sexta-feira, março 07, 2014

8 DE MARÇO: A glória de Maria Oktyabrskaya

Por Cristiano Alves

A história de uma brava ucraniana que juntou todos os bens que tinha para construir um tanque de guerra e dirigi-lo numa luta contra os opressores de seu país




Na cultura popular surgiu a história do Batman, isto é, o "homem-morcego", que junto com super-heróis como o Super-Homem combate o crime. Batman seria apenas mais um super-herói da "Liga da Justiça", não fosse um quesito especial, ele não possui "super-poderes", embora o herói mítico possua um super-poder que, ao contrário dos demais heróis, existe na vida real, o capital. Bilionário, Batman usa seus recursos econômicos para combater o crime, tendo para isso construído um automóvel com os melhores armamentos, o Batmóvel. O que poucos sabem, entretanto, é que na realidade existiu um herói com esse perfil na vida real, ou, para ser exato, uma heroína com esse perfil, Maria Vassilyevna Oktyabrskaya.

Maria Garagulya nasceu no Império Russo em 1902, na vila de Kiyat, hoje localizada na Ucrânia. Ucraniana, Maria viveu em Sevastopol, em Djankoy e depois em Simferopol, tendo um irmão e uma irmã. Em meados dos anos 30, a família de Maria foi desculaquizada, sendo transferida para os Montes Urais, a fronteira que separa a Rússia européia da Rússia asiática. Tendo já concluído seus estudos, Maria arranjou trabalho como telefonista nos Urais, onde conheceu o seu marido, o comissário-coronel Ilya Fyodotovich Oktyabrsk, cujo sobrenome significa "de Outubro", tornando-se assim "Maria Oktyabrskaya". Junto com seu marido, foi transferida para Kishnyov(Chisinau), na República Socialista Soviética da Moldávia, país integrante da União Soviética, em razão da profissão militar deste. Estando perto da fronteira com a Alemanha, uma vez que já então não existia mais a Polônia, o marido de Maria foi uma das primeiras vítimas do nazismo na Operação Barba-ruiva, a maior operação militar da história, de invasão da União Soviética. Um telegrama avisou-lhe que seu marido "morrera corajosamente numa batalha travada na Ucrânia", em razão disso ela e seus parentes restantes foram evacuados para Tomsk, onde trabalhou numa fábrica.

A morte de seu marido fora um grande choque para a telefonista soviética, que então resolveu alistar-se no Exército Vermelho para combater os fascistas. A tentativa de Maria, entretanto, fora infrutífera, ela foi dispensada por causa da idade, pois já tinha mais de 40. Mas Maria não se deu por vencida, ela arriscou um empreendimento inusitado. Passou a trabalhar arduamente, dia e noite, para arrecadar o máximo que pudesse em termos monetários, uma vez que no socialismo funcionava o princípio "a cada um segundo seu trabalho". Após adquirir uma soma considerável, Maria vendeu todos os bens de sua casa, tudo o que pôde, talheres de prata, mesa, cadeiras, anéis, tapetes, tudo foi vendido pela agora operária soviética, arrecadando cerca de 50 mil rublos com todas as vendas e o dinheiro obtido por seu trabalho, quando então resolveu depositar esse valor no banco nacional soviético e escrever uma carta para o então comandante supremo das Forças Armadas da União Soviética, o revolucionário e comandante veterano Iósif Stalin:

Moscou, Kremlin. Endereçado ao Comitê Estatal de defesa. Ao Comandante Supremo:
3 de março de 1946

Prezado Iósif Vissaryonovitch! Em combates pela pátria tombou o meu marido, o comissário-coronel Ilya Fyodovitch Oktyabrsk. Em razão de sua morte, da morte de soviéticos, torturados pelos bárbaros fascistas, quero combater os cães fascistas, e para isso depositei no banco estatal tudo o que tinha para a construção de um tanque, 50 mil rublos. Peço que o tanque se chame "Amiga combatente" e me carregue para o front na condição de condutora deste tanque. Eu tenho especialidades como chofer, posso operar uma metralhadora muito bem, me apresento aos atiradores de Voroshilov. Envio-te uma saudação calorosa e desejo dar longos, longos anos de medo ao inimigo e pela glória de nossa pátria. 

Maria Vassilyevna Otkyabrskaya, Tomsk, Berlinskogo, 31

Stalin assim respondeu:

Agradeço-te, Maria Vassilyevna, pela sua preocupação com as forças blindadas do Exército Vermelho. Seus desejos serão realizados. Receba os meus cumprimentos.

Assim, em 3 de maio de 1943, Maria começou o curso de formação de tanquistas, tornando-se sua condutora. Já em outubro de 1943, a Maria "de Outubro" recebeu seu batismo de fogo na Frente Ocidental, como Sargento da Guarda mecânica e condutora do tanque T-34 chamado Boyevaya Podruga, isto é, "Amiga Combatente", comandado por um tenente e tendo ainda um radialista e atirador de torre, totalizando em 4 a tripulação da Amiga Combatente. Sendo parte de uma unidade da "Guarda", título que promovia as unidades que melhor se destacavam em combate, por isso recebendo os melhores equipamentos, a Amiga Combatente registrou vários sucessos no front, chegando até Berlim. Esse avanço, entretanto, não se concretizaria em razão de um fato trágico ocorrido em janeiro de 1944. Em razão da Amiga combatente ter tido uma engrenagem de sua lagarta esquerda seriamente atingida por um prójétil inimigo, Maria Otkyabrskaya tentou, sob fogo inimigo, consertar o dano, o que não fo possível em razão da detonação de uma mina nas proximidades, cujos estilhaços lhe causaram ferimentos letais em seu olho. Levada imediatamente para o hospital militar, Maria passara por uma cirurgia, sendo depois tranferida para outro hospital, onde recebeu a Ordem da Guerra Patriótica de Primeira Classe. Após resistir por várias semanas, no mês de março a galhardia e dedicação de Maria Otkyabrskaya, exemplo para seus compatriotas e todas as nações amantes da paz e da liberdade, torna-se ia uma feito lendário e sua executora, apenas história, sendo enterrada com grandes honras militares e postumamente condecorada com 2 Ordens de Lenin e a maior condecoração militar do país, a medalha da Estrela Dourada de Herói da União Soviética, por decreto do Presidium do Soviete Supremo da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas. 



Embora sua criadora tenha passado para a eternidade, a Amiga Combatente continuou em ação, era mais do que um mero carro de combate, mas um carro de combate com toda uma história de triunfos, antes mesmo deste ver ação no plano militar. A Amiga Combatente alcançou Könnisberg, atual Kaliningrado, sendo depois disso destruída. Apesar disso, outra "Amiga Combatente" foi construída, em homenagem à sua "mamãe, como chamavam à Mariya Otkyabrskaya. A segunda amiga participou da libertação de Minsk, a terceira conheceru vários combates até que a quarta Amiga Combatente encerrasse seus combates perto de Könnisberg.

O exemplo de Mariya Oktyabrskaya foi marcante na história militar. Muitos soviéticos fizeram doações para a construção de veículos para defender o seu país, inclusive um homem da Ásia Central que vendeu tudo que tinha para comprar um caça para a Força Aérea Soviética. Poucos, entretanto, foram aqueles que solicitaram pilotar e combater no veículo que eles mesmo compraram. Nos primeiros dias de maio de 1945, tanques T-34 entraram em Berlim, pondo fim à loucura fascista que tomava conta do país cujo líder covardemente se suicidara, para escapar ao julgamente de seu povo.

Em documentário recente, o ainda vivo Marechal de Corpos Blindados Olyeg Losik descreveu os feitos de Mariya Oktyabrskaya, junto com a coronel Lyudmila Kalinina.



Fontes: http://ru.wikipedia.org/wiki/%D0%9E%D0%BA%D1%82%D1%8F%D0%B1%D1%80%D1%8C%D1%81%D0%BA%D0%B0%D1%8F,_%D0%9C%D0%B0%D1%80%D0%B8%D1%8F_%D0%92%D0%B0%D1%81%D0%B8%D0%BB%D1%8C%D0%B5%D0%B2%D0%BD%D0%B0

A Ordem da Guerra Patriótica de I Classe, atribuída aos combatentes responsáveis por determinadas façanhas.

8 DE MARÇO: A glória de Zoya Kosmodemyanskaya

Por Angela Sztormowsky
Com a colaboração de Cristiano Alves

Em tempos em que parte da esquerda é guiada por falsos ídolos, entorpecida pelo "veneno do ocidente", isto é, os narcóticos, Zoya Kosmodemyanskaya é um modelo para qualquer real comunista que deseja servir ao povo trabalhador e por ele lutar. Ela é um modelo daquilo que a mulher comunista deve ser, destemida e íntegra!

Pintura que retrata a glória de Zoya Kosmodemyanskaya ante a direita fascista 

Ao longo da história são muitos os que sacrificam-se de forma abnegada por um povo, uma fé, por uma ideia. Pessoas podem ser assassinadas, torturadas e até esquartejadas. Mas quando o opressor imperialista acredita ter destruído essa ideia, muitas vezes ela renasce ainda mais forte, transcendendo a existência física daquele ou daquela que a defendeu estoicamente. A história também nos mostram que as mulheres acabam pagando um preço mais alto na luta por ideias justas, assim Rosa Luxemburgo não apenas foi presa, como sofreu com golpes de coronhada e baioneta até a sua morte por sociais-traidores, Olga Benário foi deportada para a Alemanha nazista enquanto grávida até morrer num campo de concentração fascista. Há uma história, entretanto, que poucos conhecem, de uma jovem honrada cujo nome inspira todos aqueles que declaram guerra ao fascismo, um nome que vem do norte, Zoya Kosmodemyanskaya.

A jovem russa descendia de uma família de padres, razão pela qual herdou o sobrenome "Kosmodemyanskaya", isto é, garota de "Cosme e Damião"(na Rússia o sobrenome modifica-se conforme o sexo do portador), santos gêmeos venerados pela ortodoxia, catolicismo, umbanda, candomblé e outras religiões, cuja hagiografia nos diz que não sofreram nem pela água, nem pelo fogo, nem mesmo pela cruz, até morrerem decapitados. O nome de Zoya Kosmodemyanskaya tornou-se um símbolo de uma época, ruas e escolas foram batizados com seu nome. Mas quem foi Zoya Kosmodemyanskaya? Heroína ou criação da "propaganda comunista"?


A jovem soviética nasceu na Rússia e por seus feitos tornou-se uma das mais veneradas heroínas da União Soviética. Sabe-se que durante seu tempo de escola era uma leitora ávida, que lia livros que iam além do currículo escolar, dentre seus autores favoritos figuravam nomes como Tolstoy, Pushkin, Lermontov, Byron, Miguel Cervantes, Shakespeare e Goethe. Num de seus cadernos ela escreveu que "nas tragédias de Shakespeare, a morte de um herói está sempre acompanhada de um triunfo de uma causa moral maior". Ela também era uma apreciadora da música de Beethoven e de Tchaykovsky, sendo sua canção favorita a Simfonia nº 5 deste último. Comunista, ela ingressou nos diferentes órgãos da juventude comunista soviética. Moralista, no sentido socialista dessa palavra, ela zelava pelas virtudes comunistas que cada um deveria demonstrar. Ela inquietava-se com egoístas, aduladores e pessoas não sinceras.

Tendo ingressado no Komsomol em 1938, com o advento da IIGM, em 1941, ela foi voluntária para uma unidade partizan(guerrilheira) de inteligência da Frente Ocidental, a Unidade Diversionária 9903. Sua tarefa não seria nenhum pouco fácil, uma vez que teria de atuar atrás das linhas inimigas, isto é, onde os alemães estavam. Para se ter uma ideia do nível de coragem exigido dos jovens comunistas, exigia-se camaradas que não tivessem medo de pular de paraquedas, atividade de grande risco, que na época era uma novidade. Quem poderia imaginar um salto das mais altas altitudes e sair vivo após essa "queda" dos céus?

Zoya nada temia, em nome de suas ideias comunistas, da defesa de um povo honesto e trabalhador. Assim como ela, milhares de comunistas compareceram aos comitês do partido e das Forças Armadas para se alistar como voluntários. Segundo depoimento de Shelepin, entrevistador de Zoya que mais tarde se tornaria líder dos sindicatos e renomado membro do KGB, Zoya não temia alturas, nem pular de paraquedas, falava alemão(além do russo), era dotada de força de vontade e corajosa. Após o envio de sua ficha para órgãos superiores, seu perfil foi aprovado para o grupo diversionário que atuaria no vilarejo de Petryschevo, ocupado por fascistas alemães. Sua missão seria minar estradas e principalmente incendiar residências e outros estabelecimentos utilizados pelas forças alemãs. A decisão da jovem comunista, a propósito, foi tomada sem comunicar a seus pais.

O grupo de Zoya, atuado sob o frio extremo do inverno russo, logrou minar várias estradas, o que arruinaria transportes e vidas fascistas. A mais arriscada parte das missões, entretanto, envolvia o incêndio de casas usadas pelos alemães, feita de modo secreto, espreitando-se durante a noite. Numa dessas missões, um camarada de Zoya foi capturado pelos fascistas. Preso e ameaçado, ele entregou ao inimigo Zoya e outro companheiro seu. Os nazistas, sabendo do que estariam por vir, prepararam uma cilada para Zoya. Quando ela preparava-se para incendiar uma casa, os fascistas rapidamente a capturaram. 

Sob captura dos alemães, Zoya nada falou sobre suas atividades. Os ocupantes fascistas estavam furiosos, ela incendiara edificações inteiras e também estábulos para os cavalos dos nazistas, meio de transporte utilizado com frequência no inverno, quando as viaturas alemãs tornavam-se inúteis por causa do inverno russo. Zoya, segundo depoimentos de seus companheiros, inclusivo do que a traiu, dissera "matem-me, eu não contarei nada". Furiosos, os fascistas passaram a torturar Zoya, inclusive chicoteando a guerrilheira comunista com as costas nuas. Segundo um editorial do Pravda, foram 200 chicotadas de cinturão(espessos nos tempos da IIGM). Vassiliy Klubkov, o traidor de Zoya, alega que sua companheira foi torturada de forma selvagem. Por sua traição, ele teve a sua vida poupada, e regressando ao território controlado pelos soviéticos, ele confessou a sua traição a Zoya Kosmodemyanskaya e à sua própria pátria, solicitando que, por isso, fosse punido pelo tribunal, mas tivesse a sua vida poupada. Sua solicitação foi em vão, após ser processado, julgado e condenado, a sentença de V. Klubkov determinou a pena capital em desfavor deste, executada pouco tempo depois por fuzilamento. Klavdya Miloradova, camarada de batalha de Zoya, alegou em documentário que até hoje não consegue entender como alguém num momento tão sério conseguiu acovardar-se e entregar sua companheira, no documentário "Zoya Kosmodemyanskaya, pravda o podvige".

Após bárbaras sessões de tortura, Zoya Kosmodemyanskaya, mesmo tendo sido traída, não traiu a seus companheiros, nem ao seu país, ela tomara a decisão mais importante de sua vida, a de morrer pelo seu país em nome da liberdade e da destruição das forças do fascismo alemão. Zoya não informou aos alemães nem mesmo o seu verdadeiro nome. Assim como Lenin e Stalin, Zoya empregou um pseudônimo ante os alemães, "Tanya", honrando Tatiana Slomahina, heroína comunista da Guerra Civil russa. Deixada sem comida e sem água, Zoya foi despida(em plena neve), e arrastada nua por longas distâncias até que seu carrasco sentisse frio, mesmo agasalhado. Humilhada, seus lábios estavam escurecidos e ressecados. Depois puseram-lhe uma roupa, ela pediu água, o que lhe foi negado. A jovem comunista de apenas 18 anos foi então condenada à forca. Os alemães penduraram-lhe uma placa com os dizeres em russo: "Incendiária de casas". Isso foi feito para que os camponeses não combatentes que cercavam os estabelecimentos alemães aceitassem a decisão alemã e passassem a enxergar como criminosa não o poder hitleriano, mas sim a guerrilheira, uma prática comum aos fascistas brasileiros nos tempos da ditadura militar, que visava levantar o povo não contra seus opressores, mas contra quem os combatia.

"Tanya", ante a forca, vestida em trapos e com uma placa pendurada em seu pescoço, fez um discurso ante todos que a assistiam, inclusive os fascistas: "Camaradas, a vitória estará conosco. Soldados alemães, entreguem-se enquanto não é tarde. A União Soviética é invencível e não será vencida. Quanto mais vocês nos enforcarem, mais se levantarão, somos 170 milhões. Atrás de mim camaradas virão". A última parte foi dita já com a corda no pescoço, na qual ficou pendurada. Mas o martírio de Zoya não se encerrava por aí, retirada da forca pelos alemães, estes, bêbados, puseram seu corpo na neve e esquartejaram-no a golpes de machado, enquanto riam e fotografavam seu corpo despido e despeçado, deixado na neve para exposição pública por semanas, e eternizado por toda a história. Os alemães guardavam essas fotos como "troféu", como motivo de júbilo.

Foto dos restos mortais de Zoya na neve, após ser enforcada e esquartejada pelos fascistas alemães

Em pouco tempo, a notícia e também as fotos correram não apenas as zonas ocupadas pelos alemães, dentro de alguns meses elas chegaram ao território soviético, chegando mesmo ao conhecimento, por meio de jornais e relatórios àquele que dirigia e inspirava milhões na luta anti-fascista, um homem do Cáucaso, georgiano temido e odiado pelos nazistas, Iósif Djugashvili, isto é, o premier e agora também Marechal da União Soviética, Stalin. O sofrimento da jovem de apenas 18 ganhou um interesse especial por parte de jornalistas e militares comunistas.

Durante a ofensiva antifascista contra as tropas alemães de Petryschego, militares comunistas pintaram tanques e aviões com a inscrição "Por Zoya Kosmodemyanskaya". Como bem nos informa o professor doutor Anatoliy Ponomaryov, é um fato conhecido que, quando iniciou-se a ofensiva contra as forças do nazista Ryuder, após descoberto o número da unidade militar alemã que martirizou a partizanka soviética, pela primeira vez na história da guerra, Stalin emitiu uma ordem para que após a destruição da unidade hitleriana, oficiais e comandantes "não devem ser presos, apenas fuzilados", isto é, mesmo oficiais e comandantes que se rendessem! 

Quando a unidade de carrascos alemães foi finalmente destruída, um sargento gritou em pânico, "não fui eu, foi Ryuder". Todavia, nem ele e nem mesmo o fotógrafo de Zoya foram poupados. Em sua mochila de campanha foram encontradas 5 fotografias. Anos mais tarde seria encontrada ainda uma sexta-foto, que informaria a exata localidade onde se deu a execução, tendo lá sido construído um obelisco. 

Monumento a Zoya no metrô de Moscou

O martírio de Zoya Anatolyevna Kosmodemyanskaya foi um ato de barbárie, de selvageria fascista, ato esse que não seria aplicado apenas contra Zoya, não apenas contra guerrilheiros, como também contra cidadãos pacíficos, em diversas localidades. Esses atos, não apenas foram testemunhados como também filmados e até fotografados pelos próprios nazistas, que se divertiam ao sorrir e debochar da desgraça de um povo. Esses "humoristas de araque" acabaram pagando um preço muito alto por seus crimes depois, até a completa destruição das forças fascistas em 1945. Ao contrário do que tentam alegar os apologistas dos crimes do nazismo, mascarados ou não, durante a ofensiva dos comunistas soviéticos nenhum só alemão foi enforcado! Acerca dos crimes alemães na União Soviética, um oficial alemão falou certa vez: "se eles(os soviéticos e poloneses) fizessem com nosso povo pelo menos 1% do que fizemos com eles durante 6 anos, em questão de semanas não restaria um só alemão vivo".

Durante anos perdurou a dúvida se a garota executada realmente seria Zoya Kosmodemyanskaya ou Lilya Azolina, garota que também foi ao front e se parecia muito com Zoya Kosmodemyasnakay. Uma análise microscópica feita por especialistas de institutos de investigação judicial, analisando fotos pessoais de Zoya e da garota enforcada chegou à inexorável conclusão de que a garota enforcada era de fato Zoya Kosmodemyanskaya. 

Assim como Zoya, 27 milhões de soviéticos teriam suas vidas ceifadas pelos fascistas, destes 27 milhões, cerca de 9 milhões eram comunistas convictos. Sabe-se que dentre os homens, restou menos de 3% daqueles que nasceram em 1923. Muitas de suas companheiras de seu destacamento diversionário foram mortas, uma teve as mães arrancadas por uma mina e poucas sobreviveram, sendo Klavdya Miloradova uma delas, detentora da famosa "Ordem da Guerra Patriótica". Em fevereiro de 1942, Zoya Kosmodemyanskaya foi a primeira mulher condecorada, post-mortem, com o título "Herói da União Soviética", representado por uma estrela dourada. Ela também foi condecorada com a Ordem de Lenin. A Igreja Ortodoxa Russa estuda a canonização da lendária guerrilheira comunista, símbolo da luta contra a tirania e a opressão fascista.

Monumento a Zoya Kosmodemyanskaya, em Tambov, em frente a uma igreja ortodoxa



Fontes de consulta:

- Documentário "Zoya Kosmodemyanskaya, pravda o podvige": http://www.youtube.com/watch?v=4tLnARJkVK4
- Artigo Zoya kosmodemyanskaya stanet svyatoy? Publicado em: http://kp.ua/daily/240908/56100/
- Artigo Podvig Zoi Kosmodemyanskoy. Publicado em: http://nkosterev.narod.ru/mos/pvd/petr_kr.html

8 DE MARÇO: Países socialistas foram os primeiros a criar um feriado no dia 8 de março

Extraído do canal do Youtube Pan-Eslavo Brasil



Provavelmente os países socialistas foram os primeiros, senão os únicos, a consagrar um feriado ao 8 de março, Dia Internacional da Mulher. Nesses países, muitos deles herdeiros de uma formação socioeconômica atrasada, o papel da mulher na vida pública e privada ainda seria alvo de muitas contradições, mas seus sucedâneos políticos, como a Rússia, mesmo considerados muito "machistas" por certos analistas, ainda mantêm o feriado.

As bandeiras atrás pedem "Paz", que é do que as mulheres mais precisam neste mundo, especialmente no Brasil, vítimas de estupro, violência doméstica, assédio sexual e outras agressões cuja dor os homens sequer podem imaginar.

Portanto, parabéns para aquelas que são de parabéns, boa sorte para aquelas que não são de parabéns, e que o respeito e a igualdade reinem nos próximos tempos! 

A VOZ DO COMUNISMO: Leitura da obra de Stalin "Viva o operário Augusto Bebel"

terça-feira, março 04, 2014

CRISE UCRANIANA: Presidente ucraniano solicita a presença de tropas russas para restauração da ordem

Por Cristiano Alves
Com informações do canal Lifenews


A Rússia apresentou na ONU uma carta do presidente democraticamente eleito da Ucrânia, Viktor Yanukovich, em que é solicitada a presença das tropas russas para proteger a população da Crimeia e restaurar a lei, a ordem e a estabilidade da Ucrânia.

terça-feira, fevereiro 25, 2014

FOTO DA SEMANA





Na Ucrânia, jovem saúda a chegada do Berkut, unidade especial do MVD ucraniano, na cidade de Sevastopol para apoiar seu governo interino contrário à União Europeia e o governo golpista pró-fascista de Kiev:


UCRÂNIA: Crimeia torna-se de fato independente da Ucrânia


Por Cristiano Alves


Após uma série de protestos contra o chamado "bandero-fascismo", o governo popular das metrópoles do sudeste da Ucrânia, Sevastopol, Kerch e Simferopol, capital da Crimeia, anunciou que não reconhece o governo pró-OTAN que emergiu através de um putsch1 em Kiev. Manifestantes denunciaram o fascismo do Partido da Liberdade, que não apenas ostenta uma simbologia baseada nas divisões da SS, como também retratos de Stepan Bandera, líder do movimento colaboracionista pró-nazista da Ucrânia durante a Segunda Guerra, como de Roman Shuhyevich, comandante do Batalhão Rossygnol, da Waffen SS Galícia, que promoveu genocídio e limpeza étnica contra poloneses, tchecoeslovacos, bielorrussos, russos e ucranianos não-colaboracionistas. Shuhyevich e Bandera são os mais famosos "desestalinizadores" ucranianos.

Na cidade de Kerch, os apoiadores do regime golpista que depôs o ex-presidente Yanukovich, banderistas e anticomunistas, foram atacados publicamente. Apesar da polícia local ter tentado conter manifestantes exaltados, geralmente através do diálogo, esta não tomou medidas repressivas contra a população local.

Em outras metrópoles do país como Harkov e Odessa, que, junto com Kerch e Simferopol, ostenta o título de "Cidade-Herói"2 também não houve reconhecimento do novo governo após o golpe de Estado.

De acordo com testemunhos e cidadãos da cidade de Kiev, grande parte dos adeptos da "Maydan"(que em ucraniano significa "praça" e ficou associado ao movimento pró-OTAN/União Europeia) são pessoas de fora, uma espécie de "rolezão" promovido por pessoas do ocidente da Ucrânia, região marcada pela predominância de uma economia agrária, do catolicismo romano, além de influência polonesa, alemã e austríaca, conhecida pela sua colaboração com os nazistas durante a Segunda Guerra Mundial.

Em várias cidades revelou-se, além do não reconhecimento do governo de Kiev, um desejo de aderir à Federação Russa, ao passo que outros manifestaram o desejo de criar um Estado em separado filorrusso. Em Sevastopol a tradicional bandeira ucraniana foi incinerada e as manifestações também foram marcadas por bandeiras comunistas, bielorrussas, e pela entonação da famosa canção antifascista "A guerra sagrada"(Svyaschennaya voyná). 

Em Simferopol, neste momento, segundo a agência de informação Lifenews, está em curso um referendo popular que decidirá o destino da Crimeia, região famosa por encontros históricos como a Conferência de Yalta e por suas portos e balneários paradisíacos.


1- Putsch: Golpe de estado
2- Cidade-herói: Título dado a 12 cidades da ex-União Soviética que demonstraram os maiores feitios de resistência ao nazismo. As Cidades-Herói são Minsk(Belarus), Odessa(Ucrânia), Kiev(Ucrânia), Sevastopol(Ucrânia), Kerch(Ucrânia), Smolensk(Rússia), Leningrado(Rússia, atual São Petersburgo), Novorrossisk(Rússia), Stalingrado(Rússia, atual Volgogrado), Moscou(Rússia), Tula(Rússia) e Murmansk(Rússia). Ao lado deste título está o de "Fortaleza-Heroi", atribuído exclusivamente à Fortaleza de Brest, em Belarus.


Confira os vídeos:

Em Sevastopol foi queimada a bandeira da Ucrânia:




Em Kerch os adeptos de Stepan Bandera e da "Maydan" são vaiados, xingados e atacados:




Centenas de milhares de odessitas saem às ruas e gritam "Rússia!", "O fascismo não passará" e "Odessa, Cidade-Herói!"

quinta-feira, fevereiro 13, 2014

SOCIEDADE: O retrato de uma Sasha Gray


Por Cristiano Alves


Há mais de cem anos atrás Oscar Wilde escrevia o seu mais famoso romance, "O retrato de Dorian Gray", sobre um jovem extremamente vaidoso que cultuava um narcisismo sem limites num universo hedonístico. Uma das máximas lançadas em seu livro, é a de que "there is only one thing worse than being talked about, it's not being talked about"(há apenas uma coisa pior do que ser comentado, é não ser comentado). Um figurão conhecido por sua "profissão" de fofoqueiro, transformaria essa citação de Wilde em "fale mal de mim, mas fale". E é necessário entender essa premissa fundamental para compreender o modus operandi da extrema-direita brasileira.

O pensador Edgard Morin dizia que o homem tem uma necessidade fundamental de olhar e ser olhado, e quando falamos de organizações políticas, que por seu caráter tem como premissa inerente a luta pelo poder, é extremamente importante que essa tenha o oxigênio da publicidade, e num país como o Brasil, que carece de uma tradição clássica, onde 75% da população nunca esteve numa biblioteca e a maioria daqueles que leem degustam algum livro apenas uma vez por ano, essa população torna-se alvo fácil de charlatães extremistas, os "Lewis Proteros" do horário policial, apresentadores que fazem da criminalidade um espetáculo achando que "o bom bandido é o bandido morto", desde que, evidentemente, esse bandido não seja o garotão bem nascido que "bota boneco drogado"(para usar a expressão cearense), desde que não seja o ricasso, o burguês que bate ou mesmo mata a própria mulher e que estimula a criminalidade financiando o tráfico de drogas. Esses programas televisivos, apresentados por jornalistas de meia boca, mostram apenas crimes terríveis, desgraças, nunca exemplos! Tratam a desgraça alheia como uma mercadoria sensacionalista, oferecida à sociedade do espetáculo.

Assim, todo esse terreno, arado por "jornalistas policiais" histéricos e espetaculosos, não raramente bufões, torna-se extremamente fértil para ideologias de extrema-direita, que apresentam como soluções para graves convulsões sociais não a educação, em seu sentido mais amplo, não uma revolução cultural e social, mas sim a repressão do Estado e em alguns casos mesmo uma apologia do linchamento, sem qualquer prova de que esse ou aquele sujeito é um criminoso, apenas testosterona para o onanismo político de uma população aterrorizada pelo crime e principalmente pelos meios midiáticos que transformam isso num grande espetáculo, que omitem as reais causas dessa situação, que é a natureza do capitalismo tupiniquim, de sua sociedade elitista, da falta de emprego e mesmo de coisas básicas no mundo civilizado como a energia elétrica, a água potável e mesmo uma rede de esgotos para toda a população.

Deste modo, para uma direita tacanha, caricata e histérica fica mais fácil recorrer a atos imorais, tão ou mais do que os de uma atriz hollywoodiana que se promoveu através da pornografia, Sasha Grey. Fica mais fácil para uma direita intelectualmente pobre e reacionária recorrer à sua própria exaltação, a um narcisismo típico de Dorian Grey. E de modo imoral e repugnante a "Sasha Grey do jornalismo" produz uma abominável geração de alienados, cujo combustível é apenas o ódio irracional, um caminho para o fascismo. É um erro dar a tais "Dorians Grays" o oxigênio da publicidade.

quarta-feira, fevereiro 12, 2014

MUNDO: Em Belarus ergue-se uma bandeira da União Soviética


Por Cristiano Alves


Na cúpula do novo prédio do Museu da Segunda Guerra, em Minsk, ergue-se uma bandeira da URSS. O antigo país socialista e operário é considerado por historiadores, inclusive ocidentais, como o principal vencedor da Segunda Guerra Mundial, tendo destruído cerca de 80% das forças fascistas da Europa Ocidental e perdido 27 milhões de cidadãos num processo que resultou não apenas na libertação de seu território, como também de vários outros países europeus, incluindo a própria Alemanha fascista.




sexta-feira, janeiro 24, 2014

UCRÂNIA: A classe operária, como classe, não participa de modo algum desses acontecimentos

Originalmente publicado em: http://colectivolibertarioevora.wordpress.com/2014/01/22/ucrania-a-classe-operaria-como-classe-nao-participa-de-modo-algum-nestes-acontecimentos/

As manifestações de Kiev não tem apoio da classe operária ucraniana.


Em Kiev, na Ucrânia, continuam os confrontos, habituais desde o final de Novembro, entre a polícia e os manifestantes. Em causa está o braço de ferro entre o Governo (que suspendeu a assinatura do Tratado de Livre Associação com a União Europeia) e a oposição que procura liderar os protestos, tentando daí tirar dividendos políticos. Nos últimos meses tem sido crescente o peso do partido fascista Svoboda que integra a coligação oposicionista. Para os anarquistas ucranianos, apesar de criticarem a actuação do governo, os trabalhadores estão fora deste jogo político entre os partidários de um maior relacionamento com a União Europeia e os que defendem uma maior integração com a economia russa. A entrevista que traduzimos e de que publicamos excertos foi dada por um companheiro anarco-sindicalista da Organização Autónoma de Trabalhadores da Ucrânia (um pequeno grupo que desenvolve a sua actividade em Kiev e em Harkov, a segunda cidade mais industrializada da Ucrânia), a uma rádio norte-americana. No entanto, a presença de militantes libertários nas ruas, em protesto contra as medidas autoritárias e repressivas do governo ucraniano, tem sido também uma constante.


Anarquista ucraniano dissipa mitos sobre os protestos na Ucrânia e alerta para a influência fascista

A Radio Asheville , com base no oeste da Carolina do Norte,emitiu recentemente uma fascinante entrevista com um anarco-sindicalista chamado Denys, da Organização Autónoma dos Trabalhadores  da Ucrânia. Nesta entrevista Denys desmascara muitos dos mitos em torno dos protestos a favor da adesão à União Europeia que se estão a verificar no país e explica o que se está a passar nos bastidores e a propaganda que tem sido feita a propósito protestos.

Porque é que o Acordo de Livre Associação com a UE (que beneficiaria, sobretudo, os ultra-ricos oligarcas da Ucrânia) está a ser deliberadamente interpretado como uma verdadeira integração? Os líderes ucranianos recusaram assiná-lo no último minuto. Entretanto, a Rússia está a tentar empurrar a Ucrânia para a sua união aduaneira, oferecendo a Kiev um acordo com a promessa de compra de milhões de euros de produtos ucranianos e um desconto de 30 por cento no Gás Natural russo.

Denys explica que, quando os protestos começaram, a classe política ucraniana foi apanhada de surpresa. Contudo, a oposição, uma coligação orientada sobretudo para a direita (sendo o partido fascista Svoboda o mais visível de todos eles) reagrupou-se rapidamente e transformou a rua na sua máquina de relações públicas. A oposição planeou manifestações massivas, como o líder fascista do Svoboda declarou numa entrevista já em março de 2013. Ficou evidente que os líderes da oposição planearam derrubar o actual governo com o apoio financeiro e político da conservadora Angela Merkel, da Alemanha, dos líderes da UE de Bruxelas e com o apoio visível dos Estados Unidos, cujo embaixador , o conservador John McCain foi a estrela convidada do Euromaidan . (…)

É difícil dizer quem está em maior desespero – se o governo ou se a oposição, mas esta última já anunciou que se vai centrar nas próximas eleições presidenciais , previstas para daqui a 18 meses, embora não seja ainda muito claro o candidato que vai apoiar . (…)

(No entanto), a oposição usou os protestos de rua contra o governo para ganhar poder na Ucrânia. Os resultados têm sido muito proveitosos para o partido Svoboda. No dia 1 de janeiro, o Svoboda organizou uma marcha de mais de 15.000 nacionalistas para comemorar o aniversário do antigo colaboracionista nazi já falecido Stepan Bandera .(…)


Denys : É necessário distinguir entre os dois Euromaidans. O primeiro ocorreu a 21 de novembro, participaram pessoas de classe média, que na sua maioria queriam a assinatura do acordo com a União Europeia. No entanto, hoje, dois meses depois, a maioria das pessoas que estão nas ruas estão preocupadas com questões bem mais práticas, como a brutalidade da polícia, que foi visível na noite de 1 de dezembro e, na generalidade, ninguém está satisfeito nem com o governo nem com o presidente. Assim, a integração europeia continua a ser uma questão mais vasta, mas está hoje numa espécie de segundo lugar. Quando se tratava de manifestações pró-governo as pessoas eram levadas pelo governo para Kiev, em autocarros, ao fim de semana. Estes protestos não foram honestos. Muitas pessoas que trabalham para o governo, como professores, médicos, e assim por diante, foram informados pelos chefes que teriam que participar. Era obrigatório para eles. Não diria que fosse um protesto real. Mas tomando em conta as pessoas que apoiam a união com a Rússia, a Bielorússia e o Casaquistão, sim, há essa opinião e, tomando o país como um todo, está dividido mais ou menos em 50 por cento relativamente à integração na União Europeia ou na União Aduaneira (com a Rússia). O problema é que a segunda posição não está muito representada nos meios de comunicação de massa que se inclinam no outro sentido (pró-UE). E, geralmente, essas pessoas que apoiam a união aduaneira não têm o hábito de protestar. Elas vivem em cidades mais pequenas e, portanto, não estão tão representadas nos media como quem vive na capital. Os apoiantes da União Aduaneira têm também líderes políticos muito estúpidos. Por exemplo, a principal força política que organizou os protestos teve como principal ponto de propaganda anti-UE dizer que a União Europeia iria trazer o casamento entre pessoas do mesmo sexo e outras coisas fora da tradição que não seriam bem acolhidas pela população ucraniana. Até inventaram o termo “euroSodoma”, como em Sodoma e Gomorra. A outra força política que apoia a União Aduaneira é o Partido Comunista da Ucrânia, que há muitos anos não tem nada a ver com o comunismo, e cujo programa político e agenda podem ser descritos como um partido social-conservador normal. Se comparar com Marie Le Pen, não encontrará muitas diferenças.

Asheville Rádio FM: É, na visão desses grupos, uma espécie de regresso à era soviética e ao encontro de outros países do leste europeu?

Denys : Claro, especulam sobre isso, porque os laços entre as pessoas comuns ainda são muito fortes. Você sabe que muitas pessoas têm parentes na Rússia, para não mencionar coisas como a cultura de massas que é comum. Muitas pessoas vêem os canais de televisão russos, e isso é muito habitual na vida de todos os dias das pessoas das regiões do centro, do leste e do sul. As pessoas na região do centro e do sul têm muitas coisas em comum com os russos, com o seu estilo de vida, e não sentem que essas semelhanças existam com os povos europeus. Mas, ao mesmo tempo, uma grande parte da população da Ucrânia vive actualmente no exterior, na União Europeia , especialmente em Espanha , Itália, Polónia, República Checa e Portugal. São pessoas principalmente das regiões ocidentais, mas não exclusivamente.

Radio Fm Asheville : Entre os partidários versus os detractores da inclusão na UE, posso ver uma divisão segundo normas sociais, tal como mencionou, os mais liberais talvez a inclinarem-se mais para o Ocidente, com as suas leis mais progressistas e com os casamentos entre pessoas do mesmo sexo e do outro lado, à direita, os mais conservadores, os mais inclinados para os ortodoxos – ainda que seja uma igreja ortodoxa diferente da igreja ortodoxa russa – e estou seguro de que, dependendo donde está ou em que indústria trabalha, você irá ter mais negócios, em geral, ou com o Oriente ou com o Ocidente. Você pensa que as duas posições se destinam, basicamente, a liberalizar a economia e a enfraquecer os direitos dos trabalhadores ucranianos, ou é uma espécie de falsa escolha para os trabalhadores da Ucrânia?

Denys : Antes do mais você referiu-se ao liberalismo social prevalecente entre os ucranianos pró-UE. Na realidade não concordo com isso. Há essa impressão porque os protestos pró-UE são dirigidos por pessoas com estudos, da classe média, que têm um tipo de agenda mais social-liberal. Mas, mesmo assim, é mais a direita cultural contra a direita cultural. Veja-se, por exemplo: regularmente as pessoas no Euromaiden rezam publicamente, todas juntas, todas juntas. Olhemos, então, o casamento de pessoas do mesmo sexo: os que defendem a integração na UE nunca o aceitarão. De facto, as questões sociais relativas aos direitos dos trabalhadores não estão, de todo, na agenda. A classe operária, como classe, não participa de modo algum nestes acontecimentos. Os trabalhadores tomam naturalmente partido, mas não estão organizados enquanto classe, em sindicatos, e, por isso, como tal, simplesmente não tomam parte nestes eventos. E têm boas razões para isso, porque ambos os lados apenas falam de questões culturais, políticas, que não têm qualquer ligação directa com as necessidades de um trabalhador normal. Os manifestantes que apoiam a UE têm a ideia, absolutamente falsa, da Europa como um paraíso onde tudo está bem, onde tudo está muito melhor do que na Ucrânia ou em qualquer outro lugar. É inútil falar-lhes dos protestos no seio da própria UE, dos programas de austeridade. Eles simplesmente não ouvem e dizem: “Ah, então para você seria juntarmo-nos à Rússia, não é?” Portanto, esta falsa escolha é bastante limitativa, e acho que o mesmo podia ser dito sobre o lado oposto. A agenda de esquerda, a agenda dos direitos dos trabalhadores, não está presente em qualquer destas praças onde as pessoas protestam. (…)

Radio Fm Asheville : Encontrei o site de Dimitrov Kutchinsky , esse tipo é louco. Há ali também referências ao nacional – anarquismo.

Denys : Você está familiarizado com esse conceito?

Radio Fm Asheville : Sim, existem também alguns idiotas que afirmam ser isso aqui nos Estados Unidos . Em San Francisco, Nova York e Chicago. Eles têm algum peso na Ucrânia?

Denys : Sim, na verdade têm. Porque, infelizmente, esta é uma tendência muito comum – fazer uma mistura com temas de esquerda, com a adopção duma narrativa anticapitalista. O ser-se anarquista está na moda, é muito elegante, cool e dá-lhes algumas vantagens imediatas, mas as pessoas misturam isso com temas nacionais, que também estão muito na moda e são muito cool para os jovens, sobretudo para os adolescentes que não vêem qualquer problema em tentarem combinar essas coisas. E isso é especialmente engraçado aqui na Ucrânia, porque existe um grande mito à volta de Makhno. Hoje ele é parte integrante do mito nacional e é considerado um nacionalista, porque na verdade lutou contra os bolcheviques. Por isso, considera-se que ele pertence à Ucrânia, à Ucrânia independente, tem um papel nacional e assim por diante. Obviamente, isto é um total absurdo, mas essa mitologia é muito popular e contribui para a popularidade que aqui tem a síntese entre a esquerda-direita, a chamada terceira posição, como Terza Posizione, que é de facto a tradição fascista italiana.

Radio Fm Asheville : Sim, é o mesmo palavreado que eles usam nos Estados Unidos: “third positionists”. Existe também uma grande sobreposição entre o nacionalismo e a ecologia biocêntrica regional, de modo que parecem estar a invadir o Anarquismo Verde, tentando transformarem-se na corrente principal e antes da maior parte das pessoas se darem conta de quem eles são e o que fazem.

Denys : Compreendo, mas aqui na Ucrânia, para além dos temas da New Age, eles têm também muito fascínio pelos próprios fascistas, como Mussolini, por exemplo. Tentam, de alguma forma, misturá-lo com o anarquismo. Para além disso, você está a par da divisão no movimento anarquista russo que aconteceu recentemente?

Radio Fm Asheville : Não, realmente não.

Denys : Bem, houve uma grande divisão que se repete também na Ucrânia. É a divisão entre os anarquistas que defendem os direitos das minorias, a luta feminista, que prestam atenção às questões gerais da sociedade, aos direitos para as minorias étnicas e os macho-anarquistas que não gostam destas “p….s feministas. ” Eles dizem: ‘ Nós somos tipos porreiros, fazemos muito desporto, somos verdadeiros anarquistas, não queremos nada a ver com essas bichas” . Infelizmente, este macho-anarquismo também está aqui a ganhar muita popularidade nos últimos tempos. (…)

Asheville Rádio FM: Fale-nos sobre o grupo a que pertence, à sua organização.

Denys : O nosso grupo foi fundado há dois anos, e ainda não é muito grande. Mas diria que temos tido, de facto, algum crescimento quer em termos de qualidade, quer de quantidade, porque estamos hoje implantados em dois sítios, um em Kiev e outro em Harkov, que é a segunda maior cidade industrial da Ucrânia. Temos cerca de 20-25 pessoas em Kiev e talvez 15 pessoas em Harkov. Estes não são números astronómicos, mas são maiores do que já foram inicialmente, e acho que estamos a crescer. Nós não nos vemos como um grupo de propaganda política, mais como uma organização de classe. Guiamo-nos pelos princípios do sindicalismo revolucionário, embora o nosso grupo se esteja a tornar cada vez mais anarco-sindicalista. No início tivemos alguns trotskystas e alguns marxistas, mas agora acho que a maioria deles já se consideram anarquistas. Mas, infelizmente, ainda não temos qualquer organização nos locais de trabalho, já que de acordo com a legislação ucraniana, para ela existir é preciso haver pelo menos 3 pessoas em cada local de trabalho. Temos pessoas de diferentes áreas, muitas sem nenhum posto de trabalho fixo, como trabalhadores sazonais ou trabalhadores da construção civil, etc.. Esse é o nosso maior problema e hoje funcionamos na realidade mais como um grupo de propaganda, embora queiramos ser uma verdadeira união de classe, como os IWW, esse é o modelo que pretendemos.

Asheville Rádio FM: Para os ouvintes que não estão familiarizados com o anarco- sindicalismo, gostaria que nos dissesse de que se trata e como é que ele se compara e difere do sindicalismo revolucionário?

Denys : O sindicalismo, enquanto método, assenta na negação de partidos e da política parlamentar como instrumentos capazes de alcançarem qualquer objectivo político. A tónica principal é colocada sobre instrumentos de acção directa, como greves, manifestações, ocupações e assim por diante. O principal desafio do sindicalismo, de per si, é encontrar uma estratégia de ligação entre a luta política e económica e a luta dos sindicatos, das uniões. Assim, ao contrário do trade-unionismo ou do trabalhismo como na Grã-Bretanha, os sindicalistas acreditam que os sindicatos devem ter objectivos políticos em paralelo com os objectivos económicos. Devem lutar, por exemplo, por salários mais altos, mas não se devem esquecer que, em simultâneo, estão a lutar, eventualmente, pelo comunismo, pela queda do capitalismo. Na teoria sindicalista, chamamos a isso ginástica revolucionária .

Radio Fm Asheville : Nunca tinha ouvido essa frase antes.

Denys : A ginástica revolucionária é a luta de todos os dias por pequenas reformas, mas que ao mesmo tempo desenvolve os músculos da classe trabalhadora. Depois dessas lutas, os trabalhadores saem delas melhor organizados e com u maior nível de consciência de classe. Durante as greves e manifestações, a classe trabalhadora consolida e treina-se para outras batalhas de classe e também para as batalhas políticas mais importantes e mais vitais que depois virão. O sindicalismo revolucionário pode unir praticamente qualquer anti- capitalista situado à esquerda, enquanto o anarco-sindicalismo implica que tos membros do movimento partilhem uma visão anarquista. Pessoalmente, não considero que o anarco-sindicalismo seja contraditório com qualquer outra forma de anarquismo social. O anarco-sintetismo é uma escola de pensamento que combina o anarco-comunismo como ideal, o anarco-sindicalismo como método de se chegar a esse ideal e o anarco-individualismo como a base a partir da qual avalia as suas acções.


Apesar da semelhança com a bandeira anarquista, a bandeira da foto é da OUN-UPA, organização que colaborou com os nazistas durante a IIGM. Esses colaboradores de nazistas foram sutilmente reabilitados sob a Glasnost, na Era Gorbatchov, e completamente reabilitados durante a Era Kuchma-Yuschenko, capitalista







Versão curta e adaptada da entrevista que pode ser lida na integra aqui: http://revolution-news.com/ukrainian-anarchist-dispels-myths-surrounding-euromaidan-protests-warns-of-fascist-influence/

quinta-feira, janeiro 23, 2014

CHARGE: Como funciona o raciocínio de um palhaço anticomunista

Para quem acredita que "tomar Pepsi é se tornar abortista" e que "o PT é comunista", a charge abaixo não surpreende nem um pouco!





TEORIA: Racismo de esquerda?

Por Angela Sztormowsky


Os comunistas sempre se orgulharam de ter o seu meio vacinado contra o racismo. A observação dos fatos e sua análise crítica sob uma perspectiva marxista pode entretanto sugerir que há algo de pode no universo de esquerda, que vai além do comunista. Poderia alguém de esquerda sucumbir a uma manifestação de racismo, ainda que do tipo mais sutil? Há alguns dias o camarada Cristiano prestou um grande serviço à esquerda brasileira ao traduzir o texto "Anticomunismo de esquerda, a cortada cruel", do professor Michael Parenti, dos Estados Unidos. O camarada Thelman Madeira também denunciou outro cavalo de Troia da esquerda contemporânea, o "marxismo ocidental". Ambos os artigos nos dão uma mostra de que assim como os sindicatos, organização classista de luta, não estão livres de pelegos, a esquerda não está livre de elementos daninhos. Como bem coloca o intelectual americano, muitos anticomunistas de esquerda não podiam dizer uma só palavra positiva sobre qualquer país socialista, exceto talvez Cuba, e esses, como coloca o professor ianque, nem mesmo podem ter ouvidos tolerantes ou mesmo corteses para quem o fizesse.

Existe uma estranha tendência de parte da esquerda brasileira. Essa mesma esquerda que ovaciona quando os trabalhadores da Venezuela chamavam a Chávez de "comandante", quando os cubanos gritam em uníssono "Viva Fidel", fica horrorizada quando os russos fazem o mesmo dizem "Slava Leninu!" e "Slava Stalinu!". A mesma esquerda que ovaciona as milícias populares bolivarianas fica horrorizada ao ouvir falar da Stasi alemã-oriental ou do NKVD(sigla para Comissariado Popular dos Assuntos Internos). É como se essa esquerda tivesse uma espécie de "fobia de capotes", normalmente usada pelos camaradas operários e camponeses guerreiros das frias terras nórdicas. Essa fobia demanda uma explicação menos política e mais psicológica se tomarmos em conta esses fatores. Alguém poderia dizer que ela é explicada pela "aparência sisuda e demasiado séria dos líderes soviéticos", mas nem mesmo o sorriso dos Kim, da Coréia socialista, talvez os únicos comunistas do período da guerra fria(estendendo-se a Kim Jong Un) conhecidos por aparecerem nas fotos sempre com uma expressão alegre e jovial, diferente da expressão leonina dos alemães Marx e Engels, ou dos soviéticos Lenin e Stalin. Na verdade, essa parte da esquerda aplaude Fidel, Che, Ortega, Sandino, Alliende e Chávez e despreza Lenin, Stalin, Mao, Enver e Kim

Mas o que motiva essa esquerda caviar a ter tanto desprezo por líderes que melhor representam as ansiedades populares e comunistas do povo trabalhador das partes mais longínquas do nosso planeta? Antes da foice e do martelo se consagrarem com símbolos comunistas, seu símbolo era a estrela vermelha. Vermelha por que representa a cor da luta, do sangue derramado do operário, do camponês trabalhador. A Revolução Francesa usou o vermelho, mesmo a Americana o fez de forma discreta, o manto de Jesus era escarlate, um tom intenso de vermelho. A estrela comunista tem cinco braços, que representam os cinco continentes(não existe classe operária na Antártida), e a palavra de ordem do sábio alemão Karl Marx era "trabalhadores de todos os países, uni-vos". Ele não falou "trabalhadores europeus, uni-vos", nem mesmo disse "trabalhadores  brancos", "trabalhadores latinos" ou "trabalhadores morenos", "trabalhadores ruivos"... ele falou em trabalhadores de todos os países, sejam eles da Polônia, da Itália, da Alemanha, do Brasil, dos Estados Unidos ou da África do Sul. 

De fato, teóricos como Lenin e Stalin ressaltaram a importância da questão nacional e da luta anticolonial, mas nunca misturando alhos com bugalhos. O país que estes ajudaram a erguer foi fundamental no processo de emancipação nacional de várias colônias africanas, asiáticas e americanas. O que teria sido a Revolução Cubana sem a ajuda soviética? Os vietnamitas e cubanos reconhecem o papel fundamental da União Soviética, nórdica, dos homens de sobretudos e capotes, na manutenção do poder popular nesses dois países. Será que a medicina cubana seria o que é hoje sem a ajuda soviética, contando apenas com a ajuda americana, por exemplo? Basta ver como está a medicina dos amigos dos Estados Unidos, o SUS por exemplo... Se a Alemanha nazista(o III Reich) visava a aniquilação dos negros em nome de uma "raça superior", a Alemanha Socialista(isto é, a República Democrática Alemã) ajudou os negros da África em sua luta pela independência, lutas essas que, como reconhecidas pelo próprio Mandela, foram fundamentais para acelerar a degeneração do regime do Apartheid. Foram os comunistas alemães que fizeram intensas campanhas para que famílias socialistas recebessem refugiados da guerra na África, num espírito de solidariedade e internacionalismo proletário.  Esses oportunistas ignoram que a Rússia, a China, a Coreia do Norte, a Albânia e outros Estados de orientação marxista não tinham um "Estado padrinho"(como muitos cubanos respeitosamente se referem à URSS), quem iria garantir a segurança da Rússia socialista como essa garantiu com seus mísseis nucleares a segurança de Cuba? A Grã-Bretanha imperialista? Essas potências socialistas jamais estiveram num "paraíso" ou "bonança", mas sempre no meio de uma tempestade e ignorar seu contexto geográfico, o contexto de sua segurança, é esquerdismo inconsequente e infantil.

Mas a despeito de tudo isso, os oportunistas de esquerda, vorazes para ler, mas incapazes de entender a mensagem comunista, parecem enxergar na ideia vermelha uma espécie de "nacionalismo de esquerda", e a partir do momento em que esse nacionalismo adquire proporções etnocêntricas, descartando tudo o que não vem do próprio umbigo latino, ele se caracteriza como um etnocentrismo, um "racismo de esquerda", no sentido etnocêntrico que essa palavra pode ter. E é esse tipo de confusão mental que longe de unificar a classe trabalhadora mundial, apenas trata de segregá-la em nome de uma luta bairrista, regionalista. É por isso que vemos supostas "comunistas" aplaudirem Fidel e Che e atacarem Kim Jong e Kadaffi, capitulando ante o pensamento midiático hegemônico. É por isso que vemos supostos comunistas vestirem uma camisa de Che mas rejeitarem uma de Stalin, a despeito do primeiro ter sido confessamente aluno do segundo. É por isso também que vemos até "comunistas" envergonhando os trabalhadores ao chamar os países ex-marxistas de totalitários.

Esse etnocentrismo latino supostamente de esquerda, mas em realidade descaradamente de direita, encontra seu par no que hoje se conhece por "eurocomunismo", e mesmo tem raízes mais profundas do que se imagina, estando intimamente associado ao "marxismo ocidental" eurocêntrico, que é a rejeição do marxismo enquanto teoria revolucionária mundial, reduzindo a doutrina combativa do sábio alemão a um elitismo local, a um mero passatempo acadêmico.

quarta-feira, janeiro 22, 2014

IMAGEM DA SEMANA: Revolucionário x Reacionário

Nem em datas comemorativas e sob sol e vento agradáveis, mesmo com sua beleza arquitetônica, o mausoléu do facho atrai tantas visitas quanto atraiu ontem o mausoléu do grande Lenin. Não foram raros os momentos em que mesmo presenciei "homenagens" ao mausoléu do carrasco fascista que traiu o povo brasileiro.

A imagem abaixo explica melhor do que mil palavras a diferença entre um "revolucionário" e um "reacionário"!



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EDITORIAL: Olavo de Carvalho quer que seus asseclas "investiguem os intelectuais que reabilitam o stalinismo"


Por Cristiano Alves


Alguém já deve ter passado por uma situação talvez engraçada ou constrangedora onde alguém profere um insulto ou elogio e olhamos para os lados ou para trás, para constatar se realmente aquelas palavras são dirigidas a nós. Recentemente, o pensador neofascista Olavo de Carvalho, em sua página do Facebook, exortou seus seguidores a "estudar e investigar os intelectuais que querem reabilitar o stalinismo". Isso foi feito logo após a chegada do ano de 2014.

O furor parece ter se iniciado após a divulgação de um vídeo promovido pelo autor desse texto e pela Dra. Angela Sztormowsky, uma das articulistas de A Página Vermelha. O vídeo não apenas desmascarava a falácia do "marxismo cultural", provando que existe sim um "fascismo cultural", incitado dia e noite pela TV, por programas policialescos que hostilizam a pobreza e promovem o ódio e o linchamento. A denúncia de que pessoas são perseguidas na academia e principalmente no trabalho por serem comunistas verdadeiros pareceu ter irritado o mistificador barato. Quando este falou em "intelectuais que querem reabilitar Stalin no Brasil", num país tomado por ideias revisionistas, onde até a esquerda se dobra às ideias da direita, parece ter ficado evidente que o alvo de Olavo de Carvalho era A Página Vermelha, A Voz do Comunismo, o Canal da Vitória e outras criações intelectuais associados a mim e à camarada Angela. Coincidência ou não, nas semanas subsequentes a esse chamado macabro, esta sofreu 3 tentativas de assalto à sua residência, sendo que na última o meliante sofreu séria retaliação, embora tenha escapado com vida.

Ao contrário dos devaneios senis do embusteiro que sonha em ser professor, não há partidos por trás de "A Página Vermelha". De fato, há muitos partidos, normalmente clandestinos, que adotam textos de A Página Vermelha em seus grupos de estudos, já tivemos artigos publicados em revistas canadenses e mesmo reproduzidos em sites mais conhecidos. Também é fato que temos traduções de grandes artigos científicos que nos são ideologicamente próximos, e até traduções de filmes inteiros para o português. Normalmente, todo esse esforço colossal parte de uma iniciativa individual, eventualmente publicando artigos de nossos leitores e camaradas. Todo este trabalho, entretanto, não é remunerado e se alguém "financia A Página Vermelha", este alguém é seu próprio autor, que além de jornalista também é operário, e com as moedas advindas do suor de seu próprio trabalho proletário investe em cultura e investe contra a doutrinação de extrema-direita que se hegemoniza na internet e conta com o apoio dos grandes capitalistas. Em última instância, esse "financiamento" também advém de brindes anunciados em A Página Vermelha e em sites de venda.

Olavo de Carvalho pode adorar um showzinho com intelectuais pseudocomunistas, ele pode até ser o rei de seu próprio picadeiro, entretanto suas acusações sem provas, seu embuste típico de um sofista, não tem valor para um marxista-leninista e nem vai enganar a comunistas verdadeiros. Seu showzinho pessoal pode até ter alguma valia para a sua trupe de coprófagos, mas não para pessoas sérias que verdadeiramente entendem o significado da palavra comunismo. Olavo de Carvalho jamais se envolveria num debate aberto para com reais comunistas, pois sabe bem do vexame que iria passar e da armadilha na qual iria cair de modo vergonhoso! Melhor seria o caduco continuar seu choramingo por "ninguém apoiá-lo"(apesar de seu livro ser o quarto mais vendido) e voltar para seus vídeos sobre "açúcar de aborto na Pepsi".

segunda-feira, janeiro 20, 2014

TEORIA: A social-democracia e o nazismo

Por Ludo Martens
Extraído de http://www.hist-socialismo.com/docs/UmOutroOlharStaline.pdf

Fragmento da obra do historiador marxista-leninista belga, médico humanista e antirracista Ludo Martens demonstra como a social-democracia europeia não apenas saudou o führer nazista Adolf Hitler, em sua visão um promotor da "paz e da justiça social", como colaborou intensivamente com este. Texto conforme o antigo português luso.


Quando ouvimos os sociais-democratas, os democratas-cristãos, os liberais e outros burgueses falarem do "terror absurdo" de Stáline, gostaríamos de lhes perguntar onde estavam eles e os seus semelhantes em 1940, quando os nazis ocuparam a Bélgica e a França. A grande maioria daqueles que, no nosso País, denunciaram a depuração de Stáline, apoiou activa ou passivamente o regime nazi desde a sua instalação. Quando os nazis ocuparam a Bélgica, Henri de Man, o presidente do Partido Socialista Belga, fez uma declaração oficial para felicitar Hitler, anunciando que a chegada das tropas hitlerianas significava "a libertação da classe operária"! 

No seu Manifesto de Junho de 1940, Henri de Man, em nome do Partido Operário Belga [assim se chamou o PSB até 1945], escreveu: "A guerra conduziu à derrocada do regime parlamentar e da plutocracia capitalista nas pretensas democracias. Para as classes trabalhadoras e para o socialismo, este desmoronamento de um mundo decrépito, longe de ser um desastre, é uma libertação. A via está livre para as duas causas que resumem as aspirações do povo: a paz e a justiça social."* 

Nos cursos de história somos matraqueados com todo o tipo de ataques mentirosos contra Stáline, mas não nos dizem que o presidente do Partido Socialista Belga, grande crítico da depuração stalinista, aclamou os nazis em Bruxelas! É um facto estabelecido que não só Henri de Man, mas também Achille Van Acker, futuro primeiro-ministro da Bélgica "democrática", colaboraram com os nazis desde a sua chegada a Bruxelas. Deste modo, pode-se compreender que tal gente considerasse a depuração organizada por Stáline como "criminosa" e "absurda". Eles, que se dispuseram a colaborar com os nazis, eram da mesma família que a maior parte das "vítimas da depuração". Também na França, a grande maioria dos parlamentares socialistas votou os plenos poderes a Pétain e ajudou assim a instaurar o regime colaboracionista de Vichy. 

Além disso, quando os nazis ocuparam a Bélgica, a resistência foi quase inexistente. Nas primeiras semanas e nos primeiros meses não houve resistência assinalável. Quase em bloco, a burguesia belga colaborou. E as grandes massas suportaram e aceitaram passivamente a ocupação. O francês Henri Amouroux escreveu um livro intitulado Quarenta Milhões de Petanistas.

Façamos a comparação com a União Soviética. Desde que os nazis puseram os pés no território soviético, tiveram pela frente militares e civis decididos a lutar até à morte. A depuração foi acompanhada de uma campanha permanente de preparação política e ideológica dos trabalhadores para a guerra de resistência. A vigilância antinazi foi a base desta campanha. No seu livro sobre os Urais, o engenheiro americano Scott descreve como esta campanha política se desenvolveu nas fábricas de Magnitogorsk. Relata-nos como o Partido explicava a situação mundial aos operários, nos jornais, nas conferências, através de filmes e de peças de teatro. Fala-nos do impacto profundo que esta educação produziu nos operários. 

Foi graças, entre outras coisas, à campanha de depuração e à educação que a acompanhou que o povo soviético encontrou forças para resistir. Se não tivesse havido essa vontade feroz de se opor por todos os meios aos nazis, é evidente que os fascistas teriam tomado Leningrado, Moscovo e Stalingrado. Se a quinta coluna nazi tivesse sobrevivido, teria encontrado apoio entre os derrotistas e os capitulacionistas do Partido. 

Uma vez a direcção stalinista derrotada, a URSS teria capitulado, como o fez a França. Uma vitória dos nazis na União Soviética teria imediatamente criado condições para que a tendência pró-nazi no seio da burguesia inglesa, sempre muito poderosa, se impusesse ao grupo de Churchill após a saída de Chamberlain. Os nazis teriam provavelmente dominado o mundo. 

* Henri De Man, Après coup, Ed. De la Toison d’or, Bruxelles, 1941, p. 319

TEORIA: Na onda do marxismo ocidental

Por Thelman Madeira de Souza


Foto: Karl Kautsky

A luta feroz contra os detratores do marxismo começa, antes mesmo do eclodir da revolução proletária na Rússia (25 de Outubro-7 de novembro de 1917), quando Lenin escreve O Estado e a Revolução, cujo texto demonstra que a maior autoridade da II Internacional, o teórico Karl Kautsky, deturpava a doutrina de Marx.

Na visão do renegado Kautsky, o marxismo deveria ser esvaziado do seu conteúdo revolucionário de luta, isto é, da ditadura do proletariado. Sem se deter na análise da deturpação teórica, contida na argumentação de Kautsky, Lenin prossegue ajustando contas com aqueles que insistem em caminhar a reboque da ideologia burguesa, isto é, os revisionistas de diversos matizes.

Nessa categoria, também, encontra-se a judia polaca Rosa Luxemburgo, que se destacou por atacar o programa dos marxistas russos e negar o direito das nações à autodeterminação, com base apenas em definições jurídicas e desconsiderando o aspecto sócio-econômico dos movimentos nacionais, uma exigência da teoria marxista para a análise de qualquer questão social.

Sem perceber que autodeterminação significava a formação do Estado nacional, morreu defendendo a espontaneidade das massas, no lugar do trabalho de organização partidária, em total dissonância com os princípios marxistas.

Ainda nessa linha de traição ao marxismo, no período pre- e pós- revolução bolchevique, surge o mais nocivo dos revisionistas, Léon Trotski, a quem Lenin deu um combate sem tréguas. Inimigo declarado da posição bolchevique, no seio do Partido Comunista da URSS, Trotski trava uma luta declarada contra o leninismo (o marxismo da era do imperialismo e da revolução proletária), opondo-se ao programa de construção do socialismo na URSS.

Apesar da soberba, a sua "contribuição teórica" ao marxismo beira à mediocridade, limitando-se a um opúsculo sobre a revolução permanente, um escrito anticientífico, refutado pelo desenvolvimento social na URSS, e vista por analistas isentos como uma aplicação da doutrina sionista. Em sua escalada de injúrias ao Estado soviético, Trotski buscou desintegrar a ditadura do proletariado e abrir caminho para a contra-revolução. No entanto, as suas pretensões não se realizaram graças à firmeza da direção leninista do Estado soviético.

Esses exemplos de revisão do legado de Marx não passavam de uma pretensão descarada de reescrever o marxismo, com as tintas da ideologia burguesa. São o que Lenin chamou de revisionismo, que não deve ser entendido de uma forma ampla e positiva, mas, sim, como o rompimento com o socialismo real e científico de Marx.
Do ponto de vista do seu conteúdo, o revisionismo sempre caminhou a reboque da ciência acadêmica burguesa. E é dos meios acadêmicos que brota uma nova forma de revisionismo, o marxismo ocidental.

Essa erva daninha surge, por volta de 1920, como um questionamento ao marxismo soviético, que, segundo os marxistas ocidentais, valoriza mais o determinismo econômico, no lugar da cultura, filosofia e da arte. Os defensores mais destacados dessa interpretação oportunista do marxismo foram Giórgy Lukács, Antonio Gramsci, Merleau-Ponty, Sartre e os representantes da Escola de Frankfurt. Em comum, defendiam o retorno ao jovem Marx, a rejeição à dialética de Engels, a valorização do papel dos intelectuais e a ênfase nos conceitos de consciência e subjetividade.

O seguimento dessa guinada antimarxista é a teoria crítica lançada, em 1937, por Max Horkheimer, diretor do Instituto para Pesquisa Social de Frankfurt, que propunha a substituição do materialismo dialético por um materialismo mais aceitável.

Embora se apresentassem como o resgate do vigor crítico do pensamento de Marx, esses teóricos, diferentemente de Lenin, nada acrescentaram ao marxismo, pois encontravam-se em total desacordo com a concepção que Marx tinha da história. Longe de enriquecer o marxismo, tentaram sepultar e esquecer Marx, apesar das honrarias acadêmicas do féretro.

Quando retiraram o conteúdo revolucionário da teoria de Marx, reduziram uma filosofia transformadora a uma filosofia do sujeito, onde a existência paira acima de tudo e de todos. Teóricos da superestrutura, fugiam da crítica da economia política. Com o passar dos anos, a Escola de Frankfurt acabou ficando na crítica pela crítica, isto é, atendo-se apenas a especulações estéreis e esquecendo o aspecto revolucionário da filosofia marxista. É o exemplo gritante da esperteza do dever ser.

Com uma postura arrogante e odienta, em relação ao campo soviético, o marxismo ocidental, em todas as suas vertentes, jamais se propôs reinterpretar a teoria de Marx, de maneira séria e honesta, com base no papel histórico do primeiro Estado socialista do mundo, que enfrentava o cerco imperialista e a sabotagem interna dos cooptados pela contra-revolução. Longe disso, essa corrente revisionista fingia ignorar que a essência de qualquer Estado é a ditadura da classe dominante, no caso, o proletariado que tomara em suas mãos o poder político.

Portanto, ao fugir da realidade, o marxismo ocidental foi, paulatinamente, absorvido pela ideologia burguesa e, hoje, não passa de um instrumento teórico a serviço do capitalismo. Sem medo de errar, pode-se afirmar que o marxismo ocidental contribuiu para o aniquilamento do campo socialista, em especial, quando solapou a influência positiva da União Soviética, nas lutas de libertação nacional dos povos coloniais. O seu trabalho de sapa prosseguiu e se fez sentir, quando da realização do XX Congresso do Partido Comunista da URSS, em 1956, oportunidade em que Kruschev, adotando uma postura revisionista, dá início à destruição do regime soviético, pela via da demonização de Stálin.

Nessa data, sob a influência do marxismo ocidental, as discussões teóricas buscaram afastar o partido dos princípios mais caros do marxismo, como ditadura do proletariado, centralismo democrático e luta de classes, ao mesmo tempo em que se faziam revelações caluniosas e sem provas contra aquele que libertou o mundo do nazismo, o Marechal Stálin. A consequência imediata da denúncia irresponsável e revanchista foi semear a dúvida e estimular a dissidência, no bloco socialista, além de jogar no antissovietismo a maioria dos partidos comunistas, cujos dirigentes, por oportunismo e fraqueza teórica, tonaram-se reféns da forma mais nefasta do revisionismo de direita.

Nessas circunstâncias, não é de surpreender que, no Brasil, não seja diferente. Em outras palavras, aqui, também, os ditos Partidos Comunistas se deixaram influenciar por uma academia que ainda confunde marxismo ocidental com a teoria de Marx. Em nosso meio universitário, diga-se de passagem, com baixo lastro intelectual, o que mais se vê são acadêmicos que não pensam com o próprio bestunto, acostumados, que são, a pensarem com as cabeças de teóricos europeus e americanos.

Dessa gente, pode-se dizer que até a alma é colonizada, pois possuídos de um sentimento de inferioridade, incutido pela classe dominante, jamais ousam questionar o entulho teórico alienígena. Para eles, é mais confortável passar para os trilhos do revisionismo, adotando um discurso antissocialista, do que prosseguir na defesa de uma formulação teórica, capaz de questionar o modo de produção capitalista.
Já que é assim, só lhes resta, Partidos Comunistas e seus mentores intelectuais, desmerecer as obras de Marx, Engels, Lenin e Stálin e surfar, na onda festiva do marxismo ocidental, enaltecendo o revisionismo de Lukács, Gramsci e Néstor Khoan e vendo aspectos positivos em Trotski.



Nota: Estes artigos de opinião são para discutir com classe e com a devida argumentação, não para lançar pueris ataques na página de Facebook sem qualquer fio de comentário inteligente. Grato pela compreensão. Timothy Bancroft-Hinchey, Director e Chefe de Redacção da versão portuguesa da Pravda.Ru

terça-feira, janeiro 14, 2014

OPINIÃO DO LEITOR: Por que a esquerda precisa destruir as pretensões de Olavo de Carvalho


Por André R.


Tentarei ir direto ao ponto, de forma que o texto não fique grande -- afinal, tenho incorrigíveis dedos prolixos -- e que possa ser de rápida leitura. É o seguinte, acredito que diante da onda anti-comunista que está sendo restaurada no Brasil (pois, vocês sabem, é uma velha conhecida da nossa ditadura civil-militar de 64), temos que agir para que não comece uma caça às bruxas nos anos que estão por vir. Eu gostaria de propor uma discussão a respeito de algumas sugestões que tenho comigo, visto que, em tempos como o nosso, temos poucos recursos de ação, senão uma militância dada por discussões intelectuais.

Vamos analisar o inicio disso tudo.

Internet. Olavo de Carvalho. Temos um objeto e um indivíduo. Antes de criticarem coisas como "mas vocês só falam no Olavo de Carvalho" etc., acho que, apesar de tudo, ele é, sim, uma pedra no nosso sapato e eu vou explicar o porquê.

Olavo, desde muito tempo, passou a fazer um contínuo trabalho na internet, seja pelas suas conferências por vídeo (o programa True Outspeak) e a escrita dos artigos -- esse último não sendo tão eficaz quanto o primeiro. Não só isso, mas Olavo de Carvalho desceu do 'patamar' do escritor. Os autores, em dias como os nossos, gostam do glamour. Vejam só, um colunista d'O Globo nas redes sociais, conversando com as pessoas, face-a-face. Nos parece algo bastante tentador, não? E quem é que, no inicio de suas leituras, não quis ter um amigo escritor, sobretudo alguém que chamam de filósofo -- algo que no inicio nos parece algo tão estratosférico e inalcançável às pessoas 'normais'. Olavo não é burro. Ele percebeu isso e foi ganhando adeptos através das suas participações em comunidades do Orkut, por exemplo. Nos anos 2001 e 2002, mesmo, o Olavo tinha uma coluna em um grande jornal. Era um famoso; um figurão.

Compreendido isso, vamos à segunda parte:

Olavo de Carvalho fez a sua militância, criando uma patota de malucos da internet correndo por aí e espalhando mentiras sobre autores que eles não leram, como o próprio Gramsci, que virou uma espécie de bode expiatório da direita. Qualquer pessoa que tenha lido o seu livro mais famoso sabe muito bem que o que dizem sobre a sua suposta hegemonia é algo tão ridículo que não merece nem atenção. Mas essas pessoas não o leram, e a primeira vez que ouviram falar no velho italiano, foi através de um... jornalista do O Globo. Vocês sabem, mas escritores de jornais grandes passam grande confiança. É aí que começa a aparecer a segunda -- e mais importante -- parte da extensão do perigo: pessoas mais famosas ainda que descobrem o Olavo de Carvalho.

Surge Lobão, um cantor. "Caralho, um cantor! E de Rock". Vocês sabem. As pessoas gostam de Rock no Brasil, sobretudo os jovens da classe média (a minha Bossa Nova fica para os velhos de espírito, como eu.). E Lobão também desce do pedestal e não só faz propaganda para o Olavo, mas também conversa com a molecada. E ele começa a falar pros amigos dele que tendem à direita: Roger e Danilo Gentili. Pensem em twitters e páginas de facebook com milhares de seguidores engolindo tudo aquilo. Depois a TV, com o tal do Paulo Eduardo Martins e a Raquel Sherazade. E Feliciano. A maioria deles são papagaios de um Olavo de Carvalho, só que vão levando a coisa adiante ao seu modo. O Danilo Gentili (caralho, um cara da TV!) também passou a conversar com os seus fãs. Ele participava no grupo Liberalismo, onde sempre postei. Eu via ele postando lá e pedindo conselhos à turma. 

Em suma, preciso falar mais? Acho que já dá para compreender a gravidade disso.

O primeiro passo, gosto de pensar, é compreender a situação onde estamos inseridos, assim, de modo que possamos estudar tudo isso e começar a agir de dentro. Não adianta se afobar. Os velhos e saudosos intelectuais da antiga Civilização Brasileira, da qual tenho o prazer de conservar amizade com alguns deles, ficaram quase 5 anos tentando compreender o que estava acontecendo a partir de 1964 para, em 68, lançarem aquela explosão de traduções de autores como Lukács e Gramsci, que saíram pela mesma editora.

IMAGEM DA SEMANA



Para mim é difícil imaginar como pode existir "liberdade individual" para desempregados, que caminham famintos em busca de um trabalho. A verdadeira liberdade se tem apenas onde há a destruição da exploração, onde não há a opressão de uma pessoa por outra, onde não há desemprego e miséria, onde o homem não vive para amanhã perder o trabalho, a casa, o pão. Só nessa sociedade é possível a verdadeira, e não só no papel, liberdade pessoal.

I. Stalin

BRASIL: Olavo de Carvalho, o herói dos racistas

Por Cristiano Alves


Há algum tempo foi denunciado no programa "A Voz do Comunismo", com a participação do autor desse texto e da Dra. Angela Sztormowsky, a exaltação do nome de Olavo de Carvalho no mais famoso fórum neonazista da internet, o Stormfront, onde os nazistas lhe rendiam verdadeiras odes, a despeito de algumas críticas por ligações suas com sionistas.

Dessa vez, uma olavette(como são popularmente conhecidos os seguidores de Olavo de Carvalho) deixou cair sua máscara racista. Após o anúncio do vídeo "Esculachando uma olavette", Júlio Marcos, um seguidor de Olavo de Carvalho, autor de "O que você precisa saber para não ser um idiota", escreveu "Vai para Cuba então, crioulo safado, seu merda!!!!!". As capturas de tela não mentem:


Olavette expressa seu racismo abertamente e sem máscara


Olavo de Carvalho é considerado mesmo pela direita como um "filósofo para racistas e idiotas". Não é segredo para ninguém que seus seguidores abominam a proibição do que consideram um direito sacrossanto, isto é, divulgarem o racismo, a homofobia e disseminarem o ódio abertamente. Sua produção intelectual se resume a trollagem contra sites que eles consideram como sendo comunistas, ainda que se trate de sites anticomunistas.

De acordo com um professor da UFT, Olavo de Carvalho o teria chamado de "sagui"(espécie de macaco de pequeno porte).

Apesar das ações de ódio e de ofensas racistas na rede mundial, é desconhecido qualquer processo contra o grupo citado.

As capturas de tela não mentem, ele segue Olavo de Carvalho

BRASIL: PSTU forma "frente de esquerda" com o PSDB

Por Cristiano Alves


Em Teresina, no Piauí, o PSTU se alia ao PSDB, partido que governa há dezenas de anos a cidade de Teresina, de acordo com um dirigente do SINDISERM, militante do PSOL, Chiquinho, a liderança do PSTU Zé Maria veio a Teresina em diversas oportunidades para fazer reuniões às escondidas. Para José Rodrigues, liderança do PCB, a capitulação do PSTU ante um partido governista da Prefeitura de Teresina é uma vergonha e não vai ser desse modo que ele irá cooptar os trabalhadores para a luta.

O PSTU é a mais famosa organização política a advogar as teorias de Leiba Bronshteyn(Trotsky). O seu método de ação demonstra que a condenação do trotskismo não é um mero acessório cosmético para a luta dos trabalhadores.


quinta-feira, janeiro 09, 2014