sábado, julho 06, 2013

BRASIL: Olavo de Carvalho, um filósofo para racistas e idiotas


Tornou-se comum nos últimos anos que jovens católicos e anticomunistas tenham abraçado as ideias de um pseudojornalista que se autointitula "filósofo" - Olavo de Carvalho. Com ideias análogas as do terrorista conservador norueguês Anders Breivik, Olavo de Carvalho, que carece de formação em filosofia, tem utilizado o site de vídeos Youtube e redes sociais para disseminar mensagens de ódio numa linha já condenada até mesmo por pensadores de direita como Rodrigo Constantino. O charlatão considera falsa a Teoria da Relatividade, de Einstein, defende a cientificidade da "dança do sol", chama vítimas de massacres de "boiolas e maricas" e defende a pena de morte para comunistas, o que faz dele uma leitura obrigatória todos os círculos neonazistas tupiniquins. Em seu pensamento, cheio de lugares comuns, os EUA são "o melhor lugar do mundo para um negro viver" por que numa missa viu um "padre negão".


O texto abaixo foi originalmente publicado por Bertone Sousa, historiador e professor do curso de história da UFT
http://bertonesousa.wordpress.com/2012/10/28/olavo-de-carvalho-um-filosofo-para-racistas-e-idiotas/


"Qual é o melhor lugar do mundo para um negro viver? São os Estados Unidos... Na igreja onde fui, tava lá um padre negão" Olavo de Carvalho
Olavo de Carvalho é um católico conservador que, incapaz de conviver com ideias diferentes na academia brasileira, resolveu estudar filosofia sozinho. Essa sua incapacidade, no entanto, é algo que marca toda a sua trajetória de vida, se traduzindo em uma profunda intolerância a qualquer pensamento divergente do seu. No site Mídia sem Máscara, do qual Olavo é dono, vários colunistas expõem todo tipo de pensamento preconceituoso, tacanho e reducionista travestidos de “jornalismo”.

Como católico conservador, Olavo possui um profundo medo de ir para o inferno após a morte. Embora isso seja risível, é o que ele demonstra em vários vídeos seus espalhados pelo Youtube, como este. E para tentar garantir sua ida ao céu, ele atribuiu a si mesmo uma missão: dedicar a vida a combater o comunismo e o marxismo em todas as suas formas de manifestação.  E nada escapa à sua obsessão anti-comunista: positivismo, ciência, secularismo, ateísmo – nada que não seja escolástico e profundamente reacionário. 

Não importa que a Guerra Fria tenha terminado e o comunismo internacional tenha arrefecido juntamente com ela; ele não se deu por satisfeito e continua sua cruzada incansável contra todo esquerdismo, como ele caracteriza as entidades globalistas que, segundo ele, pretendem solapar os valores da família cristã e impor em seu lugar a agenda dos movimentos homossexual, feminista e ambientalista. Há anos ele tem sido um dos defensores de golpes militares pró-Estados Unidos na América Latina.

Nos últimos quatro anos, Olavo não cessou de falar sobre a falsidade da certidão de nascimento de Barack Obama, advertindo que ele é comunista e membro da fraternidade islâmica, tendo sido eleito presidente para minar o poder dos Estados Unidos no mundo, o que pode ser visto através do enfraquecimento das forças armadas americanas e pelo favorecimento dos grupos ligados à fraternidade islâmica nos países onde ocorreu a “primavera árabe”. Ele costuma elogiar o patriotismo dos norte-americanos, a importância que dão às forças armadas e deplorar o fato de que isso não existe no Brasil. Às vezes se mostra entusiasta do regime que vigorou no Brasil durante o Segundo Reinado. Também deplora o fato de o regime militar brasileiro não ter aniquilado a esquerda, antes permitindo que se tornassem proprietários de editoras e meios de comunicação.

Acusando sempre a imprensa brasileira de ser aquiescente em relação a esses eventos, ele se coloca como um jornalista que fala “a verdade” dos fatos. Afirma que o Brasil vive um regime totalitário sob o governo do PT, nutre um profundo desprezo por Dilma, Lula, pela Teologia da Libertação e por todos os teóricos da esquerda, sejam brasileiros ou não. Ele mesmo não se envergonha de dizer que, quando Lula foi eleito, tentou alertar as autoridades americanas acerca da “ameaça” que representava sua subida ao poder. É muito curioso esse interesse que ele demonstra pelo nacionalismo americano e pela direita cristã que apoia o partido Republicano. Olavo fala de Lula como a própria encarnação do mal, e frequentemente se refere ao ex-presidente com espasmos viscerais de ódio. Denuncia que o PT pôs em prática a estratégia gramsciana de mudança da sociedade pelo controle permanente das instituições.

Ele atribui os problemas educacionais do Brasil unicamente à esquerda e omite o fato de que foi o regime militar que sucateou o ensino de humanidades no Brasil, excluindo dos currículos disciplinas como línguas clássicas e francês, além de filosofia e sociologia e reduzindo inclusive o ensino da língua portuguesa. Qualquer um que seja minimamente informado sabe que ele mente quando fala essas coisas. Tudo isso deixa bem claro que Olavo não quer um país onde a esquerda participe do jogo democrático. Embora queira passar a imagem de liberal, ele não o é. Prefere uma ditadura fascista ao estilo franquista, que esmague a oposição e imponha a ferro e fogo os valores do catolicismo tradicional e do pensamento conservador.

Olavo ministra, pela internet, um seminário de Filosofia, curso em que ele, sozinho, trabalha todos os aspectos da disciplina, além de lições sobre história, psicologia e o que mais lhe der na telha. Olavo pensa o mundo de forma monomaníaca: tudo o conduz para um discurso denuncista da esquerda. Ele afirma ter passado vários anos estudando o marxismo, período que ele considera como de “autoenvenenamento”. Não reconhece qualquer importância nos trabalhos de Marx e Engels ou de qualquer outro teórico da esquerda, associando sempre esses autores ao stalinismo e aos gulags. Apesar de afirmar que estuda o assunto há quatro décadas, ele repete há anos os mesmos chavões.

Embora nem tudo o que Olavo diga seja desprezível, e algumas de suas análises tenham certo teor de relevância, elas, no entanto, se perdem como gotículas no oceano de asneiras que ele profere. O problema não é o fato de ele ser de direita, mas de ter descambado para um pensamento intolerante, monomaníaco, mesquinho.  Alguém que leia Olavo de Carvalho verá o quanto ele está aquém de pensadores liberais (de verdade) que se destacaram no Brasil como Roque Spencer Maciel de Barros, por exemplo. Olavo é até mesmo indigno da grandeza dos autores de quem ele usurpa seu pretenso conservadorismo, como Ortega y Gasset, Ludwig Von Mises, Otto Maria Carpeaux, entre outros.

Já tentei buscar na internet informações sobre alunos e ex-alunos de Olavo de Carvalho. E com exceção de algumas frases bajulatórias em seu próprio site do Seminário de Filosofia, o resultado foi nada. Nenhum artigo, nenhum livro, ninguém que se dedique a qualquer área do pensamento filosófico e expresse isso em publicações. Olavo costuma dizer que nunca conheceu uma pessoa que tenha sido alfabetizada pelo método Paulo Freire. Da mesma forma, nunca conheci ou ouvi falar de um filósofo que tenha sido formado por ele. Esses alunos fantasmas vivem – como é de se esperar – silenciosamente paralisados à sombra de seu mestre, de quem são incapazes (ou têm medo) de discordar e mais incapazes ainda de produzir algo minimamente relevante.

Mas então, onde estão e quem são essas pessoas? O que elas produzem? Olhando os comentários aos vídeos semanais de Olavo no canal do Mídia sem Máscara no Youtube, podemos ter uma dimensão do perfil de seus seguidores. Muitos o chamam de “grande mestre”, e, seguindo seu exemplo, achincalham a esquerda sem um mínimo de reflexão teórica. Em um de seus programas recentes, um ouvinte ligou e afirmou de forma iracunda que “odeia a esquerda”. Olavo esboça um semblante de satisfação e lhe diz mansamente que não tem que odiar ninguém, que ele precisa ser profissional.

Mas que tipo de profissionalismo ele pode esperar de seu pupilo, se o que ele diz é a única coisa que aprendeu com o mestre: detestar irracionalmente toda forma de esquerdismo, mesmo que determinadas pessoas ou movimentos nada tenham de esquerdistas ou marxistas? E verbalizar esse ódio com xingamentos e esculhambações?

No ano passado, uma reportagem do portal Ig noticiou a atividade de alguns jovens universitários de direita, que, inspirados em Olavo de Carvalho, defendem valores tradicionais e afirmam estarem dispostos a usar a força física e a morrer por isso, estratégia semelhante ao do grupo racista skinheads, demonstra a reportagem. Embora Olavo posteriormente tenha negado qualquer ligação com esses grupos e criticado a reportagem, fica evidente que esse é o resultado mais óbvio de suas posturas políticas: o incentivo a atos e pensamentos de intolerância, facilmente assimiláveis por grupos de extrema direita.

A maioria de seus admiradores não são leitores de filosofia, são antes jovens carentes de um pai, de um líder, de um guia, de um führer. São pessoas incapazes de pensar por si mesmas e compartilham com seu mestre o desprezo pela academia. Apesar de todas as suas limitações e defeitos, a academia é o lugar onde ideias podem ser livremente debatidas. Essas pessoas, no entanto, não querem debates, elas querem a imposição do que pensam que pensam, sem saberem que na verdade não pensam nada. Como Olavo, seus seguidores veem esquerda e comunistas por toda parte, um inimigo a quem eles atribuem uma importância que não existe fora de suas mentes.

Ele ainda aconselha seus alunos a usarem textos anti-marxistas de seu site para enfrentarem professores nas universidades e já citou até exemplos de que isso deu certo. Ora, somente professores muito ingênuos e dogmáticos (e ainda há muitos desses por aí) podem cair nessa. Como se não bastasse, seus seguidores têm lançado diversos produtos com a marca “Olavettes”, contendo frases de seu mestre e com o dizer “Olavettes é nóis mermo”. Não são intelectuais, são tolos. São como crianças imitando adultos, com a diferença de que as crianças carregam a pureza da inocência, e eles a terrível marca da estupidez. Esse comportamento das “olavettes” é de causar vergonha alheia, a começar pelo nome que escolheram para designar a si próprios. Enquanto Olavo continua sua empreitada para tentar chegar ao céu, seus discursos têm atraído uma legião de seguidores, fascinados por seu estilo histriônico de falar, por seus xingamentos e por sua intolerância. Essas pessoas não se destacam por erudição ou produção intelectual, mas pela abjeção de suas ações.

Para que os leitores percebem o quanto Olavo realmente não pode ser levado a sério, vejam a “refutação” que ele faz à ciência moderna e à teoria da relatividade neste vídeo. Chega mesmo a ser patológica a obsessão deste homem para ridicularizar qualquer coisa que não se enquadre em sua estreitíssima visão de mundo formada pelo ideário fascista e por dogmas da escolástica medieval. Sem absolutamente nenhuma referência teórica, sem menção a nenhuma pesquisa, ele tem a desfaçatez de sugerir que a terra é imóvel! Tudo porque o modelo copernicano mostrou a falsidade da cosmologia ptolomaica adotada pela Igreja. Esqueceram de avisar a Olavo que a própria Igreja hoje não pensa mais dessa forma, mudou seus conceitos e já até se desculpou com Galileu através de João Paulo II. O Vaticano inclusive conta com um centro avançado de pesquisa científica, onde atuam pesquisadores de várias partes do mundo.

E como alguém pode refutar a relatividade sem ao menos compreendê-la como ele próprio admite no vídeo? No auge de sua ignorância cínica, Olavo diz que Einstein inventou a teoria da relatividade pra não ter que admitir que a terra é imóvel. É impressionante quantas pessoas dão crédito e se deixam enganar por um impostor que se finge de filósofo e intelectual e pronuncia tantas asneiras absurdas e risíveis. Não é à toa que  apenas skinheads e outros grupos racistas, além de incautos sugestionáveis admiram o tal “filósofo”. Os verdadeiros liberais e pessoas sensatas da direita se envergonham até mesmo de mencionar-lhe o nome, afinal Olavo não é referência para nada que se queira produzir cientificamente. Ele mescla seus sentimentos de revolta pessoal com a esquerda com fanatismo religioso e sua personalidade megalomaníaca de se achar “um grande intelectual” a quem ninguém se compara no Brasil. É de dar dó. Ele critica intelectuais como Leandro Konder chamando-os de militantes mas incrivelmente não consegue se enxergar como militante de extrema direita.

Se fôssemos elencar as asneiras ditas e escritas por ele, teríamos de fazer um blog voltado exclusivamente a isso. Apenas mais um exemplo: em seu site pessoal há um texto assinado por José Nivaldo Cordeiro, “Discutindo o capitalismo”. No texto, o autor, que não passa de uma sombra de Olavo de Carvalho, fala coisas tão infundadas sobre Weber e Marx que não é possível dizer que se trata de um texto sério. Ele diz que o cristianismo fundou o princípio da igualdade jurídica quando lançou a máxima do “amar ao próximo como a si mesmo”. A noção de igualdade do Cristianismo primitivo não era jurídica, mas espiritual, não é à toa que suas verdades permaneceram no nível da dogmática por muitos séculos, apenas tardiamente ganhando elaboração intelectual. A moderna noção de igualdade jurídica remonta aos pensadores deístas do Iluminismo e, com base em suas ideias, à subsequente separação entre Estado e religião. A Igreja Católica não poderia tê-la desenvolvido na Idade Média porque sua cosmovisão estava ancorada no tomismo e na Escolástica, que preconizavam a subordinação do Estado à Igreja como a ordem natural estava subordinada à sobrenatural. No Antigo Regime da era moderna, o Estado, em aliança com a Igreja, exercia o poder a partir do princípio do direito divino dos reis, uma das características a que posteriormente se opôs o pensamento liberal, de matriz protestante. O que ele fala sobre “amor ao próximo” sequer pode ser considerado um argumento porque não tem fundamento histórico. A noção de igualdade jurídica é um anacronismo se aplicado à Idade Média. A atuação dos Tribunais da Inquisição também o provam. Durante séculos, dezenas de milhares de pessoas foram torturadas e executadas por divergirem ou serem suspeitas de divergirem dos dogmas oficiais da Igreja. Os tribunais não tinham preocupações com provas, qualquer acusação do tipo “ouvi dizer que fulano…” já eram suficientes para levar alguém a se tornar réu. Uma vez nessa condição, não havia possibilidade de absolvição. Depois ele diz que “sem a mensagem salvadora de Cristo ainda estaríamos vivendo formas imperiais e/ou tribais de organização social”. Será que o senhor Nivaldo Cordeiro não sabe o que foi o feudalismo, o cesaropapismo, a servidão que subsistiu por mais de um milênio após a queda do Império Romano? Claro que sabe, mas omite isso.

Depois ele diz que Weber cometeu vários erros, como “associar a eclosão do capitalismo ao protestantismo” e que ele fez isso por ser protestante e ter uma visão depreciativa do catolicismo e diz que houve uma “explosão de produtividade agrícola na Idade Média pelo talento dos monges católicos”. Parece que o autor nunca leu nem Weber nem autores renomados como Jacques Le Goff, Henri Pirenni e outros. Só faltou ele dizer que a Revolução Industrial começou nos mosteiros medievais. Ora, Weber não associou a origem do capitalismo ao protestantismo mas mostrou a diferença entre o ascetismo católico (extramundano) e o protestante (intramundano), demonstrando como a mentalidade deste último foi essencial para o desenvolvimento do comércio e, posteriormente, da indústria.  E isso nada tinha a ver com o fato de ele ser protestante ou não gostar do catolicismo. No texto, “Rejeições Religiosas do mundo e suas direções”, Weber retoma o assunto acrescentando outros elementos importantes, que Nivaldo Cordeiro sequer se deu o trabalho de ler, assim como não leu o capítulo de “Sociologia da Religião” na obra “Economia e Sociedade”, também do Weber. Não é por acaso que as análises de Weber sobre o tema continuam não apenas atuais e insuperadas, como também não houve críticas capazes de mostrar qualquer falsidade nelas.

No parágrafo seguinte ele diz que a Igreja adquiriu uma “herança imperial maldita” de Roma. “Herança maldita?” O uso de tal juízo de valor, depreciativo e absolutamente desnecessário pra algo que pretendia ser uma discussão histórica, já é suficiente para despacharmos o texto para o lixo. Aqui ele prova sua falta de seriedade, de distanciamento do objeto, sua ignorância histórica. Ele está analisando a origem do capitalismo não com base numa pesquisa ou discussão teórica, mas com base em seus sentimentos pessoais de aversão ao protestantismo, em seu fanatismo religioso. Ele utiliza autores como Paul Johnson, mas numa apropriação ingênua. Ele quer mostrar que o protestantismo não foi importante para o capitalismo, associando isso à herança clássica apropriada pela Igreja. Trata-se de uma interpretação completamente falsa de Weber e da retomada da herança clássica no Renascimento. Não vou entrar em detalhes sobre Weber porque em minhas publicações já discuti isso. Além disso há uma farta bibliografia sobre o assunto disponível inclusive na internet que o leitor pode usar para se informar, como os artigos do falecido sociólogo da USP Antonio Flavio Pierucci, um dos principais divulgadores da obra de Weber no Brasil, que ainda ajudou a traduzir e organizou a publicação de  ”A Ética Protestante…” para o português para a editora Companhia das Letras. Vale ainda indicar a biografia intelectual de Weber de Reinhard Bendix, uma das melhores já produzidas. A estratégia de Olavo e seguidores é a seguinte: eles pegam alguns autores católicos ou de extrema direita, reafirmam o que eles dizem abrindo mão do diálogo com qualquer outro autor ou vertente, depois posam de grandes intelectuais e sabichões. Se a pessoa não for atenta cai na armadilha porque eles argumentam bem, usam a dialética erística pra enganar os incautos.  São pessoas inescrupulosas e que não têm comprometimento com a investigação científica, só com a militância e não se envergonham de fraudar os fatos para se colocarem como arautos da razão.

Uma vez, enquanto apresentava seu programa de rádio True Outspeak, um ouvinte telefonou e perguntou a Olavo o que ele achava da filosofia de Paul Ricoeur. Olavo respondeu diminuindo a importância da obra dele e dizendo que não tiraria três meses de sua vida pra ler Paul Ricoeur. Quem já teve contato com a obra de Ricoeur sabe que foi um dos mais importantes filósofos do século passado, principalmente por seus estudos sobre narrativa histórica e de ficção, hermenêutica e sobre a memória. É muito estranho Olavo ignorar sua obra e se recusar a estudá-la. Mas logo compreendi o porquê: Ricoeur não era um teórico da conspiração nem um militante anti-comunista e pra Olavo não interessam discussões fora desse campo. Ricoeur era um intelectual católico, mas não um extremista. Também me causa muita estranheza o fato de os seguidores de Olavo não perceberem sua desonestidade intelectual: ele se tornou obcecado pra combater o marxismo e faz isso a partir de posturas tacanhas como o fanatismo religioso, facilmente assimilável por jovens com pouca leitura de livros e de mundo.

Muitos outros exemplos poderiam ser citados, mas o que foi exposto já serve como amostra de quem se trata o homem que considera a si mesmo “o maior representante da alta cultura” no Brasil. Olavo de Carvalho não é filósofo, é um tagarela anticomunista, teórico da conspiração, ex-astrólogo revoltado por não ter encontrado espaço na universidade brasileira para suas logomaquias megalomaníacas e obsedado por sua intelectualidade imaginária. Um ogro da extrema direita brasileira.

terça-feira, junho 25, 2013

Ex-Integralista demonstra foi orquestrada a onda "antipartido" nas manifestações

Por Márcio Hiroshi (Publicado originalmente em https://www.facebook.com/marcio.hiroshi.31)


ESTOU DENUNCIANDO!
URGENTE - LEIAM TODOS - O BRASIL CORRE RISCO!
Meu nome é Márcio Hiroshi. Sou membro do Movimento Integralista há 5 anos.

Sempre acreditei no Integralismo como forma de mudar o país. Mas o que venho narrar aqui me fez refletir e romper com o Movimento.

Desde que as manifestações começaram temos nos reunido todos os domingos para traçar rumos de ação de nosso movimento. A ação é pautada em TUMULTUAR, EXPULSAR OS PARTIDOS DE ESQUERDA E ACABAR COM AS PASSEATAS PROMOVENDO A DESORDEM. Por que isso? Para acabar com as mobilizações dirigidas pela esquerda.

Neste último domingo, as posições definidas pelo grupo me fizeram sair e denunciar o que está havendo. Como prova da veracidade dos fatos estou divulgando fotos e nomes de meus comandantes
1 - Os integralistas estão desde os primeiros dias nas passeatas.
2 - A linha de atuação do grupo é TUDO PELO BRASIL, retirar as bandeiras dos partidos de esquerda e prevalecer a do Brasil.
3 - Nas manifestações gritar SEM PARTIDO e expulsar os partidos de esquerda.
4 - Há um núcleo político e um núcleo de ação.
5 - O núcleo político inicia a agitação e o núcleo de ação intervêm batendo nos militantes.
6 - Há o movimento fortemente organizado em São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, BH e outras cidades.
7 - O objetivo é acabar com as passeatas, sempre tumultuando.
8 - Nas reuniões somos ajudados por pessoas do serviço reservado da PM e por dirigentes do PSDB, DEM e outros deputados e vereadores (depois direi nomes e fotos). Estes partidos nos financiam.
9 - Em São Paulo os carecas de SP e Carecas do ABC são pagos para nos ajudar a bater e a gerar grande desordem. Eles são do núcleo de ação. De início eu participei ativamente do núcleo de agitação. Estava em São Paulo (onde moro) e todos íamos sempre para outras cidades, pois as datas não eram conflitantes.

O que me fez sair do grupo? As ações previstas agora estavam sendo muito violentas, onde teve gente que que quebraram o braço, machucaram bastante. Meu chefe de agitação é Marcelo Coradassi Eiras. Ele aparece nas fotos à direita, onde estamos em Anauê. Em breve irei revelar mais nomes e endereços de todos.

Estou publicando as fotos de nossa reunião ocorrida sábado e domingo em SP e Rio. No domingo, na parte da manhã fomos bater fotos no Viaduto do Chá. Nas fotos estão apenas o núcleo de agitação. O núcleo de ação está atrás de quem tira a foto, pois não queríamos que os carecas aparecessem.
Nas passeatas o núcleo de ação está sempre com a máscara do mascarado do filme V, o anonymous. Nosso grupo tem influência em diversas páginas do Facebook, incluindo esse, onde revelarei todas em breve.

Também falarei de nosso financiamento e de quem recebe dinheiro, pessoas, páginas do Facebook, etc.
Em breve mais informações, pois quero que todos divulguem ao máximo o que está ocorrendo. Neste momento sou jurado de morte e não sei o que fazer para me proteger. Tenho 43 anos e fiz a minha parte do que considerei errado.
Tudo pelo Brasil!


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Perfil do líder integralista: https://www.facebook.com/marcelo.eiras.180
Arquivos citados(sob risco de ser apagado): https://docs.google.com/file/d/0B7zim8GBEN4zWmdNZWxHOFpreUE/view?sle=true

sexta-feira, junho 21, 2013

BRASIL: Todo apoio às organizações de esquerda nas manifestações

ATENÇÃO

Recomendo aos manifestantes de partidos como o PCB, PSTU, PCdoB, PSOL, PCO e outras organizações vistas na manifestação que SE UNAM contra baderneiros e gangues de extrema-direita que tem atacado grupos de esquerda nos últimos dias.

Embora condene com veemência a ideologia e a prática do PSTU, é bom notar que vários grupos só não tem atacado outros partidos "por falta de rima". Eis aqui o comentário de um indivíduo de extrema-direita incitando à violência contra manifestantes de esquerda:

Alexandre Assemany: PESSOAL, aqui em Salvador ontem tomamos Bandeiras do PSTU, PSOL, PCdoB e cia, NÃO QUEREMOS ESTES PARTIDARISTAS COMUNISTAS EM NOSSAS MANIFESTAÇÃO, PARA QUEM NÃO ENTENDEU essa MOVIMENTAÇÃO É CONTRA A CORRUPÇÃO, GASTOS COM A COPA EXAGERADO, CONTRA A PEC37, PELO TRANSPORTE PÚBLICO E GRATUITO. Ou seja se vcs encontrarem pessoas com camisas do PSTU, PSOL, REDE, PCdoB, PCB, PCO e outros BAIXEM A PORRADA NELES, JUNTEM UM GRUPO, E QUEBREM ELES NO PAU, TOMEM E LASQUEM AS CAMISAS E BANDEIRAS.
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Partidos como PCdoB, PSOL e PSTU têm, em maior escala integrado várias lutas populares a favor do transporte público de qualidade. Enquanto muita gente sonha que "o Brasil acordou", ele já está acordado há muitos anos, só que quando esses partidos e o povo iam à rua protestar, eles preferiam dizer que se tratava de "malandros e baderneiros que não tem o que fazer", ou mesmo ainda diziam "se acha o transporte caro, compra um carro, anda a pé".

TODO APOIO A ORGANIZAÇÕES DE ESQUERDA QUE ESTÃO NA MANIFESTAÇÃO, RETIRAR-SE É FAZER O JOGO DA DIREITA, É FAZER O QUE O FASCISMO QUER! A HORA AGORA É DE UNIÃO, NÃO DEIXEM A EXTREMA-DIREITA RASGAR SUAS BANDEIRAS, NEM QUEBRÁ-LAS, A MENOS QUE SEJA PARA QUEBRÁ-LAS NA CABEÇA DE UM FASCISTA !!! NO PASARÁN!

BRASIL: Discurso de triunfo da ditadura fascista em 1964



"Vive a Nação dias gloriosos. Porque souberam unir-se todos os patriotas, independentemente de vinculações políticas, simpatias ou opinião sobre problemas isolados, para salvar o que é essencial: a democracia, a lei e a ordem.


Poderemos, desde hoje, encarar o futuro confiantemente, certos, enfim, de que todos os nossos problemas terão soluções, pois os negócios públicos não mais serão geridos com má-fé, demagogia e insensatez.

Este não foi um movimento partidário. Dele participaram todos os setores conscientes da vida política brasileira, pois a ninguém escapava o significado das manobras presidenciais.

A esses líderes civis devemos, igualmente, externar a gratidão de nosso povo. Mas, por isto que nacional, na mais ampla acepção da palavra, o movimento vitorioso não pertence a ninguém. É da Pátria, do Povo e do Regime. Não foi contra qualquer reivindicação popular, contra qualquer idéia que, enquadrada dentro dos princípios constitucionais, objetive o bem do povo e o progresso do País."


Lembra alguma coisa?

BRASIL: Manifestação agora atrai grupos autoritários neonazistas em São Paulo

NÃO ESTOU MAIS ORGULHOSO DE PORRA NENHUMA!
(por Lohan Fillipo)

"Chego de uma manifestação MERDA. Bonita pelo tamanho, bonita por ver as pessoas nas ruas, mas MERDA. MERDA primeiro porque nem sequer foi manifestação. Um monte de gente sem ideal, sem saber porque tá lá, ou gritando por coisas que não fazem sentido, ou pior ainda, coisas que fazem um sentido completamente cruel e diferente do que parecem.

E a maior merda foi simplesmente porque tinha FASCISTA PRA CARALHO. Uma quantidade cada vez maior de militares, reacionários, homofóbicos, racistas, nacionalistas, fascistas de forma geral. Agredindo militantes do PSTU, respaldados pelos gritos de "SEM PARTIDO" de todo mundo. Vocês têm noção do quão RETARDADOS E IMBECIS vocês estão sendo? Tem gente NO HOSPITAL porque foi ESPANCADO por levantar bandeira de partido SOCIALISTA. Seu retardado, VOCÊ TÁ DEFENDENDO QUE ACONTEÇA ISSO. QUE ESPÉCIE DE DEMOCRACIA VOCÊ QUER?

Esses militantes do PSTU, PSOL, PCO, PCB, tão nas ruas a MUITO mais tempo e em MUITO mais lutas do que você. Lutam por causas que você nem sequer imagina que existam, lutam em lugares que você não costuma sair de casa pra frequentar, lutam contra a repressão policial, lutam contra coisas que VOCÊ CRITICA, e lutam SEM VOCÊ DO LADO. Eles praticamente CRIARAM esses movimentos, inclusive os que VOCÊ está lá participando hoje, por influência sabe-se de quem. VOCÊ, fascista filho da puta, que fica gritando hino nacional e dizendo que odeia partido político, sabe quem eram os caras que mais odiavam isso? Os militares que comandavam essa porra desse país. Já ouviu falar de AI-2? Já ouviu falar do fim do pluripartidarismo? Você já ouviu falar que é político do PSOL e PSTU que vai lá tirar manifestante da cadeia quando são presos injustamente?

Enquanto você tá por aí lanchando no Starbucks, dizendo que nasceu no país errado e que tem vergonha do Brasil, tem gente TOMANDO NO CU pra lutar por uma porra de um Brasil melhor. E aí você do dia pra noite resolve se deixar levar pela onda de protestos (nada contra, inclusive), ir pra rua só por ir, e encharcar uma manifestação JUSTA, POPULAR E (sim, foda-se o que você acha) DE ESQUERDA com seu discurso REACIONÁRIO FASCISTA?? Enfia no olho do seu rabo!!

Tem gente com bandeira VOLTA DITADURA MILITAR e você tá xingando PSTU. Você xinga a Globo e agride militante do PSOL? Que espécie de MONGOL é você?

Quanto ao estado, e seu braço de chumbo, tudo na mesma medida desproporcional de sempre. Sinceramente, foi o que menos me irritou. A não ser pelo fato de estarem TORTURANDO manifestantes, INVADINDO ÁREA FEDERAL, mantendo gente PRESA dentro de faculdades (FEDERAIS), o que é CRIME. Além do já tradicional CAVEIRÃO. Sim, amigos, além de FUZIL, usam CAVEIRÃO.. em PROTESTO.

Mas, tá certo, continue gritando SEM VANDALISMO, SEM VIOLÊNCIA, vestindo sua camiseta branca e cara pintada (essa expressão te lembra alguma coisa?). Enquanto isso, além de tomar tiro na cara do estado, tem gente de cabeça raspada enrolado na bandeira do Brasil agredindo gente de movimento negro, gay, movimentos sociais populares. Presta atenção no que vocês tão defendendo. Presta atenção nesse discurso SEM PARTIDO.

O Brasil tá com cara de que se encaminha pra um golpe. Um golpe fascista. Que, não vão ter como negar depois, foi "apoiado pela massa".

Escrevi tanta coisa que nem sei mais o que falei. Foda-se. Acho que o recado foi dado. Quando a gente se enche de esperança..."

terça-feira, junho 18, 2013

BRASIL: Da necessidade de organização e o oportunismo da Direita: nota sobre o 5º ato contra o aumento das passagens

Por Coletivo Bandeira Vermelha


A Avenida Paulista hoje foi tomada. Tomada pela reação, ou ao menos a parte útil a ela, como os militantes do Coletivo puderam presenciar. Enquanto outros lugares da cidade como o Largo da Batata e Av. Morumbi em frente ao Palácio dos Bandeirantes eram tomados, na Paulista o que menos se ouvia eram as palavras de ordem do ato contra o aumento das passagens. O mesmo cenário dos protestos combativos das semanas anteriores não se repetia. Ao invés disto, toda a fauna esteve presente: desde os libertários, que acreditam que todos os problemas do mundo se ligam diretamente a uma ineficiência do Estado e falta de livre mercado segundo qualquer “economista” austríaco obscuro; dos jovens de classe média que se autoproclamam “apartidários” como se o próprio ato dessa confissão de fé não fosse reacionário e que estão contra a corrupção mas não contra o capitalismo já que não aprenderam a fazer essa elementar relação de efeito e causa; até mesmo um grupo de neonazistas, aquela degenerescência humana que insiste em se reproduzir. Todas essas figuras transformavam o ato contra o aumento da passagem em mera ocasião para desabafar as frustrações pessoais sobre um quadro político que pouco entendem mas que querem rejeitar.

Esse fenômeno visto nesta segunda-feira é fruto de uma nova tática da imprensa burguesa que, após ver sua primeira tentativa de demonizar o movimento com acusações de vandalismo que foi prontamente negada pelas informações que correram a internet, agora tenta abraçar a “causa”, cooptar o movimento que passa a ser caracterizado como algo que vai além dos R$ 0,20 e que os atos protestam contra tudo e todos da política (menos aqueles da eventual preferência dos veículos), além do que, também tentarão caracterizar o “bom manifestante” e o “mau manifestante”, o primeiro aquele que protesta pacificamente contra o monstro da corrupção e que vai mudar o País mas que não se rende a nenhum partido, e o segundo, justamente os que sempre estiveram presentes apoiando o movimento e agora são definidos por dogmáticos e violentos que tentam controlar tudo para atender seus interesses partidários e que por isso, qualquer manifestação desses devem ser rechaçadas pela massa.

O MPL e os partidos e movimentos de esquerda, que sempre estiveram presentes na discussão do transporte público da cidade e nas manifestações contra os aumentos das passagens, precisar agir rápido e dar uma resposta a esta tentativa da direita e da mídia burguesa de esvaziar os atos em meras confraternizações entre “indignados” que mal sabem explicar por que exatamente se indignaram. Deve-se buscar uma unidade de ação para o movimento, ainda que causem contradições inevitáveis. A estruturação horizontal e ausência de lideranças só funcionam em ensaios abstratos de casos poucos efetivos. Para dar respostas a situações concretas e urgentes, esse tipo de organização nunca pôde, não pode e nem poderá gerar resultados satisfatórios. Deve-se tomar a frente dos protestos; deixar claro a reivindicação da revogação do aumento da tarifa e denúncia do escandaloso monopólio dos transportes na cidade de São Paulo, que demanda milionários subsídios da Prefeitura mas que mantém ao mesmo tempo lucros não menos grandiosos e, desta forma, determinar o caráter anticapitalista do movimento. Ao assumir posição firme diante dos fatos o movimento dará um passo fundamental para sua consolidação, derrotará o oportunismo da direita e conquistará cada vez mais a massa de trabalhadores e trabalhadores para a sua causa.



domingo, junho 09, 2013

FOTO DA SEMANA: Máscara de gás improvisada usada por cidadão da Turquia


ENTREVISTA: Elucidando algumas diferenças e semelhanças entre Brasil e Rússia

Por Cristiano Alves

Num encontro inesperado e entusiástico com duas cidadãs da Federação Russa deu-se uma conversa informal, mas nem por isso sem teor de seriedade, entre o jornalista Cristiano Alves, autor de A Página Vermelha, e duas gêmeas russas missionárias de uma seita hinduísta. Com quase uma hora de duração, parte foi registrada e traz algumas razões que explicam o interesse de vários comunistas na Rússia e as lições que o país nórdico tem para ensinar aos trabalhadores e ao povo do Brasil. Confira a entrevista legendada no canal "A voz do comunismo":


BRASIL: Promotor defende no Facebook a execução sumária de manifestantes

A postagem teria sido capturada por um de seus seguidores e já foi veiculada em vários veículos de mídia alternativa:




Por V. Tavares

segunda-feira, maio 20, 2013

MUNDO: Europa oriental 15 anos depois e sua dura realidade


Introdução por Ortega 

Seguem alguns dados sobre a barbárie social que se abateu sobre os países do Leste Europeu depois da queda do socialismo. É interessante como existem incautos ignorantes o suficiente para acreditar que a pobreza que existe naqueles países hoje "se deve ao socialismo", numa lógica falaciosa de post hoc ergo propter hoc. Com o capitalismo não veio somente o desmantelamento e privatização de grandes empresas aliada ao desaparecimento da segurança social, veio também o caos. Tráfico de pessoas, abuso de drogas, corrupção, criminalidade, assassinato, desemprego, impunidade, etc. Eu diria nessa linha que "diversos autores e fontes" reconhecem o bem estar social existente nesses países nos tempos do socialismo, porém seria ridículo já que não existe polêmica quanto a isso (como esses dados estão aí para mostrar). A nostalgia do socialismo tem suas origens. Me impressiona que alguns "libertários", especialmente os mais novos, acreditem que isso realmente foi um "avanço" e que o mercado é capaz de resolver todos os problemas sociais; a eles cabe a honestidade de reconhecer a barbárie que se instaurou nesses países e defender aquilo que acreditam, dizer que "esse é o preço da liberdade", ao invés de forjar quimeras para se opor. Gastam a saliva para falar da "impossibilidade do cálculo econômico", "eppur si muove" - o socialismo certamente funcionava e funcionava melhor que o regime econômico atual, implicava num avanço sem precedentes nas forças produtivas, avanço abortado pelo capitalismo. É claro que para os nossos "macroeconomistas" e demais "especialistas" a robustez de uma economia não se mede por suas forças produtivas e sim por uma "estabilidade" que nada mais é que a estabilidade do capital financeiro. É bom lembrar também dos "esquerdistas", especialmente os morenistas da LIT-PSTU que comemoram esse acontecimento da queda do socialismo sob o pretexto de "permitir a reorganização dos trabalhadores". "Reorganização" dos trabalhadores desempregados que foram demitidos por multinacionais ou tiveram suas empresas fechadas, dos esfomeados? Os trabalhadores que tiveram suas organizações atacadas e foram duramente reprimidos por Yeltsin (que chegou a bombardear o Parlamento) quando tentaram recuperar o que perderam? Os fatos gritam por si só, e fato é que a queda do socialismo significou um retrocesso nas forças produtivas desses países (que demonstrarei em tabelas numa outra postagem), anomia, fim da seguridade social e um grande golpe aos trabalhadores e de toda sociedade no que concerne sua situação material. Até hoje não houve recuperação, mesmo com o abrandamento de efeitos que foram extremos nos anos '90 e 15 anos depois se faziam sentir. Por fim, como disse, cada um trás os seus valores e julga isto como preferir: para os trotskistas da LIT é provável que o melhor seja assim mesmo.


Europa Oriental: 15 anos depois, a dura realidade 
Por Marc Vandepitte


A instauração do capitalismo significou um retrocesso para todos os países da Europa Oriental, tanto no plano econômico quanto no social. Um relatório das Nações Unidas declara: "A mudança de uma economia planificada para uma economia de mercado foi acompanhada de grandes mudanças na divisão da riqueza nacional e no bem-estar social. As estatísticas mostram que são as mudanças mais rápidas jamais registradas. Isso é dramático e acarretou um custo humano elevado" (1).

Entre 1990 e 2002, o produto interno bruto (PIB, o conjunto de bens e serviços produzidos em um ano) por habitante dos países da Europa Oriental diminuiu em 10%, enquanto em países de nível comparável o aumento no mesmo período do PIB foi de 27% (2). Isso representa uma perda efetiva de quase 40%. Essa regressão vale para todos os países, salvo Polônia e Eslovênia.
Hoje, o PIB per capita dos antigos países comunistas da Europa Central e Oriental é 25% menor que o da América Latina (3). Para as repúblicas da ex-União Soviética a situação é mais dramática ainda. Nos anos 90 o PIB caiu em 33% (4). A Ucrânia teve, inclusive, uma diminuição de 48% (5) entre 1993 e 1996, e a Rússia teve de 47% (6).

As ações das empresas Estatais foram vendidas a preços ridiculamente baixos, uma grande parte do poderoso aparato econômico e industrial foi desmantelada. Em alguns anos, a grande potência industrial que era a Rússia se converteu em um país do Terceiro Mundo. O seu PIB (144 milhões de habitantes) é mais baixo que o dos Países Baixos (16 milhões de habitantes).
A União Soviética retrocedeu economicamente em uns 100 anos. No momento da revolução socialista, em 1917, o PIB per capita era de 10% em relação ao dos americanos. Em 1989, apesar do fato de a União Soviética ter deixado a Segunda Guerra esgotada e praticamente destruída, o PIB per capita alcançava 43% do índice dos americanos (7). Hoje, o PIB per capita russo é menor de 7% do índice dos cidadãos dos EUA.

A situação social 

Cerca de 150 milhões de habitantes da ex-União Soviética (isto é, o número de habitantes de França, Reino Unido, Países Baixos e Escandinávia reunido) desapareceram dentro da pobreza nos princípios dos anos 90. Hoje vivem com menos de 4 dólares por dia (8). O número de pobres que vivem com menos de um dólar por dia se multiplicou por vinte. Na Bulgária, Romênia, Rússia, Cazaquistão, Quirguistão, Turcomenistão, Uzbequistão e Moldova o número de pobres atinge de 50% a 90% da população (9).

Segundo um estudo recente da Unicef, um em cada três crianças dos antigos países do Leste Europeu vive hoje na miséria (10). Um milhão e meio de crianças vivem em orfanatos. Na Rússia, o número de crianças abandonadas foi duplicado, apesar da forte diminuição da taxa de nascimentos. Em Bucareste, capital da Romênia, centenas de crianças vivem nas ruas e mais de 100 mil abandonadas. E no antigo Bloco Oriental mais de 100 mil delas foram empurradas para a prostituição.
Os cuidados médicos e sociais com as crianças foram quase inteiramente desmantelados. Para muitas mulheres, a mudança para o capitalismo foi também uma verdadeira catástrofe: "Um numero crescente de mulheres é vítima da violência. Muitas mulheres que procuraram desesperadamente por trabalho e por uma vida melhor foram empurradas para a prostituição, organizadas por máfias" (11). A cada ano, aproximadamente, meio milhão de mulheres da região é literalmente exportado para os países da Europa Ocidental (12).

Antes da passagem para o capitalismo, a região vivia um bem-estar social garantido. Um relatório das Nações Unidas descreve: "Antes dos anos 90, as condições sociais nos países da Europa Central e Oriental e nos países da CEI (13) eram notavelmente boas. Havia uma grande segurança social como base. O emprego era garantido por toda a vida. Da mesma forma, se a renda monetária era baixa, era estável e segura. Muitos bens de consumo e serviços básicos eram subsidiados e o abastecimento era regular. Havia alimentação suficiente, roupas e moradias. O acesso à educação e à saúde era gratuito. A aposentadoria estava assegurada e as pessoas podiam desfrutar de outras formas de proteção social" (14).

O relatório continua: "Hoje, uma educação satisfatória, uma vida sã e uma alimentação suficiente não estão asseguradas. A taxa de mortalidade aumenta, novas epidemias potencialmente destruidoras ameaçam e tornam a vida (e a sobrevivência) num crescente e alarmante perigo" (15).

Uma conseqüência: certos países dramaticamente perdem população. Na Ucrânia, a população diminuiu em 1,2 milhões de pessoas desde o ano de 1991. Na Rússia, entre 1992 e 1997, em 5,7 milhões, apesar da chegada de 3,7 milhões de imigrantes de países vizinhos. O que quer dizer que a cada dia que passa há menos 3,5 mil russos no país.
As Nações Unidas estimam que, se a atual tendência não se inverter a população dos antigos países do Leste Europeu terá diminuído 20% em 2050 em relação aos dias de hoje. De 307 milhões de pessoas, passarão para 250 milhões (16).

Que pensa o povo? 

As pessoas oscilam entre a decepção, a resignação e a cólera. Alguns exemplos:

A Polônia foi a nação que se deu melhor com a transição. Neste país tão católico o comunismo jamais teve vida fácil. Entretanto, 44% dos poloneses de hoje julgam o período do Bloco Socialista como "positivo". Quarenta e quatro por cento dos poloneses estimam que o socialismo é uma boa doutrina, mas que foi "mal aplicada". Trinta e sete por cento fazem uma apreciação positiva do partido comunista, que esteve no poder de 1945 a 1989. Trinta e um por cento deles se dizem descontentes com o período findo com a queda do muro. Somente 41% acham que o capitalismo ainda é um sistema melhor (17).

Um pouco mais para o Oeste, no território da antiga Alemanha Democrática, 76% dos alemães consideram o socialismo "uma boa idéia, mas que foi mal aplicada" e só um em cada três deles está satisfeito com a forma como funciona a democracia (18).

De acordo com uma pesquisa feita em 1999, 64% dos romenos preferiam viver sob o comando do premiê Ceausescu (19).

Na Rússia, Lênin é ainda muito popular. Sessenta e sete por cento dos russos emitem opiniões positivas a seu respeito. Apenas 15% deles falam de Lênin utilizando termos negativos (20).

Há milhares de insatisfações e o potencial de revolução é grande. As feridas do passado estão ainda abertas e a confusão ideológica ainda é grande, mas não se afasta a idéia de que, em um futuro próximo, se regresse ao socialismo, mas desta vez, "bem aplicado".

Os males típicos do Terceiro Mundo 

Desde a instauração do capitalismo, a Europa Oriental parece cada vez mais formada por países do Terceiro Mundo.

A décima parte dos habitantes dos antigos países do Bloco Socialista está desnutrida. Na Rússia, uma criança em cada sete sofre de desnutrição crônica.

Pela primeira vez em 50 anos, o analfabetismo reapareceu.

A tuberculose está novamente tão disseminada como no Terceiro Mundo.

O número de casos de sífilis na Rússia, em 1998, era quarenta vezes maior que o de 1990.

A esperança de vida dos russos de sexo masculino passou de 63,8 para 57,7 anos, entre 1992 e 1994. Na Ucrânia diminuiu de 65,7 para 62,3 anos.

Desde 1992, o número de alcoólatras duplicou na Rússia.

Para cada 100 casos de gravidez, há 60 abortos na Rússia. A conseqüência é brutal: 6 milhões de mulheres são estéreis.

O número de suicídios na Polônia aumentou em 25%. Em alguns países da ex-URSS dobrou.

O número de crimes, na Bulgária, é quatro vezes maior que em 1989. Na Hungria e na República Tcheca triplicou. Na Polônia, aumentou em 60% o número de assassinados. Noutros países, em até 250%.

As Nações Unidas estimam que o número de mortos nos antigos países socialistas, atribuídos às novas enfermidades (facilmente curáveis) e à violência (guerra) é de 2 milhões nos primeiros 5 anos da passagem para o capitalismo.


Notas

1. PNUD, Informe sobre a evolução da humanidade, 1999, pp. 39 e 79.

2. PNUD, Informe sobre a evolução da humanidade, 2004, p. 187.

3. Ibidem.

4. Comissão econômica das Nações Unidas para Europa, ver www.unece.org/stats/trends/ch5/5.2.xls.

5. Financial Times, 12 de outubro de 2004.

6. Le Monde Diplomatique, julho de 1998.

7. Harpal Brar, Imperialismo. Decadente, Parasita, Moribundo Capitalismo, Londres 1997, p. 210.

8. James Gustave Speth, The Plight of the Poor, Foreign Affairs, maio-junho 1999; PNUD, Informe sobre a evolução da humanidade, 1997, p. 35.

9. PNUD, Informe sobre a evolução da humanidade, 2000, p. 172; Unicef, Poverty, Children and Policy, Report n. 3, Nova Iorque, 1995; PNUD, Informe sobre a evolução da humanidade, 2004, pp. 150-151; Michael Chossudovsky, Global Poverty in the late 20th Century, p. 296.

10. Unicef, Eastern Europe & Central Asia: Millions of Children bypassed by Economic Progress, Moscou 2004.

11. PNUD, Informe sobre a evolução da humanidade para Europa central e oriental & a CEI, 1999, pp. 7-8.

12. PNUD, Informe sobre a evolução da humanidade, 1999, p. 89.

13. CEI, Confederação de Estados Independentes, uma organização desaparecida das antigas repúblicas soviéticas.

14. PNUD, Informe sobre a evolução da humanidade para a Europa Central e Oriental e a CEI, 1999, p. 2.

15. Ibidem, p. 10.

16. The New York Times, 4 de maio de 2000; Le Monde Diplomatique, março 1999; Le Monde Diplomatique, julho 1998.

17. Le Monde Diplomatique, janeiro de 2001; La Libre Belgique, 2 de agosto de 2002.

18. The Guardian, 9 setembro de 2004.

19. NRC Handelsblad, 14 de dezembro de 1999.

20. NRC Handelsblad, 18 de abril de 2001.


Marc Vandepitte* é escritor. Escreveu livros em holandês sobre Cuba, Iraque e a antiglobalização

domingo, maio 19, 2013

BRASIL: Boatos sobre o Bolsa Família levam milhares de pessoas à Caixa Econômica Federal


Por V. Tavares


No dia 19 de maio de 2013 milhares de famílias foram às agências da Caixa Econômica Federal movidas por boatos segundo o qual "seria hoje pago um valor extra" e "o programa Bolsa Família iria acabar". O boato não apenas levou milhares de pessoas às agências da Caixa, como também foi responsável por tumultos por parte de indivíduos que nada conseguiram sacar. O fenômeno foi verificado em Teresina e várias outras partes do Brasil.

Artifícios semelhantes foram usados no golpe de 1964, que derrubou o então presidente Jânio Quadros. A página do jornal G1 sobre o boato também foi estranhamente "hackeada", levando a um endereço estranho ao do site da Globo durante alguns instantes.


Confira mais em: http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2013/05/beneficiarios-do-bolsa-familia-fazem-fila-em-agencias-da-caixa-no-rio.html



BRASIL: Extrema-direita pode estar preparando um golpe de Estado no Brasil

Por Vladimir Tavares


Nos últimos dias a extrema-direita brasileira tem preparado uma série de manobras para preparar a população contra o governo do PT. Notícias sobre suposto "golpe comunistas", alarmadas por músicos decadentes como Lobão, tem sido espalhadas nas redes sociais e integrado a fantasia do onanismo ideológico de extrema-direita. 

No dia 19 de maio, entretanto, um outro método foi além do Facebook, a divulgação de um boato segundo o qual "o governo federal irá extinguir o Bolsa Família", levando milhares de pessoas às agências da Caixa Econômica Federal, a fim de aumentar a insatisfação popular e reduzir a aprovação do governo atual por parte da população.

A manobra é uma espécie de "incêndio do Reichstag" à brasileira, organizada pela direita, por partidos como o PSDB, uma medida desesperada para recuperar seu prestígio político cada vez mais em queda.

quarta-feira, maio 08, 2013

9 DE MAIO: Como é retratada a história da Segunda Guerra Mundial nos EUA


É sabido que os americanos costumam reescrever a história conforme seus próprios interesses, da maneira que lhe pareça mais confortável, essa prática fica ainda mais evidente quando se trata da própria história da IIGM, onde mais de 27 milhões de soviéticos foram mortos pelas hordas fascistas, civis e militares, crianças, mulheres e homens, muitos deles aldeões indefesos incinerados vivos em igrejas em massacres como o de Hatin, em Belarus, ou mesmo heroicos combatentes como os da batalha de Stalingrado, a maior da história. Ocorre que, embora Stalingrado, Kursk ou Brest não fiquem em Nova Iorque, nos EUA existe a versão de que foi o país americano o grande "vencedor da guerra", o grande "libertador". Esse processo de falsificação e exclusão do papel soviético, facilmente refutável até mesmo por fontes americanas da época da guerra, é apresentado aqui pelo candidato de ciências tecnológicas armeno Tigran Halatyan, que hoje vive nos Estados Unidos.


Por Tigran Halatyan
Tradução de Cristiano Alves






Eu moro na América e quero compartilhar com você a forma como é apresentada a Segunda Guerra Mundial nos EUA. Primeiramente, o que me impressionou, é o fato de que a maioria dos americanos acreditam que eles foram o fator básico que decidiu a destruição da Alemanha fascista, e no tocante à União Soviética tem eles uma visão anuviada. Muitos até mesmo pensam que União Soviética lutou ao lado de Hitler...

Mas abandonemos pontos de vista e passemos aos fatos. Como falsificar a história sem recorrer a mentiras deslavadas? Basta contar uma parte da verdade, e assim teremos uma mentira sem máscara.

É assim que se escreve a história no Ocidente. Problemas ideológicos são resolvidos por meio de distorção e ocultação..

Tomemos o livro de história da 7ª série pelo qual estudou a minha filhinha, "Prentice Hall. History of Our World 2007"(Prentice Hall. História do nosso mundo, 2007). Na página 623 (seção 4, capítulo 21), a guerra que se passa em 1943-45 na Europa tem a ela apenas um parágrafo dedicado. Aqui ao todo:

"A vitória na Europa. Através das campanhas na África do Norte e na Itália, os Aliados abriram a frente ocidental contra os enfraquecidos alemães. Em 6 de junho de 1944, navios aliados com 156.000 soldados embarcados assaltaram a Normandia, na costa setentrional da França. Conhecido como Dia D, o assalto à Normandia iniciou a marcha dos aliados em direção ao leste. Em seis meses os exércitos aliados alcançaram a Alemanha. Após a última tentativa de atingir sucesso em dezembro de 1944, conhecida como "Batalha nas Ardenas", o Exército Alemão foi destruído. Os aliados alcançaram a vitória na Europa em 8 de maio de 1945.

E foi assim que acabou a guerra na Europa. É justo dizer que a Batalha de Moscou e de Stalingardo foi lembrada no capítulo acima. Mas como os americanos chegaram à Europa, os autores rapidamente esqueceram-se dos russos. Não há "ataques poderosos do Exército vermelho em 1944-1945, não há o assalto a Berlim. Há apenas alemães enfraquecidos, enfraquecidos pela aviação estratégica dos aliados!

Agora vejamos a biblioteca local. Na estante há muitos livros sobre a Segunda Guerra Mundial. Em suma falam sobre as batalhas com participação americana ou sobre o Holocausto. Muitos livros dedicam-se aos ataques japoneses em Pearl Harbor e ao Dia D. Para os que não sabem, a abertura da Segunda Frente em 6 de junho de 1944 se chama Dia D, termo militar para o dia do início da operação.

Isso, aliás, não é coincidência. Muito conveniente, em vez de falar sobre a segunda frente, os americanos preferem lembrar o "Dia D: o começo do fim para a Alemanha nazista" como a batalha mais importante da Segunda Guerra Mundial, em sua descrição. E ao começar a falar sobre a segunda frente, surge imediatamente a pergunta: onde foi a primeira frente e qual foi a frente mais importante? Portanto, a resposta mais curta e clara é "Dia D".


Mas de volta à biblioteca, eu noto em local visível três belas cópias do livro do historiador americano Stephen Ambrose, "A justa luta: Como foi vencida a Segunda Guerra Mundial"(Stephen E. Ambrose. The good fight. How World War II was won, 2001).

As notas sobre a obra são promissoras. Lá está escrito "Steven E. Ambrose, um dos melhores historiadores dos nossos tempos, escreveu a história da Segunda Guerra Mundial para os nossos jovens leitores". E aqui leio uma lista dos acontecimentos principais da guerra:

1939: 1º de Setembro. Alemanha invade a Polônia, iniciando a Segunda Guerra Mundial.
1940: 27 de setembro. Japão assinou o Pacto de Aço.
1941: 5 de novembro. O governo japonês toma a decisão secreta de ir à guerra com os Estados Unidos. 
7 de Dezembro. Os japoneses fazem um ataque surpresa na base militar norte-americana em Pearl Harbor, no Havaí.
8 de dezembro. Estados Unidos declaram guerra ao Japão.
1942: 20 de janeiro. A Conferência de Wannsee.
18 de abril. Raide de Dulit no Japão.
4 de junho. A Batalha de Midway, os japoneses capturados nas ilhas de Attu e Kiska perto Alaska.
7 de agosto. Fuzileiros navais dos EUA invadem o Guadal Canal japonês.

8 de novembro. Operação Tocha, o desembarque aliado na África do Norte.

E assim por diante. Sobre a guerra da URSS contra o nazismo - praticamente nada se diz.

Isto é, respondendo à pergunta sobre como a Segunda Guerra Mundial foi vencida, por um "dos melhores historiadores do nosso tempo", tranquilamente e sem qualquer pitada de consciência é falado apenas sobre as batalhas e eventos envolvendo a participação dos americanos. E na América isso é adotado como norma. Visite um website popular de venda de livros. Lá há apenas comentários positivos sobre o autor(menos as opiniões verdadeiras dos leitores). 


Steven Ambrose, um dos historiadores mais populares de livros escritos nos EUA, possui um livro com um parágrafo significante em "Os vencedores: Eisenhower e seus rapazes. Os homens da II Guerra Mundial"(The Victors: Eisenhower And His Boys The Men Of World War II). Na página 352 temos: 

"Na primavera de 1945, em diferentes partes do mundo, apareceram destacamentos de dúzias de jovens, armados e uniformizados, que semearam o terror nos corações das pessoas. Fossem eles destacamentos do Exército Vermelho... ou do Exército Alemão... ou destacamentos do Exército Japonês... esses destacamentos recorriam a estupros, pogroms, saques, destruição maciça e matanças desmotivadas. Mas havia uma exceção, eram os destacamentos do Exército Americano, visão que despertava os maiores sorrisos, visíveis nos rostos das pessoas, que semeavam a alegria em seus corações..."

Se Ambrose não vê diferença entre o Exército Vermelho e os nazistas, fazer o quê? E como ficam seus amigos ingleses? Num ataque de narcisismo até esqueceram deles. E isso, repito, num dos principais historiadores americanos - seus livros são vendidos em toda parte. Mas será que não é possível encontrar na biblioteca livros dedicados à participação da União Soviética na guerra?

É possível. Temos um livro de 2004, de Margaret D. Goldstein: "Segunda Guerra Mundial na Europa" (Margaret J. Goldstein. World War II in Europe).

Lá, na página 17, há um mapa da Europa intitulado "Blitzkrieg de Hitler: 1939-1941". Só a União Soviética, por algum motivo, não está pintada. Olhei mais de perto e vi  "União Soviética, aliada da Alemanha até junho de 1941". Isso de forma clara e sem pudor. Depois disso, não é surpreendente que sobre a contribuição da União Soviética não tenha sido tamanha. Mas, mesmo depois de junho de 1941, tivemos como aliados a Inglaterra e os EUA. Mas, na página 86 há uma lista de grandes batalhas.

As principais batalhas da Segunda Guerra Mundial na Europa:

A invasão alemã da Polônia - 1 de setembro de 1939
A invasão alemã da Noruega e da Dinamarca - 09 abril de 1940
A invasão alemã da Bélgica, Holanda e França - 10 de maio de 1940
A Batalha da Grã-Bretanha - De julho a outubro 1940
A invasão alemã da União Soviética - 22 de junho de 1941
A batalha de Kiev, Kursk, Leningrado, Moscou, Sevastopol e Stalingrado - junho de 1941 a junho 1944
Os japoneses bombardearam Pearl Harbor, Hawaii - 07 de dezembro de 1941
A Batalha de El Alamein - de outubro para novembro 1942
Invasão aliada da Argélia e Marrocos - 08 de novembro de 1942
Invasão aliada da Tunísia e Líbia - de fevereiro a maio 1943
A invasão aliada da Sicília - 10 de julho de 1943
A batalha de Monte Cassino, Itália - 4 de janeiro to 18 de maio, 1944
A invasão aliada da Anzio na Itália através de: - 22 de janeiro de 1944
Invasão aliada da França através da Normandia (Dia D) - 06 de junho de 1944
Invasão aliada do sul da França - agosto 1944

Isso mesmo, sem qualquer respeito, todas as mais importantes das nossas batalhas são reunidas numa simples linha. E as batalhas por Budapeste e Berlim, além de outras, sequer aparecem. Por isso que o americano médio não entende que 80% do exército alemão foi destruído na Frente Oriental. Ah, nós lembramos - "após a batalha nas Ardeñas o exército alemão foi esmagado". Nos dá a impressão, ainda, de que após a chegada dos americanos na Europa, apenas eles combateram os alemães.

Alguém pode alegar que eu escolhi especialmente os piores livros, e que, de súbito, há melhores. Há, nó é preciso buscar muito. É possível recolher migalhas da verdade, mas o filho de um americano não conseguiria fazê-lo. E eu citarei trechos de publicações mais populares. Por exemplo, o que pode ser mais popular do que a famosa série "Para leigos"(For Dummies), que é publicada em enormes tiragens para todo o mundo, inclusive na Rússia?

Vejamos um livro de Kate D. Dickson, "A Segunda Guerra Mundial para leigos"(Keith D. Dickson. World War II for Dummies). Na contra-capa do livro, que deve prender a atenção do leitor, temos: "Conheça a história de Hitler, Pearl Harbor, Dia D e Hiroshima". A frase é bastante notável e mostra a quê os americanos associam a guerra. Não surpreende, que entre vários eventos importantes não havia lugar para Moscou e Kursk. Mas é interessante o que está no capítulo 23, página 371 de "Os dez maiores líderes da Segunda Guerra Mundial".

O autor trata o assunto a sério: "Quando se trata de fazer tal lista, há que escolher aqueles que merecem atenção... Eu fiz uma lista com as principais qualidades de liderança de pessoal, domínio da técnica militar, capacidade de inspirar as pessoas na batalha, capacidade de usar a vontade individual em prol dos interesses nacionais. Para fugir de discussões maiores eu coloco a lista em ordem alfabética".

Como resultado, os dez primeiros foram:

1. Winston S. Churchill: A Grandeza Eterna (Inglaterra).
2. Dwight D. Eisenhower: Não se preocupe, alegre-se (EUA).
3. Douglas MacArthur: Malditos torpedos! (EUA).
4. George Marshall: A Verdadeira devoção (EUA).
5. Chester W. Nimitz: Senhor dos Mares (EUA).
6. George S. Patton: Guerreiro para qualquer época do ano (Estados Unidos).
7. Erwin Rommel: A raposa do deserto (Alemanha).
8. Franklin D. Roosevelt: Esquivador habilidoso (EUA).
9. Isoruko Yamamoto: Guerreiro Samurai (Japão).
10. Georgy Júkov: O líder das massas (URSS).

É compreensível o porquê desse livro, ao contrário da série For Dummies, este livro sobre a Segunda Guerra Mundial não seja traduzido em russo. Nós provavelmente tínhamos outra Segunda Guerra Mundial completamente diferente. Mas adivinhem quem disse o seguinte:

"A história não conhece maior exemplo de coragem do que o que foi mostrado pelo povo da Rússia Soviética". "Nós e os nossos aliados estão eternamente gratos e sempre em débito com o exército e o povo da União Soviética.". "A capacidade e o espírito de luta combativo dos soldados russos têm a admiração do Exército dos EUA". "A escala e a grandiosidade da contribuição russa pode ser considerada como o maior feito militar de toda a história".

Eu encontrei essas declarações no alto comando dos EUA no famoso filme-documentário americano "Por que lutamos: A batalha da Rússia", dirigido por Frank Kapra, produzido em 1943. A primeira citação pertence a Henri L. Simpson, Ministro da Guerra dos EUA; a segunda, a Frank Knox, Ministro da Marinha dos EUA; a terceira, ao Diretor do Estado-Maior George Marshal; a quarta, ao general Douglas McCarthur, comandante das forças americanas no Oceano Pacífico.

Assim, no distante ano de 1943, quando a União Soviética praticamente sozinha combateu a força da Alemanha nazista e salvou todo o mundo da ameaça parda, eles falavam de modo completamente diferente...


Extraído da revista Gorod 812: http://www.online812.ru/2012/05/23/010/
Traduzido por Cristiano Alves

MUNDO: Como se ensina sobre a Segunda Guerra Mundial nos EUA (RUS)


Как преподносят историю Второй Мировой войны в США 

Всем известно, что американцы переписывают всю историю на свой лад, так как им удобно. История второй мировой войны не исключение, а яркое тому подтверждение. В доказательство хочу привести статью Тиграна Халатяна кандидат технических наук, который проживает на данный момент в США.

В своей статье он приводит конкретные примеры из американских учебников, где самым мерзким образом вклад Советского Союз в победе над фашистской Германии принижается и не учитывается. Зато Американский солдат показан во всей исторической красе.

Статья:

Я живу в Америке и хотел поделиться с вами, как освещается Вторая Мировая война в США. Первое, что меня поразило это то, что большинство американцев уверены, что именно они внесли основной вклад в разгром нацисткой Германии, а про вклад Советского Союза имеют весьма туманное представление. Многие даже думают, что Советский Союз воевал на стороне Гитлера...

Но перейдём от общих впечатлений к фактам. Как можно сфальсифицировать историю, не опускаясь до откровенного вранья? Просто рассказывая часть правды. И это будет ещё почище откровенной лжи.

Так и пишут историю на Западе. Идеологические задачи решаются путём искажений и замалчиваний.

Возьмём учебник мировой истории для 7-го класса по которому училась моя дочка. Prentice Hall. History of Our World 2007 (Прентис Хол. История Нашего Мира, 2007). На странице 623 (section 4, Chapter 21) ходу войны в 1943-45 г. в Европе, посвящен всего один параграф. Вот он полностью:

«Победа в Европе. Вслед за компаниями в Северной Африке и Италии, Союзники открыли западный фронт против ослабленных немцев. 6 июня 1944 корабли союзников с 156 000 солдат на борту высадились в Нормандии, северном побережье Франции. Известная как День Д, высадка в Нормандии была началом массированного похода союзников на восток. Через шесть месяцев союзные армии дошли до Германии. После последней попытки достичь успеха в декабре 1944, известной как Битва в Арденнах, немецкая армия была сокрушена. Союзники провозгласили победу в Европе 8 мая 1945 г.»

Вот так и закончилась война в Европе. Справедливости ради надо сказать, что Битва за Москву и Сталинградская битва в главе всё-таки были упомянуты. Но как пришли американцы в Европу, про русских авторы учебника сразу забыли. Нет мощнейших ударов Красной армии в 1944—1945 году, нет штурма Берлина. А есть ослабленные немцы, ослабленные налётами стратегической авиации союзников!

Теперь давайте заглянем в местную библиотеку. На полке достаточно много книг про Вторую Мировую войну. В основном они рассказывают о битвах с участием американцев или про Холокост. Много книг посвящённых атаке японцев на Пёрл Харбор (Pearl Harbor) и День Д (D-Day). Для тех, кто не знает: открытие Второго Фронта 6 июня 1944 г. в Америке давно называется «День Д», от военного термина означающего день начала операции.

Это, кстати, неслучайно. Очень удобно, вместо того, чтобы говорить о Втором Фронте, американцы предпочитают вспоминать «День Д: начало конца для Нацисткой Германии» (D-day: the beginning of the end for Nazi Germany), самой главной битвы Второй Мировой в их представлении. А заговоришь о Втором фронте, сразу возникают вопросы: а где же был Первый Фронт, и какой фронт был важнее? Поэтому коротко и ясно – «День Д».

Но вернёмся в библиотеку, на видном месте замечаю целых три копии красиво оформленной книги известного американского историка Стивена Амброза «Справедливая битва. Как была выиграна Вторая Мировая война», 2001 (Stephen E. Ambrose. The good fight. How World War II was won, 2001).

Аннотация на вкладыше многообещающая. Там говорится «Стивен И. Амброз, один из лучших историков нашего времени написал превосходную хронологию Второй Мировой войны для молодых читателей…» И тут же на развороте читаю список основных событий войны и цепенею.

1939

1 сентября. Германия вторгается в Польшу, Вторая Мировая Война начинается.

1940

27 сентября. Япония подписывает Стальной Пакт.
1941

5 ноября. Японское правительство принимает секретное решение начать войну с Соединёнными Штатами.

7 декабря. Японцы производят внезапную атаку на Американскую военную базу в Пёрл Харбор, Гавайи.

8 декабря. США объявляют войну Японии.

1942

20 января. Ванзейская конференция.

18 апреля. Рейд Дулита на Японию.

4 июня. Битва за Мидуэй, Японцы захватывают острова Атту и Киска возле Аляски.

7 августа. Морские пехотинцы США вторгаются на удерживаемый японцами Гуадаканал.

8 ноября. Операция Торч, высадка союзников в Северной Африке.

И так далее, и тому подобное. О борьбе СССР с нацизмом – практически ни слова.

То есть, отвечая на вопрос, как Вторая Мировая война была выиграна, «один из лучших историков нашего времени» преспокойно и без всякого зазрения совести рассказывает только о битвах и событиях с участием американцев. И в Америке воспринимают это как норму. Пойдите на популярный вебсайт по продаже книг. Там в основном очень позитивные отзывы читателей (кроме отзыва вашего покорного слуги).

Стивену Амброзу, одному из самых популярных историков пишущих книги в США, принадлежит и следующий «выдающийся» параграф из не менее «выдающейся» книги «Победители: Эйзенхауэр и его ребята – Мужчины Второй Мировой Войны» («The Victors: Eisenhower And His Boys The Men Of World War II»). На странице 352 читаем:

«Весной 1945 в разных концах мира появление отряда из дюжины молодых людей, вооружённых и в форме, вселяло ужас в сердца людей. Был ли это отряд Красной Армии… или немецкий отряд... или японский отряд... этот отряд означал изнасилования, погромы, грабёж, масштабные разрушения, бессмысленные убийства. Но было и исключение: отряд американцев, вид которого вызывал самые большие улыбки, которые возможно было бы увидеть на лицах людей и вселял радость в их сердца…»

Ну, не видит Амброз разницы между Красной Армией и нацистами, что поделать. А как же друзья англичане? В порыве самолюбования о них вообще забыли. И это, повторяю, один из ведущих американских историков – его книжки повсюду продаются. Но неужели в библиотеке нельзя найти книги, где освещён вклад Советского Союза в войне?

Можно. Вот книга 2004 года: Маргарет Д. Голштейн «Вторая Мировая война в Европе» (Margaret J. Goldstein. World War II inEurope)

Там на странице 17 напечатана карта Европы, озаглавленная «Блицкриг Гитлера 1939—1941». Только Советский Союз как-то не так там закрашен. Смотрю внимательнее и вижу: «Советский Союз (Союзник Германии до июня 1941)». Вот так вот чётко, без всяких оговорок. После этого не стоит удивляться, что про вклад Советского Союза не так много. Но хоть после июня 1941 мы, вроде как бы уже союзник Англии и США. А вот на странице 86 и список главных битв.

Главные битвы Второй Мировой Войны в Европе:

Немецкое вторжение в Польшу – 1 сентября 1939

Немецкое вторжение в Норвегию и Данию – 9 апреля 1940

Немецкое вторжение в Бельгию, Нидерланды и Францию – 10 мая 1940

Битва за Британию – С июля по октябрь 1940

Немецкое вторжение в Советский Союз – 22 июня 1941

Битвы за Киев, Курск, Ленинград, Москву, Севастополь и Сталинград – июнь 1941 по июнь 1944

Японцы бомбят Пёрл Харбор, Гавайи – 7 декабря 1941

Битва за Эль Аламейн – Октябрь по Ноябрь 1942

Вторжение союзников в Алжир и Морокко – 8 ноября 1942

Вторжение союзников в Тунис и Ливию – с февраля по май 1943

Вторжение союзников на Сицилию – 10 июля 1943

Битва за Монте Казино, Италия – 4 января по 18 мая 1944

Вторжение союзников в Италию через Анцио – 22 января 1944

Вторжение союзников во Францию через Нормандию (День Д) – 6 июня 1944

Вторжение союзников в южную Францию – август 1944

Арденская битва в Бельгии – декабрь 1944.
Вот так, без всякого уважения, самые главные наши битвы собраны в одну кучу. А битв за Будапешт и Берлин, да и многих других и нет вовсе. Поэтому простой американец никогда не догадается, что 80% немецкой армии было разбито на восточном фронте. Ах, мы же помним – «после битвы в Арденнах немецкая армия была сокрушена». Надо же произвести впечатление, что после того как американцы пришли в Европу, именно они в основном и воевали с немцами.

Кто-то может сказать, что я специально самые неправильные книжки выискиваю, а, мол, есть и получше. Есть, но их поискать ещё надо. Можно по крупицам правду собрать, только американский ребёнок вряд ли будет этим заниматься. А я ведь привожу выдержки из достаточно популярных изданий. Например, что может быть популярнее, чем знаменитая серия «Для Чайников» (For Dummies), которая во всём мире, и в том числе и в России, издаётся большими тиражами.

Что же, возьмём книгу Кейт Д. Диксон «Вторая Мировая война для Чайников»(Keith D. Dickson. World War II for Dummies). На обложке фраза-крючок, которая должна привлечь внимание читателя: «Узнай историю про Гитлера, Пёрл Харбор, День Д и Хиросиму». Фраза весьма примечательная – она чётко показывает, с чем у американцев ассоциируется война. Уже не удивляюсь, что среди десятков не таких уж и важных событий в Хронологии не нашлось места битвам за Москву и Курск. Но особый интерес вызывает глава 23, страница 371 «Десять крупных лидеров Второй Мировой войны».

Автор подходит к делу серьёзно: «Когда составляешь такой лист, всегда приходится исключить кого-то, кто заслуживает внимания... Я сделал свой выбор на основе качеств личного лидерства, владения военной наукой, способности вести за собой и вдохновлять людей в битве, применения личной воли к достижению национальных интересов. Чтобы избежать слишком больших споров я перечисляю имена в алфавитном порядке».

В результате в десятку вошли:

1. Уинстон С. Черчиль: Вечное Величие (Англия).

2. Дуайт Д. Эйзенхауэр: Не беспокойся, будь счастлив (США).

3. Дуглас Макартур. К чёрту торпеды! (США).

4. Джордж Маршал: Подлинная преданность (США).

5. Честер У. Нимиц: Господин морей (США).

6. Джордж С. Паттон: Воин для любого времени года (США).

7. Эрвин Роммель: Лис пустыни (Германия).

8. Франклин Д. Рузвельт: Ловкий хитрец (США).

9. Исоруко Ямамото: Воин Самурай (Япония).

10. Георгий Жуков: Лидер масс (СССР).

Понятно, почему в отличие от других книг серии «для чайников», эту книгу о Второй Мировой не стали переводить на русский язык. У нас, видимо, была совсем другая Вторая Мировая война. Но угадайте, кто произнёс следующее:

«История не знает большего примера храбрости чем тот, что был показан людьми Советской России... Мы и наши союзники бесконечно благодарны и навсегда обязаны армии и людям Советского Союза... Умение и агрессивный боевой дух русских солдат вызывают восхищение американской армии... Масштаб и грандиозность русского вклада можно считать величайшим военным достижением во всей истории…»

Я нашёл эти высказывания высших командных чинов США в известном американском документальном фильме «Почему мы сражаемся, Битва России», режиссёр Франк Капра, который был снят в 1943 году. Первая цитата принадлежит Генри Л. Симпсону, министру войны США; вторая – Франку Ноксу, министру флота США; третья – начальнику генерального штаба Джорджу Маршалу; четвёртая – генералу Дугласу Макартуру, командующему американскими силами на тихом океане.

Тогда, в далёком 1943 году, когда Советский Союз практически в одиночку сражался со всей мощью нацисткой Германии и спасал весь мир от коричневой чумы, они говорили совершенно по-другому...