terça-feira, outubro 08, 2013

MÚSICA: Punks espanhóis fazem música ridicularizando o "antistalinismo"


Por Cristiano Alves


Conforme bem colocado pelo pensador marxista William Bland, antistalinismo é uma manifestação acentuada de "anticomunismo", onde o interlocutor normalmente ataca Stalin com os mesmos argumentos que usaria para desqualificar qualquer outro líder comunista, usando assim o georgiano como espantalho. Essa tendência foi ridicularizada por uma banda punk chamada "Los Monstruítos", da Espanha, país cuja revolução republicana recebeu grande assistência da União Soviética durante a liderança de I. V. Stalin. Confira:




Era un salvaje, un bárbaro, un genocida y carecía de simpatía
Un asesino de niños, ¡¡Se comía vivos a los niños!!
Solo quería poder y más poder
estaba cojo y era feo... un traidor que cuando gobernó
surcó mares de hemoglobina

Quería matar a toda "la gente" 6.000.000.000.000.000.000 de muertos
más o menos, no estoy muy seguro

Me ha salido un grano en la nariz...seguro que es culpa de Stalin
Mi novia me dejó antes de ayer... seguro Stalin, tuvo que ver

Stalin, liberó al mundo de nazis siguiendo la obra de Lenin
¿Qué coño me hablan de Stalin?
Stalin... ¿Qué coño me hablan de Stalin?
Camarada Stalin. SLAVA STALIN


Em português:

Era um selvagem, um bárbaro, um genocida e carecia de simpatia
Um assassino de crianças, comia crianças vivas!!!
Só queria poder e mais poder
estava manco e era feio... um traidor que quando governou
sugou mares de hemoglobina

Queria matar todo mundo, 6.000.000.000.000.000.000 de mortos
mais ou menos, não estou muito segudo

Saiu um grão do nariz... seguramente culpa de Stalin
Minha namorada me deixou antes de ontem... seguramente Stalin teve algo a ver

Stalin, libertou ao mundo dos nazistas seguindo a obra de Lenin
Que diabos me falam de Stalin?
Stalin... Que diabos me falam de Stalin?
Camarada Stalin. SLAVA STALIN(Glória, Stalin)

segunda-feira, outubro 07, 2013

TECNOLOGIA: Telefone celular, mais comunista do que você imagina!

Por Cristiano Alves


Para o Dr. Karl Heinrich Marx, em "Crítica ao programa de Gotha", o bem estar dos operários é um objetivo da sociedade comunista

Se diz comunista, mas usa telefone celular e iPhone!!! Quem nunca ouviu essa frase, geralmente em tom histérico ou irônico, deste ou daquele ignorante direitista metido a conhecedor da história e da obra de Marx? A revelação que esse artigo fará certamente deixará muitos lambe-botas de capitalistas inquietos, talvez mesmo irritados. Certamente, ao usar um clichê tão caricato eles ignoram que uma invenção que costumam usar foi concebida originalmente num país socialista!

Segundo a lenda, "o primeiro telefone celular foi inventado nos Estados Unidos". A mesma insiste que em 3 de abril de 1973, o diretor da companhia Motorolla, Martin Kutcher, apresentou em Manhattan um dispositivo de telefonia celular numa exposição. Todavia, foi somente em 1979 que a Travel Eletronics passou a comercializá-lo. Pesava quase um quilo, e seu valor era de aproximadamente US$ 3700,00. O custo de sua ligação era de 24 a 40 centavos por minuto.

Qualquer que pesquise sobre o nome de Leonid Ivanovich Kupriyanovich se dará conta de que sabe apenas sobre uma parte da história. O inventor comunista russo era um famoso engenheiro, conhecido por seus inventos na área de comunicação. Em 1955, ele publicara numa revista científica para radioamadores(Radio), a descrição de seu aparelho walkie-talkie, capaz de fazer ligações de até 1,5km de distância. Ele pesava cerca de 1,2kg e operava com dois tubos de vácuo.

Em 1957 ele apresentou a mesma versão de seu walkie-talkie, mas com um alcance de 2km e com o peso de 50g. Mas o engenheiro comunista não parou por aí, no mesmo ano ele apresentara o LK-1, um telefone celular que usava ondas de rádio, tinha o alcance de 20 a 30Km de distância e uma bateria que durava 20 a 30 horas. O dispositivo manual pesava cerca de 3kg e dependia de uma estação. Segundo Leonid Ivanovich, a estação podia servir a vários clientes. O soviético patenteou seu telefone celular em 1957(Certificado № 115494, 1.11.1957). Em 1958, no Instituto de Investigação Científica de Voronej(VNIIS), Kupriyanovich iniciou a pesquisa por um sistema próprio de comunicação celular. Suas descobertas científicas eram constantemente publicadas na mais famosa revista sobre tecnologia editada na União Soviética, a Nauka i Jizn(Ciência e Vida).

Kupriyanov experimenta o seu LK-1 enquanto lê um livro em um carro

Em 1958, Leonid Kupriyanovich foi mais além, "encolhendo" sua invenção para um tamanho cabível no bolso. O aparelho de engenheiro comunista não apenas permitia ao usuário fazer ligações, como também recebê-las de telefones residenciais e também de telefones de rua. Tinha aproximadamente o tamanho de uma caixa de cigarros, como a maioria dos celulares atuais.

Kupriyanovich testa e exibe sua invenção: o aparelho celular

Em 1961, o engenheiro da União Soviética desenvolveu um dispositivo ainda menor, que cabia na palma da mão, e tinha um alcance de mais de 30km. Segundo Leonid, no mesmo ano foi planejado a fabricação desse objeto em larga escala, segundo sua entrevista dada à agência de notícias APN. O inventou também comentou sobre o planejamento da construção de estações de telefonia celular.

Celulares nas décadas de 50 e posteriores na URSS, compatíveis com uma capa ou terno
O primeiro dispositivo de telefonia celular nacional acabou sendo o "Altay", distribuído comercialmente a partir de 1963, e em 1970 ele já estava presente em mais de 114 cidades da URSS. Muitos de seus dispositivos foram inicialmente empregados pelo universo médico, em hospitais, e depois por táxis no país. O sistema foi usado em países do Leste Europeu como a Bulgária, e exibido na exposição internacional Inforga-65.


Logo, dá próxima vez que vir alguém sofismar dizendo que "comunista de verdade não usa celular", ou que "iPhone é coisa capitalista", faça questão de lembrar ao tagarela que o invento que ele usa, que contém algarismos(invenção da Índia escravista que não o torna escravocrata), foi criado pelo comunista Leonid Ivanovich Kupriyanovich, surgiu na União Soviética, e não nos Estados Unidos e sua patente é uma prova disso! 


Patente da invenção de Kupriyanov

Argumentos escatológicos são facilmente refutados com pesquisa e leitura, com o conhecimento dos clássicos do marxismo-leninismo, que revelam que seus magísteres sempre se mostraram favoráveis à tecnologia. Karl Marx escreveu na "Crítica ao programa de Gotha" que era necessário que os trabalhadores desfrutassem de conforto material no socialismo. Marx e Engels eram entusiastas do progresso industrial, condenando os métodos pelo qual foi alcançado, Lenin era um entusiasta da tecnologia, e em sua obra política fez questão de enfatizar que o comunismo dependeria do poder soviético mais a eletrificação de todo o país(a eletricidade era, então, talvez a mais avançada forma de tecnologia humana em sua época), a era de Stalin permitiu ao homem soviético dominar a mesma força que gera o sol, a energia nuclear, e Che Guevara, aluno deste último, costumava apresentar como uma das definições de socialismo a democratização da tecnologia. Logo, longe de ser proibido ao obreiro ter um iPad ou iPod, este pode ter a consciência tranquila de que é plenamente comunista portar um aparelho celular(especialmente se tiver uma capinha comunista para deixar anticomunistas irritados!), uma invenção de um gênio comunista soviético que facilita e dinamiza as telecomunicações.



Fontes de consulta:


- Muzey Oborony Mozga(Museu da defesa do cérebro). O celular soviético de Kupriyanov. Disponível em: http://brainexpo.livejournal.com/8873.html
- O primeiro celular do mundo. Artigo do site Portal o Rossii. Disponível em: http://www.opoccuu.com/pervyj-mobilnik.htm
- Em 9 de abril de 1957, na URSS, foi produzido o primeiro celular do mundo. Artigo do site Za russkoe delo. Disponível em: http://www.zrd.spb.ru/news/2013-01/news-0286.htm

BRASIL: Caro almofadinha, qual foi a sua cota?

Por Cristiano Alves




O Brasil... segundo a extrema-direita

Recentemente teve certa repercussão nas redes sociais a carta de um certo estudante da Univali(Universidade do Vale do Itajaí). Com o nítido propósito de aparecer, o estudante publicou uma carta onde alega "recusar-se a fazer trabalho sobre Marx por tudo o que ele representa de ruim". Fala em sua carta sobre "pressão psicológica sofrida", sobre o Brasil ter um "avançado nível de marxismo cultural", que seria responsável "pelo consumo de drogas" e por todas as mazelas da sociedade brasileira. A carta foi publicada num site conservador da UFSC e no blog do economista Rodrigo Constantino, no site da revista Veja, alcançando milhares de visualizações.

Primeiramente, necessário se faz entender as visões de mundo do almofadinha da Univali. O estudante faz parte de uma universidade particular, durante toda a sua vida estudou no Colégio Catarinense, um colégio de elite de Florianópolis, mantido por padres jesuítas. Não trabalha e é filho de um empresário da construção civil e de uma designer de moda que agora abre uma empresa, em poucas palavras, o menino cresceu "tomando mel". É filho único, o que explica seu caráter de menino mimado explícito na carta. Mas o principal, é aluno do neofascista Olavo de Carvalho, um ex-articulista da revista Época e do jornal O Globo. O "professor" que o universitário catarinense respeita é um homem que defende, dentre outras coisas, tiranias totalitárias como as de Franco e Salazar, dois católicos fervorosos, a pena de morte para comunistas(incluindo nomes como o finado Oscar Niemeyer) e diz que "cospe na cara dos generais do Exército Brasileiro". Olavo de Carvalho também chama vítimas de um massacre de "boiolas" e emprega o mesmo epíteto contra conservadores da Opus Dei, que segundo ele não são "suficientemente zelosos" e nem "publicam materiais anticomunistas suficientes", ele também se apresenta como "refutador" da obra científica de Albert Einstein e Isaac Newton, condenando-os por sua postura que foge ao fundamentalismo católico medieval e tacanho. Mas, sem dúvidas, o principal ensinamento do energúmeno neofascista é a pregação ad eternum de que "estamos todos cercados de comunistas comedores de criancinhas", tentando exportar dos EUA(onde vive) o mccarthismo desenterrado dos anos 50. E se isso é pouco, o estudante da Univali se diz um "monarquista", regime escravocrata e abertamente racista, cujo imperador, Dom Pedro II, chegou a ter como mentor Gobineau, tido por muitos como "o papa do racismo". Numa das fotos de seu álbum do Facebook, o estudante citado aparece orgulhoso ao lado de um descendente de Dom Pedro I, Bertrand Wittelsbach(o nome completo do sujeito requer uma linha inteira), figura arrogante, senil e caricata que se recusa a receber jornalistas que não o tratem por "Vossa Alteza" ou que não lavem as mãos antes de cumprimentá-lo. Assim, termos um perfil do almofadinha que nada conhece sobre um autor que pretende criticar.

Em segundo lugar, as colocações do estudante catarinense são absolutamente risíveis para qualquer um que conhece o modelo universitário. Universidade não existe para insuflar egos, não é clubinho onde só se fala daquilo que se aprecia, nem igreja onde todos vão movidos por uma fé religiosa num assunto impassível de qualquer discussão ou debate. Deste modo, é perfeitamente normal e aceitável que num curso de história, por exemplo, um professor passe um trabalho sobre o paganismo para alunos que professam a fé cristã. Isso não implica em dizer que a faculdade promove "doutrinação pagã", nem quer dizer que "o professor é pagão", mas indica, certamente que a instituição promove a pluralidade de valores e o conhecimento de um assunto que costumeiramente não é abordado. Mas, para ser mais polêmico, é perfeitamente aceitável que um professor, querendo demonstrar os horrores do fascismo, passem um trabalho sobre Adolf Hitler ou Benito Mussolini. De modo análogo, é perfeitamente normal e aceitável que um professor, marxista ou não, passe trabalhos acadêmicos sobre Karl Marx, Friedrich Engels, Lenin, Stalin, Paul Baran, Paul Sweezy ou outros economistas marxistas, o que nada tem a ver com "doutrinação ideológica". Ocorre que para neofascistas, qualquer professor que não exerça a genuflexão ante a ideologia anticomunista, que não repita o mantra de que "comunistas são genocidas que mataram milhões e comem criancinhas", é automaticamente taxado de "propagandista do satânico marxismo". 

Perseguições a intelectuais acadêmicos acusados de "propaganda comunista" não são uma novidade, nos EUA ela é exercida com um caráter inquisitório desde os anos 50, da época do McCarthismo, da "Caça às Bruxas", no Brasil ela foi exercida por anos durante sua ditadura fascista, e é exercida hoje pela polícia ideológica da direita, inconformada por se ver cada vez mais longe do poder. Essa política, aliás, não se dá apenas no Brasil, nos EUA, há algum tempo, um professor da Montclaire University, Grover Furr, foi injuriado e difamado por provocadores libertários, os chamados "anarcocapitalistas". Num debate sobre pensadores, um almofadinha ianque insinuou que "regimes comunistas não deram certos por que mataram centenas de milhões", ao que o professor respondeu como sendo "bullshit"(literalmente, merda), "bollocks"(besteira), e demonstrou como em anos de pesquisa não encontrou um só crime cometido por Stalin, demonstrando ainda que a história soviética, assim como a americana, é deliberadamente falsificada para fins políticos. A postura enérgica do professor lhe valeu um vídeo onde era chamado de "louco" e blogs americanos chegaram a publicar em 4 línguas um pedido de sua expulsão da universidade, o que felizmente não vingou. No imaginário reacionário, todo país que se opõe ao capitalismo selvagem está a "matar milhões", resta saber como com tantos bloqueios, guerras civis e invasões armadas esses "Estados matadores de milhões" conseguem repor sua população tão rapidamente(a despeito da queda nas taxas de mortalidade), já que nem mesmo as estatísticas de organizações ocidentais registram decréscimos populacionais.

É gritante o baixo nível intelectual do nosso "universotário", que daria um bom participante para o extinto programa "Show do Milhão", conhecido pelo nível dos universitários participantes. O seu baixo intelecto, que só pode produzir diarreias mentais, nos "contempla" com a alegação de que "o marxismo cultural trouxe o consumo de drogas, funk, crise de valores, etc". Ora, quem promove o tráfico de drogas não é o "comunismo", mas sim o capitalismo! É uma verdade inexorável que a maior guerra promovida em nome do tráfico de drogas foi a Guerra do Ópio, promovida pela maior potência capitalista da época, o Reino Unido, após a China imperial proibir o tráfico de ópio feito empreendido pelos britânicos no Império do Meio(China), através da Índia, sua colônia. A medida tomada pela China, que qualquer "conservador honesto" declararia como moralista e justa, foi motivo para que ela fosse invadida, saqueada e humilhada por uma potência capitalista. O almofadinha catarinense, que se diz "praticante de kung fu", logo supostamente entusiasta da cultura chinesa, deveria saber que a polícia imperial chinesa chegou a queimar toneladas de ópio e fechar empresas ocidentais que o comerciavam, mas infelizmente, como advertido num famoso filme chinês de kung fu estrelado por Jet Li(Era uma vez na China), o kung fu não foi suficiente para derrotar balas.

Ora, se o olaviado diz que "droga é coisa de comunista", resta perguntar, o Império Britânico, um dos maiores traficantes de drogas da história, era comunista? Pior, os marines americanos são alguma "Guarda Vermelha"? Afinal, a maior produção de drogas está em territórios ocupados pelas forças armadas dos Estados Unidos. O maior produtor de drogas na América Latina é a Colômbia, país sulamericano com a maior presença militar americana. O maior produtor de drogas na Ásia é o Afeganistão, que concentra um grande número de tropas americanas. Segundo a rede de notícias conservadora Fox News, o USMC(Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos) faz guarida de enormes campos de papoula, da qual é extraída o ópio e a heroína, no Afeganistão. As drogas sempre foram instrumentais na regulação da balança comercial capitalista e mesmo no processo de destruição de movimentos sociais. O COINTELPRO do FBI facilitou a atuação de traficantes de droga em bairros negros com o objetivo de destruir todo o trabalho social realizado pelo Partido dos Panteras Negras e minar toda a resistência política negra. Essa atitude da camarilha capitalista é completamente distinta da política promovida nos países socialistas, onde o número de dependentes de narcóticos era mínimo. Na China, após a revolução liderada por Mao Tsé Tung, estima-se que o país que tinha mais de 30 milhões de narcodenpentes, conseguiu erradicar praticamente todo o consumo de narcóticos. A direita baseia-se na desinformação e Olavo de Carvalho e seus alunos são de fato experts em black propaganda, a ciência da mentira. Seu objetivo é chocar, através de factoides absurdos, não é produzir conhecimento, mas sim o ódio. Será que tais energúmenos tem ao menos a hombridade de assumir isso?

Mas o "conhecimento" do universotário não para por aí, a fim de fazer não apenas um desfile intelectual, mas também do que os internautas passaram a chamar de egotrip, o almofadinha diz que "lhe foi revelada a verdade oculta pela esquerda, a verdade revolucionária, ao visitar o Camboja", onde ele se tornou um "especialista em Marx". O curioso é que foi justamente no Camboja que Pol Pot afirmou publicamente "não somos comunistas, somos revolucionários", "que não pertencem ao grupo de comunistas da Indochina"(Ieng Sary, 1977, citado por Michael Vickery, p. 288). Aliás esse mesmo Pol Pot, que normalmente não é e nem nunca foi adotado como referência para partido ou comunista algum, foi justamente apoiado por aqueles que os liberais tanto idolatram, isto é, Ronald Reagan e Margaret Tatcher. O internacionalmente aclamado jornalista John Pilger escreveu em 1997, na Covert Action Quartely(algo como Semanário de Operações Especiais), um artigo que denuncia o apoio secreto dado por Ronald Reagan a Pol Pot, inclusive chegando a oferecer ao governo deste último um assento na ONU. Segundo o jornalista americano, "os EUA não apenas ajudaram a criar condições que levaram o Khmer vermelho ao poder no Camboja, como apoiaram ativamente sua força genocida, politicamente e financeiramente. De acordo com John Pilger, sem a ajuda dos Reagan e Tatcher, que visava tornar o Camboja um "Vietnã do Vietnã", que forneceu-lhe treinamento militar, minas terrestres e armas intermediadas pela Singapura, os crimes do Khmer Vermelho jamais teriam ocorrido. É importante frisar que antes de tudo isso, a tragédia humanitária no Camboja não se deu exclusivamente em razão do Khmer Vermelho. Durante os anos da guerra do Vietnã, o campo no Camboja foi intensamente bombardeado pela aviação americana, de modo que a capital Pnom Phen cresceu para 2 milhões de pessoas após a chegada de 600 mil pessoas oriundas do campo, fugindo dos bombardeios da USAF.

Mas era Pol Pot comunista? Pol Pot não era e nem nunca foi "comunista", o seu "comunismo" era apenas uma forma de se aproximar de uma potência vizinha, a China revisionista, em parte graças à influência de uma facção pró-vietnamita que depois foi expurgada do partido. Ao passo que o comunismo de Marx e Engels prega a primazia da classe operária no processo revolucionário, "proletários de todos os países uni-vos", Pol Pot apresentava os operários das cidades e intelectuais como elementos reacionários da sociedade, afirmando que "em vez de cultivá-los, o Khmer Vermelho deve liquidá-los como um legado do passado"(Thion, p. 27-8). Logo como alguém que apresenta uma postura anti-operária e anti-industrial assentada sobre um populismo camponês, pode ser chamado de "comunista"? De fato, Pol Pot deve ser encarado como um anticomunista de tipo medievalista. Apresentar tal homem, que jamais foi referência para partido algum e mesmo tem discursos impregnados de ódio contra a classe operária, como um "comunista", é uma demonstração sublime de ignorância e de má fé! Ora, não seria chocante que garotinho mimado da Silva de repente descobrisse que o "demônio comunista" que ele tanto condena em sua carta em realidade foi um homem apoiado pelos seus heróis conservadores, Ronald Reagan e Margaret Tatcher? Ídolos de seu "professor" Olavo de Carvalho. Mas que honestidade intelectual pode vir de um garoto que nunca leu Marx mas fez uma carta condenatória de seu trabalho? A propósito, a prática de "jogar bebês para o ar e apanhá-los em baionetas" é descrita por alguns estudiosos da história como "propaganda de guerra". Há inúmeras estórias na Grã-Bretanha sobre tropas alemãs empalando bebês em baionetas. Também há no Leste Europeu estórias sobre turcos empalando bebês austríacos, húngaros e russos em baionetas. Na China também há histórias sobre bebês empalados por baionetas de soldados japoneses.

Não menos ridículo que seu estilo de estilo de escrita é o "conhecimento de Lenin" do estudante catarinense. Aliás, o que o catarinense "sabe" sobre Lenin é digno de risos para quem conhece a obra do revolucionário e pensador russo. Quando Pedro fala de Paulo, eu sei mais sobre Pedro do que sobre Paulo. Quando um anticomunista fala do comunismo, nós sabemos muito mais sobre seus próprios preconceitos do que sobre o conceito que ele critica. O decálogo não apenas inexiste, como confirmado pelo próprio Rodrigo Constantino, mas é repetido ad infinitum por elementos reacionários que abominam a libertação sexual ou que tremem só de pensar em comunismo, que acreditam viverem um "marxismo cultural", como se fossem "uma ilha cercada por um oceano comunista", como se ruas tivessem o nome de revolucionários cubanos e soviéticos e as TVs transmitissem apenas "As aventuras de Chipolino" e filmes soviéticos sobre a IIGM, ou as rádios transmitissem apenas o "Coro do Exército Vermelho".

O nosso burguesinho não passa de um nefelibata! Antigamente, quem queria matar aulas ia jogar futebol ou mesmo video game, no caso de colegas deste que vos escreve, iam jogar sinuca. Alguns podem questionar tais atitudes, mas pelo menos estes não se prestavam a tal papelão. A extrema-direita acéfala e retardada escolhe seus heróis a partir de nulidades absolutas, interessadas apenas no show e no espetáculo. Pagam de "paladinos da moral e dos bons costumes", ao mesmo tempo em que tais fariseus mentem, distorcem e, pior que isso, tentam expiar o fardo de sua culpa pela sociedade que temos no "malvado comunismo comedor de criancinha". Há na sociedade muitos, principalmente dentre círculos burgueses, aqueles que atacam o sistema de cotas alegando que este "produz incompetentes e ignorantes", quando na realidades estes que o fazem são em não raros casos assim, daí, fazendo aqui uma apropriação irônica do discurso da direita, resta perguntar: João Victor Gasparino, qual foi a sua cota? Como abominações cognitivas como essas conseguiram terminar o segundo grau? Melhor seria que tal indivíduo nem mesmo tivesse entrado na universidade!

domingo, outubro 06, 2013

FILOSOFIA: O que é um conservador?

Por Paulo Ghiraldelli*

Introdução por Cristiano Alves: Conservadores têm pavor a duas coisas, "revolução" e "sexo". Mas antes de tudo ele é um hipócrita, pois não fosse pelas revoluções, hoje suas esposas teriam que dormir primeiro com seus patrões, como ocorria nos tempos medievais com o direito de pernada(prima nocte). Ninguém vem com discursinhos baratos sobre "carnificina revolucionária" quando, ao casar-se com sua esposa torna-se seu primeiro homem. É um hipócrita por que abomina o sexo(especialmente a sexualidade feminina, pois é machista), por que recorre à prostituição e diz "defender a família", ou, no pior dos casos, por que é sexualmente frustrado. O texto do filósofo Paulo Ghiraldelli nos dá uma ampla visão dessas figuras caricatas e sobretudo caretas movidas pela negação do ser humano.




Há três tipos de conservador: um que tem chilique com a palavra “revolução”, outro que tem chilique com a palavra “sexo”, e um terceiro, que arrepia com ambas as palavras.

O primeiro tipo, o que treme ao ouvir a palavra “revolução”, pode ter um tipo de chilique desesperador. Todavia, não é difícil para ele, com o tempo, desenvolver um modo de lidar com isso. Antes que a apresentem a ele, não tarda em ridicularizá-la.

Esse tipo tem lá sua razão. As revoluções políticas nem sempre terminam com menos carnificina que aquela promovida pelo regime derrubado. No entanto, esse tipo de conservador é aquele que cobra realismo de todos, ele quer menos ingenuidade e menos infantilidade. Ora, revoluções são reais, acontecem, e elas são responsáveis por nossa história ser o que é, ou seja, algo aberto para o imprevisível. Quem cobra realismo de outros deveria ter a macheza mínima de suportar irrupções históricas, porque afinal, elas emergem. Quem cobra realismo deveria também, depois, não tentar diminuir as revoluções, principalmente quando a historiografia já nos deu prova de que se trata de alguma coisa importante, que efetivamente mudou o mundo.

O segundo tipo, o que tem convulsões ao ouvir a palavra “sexo”, também às vezes nos assusta com seus gritos. Claro que também este, com o passar do tempo, obtém um modo de escutar e até pronunciar uma tal palavra – “se… se … xo”. Sua estratégia é bem comentada e sabida: medicaliza a palavra. Os médicos falavam de pênis, e isso já era um termo sob uma boa assepsia, agora nem é isso mais que usam. Falam em “membro sexual masculino”. O sexo se transformou uma propriedade do médico que, com seu uniforme branco e sua seriedade profissional, é aquele que pode dissertar sobre tal assunto com a distância que, antes dele, esteve nas mãos do padre.

Não é nada inútil colocar o sexo sob os cuidados médicos. A ciência ajuda a fazer do sexo alguma coisa possível de ser conversada sem misticismo cultivado pela ignorância, e isso é bom. Todavia, o tipo conservador que, enfim, exatamente pelo seu realismo, quer se mostrar corajoso e enfrentar tudo que é natural, não deveria precisar de tantas luvas para falar de sexo.  Afinal, dizem até que os conservadores gostam de Nelson Rodrigues, então eles deveriam ser um pouco mais despudorados. Mas não são. No frigir dos ovos eles estão sempre sentados na sala de jantar, rodeados de crianças que são só inocentes aos seus olhos.

Os motivos pelos quais os conservadores criam problemas diante de “revolução” e “sexo” não são difíceis de notar.

Revolução implica em mudança de controle e, às vezes, de alteração nas próprias formas de controle. O conservador tem um medo danado não só do que os revolucionários podem fazer com ele, mas do que ele pode fazer consigo mesmo em uma sociedade em que, mesmo só por um breve momento, houver liberdade. O conservador é mais ou menos parecido com aquela garota que não sabe se é ou não lésbica, e que então nunca bebe, pois acredita que se beber irá para a cama com todas as colegas naquela noite.

Sexo implica em prazer. Ora, o conservador teme o prazer. Caso ele seja rico, ele teme que seus operários comecem a gastar energia antes no sexo que no trabalho. Caso o conservador seja pobre, ele teme que o sexo o jogue para fora de sua própria família. Pois quem quer sexo quer também o ambiente de desregramento do bar. Isso porá sua família em risco. Mas ele também teme que, em um mundo onde todos queiram ter prazer, não será a filha do patrão que pagará o preço por isso, mas suas filhas. Em geral, não é que ele queira proteger suas filhas. Mas ele tem ciúmes delas, segundo uma tendência incestuosa que ele disfarça.

Esse quadro que pinta o rosto do conservador pode não valer para alguns, justamente porque esses alguns ainda não pensaram com coragem sobre tudo isso. Quando refletirem melhor, se tiverem realmente coragem, confessarão que não estou falando bobagem, e que meu quadro abocanha bem muitos conservadores conhecidos. Talvez até mais do que possamos avaliar em um primeiro momento.



*Filósofo.

sábado, outubro 05, 2013

POLÍTICA: Anticomunismo de esquerda - a cortada cruel

Por Michael Parenti*
Tradução de Cristiano Alves

Publicado originalmente no Greenville Post


Nota do editor: Parte oportunismo, parte carreirismo, parte negação voluntária (ou ignorância) da verdadeira dinâmica capitalista e imperial, e parte vínculo com o conforto de se estar dentro do perfil de "crítica permitida", o anticomunismo de esquerda continua a ter um grande papel na esquerda americana. Nesse tipicamente descritivo ensaio, Michael Parenti explora as razões pelas quais a postura anticomunista de esquerda devem ser vistas como realmente é: uma colaboração de fato com as forças que defendem o status quo das corporações [Esta seleção é do livro de Parenti Camisas negras e vermelhas: fascismo racional e a derrubada do comunismo (City Lights, 1997). Foi reproduzida aqui por cortesia do autor.]

Nota de A Página Vermelha: Embora o magíster americano aborde aspectos relativos à esquerda americana, "Anticomunismo de esquerda - cortada cruel", é sem sombra de dúvidas um texto atualíssimo e de alta relevância para a esquerda brasileira. Michael Parenti não é comunista, e nem mesmo tem afinidades com o marxismo, entretanto, o seu passado anticomunista e sua personalidade e conhecimentos dotados de senso crítico permitiram ao autor americano, que outrora criticara o anticomunismo de direita em seu brilhante trabalho "A cruzada anticomunista"(dos anos 70), identificar no "anticomunismo de esquerda" um fator cavalo de tróia que, longe de fortalecer a luta dos trabalhadores, apenas enfraquece-a com a deturpação de sociedades socialistas existentes hoje ou previamente, assim legitimando o status quo, a ordem capitalista. Essa postura, visível no meio político e acadêmico, apenas fortalece o discurso de direita. Conhecer a honestidade intelectual de Parenti é não apenas superar um antiamericanismo pueril, como um fator de engrandecimento do conhecimento.



Anticomunismo de esquerda






Nos Estados Unidos, por centenas de anos, os interesses predominantemente incansáveis propagaram o anticomunismo entre a população, até se tornar algo como uma ortodoxia religiosa, em vez de uma análise política. Durante a Guerra Fria, a moldura ideológica anticomunista podia transformar quaisquer dados sobre sociedades comunistas existentes em evidências hostis. Se os soviéticos se recusassem a negociar um ponto, eles eram intransigentes e beligerantes; se eles pareciam fazer concessões, isso era um artifício para baixarmos a guarda. Se se opunham à limitação das armas, eles estariam demonstrando seu intuito agressivo; mas quando de fato apoiavam mais tratados sobre armamentos, então é por que eram espertos e manipuladores. Se as igrejas na URSS estavam vazias, isso demonstrava que a religião era suprimida; mas se as igrejas estavam cheias, isso quer dizer que o povo estava rejeitando a ideologia ateia do regime. Se os trabalhadores entravam em greve(como ocorria em ocasiões não frequentes), isso era evidência de sua alienação do sistema coletivista; se eles não faziam greve, isso é por que eles eram intimidados e não tinham liberdade. A escassez de bens de consumo demonstrava uma falha no sistema econômico; uma melhora nos suprimentos de consumo significava que os líderes estavam tentando acalmar uma população inquieta e assim manter firme controle sobre ela. Se os comunistas nos Estados Unidos desempenhavam papel importante lutando pelos direitos dos trabalhadores, dos pobres, afroamericanos, mulheres e outros, isso era apenas uma forma útil de ganhar apoio entre grupos não representados e ganhar poder para eles mesmos. Como alguém ganhava poder lutando por direitos de grupos sem poder nunca foi explicado. O que estamos abordando é uma ortodoxia não-disfarçada, tão assiduamente distribuída pelos interesses dominantes que afetou o povo ao longo do total espectro político.

Genuflexão à ortodoxia

Muitos na esquerda dos EUA apresentaram ataques contra os soviéticos e contra os vermelhos comparável à hostilidade e crueza da direita. Ouça Noam Chomsky pregando sobre os “intelectuais de esquerda” que tentam “erguer o poder nas costas dos movimentos populares de massa” e “então tornam o povo submisso... Você começa basicamente como um leninista que será parte da burocracia vermelha. Você vê depois que o poder não segue aquele caminho, e você rapidamente torna-se um ideólogo da direita... Nós vemos isso agora na (antiga) União Soviética. Os mesmos caras que eram capangas comunistas dois anos atrás estão agora dirigindo bancos e (são) entusiastas do livre mercado que louvam os americanos” (Z Magazine, 10/95).

O imaginário de Chomsky é altamente devido à mesma cultura política corporativa que ele critica tão frequentemente em outras questões. Em sua mente, a revolução foi traída por uma camarilha de “capangas comunistas” que meramente tem fome de poder em vez de querer o poder para acabar com a fome. De fato, os comunistas não mudaram “rapidamente” para a direita, mas lutaram em face a um momento de investida para manter o socialismo soviético vivo por mais de setenta anos. Precisamente, nos últimos dias da União Soviética alguns, como Boris Yeltsin, cruzaram as fileiras capitalistas, mas outros continuaram a resistir às incursões do mercado livre a um grande custo para eles mesmos, muitos conhecendo a morte durante a violenta repressão de Yeltsin contra o parlamento russo em 1993.

Alguns de esquerda e outros caem no velho estereótipo de vermelhos sedentos de poder que tomam o poder pelo poder sem qualquer preocupação com verdadeiras metas sociais. Se é verdade, alguém se impressionaria com o fato de que, em país após país, esses vermelhos colocam-se ao lado dos pobres e impotentes, frequentemente sob o grande risco de sacrificar a si próprios, em vez de buscar recompensas que vem a servir os de boa posição.

Por décadas, muitos autores de esquerda e porta-vozes nos Estados Unidos sentiram-se obrigados a estabelecer sua credibilidade com indulgências à genuflexão anticomunista e antissoviética, parecendo ser incapazes de fazer um discurso ou escrever um artigo ou livro revendo qualquer tema político sem injetar alguma dose antivermelha. O intento era e ainda é, distanciar-se eles mesmos da esquerda marxista-leninista.

Adam Hochschild: Mantendo sua distância da “esquerda stalinista” e recomendando a mesma postura para progressistas.

Adam Hochshild, um escritor liberal e editor, alertou aqueles indiferentes à condenação das sociedades comunistas existentes, dizendo que eles “enfraquecem sua credibilidade” (Guardian, 23/5/84). Em outras palavras, para ser oponentes da guerra fria de credibilidade, tínhamos que primeiro juntar-se à Guerra Fria na condenação de sociedades comunistas. Ronald Radosh alertou que o movimento pela paz expurga a si mesmo de comunistas, então eles não podem ser acusados de serem comunistas (Guardian, 16/03/83). Se eu entendo Radosh: para salvar a nós mesmos da caça às bruxas anticomunistas, nós mesmos devemos nos tornar caçadores de bruxas. Expurgar a esquerda de comunistas tornou-se uma prática de longa data, tendo efeitos injuriosos em várias causas progressivas. For exemplo, em 1949, umas dúzias de sindicatos foram retirados do CIO(Nota de A Página Vermelha: Congresso das Organizações Industriais) por que tinham vermelhos em sua liderança. O expurgo reduziu o número de membros da CIO em cerca de 1.7 milhões e seriamente enfraqueceu seus mecanismos de recrutamento e foco político. Em meados dos anos 40, para evitar ficar “queimados” como vermelhos, os Americanos pela Ação Democrática(ADA), grupo supostamente progressista, tornou-se uma das mais vocais organizações anticomunistas.

A estratégia não funcionou. A ADA e outros à esquerda ainda foram atacados por serem comunistas ou brandos com o comunismo por aqueles à direita. Então e agora, muitos à esquerda falharam em perceber que aqueles que lutam por mudanças sociais em prol dos elementos menos privilegiados da sociedade serão atacados pelas elites conservadoras como vermelhos, sejam eles comunistas ou não. Para os interesses dominantes, há pouca diferença se sua riqueza e poder é desafiada por “subversivos comunistas” ou “leais liberais americanos”. Todos são compilados como mais ou menos repugnantes.

Um prototípico espanca-vermelhos(A Página Vermelha: originalmente, red basher) que pretendia estar na esquerda foi George Orwell. Em meio à II Guerra Mundial, enquanto a União Soviética lutava por sua vida contra os invasores nazistas em Stalingrado, Orwell anunciou que uma “uma vontade de criticar a Rússia e Stalin são testes de honestidade intelectual. São as únicas coisas que do ponto de vista de um intelectual literário são realmente perigosas” Monthly Review, 5/83). Seguramente abrigado dentro de uma sociedade virulentamente anticomunista, Orwell (com seu pensamento dúbio orweliano) caracterizou a condenação do comunismo como um ato de desafio solitário. Hoje, sua progenitura ideológica ainda persiste, oferecendo uma crítica intrépida de esquerda da esquerda, promovendo uma valente luta contra imaginárias hordas marxistas-leninistas-stalinistas.

Está em falta na esquerda dos EUA uma avaliação racional da União Soviética, uma nação que enfrentou uma dura guerra civil e uma invasão estrangeira multinacional nos seus primeiros anos de existência, e duas décadas depois expulsou e destruiu as bestas nazistas com um enorme custo para ela mesma. Três décadas após a revolução bolchevique, os soviéticos conseguiram avanços industriais como aqueles que no capitalismo levaram um século para alcançar – enquanto alimentava e dava escolas às suas crianças em vez de fazê-las trabalhar quatorze horas por dia como fizeram os industrialistas capitalistas e ainda fazem em várias partes do mundo. E na União Soviética, bem como na Bulgária, República Democrática Alemã e Cuba foi oferecida assistência vital aos movimentos de libertação nacional nos países ao redor do mundo, incluindo o Congresso Nacional Africano de Nelson Mandela, na África do Sul.

Os anticomunistas de esquerda não ficaram nenhum pouco impressionados pelos dramáticos ganhos das massas populares, previamente empobrecidas, sob o comunismo. Alguns mesmo menosprezaram tais realizações. Eu me recordo como em Burlington Vermont, em 1971, o notável anticomunista anarquista, Murray Bookchin, derrogativamente se referia às minhas preocupações pelas “pobres crianças que eram alimentadas sob o comunismo” (palavras dele).

Pregando as etiquetas

Aqueles que se recusaram a se juntar aos ataques contra os soviéticos eram taxados pelos anticomunistas de esquerda como “apologistas de soviéticos” e “stalinistas”, mesmo que desaprovássemos Stalin e seu sistema autocrático de governo e acreditássemos que havia coisas seriamente erradas dentro da sociedade soviética existente. Nosso verdadeiro pecado é que diferentemente de muitos na esquerda, nós nos recusávamos a engolir de forma acrítica a propaganda da mídia dos EUA sobre as sociedades comunistas. Em vez disso, nós sustentávamos que, à parte algumas deficiências e injustiças bem conhecidas, havia características positivas no sistema comunista dignas de preservação, que melhoraram as vidas de centenas de milhões de pessoas de modo significativo e humanitário. Este clamor tinha um efeito desconsertante para os anticomunistas de esquerda, que não podiam dizer uma só palavra positiva sobre qualquer sociedade comunista(exceto Cuba, possivelmente) e não podiam ter ouvidos tolerantes ou mesmo corteses para qualquer um que o fizesse.

Saturados pela ortodoxia anticomunista, a maioria dos esquerdistas dos EUA tem praticado um mccarthismo de esquerda contra pessoas que tinham algo de positivo para dizer sobre o comunismo existente, excluindo-os da participação em conferências, conselhos consultivos, endossos políticos e publicações de esquerda. Tal como os conservadores, os anticomunistas de esquerda toleram apenas uma condenação vazia da União Soviética como uma monstruosidade stalinista e como uma aberração moral leninista.

O fato de muitos esquerdistas dos EUA terem pouca familiaridade com os escritos de Lenin e seu trabalho político não os impede de serem taxados de “leninistas”. Noam Chomsky, que é um apreciador incansável de caricaturas anticomunistas, oferece este comentários sobre o leninismo: “os intelectuais ocidentais e do Terceiro Mundo eram atraídos pela contrarrevolução bolchevique(sic) por que o leninismo é, depois de tudo, uma doutrina que diz que a intelligentsia radical tem o direito de tomar o poder do Estado para dirigir os países pela força e isso torna essa ideia atraente para os intelectuais”. Aqui Chomsky reproduz a imagem de intelectuais sedentos de poder junto com a sua caricatura de leninistas sedentos de poder, vilões buscando não meios revolucionários de combater a injustiça, mas poder pela sede de poder. Quando se trata de espancar os vermelhos, alguns dos melhores e mais brilhantes na esquerda não soam melhor do que os piores na direita.


Apesar de suas críticas ao capitalismo, Noam Chomsky, um dos mais notáveis intelectuais americanos, permanece como um anticomunista de esquerda irremediável

Quando em 1996 houve um atentado a bomba na cidade Oklahoma, eu ouvi um comentarista de rádio anunciar: “Lenin disse que o propósito do terror é aterrorizar”. Os comentaristas da mídia dos EUA repetidamente citaram Lenin de forma errônea. De fato, sua declaração desaprovava o terrorismo. Ele polemizou contra atos isolados de terrorismo que nada fazem senão criar o terror entre a população, convidar a repressão e isolar o movimento revolucionário das massas. Longe de ser um conspirador totalitário, conspirador de curtos círculos, Lenin urgia pela construção de largas coalizões e organizações de massa, congregando pessoas de diferentes níveis de desenvolvimento político. Ele advogou diversos meios necessários para avançar a luta de classes, incluindo a participação nas eleições parlamentares e nos sindicatos existentes. Para ser exato, a classe trabalhadora, como qualquer grupo de massa, necessitava de organização e liderança para levar adiante a luta revolucionária, que era o partido de vanguarda, mas isso não significava que a revolução proletária podia ser promovida e vencida por golpistas ou terroristas.

Lenin constantemente lidava com o problema de evitar dois extremos, o oportunismo burguês liberal e o aventureirismo de ultraesquerda. Ainda, ele próprio era identificado como um golpista de ultraesquerda pelos jornalistas do mainstream e por alguns da esquerda. Se a postura de Lenin quanto à revolução é desejável ou mesmo relevante hoje é uma questão que exige uma análise crítica. Mas uma avaliação útil não pode vir de pessoas que distorcem a sua teoria e prática.

Os anticomunistas de esquerda encontram qualquer associação com organizações comunistas como moralmente inaceitável por causa dos “crimes do comunismo”. Ainda, muitos deles encontram-se associados com o Partido Democrático em seu país, seja como eleitores ou membros, parecendo ser indiferentes aos crimes políticos inaceitáveis cometido pelos líderes daquela organização. Sob uma ou outra administração democrata, 120 mil nipo-americanos foram retirados de suas casas e habitações e lançados em campos de detenção; bombas atômicas foram lançadas em Hiroshima e Nagasaki com uma enorme perda de vidas inocentes; ao FBI foi dada a autoridade para se infiltrar em grupos políticos; o Ato Smith foi usado para prender líderes do Partido Socialista dos Trabalhadores trotskista e depois os do Partido Comunista por suas crenças políticas; campos de detenção foram estabelecidos para receber dissidentes políticos em evento de “emergência nacional”; durante os anos 40 e 50, oito mil trabalhadores federais foram expurgados do governo por causa de suas associações políticas e visões, com centenas dele tendo carreiras arruinadas com a caça às bruxas; o Ato de Neutralidade foi usado para impor um embargo à República Espanhola, agindo em favor das legiões fascistas de Franco; programas de contra-insurgência homicida foram iniciados em vários países do Terceiro Mundo; e a guerra do Vietnã foi intensificada e continuada. E para a melhor parte do século, a Liderança Congressional do Partido Democrata protegeu a segregação racial e vetaram todas as emendas contra o linchamento e de pleno emprego. Mesmo assim, todos esses crimes, trazendo a ruína e morte de muitos, não tem comovido os liberais, os sociais-democratas, e os “socialistas democráticos” anticomunistas para insistir repetidamente que se trata de condenações vagas do Partido Democrata ou do sistema político que o produziu, certamente não com o fervor intolerante que tem sido dirigido contra o comunismo existente.

Socialismo puro vs. Socialismo de cerco

Os eventos na Europa Oriental não constituem uma derrota para o socialismo por que o socialismo nunca existiu naqueles países, de acordo com alguns esquerdistas dos EUA. Eles dizem que os Estados comunistas ofereceram nada mais do que um sistema burocrático, “capitalismo de Estado” unipartidário e algo do tipo. Chamarmos os antigos países comunistas de “socialistas” é uma questão de definição. Suficiente para dizer, eles constituíram algo diferente do que existiu no sistema capitalista movido pelo lucro que os capitalistas não tardaram a reconhecer.

Primeiro, nos países comunistas, havia menos desigualdade econômica do que sob o capitalismo. Os benefícios desfrutados pelas elites do partido e do governo eram modestas em comparação com os padrões de um diretor executivo de uma grande empresa no ocidente (mesmo quando comparados com as compensações grotescas para as elites financeiras e executivas – edição), bem como para com sua renda pessoal e estilo de vida. Líderes soviéticos como Yuri Andropov e Leonid Brejnyev não viviam em mansões reservadas como na Casa Branca, mas em apartamentos relativamente largos em projetos habitacionais próximos ao Kremlin, designado para líderes governamentais. Eles tinham limusines à sua disposição(como a maioria dos chefes de Estado) e acesso a largas dachas onde eles recebiam visitantes dignatários. Mas eles não tinham essa imensa riqueza pessoal que a maioria dos líderes dos EUA possuem.

A “vida luxuosa” desfrutada pelos líderes partidários da Alemanha Oriental, como bem publicado na imprensa dos EUA, incluía um subsídio de 725 dólares em divisas, e direito a um assentamento exclusivo nos arredores de Berlim que incluíam uma sauna, uma piscina coberta e um centro de fitness compartilhado por outros residentes. Eles também podiam comprar em lojas abastecidas com bens ocidentais como bananas, jeans e eletrônicos japoneses. A imprensa dos EUA nunca apontou que os cidadãos alemães orientais comuns tinham acesso a piscinas públicas e ginásios e mesmo podiam comprar jeans e eletrônicos(embora não a variedade importada). Nem era o “luxuoso” consumo desfrutado pelos líderes alemães contrastados como o verdadeiramente opulento estilo de vida da plutocracia ocidental.

Segundo, nos países comunistas, as forças produtivas não eram organizados para ganho de capital e enriquecimento privado; a propriedade pública dos meios de produção suplantaram a propriedade privada. Indivíduos não podiam contratar outras pessoas e acumular grandes riquezas pessoais de seu trabalho. Novamente, comparado com os padrões ocidentais, a diferença nos ganhos e economias entre a população eram geralmente modestos. A renda entre os maiores e menores assalariados na União Soviética era de cinco para uma. Nos Estados Unidos, a renda média entre os maiores multibilionários e os pobres trabalhadores é de 10.000 para 1.

Terceiro, a prioridade era colocada sobre os serviços humanos. Embora a vida sob o comunismo deixou muito a desejar e os serviços eram raramente os melhores, os países comunistas garantiram aos seus cidadãos o mínimo padrão de sobrevivência e seguridade econômica, incluindo educação garantida, emprego, habitação e assistência médica.

Quarto, os países comunistas não visavam a penetração do capital de outros países. Carecendo de uma motivação de lucro como sua força motor e assim não tendo a constante necessidade de encontrar novas oportunidades de investimentos, eles não expropriaram as terras, o trabalho, os mercados e recursos naturais de nações mais fracas, isto é, não praticaram o imperialismo econômico. A União Soviética conduziu o comércio e relações de ajuda em termos geralmente favoráveis às nações do Leste Europeu e Mongólia, Cuba e Índia.

Tudo acima fez parte dos princípios organizacionais de cada sistema comunista num ou outro degrau. Nenhum deles se aplica a países de livre mercado como Honduras, Guatemala, Tailândia, Coréia do Sul, Chile, Indonésia, Zaire, Alemanha ou Estados Unidos.

Mas um verdadeiro socialismo, argumenta-se, seria controlado pelos próprios operários através de participação direta, em vez de ser dirigido por leninistas, estalinistas, castristas, ou outros patologicamente sedentos de poder, burocráticos, homens cabalmente maus que traem revoluções. Infelizmente, esse “socialismo puro” é uma figura não-histórica e não-falsificada; ela não pode ser posta a prova contra as atualidades da história. Ela compara um ideal com uma realidade imperfeita, e a realidade vem num mísero segundo. Ela imagina o que o socialismo poderia ter sido num mundo bem melhor do que este, onde não há fortes estruturas de Estado ou força de segurança é requerida, onde nenhum dos valores produzidos pelos trabalhadores precisa ser expropriado para reconstruir a sociedade e defendê-la da invasão externa e sabotagem interna.

As antecipações ideológicas dos socialistas puros tão intangíveis na prática. Elas não explicam como desdobramentos de uma sociedade revolucionária seriam organizadas, como ataques externos e sabotagem interna seria combatida, como a burocracia seria evitada, recursos escassos alocados, diferenças políticas abordadas, prioridades estabelecidas, e produção e distribuição conduzidas. Em vez disso, eles oferecem vagas declarações sobre como os trabalhadores iriam diretamente possuir e controlar os meios de produção e chegariam em suas próprias soluções através de uma luta criativa. Não é nenhuma surpresa que os socialistas puros apoiam cada revolução, exceto as que tiveram sucesso.

Os socialistas puros tem uma visão de uma nova sociedade que criaria e seria criada por novas pessoas, uma sociedade tão transformada em seus fundamentos que deixaria pouco espaço para erros, corrupção e abusos criminosos do poder do Estado. Não haveria burocracia ou oportunistas interesseiros, nenhum conflito rude ou decisões dolorosas. Quando a realidade prova ser diferente e mais difícil, alguns na esquerda procedem em sua condenação do real e anunciam que “sentem-se traídos” por esta ou aquela revolução.

Os socialistas puros veem o socialismo como um ideal que foi manchado pela venalidade, duplicidade e sede de poder dos comunistas. Os socialistas puros opõem-se ao modelo soviético, mas oferecem poucas evidências para demonstrar que outros caminhos poderiam ter sido adotados, que outros modelos de socialismo – não o criado pela imaginação de alguém, mas desenvolvido sob a experiência histórica – poderia ter se firmado e funcionado melhor. Era possível um socialismo aberto, plural e democrático possível sob esta conjuntura histórica? A evidência histórica sugere que não. Como sustentou o filósofo político Carl Shames:

Como(os críticos de esquerda) sabem que o problema fundamental era a “natureza” dos partidos(revolucionários) governantes em vez de dizer que a concentração global do capital está destruindo todas as economias independentes e colocam um fim à soberania nacional em todo lugar? E nesse plano, de onde veio essa “natureza”? Essa “natureza” estava desconcertada, desconectada da própria sociedade em si, das relações sociais impactantes? (…) Centenas de exemplos nos quais a centralização do poder foi uma escolha necessária podem ser encontrados para proteger e assegurar as relações socialistas. Em minha observação(das sociedades comunistas existentes), o lado positivo do “socialismo” e a negação da “burocracia, autoritarismo e tirania” faziam parte de cada esfera da vida” (Carl Shames, correspondência a mim, 15/01/92)


Os socialistas puros regularmente acusam a própria esquerda da derrota que sofrem. Os seus achismos são infindáveis. Então ouvimos dizer que lutas revolucionárias falham por que seus líderes esperam demais para agir ou agem cedo demais, são tímidos demais ou impulsivos demais, muito teimosos ou facilmente influenciáveis. Ouvimos dizer que líderes revolucionários são comprometedores ou aventureiros, burocráticos ou oportunistas, rigidamente organizados ou insuficientemente organizados, não democráticos ou falham para oferecer forte liderança. Mas sempre os líderes falham por que eles não aceleram as “ações diretas” dos trabalhadores, que aparentemente iriam contornar e resolver cada adversidade se lhes fosse dado algum tipo de liderança disponível nos grupelhos dos críticos de esquerda. Infelizmente, os críticos parecem inaptos para aplicar seu próprio gênio de liderança para produzir um movimento revolucionário de sucesso em seu próprio país.

Tony Febbo questiona essa síndrome de “culpar a liderança” dos socialistas puros:

“Parece-me que quando pessoas tão inteligentes, diferentes, dedicadas e heroicas como Lenin, Mao, Fidel castro, Daniel Ortega, Ho Chi Minh e Robert Mugabe – e milhões de pessoas heroicas que os seguiram e com eles lutaram – tudo termina mais ou menos no mesmo lugar, então algo maior está funcionando do que quem toma as decisões ou em qual encontro. Ou mesmo do que o tamanho das casas para as quais eles vão após o encontro...



Esses líderes não estavam no vácuo. Eles estavam em um tornado. E tal sucção, a força, o poder que girava em torno deles deixou esse mundo mutilado por mais de 900 anos. E culpar esta ou aquela teoria, ou este ou aquele líder é um substituto simplista para o tipo de análise que os marxistas(deveriam fazer).” (Guardian, 13/11/91)


Para ser exato, os socialistas puros não são inteiramente diferentes sem agendas específicas para construir a revolução. Depois que os sandinistas derrubaram a ditadura de Somoza na Nicarágua, um grupo de ultra-esquerda no país clamava por uma propriedade das fábricas feita diretamente pelos trabalhadores. Os operários armados tomariam o controle da produção sem benefício de diretores, planejadores estatais, burocratas ou forças armadas formais. Enquanto inegavelmente atraente, esse sindicalismo operário nega as necessidades de um poder estatal. Sob tal organização, a revolução nicaraguense não teria durado sequer dois meses ante a contrarrevolução patrocinada pelos EUA que devastou o país. Ela estaria inapta para mobilizar recursos necessários para manter um exército, tomar medidas de segurança, ou construir e coordenar programas econômicos e serviços humanos em escala nacional.

Descentralização vs. Sobrevivência

Para uma revolução popular sobreviver, ela deve conquistar o poder de Estado e usá-lo para quebrar o domínio exercito pela classe dominante sobre as instituições e recursos da sociedade, e resistir ao contra-ataque reacionário que certamente virá. Os perigos internos e externos que uma revolução enfrenta necessitam de um poder centralizado que não satisfaz aos gostos de muitos, nem na Rússia Soviética de 1917, nem na Nicarágua sandinista de 1980.

Engels oferece uma avaliação pertinente de uma revolta na Espanha em 1872-73 na qual os anarquistas alcançaram o poder ao longo do país. Primeiramente, a situação prometia. O rei abdicou e o governo burguês mal contava com algumas centenas de tropas mal treinadas. Todavia, essa força triunfou por ter enfrentado uma rebelião paroquiada. “Cada cidade proclamou-se com um cantão soberano e estabeleceu um comitê revolucionário(junta)”, Engels escreve. “Cada cidade agiu por conta própria, declarando que o importante seria não a cooperação com outras cidades, mas a separação delas, assim precluindo qualquer possibilidade de um ataque combinado(contra as forças burguesas)”. Foi a fragmentação e isolamento das forças revolucionárias que possibilitaram as tropas do governo esmagar uma revolta após a outra”.

A autonomia paroquiada descentralizada é o cemitério da insurgência – o que pode ser a razão pela qual jamais houve uma rebelião anarco-sindicalista de sucesso. Idealmente, seria bom ter apenas uma participação local, autogestionada, dos trabalhadores, com a mínima burocracia, polícia e forças armadas. Esse seria provavelmente o desenvolvimento do socialismo, se fosse permitido a ele se desenvolver sem problemas com a contrarrevolução subversiva e ataques. Alguns talvez se lembrem como em 1918-20, quatorze países capitalistas, incluindo os Estados Unidos, invadiram a Rússia Soviética em uma sangrenta, mas afracassada tentativa de derrubar o governo revolucionário bolchevique. Os anos da invasão estrangeira e guerra civil contribuíram para reforçar a psicologia de cerco bolchevique em seu compromisso com a sincronia de unidade do partido e um aparato de segurança repressivo. Assim, em maio de 1921, o mesmo Lenin que encorajou a prática de democracia partidária interna e lutou contra Trotsky para garantir aos sindicatos maior autonomia, agora clamava pelo fim da Oposição Operária e outros grupos dentro do partido. “A hora chegou”, ele disse entusiasticamente no X Congresso do Partido, “de por um fim à oposição, de fazê-la cessar: nós temos oposição demais”. Disputas abertas e tendências conflitantes dentro e fora do partido, os comunistas concluíram, criaram uma aparência de divisão e fraqueza que convidava o ataque de formidáveis inimigos.

Um mês antes, em abril de 1921, Lenin clamara por mais representação operária no Comitê Central do partido. Em poucas palavras, ele não se tornara anti-operário, mas anti-oposição. Havia aqui uma revolução social – como qualquer outra – que não teve a permissão de desenvolver sua vida política e material sem óbices.

Durante os anos 20, os soviéticos enfrentaram a escolha de se mover numa direção centralizada com uma economia dirigida e coletivização agrária forçada e uma industrialização a toda velocidade sob um partido dirigente e autocrático, a estrada adotada por Stalin, ou mover-se numa direção liberalizada, permitindo mais diversidade política, mais autonomia para os sindicatos e outras organizações, mais debate aberto e críticas, maior autonomia entre as várias repúblicas soviéticas, um setor de pequenos negócios privados, desenvolvimento agrícola independente pelo campesinato, grande ênfase nos bens de consumo e menos esforços na acumulação de capital necessário para construir uma forte base militar-industrial.

O último tipo, acredito, teria produzido uma sociedade mais confortável, mais humana e com melhores serviços. O socialismo de cerco teria dado lugar ao caminho para o socialismo de consumo operário. O problema é que o país teria arriscado ser incapaz de resistir à ofensiva nazista. Em vez disso, a União Soviética embarcou numa rigorosa e forçada industrialização. Esta política tem sido frequentemente mencionada como um dos erros perpetrados por Stalin sobre seu povo. Consistia mais em construir, dentro de uma década, uma base industrial inteiramente nova no Leste, nos Urais, em meio às estepes agrestes, o maior complexo de aço da Europa, em antecipação à invasão do Ocidente. “O dinheiro foi gasto como água, homens congelaram, tiveram fome e sofreram, mas a construção se deu com o desrespeito por indivíduos e um heroísmo de massas sem paralelo na história”.

A profecia de Stalin de que a União Soviética tinha apenas dez anos para fazer o que os britânicos fizeram em um século provou-se correta. Quando os nazistas invadiram em 1941, a mesma base industrial, seguramente distanciada em milhas do fronte, produziram as armas da guerra que eventualmente mudaram o rumo da maré. O custo dessa sobrevivência incluiu 22 milhões de soviéticos que pereceram na guerra e incomensurável devastação e sofrimento, os efeitos distorceriam a sociedade soviética por décadas depois.

Tudo isso não quer dizer que tudo que Stalin fez foi uma necessidade histórica. As exigências da sobrevivência revolucionária não “tornam inevitáveis” a execução sem coração de centenas de velhos líderes bolcheviques, o culto da personalidade de um líder supremo que clamava cada ganho revolucionário como sua própria conquista, a supressão da vida política do partido através do terror, o eventual silenciamento do debate referente ao ritmo da industrialização e coletivização, a regulação ideológica de toda a vida intelectual e cultural, as deportações em massa de nacionalidades “suspeitas”.

Os efeitos transformadores do ataque contrarrevolucionário tem sido sentido em outros países. Uma oficial sandinista que eu conheci em Viena, em 1986, notou que os nicaraguenses não eram um “povo guerreiro”, mas eles tiveram que aprender a lutar por que estavam face a uma guerra destrutiva, mercenária, patrocinada pelos EUA. Ela enfatizou o fato de que a guerra e o embargo forçaram seu país a protelar sua agenda socioeconômica. Tal como com a Nicarágua, tal como Moçambique, Angola e numerosos outros países nos quais forças mercenárias dos EUA destruíram fazendas, vilas, centros de saúde e estações de energia, ao passo que matavam ou traziam a fome para centenas de milhões – o bebê revolucionário foi estrangulado em seu berço ou impiedosamente sangrado antes de seu reconhecimento. Essa realidade deve ganhar tanto reconhecimento quanto a supressão de dissidentes nesta ou naquela sociedade revolucionária.

A derrubada dos governos comunistas soviético e do Leste Europeu foi aplaudida por muitos intelectuais de esquerda. Agora a democracia teria seu dia. O povo estaria livre do julgo do comunismo e a esquerda dos EUA estaria livre do albatroz de tal comunismo existente, como Richard Lichtman colocou, “liberada do íncubo da União Soviética e da súcubo da China comunista”.

Na verdade, a restauração capitalista na Europa Oriental enfraqueceu seriamente as numerosas lutas de libertação do Terceiro Mundo que recebiam ajuda da União Soviética e trouxe uma nova onda de governos de direita, os que agora funcionam lado a lado com as contrarrevoluções globais dos EUA ao longo do globo.

Em adição, a derrubada do comunismo deu luz verde para os impulsos exploratórios descontrolados dos interesses corporativos ocidentais. Não há mais a necessidade de convencer aos trabalhadores que eles vivem melhor que seus colegas na Rússia, não estão num sistema concorrente, a classe corporativa está retirando as principais conquistas que o povo trabalhador conseguiu ao longo dos anos. “Capitalismo com face humana” está sendo substituído por “capitalismo na sua face”. Como Richar Levisn coloca, “então na nova agressividade exuberante do capitalismo mundial nós vemos do que haviam se distanciado os comunistas e seus aliados” (Monthly review, 9/96).

Tendo jamais entendido o papel dos poderes comunistas existentes desempenhado no temperamento dos piores impulsos do capitalismo ocidental, e tendo percebido o comunismo como nada além de um mal não mitigado, os anticomunistas de esquerda não fizeram nada para antecipar as perdas que estavam por vir. Alguns deles ainda não entendem isso.






*Michael Parenti é um cientista político, jornalista, escritor, historiador, crítico de cultura internacionalmente conhecido e vencedor de diversas premiações, escrevendo acerca de assuntos acadêmicos e populares por mais de quarenta anos. Lecionou em diversas universidades e faculdades e tem sido um convidado para diversas audiências e leituras em campi. O professor doutor Michael Parenti também foi ativista em diversas lutas políticas, especialmente movimentos contra a guerra. Tendo escrito mais de vinte livros, alguns publicados em língua portuguesa, seus temas favoritos são a política americana, assuntos internacionais, notícias e entretenimento, ideologia, historiografia, culturas nacionais e religião.


Dentre seus vários trabalhos em língua inglesa, dois são bastante conhecidos em língua portuguesa, "O assassinato de Júlio César" e "A cruzada anticomunista". O autor de A Página Vermelha teve a oportunidade de trocar ideias com o autor americano através de correspondências, mostrando-se como um intelectual aberto e receptivo.

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PM espanca professores, quebra tonfa, e ainda faz piada no Facebook.





sexta-feira, outubro 04, 2013

HISTÓRIA: O homem que tentou provocar uma guerra entre a França e a URSS

Por Cristiano Alves


Pavel Gorgulov fora um médico do Exército Branco, durante os anos da Guerra Civil Russa. O militar russo, após a derrota da Guarda Branca, fugiu para a Tchecoeslováquia, de onde foi expulso por praticar o abortamento, mesmo se dizendo religioso cristão branco(contrarrevolucionário).

Foi na França que Gorgulov escreveria seu nome na história, negativamente! Lá, após ter seu pedido negado para ir morar em Mônaco, por suas práticas abortistas, o contrarrevolucionário russo cometeu um famoso crime, ter assassinado o presidente da França, Paul Dourmer. Ele aproximou-se de forma furtiva do presidente francês, que visitava uma exposição na França, e disparou contra o chefe de Estado três tiros com uma pistola FN 1910, um deles atingindo sua nuca, vindo o presidente Dourmer a óbito.

Segundo Gorgulov confessou num tribunal francês, seu objetivo era "se vingar pelo pouco apoio aos brancos dado pela França" e "provocar uma guerra entre a União Soviética e a França". Após sua prisão, Gorgulov perdeu a cabeça na guilhotina.

A ação de Gorgulov foi uma das diversas ações tomadas por guardas brancos e provocadores estrangeiros que visavam lançar a URSS numa guerra contra os países capitalistas. Diversos diplomatas e representantes comerciais soviéticos foram vítimas de atentado nos países ocidentais, bem como personalidades estrangeiras que visavam o diálogo com os soviéticos.


Fontes:

Academia de ciências da URSS. História da URSS: Período do socialismo 1917-1957. Tradução João Alves dos Santos. Editorial Grijalbo. São Paulo - 1960
WIKIPEDIA. Artigo sobre Paul Gorguloff. Disponível em http://en.wikipedia.org/wiki/Paul_Gorguloff

POESIA

Por Jeronimo Colares






herói não se faz em filmes
não se fazem por manchetes
sequer por enquetes

heróis são eleitos por vontade do povo
resultado da tenacidade e perseverança
da ciência e da disciplina

herói é aquele que em tempos ásperos
suaviza a vida

que ousa lutar contra a opressão
imposição

estes, não morrem jamais

MUNDO: A despedida do "Vôzão" dos comunistas, Vo Nguyen Giap


Por Cristiano Alves


O "Vôzão" dos amantes da liberdade
Entrou hoje para a eternidade o homem que derrotou o imperialismo japonês, francês e americano, o Comandante Supremo das Forças Vietnamitas, Vo Nguyen Giap, aos 102 anos. Vo tornou-se famoso em todo o mundo por ter destruído o mito da "superioridade ocidental", inspirando lutas de libertação nacional e colonial em países do terceiro mundo. Um herói no Vietnã e um exemplo de resistente e de estrategista militar na história mundial, seu nome está gravado ao lado de estrategistas notáveis como Sun Tzu e de revolucionários como Chapayev, Fidel Castro e Mao Tsé Tung.

Vo Nguyen Giap(seu nome Vo significa força, e giap significa armadura) nasceu de uma família de camponeses trabalhadores na Indochina, território francês que envolvia partes da China, Vietnã, Camboja e Laos. Vo trabalhou desde muito cedo, aos 14 anos era mensageiro da Companhia de Energia Haiphong, onde conheceu trabalhadores revolucionários. Era fluente em francês e ingressou na Universidade Nacional, de Hanói, de onde foi expulso por "atividades subversivas". Foi em meio aos universitários que ele conheceu o notável revolucionário vietnamita Ho Chi Mihn, que junto com ele defendia o fim do colonialismo francês. 

Foi no início dos anos 30 que Vo ingressou no Partido Comunista da Indochina e graduou-se em Direito, passando a lecionar história em escolas locais e escrever para jornais. No partido ele conheceu Dang Thi Quang, comunista tailandesa com quem se casou. Junto com sua esposa ele fora preso em várias oportunidades, mas esta veio a falecer na prisão em virtude de torturas sofridas. Vo, ao contrário, sobreviveu.

Vo Nguyen Giap e Ho Chi Minh

Com a perseguição aos comunistas da Indochina, intensificada com a proibição do Partido Comunista, Vo, Ho Chi Minh e outros comunistas fugiram para a China, onde aprenderam táticas de guerrilha, supervisionadas por especialistas soviéticos, num ato de solidariedade internacional e assistência revolucionária mútua. Entre 1940, seus conhecimentos militares, inspirados na estratégia militar de nomes como Sun Tzu e Napoleão Bonaparte, autores que estudou, seriam colocados à prova na guerrilha contra o imperialismo japonês, que invadiu e capturou grande parte da Ásia, incluindo o sudeste asiático, no qual estava inserida a Indochina. A luta se prolongaria até 1945, com a derrota e expulsão dos imperialistas japoneses. Estes últimos, sabendo que teriam seu imperialismo substituído por outro(no caso o francês) resolveram dar certas liberdades aos vietnamitas em seus últimos anos, a fim de causar desgastar politicamente os novos ocupantes franceses.

Com a saída dos japoneses, os comunistas vietnamitas formaram a República Democrática do Vietnã, iniciando uma guerra de expulsão contra os colonialistas franceses e destruindo seus postos ao norte do país, formando assim uma fronteira comum com a China, o que possibilitaria ao Vietnã receber a ajuda militar da União Soviética, então liderada por Iósif Stalin. Essa atitude dos vietnamitas também acabou por envolver a China no conflito, em reação à decisão francesa de usar tropas colonialistas de países como o Marrocos, Argélia, Tunísia, Camboja, Laos e mesmo tropas formadas por minorias vietnamitas.

A guerra de libertação nacional do Vietnã do Norte durou 7 anos, a mais decisiva batalha foi a de Dien Bien Phu, onde os franceses concentraram artilharia pesada e empregaram paraquedistas, esperando que os guerrilheiros comunistas entrassem em confronto aberto e fossem assim dizimados. Em vez disso, Vo Giap empregou uma técnica de cerco contra os franceses que mobilizou 250 mil pessoas. Camponeses traziam peças de artilharia em carroças, bicicletas e de outros meios que dificultavam sua detecção pelos franceses. A estratégia francesa, do general Henri Navarre, garantiria aos franceses uma vantagem se os vietnamitas os combatessem abertamente. Vo Giap determinou então o emprego de ataques diversionários contra tropas francesas, enquanto outra parte das tropas reunia peças de artilharia em colinas, protegidas da aviação francesa, uma vez que contavam com a artilharia antiaérea fornecida pela União Soviética. A tática de Vo foi um sucesso, impondo às tropas francesas uma pesada derrota.

Vo Nguyen Giap, o ministro Celso Amorim, a presidenta Dilma Rousseff e o ex-presidente Lula da Silva

Enquanto a esquerda francesa protestava contra a guerra, especialmente os comunistas e intelectuais como Paul Sartre, as derrotas francesas mobilizaram todos os setores da sociedade francesa contra a guerra, num país que tentava se erguer da destruição sofrida pela Segunda Guerra Mundial. A França chegou a gastar duas vezes o que recebeu do Plano Marshall para combater os vietnamitas. Sua guerra era chamada de "la salle guerre"(a guerra suja) e milhões de franceses não viam uma justificativa moral para estar no Vietnã.

A campanha colonialista francesa, nos últimos anos da guerra, deixou de ser uma "aventura militar" para se transformar em humilhação, a ponto do General Navarre ter apelado ao pedir ajuda ao imperialismo americano e britânico. De acordo com algumas fontes, os Estados Unidos chegaram a sugerir o uso de armas nucleares contra os vietnamitas ou o emprego de raides de bombardeiros. Em março de 1954, após a aniquilação da superioridade artilheira francesa, o coronel Piroth, comandante de artilharia, culpou a si mesmo e tamanha foi sua vergonha, que este suicidou-se, explodindo uma granada de mão. O general De Castries, comandante das tropas francesas em Dien Bien Phu, foi capturado vivo em sua casamata. Após tamanhas humilhações e derrotas militares, os franceses não tiveram outra alternativa, senão assinar a sua rendição. Na ocasião, Vo alcançara algo muito maior do que uma simples "vitória militar", algo maior do que a "destruição de tropas francesas", ele destruíra o mito da "invencibilidade do ocidente", tornando-se uma referência para lutas anticoloniais no Terceiro Mundo.

Uma outra campanha viria a marcar a vida de Vo Nguyen Giap, desta vez contra a maior força imperialista posterior à Segunda Guerra, o imperialismo americano. Após a tentativa do Vietnã do Norte de unificar o país com Vietnã do Sul, os americanos resolveram intervir no conflito, enviando um grande número de porta-aviões, aviões bombardeiros, caças-bombardeiros e um grande contingente do USMC, isto é, o Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos, sua tropa de elite e principal força de invasão. O país imperialista não exitou em semear no Vietnã o caos e a destruição, empregando armas químicas proibidas por tratados internacionais como o Napalm, fósforo branco e agente laranja, destruindo cidades inteiras no Vietnã e contaminando civis com agentes químicos que até hoje estão presentes no organismo de milhares de vietnamitas. Milhões de mulheres e crianças sofreram com a guerra do Vietnã, e não apenas neste país, o Laos e o Camboja também foram alvo de milhares de toneladas de bombas da USAF(Força Aérea Americana). Segundo estimativas de uma revista anticomunista financiada pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos(Problems of Communism Jan-Feb 1979, p. 40 col. 2 & note 35), estima-se em 600 mil a mais de 1 milhão de mortos no Camboja durante a Guerra do Vietnã. Neste último país, estima-se em 2 a 5 milhões de mortos o número de pessoas(incluindo civis e militares) durante a guerra. O Viet Cong, norte-vietnamita, combateram durante a guerra não apenas sul-vietnamitas e americanos, mas também tropas da Tailândia, que contribuiu para o esforço americano com mais de 1500 soldados; Austrália, que teve 500 mortos e mais de 1300 feridos; Nova Zelândia, que teve 37 mortos e 187 feridos; e Coréia do Sul, que deve mais de 5.000 mortos e 10.000 feridos. O esforço militar vietnamita reuniu mais de 1 milhão de homens do Vietnã do Norte, cerca de 10 mil chineses e dúzias de soviéticos, a maioria pilotos de caça da força aérea vietnamita, que contava com os modernos caças MiG-21.

O general Giap, apelidado "Irmão Van", exerceu um importante papel durante a guerra contra os americanos, embora tenha gasto parte dela em tratamento médico na Hungria. A vitória, conforme se sabe, foi do povo vietnamita, mas a um preço muito alto, uma vez que o país foi arrasado por bombardeios americanos e suas perdas materiais e inclusive ecológicas foi muito alta. Em virtude da destruição de mais de 50 mil invasores imperialistas, a opinião pública americana exigiu a retirada das tropas do país genocida.



Vo Nguyen Giap, nos anos posteriores à guerra, veio a ocupar o cargo de Ministro da Defesa e do Birô Político do governo vietnamita, opondo-se a algumas políticas econômicas implantadas durante os anos 80. Conheceu os presidentes do Brasil Lula e Dilma Rousseff, e entrou para a eternidade no dia 4 de outubro de 2013, o mesmo dia em que esse artigo foi escrito. Um nome inesquecível para a história dos povos, especialmente aqueles que lutam por sua libertação, contra o imperialismo. Um herói surgido não da purpurina de efeitos cinematográficos, mas do seio de um povo.

Vo Nguyen Giap (1911-2013)