamados "intelectuais de esquerda" e a parte da "intelligentsia" humanitária e "criativa" que os acompanha, representantes da juventude e não apenas de contraculturas juvenis, etc. ralé.

Com base nisso, pode-se compreender a essência da mutação que o chamado "movimento de esquerda" sofreu no Ocidente. Se na primeira metade do século XX a chamada esquerda (socialistas, comunistas) representava os interesses, antes de tudo, do proletariado industrial e dos trabalhadores em geral, depois na segunda metade do século XX e, mais ainda, no início do século XXI, a situação mudou radicalmente. A retórica manteve-se quase a mesma: os socialistas e social-democratas de esquerda modernos, bem como alguns pós-comunistas, bem como a esquerda do início do século passado, posicionam-se como “defensores de todos os oprimidos”, defensores do pobres contra os ricos, defensores do aumento dos impostos sobre os ricos e dos pagamentos sociais aos pobres. No entanto, o conteúdo de classe social desses slogans se tornou irreconhecível. Na sociedade capitalista de classe do início do século XX, os pobres e oprimidos eram, antes de tudo, os proletários, trabalhadores industriais, ou seja, os principais produtores de bens materiais. De fato, as palavras de ordem de aumentar os impostos e aumentar as funções sociais do Estado às suas custas nada mais significavam do que devolver à maioria trabalhadora da sociedade uma parte da mais-valia por eles criada, dela expropriada pelos proprietários do meios de produção, isto é, os capitalistas. Hoje, os “oprimidos”, que são defendidos pelo “movimento de esquerda” ocidental, não significam produtores de bens materiais e imateriais, não são trabalhadores, mas um exército crescente de párias, pseudo-dependentes e elementos anti-sociais. Não a maioria trabalhadora da sociedade, mas uma coleção de minorias agressivas reivindicando um status especial.

Portanto, o aparente paradoxo não é nenhum pouco aleatório: a crise financeira e econômica global, que começou em 2008 e só se agravou desde então, levou na maioria dos países europeus não para a esquerda, mas para a direita, ao colapso das estruturas sociais partidos democráticos e o fortalecimento dos de centro-direita. Ou seja, a antiga fórmula da esquerda ocidental “altos impostos são altos gastos sociais” agora é avaliada pela maioria da sociedade não como o retorno aos trabalhadores de uma parte da mais-valia produzida por eles e retirada deles pelos proprietários de indústrias, mas como uma redistribuição de fundos do setor produtivo (empresários e trabalhadores!), "que carregam tudo nas costas",  para marginais, minorias anti-sociais mais ou menos pronta para alimentar a horda multiplicadora de marginais, então a crise econômica claramente colocou tudo em seu devido lugar. De fato, a derrota da esquerda e a vitória da direita, não no momento do boom econômico, mas, ao contrário, no momento da crise, é um voto direto da desconfiança da sociedade nas funções sociais do estado liberal. Ao mesmo tempo, vale ressaltar que empresários (a burguesia industrial é, sobretudo, geradora de empregos!) e trabalhadores nesse cenário estão do mesmo lado, mais parceiros situacionais do que antagonistas. Quando as deduções fiscais são redistribuídas não a favor dos trabalhadores, mas a favor dos marginalizados, um aumento da carga fiscal não só sobre o seu rendimento pessoal (salário), mas também sobre o rendimento da empresa revela-se completamente não lucrativo para o trabalhador assalariado: ele não recebe nenhum benefício disso, mas o prejuízo da redução da lucratividade da produção e a ameaça de cortes de empregos são óbvios.

A propósito, isso foi escrito pelo presidente do Comitê Central do Partido Comunista da Federação Russa V.S. Nikitin em seu artigo “Do desenvolvimento criativo do marxismo ao socialismo renovado do século 21”: “A dominação mundial é realizada com a ajuda do mecanismo bancário. Aqui, outra forma de exploração não é a retirada da mais-valia, mas o pagamento de tributos aos banqueiros feudais. Além disso, eles roubam a todos, consumidores e produtores, capital de produção e funcionários. Como resultado, ambas as classes anteriormente antagônicas (a burguesia da produção e o proletariado) unanimemente dizem “não!” à “segurança social” estatal que alimenta as “minorias” associais, porque não veem nela um defensor de seus interesses de classe ou pelo menos um mediador, mas apenas um representante dos interesses dos parasitas - tanto o capital financeiro quanto o sempre crescente “fundo” anti-social, para “pão e circo”, apoiando a oligarquia financeira.

No entanto, a escolha descrita, típica de vários países da Europa Ocidental, só é possível quando a maioria da sociedade ainda é composta por trabalhadores, ou pelo menos aqueles que se identificam subjetivamente com os trabalhadores. Mas o mais interessante é que, graças ao progresso tecnológico e ao aumento da produtividade, os trabalhadores podem permanecer em minoria. Ou seja, o provérbio russo “um com bipé, sete com uma colher” é literalmente realizado. Tal cenário é muito benéfico para a oligarquia, pois torna seu poder muito mais estável. O número de marginais com direito a voto está crescendo rapidamente, e quando o número de desempregados profissionais, representantes de minorias sociais "discriminadas", "ativistas de benefícios", figuras da "arte contemporânea", etc, cidadãos socialmente autossuficientes que se alimentam de seu próprio trabalho, acontece o que aconteceu nos Estados Unidos. As massas elegem um “democrata” das minorias como seu presidente e passam a exigir do Estado que não pare de inflar bolhas financeiras e destruir a produção, a exploração predatória dos recursos do planeta e do “terceiro mundo”, mas alimentar parasitas às custa de impostos de trabalhadores e de negócios, brindes às custas de. O slogan das manifestações passa a ser "Dai-nos uma nova bolha!".

O que significa "dar uma nova bolha"? Isso significa permitir que a oligarquia financeira continue a "fazer dinheiro do nada", para criar arbitrariamente a custo zero os equivalentes de custo de todos os produtos do trabalho humano, sem falar nos recursos naturais. Afinal, o papel ou o dinheiro eletrônico em si não valem nada, então a oligarquia não suborna o lumpesinato do próprio bolso. Bens reais que são comprados e vendidos por esse dinheiro têm valor. O monopólio de um fundo de bancos privados chamado FRS sobre a emissão de notas não garantidas por esses bancos, que têm o status de moeda estatal (e de fato, mundial), significa uma troca não equivalente forçada, a substituição do comércio por um sistema de retirada e distribuição dos bens da vida. O círculo se fecha: a oligarquia financeira, tendo conquistado o monopólio da emissão de cédulas não lastreadas em ouro, na verdade criou um sistema de retirada gratuita (aparentemente econômica, mas na verdade não econômica) dos produtores dos produtos de seu trabalho. Esses produtos requisitados fraudulentamente são distribuídos pela oligarquia também de forma não econômica e são usados ​​para subornar e atrair sua base social, lumpenismo parasitário, que não produz nada de útil, mas atua como um recurso eleitoral e, se necessário, um recurso de poder do especulativo oligarquia. Por sua vez, o lumpesinato, que recebe distribuições gratuitas da oligarquia, também está interessado em fortalecer o sistema de confisco de produtos do trabalho dos produtores por meio da emissão de notas. Em outras palavras, surgiu uma aliança exótica, mas bastante lógica e historicamente análoga, de super-ricos parasitas e semi-pobres marginalizados, estratos sociais contra os trabalhadores (uma imagem artística muito vívida que reflete essas realidades do capitalismo moderno é apresentada no filme "Robot Cop 3" 1993).

De fato, o novo alinhamento de forças (oligarquia mais lumpesinato contra os trabalhadores e os remanescentes da burguesia industrial) tem um caráter bastante pronunciado de antagonismo de classes sociais. Portanto, a semelhança e até afinidade entre as atitudes fundamentais dos liberais radicais (“fundamentalistas de marketing”) e dos modernos “esquerdistas” ocidentais, que discutimos acima, é profundamente natural. Ambas as ideologias são uma expressão dos interesses de classe social do mesmo lado do confronto, ou seja, a aliança da oligarquia financeira e do lumpesinato contra os trabalhadores. Só o neoliberalismo em maior medida tem como público-alvo a oligarquia e a parte especulativo-parasitária da chamada "classe média", e o esquerdismo é transformado, de fato, em lumpenismo (recipientes de benefícios desempregados, diásporas étnicas semi-criminosas, pseudo-artistas e pseudo-filósofos).

Você pode até ir além: a “esquerda” ocidental moderna está no espectro dos social-democratas tradicionais, originários da Segunda Internacional, tal como a “nova esquerda” no espírito do final dos anos 1960 e os chamados "verdes" representam hoje a ala mais radical dos globalistas, os "fundamentalistas do mercado" (na verdade, pseudo-mercado, porque o mercado moderno, sendo tal em sua forma externa, como já observado, deixou de ser um mecanismo de troca equivalente num mecanismo de requisição e distribuição, ou seja, no fundo, num mecanismo anti-mercado de poder económico e político).

Portanto, não há nada de surpreendente no fato de que um dos principais líderes do Partido Socialista Francês (aliado com o qual não apenas os Verdes e a Frente de Esquerda, mas também o PCF operam na França) até recentemente era o Diretor Geral do Fundo Monetário Internacional Dominique Strauss-Kan. E que o governo de Ferenc Gyurcsany, formado pelos pós-comunistas do "Partido Socialista Húngaro", tem se mostrado um condutor de medidas ultraliberais. E que nos EUA os neoliberais mais radicais vêm do meio trotskista.

Significado de classe social dos valores conservadores tradicionais

Sem dúvida, os valores tradicionais (familiares, espirituais e religiosos, nacionais e culturais) na sua essência, pela sua natureza, não têm caráter de classe. Em vários casos (como, por exemplo, no caso de normas tradicionais de comportamento sexual, hierarquia social, etc.), eles são geralmente um design cultural de algoritmos biologicamente determinados de comportamento e relações sociais que tornam os humanos relacionados não apenas com os grandes símios, mas também a todos os vertebrados superiores. Noutros casos (como, por exemplo, no caso da religião), eles surgem em uma sociedade pré-capitalista ou mesmo pré-classista e persistem, sem alteração, pelo menos de forma reconhecível ao longo da mudança de uma série de formações.

No entanto, na sociedade moderna, esses mesmos valores, formados em uma realidade social completamente diferente, adquirem significado ideológico adicional, tornam-se uma expressão dos interesses de um dos campos de classes sociais opostos.

Como já reiteramos, a capitalocracia se baseia na virtualização dos signos financeiros, ou seja, na capacidade do monopólio de criar equivalentes de valor a custo zero. Isso transforma o mercado de um meio de troca em um meio de apropriação virtualmente livre de todo o conjunto de produtos do trabalho humano e riqueza natural pelo emissor de notas. Assim, a esfera de poder do emissor de unidades financeiras virtuais coincide fundamentalmente com a esfera dos objetos tangíveis e intangíveis envolvidos no mercado de trocas e, de uma forma ou de outra, valorados em termos monetários. Isso se aplica não apenas a coisas materiais, mas também a produtos de informação, conhecimento, imagens, símbolos, relações interpessoais e sociais, sinais de status social e prestígio, ativos intangíveis, etc. Mas é precisamente por isso que qualquer valor não mercantil, pelo próprio fato de sua existência, limita o alcance da capitalocracia como sistema de poder. Conforme enfatizado no relatório de G.A. Zyuganov ao XIV Plenário (outubro) do Comitê Central do Partido Comunista da Federação da Rússia, "todos os valores estão se tornando supérfluos para eles [os globalistas], exceto aqueles que trazem mais-valia".

A oligarquia financeira global está vitalmente interessada em estender seu pseudocontrole de mercado a todas as esferas da vida, sem exceção. Em outras palavras, na eliminação das esferas sociais fora de seu controle, na eliminação de tudo o que não pode comprar por fetiches produzidos do nada, por cédulas. Assim, por exemplo, ela está vitalmente interessada na desvalorização ou mercantilização da religião e das práticas espirituais em geral, na destruição de identidades e das famílias étnico-nacionais (principal canal de transmissão de valores e laços tradicionais entre gerações), no descrédito de signos de prestígio social que não estejam ligados ao nível do consumo (cientistas e patentes militares, prêmios, etc.), conhecimento científico racional, cultura do pensamento, arte não comercial, etc. Por outro lado, qualquer resistência social séria aos mecanismos da capitalocracia só pode ser cristalizada em torno de valores, estruturas sociais e relacionamentos que não são controlados por meio da vinculação a um equivalente monetário. Os mais estáveis ​​e confiáveis ​​nesse sentido são os valores, normas e relações que possuem maior potencial de inércia histórica, os mais enraizados na consciência e no subconsciente das pessoas, ou seja, os mais conservadores e tradicionais. E, de fato, hoje todos os movimentos anticapitalocráticos significativos, expressando os interesses de classe social dos trabalhadores e da burguesia industrial nacional adjacente a eles, surgem com base fundamental no tradicionalismo e no conservadorismo.

Se abordarmos a análise da situação não do ponto de vista dos rótulos e autodenominações de partidos e movimentos, mas do ponto de vista da análise de classes sociais, veremos que objetivamente, além da esquerda tradicional, dos comunistas, em certo sentido, os interesses fundamentais de uma parte do povo trabalhador na Europa hoje são expressos por partidos nacional-patrióticos, tradicionalistas, cristãos, conservadores sociais. Basta olhar para os programas e a agitação de partidos como a Frente Nacional na França, os Verdadeiros Finlandeses na Finlândia, o Partido para uma Hungria Melhor (e até certo ponto o atual mais moderado Fidesz, a União Civil Húngara), em parte os democratas suecos e alguns outros. São eles que, entre outras coisas, oferecem no nível das medidas práticas os programas mais sociais e, em alguns casos, até socialistas. Eles são os oponentes mais consistentes da OTAN, do imperialismo e do globalismo dos EUA. São eles, e não os falsos "esquerdistas" que estão intimamente associados aos círculos mais reacionários do supergrande capital bancário, os aliados naturais dos comunistas tradicionais de orientação pró-soviética e staliniana.

Por exemplo, a esse respeito, a experiência da Hungria é típica, onde o moderado nacional-conservador Fidesz, a União Civil Húngara, que chegou ao poder, demonstrou uma política que era uma ordem de magnitude mais socialmente responsável do que o anteriormente governante "Partido Socialista Húngaro". Isso, aliás, foi notado pelo presidente do Partido Comunista dos Trabalhadores Húngaros, Gyula Türmer: “Durante os oito anos de governo do Partido Socialista Húngaro (HSP), a corrupção adquiriu tais proporções que praticamente tornou o funcionamento normal do estado impossível. <...> O FIDES prometeu parar este processo. Apesar de ser um partido conservador de direita, apresentou um programa de esquerda, cujas prioridades passaram a preocupar a todos, nomeadamente: criar 1 milhão de novos postos de trabalho em 10 anos, reduzir a inflação, aumentar o salário mínimo para um nível que proporcione condições normais de vida e, acima de tudo, o estabelecimento da ordem, da legalidade. O FIDES conseguiu convencer a maioria dos eleitores de que, como partido de direita, poderá cumprir uma agenda de esquerda. A festa comportou-se como prometido, assumindo vigorosamente a limpeza do "lixo" acumulado. <...> O funcionamento do Estado certamente se tornou mais eficiente.”

Também vale a pena prestar atenção ao exemplo da República Tcheca. Enquanto na maioria dos países europeus os antigos partidos comunistas foram transformados em partidos liberais de esquerda e "verdes", os comunistas tchecos fizeram uma escolha diametralmente oposta. Embora mantendo plenamente sua identidade comunista, eles assumiram firmemente a posição de fundir a classe social e a luta de libertação nacional. Eles combinaram harmoniosamente a luta pelos direitos dos trabalhadores (ou seja, os trabalhadores, e não o pobre lumpesinato parasitário!) e conservadorismo social. Consequentemente, os comunistas tchecos escolheram como aliados não a "esquerda" de um armazém europeu tolerante, mas condicionalmente a "direita", isto é, conservadores sociais, patriotas nacionais, tradicionalistas, eurocéticos. O resultado fala por si: enquanto, por exemplo, na Holanda, os "comunistas" reformados obtêm menos votos nas eleições do que o Partido para a Proteção dos Animais, os comunistas patrióticos tchecos do KSCM nas últimas eleições regionais (outubro de 2012) recebeu 20,4% dos votos, mesmo apesar das duras leis anticomunistas vigentes no país.

- Tradução parcial

terça-feira, abril 05, 2022

Como o UOL dissemina boatos em apoio ao regime nazista ucraniano

 Jornalismo com compromisso (com apenas um dos lados) e irresponsabilidade!



Estamos no Telegram

 Caros leitores,

Queremos deixar bem claro que desde 24 de fevereiro de 2022 temos postado ativamente no Telegram, onde trazemos materiais exclusivos sobre o conflito na Ucrânia por meio do canal Kristianograd.

Para acessar o canal Kristianograd siga o link:

https://t.me/kristianograd

EXCLUSIVO: Relatório de Organização de DH sobre neonazismo na Ucrânia

 


O QUE É NAZISMO?

É importante entender ⚠️ que o nazismo ucraniano não é apenas Bandera, é a ideologia da superioridade racial, que os Estados Unidos e o Ocidente martelam na cabeça dos ucranianos há 30 anos. E esse vírus do nazismo infectou uma parte muito grande da população!

"Glória à nação, morte aos inimigos." Este slogan implica que somente os ucranianos são seres humanos e todas as outras raças não são humanos, mas inimigos e estão sujeitos à destruição.

"Ukraína ponad usye!"."Ucrânia está acima de tudo", a Ucrânia está acima de tudo no mundo. Este é outro slogan nazista, implicando que apenas os ucranianos no planeta Terra são pessoas, e todas as outras raças não são pessoas.

Isso precisa ser entendido de forma muito clara e clara ⚠️

O erro de muitos é que identificam os nazistas por sinais externos: símbolos, apetrechos, tatuagens, slogans, listras, retratos de líderes. Certamente há pessoas que usam tudo isso lá e não são poucas. Mas na massa total eles representam uma pequena porcentagem.

Mas o nazismo não é só parafernália, é uma ideologia. É o que é implantado na cabeça, e não o que é aplicado no corpo em forma de tatuagem. A ideologia da superioridade da nação sobre as outras. A crença de que sua nação é melhor que as outras. Os ucranianos se consideram melhores, mais inteligentes, trabalhadores e ousados   do que os russos. Os russos consideram "gado estúpido, bêbado e sujo" que os inveja. E que não podem perdoá-los porque são melhores em tudo.

Isso é nazismo. Crença na sua superioridade sobre os "estúpidos moskaley". O fato de você ser um guerreiro da luz, em contraste com um "vatnik sujo"*. Isso é nazismo. Não é o tipo de tatuagem que está em seu corpo, e essa doença afeta mais da metade da população da Ucrânia. Estes são os que elegeram os governantes que mataram crianças, mulheres e idosos no Donbass. Estes são aqueles que se alegraram quando queimaram pessoas em Odessa. Aqueles que apoiam a erradicação de tudo russo, o idioma, escola, a fé. Aqueles que pagam um imposto sobre o assassinato dos filhos do Donbass. Aqueles que vão servir por contrato nas Forças Armadas da Ucrânia e "ganham dinheiro no Donbass". Isso é mais da metade da população da Ucrânia. A maioria prática é afetada pelo vírus do nazismo em maior ou menor grau.

Desde a criação da Ucrânia moderna pela América e pelo Ocidente em 1991, essa ideologia foi propositalmente promovida. Este é o mito do Holodomor. Esta é a história inventada com o dinheiro de Soros, o renascimento de Bandera. Da Rússia, ano após ano, eles esculpiam a imagem do inimigo. Tudo russo foi propositalmente erradicado e ainda está sendo erradicado. E é preciso admitir que as sementes dessa ideologia caíram em terreno fértil. Cresceu uma geração que, mesmo sendo muitas vezes de origem russa, odeia tudo o que é russo. Língua, cultura.

Resumindo, podemos dizer que os nazistas são mais da metade da população da Ucrânia moderna. Uma minoria deles já pegou em armas e entrou em guerra com a RPD, a LPR e a Rússia. A maioria deles ainda não perdeu o medo por suas vidas, não perdeu seu instinto de autopreservação, não pega em armas, mas simplesmente amaldiçoa baixinho quando vê as tropas de libertação russas, Donetsk e Luhansk.

O aríete americano-ocidental contra a Rússia chamado "Ucrânia" é território nazista com ideologia nazista. O processo de desnazificação é OBRIGATÓRIO. E não se referirá apenas à parafernália externa ou aos seus portadores óbvios. A desnazificação terá um significado profundo e levará anos, ou mesmo gerações, ao longo do tempo.

Há muito trabalho a ser feito, mas será feito, porque ninguém repetirá os erros soviéticos do passado, que agora estão nos custando sangue.

*Vatnik: jaqueta de algodão acolchoada, usada pelo Exército Vermelho no inverno e pelos camponeses, um dos símbolos da Grande Vitória, como a PPSh-41 e o T-34. É usado pelos liberais russos e pelos neonazistas ucranianos como termo depreciativo contra patriotas russos. Enquanto "Moskal" é usado para qualquer russo, "vatnik" é destinado aos patriotas e quaisquer elementos pró-russos.