segunda-feira, fevereiro 27, 2012

quinta-feira, fevereiro 23, 2012

23 DE FEVEREIRO

Vozes do comunismo: o Coro do Exército Vermelho
Por Cristiano Alves


Vídeos de soldados cantando e dançando tem sido comuns ultimamente na internet, canções em tom jocoso usadas como passatempo que trazem uma má imagem para a profissão militar. Nem sempre, entretanto, soldados cantaram e dançaram cantigas pueris.

Originalmente denominado "Orquestra Acadêmica de Canto e Dança duas vezes agraciada com a Ordem da Estrela Vermelha denominada A. V. Alexandrov", ou simplesmente "Orquestra de Alexandrov", ou ainda como é mais conhecida no ocidente, o "Coro do Exército Vermelho"(atualmente, "do Exército Russo") tornou-se um dos maiores ícones culturais da era soviética e da Rússia, levando ao mundo a mensagem comunista através da música, da arte e da cultura.

O Coro do Exército Vermeho em seus primeiros dias
Com o triunfo da Grande Revolução de Outubro de 1917, Lenin via na cultura um meio de difusão da cultura socialista, sendo a Rússia, primeiro país socialista da história, historicamente conhecida pela sua cultura musical, pelo estilo melancólico de compositores como Tchaikovsky até a capacidade de capacidade de seus compositores para captar canções populares que expressam a alma dos povos da Rússia, os comunistas logo entenderam que a Revolução, os valores socialistas e também a cultura popular deveriam integrar a música edudita, fortalecendo o conceito de "cultura socialista". Em 1928, quando a orquestra levava ainda o nome de Frunze, herói e veterano da Guerra Civil, o então professor de música Aleksandr Aleksandrov foi encarregado de organizar a orquestra. Em 1929, a orquestra realizou apresentações no Extremo Oriente soviético, onde tropas do Exército Vermelho de Operários e Camponeses não apenas defendiam o país, como também ajudavam a construir o socialismo, atuando na construção da ferrovia que interligava as regiões longínquas do país.

O Coro do Exército Vermelho procurava despertar o interesse dos soldados pela boa música e ao mesmo tempo encorajava o desenvolvimento da arte amadora nas fileiras militares. A orquestra, que começou com menos de 15 membros, já reunia mais de 300 membros em 1933, reunindo o coral masculino, a orquestra musical e dançarinos, executando composições de nomes da música como Vasily Solovyov-Sedoy, Anatoli Novikov, Matvey Blanter and Boris Mokrousov. Em 1935, a orquestra foi agraciada com a Ordem da Bandeira Vermelha, uma condecoração soviética que podia ser atribuída a militares, civis e inclusive agrupamentos de cidadãos por extraordinários feitos militares. A orquestra viajou a todas as partes da União Soviética, desde as areias quentes do Tadjiquistão até o ártico extremo-norte da URSS, onde resplandece o fenômeno da aurora boreal. Na França, em 1937, a Orquestra Alexandrov venceu o Grand Prix da Exposição dedicada à arte e tecnologia da vida moderna. Durante os anos da 2ª Guerra Mundial, a Orquestra do Exército Vermelho efetuou 1500 concertos em ambos os fronts soviéticos, entretendo soldados prontos a partir para o combate, hospitais, portos e bases aéreas.

Após a morte de seu fundador, Aleksandr Aleksandrov, a direção da orquestra foi assumida por seu filho, Borís Aleksandrov, que tornou-a popular em outras partes do mundo após vários tours efetuados no exterior. O irmão de Borís, o major Vladimir Alexandrov, também integrou a orquestra. Após a morte dele, a direção foi efetuada por Vladimir Gordeev, que dirigiu o tour de Londres. Importantes discos foram gravados, no Brasil, mesmo na Rede Globo foram propagandeados LPs do "Coro do Exército Vermelho", nos anos 90. Muitas canções da Orquestra Alexandrov também tem um grande número de vistas na internet, em sites de vídeo como o Youtube, suas canções tem enorme número de visitas, alguns vídeos tem mais de 2 milhões de vistas. Não é raro que mesmo anticomunistas convictos admitam em comentários que "os comunistas sabiam fazer boa música", ou que "detestam o comunismo, mas acham que eram excelentes artistas". A Orquestra Alexandrov também efetuou vários concertos com artistas individuais como David Foster, Jean-Jacques Goldman, Steve Barakatt, Oleg Gazmanov, na Rússia atual, e mesmo durante a abertura do festival europeu "Eurovisão", com um dueto de cantoras.

O Coro do Exército Vermelho foi agraciado com vários prêmios e medalhas na União Soviética e no exterior, formou famosos solistas, além do Globo de Ouro, da gravadora holandesa N.O.K, em 1974. O sucesso destes músicos comunistas é uma importante resposta ao mito burguês de que "após a revolução os operários usariam clássicos literários como peso de porta ou suporte de pé-de-cama quebrado". Ele é a prova material de que o socialismo é capaz de construir uma cultura nova e superior que leva o povo trabalhador ao caminho da glória, retira-o das trevas e coloca-o sob a luz.

Fonte:
http://en.wikipedia.org/wiki/Alexandrov_Ensemble
http://planetlyrics.co/artist/The+Red+Army+Choir#.T0bL6hcu9gW


Canções do Coro do Exército Vermelho:

- Canção dos Barqueiros do Volga


Perfomada em sua maior parte por um solista(Leonid Haritonov no vídeo) acompanhado da orquestra com instrumentos típicos da Rússia, trata-se de uma antiga canção popular cantada pelos barqueiros do rio Volga, que para fugir de sua existência miserável ganhavam a vida sob condições desumanas puxando barcos próximos da margem até o porto.

- Kalinka


Canção popular muito famosa na Rússia e outros países eslavos como a Polônia, sobre a flor do junípero.

- Poema ucraniano

Canção sobre um poema do poeta ucraniano Taras Shevchenko, um servo de um aristocrata russo que comprou a sua liberdade, no século XIX. Crítico do tzarismo, Taras foi acusado de participar de uma organização que defendia o fim do Império e a formação de uma federação de Estados eslavos, um sonho que os bolcheviques transformaram em realidade no século XX. Taras Shevchenko deu nome à várias cidades soviéticas, inclusive uma importante cidade construída no Cazaquistão.

- Varsoviense


"Marche, marche adiante, povo trabalhador". Esta forte canção escrita na Polônia no século XIX ganhou uma melodia na Rússia, tendo sido popularizada na União Soviética. Ela contém um forte teor anti-monarquista, contra a autocracia, declarando que todos os tronos são construídos sobre o sangue do povo trabalhador. A "Varsoviense" chama o povo trabalhador a uma luta sagrada e sangrenta.

- A caminho


"O caminho é longo, e estamos com você, soldado, alegre-se". Canção de marchas militares comumente cantada em percursos e interior de quartéis.

- Os soldados marcharam


"Se necessário, nos ergueremos como uma muralha para defender o lar pátrio", diz esta forte e vibrante canção militar soviética sobre a II Guerra Mundial.

- Nós somos a Cavalaria Vermelha

A Cavalaria Vermelha desempenhou um grande papel durante a Guerra Civil entre "vermelhos e brancos", dela faziam parte milhares de operários e camponeses que lutavam pela sobrevivência da primeira Revolução Socialista da história, berço de inesquecíveis heróis como o futuro marechal Georgiy Júkov, que nela serviu como soldado, e de nomes como Aleksá Dundic, internacionalista iugoslavo que lutou do lado vermelho durante a Guerra Civil. Os cavaleiros vermelhos usavam armas de fogo e espadas em rápidas cargas de cavalaria, que a canção bem retrata, mencionando ainda os nomes de Stalin e Voroshilov, comissários que lutaram em Tsaratsin, depois renomeada "Stalingrado" e então "Volgogrado".

- O Exército Branco e o Barão Negro

Canção da época da Guerra Civil contra o reacionário Exército Branco, composto de aristocratas, mencheviques e por corpos expedicionários de 18 diferentes países. O "Barão Negro" referido na canção é Pyotr Wrangel, aristocrata que comandava tropas que frequentemente vestiam uniformes negros em combate. Ela clama que "das taigas aos mares britânicos o Exército Vermelho tem toda a força", uma vez que na época o Exército Vermelho não tinha o controle total da Rússia.

- O sol se pôs atrás da montanha

Canção sobre o retorno dos soldados do Exército Soviético para casa após a Grande Guerra Patriótica, contra o fascismo. Conta como os soldados não pouparam suas vidas e como os soldados, acreditados por Stalin, faziam com que todos os inimigos temessem à sagrada pátria socialista.

- Os cossacos




Famosos cavaleiros do sul da Ucrânia, os cossacos eram camponeses livres que combatiam os invasores turcos e tornaram-se vassalos do Império Russo, dando também nome à unidades de cavalaria leve, sem vínculos étnicos. Com o advento da Revolução de Outubro, muitos cossacos lutaram ao lado dos comunistas, tendo tido uma importante participação na luta antifascista.

- Os cossacos partiram pelo Danúbio


Canção cossaca sobre uma cavalgada cossaca pelo famoso rio europeu, em ucraniano. "Melhor seria nem partir, melhor seria nem amar, melhor seria de nada saber, do que ter que esquecer isso agora".
- A guerra sagrada


Executada nos dias atuais, este vídeo traz aquela que é sem dúvidas a mais forte canção antifascista já criada, surgida no calor da guerra contra os nazistas. Ela conclama todo o país a se levantar para uma guerra mortal contra as hordas obscuras do fascismo, a deixar a "fúria justa" vir como as ondas do mar, na guerra popular, a guerra sagrada. Esta canção descreve perfeitamente, em sua letra, os fascistas: "sufocadores de nobres idéias", estupradores, ladrões e torturadores de pessoas.

HISTÓRIA

Mais do que uma atriz
Por Cristiano Alves

Kira foi uma das quase 1 milhão de mulheres que serviram ao Exército Vermelho durante a IIGM
 
Kira Petrovkaya nasceu em 1918, na Criméia, então parte da Rússia Soviética, numa família de nobres do antigo Império Russo. Seu nascimento se deu um ano após a Grande Revolução de Outubro, que rompeu com o capitalismo e iniciou o período socialista no país. Já durante os seus 7 meses de vida, a família de Kira enfrentou dias difíceis, uma vez que seu pai e vários parentes seus lutaram pelo Exército Branco, que foi derrotado pelos bolchevistas.

Vivendo sem parte de sua família em Leningrado, apesar de suas origens aristocráticas, Kira foi admitida numa escola musical para crianças, a Capela Acadêmica de Leningrado, lá ela aprendeu sobre diferentes artes, tornando-se apaixonada pelo teatro e iniciando a sua carreira como atriz, o que seria interrompido durante a guerra, mas ela não estava despreparada. Segundo Kira, "todas as escolas tinham preparação militar, inclusive a escola de balé"(1), uma hora semanal era utilizada para aprender sobre armas, marchar e tiro desportivo. Aos 16 anos, Kira foi premiada com a maior medalha para eventos de tiro da cidade, a "Sniper de Voroshilov". Assim, em razão de suas notáveis proezas como atiradora, Kira foi mobilizada para defender a cidade onde morava, Leningrado, que conheceu um dos mais terríveis cercos militares da história durante o pesadêlo da ocupação fascista. Atuando como sniper do Exército Vermelho, ela foi ferida duas vezes por estilhaços de artilharia e retornou a serviço como enfermeira de campanha. Ao longo da guerra, empreendida contra as forças do fascismo, inimigo mortal da classe operária mundial, Kira foi condecorada com 3 medalhas, na guerra que destruiu os planos de senhoria mundial apresentados por Adolf Hitler e seus aliados.

Ao fim da guerra, a sniper e enfermeira militar Kira Petrovskaya foi condecorada com 3 medalhas
Após o término da guerra, Kira foi para o Teatro Satírico de Moscou, onde continuou a cantar e exercer suas atividades culturais na União Soviética. De acordo com ela, em Moscou o artista está intimamente conectado ao teatro, "você poderia viver e morrer trabalhando no mesmo teatro", o que é diferente em outros países. Na capital do país, Kira conheceu o seu futuro marido, um diplomata americano, com quem se casou e foi morar nos Estados Unidos. Naquele país, Kira tentou a carreira artística, o que foi dificultado pelo seu forte sotaque russo, mais tarde, ingressou no show de Groucho Marx e passou a viver como escritora, publicando a sua autobiografia, que tornou-se um best-seller. Hoje, Kira Petrovskaya Wayne é militante de projetos cívicos para a promoção da cultura e a erradicação da poluição do ar, sendo também autora de vários livros com assuntos que vão desde mitologia grega até culinária russa e novelas juvenis.

Kira Petrovskaya Wayne, nos dias atuais

1- http://www.silverplanet.com/lifestyles/silver-stars/silver-star-kyra-petrovskaya-wayne/early-life-russia/5721

quarta-feira, fevereiro 15, 2012

MULTIMÍDIA

Coletânea de filmes de propaganda anticomunista americanos - Parte I
Comentados por Cristiano Alves

Certamente, muitos que nasceram nos anos 80 ou antes tem vivas em suas memórias filmes como "Rambo", "Braddok" ou, em alguns casos, talvez mesmo "Red Dawn"(Crepúsculo vermelho, com Patrick Swayze), todos estes filmes tem uma coisa em comum, uma mensagem anticomunista, entretanto, essa mensagem se dirigia a "comunistas externos", sendo os vilões sempre militares comunistas soviéticos, vietnamitas, revolucionários comunistas de outros países, nunca "comunistas domésticos", isso por que já haviam sido exterminados em grande número em anos anteriores. Poucos sabem, entretanto, que durante o final dos anos 40 e início dos anos 50 desenvolveu-se uma forte histeria anticomunista, explícita, contra o "perigo vermelho interno".

Assistir aos filmes anticomunistas ajuda a entender como surgiu o mito do "comunista comedor de criacinhas", do "russo sádico e malvado", papel antes ocupado por índios e negros no cinema americano, eles demonstram como desde a infância o invidíduo sofre um verdadeiro bombardeio ideológico anticomunista, com napalm suficiente para queimar todos os neurônios capazes de empreender algum senso crítico. Importante se faz lembrar, que todos estes filmes contém uma mensagem a favor do militarismo americano, numa época em que as forças armadas americanas ainda não dispunham da mesma proporção que tem hoje, ajudando a entender o início e a ideologia que justificou sua corrida armamentista, bem como os interesses a que ela serve.

"Ele pode ser um comunista"(1951)
Filme de informação das Forças Armadas

Seguido de uma narração de Michael Parenti(ele próprio um ex-anticomunista, como se declara em suas obras), inicia-se o filme produzido pelas Forças Armadas dos Estados Unidos que ensinam a "reconhecer um comunista". A mensagem seguida neste filme até hoje em dia é seguida de forma ortodoxa por anticomunistas fanáticos, ela basicamente deixa a entender que a sociedade inteira deveria se mobilizar contra os comunistas, que mesmo com as filiações do Partido Comunistas dos Estados Unidos da América em declínio, era necessário proibir o partido comunista. A paranóia deste vídeo chega a um ponto tão abusivo e caricato, que até mesmo uma manifestação contra o Ku Klux Klan(KKK) é mostrado como "obra de comunistas silenciosos". Isto é, se o indivíduo se dizia contra espancamento, linchamento, enforcamento e perseguição aos negros, algum comum a qualquer indivíduo com um ponto de vista humanista, não necessariamente comunista ou socialista, pela ideologia americana, ele era um "comunista perigoso", não é difícil achar na rede mundial fotos de "conservadores" ianques com placas portando os seguintes dizeres "Miscigenação= Comunismo". Esse ponto de vista foi seguido à risca nos países da América Latina, sendo também seguido até os dias de hoje pelos neofacistas brasileiros, os autodenominados "conservadores", que tem como porta-voz mor nomes como o jornalista paulista Olavo de Carvalho.

Embora o vídeo ensine a "reconhecer um comunista", curiosamente, inexistiu qualquer filme ou propaganda no Leste Europeu, Cuba ou Ásia ensinando a "reconhecer um capitalista".


"Para reconhecer um comunista, a aparência física não quer dizer nada. Se ele clama ser um comunista, então levamos adiante a sua palavra.
Se uma pessoa lê e advoga as visões expressas em publicações comunistas, ele pode ser um comunista.
Se uma pessoa apóia todas as organizações que refletem ensinamentos comunistas ou organizações classificadas como comunistas pelo departamento de justiça, ela pode ser um comunista.
Se uma pessoa defende as atividades de nações comunistas, enquanto consistentemente ataca a política dos Estados Unidos, ela pode ser um comunista.
Mas se uma pessoa efetua todas essas coisas por um período de tempo, ela DEVE SER UM COMUNISTA!
Mas há outros comunistas que não mostram sua verdadeira face, que trabalham mais "silenciosamente".

O dia do trabalho traz uma onda de sentimento anticomunista em uma parada de lealdade. Todos levantam as suas inatas bandeiras contra os comunistas, as pessoas celebram a liberdade de todos os países."


Duck and cover(1951)
Filme de informação da Defesa Civil

Duck and cover("Agachar-se e cobrir") é uma das mais sublimes obras de estímulo à paranóia feitos nos Estados Unidos, feito em  formato de desenho animado, seu alvo é claro, o público infantil! Diferente de outros filmes da época, ele foi feito pela Defesa Civil americana. Sua propaganda anticomunista é indireta, mesmo por que, em se tratando de um filme voltado ao público infantil, ele não trata diretamente de "comunismo", mas sim de uma obra de paranóia anticomunista. "Agachar e cobrir" era uma prática extremamente difundida nas escolas americanas em fins dos anos 40 e nos anos 50.

No final da década de 40, iniciou-se na América uma operação cujo codinome era "Dropshot", aprovada pelo ditador Harry Truman, tratava-se de um plano cujo objetivo era lançar 300 bombas atômicas na União Soviética, provocando um verdadeiro holocausto soviético. Uma vez que em 1947 somente os EUA tinham a bomba atômica, essa guerra nuclear seria unilateral, sem retaliações. O uso de meios não convencionais era usual durante a ditadura sanguinária de Harry Truman, um dos exemplos foi o uso de cobaias humanas(não voluntárias) para testar remédios contra a sífilis. Todas essas cobaias, a propósito, eram não-americanas, eram gualtemaltecos, nos quais foram introduzidos a bactéria da sífilis. Esse crime foi, após 50 anos, oficialmente reconhecido pelo governo dos Estados Unidos em 2010. Em 1949, a situação mudou, sob o governo de Stalin, a União Soviética desenvolveu a bomba atômica, poupando o povo soviético de um holocausto nuclear e forçando os americanos a adiar o seu plano.

Planejando extirpar os soviéticos e comunistas da face da Terra, os americanos plantaram a lógica da inversão, o país que queria lançar 300 bombas atômicas na URSS, agora passava ao seu povo a imagem de que "os comunistas queriam iniciar a guerra nuclear". Para tornar essa idéia ainda mais palpável, proliferou-se nos EUA, país que sempre governou através da técnica da fobia, a indústria do "abrigo nuclear". Empresas ofereciam aos cidadãos de classe média "abrigos nucleares particulares", supostamente capazes de resistir por anos sem contato com o mundo externo. Nas escolas, essa histeria era ainda mais reforçada com "instruções de como proteger de uma guerra nuclear", numa dessas instruções, as crianças e adolescentes aprendiam que poderiam ter alguma chance de sobreviver a uma guerra nuclear protegendo-se de estilhaços e partículas arremessadas por ventos atômicos. Essa instrução é reforçada pelo filme infantil que mostra uma tartaruguinha protegendo-se de uma explosão nuclear, bem como por treinamentos feitos com sirenes, muitas vezes tocada repentinamente, para testar a prontidão das crianças americanas. Essa prática ridícula e vergonhosa jamais foi ensaiada em países do Leste Europeu, que viam-na como uma mera paranóia dos Estados Unidos, no qual tinha apenas um objetivo, plantar na população o medo do comunismo desde crianças.



O pesadêlo vermelho(1962)
Departamento de Defesa dos Estados Unidos da América

Mesmo sob a égide do revisionismo, a União Soviética dava grandes saltos tecnológicos e expandia a sua influência pelo mundo, lançando o primeiro homem ao espaço em 1961, os Estados Unidos intensificavam ainda mais a sua paranóia, sob uma ditadura de fato militar que, procurando justificar ações imperialistas contra outros países, pintava sempre os EUA como "vítimas", através de uma ideologia transmitida por filmes do Departamento de Defesa, prática essa que nessas alturas já vinha sendo exportada para os países da América Latina, o "quintal" dos Estados Unidos.

Se nos primeiros filmes de faroeste, os americanos eram sempre pintados como "oprimidos pelos índios bárbaros e selvagens", que deveriam ser vingados pelo "valente cowboy justiceiro", essa imagem veio a ser revisada nos anos 60, de modo que os índios cederiam lugar para um outro "vilão opressor do povo americano", isto é, os comunistas, especificamente os soviéticos. "O Pedadêlo vermelho" é um filme que trata da derrubada do capitalismo nos EUA por tropas soviéticas. No início, dois comunistas conversam entre si, um militar e outro um militante do partido, um inicia a conversa em russo e o outrou pede-lhe que fale em inglês, pois será "a única liberdade que os americanos terão", um deles comenta que "os americanos tem muita liberdade". No decorrer do filme, um narrador descreve a cena vista, uma "cidade soviética", ela é cercada por muros, é cheia de ouriços e de arame farpado e tem postos de vigilância, um cenário bem parecido com as cidades americanas fronteiriças com o México nos dias atuais. Essa imagem, claramente inspirada em Berlim dos anos 40, é absolutamente descontextualizada, pois na ocasião Berlim estava ocupada por duas forças rivais, o filme pretende, entretanto, que toda cidade de "país comunista" é da mesma forma. Então surge no filme um narrador, que insere o telespectador em diferentes situações, numa delas, ele descreve o "cotidiano comunista", mostrando uma universidade onde os estudantes aprendem a fabricar explosivos e sabotar instalações americanas, a sabotagem que foi um dos mais comuns expedientes usados pelos imperialistas contra a União Soviética nos anos 30. Então, Jack Webb(o narrador), leva-nos a uma pequena e pacífica cidade norte-americana, onde tudo supostamente funciona bem, temos então os protagonistas, uma família americana de classe média alta, a esposa é uma mera dona de casa, numa época em que as mulheres nos EUA só podiam ser meras escravas domésticas, a filha do protagonista então traz para sua casa o seu namorado para um café da manhã, que é mal visto por seu pai, Jerry Donavan(Jack Kelly). Após uma dor de cabeça com o assunto, ele vai dormir, e o narrador novamente surge e fala de seu "pesadêlo", do "dia em que perdeu toda a liberdade que tinha". Ao acordar, a cidade onde vive foi "tomada pelos comunistas", seus antigos vizinhos e colegas agora o chamam por "camarada", ao que ele estranha. Ao chegar em casa, a situação lhe é ainda mais estranha, agora, seus filhos menores participam de uma organização de pioneiros, o que não lhe é tão chocante, até se deparar com uma situação que lhe é inaceitável, sua casa é invadida por comunistas uniformizados, militares que vieram buscar a sua filha, que antes não trabalhava, que agora era voluntária para trabalhar numa fazenda coletiva. Estes mostram-lhe, então, uma assinatura de próprio punho de sua filha onde ela se tornava voluntária, ao que Jerry contesta, até sua filha aparecer de malas feitas e confirmar a versão dos comunistas. Jerry, no dia seguinte, vai trabalhar numa fábrica, emprego que dificilmente lhe garantiria o padrão de vida mostrado no filme, lá ele tem uma quota de produção, que não consegue cumprir, sendo por isso advertido de que seria denunciado ao comissário local. Cotas de produção eram estabelecidas nos anos 30, quando se fazia urgente a industrialização do país para sair do atraso medieval também para preparar o país para a guerra antifascista, nos anos subsequentes elas também eram estabelecidas, porém não se tratava de metas irreais, aqueles que não produziam o número suficiente poderiam cumprir as metas depois. Jerry então chega em casa e se depara com os seus filhos indo para um acampamento de pioneiros, de malas feitas, então ele diz que nada disso mais acontecerá, pois eles "ainda são uma família"(pois ter uma filha trabalhando voluntariamente numa fazenda coletiva e seus filhos tendo instrução de teor humanista seriam o "fim de sua família"); por isso levará os filhos a uma escola dominical da igreja, arrastando os seus filhos até lá, deparando-se com uma placa indicativa de um museu, sobre o qual os seus filhos tentaram alertá-lo. Ao adentrar o local, depara-se com "invenções soviéticas", dentre os quais o telefone. O filme reflete claramente o desprezo que os americanos tem por outros inventores, seu nível é tão grotesco, que alega ser o telefone invenção do "americano Graham Bell", que nem mesmo era americano, mas escocês. Inconformado, Jerry alega ser tudo uma farsa e inicia a destruição do local, quebrando tudo o que pode até ser preso. O filme claramente faz uma apologia do vandalismo, posição seguida pelos neofascistas brasileiros, bastando lembrar que um blogueiro "conservador" fez um apelo para que as pessoas queimassem material escolar, material esse que, embora se trate de material nefasto e deseducativo, deveria ser combatido por outros meios.

No desfecho do filme, após ser preso, Jerry Donavan é levado a julgamento, onde é processado por "desvio" e tem seus crimes testemunhados por colegas de trabalho, vizinhos e sua própria esposa, sendo sentenciado à pena capital, uma pena geralmente destinada aos mais perigosos elementos da sociedade, envolvidos em atividades contrarrevolucionárias. Antes de sua execução, ele faz um discurso, até que no momento do disparo, ele acorda e diz "como ama o livre mundo onde vive", após o narrador retornar e fazer todo um discurso sobre o capitalismo, para o qual usa o eufemismo "liberdade".

"The red nightmare" foi distribuído em escolas secundaristas e universidades, ele aproveitou um vácuo deixado por filmes como "On the beach"(1959) e outros de sua época sobre a guerra nuclear, agora era preciso mostrar "quem ameaçava os EUA com a guerra nuclear" e o capitalismo, ou melhor, a "liberdade" americana, segundo seus dizeres. Filmado pela Warner Bros, seus produtores alegam ter se inspirado em estórias contadas por "emigrados" da Europa Oriental. Um comentário de um não comunista, no Youtube, expressa bem a natureza desse filme: "Essa porcaria é tão falsa, que eu vim de um país comunista e não era assim... as condições de vida eram duras, mas não como nessa porcaria de filme... e no trabalho as pessoas apenas fumavam, não davam a mínima para cotas..."



Red Dawn(1984)

Pérola da era Reagan, quando foram produzidos os maiores "clássicos" cinematográficos holywoodianos do anticomunismo, contando com futuras estrelas como Patrick Swayze e Charlie Sheen. O filme retoma o mesmo enredo que antes era utilizada contra os índios, isto é, os americanos como "vítimas" de um invasor imperialista, isto é, projeta-se no expectador a idéia de que a América é um país pacífico, que não incomoda a ninguém, porém está sempre sendo atordoada por invasores. Filmes como esse ganharam uma importância tremenda nos EUA de Reagan para justificar o famoso programa "Guerra nas Estrelas" e uma nova corrida armamentista.

Red Dawn, isto é, "Alvorada Vermelha," trata de uma história fictícia, um filme de propaganda sem cara de propaganda, como os clássicos que o antecederam, aqui não há um "narrador", porém ele segue o mesmo estilo trash, tosco, grotesco e ilógico. Logo no início, os Estados Unidos são invadidos pela União Soviética, para ser mais exato, por uma tropa de elite, a VDV(a força paraquedista), quem em plenos anos 80 já usava uniforme camuflado, seguindo o velho clichê de filmes americanos de que "o negão sempre morre primeiro", os desantniki(isto é, paraquedistas soviéticos) cercam uma escola americana, quando o seu diretor afroamericano vem falar com os militares que o cercam, sendo imediatamente fuzilado. Repentinamente, então, os paraquedistas iniciam uma chacina contra estudantes americanos indefesos, inclusive utilizando armas como o RPG(mundialmente famoso lança-rojões soviético) contra civis desarmados, e metralhadoras como o RPD, tudo isso contra... adolescentes secundaristas desarmados! Nessa cena, o filme deixa bem claro o seu público alvo, os adolescentes, que devem ver os soviéticos como assassinos sedentos de sangue, prontos a cometer massacres por mero prazer, prontos a cometer atos que os militares dos Estados Unidos cometiam no Vietnã, como comunistas que viam na matança um divertimento, tal como o General James Mattis, que declarou expressamente durante a Guerra do Iraque da década de 2000 que achava "divertido matar".

No decorrer do filme, a resistência ao Exército Soviético é exercida por adolescentes americanos que se autointitulam os "Wolverines"("lupinos"), que lutam com toda a garra, coragem e heroísmo contra soldados que quase nunca acertam o alvo e são facilmente surpreendidos por garotos, que roubam os seus uniformes comunistas. Os Estados Unidos também são invadidos por tropas cubanas no filme, que ocupam o país, até este ser libertado pelos adolescentes americanos, que expulsam os soviéticos e cubanos com suas táticas de guerrilhas. A mensagem do filme é clara, os jovens devem odiar profundamente e fanaticamente os comunistas, pois estes estão sempre dispostos a matá-los e querem invadí-los a qualquer custo.



Rambo II(1985)

Originalmente, o primeiro Rambo tratava de um soldado(Sylvester Stallone) que se tornara neurótico de guerra após a guerra do Vietnã e passou a enfrentar as autoridades americanas, inclusive a polícia, sendo enviado para um campo de trbalho nos Estados Unidos. No segundo filme, entretanto, a história é completamente distinta.

Escrito por nomes como James Cameron(o mesmo de Avatar), e estrelado por Sylvester Stallone, Rambo baseava-se nas alegações do dissidente soviético neofascista Aleksander Soljenítsin, conforme bem denunciado pelo jornalista sueco Mário Souza. Essas estórias foram a inspiração para o filme, onde o "valente soldado Rambo" tinha a missão de resgatar pilotos americanos brutalmente torturados por soviéticos e vietnamitas, sem entrar em combate com eles. O filme tinha por objetivo servir como anestesia para a direita americana, frustrada com a derrota no Vietnã, nele o militar americano acaba sendo enganado pela CIA, arquiteta do plano, sendo deixado sozinho e abandonado no Vietnã, onde é capturado, torturado por soviéticos, porém acaba tornando-se mais forte com a tortura sofrida e sozinho combate "somente" a Spetsnaz, isto é, os mais qualificados militares do Exército Soviético. Sozinho Rambo derrota o Exércitos Soviéticos e o Exército Popular do Vietnã, não importa se é um helicóptero Mi-24, uma lancha, tanque ou uma bomba de alto poder explosivo, nada disso é capaz de matá-lo, seu corpo fechado não é atingido por um só tiro fatal de um pelotão de soldados de elite.

No filme, foram gastos mais de 27 milhões de dólares, apesar disso, o filme foi mal recebido até mesmo pela crítica americana, sendo considerado o pior filme do ano pela Golden Raspberry Awards. Stallone foi considerado o pior ator do ano, assim como sua atriz coadjuvante, sua fotografia foi considerada a pior, assim como seu roteiro e trilha sonora. Apesar do quê, o filme rendeu 150 milhões de dólares na América do Norte, sendo um sucesso de bilheteria. Foi extremamente exibido na Rede Globo no início dos anos 90 na "Sessão da Tarde".



Rambo III(1988)

Rambo III, com Sylvester Stallone, é um filme que foi feito com o propósito de transmitir a idéia de "derrota soviética no Afeganistão", assim como Rambo II falava na derrota vietnamita-soviética no Vietnã. Foi um sucesso de bilheteria, inclusive dando origem ao desenho animado da série, assim como ao video game do filme.

Continuação da história anterior, Rambo agora está na Tailândia, junto a budistas, buscando paz espiritual, inclusive em lutas de aposta. Quando o seu amigo, o Coronel Trautman, é enviado para o Afeganistão(o filme não deixa claro o que ele foi fazer lá), ele tem o "privilégio" de ser o primeiro americano capturado no Afeganistão, levando Rambo a infiltrar-se no país, juntar-se aos mujaheedin e, sozinho, com munição infinita de fuzis Kalashnikov capturados, derrotar tropas soviéticas no Afeganistão. No filme, pode-se aprender que não é necessário recarregar um fuzil, que homens a cavalo podem derrotar facilmente tanques e helicópteros cheios de casulos de foguetes e mísseis, que helicópteros atacam veículos terrestres com vôos rasantes "raspando poeira do chão" e que um tanque, após ser parcialmente destruído por um coquetel Molotov, receber tiros de canhão de helicóptero e se chocar com um Mi-24 carregado de mísseis e casulos cheios de foguetes, pode sair intacto. De fato, Rambo III não é apenas uma propaganda anticomunista, como também um excelente marketing da tecnologia militar soviética! Tão tosco é o filme, que nele, em pleno calor matinal afegão, é possível ver militares soviéticos usando uniformes de inverno, as telogreikas, agasalhos usados pelo Exército Vermelho, além de... shapki(shapka é a denominação dada aos gorros de pele usados no inverno russos, que cobre a cabeça e pode cobrir as orelhas quando desamarrado). A julgar pelos shapki negros, com seus uniformes camuflados, o filme mostra claramente fuzileiros navais soviéticos num país sem acesso ao mar. No real Afeganistão, soldados soviéticos usavam uniformes comuns e chapéus(afganki), em muitas ocasiões usavam apenas as suas camisetas de listras azul-celeste, com ou sem manga, a telnyashka, "marca registrada" dos paraquedistas soviéticos.

Rambo parte da premissa de que os soviéticos foram os invasores do Afeganistão, posição que ignora que o governo da República Democrática do Afeganistão, legitimamente eleito pelo seu povo, solicitou a ajuda soviética contra insurretos afegãos que não aceitavam o fim da monarquia e queriam implantar no país um regime fundamentalista. Esses mujahedeen acreditavam num Afeganistão medieval e machista, eram reacionários que visavam um fascismo islâmico, abominavam que o governo socialista introduzisse escolas para homens e mulheres, hospitais para ambos os sexos, que mulheres pudessem andar sem a busca e fossem alfabetizadas por técnicos afegãos e soviéticos, além de ter promovido um dos piores pesadêlos de latifundiários e capitalistas - a reforma agrária. Conforme admitido pelo próprio Zbigniew Brzezinski em entrevista, os Estados Unidos começaram a intervir no Afeganistão antes da intervenção soviética, desde antes da guerra a CIA treinou islâmicos em técnicas de sabotagem, terrorismo e táticas de guerrilha. Quando o Exército Soviético entrou no Afeganistão, a pedido do governo local, para conter as guerrilhas mujaheedin, os EUA, através da CIA, intensificou seu apoio aos terroristas, que contaram também com o apoio da Arábia Saudita, Paquistão(por sua afinidade islâmica e rivalidade com a Índia, apoiada pelos soviéticos), República Popular da China, Israel, Canadá, Reino Unido, e, segundo algumas fontes, inclusive a Líbia! Todos estes países patrocinaram forças fundamentalistas e anticomunistas, que Rambo III chama de "lutadores da liberdade". O filme também acusa o Exército Soviético de usar armas proibidas contra o povo afegão, incluso armas químicas, versão jamais constada por qualquer equipe investigativa soviética, independente ou americana, exceto em alguns casos, em cavernas contra forças insurgentes, mas não contra civis, como os americanos fizeram no Vietnã. É interessante enfatizar, que embora Rambo traga cenas fictícias de tortura de afegãos e americanos, essas cenas nem de longe se assemelham com os horríficos crimes cometidos na prisão americana de Guantánamo, na ilha de Cuba. O filme também não deixa claro que os americanos armaram os mujaheedin com mísseis terra-ar Stinger, embora um coronel soviético interrogue o coronel americano Trautman sobre o assunto várias vezes. A entrega desses mísseis já foi admitida por autoridades americanas em várias oportunidades nos dias atuais.

Rambo transmite a velha idéia de que "russos são comunistas malvados, sádicos que matam pessoas por diversão", os grandes heróis do filme são os fanáticos mujaheedin, filme que é dedicado ao "bravo povo do Afeganistão", que os americanos combatem nos dias atuais e classificam como "terroristas que querem implantar uma ditadura islâmica". O filme, feito um ano antes da retirada soviética, transmite a idéia de derrota comunista, ignorando que a maioria das mortes soviéticas no Afeganistão se deveu a adversidades como o clima, doenças como o tifo, hepatite e outras infecções que, em razão do clima afegão,e as adversidades do local, espalhava-se facilmente pelas tropas. Não há como negar que muitas vitórias dos fundamentalistas foram obtidas em ações como emboscadas, especialmente em vias estreitas, contra comboios soviéticos, nos locais menos esperados, porém o saldo é que enquanto os soviéticos perderam entre 10 e 20 mil homens, as forças mujaheedin, que incluíam tropas estrangeiras lutando sob a bandeira islâmica, pederam entre 600 mil e 2 milhões de homens, só em operações como a "Magistral", um surpreente ocorrido teve lugar na cota 3234, protagonizada pela 9º Companhia, formada por paraquedistas da VDV. Lá, um pelotão formado por apenas 39 militares comunistas conseguiu deter uma força paquistanesa de 200 a 250 homens. Ao passo que os comunistas tiveram um saldo de 6 mortos e 28 feridos, os terroristas perderam entre 100 e 150 homens, todos mortos em combate. Apesar do teor do combate, entre forças inimigas de interesses irreconciliáveis, inexiste qualquer foto de tropas soviéticas urinando em cadáveres de afegãos ou com bandeiras da SS nazista, episódios protagonizados e fotografados(como troféis) por tropas americanas.

A retirada soviética do Afeganistão, longe de poder ser considerada uma "derrota", foi parte de uma mudança na política externa soviética, de modo que o país retirou tropas da Mongólia, onde tinham uma situação bastante confortável e bem mais favorável que as tropas do Afeganistão, também desaconselhou as ações do Vietnã contra a Kampuchéia, solicitou a Cuba a retirada da ajuda à Angola e aos poucos iniciou a retirada de tropas da Europa Oriental, onde não tinham conflito com forças locais, o Afeganistão foi apenas uma mudança de planos, valendo frisar que mesmo com a retirada soviética, o poder popular no país perdurou até meados da década de 90, até ser derrubado pelo talibã que iniciou o regime que muitos hoje conhecem, versado na mais brutal ditadura terrorista de cunho islâmico. Deste modo, o Afeganistão jamais pode ser tido por "Vietnã soviético", como clamado no filme Rambo e inconscientemente repetido por muitos.

Pode-se dizer que o início da década de 2000 "matou Rambo", quando os americanos invadiram o Afeganistão e a população doutrinada com o filme passou a enxergar como funciona o duplo estandarte da política externa americana, hoje olhando com desdém os falsos "lutadores da liberdade". A respeito da versão ocidental sobre a operação antiterrorista no Afeganistão, promovida pela União Soviética, há que recordar as palavras de um oficial do Exército Vermelho, após a retirada soviética: "a idiotia não tem encontra limites".

segunda-feira, fevereiro 13, 2012

MULTIMÍDIA

Preto e branco
Direção de Ivanov-Vano e L. Alarik

Produzido durante a era de Stalin, quando foi elaborada a primeira constituição a proibir a discriminação racial, o filme traz uma canção de Paul Robeson, "Sometimes I feel like a motherless child"(às vezes me sinto como uma criança sem mãe), retratando o cotidiano de muitos negros no cinicamente autodeclarado "paraíso da democracia", o mundo ocidental. Também retrata como a religião pode exercer um papel de conciliação entre classes antagônicas, inclusive com representantes da etnia oprimida.

O desenho é uma iniciativa individual dos diretores, feito em colaboração com artistas americanos como Langston Hughes. Outros filmes nesse período foram feitos para denunciar essa mesma situação, tais como "O circo"(Tsirk), estrelado pela renomada atriz Lyubov Orlova, que no filme interpretou uma americana branca, mãe de um bebê negro que se refugiou na União Soviética após ser apedrejada e quase linchada nos Estados Unidos.


domingo, fevereiro 12, 2012

BRASIL 

Luta de Classes e Greves nas Forças de Segurança  
Por Diego Grossi

Os comunistas devem apoiar a greve nas forças de segurança? Esse artigo do professor Diego Grossi responde a essa intrigante questão que envolve um movimento historicamente comprometido com a repressão aos movimentos sociais

Luís Carlos Prestes, o maior líder revolucionário brasileiro, veio das forças de segurança
Pior do que errar é vacilar, não ter rumo, saber se apóia ou não... E aparentemente essa é a posição dos militantes da esquerda brasileira em geral diante das greves das polícias. Isso é péssimo, apesar de justificado.

É natural que haja uma desconfiança da população diante dessa situação, tendo em vista o histórico reacionário e golpista destes setores, que nos últimos anos, principalmente após a Ditadura Militar, tem servido aos interesses mais obscuros, sem o mínimo de resistência por parte dos próprios membros (como por exemplo, havia durante a primeira década do século XX), oriundos, na grande maioria das vezes, da classe trabalhadora. No entanto, a reação dos mesmos diante do atual sistema vigente demonstra uma elevação do nível de consciência de classe nesse setor que precisa ser trabalhado para que continue a progredir e que esses percebam que são apenas uma parte da classe trabalhadora, que como explorados possuem um inimigo em comum que é a burguesia e o sistema capitalista, que lhes colocam como cães-de-guarda dos interesses da elite, reprimindo seus irmãos proletários, morrendo no combate ao pequeno crime (fruto do próprio capitalismo), etc. 

Essa nova etapa não se dará de forma mecânica, não será mera consequência da luta econômica, pois precisa da atuação consciente de um agente externo, só assim sairá da luta puramente econômica para a luta política. O problema central é que esse salto qualitativo pode se dar tanto para a esquerda (como na hipótese levantada no parágrafo anterior) quanto para a direita, desembocando em visões reacionárias e até mesmo golpistas (que é a tendência, dentro do atual quadro de crise do sistema capitalista). Isso dependerá justamente de qual bloco político terá mais condições de entrar em sintonia com o movimento. 

É hora da esquerda radicalizar nas campanhas de solidariedade às greves e ao mesmo tempo reclamar outra postura dos policiais diante das lutas e da população em geral, exigindo atitudes mais respeitosas (fim dos famosos esculachos, dos abusos de poder nas favelas, etc.), cobrando a negação em reprimir futuros protestos do povo em geral (tendo como principal eixo a solidariedade mútua), etc. Obviamente, além da luta de idéias,  é necessário aproveitar o momento para retomar a presença orgânica da esquerda dentro das forças de segurança (afinal temos experiência nesse tipo de atividade e podemos ser úteis através dos nossos veículos de imprensa, advogados, militantes, etc.) e voltar a se infiltrar novamente nos setores militares.

As principais figuras do movimento comunista brasileiro (cujo principal ícone é Luiz Carlos Prestes) vieram dos meios militares e já passou da hora de resgatarmos essa tradição.
Eis que diante de nossos olhos surge uma nova encruzilhada histórica que precisa ser respondida de imediato.


Referências:
- LENIN, V. I. Que Fazer?
- UNSCHLICHT, Iossif. O Trabalho Militar Revolucionário Entre as Forças Armadas da Burguesia. Disponível em: http://www.scientific-socialism.de/ArteUnschlicht3.htm

sexta-feira, fevereiro 10, 2012

EDITORIAL

Por que estudar Stalin?
Por Vladimir Tavares



Nas grandes livrarias é farta a literatura antistalinista, as editoras adotam uma política inaudita altera parte(1), encontra-se até mesmo livros de Hitler publicado nos últimos 20 anos, porém, por que não são publicadas as obras do famoso líder soviético? A imprensa dita democrática, quarto poder no Brasil, ataca, julga e condena sem dar direito de defesa e ao contraditório, chacina a erudição em nome da propaganda, disseminando preconceitos e mitos de modo que eles se tornem indissociáveis do cidadão comum. Este artigo pretende trazer uma perspectiva isenta de preconceitos.

Iósif Vissarionovitch Djugashvili(Stalin) foi considerado por uma pesquisa na Rússia como o terceiro maior nome da história do país, mesmo hoje na Geórgia, sua terra natal, goza de grande popularidade, sendo comum encontrar admiradores seus, especialmente dentre aqueles que viveram em sua época, a despeito de toda propaganda antistalinista que a atual elite política ocidentalista daquele país tem promovido. A despeito de condenações oficiais, populares georgianos erguem monumentos em sua homenagem.

Independente das posições ideológicas, não há como negar que Stalin foi um dos mais importantes homens do século XX, foi o primeiro-ministro de um país de proporções continentais, comandante supremo do exército que derrotou o nazismo e impediu todas as ambições imperialistas e racistas de Hitler, compôs o grupo dos "três grandes" e, conforme reconhecido pelo próprio Winston Churchill, tirou o seu país do atraso do arado e o inseriu na era da tecnologia nuclear, em seu tempo uma das mais avançadas descobertas científicas. Para entender o progresso alcançado na Era Stalin, seria como pegar um país como a Serra Leoa(ou mesmo a recém devastada Líbia) e tê-lo entre os dez países mais desenvolvidos do mundo num curso de 10 anos. Um ponto importante da Era Stalin, é que diferente do que ocorre na Rússia hoje, onde milhões deixam o país, fugindo do capitalismo para formas mais amenas de capitalismo, é que o país recebia um forte fluxo migratório de outros países, especialmente dos Estados Unidos. Dezenas de milhares de cidadãos americanos migraram para a União Soviética, muitos por razões de contrato de trabalho, outros estabeleceram-se definitivamente, fugindo da grande depressão e da crise que assolava o país, alguns, como foi o caso de Robert Robeson, mesmo chegaram a ocupar importantes cargos políticos, como a presidência do soviete de Moscou.

O engenheiro jamaicano Robert Robinson instrui operários em Moscou, na União Soviética. Décadas antes de Obama, ele se tornaria o afrodescendente mais poderoso num país de maioria branca.
Muitos acreditam conhecer a Era Stalin, baseando-se em opiniões unilaterais, ultimamente, no mundo ocidental, mesmo publica-se a obra de alguns autores russos, que por mais que tenham sobrenomes diferentes, compartilham de apenas uma filosofia - ganhar direito escrevendo o que as autoridades ocidentais querem ouvir. Enquanto livros de autores revisionistas como Vladimir Rezun(Viktor Suvorov) são livremente publicados, a despeito de sua admiração confessa pelo general Andriey Vlássov(2), desertor do Exército Vermelho que abraçou a causa nazista, autores como Yuri Júkov, Muhins ou simplesmente investigadores das repressões stalinistas como Viktor Zemskov, da época da glasnost, são sumariamente ignorados e jamais publicados, o acesso aos seus trabalhos é quase sempre inacessível, excluindo-se os originais em russo. Aqueles que jamais leram esses autores e conhecem apenas uma versão da história, muitas vezes ainda são cínicos o suficiente para chamar os seguidores das idéias de Stalin de "fanáticos stalinistas". Ora, segundo artigo da Wikipedia sobre o fanatismo, existem oito características pertinentes ao fanático: agressividade, preconceito, estreiteza mental, extrema credulidade quanto ao próprio sistema e incredulidade quanto a sistemas contrários, sistema subjetivo de valores, intenso individualismo e prolongamento excessivo em certos assuntos. A presença de um ou outro elemento não configura necessariamente o fanático, assim um autor de uma página sobre "economia" não é necessariamente um "economista fanático", ou um colecionador de moedas um "fanático", a despeito do uso popular. Verifica-se, entretanto, entre os anticomunistas, a presença de todos os elementos citados no artigo, se alguém diz, por exemplo, que "admira Stalin", então o fanático já ataca logo alegando que "foi um ditador que matou milhões", sem nem mesmo questionar ao indivíduo por que este admira Stalin. Se este admirador, entretanto, tenta esboçar uma defesa, então vem o argumento ad hitlerum, onde o fanático e histérico anticomunista iniciando comparações pueris com os negadores do Holocausto ou com seguidores de Hitler. Em fóruns virtuais, além de comparações espúrias, também é comum o uso de "risadinhas"(os comuns "kkkkkkk") com o intuito de desestabilizar o interlutor, impossibilitando a construção de um diálogo.

É muito comum ver pessoas citando Stalin, citações que jamais estiveram presentes em suas obras, inalcançáveis por qualquer "Ctrl+F", citações essas que aparecem em jornais, livros e até video games, mas que jamais aparecem em qualquer obra de Stalin(processo análogo se dá com o italiano Nicolau Maquiavel, quem nunca ouviu falar que este escreveu que "os fins justificam os meios", ou em "plano maquiavélico"?). O mais interessante de quase todos os críticos de Stalin é que praticamente todos eles jamais leram sequer as orelhas de suas obras, entretanto, sobre o falam as obras de Stalin? Os escritos do pensador e estadista georgiano estão compilados em vários tomos, eles abordam os mais variados assuntos, indo desde poesia escrita em sua adolescência, passando por textos e livros sobre a história do movimento revolucionário mundial e russo, até obras de teor filósofico e livros sobre trabalhos de seus professores, Marx, Engels e Lenin, de modo a facilitar a compreensão de suas idéias num país que estava se alfabetizando, esses "resumões" lhe valeram a crítica por parte de vários autores marxistas ocidentais, quase sempre descontextualizada. Uma das obras mais importantes de Stalin que ajudam no cotidiano trata sobre a evolução das formas de luta de classes. O pensador georgiano sublinha, que a forma padrão de luta dos operários era o ludismo, que consistia na idéia de que "a emancipação da classe trabalhadora se daria pela destruição das máquinas", verificando-se, entretanto, que esta teoria era falha, depois o terrorismo, assim, especialmente entre os anarquistas e niilistas, era muito comum recorrer a técnicas como atentados a bomba contra prédios governamentais, assassinato de autoridades(como ocorreu com o tzar Alyeksandr II), ou mesmo de patrões. Verificou-se, entretanto, que máquinas, autoridades e patrões vão e vem, mas o sistema permanece, essa mentalidade "anti-VIP" persiste na idéia de muitos revolucionários ou ativistas pouco experientes, que talvez mudassem de idéia de conhecessem as idéias de Stalin. Se o assassinato fosse uma forma de luta que resolve todos os problemas, a Polônia, que teve o seu Estado-Maior inteiro dizimado num acidente de avião na Rússia, em 2010, teria sido suficiente para acabar com o capitalismo naquele país. Mesmo a Revolução de Outubro não triunfou pelo assassinato do tzar Nikolay II, mas pela organização do partido revolucionário e sua ação adequada na hora correta de tomar o poder após um longo trabalho feito nas massas e a preparação de quadros comprometidos com o ideal e a prática bolchevista.

Video games como "Command & Conquer"(foto) apresentam Stalin como uma figura maligna, sempre atacando o pacífico ocidente. Em realidade, o "Exército das 14 nações"(em realidade 18) enviou corpos expedicionários à Rússia Soviética em apoio ao Exército Branco, resultando em mais de 3 milhões de mortos e fome no país entre 1921-22. Durante os anos 20 e 30, também patrocinou-se a revolta dos "basmaquí" islâmicos na Ásia Central, e ações de sabotagem do clandestino "Partido Industrial", na Ucrânia, além de vários atentados contra representações comerciais e diplomáticas soviéticas mundo afora.
Livros como "Materialismo histórico e materialismo dialético" ajudam a entender por que grupos que optaram pelo terrorismo como via principal de luta revolucionária jamais tomaram o poder político, quase sempre limitando-se a desestabilizar governos burgueses ou, em última instância, forçá-los a algumas concessões. A mesma obra é, ao mesmo tempo, um banho de água fria em mentes reacionárias e sectárias, que enxergam numa simples manifestação que fecha um cruzamento ou incendeia um ônibus um fato "abominável", técnica de luta por vezes necessária para conseguir a divulgação da causa na mídia.

Sem dúvidas, dois escritos de sublime importância social do magíster georgiano são "A questão nacional e o leninismo"(por vezes traduzido como "O Marxismo e a Questão Nacional") e a Constituição Soviética de 1936, cuja comissão constituinte foi presidida por Ióssif Vissarionovitch. No primeiro trabalho, Stalin, consoante com as idéias de Lenin, dá um enorme passo em relação aos socialistas europeus. Na época, diversos povos oprimidos ficaram fora do alcance das idéias socialistas, povos da África, América e Ásia, especialmente, assim um operário africano ou asiático oprimido não teria tanta importância quanto um operário austríaco ou alemão na mesma situação. A obra de Stalin, a respeito do assunto, lhe rendeu elogios de seu companheiro e professor, V. I. Lenin, que colocou em primeiro lugar a obra de Stalin sobre o tema, mesmo já existindo escritos prévios sobre o assunto, isso por que a outra obra, do socialista austríaco Otto Bauer, partia de premissas idealistas. Para Bauer, o conceito de "nação" diz respeito a uma comunidade unida por um mesmo destino, assim, os judeus seriam uma nação, pois todos teriam "um mesmo destino", para Stalin, a "nação" era "uma comunidade estável, historicamente formada, de idioma, de território, de vida econômica e de psicologia manifestada na comunidade de cultura", para ele nenhum desses traços isolados constituíam uma nação, pois "que vínculos nacionais podem mediar, por exemplo, entre judeus georgianos, daguestanos, russos e norte-americanos, completamente desligados uns dos outros, que vivem em diferentes territórios e falam distintos idiomas?". Stalin, nas mesmas pegadas de Marx(A questão judaica) contesta, alega que os judeus não formavam uma nação, pois o judeu inglês estava integrado à nação inglesa, e o judeu português à nação portuguesa, partilhando uma mentalidade diversa, uma vez separados por terreno, estes constituem uma mera "força invisível". Bauer, entretanto, reconheceu em sua obra, que o capitalismo contribuía para o processo de desnacionalização de certos povos.

Partida de futebol na Praça Vermelha, durante os anos 30. O povo brasileiro, amante do futebol, não é a única "nação mestiça". O livro "O Marxismo e a Questão Nacional", de Stalin derrubou o mito da "pureza racial" ou "nacional" demonstrando as origens miscigenadas até mesmo de povos como os alemães, britânicos e italianos.
No que toca a questão nacional, entra um mérito do pensador georgiano, o desmantelamento da noção primitiva e arcaica de "raça pura" ou "povo puro", o que coloca, a contragosto dos propagandistas burgueses, Stalin e Hitler em campos completamente opostos e conflitantes. Alegava Stalin que "a atual nação italiana foi formada por etruscos, romanos, germânicos, gregos e árabes etc. A nação francesa foi constituída por gauleses, romanos, bretões, germânicos etc". Ou seja, na concepção de Iósif Vissarionovitch, o brasileiro não é o único povo mestiço do planeta, ponto de vista que a ciência hoje em dia confirma em pesquisas genéticas. E é discorrendo sobre o assunto que o magíster georgiano coroa seu grande triunfo enquanto humanista, defendendo que, mesmo que um povo menor esteja associado a um povo majoritário, ele deve de modo algum ser privado de direitos ou vítima de perseguições racistas. Em sua obra, Stalin explica o processo de assimilação de uma nação político e culturalmente mais avançada como os poloneses, que já haviam desenvolvido o constitucionalismo e alcançado a república, pelo Império Russo, do qual fazia parte a Polônia até meados de 1917. Tanto Lenin quanto Stalin defendiam o direito à autodeterminação dos povos, valendo lembrar que na época não se tinha a idéia de uma "potência global e havia a firme convicção de que em breve o mundo inteiro seria socialista e alcançaria o comunismo. Foi seguindo essa idéia, que o Império Russo foi desmembrado, formando-se a Rússia, Bielorrússia, Ucrânia, Finlândia, Polônia, Estônia, Letônia, Lituânia e Transcaucásia. Nem todas elas associaram-se, visto que em alguns países como a Finlândia, antigo grão-ducado russo, generais tzaristas como Mannerheim afogaram a revolução em sangue, exemplo seguido por Josef Pilsudski na Polônia, nestes países formaram-se governos que ameaçavam a expansão do socialismo científico, ainda, no Báltico, foram formados vários governos de teor reacionário e violentamente anticomunistas, deixando esta ideologia como "herança" nestes lugares. Mais tarde, em fins dos anos 20 e durante os anos 30, surgiram novas repúblicas que ingressaram na família de nações soviética, o Cazaquistão, onde vivia um grande número de povos sem Estado nacional, os cazaques, e, de forma análoga, o Tadjiquistão, Usbequistão e Turcomenistão, antes parte da "República Autônoma de Bohara". No Cáucaso, a Federação Trascaucasiana formou a Geórgia, Azerbaijão e Armênia. Nos anos 40, formou-se uma nova república baseada nos finlandeses incorporados à URSS, a Karélia, formando-se assim 16 repúblicas soviéticas, número posteriormente reduzido para 15. A própria Rússia soviética mantinha uma divisão administrativa interna baseada nas nacionalidades, por exemplo, a República Autônoma do Volga, formada por alemães, ou a Tartária, formada pelos tártaros.

"CONTINUEM NESSE MESMO ESPÍRITO, IDIOTAS!" Charge retratando conflitos étnicos entre ucranianos e russos(respectivamente representados pelo cossaco e o "vityaz") como maionetes dos capitalistas, situação praticamente inexistente na URSS dos tempos de Stalin
Seguindo a mesma melodia do respeito pelas nações e de completa aversão pelo chovinismo, o governo de Stalin colocou em prática as idéias de Lenin, criando a primeira constituição da história a criminalizar a discriminação étnica, racial e nacional, a Constituição Soviética de 1936, apelidada por muitos de "constituição stalinista", ou "constituição staliniana". É comum que líderes ou chefes políticos, ainda que considerados injustos sob os paradigmas hodiernos, gravem o seu nome na história através da elaboração de códigos legais inovadores, assim, tem-se o Código de Hamurabi, que leva o nome do autocrata babilônico, que aplicando a Lei de talião("olho por olho, dente por dente"), criou o embrião do moderno direito penal. Um outro código que marcaria a história do direito, associado a um estadista, é o Código de Napoleão(originalmente Código Civil Francês), que embora não tenha sido o primeiro código civil, foi irrefutavelmente o primeiro a influenciar todos os códigos civis modernos, influenciando inclusive o direito trabalhista. Stalin gravou o seu nome na história de diferentes formas, sendo que poucos conhecem o artigo 123 da Constituição Soviética(3), que tal qual como o foguete que levou o primeiro homem ao espaço, dinamizou a luta contra o preconceito e o racismo em todo o mundo. Sob esse clima de progresso social, o soviete de Moscou elegeu seu primeiro presidente negro, Robert Robinson, engenheiro jamaicano cujos agressores racistas, cidadãos americanos, foram presos e expulsos da União Soviética.

Paul Robeson, ator, boxeador e cantor americano sendo recebido entusiasticamente na União Soviética, na época de Stalin, cena que jamais seria possível na Alemanha nazista, onde quase foi linchado por gangues hitleristas.
Ideologias de ódio e de racismo tem tomado conta do imaginário de muitos jovens, movimentos ou simplesmente gangues que pregam a supremacia racial, assim como movimentos dito "conservadores" que nada de novo apregoam, exprimindo um ódio irracional por quaisquer grupos com um pensamento humanista, frequentemente atacam os seguidores do marxismo-leninismo, filosofia seguida por Stalin. Em tempos de crise capitalista, é míster que se adote a técnica da "fobia", criando-se demônios que tornem as pessoas hostis a qualquer proposta de mudança, essa política é necessária que a ideologia capitalista e anticomunista mantenha o controle de massas, demonizando o terceiro homem mais admirado pelo povo russo e fortemente respeitado em sua terra natal.

Stalin... segundo os autores revisionistas, anticomunistas, nazistas e grande parte dos historiadores ocidentais
Hoje em dia, antes de se falar em "vítimas de Stalin", há que se falar primeiro em "vítimas da guerra de informação", da "lavagem cerebral dogmática anticomunista". Erros que por vezes partiam de autoridades locais são frequentemente atribuídos a Stalin, conforme defendido por Mihail Kalashnikov, o famoso inventor do AK-47, cuja família foi vítima de erros cometidos durante a coletivização da agricultura. Culpar Stalin por erros de autoridades locais, que em muitos casos foram até mesmo criticadas rispidamente em artigos de Stalin como "A vertigem do sucesso", seria equivalente a culpar a presidente Dilma Rousseff pelos abusos cometidos durante a abominável desocupação da favela de Pinheirinho, ou pelas torturas e abusos cometidos pela Polícia Militar contra estudantes que reivindicam direitos sociais nas grandes capitais do país.

As mulheres, aqui mostradas em desfile cívico na Praça Vermelha, obtiveram nos tempos de Lenin e Stalin mais direitos do que em qualquer outra época da história russa dos países que integravam a União Soviética
As obras de Stalin são de grande importância para aqueles que querem compreender melhor o mundo onde vivemos e para onde estamos indo ou podemos ir(suas últimas obras expressam sua perspectiva para a redução da jornada de trabalho para 5 horas, de modo a abolir a divisão social do trabalho e avançar até o comunismo sob novas técnicas de produção). Elas são desconhecidas e ignoradas por praticamente todos os críticos, é comum, inclusive, encontrar pessoas que nem mesmo sabem que Iósif Vissarionovitch escreveu livros. Seu povo e seus seguidores de todo o mundo o tiveram por "amigo e professor", sua luta, por um sistema social justo e socialista resultaram num país livre do analfabetismo, da ignorância, da desnutrição infantil(exceto em períodos de guerra) e do atraso. O modelo que ele liderou, entretanto, não era um sistema perfeito, existem sistemas perfeitos? Houve erros, o que é natural num sistema novo, porém não necessariamente plausível, porém mais acertos que erros que inseriram a Rússia e uma série de países numa era de desenvolvimento e progresso tecnológico e social, além de terem esses acertos forçado a burguesia internacional a fazer concessões aos trabalhadores, sob o termor do "perigo vermelho". Alega-se, com propriedade, que sem Stalin e a União Soviética, até hoje, nos Estados Unidos, os negros ainda estariam sentando "no banco de trás", conhecer a sua obra, despindo-se de preconceitos e exorcizando mitos, é uma experiência válida, atual e enriquecedora.

Ao contrário do que pensam muitos autores ocidentais, Stalin foi autor de vários livros, compilados em vários tomos. No ocidente, a maioria de suas obras estão em inglês, embora seja possível encontrar um grande número em italiano e mesmo em português, ainda que em pequeno número.


(1) Sem ouvir a outra parte
(2) Em "O Exército Vermelho por dentro"
(3) Disponível em http://www.departments.bucknell.edu/russian/const/1936toc.html