sábado, outubro 05, 2013

POLÍTICA: Anticomunismo de esquerda - a cortada cruel

Por Michael Parenti*
Tradução de Cristiano Alves

Publicado originalmente no Greenville Post


Nota do editor: Parte oportunismo, parte carreirismo, parte negação voluntária (ou ignorância) da verdadeira dinâmica capitalista e imperial, e parte vínculo com o conforto de se estar dentro do perfil de "crítica permitida", o anticomunismo de esquerda continua a ter um grande papel na esquerda americana. Nesse tipicamente descritivo ensaio, Michael Parenti explora as razões pelas quais a postura anticomunista de esquerda devem ser vistas como realmente é: uma colaboração de fato com as forças que defendem o status quo das corporações [Esta seleção é do livro de Parenti Camisas negras e vermelhas: fascismo racional e a derrubada do comunismo (City Lights, 1997). Foi reproduzida aqui por cortesia do autor.]

Nota de A Página Vermelha: Embora o magíster americano aborde aspectos relativos à esquerda americana, "Anticomunismo de esquerda - cortada cruel", é sem sombra de dúvidas um texto atualíssimo e de alta relevância para a esquerda brasileira. Michael Parenti não é comunista, e nem mesmo tem afinidades com o marxismo, entretanto, o seu passado anticomunista e sua personalidade e conhecimentos dotados de senso crítico permitiram ao autor americano, que outrora criticara o anticomunismo de direita em seu brilhante trabalho "A cruzada anticomunista"(dos anos 70), identificar no "anticomunismo de esquerda" um fator cavalo de tróia que, longe de fortalecer a luta dos trabalhadores, apenas enfraquece-a com a deturpação de sociedades socialistas existentes hoje ou previamente, assim legitimando o status quo, a ordem capitalista. Essa postura, visível no meio político e acadêmico, apenas fortalece o discurso de direita. Conhecer a honestidade intelectual de Parenti é não apenas superar um antiamericanismo pueril, como um fator de engrandecimento do conhecimento.



Anticomunismo de esquerda






Nos Estados Unidos, por centenas de anos, os interesses predominantemente incansáveis propagaram o anticomunismo entre a população, até se tornar algo como uma ortodoxia religiosa, em vez de uma análise política. Durante a Guerra Fria, a moldura ideológica anticomunista podia transformar quaisquer dados sobre sociedades comunistas existentes em evidências hostis. Se os soviéticos se recusassem a negociar um ponto, eles eram intransigentes e beligerantes; se eles pareciam fazer concessões, isso era um artifício para baixarmos a guarda. Se se opunham à limitação das armas, eles estariam demonstrando seu intuito agressivo; mas quando de fato apoiavam mais tratados sobre armamentos, então é por que eram espertos e manipuladores. Se as igrejas na URSS estavam vazias, isso demonstrava que a religião era suprimida; mas se as igrejas estavam cheias, isso quer dizer que o povo estava rejeitando a ideologia ateia do regime. Se os trabalhadores entravam em greve(como ocorria em ocasiões não frequentes), isso era evidência de sua alienação do sistema coletivista; se eles não faziam greve, isso é por que eles eram intimidados e não tinham liberdade. A escassez de bens de consumo demonstrava uma falha no sistema econômico; uma melhora nos suprimentos de consumo significava que os líderes estavam tentando acalmar uma população inquieta e assim manter firme controle sobre ela. Se os comunistas nos Estados Unidos desempenhavam papel importante lutando pelos direitos dos trabalhadores, dos pobres, afroamericanos, mulheres e outros, isso era apenas uma forma útil de ganhar apoio entre grupos não representados e ganhar poder para eles mesmos. Como alguém ganhava poder lutando por direitos de grupos sem poder nunca foi explicado. O que estamos abordando é uma ortodoxia não-disfarçada, tão assiduamente distribuída pelos interesses dominantes que afetou o povo ao longo do total espectro político.

Genuflexão à ortodoxia

Muitos na esquerda dos EUA apresentaram ataques contra os soviéticos e contra os vermelhos comparável à hostilidade e crueza da direita. Ouça Noam Chomsky pregando sobre os “intelectuais de esquerda” que tentam “erguer o poder nas costas dos movimentos populares de massa” e “então tornam o povo submisso... Você começa basicamente como um leninista que será parte da burocracia vermelha. Você vê depois que o poder não segue aquele caminho, e você rapidamente torna-se um ideólogo da direita... Nós vemos isso agora na (antiga) União Soviética. Os mesmos caras que eram capangas comunistas dois anos atrás estão agora dirigindo bancos e (são) entusiastas do livre mercado que louvam os americanos” (Z Magazine, 10/95).

O imaginário de Chomsky é altamente devido à mesma cultura política corporativa que ele critica tão frequentemente em outras questões. Em sua mente, a revolução foi traída por uma camarilha de “capangas comunistas” que meramente tem fome de poder em vez de querer o poder para acabar com a fome. De fato, os comunistas não mudaram “rapidamente” para a direita, mas lutaram em face a um momento de investida para manter o socialismo soviético vivo por mais de setenta anos. Precisamente, nos últimos dias da União Soviética alguns, como Boris Yeltsin, cruzaram as fileiras capitalistas, mas outros continuaram a resistir às incursões do mercado livre a um grande custo para eles mesmos, muitos conhecendo a morte durante a violenta repressão de Yeltsin contra o parlamento russo em 1993.

Alguns de esquerda e outros caem no velho estereótipo de vermelhos sedentos de poder que tomam o poder pelo poder sem qualquer preocupação com verdadeiras metas sociais. Se é verdade, alguém se impressionaria com o fato de que, em país após país, esses vermelhos colocam-se ao lado dos pobres e impotentes, frequentemente sob o grande risco de sacrificar a si próprios, em vez de buscar recompensas que vem a servir os de boa posição.

Por décadas, muitos autores de esquerda e porta-vozes nos Estados Unidos sentiram-se obrigados a estabelecer sua credibilidade com indulgências à genuflexão anticomunista e antissoviética, parecendo ser incapazes de fazer um discurso ou escrever um artigo ou livro revendo qualquer tema político sem injetar alguma dose antivermelha. O intento era e ainda é, distanciar-se eles mesmos da esquerda marxista-leninista.

Adam Hochschild: Mantendo sua distância da “esquerda stalinista” e recomendando a mesma postura para progressistas.

Adam Hochshild, um escritor liberal e editor, alertou aqueles indiferentes à condenação das sociedades comunistas existentes, dizendo que eles “enfraquecem sua credibilidade” (Guardian, 23/5/84). Em outras palavras, para ser oponentes da guerra fria de credibilidade, tínhamos que primeiro juntar-se à Guerra Fria na condenação de sociedades comunistas. Ronald Radosh alertou que o movimento pela paz expurga a si mesmo de comunistas, então eles não podem ser acusados de serem comunistas (Guardian, 16/03/83). Se eu entendo Radosh: para salvar a nós mesmos da caça às bruxas anticomunistas, nós mesmos devemos nos tornar caçadores de bruxas. Expurgar a esquerda de comunistas tornou-se uma prática de longa data, tendo efeitos injuriosos em várias causas progressivas. For exemplo, em 1949, umas dúzias de sindicatos foram retirados do CIO(Nota de A Página Vermelha: Congresso das Organizações Industriais) por que tinham vermelhos em sua liderança. O expurgo reduziu o número de membros da CIO em cerca de 1.7 milhões e seriamente enfraqueceu seus mecanismos de recrutamento e foco político. Em meados dos anos 40, para evitar ficar “queimados” como vermelhos, os Americanos pela Ação Democrática(ADA), grupo supostamente progressista, tornou-se uma das mais vocais organizações anticomunistas.

A estratégia não funcionou. A ADA e outros à esquerda ainda foram atacados por serem comunistas ou brandos com o comunismo por aqueles à direita. Então e agora, muitos à esquerda falharam em perceber que aqueles que lutam por mudanças sociais em prol dos elementos menos privilegiados da sociedade serão atacados pelas elites conservadoras como vermelhos, sejam eles comunistas ou não. Para os interesses dominantes, há pouca diferença se sua riqueza e poder é desafiada por “subversivos comunistas” ou “leais liberais americanos”. Todos são compilados como mais ou menos repugnantes.

Um prototípico espanca-vermelhos(A Página Vermelha: originalmente, red basher) que pretendia estar na esquerda foi George Orwell. Em meio à II Guerra Mundial, enquanto a União Soviética lutava por sua vida contra os invasores nazistas em Stalingrado, Orwell anunciou que uma “uma vontade de criticar a Rússia e Stalin são testes de honestidade intelectual. São as únicas coisas que do ponto de vista de um intelectual literário são realmente perigosas” Monthly Review, 5/83). Seguramente abrigado dentro de uma sociedade virulentamente anticomunista, Orwell (com seu pensamento dúbio orweliano) caracterizou a condenação do comunismo como um ato de desafio solitário. Hoje, sua progenitura ideológica ainda persiste, oferecendo uma crítica intrépida de esquerda da esquerda, promovendo uma valente luta contra imaginárias hordas marxistas-leninistas-stalinistas.

Está em falta na esquerda dos EUA uma avaliação racional da União Soviética, uma nação que enfrentou uma dura guerra civil e uma invasão estrangeira multinacional nos seus primeiros anos de existência, e duas décadas depois expulsou e destruiu as bestas nazistas com um enorme custo para ela mesma. Três décadas após a revolução bolchevique, os soviéticos conseguiram avanços industriais como aqueles que no capitalismo levaram um século para alcançar – enquanto alimentava e dava escolas às suas crianças em vez de fazê-las trabalhar quatorze horas por dia como fizeram os industrialistas capitalistas e ainda fazem em várias partes do mundo. E na União Soviética, bem como na Bulgária, República Democrática Alemã e Cuba foi oferecida assistência vital aos movimentos de libertação nacional nos países ao redor do mundo, incluindo o Congresso Nacional Africano de Nelson Mandela, na África do Sul.

Os anticomunistas de esquerda não ficaram nenhum pouco impressionados pelos dramáticos ganhos das massas populares, previamente empobrecidas, sob o comunismo. Alguns mesmo menosprezaram tais realizações. Eu me recordo como em Burlington Vermont, em 1971, o notável anticomunista anarquista, Murray Bookchin, derrogativamente se referia às minhas preocupações pelas “pobres crianças que eram alimentadas sob o comunismo” (palavras dele).

Pregando as etiquetas

Aqueles que se recusaram a se juntar aos ataques contra os soviéticos eram taxados pelos anticomunistas de esquerda como “apologistas de soviéticos” e “stalinistas”, mesmo que desaprovássemos Stalin e seu sistema autocrático de governo e acreditássemos que havia coisas seriamente erradas dentro da sociedade soviética existente. Nosso verdadeiro pecado é que diferentemente de muitos na esquerda, nós nos recusávamos a engolir de forma acrítica a propaganda da mídia dos EUA sobre as sociedades comunistas. Em vez disso, nós sustentávamos que, à parte algumas deficiências e injustiças bem conhecidas, havia características positivas no sistema comunista dignas de preservação, que melhoraram as vidas de centenas de milhões de pessoas de modo significativo e humanitário. Este clamor tinha um efeito desconsertante para os anticomunistas de esquerda, que não podiam dizer uma só palavra positiva sobre qualquer sociedade comunista(exceto Cuba, possivelmente) e não podiam ter ouvidos tolerantes ou mesmo corteses para qualquer um que o fizesse.

Saturados pela ortodoxia anticomunista, a maioria dos esquerdistas dos EUA tem praticado um mccarthismo de esquerda contra pessoas que tinham algo de positivo para dizer sobre o comunismo existente, excluindo-os da participação em conferências, conselhos consultivos, endossos políticos e publicações de esquerda. Tal como os conservadores, os anticomunistas de esquerda toleram apenas uma condenação vazia da União Soviética como uma monstruosidade stalinista e como uma aberração moral leninista.

O fato de muitos esquerdistas dos EUA terem pouca familiaridade com os escritos de Lenin e seu trabalho político não os impede de serem taxados de “leninistas”. Noam Chomsky, que é um apreciador incansável de caricaturas anticomunistas, oferece este comentários sobre o leninismo: “os intelectuais ocidentais e do Terceiro Mundo eram atraídos pela contrarrevolução bolchevique(sic) por que o leninismo é, depois de tudo, uma doutrina que diz que a intelligentsia radical tem o direito de tomar o poder do Estado para dirigir os países pela força e isso torna essa ideia atraente para os intelectuais”. Aqui Chomsky reproduz a imagem de intelectuais sedentos de poder junto com a sua caricatura de leninistas sedentos de poder, vilões buscando não meios revolucionários de combater a injustiça, mas poder pela sede de poder. Quando se trata de espancar os vermelhos, alguns dos melhores e mais brilhantes na esquerda não soam melhor do que os piores na direita.


Apesar de suas críticas ao capitalismo, Noam Chomsky, um dos mais notáveis intelectuais americanos, permanece como um anticomunista de esquerda irremediável

Quando em 1996 houve um atentado a bomba na cidade Oklahoma, eu ouvi um comentarista de rádio anunciar: “Lenin disse que o propósito do terror é aterrorizar”. Os comentaristas da mídia dos EUA repetidamente citaram Lenin de forma errônea. De fato, sua declaração desaprovava o terrorismo. Ele polemizou contra atos isolados de terrorismo que nada fazem senão criar o terror entre a população, convidar a repressão e isolar o movimento revolucionário das massas. Longe de ser um conspirador totalitário, conspirador de curtos círculos, Lenin urgia pela construção de largas coalizões e organizações de massa, congregando pessoas de diferentes níveis de desenvolvimento político. Ele advogou diversos meios necessários para avançar a luta de classes, incluindo a participação nas eleições parlamentares e nos sindicatos existentes. Para ser exato, a classe trabalhadora, como qualquer grupo de massa, necessitava de organização e liderança para levar adiante a luta revolucionária, que era o partido de vanguarda, mas isso não significava que a revolução proletária podia ser promovida e vencida por golpistas ou terroristas.

Lenin constantemente lidava com o problema de evitar dois extremos, o oportunismo burguês liberal e o aventureirismo de ultraesquerda. Ainda, ele próprio era identificado como um golpista de ultraesquerda pelos jornalistas do mainstream e por alguns da esquerda. Se a postura de Lenin quanto à revolução é desejável ou mesmo relevante hoje é uma questão que exige uma análise crítica. Mas uma avaliação útil não pode vir de pessoas que distorcem a sua teoria e prática.

Os anticomunistas de esquerda encontram qualquer associação com organizações comunistas como moralmente inaceitável por causa dos “crimes do comunismo”. Ainda, muitos deles encontram-se associados com o Partido Democrático em seu país, seja como eleitores ou membros, parecendo ser indiferentes aos crimes políticos inaceitáveis cometido pelos líderes daquela organização. Sob uma ou outra administração democrata, 120 mil nipo-americanos foram retirados de suas casas e habitações e lançados em campos de detenção; bombas atômicas foram lançadas em Hiroshima e Nagasaki com uma enorme perda de vidas inocentes; ao FBI foi dada a autoridade para se infiltrar em grupos políticos; o Ato Smith foi usado para prender líderes do Partido Socialista dos Trabalhadores trotskista e depois os do Partido Comunista por suas crenças políticas; campos de detenção foram estabelecidos para receber dissidentes políticos em evento de “emergência nacional”; durante os anos 40 e 50, oito mil trabalhadores federais foram expurgados do governo por causa de suas associações políticas e visões, com centenas dele tendo carreiras arruinadas com a caça às bruxas; o Ato de Neutralidade foi usado para impor um embargo à República Espanhola, agindo em favor das legiões fascistas de Franco; programas de contra-insurgência homicida foram iniciados em vários países do Terceiro Mundo; e a guerra do Vietnã foi intensificada e continuada. E para a melhor parte do século, a Liderança Congressional do Partido Democrata protegeu a segregação racial e vetaram todas as emendas contra o linchamento e de pleno emprego. Mesmo assim, todos esses crimes, trazendo a ruína e morte de muitos, não tem comovido os liberais, os sociais-democratas, e os “socialistas democráticos” anticomunistas para insistir repetidamente que se trata de condenações vagas do Partido Democrata ou do sistema político que o produziu, certamente não com o fervor intolerante que tem sido dirigido contra o comunismo existente.

Socialismo puro vs. Socialismo de cerco

Os eventos na Europa Oriental não constituem uma derrota para o socialismo por que o socialismo nunca existiu naqueles países, de acordo com alguns esquerdistas dos EUA. Eles dizem que os Estados comunistas ofereceram nada mais do que um sistema burocrático, “capitalismo de Estado” unipartidário e algo do tipo. Chamarmos os antigos países comunistas de “socialistas” é uma questão de definição. Suficiente para dizer, eles constituíram algo diferente do que existiu no sistema capitalista movido pelo lucro que os capitalistas não tardaram a reconhecer.

Primeiro, nos países comunistas, havia menos desigualdade econômica do que sob o capitalismo. Os benefícios desfrutados pelas elites do partido e do governo eram modestas em comparação com os padrões de um diretor executivo de uma grande empresa no ocidente (mesmo quando comparados com as compensações grotescas para as elites financeiras e executivas – edição), bem como para com sua renda pessoal e estilo de vida. Líderes soviéticos como Yuri Andropov e Leonid Brejnyev não viviam em mansões reservadas como na Casa Branca, mas em apartamentos relativamente largos em projetos habitacionais próximos ao Kremlin, designado para líderes governamentais. Eles tinham limusines à sua disposição(como a maioria dos chefes de Estado) e acesso a largas dachas onde eles recebiam visitantes dignatários. Mas eles não tinham essa imensa riqueza pessoal que a maioria dos líderes dos EUA possuem.

A “vida luxuosa” desfrutada pelos líderes partidários da Alemanha Oriental, como bem publicado na imprensa dos EUA, incluía um subsídio de 725 dólares em divisas, e direito a um assentamento exclusivo nos arredores de Berlim que incluíam uma sauna, uma piscina coberta e um centro de fitness compartilhado por outros residentes. Eles também podiam comprar em lojas abastecidas com bens ocidentais como bananas, jeans e eletrônicos japoneses. A imprensa dos EUA nunca apontou que os cidadãos alemães orientais comuns tinham acesso a piscinas públicas e ginásios e mesmo podiam comprar jeans e eletrônicos(embora não a variedade importada). Nem era o “luxuoso” consumo desfrutado pelos líderes alemães contrastados como o verdadeiramente opulento estilo de vida da plutocracia ocidental.

Segundo, nos países comunistas, as forças produtivas não eram organizados para ganho de capital e enriquecimento privado; a propriedade pública dos meios de produção suplantaram a propriedade privada. Indivíduos não podiam contratar outras pessoas e acumular grandes riquezas pessoais de seu trabalho. Novamente, comparado com os padrões ocidentais, a diferença nos ganhos e economias entre a população eram geralmente modestos. A renda entre os maiores e menores assalariados na União Soviética era de cinco para uma. Nos Estados Unidos, a renda média entre os maiores multibilionários e os pobres trabalhadores é de 10.000 para 1.

Terceiro, a prioridade era colocada sobre os serviços humanos. Embora a vida sob o comunismo deixou muito a desejar e os serviços eram raramente os melhores, os países comunistas garantiram aos seus cidadãos o mínimo padrão de sobrevivência e seguridade econômica, incluindo educação garantida, emprego, habitação e assistência médica.

Quarto, os países comunistas não visavam a penetração do capital de outros países. Carecendo de uma motivação de lucro como sua força motor e assim não tendo a constante necessidade de encontrar novas oportunidades de investimentos, eles não expropriaram as terras, o trabalho, os mercados e recursos naturais de nações mais fracas, isto é, não praticaram o imperialismo econômico. A União Soviética conduziu o comércio e relações de ajuda em termos geralmente favoráveis às nações do Leste Europeu e Mongólia, Cuba e Índia.

Tudo acima fez parte dos princípios organizacionais de cada sistema comunista num ou outro degrau. Nenhum deles se aplica a países de livre mercado como Honduras, Guatemala, Tailândia, Coréia do Sul, Chile, Indonésia, Zaire, Alemanha ou Estados Unidos.

Mas um verdadeiro socialismo, argumenta-se, seria controlado pelos próprios operários através de participação direta, em vez de ser dirigido por leninistas, estalinistas, castristas, ou outros patologicamente sedentos de poder, burocráticos, homens cabalmente maus que traem revoluções. Infelizmente, esse “socialismo puro” é uma figura não-histórica e não-falsificada; ela não pode ser posta a prova contra as atualidades da história. Ela compara um ideal com uma realidade imperfeita, e a realidade vem num mísero segundo. Ela imagina o que o socialismo poderia ter sido num mundo bem melhor do que este, onde não há fortes estruturas de Estado ou força de segurança é requerida, onde nenhum dos valores produzidos pelos trabalhadores precisa ser expropriado para reconstruir a sociedade e defendê-la da invasão externa e sabotagem interna.

As antecipações ideológicas dos socialistas puros tão intangíveis na prática. Elas não explicam como desdobramentos de uma sociedade revolucionária seriam organizadas, como ataques externos e sabotagem interna seria combatida, como a burocracia seria evitada, recursos escassos alocados, diferenças políticas abordadas, prioridades estabelecidas, e produção e distribuição conduzidas. Em vez disso, eles oferecem vagas declarações sobre como os trabalhadores iriam diretamente possuir e controlar os meios de produção e chegariam em suas próprias soluções através de uma luta criativa. Não é nenhuma surpresa que os socialistas puros apoiam cada revolução, exceto as que tiveram sucesso.

Os socialistas puros tem uma visão de uma nova sociedade que criaria e seria criada por novas pessoas, uma sociedade tão transformada em seus fundamentos que deixaria pouco espaço para erros, corrupção e abusos criminosos do poder do Estado. Não haveria burocracia ou oportunistas interesseiros, nenhum conflito rude ou decisões dolorosas. Quando a realidade prova ser diferente e mais difícil, alguns na esquerda procedem em sua condenação do real e anunciam que “sentem-se traídos” por esta ou aquela revolução.

Os socialistas puros veem o socialismo como um ideal que foi manchado pela venalidade, duplicidade e sede de poder dos comunistas. Os socialistas puros opõem-se ao modelo soviético, mas oferecem poucas evidências para demonstrar que outros caminhos poderiam ter sido adotados, que outros modelos de socialismo – não o criado pela imaginação de alguém, mas desenvolvido sob a experiência histórica – poderia ter se firmado e funcionado melhor. Era possível um socialismo aberto, plural e democrático possível sob esta conjuntura histórica? A evidência histórica sugere que não. Como sustentou o filósofo político Carl Shames:

Como(os críticos de esquerda) sabem que o problema fundamental era a “natureza” dos partidos(revolucionários) governantes em vez de dizer que a concentração global do capital está destruindo todas as economias independentes e colocam um fim à soberania nacional em todo lugar? E nesse plano, de onde veio essa “natureza”? Essa “natureza” estava desconcertada, desconectada da própria sociedade em si, das relações sociais impactantes? (…) Centenas de exemplos nos quais a centralização do poder foi uma escolha necessária podem ser encontrados para proteger e assegurar as relações socialistas. Em minha observação(das sociedades comunistas existentes), o lado positivo do “socialismo” e a negação da “burocracia, autoritarismo e tirania” faziam parte de cada esfera da vida” (Carl Shames, correspondência a mim, 15/01/92)


Os socialistas puros regularmente acusam a própria esquerda da derrota que sofrem. Os seus achismos são infindáveis. Então ouvimos dizer que lutas revolucionárias falham por que seus líderes esperam demais para agir ou agem cedo demais, são tímidos demais ou impulsivos demais, muito teimosos ou facilmente influenciáveis. Ouvimos dizer que líderes revolucionários são comprometedores ou aventureiros, burocráticos ou oportunistas, rigidamente organizados ou insuficientemente organizados, não democráticos ou falham para oferecer forte liderança. Mas sempre os líderes falham por que eles não aceleram as “ações diretas” dos trabalhadores, que aparentemente iriam contornar e resolver cada adversidade se lhes fosse dado algum tipo de liderança disponível nos grupelhos dos críticos de esquerda. Infelizmente, os críticos parecem inaptos para aplicar seu próprio gênio de liderança para produzir um movimento revolucionário de sucesso em seu próprio país.

Tony Febbo questiona essa síndrome de “culpar a liderança” dos socialistas puros:

“Parece-me que quando pessoas tão inteligentes, diferentes, dedicadas e heroicas como Lenin, Mao, Fidel castro, Daniel Ortega, Ho Chi Minh e Robert Mugabe – e milhões de pessoas heroicas que os seguiram e com eles lutaram – tudo termina mais ou menos no mesmo lugar, então algo maior está funcionando do que quem toma as decisões ou em qual encontro. Ou mesmo do que o tamanho das casas para as quais eles vão após o encontro...



Esses líderes não estavam no vácuo. Eles estavam em um tornado. E tal sucção, a força, o poder que girava em torno deles deixou esse mundo mutilado por mais de 900 anos. E culpar esta ou aquela teoria, ou este ou aquele líder é um substituto simplista para o tipo de análise que os marxistas(deveriam fazer).” (Guardian, 13/11/91)


Para ser exato, os socialistas puros não são inteiramente diferentes sem agendas específicas para construir a revolução. Depois que os sandinistas derrubaram a ditadura de Somoza na Nicarágua, um grupo de ultra-esquerda no país clamava por uma propriedade das fábricas feita diretamente pelos trabalhadores. Os operários armados tomariam o controle da produção sem benefício de diretores, planejadores estatais, burocratas ou forças armadas formais. Enquanto inegavelmente atraente, esse sindicalismo operário nega as necessidades de um poder estatal. Sob tal organização, a revolução nicaraguense não teria durado sequer dois meses ante a contrarrevolução patrocinada pelos EUA que devastou o país. Ela estaria inapta para mobilizar recursos necessários para manter um exército, tomar medidas de segurança, ou construir e coordenar programas econômicos e serviços humanos em escala nacional.

Descentralização vs. Sobrevivência

Para uma revolução popular sobreviver, ela deve conquistar o poder de Estado e usá-lo para quebrar o domínio exercito pela classe dominante sobre as instituições e recursos da sociedade, e resistir ao contra-ataque reacionário que certamente virá. Os perigos internos e externos que uma revolução enfrenta necessitam de um poder centralizado que não satisfaz aos gostos de muitos, nem na Rússia Soviética de 1917, nem na Nicarágua sandinista de 1980.

Engels oferece uma avaliação pertinente de uma revolta na Espanha em 1872-73 na qual os anarquistas alcançaram o poder ao longo do país. Primeiramente, a situação prometia. O rei abdicou e o governo burguês mal contava com algumas centenas de tropas mal treinadas. Todavia, essa força triunfou por ter enfrentado uma rebelião paroquiada. “Cada cidade proclamou-se com um cantão soberano e estabeleceu um comitê revolucionário(junta)”, Engels escreve. “Cada cidade agiu por conta própria, declarando que o importante seria não a cooperação com outras cidades, mas a separação delas, assim precluindo qualquer possibilidade de um ataque combinado(contra as forças burguesas)”. Foi a fragmentação e isolamento das forças revolucionárias que possibilitaram as tropas do governo esmagar uma revolta após a outra”.

A autonomia paroquiada descentralizada é o cemitério da insurgência – o que pode ser a razão pela qual jamais houve uma rebelião anarco-sindicalista de sucesso. Idealmente, seria bom ter apenas uma participação local, autogestionada, dos trabalhadores, com a mínima burocracia, polícia e forças armadas. Esse seria provavelmente o desenvolvimento do socialismo, se fosse permitido a ele se desenvolver sem problemas com a contrarrevolução subversiva e ataques. Alguns talvez se lembrem como em 1918-20, quatorze países capitalistas, incluindo os Estados Unidos, invadiram a Rússia Soviética em uma sangrenta, mas afracassada tentativa de derrubar o governo revolucionário bolchevique. Os anos da invasão estrangeira e guerra civil contribuíram para reforçar a psicologia de cerco bolchevique em seu compromisso com a sincronia de unidade do partido e um aparato de segurança repressivo. Assim, em maio de 1921, o mesmo Lenin que encorajou a prática de democracia partidária interna e lutou contra Trotsky para garantir aos sindicatos maior autonomia, agora clamava pelo fim da Oposição Operária e outros grupos dentro do partido. “A hora chegou”, ele disse entusiasticamente no X Congresso do Partido, “de por um fim à oposição, de fazê-la cessar: nós temos oposição demais”. Disputas abertas e tendências conflitantes dentro e fora do partido, os comunistas concluíram, criaram uma aparência de divisão e fraqueza que convidava o ataque de formidáveis inimigos.

Um mês antes, em abril de 1921, Lenin clamara por mais representação operária no Comitê Central do partido. Em poucas palavras, ele não se tornara anti-operário, mas anti-oposição. Havia aqui uma revolução social – como qualquer outra – que não teve a permissão de desenvolver sua vida política e material sem óbices.

Durante os anos 20, os soviéticos enfrentaram a escolha de se mover numa direção centralizada com uma economia dirigida e coletivização agrária forçada e uma industrialização a toda velocidade sob um partido dirigente e autocrático, a estrada adotada por Stalin, ou mover-se numa direção liberalizada, permitindo mais diversidade política, mais autonomia para os sindicatos e outras organizações, mais debate aberto e críticas, maior autonomia entre as várias repúblicas soviéticas, um setor de pequenos negócios privados, desenvolvimento agrícola independente pelo campesinato, grande ênfase nos bens de consumo e menos esforços na acumulação de capital necessário para construir uma forte base militar-industrial.

O último tipo, acredito, teria produzido uma sociedade mais confortável, mais humana e com melhores serviços. O socialismo de cerco teria dado lugar ao caminho para o socialismo de consumo operário. O problema é que o país teria arriscado ser incapaz de resistir à ofensiva nazista. Em vez disso, a União Soviética embarcou numa rigorosa e forçada industrialização. Esta política tem sido frequentemente mencionada como um dos erros perpetrados por Stalin sobre seu povo. Consistia mais em construir, dentro de uma década, uma base industrial inteiramente nova no Leste, nos Urais, em meio às estepes agrestes, o maior complexo de aço da Europa, em antecipação à invasão do Ocidente. “O dinheiro foi gasto como água, homens congelaram, tiveram fome e sofreram, mas a construção se deu com o desrespeito por indivíduos e um heroísmo de massas sem paralelo na história”.

A profecia de Stalin de que a União Soviética tinha apenas dez anos para fazer o que os britânicos fizeram em um século provou-se correta. Quando os nazistas invadiram em 1941, a mesma base industrial, seguramente distanciada em milhas do fronte, produziram as armas da guerra que eventualmente mudaram o rumo da maré. O custo dessa sobrevivência incluiu 22 milhões de soviéticos que pereceram na guerra e incomensurável devastação e sofrimento, os efeitos distorceriam a sociedade soviética por décadas depois.

Tudo isso não quer dizer que tudo que Stalin fez foi uma necessidade histórica. As exigências da sobrevivência revolucionária não “tornam inevitáveis” a execução sem coração de centenas de velhos líderes bolcheviques, o culto da personalidade de um líder supremo que clamava cada ganho revolucionário como sua própria conquista, a supressão da vida política do partido através do terror, o eventual silenciamento do debate referente ao ritmo da industrialização e coletivização, a regulação ideológica de toda a vida intelectual e cultural, as deportações em massa de nacionalidades “suspeitas”.

Os efeitos transformadores do ataque contrarrevolucionário tem sido sentido em outros países. Uma oficial sandinista que eu conheci em Viena, em 1986, notou que os nicaraguenses não eram um “povo guerreiro”, mas eles tiveram que aprender a lutar por que estavam face a uma guerra destrutiva, mercenária, patrocinada pelos EUA. Ela enfatizou o fato de que a guerra e o embargo forçaram seu país a protelar sua agenda socioeconômica. Tal como com a Nicarágua, tal como Moçambique, Angola e numerosos outros países nos quais forças mercenárias dos EUA destruíram fazendas, vilas, centros de saúde e estações de energia, ao passo que matavam ou traziam a fome para centenas de milhões – o bebê revolucionário foi estrangulado em seu berço ou impiedosamente sangrado antes de seu reconhecimento. Essa realidade deve ganhar tanto reconhecimento quanto a supressão de dissidentes nesta ou naquela sociedade revolucionária.

A derrubada dos governos comunistas soviético e do Leste Europeu foi aplaudida por muitos intelectuais de esquerda. Agora a democracia teria seu dia. O povo estaria livre do julgo do comunismo e a esquerda dos EUA estaria livre do albatroz de tal comunismo existente, como Richard Lichtman colocou, “liberada do íncubo da União Soviética e da súcubo da China comunista”.

Na verdade, a restauração capitalista na Europa Oriental enfraqueceu seriamente as numerosas lutas de libertação do Terceiro Mundo que recebiam ajuda da União Soviética e trouxe uma nova onda de governos de direita, os que agora funcionam lado a lado com as contrarrevoluções globais dos EUA ao longo do globo.

Em adição, a derrubada do comunismo deu luz verde para os impulsos exploratórios descontrolados dos interesses corporativos ocidentais. Não há mais a necessidade de convencer aos trabalhadores que eles vivem melhor que seus colegas na Rússia, não estão num sistema concorrente, a classe corporativa está retirando as principais conquistas que o povo trabalhador conseguiu ao longo dos anos. “Capitalismo com face humana” está sendo substituído por “capitalismo na sua face”. Como Richar Levisn coloca, “então na nova agressividade exuberante do capitalismo mundial nós vemos do que haviam se distanciado os comunistas e seus aliados” (Monthly review, 9/96).

Tendo jamais entendido o papel dos poderes comunistas existentes desempenhado no temperamento dos piores impulsos do capitalismo ocidental, e tendo percebido o comunismo como nada além de um mal não mitigado, os anticomunistas de esquerda não fizeram nada para antecipar as perdas que estavam por vir. Alguns deles ainda não entendem isso.






*Michael Parenti é um cientista político, jornalista, escritor, historiador, crítico de cultura internacionalmente conhecido e vencedor de diversas premiações, escrevendo acerca de assuntos acadêmicos e populares por mais de quarenta anos. Lecionou em diversas universidades e faculdades e tem sido um convidado para diversas audiências e leituras em campi. O professor doutor Michael Parenti também foi ativista em diversas lutas políticas, especialmente movimentos contra a guerra. Tendo escrito mais de vinte livros, alguns publicados em língua portuguesa, seus temas favoritos são a política americana, assuntos internacionais, notícias e entretenimento, ideologia, historiografia, culturas nacionais e religião.


Dentre seus vários trabalhos em língua inglesa, dois são bastante conhecidos em língua portuguesa, "O assassinato de Júlio César" e "A cruzada anticomunista". O autor de A Página Vermelha teve a oportunidade de trocar ideias com o autor americano através de correspondências, mostrando-se como um intelectual aberto e receptivo.

SEM COMENTÁRIOS

PM espanca professores, quebra tonfa, e ainda faz piada no Facebook.





sexta-feira, outubro 04, 2013

HISTÓRIA: O homem que tentou provocar uma guerra entre a França e a URSS

Por Cristiano Alves


Pavel Gorgulov fora um médico do Exército Branco, durante os anos da Guerra Civil Russa. O militar russo, após a derrota da Guarda Branca, fugiu para a Tchecoeslováquia, de onde foi expulso por praticar o abortamento, mesmo se dizendo religioso cristão branco(contrarrevolucionário).

Foi na França que Gorgulov escreveria seu nome na história, negativamente! Lá, após ter seu pedido negado para ir morar em Mônaco, por suas práticas abortistas, o contrarrevolucionário russo cometeu um famoso crime, ter assassinado o presidente da França, Paul Dourmer. Ele aproximou-se de forma furtiva do presidente francês, que visitava uma exposição na França, e disparou contra o chefe de Estado três tiros com uma pistola FN 1910, um deles atingindo sua nuca, vindo o presidente Dourmer a óbito.

Segundo Gorgulov confessou num tribunal francês, seu objetivo era "se vingar pelo pouco apoio aos brancos dado pela França" e "provocar uma guerra entre a União Soviética e a França". Após sua prisão, Gorgulov perdeu a cabeça na guilhotina.

A ação de Gorgulov foi uma das diversas ações tomadas por guardas brancos e provocadores estrangeiros que visavam lançar a URSS numa guerra contra os países capitalistas. Diversos diplomatas e representantes comerciais soviéticos foram vítimas de atentado nos países ocidentais, bem como personalidades estrangeiras que visavam o diálogo com os soviéticos.


Fontes:

Academia de ciências da URSS. História da URSS: Período do socialismo 1917-1957. Tradução João Alves dos Santos. Editorial Grijalbo. São Paulo - 1960
WIKIPEDIA. Artigo sobre Paul Gorguloff. Disponível em http://en.wikipedia.org/wiki/Paul_Gorguloff

POESIA

Por Jeronimo Colares






herói não se faz em filmes
não se fazem por manchetes
sequer por enquetes

heróis são eleitos por vontade do povo
resultado da tenacidade e perseverança
da ciência e da disciplina

herói é aquele que em tempos ásperos
suaviza a vida

que ousa lutar contra a opressão
imposição

estes, não morrem jamais

MUNDO: A despedida do "Vôzão" dos comunistas, Vo Nguyen Giap


Por Cristiano Alves


O "Vôzão" dos amantes da liberdade
Entrou hoje para a eternidade o homem que derrotou o imperialismo japonês, francês e americano, o Comandante Supremo das Forças Vietnamitas, Vo Nguyen Giap, aos 102 anos. Vo tornou-se famoso em todo o mundo por ter destruído o mito da "superioridade ocidental", inspirando lutas de libertação nacional e colonial em países do terceiro mundo. Um herói no Vietnã e um exemplo de resistente e de estrategista militar na história mundial, seu nome está gravado ao lado de estrategistas notáveis como Sun Tzu e de revolucionários como Chapayev, Fidel Castro e Mao Tsé Tung.

Vo Nguyen Giap(seu nome Vo significa força, e giap significa armadura) nasceu de uma família de camponeses trabalhadores na Indochina, território francês que envolvia partes da China, Vietnã, Camboja e Laos. Vo trabalhou desde muito cedo, aos 14 anos era mensageiro da Companhia de Energia Haiphong, onde conheceu trabalhadores revolucionários. Era fluente em francês e ingressou na Universidade Nacional, de Hanói, de onde foi expulso por "atividades subversivas". Foi em meio aos universitários que ele conheceu o notável revolucionário vietnamita Ho Chi Mihn, que junto com ele defendia o fim do colonialismo francês. 

Foi no início dos anos 30 que Vo ingressou no Partido Comunista da Indochina e graduou-se em Direito, passando a lecionar história em escolas locais e escrever para jornais. No partido ele conheceu Dang Thi Quang, comunista tailandesa com quem se casou. Junto com sua esposa ele fora preso em várias oportunidades, mas esta veio a falecer na prisão em virtude de torturas sofridas. Vo, ao contrário, sobreviveu.

Vo Nguyen Giap e Ho Chi Minh

Com a perseguição aos comunistas da Indochina, intensificada com a proibição do Partido Comunista, Vo, Ho Chi Minh e outros comunistas fugiram para a China, onde aprenderam táticas de guerrilha, supervisionadas por especialistas soviéticos, num ato de solidariedade internacional e assistência revolucionária mútua. Entre 1940, seus conhecimentos militares, inspirados na estratégia militar de nomes como Sun Tzu e Napoleão Bonaparte, autores que estudou, seriam colocados à prova na guerrilha contra o imperialismo japonês, que invadiu e capturou grande parte da Ásia, incluindo o sudeste asiático, no qual estava inserida a Indochina. A luta se prolongaria até 1945, com a derrota e expulsão dos imperialistas japoneses. Estes últimos, sabendo que teriam seu imperialismo substituído por outro(no caso o francês) resolveram dar certas liberdades aos vietnamitas em seus últimos anos, a fim de causar desgastar politicamente os novos ocupantes franceses.

Com a saída dos japoneses, os comunistas vietnamitas formaram a República Democrática do Vietnã, iniciando uma guerra de expulsão contra os colonialistas franceses e destruindo seus postos ao norte do país, formando assim uma fronteira comum com a China, o que possibilitaria ao Vietnã receber a ajuda militar da União Soviética, então liderada por Iósif Stalin. Essa atitude dos vietnamitas também acabou por envolver a China no conflito, em reação à decisão francesa de usar tropas colonialistas de países como o Marrocos, Argélia, Tunísia, Camboja, Laos e mesmo tropas formadas por minorias vietnamitas.

A guerra de libertação nacional do Vietnã do Norte durou 7 anos, a mais decisiva batalha foi a de Dien Bien Phu, onde os franceses concentraram artilharia pesada e empregaram paraquedistas, esperando que os guerrilheiros comunistas entrassem em confronto aberto e fossem assim dizimados. Em vez disso, Vo Giap empregou uma técnica de cerco contra os franceses que mobilizou 250 mil pessoas. Camponeses traziam peças de artilharia em carroças, bicicletas e de outros meios que dificultavam sua detecção pelos franceses. A estratégia francesa, do general Henri Navarre, garantiria aos franceses uma vantagem se os vietnamitas os combatessem abertamente. Vo Giap determinou então o emprego de ataques diversionários contra tropas francesas, enquanto outra parte das tropas reunia peças de artilharia em colinas, protegidas da aviação francesa, uma vez que contavam com a artilharia antiaérea fornecida pela União Soviética. A tática de Vo foi um sucesso, impondo às tropas francesas uma pesada derrota.

Vo Nguyen Giap, o ministro Celso Amorim, a presidenta Dilma Rousseff e o ex-presidente Lula da Silva

Enquanto a esquerda francesa protestava contra a guerra, especialmente os comunistas e intelectuais como Paul Sartre, as derrotas francesas mobilizaram todos os setores da sociedade francesa contra a guerra, num país que tentava se erguer da destruição sofrida pela Segunda Guerra Mundial. A França chegou a gastar duas vezes o que recebeu do Plano Marshall para combater os vietnamitas. Sua guerra era chamada de "la salle guerre"(a guerra suja) e milhões de franceses não viam uma justificativa moral para estar no Vietnã.

A campanha colonialista francesa, nos últimos anos da guerra, deixou de ser uma "aventura militar" para se transformar em humilhação, a ponto do General Navarre ter apelado ao pedir ajuda ao imperialismo americano e britânico. De acordo com algumas fontes, os Estados Unidos chegaram a sugerir o uso de armas nucleares contra os vietnamitas ou o emprego de raides de bombardeiros. Em março de 1954, após a aniquilação da superioridade artilheira francesa, o coronel Piroth, comandante de artilharia, culpou a si mesmo e tamanha foi sua vergonha, que este suicidou-se, explodindo uma granada de mão. O general De Castries, comandante das tropas francesas em Dien Bien Phu, foi capturado vivo em sua casamata. Após tamanhas humilhações e derrotas militares, os franceses não tiveram outra alternativa, senão assinar a sua rendição. Na ocasião, Vo alcançara algo muito maior do que uma simples "vitória militar", algo maior do que a "destruição de tropas francesas", ele destruíra o mito da "invencibilidade do ocidente", tornando-se uma referência para lutas anticoloniais no Terceiro Mundo.

Uma outra campanha viria a marcar a vida de Vo Nguyen Giap, desta vez contra a maior força imperialista posterior à Segunda Guerra, o imperialismo americano. Após a tentativa do Vietnã do Norte de unificar o país com Vietnã do Sul, os americanos resolveram intervir no conflito, enviando um grande número de porta-aviões, aviões bombardeiros, caças-bombardeiros e um grande contingente do USMC, isto é, o Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos, sua tropa de elite e principal força de invasão. O país imperialista não exitou em semear no Vietnã o caos e a destruição, empregando armas químicas proibidas por tratados internacionais como o Napalm, fósforo branco e agente laranja, destruindo cidades inteiras no Vietnã e contaminando civis com agentes químicos que até hoje estão presentes no organismo de milhares de vietnamitas. Milhões de mulheres e crianças sofreram com a guerra do Vietnã, e não apenas neste país, o Laos e o Camboja também foram alvo de milhares de toneladas de bombas da USAF(Força Aérea Americana). Segundo estimativas de uma revista anticomunista financiada pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos(Problems of Communism Jan-Feb 1979, p. 40 col. 2 & note 35), estima-se em 600 mil a mais de 1 milhão de mortos no Camboja durante a Guerra do Vietnã. Neste último país, estima-se em 2 a 5 milhões de mortos o número de pessoas(incluindo civis e militares) durante a guerra. O Viet Cong, norte-vietnamita, combateram durante a guerra não apenas sul-vietnamitas e americanos, mas também tropas da Tailândia, que contribuiu para o esforço americano com mais de 1500 soldados; Austrália, que teve 500 mortos e mais de 1300 feridos; Nova Zelândia, que teve 37 mortos e 187 feridos; e Coréia do Sul, que deve mais de 5.000 mortos e 10.000 feridos. O esforço militar vietnamita reuniu mais de 1 milhão de homens do Vietnã do Norte, cerca de 10 mil chineses e dúzias de soviéticos, a maioria pilotos de caça da força aérea vietnamita, que contava com os modernos caças MiG-21.

O general Giap, apelidado "Irmão Van", exerceu um importante papel durante a guerra contra os americanos, embora tenha gasto parte dela em tratamento médico na Hungria. A vitória, conforme se sabe, foi do povo vietnamita, mas a um preço muito alto, uma vez que o país foi arrasado por bombardeios americanos e suas perdas materiais e inclusive ecológicas foi muito alta. Em virtude da destruição de mais de 50 mil invasores imperialistas, a opinião pública americana exigiu a retirada das tropas do país genocida.



Vo Nguyen Giap, nos anos posteriores à guerra, veio a ocupar o cargo de Ministro da Defesa e do Birô Político do governo vietnamita, opondo-se a algumas políticas econômicas implantadas durante os anos 80. Conheceu os presidentes do Brasil Lula e Dilma Rousseff, e entrou para a eternidade no dia 4 de outubro de 2013, o mesmo dia em que esse artigo foi escrito. Um nome inesquecível para a história dos povos, especialmente aqueles que lutam por sua libertação, contra o imperialismo. Um herói surgido não da purpurina de efeitos cinematográficos, mas do seio de um povo.

Vo Nguyen Giap (1911-2013)

quinta-feira, outubro 03, 2013

CITAÇÃO DA SEMANA

É curioso como algumas pessoas adoram citar Antonio Gramsci como se este fosse "a primeira linha da esquerda contra a "esquerda autoritária"", o que normalmente o fazem citando autores lacaios da burguesia ou mesmo jornais da burguesia. Vale lembrar a esses gramscianos de araque o que Gramsci dizia sobre os jornais da burguesia:



                                                     



"Antes de mais, o operário deve negar decididamente qualquer solidariedade com o jornal burguês. Deveria recorda-se sempre, sempre, sempre, que o jornal burguês (qualquer que seja sua cor) é um instrumento de luta movido por idéias e interesses que estão em contraste com os seus. Tudo o que se publica é constantemente influenciado por uma idéia: servir a classe dominante, o que se traduz sem dúvida num fato: combater a classe trabalhadora. E, de fato, da primeira à última linha, o jornal burguês sente e revela esta preocupação." (GRAMSCI, Antonio. Os jornais e os operários. 1916)

terça-feira, outubro 01, 2013

FILMES: A fundação de uma república


No aniversário da República Popular da China, A Página Vermelha traz o filme "A fundação de uma república", legendado em português, sobre o surgimento da China moderna. Com Donnie Yen, Jackie Chan e Jet Li:

DEBATE: Resposta a um artigo de Rodrigo Constantino


Por Cristiano Alves


O blog de Rodrigo Constantino na Veja publicou um artigo injurioso, onde este basicamente clama que "todo socialista é uma espécie de parasita social". Em respeito pelos operários, camponeses, professores, policiais e até juízes que frequentam este sítio virtual e defendem as ideias comunistas, muitas vezes em frentes de luta classistas, decidi publicar a seguinte resposta:

"O símbolo da foice e o martelo não traduz mais o comunismo da era digital. Quando que um desses jovens pegou em uma enxada ou uma foice pela última vez?" (Rodrigo Constantino)

Desde os 13 anos de idade sei o que é enxada, que usava para limpar terrenos inteiros, incluindo o quintal de casa, uma vez que morava nos arredores da cidade de Mossoró-RN. Não só em enxada, como também arado e facão, uma vez que fui voluntário numa fazenda em Serra do Mel, onde atuei como tradutor de russo voluntário. Também fiz isso nas Forças Armadas. Aliás, a última vez que peguei numa foice foi semana passada, para retirar o mato de frente de casa mesmo. 

Mas bem mais do que eu, poderia citar por exemplo o Sindicato dos Petroleiros do RN, onde muitos comunistas não pegam só em enxada, mas trabalham com sondas, que são bem mais pesadas do que enxadas, e é fácil reconhecer alguém que trabalha com sondas, inclusive pelos vários problemas de saúde adquiridos que muitas vezes não são cobertos pelos seus planos miseráveis pagos por companhias privadas. Muitas vezes problemas adquiridos na velhice, sob condições paupérrimas por que o patrão que se dizia "amigo" do trabalhador não depositava seus valores previdenciários.

Rodrigo Constantino demonstra sua ignorância para o marxismo, quando diz que "os neomarxistas adoram odiar o capitalismo". Em nenhum trecho da obra de Marx, que ao contrário do autor desse artigo paupérrimo, eu li, está escrito que "comunismo é ódio ao capitalismo", ou que "o comunismo é a negação do capitalismo", do contrário, ele é a "negação da negação"(ver Manuscritos econômico filosóficos), em nenhum momento Marx fala em "destruir o capitalismo", mas sim em "superar o capitalismo" através da superação de seus mecanismos, em nenhum momento o marxismo é "antitecnologia", o que ele defende é que a tecnologia esteja ao alcance de todos, logo, por esse raciocínio, não há nada mais marxista do que um comunista ter iPhone, não há nada mais marxista do que um obreiro ou campesino possuir um, desde que não virem reféns de empresas que fornecem péssimo serviço de telefonia. iPhone não é invenção capitalista, mas invenção do homem sob o capitalismo. Se fôssemos abandonar todo tipo de invento por que ele surgiu sob determinado sistema, baseando-se em diferenças ideológicas, esse texto nem deveria existir, pois a escrita é uma invenção do homem sob o escravismo. Aliás, nesse aspecto até mesmo outro blogueiro de direita, Reinaldo Azeved, foi mais honesto, quando disse ser a internet uma "conquista da humanidade", e não "conquista do capitalismo". Também é deveras curioso como todo "espanca-vermelhos" fica irritado quando seu salário não entra no dia, trabalha 8 horas por dia, e não 14 horas, como ocorria na época em que a luta dos comunistas não tinha muita força. Goza de conquistas dos socialistas e comunistas e fala mal deles.

Agora resta saber de que frente de luta faz parte Rodrigo Constantino. Será que este indivíduo tão preocupado em policiar o que fulano ou cicrano usa para fazer ligações chegou a pegar em alguma enxada? Será que R. Constantino fez parte de algum órgão de luta coletiva? Ou será que sempre fez parte do time dos patrões, a quem demonstra sua subserviência incondicional na Revista inVeja?

segunda-feira, setembro 30, 2013

MUNDO: Inspetora da ONU confirma que rebeldes é que usaram armas químicas na Síria





Essa notícia deveria estar na primeira página dos jornais, mas o arco midiático em apoio aos lobbies da guerra restringiu severamente sua disseminação. Uma das inspetoras da ONU encarregada de checar o uso de armas químicas na Síria declarou, em maio deste ano, que todos os indícios apontavam para a responsabilidade dos rebeldes. Os rebeldes é que estariam usando armas químicas, e jogando a culpa no governo.

A declaração de Carla Del Ponte circulou em alguns veículos europeus (como a BBC) e em todos os sites árabes, mas foi abafada pela hegemônica mídia pró-americana. Autoridades russas, nervosas com a possibilidade dos EUA iniciarem mais uma guerra insana, voltaram a citar o testemunho de Ponte no intuito de amainar o frenesi guerreiro dos falcões americanos.

Apesar da declaração de Ponte não se referir aos ataques mais recentes, a informação colhida por ela reforça a teoria de que são os rebeldes é que usam gás sarin para chocar a opinião pública mundial e jogá-la contra o presidente sírio.

Segundo o New York Times, Obama deu um passo atrás, e afirmou que deixará a decisão de atacar a Síria nas mãos do Congresso. Mas é difícil acreditar que o Congresso resistirá a pressão dos bilionários lobbies da guerra e da grande mídia americana. O New York Times, como sempre, apoia a guerra; daqui a alguns, possivelmente, fará uma mea culpa.

Autor: Miguel do Rosário

quarta-feira, setembro 25, 2013

A VOZ DO COMUNISMO: Debate ao vivo - Marxismo cultural no Brasil, mito ou verdade?

Nesta noite de sexta-feira(27/09/2013), às 21:00, o nosso programa A Voz do Comunismo, no Youtube, trará um debate ao vivo entre o jurista e jornalista cearense Cristiano Alves, autor de A Página Vermelha, e a Dra. Angela Mesacaza, advogada catarinense, acerca do tema "Marxismo cultural no Brasil: mito ou verdade?". Um link para a transmissão será gerado e postado neste tópico.


 


Confira:

Parte 1:



Parte 2:

terça-feira, setembro 24, 2013

BRASIL: Cidade maranhense é a que receberá o maior número de médicos cubanos

Por Mariana Tokarnia/Agência Brasil





Eles ainda aguardam o registro provisório, que será emitido pelo Conselho Regional de Medicina. A expectativa é que comecem a atender na próxima semana

Recém-chegados no último fim de semana, os seis médicos cubanos do Mais Médicos aproveitaram o dia para conhecer os colegas com quem irão trabalhar, os postos de saúde onde atuarão e a casa em que irão morar em Chapadinha, no interior do Maranhão. A cidade foi a que mais recebeu médicos cubanos pelo Programa Mais Médicos, no total seis.

Eles ainda aguardam o registro provisório, que será emitido pelo Conselho Regional de Medicina. A expectativa é que comecem a atender na próxima semana.

Chapadinha tem 76 mil habitantes, segundo estimativas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No entanto, de acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, a cidade atende a mais 16 municípios vizinhos, totalizando 350 mil pessoas. A cidade dispõe de um hospital e 14 postos de saúde. O corpo médico atual soma 32 profissionais, que se dividem entre a atenção básica e a especializada.

Com a chegada dos cubanos, os profissionais poderão voltar-se à atenção especializada, já que os estrangeiros se ocuparão da atenção básica. "A gente vai conseguir levar para a população a assistência médica e bloquear a ida dos pacientes para o hospital por problemas que possam ser resolvidos no posto de saúde perto da casa dele", explica o secretário de Saúde, Charles Bacelar. "Temos no hospital, um grande número de internações relacionadas à atenção básica".

O dia de hoje (23) começou com uma reunião. Bacelar explicou aos médicos como e onde irão atuar. Em seguida, cada um deles conheceu a futura sala de atendimento.

O médico Juan Montero terá de dividir a sala com a enfermeira brasileira Nitheyanna dos Santos. O posto de saúde de Bairro Novo é o que está em piores condições. O teto e as paredes estão com infiltrações. Na sala de atendimento, apenas uma mesa, uma cadeira, e uma maca. A cadeira, quebrada. O local atende mil famílias. A prefeitura diz que já solicitou uma reforma.

"Aqui é mais ou menos parecido com o meu país, com o meu consultório", diz Montero. A partir da semana que vem, ele pretende acompanhar as visitas dos agentes comunitários.

"Primeiro, vamos apresentar a população para ele, para poder passar confiança. Ele está chegando agora e algumas pessoas ainda estão desconfiadas", diz Nitheyanna. Ela diz que vai ajudar o futuro colega com o português: "Os pacientes têm a linguagem deles. Chegam dizendo que estão com dor na bacia, nos quartos. Tem vezes que nem a gente entende. Temos que pedir para eles mostrarem onde é a dor".

No posto, a procura por consulta é disputada. Com apenas um médico duas vezes por semana, as consultas são todas agendadas. "Já teve até briga. Chegou um senhor procurando consulta e só tinha para o fim do mês. Ele ficou bravo e voltou com uma faca. Tivemos que conversar bastante com ele para se acalmar". O médico cubano irá trabalhar 40 horas semanais. Com isso, os pacientes serão atendidos por ordem de chegada.

Já o posto de saúde de Areal foi recentemente reformado. Juan Carlos Rojas terá uma sala só para ele. O número de pacientes, no entanto, é maior, são 4 mil famílias cadastradas. Lá, a visita à comunidade é obrigação. Um ou dois dias da agenda do médico serão dedicadas às visitas aos pacientes acamados que não têm condições de ir ao posto e às famílias, para dar orientações.

"O atendimento domiciliar é como a gente trabalha com a prevenção. É quando conhecemos a família, a área", explica a enfermeira Cleomara Caldas.

Na cidade, a maior parte das doenças pode ser evitada com a mudança de hábitos da população, de acordo com a secretaria de Saúde. No entanto, Chapadinha não tem saneamento básico adequadom, e grande parte das doenças está relacionada com a água. A Pesquisa Saneamento Básico de 2008 do IBGE mostra que 17 mil casas tem água encanada, porém nenhuma conta com tratamento de esgoto.

Após as visitas, os médicos foram encaminhados à casa onde ficarão hospedados. O local ainda está recebendo os últimos reparos. Pelas regras do Mais Médicos, o município deve arcar com a alimentação e hospedagem. A prefeitura optou por comprar os alimentos e abastecer a casa. A prefeita Maria Ducilene Cordeiro diz que estuda um valor para repassar diretamente aos profissionais, mas ainda não tem uma estimativa.

A casa tem três quartos. Um deles é ocupado por Aicza Madelaine. Dois médicos dividem um cômodo e mais três, outro. A médica diz que pode ser "complicado" conviver com cinco homens por três anos - tempo de duração do programa. Já os rapazes queixam-se do quarto compartilhado. A prefeitura informou que está preparando uma segunda casa, para melhor acomodação.

Durante a semana, os médicos devem se ocupar em conhecer a população. A orientação é que façam palestras nos postos onde irão trabalhar.

A dona de casa Maria da Silva Araújo sofre de pressão alta, por isso vai ao médico uma vez a cada três meses para pegar a receita do remédio controlado. Com a chegada dos novos médicos, espera melhora no atendimento. "Vai ser bom, os médicos daqui, maioria vem de fora, as pessoas ficam sem médico. Graças a Deus, vai ficar melhor", diz Maria, que cuida de seis netos.

segunda-feira, setembro 23, 2013

EDITORIAL: Um troll e um ex-toureador nos atacam

Por Cristiano Alves


Um troll (Leonardo Bruno)

E um "ex-toureador"(Bertone Sousa)


Desde seu surgimento, no ano 2000, A Página Vermelha tem recebido milhares de visitantes que geralmente nos incentivam para dar continuidade ao nosso trabalho e saúdam-nos por este espaço não ser mais um tentáculo da grande mídia, por ser este sítio comprometido com causas sociais, pela sua exaltação da amizade dos povos e por seu teor anti-imperialista e antirracista. Mas como não poderia deixar de ser, ser uma página com número expressivo de visitas tem um preço, os opositores e trolls. Mesmo um blog inofensivo como o "Querido leitor" teve problemas com trolls, sua dona deve que sair do Brasil e apagar todos os dados relativos às suas filhas na internet, ameaçadas por um troll1. Apesar de várias ameaças recebidas, ainda não chegamos nesse estágio, entretanto medidas de segurança são tomadas.

A Página Vermelha, por tratar de temas polêmicos e fazer uma defesa estoica de ideias em prol da comunidade, dos trabalhadores, segue na mesma linha, "negro de m...", "comunista safado", "mentiroso", "genocida", "agente da(sic) KGB", "jumento nordestino" são apenas alguns dentre outros epítetos que a direita raivosa atribui ao autor deste site, insultos que em vez de ofenderem, provocam boas risadas e muito dizem sobre seus opositores. Alguns indivíduos, não por admiração, mas por uma compulsão anticomunista, explicável apenas pela psiquiatria, mesmo acompanham essa página cheios de espuma na boca. Seguido um debate entre um péssimo profissional da UFT, o professor Bertone Sousa, surgiu um artigo extremamente obscuro caluniando e difamando A Página Vermelha e especialmente seu autor, de um articulista do renomado site de extrema-direita Mídia Sem Máscara(MSM), um certo "Conde Loppeaux de la Villanueva"(para facilitar o trabalho de nossos leitores, empregaremos adiante "Vila Nova"). Alguns vieram perguntar-me quem é o dito cujo, mas afinal, quem é o tal "Conde de Vila Nova"?

O "conde de Vila Nova" é um troll conhecido em sites comunistas, ateus, feministas, antirracistas e escreve para sites como "Defesa Hetero" e MSM, sendo um renomado articulista de direita

O tal Conde de Vila Nova é um advogado de extrema-direita que atua em Belém, o Dr. Leonardo Bruno de Oliveira, um obnóxio conhecidíssimo em sites sobre socialismo e ateísmo, que já ganhou até uma página na Desciclopédia, é dono de um site de coprolalia cheio de artigos escatológicos que divulgam o ódio, o fanatismo católico e o anticomunismo. De nobre Leonardo Bruno nada tem, aliás, o grande Lenin disse certa vez que uma herança positiva da nobreza na Rússia foi sua polidez, o filósofo e advogado russo defendeu o enobrecimento da classe trabalhadora e não seu embrutecimento. Longe de qualquer título nobiliárquico, Vila Nova é um ser impregnado de ódio e brutalidade, qualquer um que digite no Google a entrada "o blogueiro racista continua solto" encontrará várias referências sobre o dito cujo, para ele, num artigo escrito em 1/08/2007, não há nenhum problema em "chamar negros de macacos" ou de qualquer outro insulto com estereótipos raciais, segundo ele "negros tem nostalgia do chicote"2, para o Conde, a "cultura negra é um lixo" e muçulmanos não passam de terroristas "que se reproduzem como ratos", ele chega a lançar o disparate de que no Iraque o principal responsável pelo extermínio de mais de 2 milhões de iraquianos não foi a guerra iniciada pelos EUA, nem seu bloqueio econômico, mas "a ação de terroristas islâmicos". No que diz respeito à cultura negra, que Leonardo Bruno desconhece, é curioso como esse fala dessa arrogantemente como se fosse alguma espécie de "grande maestro"... do século XIX. Sua arrogância "intelectual" é uma marca registrada que o levou a escrever um artigo onde me classifica como "jumento analfabeto nordestino stalinista". Quanto à classificação de "jumento", isso não nego que sou, nem eu nem grandes namoradas e amigas íntimas cuja afetividade até hoje cultivo, muitas de outros países, engana-se quem acha que "tamanho não é documento", felizmente, fui devidamente presenteado pela natureza, ao contrário desse que talvez por alguma frustração nesse plano resolveu atacar-me. Essa frustração do Dr. Leonardo Bruno talvez explique por que ele "odeia praias e festas", como ele mesmo nos diz em seu blog:

"Tal como o Rio, as capitais nordestinas me fazem lembrar turistas gringos idiotas, prostitutas..."3

Então para o articulista do site de Olavo de Carvalho só capitais nordestinas tem prostitutas? Será que ele já ouviu falar da Rua Augusta em São Paulo? Será que ele sabe que no Rio Grande do Sul há bordeis na entrada de cidades turísticas como Canela? Que além do local físico, há até sites que agenciam prostitutas do norte ao sul do Brasil? Sua opinião não é "mero acidente", na "finada" rede social Orkut, em 23/09/2009, referia-se ao povo nordestino, que é honesto e trabalhador, como "sub-raça nordestina"4, e afirmava que "o povo baiano negroide adora cheirar merda"5. Mas tudo se pode afirmar sem sofrer as consequências quando se é um extremista de direita. Ironicamente, Vila Nova, possesso pelo ódio e pela vaidade, que no cristianismo são dois dos sete pecados capitais, se diz "cristão", "gente de bem"(ironicamente o nome de um jornal do Ku Klux Klan). Mas como já dizia o Barão de Montesquieu, este sim um real nobre em status e em suas ideias, para alguns não basta serem bandidos, querem ser também "bandidos e cristãos".

O Conde parece ter uma compulsão contra turistas, num de seus vídeos, ele diz que "turistas são uma raça de idiotas", no trecho citado ele fala em "turistas gringos idiotas", algo que mostra bem xenofobia em seu perfil psicológico. Esse ignóbil acredita mesmo que só o Nordeste recebe turistas? Turistas no Brasil não apenas são um fator positivo para a economia, uma vez que representa a entrada de dólares e a criação de empregos para guias turísticos, trabalhadores da área hoteleira, professores de inglês, dentre outros, como também são um grande fator de enriquecimento cultural e afetivo. Muitos turistas sabem valorizar o povo brasileiro mais do que eles próprios, muitas turistas valorizam mais o homem brasileiro do que as próprias mulheres brasileiras, situação facilmente constatada em locais como Canoa Quebrada, Natal, Jericoacoara, que recebem lindas turistas da Suécia, Cabo Verde, Espanha e Alemanha, muitas inclusive escolhendo mulatos brasileiros como seus maridos, situação análoga que ocorre às mulheres, por parte de turistas masculinos. Turistas estrangeiros e principalmente intercambistas trazem uma nova mentalidade e emprestam-nos o seu modo de vida, trazendo uma nova ética, uma nova mentalidade. Uma intercambista americana recebida pelo autor deste artigo, da AFS, citava por exemplo algumas diferenças entre a mentalidade da classe média de seu país, onde os jovens trabalham desde cedo em atividades que no Brasil a pequena-burguesia vê como "humilhantes", tal como trabalho em restaurantes, barracas de limonadas, dentre outras. Há que ressaltar que no Brasil, a chegada das ideias comunistas se deu com a chegada dos imigrantes italianos, que por isso e por sua contribuição como força criadora merecem também nosso respeito. Imigrantes ucranianos fundaram belos museus no Paraná. Somente um ignorante pode ser xenófobo no Brasil. Ironicamente, Leonardo, um xenófobo frustrado, alega em seu artigo que "se eu tivesse sangue germânico seria nazista". Mas que coerência pode-se esperar de um reacionário? "Acuse-os do que você faz", dizem eles! Na verdade, "eu tenho sangue germânico", mas ao contrário do que reza o hino holandês, não respeito o rei da Espanha. Uma das minhas avós foi uma jovem holandesa alva como a neve, fugitiva da I Guerra Mundial, que se casou no Brasil com um mulato cearense, mas não tenho nenhuma simpatia por ideias fascistas, pois estas são o que existe de mais podre no elitismo, esse flagelo que pariu o racismo e o nazismo.

Aqui uma das fantasias do Dr. Leonardo Bruno, descrito por um psiquiatra de Pernambuco como possuindo masoquismo em seu superego (clique para ampliar)

Esse "conde" que odeia praias, turistas e em seus vídeos apresenta uma forma de falar tão delicada demonstra em seu artigo sobre o "jumento analfabeto" certa animosidade para um vídeo meu comemorativo da vitória sobre o fascismo em que estou cingido com um uniforme comunista soviético, presente de uma amiga ucraniana. Essa "animosidade", embora disfarçada de ódio, pode ter uma explicação passional. Segundo alguns, o "Conde católico e moralista" seria um homoafetivo enrustido, frustrado após um amor não correspondido por um piloto da Força Aérea Brasileira. Sua aversão a praias, onde mulheres costumam estar mais à vontade, poderia ser entendido como algo isolado, se deixássemos de lado o fato de que o articulista do Mídia Sem Máscara tem o alter ego "Rachel Piazst", uma "moça curitibana loira, polonesa e reacionária". A máscara do troll caiu quando, em postagem tardia no Orkut, o direitista caricato acidentalmente assinou como "Conde-", sua forma usual de responder em terceira pessoa. Após esse vexame, Vila Nova deixou de usar esse fake no Orkut. Milhares de gargalhadas surgiram quando foi revelado que a sex symbol reacionária paranaense era na realidade um gordinho baixinho e desengonçado paraense. Ironicamente, escreveu o "guardião da moral e dos bons costumes" que "não há delírio maior do que homens brincando de noiva".

"Rachel Piazst" revelando acidentalmente sua identidade, ironicamente o cidadão com conflitos existenciais alegaria depois que "não há delírio maior do que homens brincando de noiva".

O coprógrafo do MSM, tal como o professor Bertone Sousa, é um indivíduo arrogante, cheio de prepotências intelectuais, mas ao contrário deste último, que ao menos tem como provar sua especialidade acadêmica, ainda que não a exerça de fato, o Conde se descreve como um "advogado, comerciante e especialista em história". Onde o Conde se tornou "especialista em história"? Em sua faculdade de direito? Em sua bodega? Parece que no Brasil está na moda que sujeitos que vomitem ódio e intolerância como a professora Maristela Basso e o Dr. Leonardo Bruno se digam "especialistas" enquanto espumam ao dar pitacos sobre o que não conhecem. É curioso como esse "especialista" sem especialidade chama a mim, fluente em quatro línguas e iniciante em outras duas, alfabetizado em dois alfabetos, de "analfabeto". Quem não se lembra de uma idosa burguesa e reacionária que, histericamente, chamava dois policiais militares de analfabetos, após estes prenderem-na por injúria qualificada por motivo racial, por chamar a um deficiente físico de "preto lixo e macaco"? Mas todo extremista de direita é um vaidoso narcisista que pensa ser um "grande intelectual", um "magíster", alguns até se declaram "filósofos" por repetir meros clichês, mas num país onde um jogador sem qualquer trabalho literário é homenageado pela Academia Brasileira de Letras tudo é possível. É uma pena que Leonardo Bruno, do alto de sua "intelequitualidade", mantenha uma página escatológica impregnada de erros crassos de ortografia e de concordância. Um pequeno vídeo no Youtube, "O articulista desarticulado" nos mostra algumas pérolas presentes no desserviço intelectual prestado por este que pensa que é escritor:

"o incidente com o rei da Espanha está ameaçado de sofrer uma retaliação"6 (Quem ameaçaria um incidente?)

"a abstenção, que foi mais de 50%, se recusou a votar"7 (Abstenção agora é gente e pode concordar?)

"É curioso pensar que a reportagem cite o Foro de São Paulo e não faça nenhuma menção a este movimento"8 (Como alguém pode citar algo sem mencionar?)

"deve-se transformar a extirpação de clitórios"9 (Talvez nem saiba o que é um "clitório" nem um "clitóris"!)

"a polícia política soviética mudou de vários nomes"10 (Até um estrangeiro com conhecimento vago do português escreveria melhor!)

"Ser burro e falar o eco da massa é sinal clarividente de inteligência"11 (Como alguém pode "falar o eco"?)

"A média pensante de brasileiros com o estômago"12 (Há muitos brasileiros sem o estômago?)

"...a tal ciência só falta crê"13 (A quem ele chamava de analfabeto mesmo?)

Típico de um coprófago que segue Olavo de Carvalho, ridicularizado pela própria direita, por economistas como Rodrigo Constantino! Quais as leituras de Vila Nova? Paulo Coelho? Se a extrema-direita costuma alegar que o sistema de cotas nas universidades só geram "incompetentes e burros", resta perguntar, qual foi a cota do Conde? Embora possa parecer um caso isolado para alguns, esse sujeitinho não está sozinho, ele é uma caricatura perfeita da extrema-direita, um prepotente que "se acha culto e intelectual que descobriu a verdade revelada e iluminada sobre o comunismo satano-gayzista", o típico caricato que nunca leu um livro na vida e acha que vai "salvar o Brasil do comunismo", que o conhece "tão bem" quanto a sua própria gramática. Tomei conhecimento de tal indivíduo através de um recado seu no "finado" Orkut, onde este recorria a insultos de baixo calão contra mim e parentes próximos, incluindo minha própria mãe, me dando vasta munição para acioná-lo na esfera penal e civil, mas limitei-me apenas a bloquear o troll, tendo em vista se tratar de um sujeito doente. É absolutamente normal a divergência de ideias e o debate saudável, inclusive com pessoas de extrema-direita, pois isso nos possibilita conhecer suas ideias, entretanto pessoas que não tem argumentos e são despreparadas para o debate costumam adotar um tom agressivo, injurioso, calunioso, pueril, baixo e inferior. Leonardo Bruno é um advogado sem compostura, que revela qualquer total desconhecimento de sua área nos vídeos que faz, segundo alguns, sua "atividade jurídica" limita-se a cobrar cheques sem fundo de lojas paraenses. Sua atividade "intelequitual" limita-se a trabalhos de coprografia. Algumas criações de Vila Nova contém sim alguma verdade, especialmente seu vídeo onde este critica os anarcocapitalistas, entretanto ela normalmente se perde no poço de intolerância que é seu site pessoal e no Mídia Sem Máscara. Esse mau profissional não tem reverência por nada e nem por ninguém, nem mesmo aviadores escapam de seu ódio e de sua homofobia, segundo ele, em resposta a um cidadão que se identificava como aviador, este, por sua profissão, "provavelmente também deve ser um frequentador assíduo de saunas gays".

Como bom mentiroso que é, Conde diz que eu "fugi do debate no Skype proposto por ele", mas por que eu iria perder meu tempo com um extremista sem quaisquer princípios e escrúpulos morais? Uma nulidade filosófica. Um historiador formado pela UFBA, Gilberto de Oliveira, alega que chegou a tentar discutir com ele por Skype, mas Vila Nova, num ato de covardia e sem argumentos, e também sem sua coragem para xingar típica de seus escritos, atrás de um monitor, simplesmente resolveu cancelar a ligação e bloquear o historiador. Quando no Youtube este alegou que "os nazistas tinham uma aliança militar com os comunistas", aleguei o contrário e provei mostrando um artigo sobre o pacto em inglês, então o rábula(que não sabia que eu estava comentando), que talvez jamais tenha cursado Direito Internacional, alegou que "na verdade o texto original está apenas em alemão e que uma cláusula secreta falava sobre aliança militar", o que o rábula esquece é que todo tratado de direito internacional é firmado na língua dos países que o firmam, no caso do Pacto Molotov-Ribbentropp, em alemão e russo, daí postei o texto integral do pacto em russo e inglês, extraído de uma página lituana insuspeita de "partidarismo comunista", daí desarmado e sem argumentos, o que fez o nosso pombo enxadrista? Simplesmente me bloqueou e censurou meus comentários, depois foi escrever um artigo em seu blog escatológico para cantar vitória e dizer que "eu o bloqueei". Como alguém pode ser tão sem escrúpulos? É preciso lembrar da máxima da extrema-direita, "acuse-os do que você faz". O mais engraçado foi esse ter feito um vídeo comparando a minha afirmação de que a Polônia não foi invadida pelos soviéticos, dada a inexistência de um Estado polonês após a invasão nazista e o não reconhecimento das ações soviéticas como invasão pelos principais Estados europeus e mesmo pela Liga das Nações; com a invasão de tribos indígenas, que tinham uma estrutura completamente diferente do Estado polonês e que eram povos alienígenas às potências europeias que os invadiram, diferente do que houve na Polônia onde a URSS se limitou a incorporar os povos que há uma década integraram seu território e tinham com essa afinidades linguísticas e culturais(no caso ucranianos e bielorrussos).

A desonestidade do "conde de Vila Nova": quando mostrei que jamais existiu "aliança militar entre comunistas e nazistas", mas sim um tratado que falava em esferas de influência(como entre Stalin e Churchill), o caricato de direita me bloqueia e depois vai escrever um artigo dizendo que eu o bloqueei

Tal como Bertone Sousa, o Conde é desonesto, extrai trechos de textos de A Página Vermelha e manipula-os. Em seu parágrafo sobre o Holodomor, por exemplo, Vila Nova, que talvez nem mesmo sabe o que é uma pêssanka, mostra como absurdo que exista uma apologética do socialismo, mas curiosamente, o que ele e seu mestre Olavo fazem em seus sites é uma infindável apologética dos horrores do catolicismo, das cruzadas e da inquisição, alegam que foi uma "defesa contra o islamismo terrorrista", mas omitem que esses cruzados católicos invadiram e saquearam cristãos ortodoxos em Constantinopla, atacaram e incineraram cristãos ortodoxos vivos em Pskov até os cavaleiros teutônicos serem derrotados e humilhados pelo Príncipe Alexander Nevsky, da República de Novgorod. A maior hipocrisia que pode existir é um católico, membro de uma instituição que carrega nas costas a repressão, tortura e assassinato, cruzadas e inquisição, apoio aos nazistas, uma igreja facínora, querer pagar de "bom moço que acha errado e cruel matar em nome de uma ideia". Ora, logicamente, se alguém acha certo matar "em nome da fé", então esse alguém não deve achar errado "matar em nome de uma ideia". Os comunistas não tem como prioridade o uso da violência, entretanto não são tolos e não querem ser pegos de surpresa, como ocorreu na Comuna de Paris, na República Soviética Húngara, na República Soviética Finlandesa e na Polônia, onde revoluções pacíficas foram sufocadas em sangue e substituídas por regimes fascistas. E depois, quem disse que "somente revoluções comunistas matam"? Será que já ouviram falar da Revolução Americana? Como os reacionários acham que ela foi feita? Que Washington convidou todos para um banquete, pediu aos ingleses que se retirassem e então saiu distribuindo abraços e apertos de mão?

Como é típico dos artigos do "Conde de Vila Nova", não há nenhuma profundidade intelectual em suas análises históricas, ele diz por exemplo, que "existe vasta documentação sobre os crimes de Stalin na Ucrânia", mas curiosamente, com uma documentação "tão vasta", ele não nos mostra uma sequer. Para sustentar um mito criado pela Gestapo ecoado pela imprensa ocidental, ele alega em seus vídeos e artigos que "diplomatas italianos e alemães sabiam", o que não diz é que esses "diplomatas alemães e italianos" eram meros funcionários de governos nazi-fascistas que tentavam a todo custo justificar a ideia de invasão da União Soviética. Ele diz que esse "segredo foi omitido por que esses governos comerciavam com a URSS", que "a URSS armou os fascistas por causa de seu comércio", o que não diz é que toda a Europa comercializava e se relacionava com os nazistas antes da guerra, aliás, o Brasil também o fazia e em terras tupiniquins a Alemanha hitleriana era a menina dos olhos do conservadorismo brasileiro. Sem jamais ter lido a obra de Ludo Martens, este simplesmente apresenta como "refutação" o fato de que ele integrava o Partido do Trabalho da Bélgica, que "era comunista" e usando fakes até alega que "Martens recebia dinheiro da(sic) KGB". O que o caricato não sabe, é que a obra "Stalin, um novo olhar" foi escrita em 1993 e publicada em 1994, o KGB foi extinto em 1991, e nessas alturas, aliás, já não era um órgão de "combate à contrarrevolução", mas que até teve um papel ativo na contrarrevolução na Romênia em conjunto com a CIA, que levou à derrubada de Ceausescu. Mas o principal, o Conde não toma em conta que diferente de autores anticomunistas, cujas obras são predominantemente compilados empíricos(que não raramente incluem aí nazistas e colaboradores ), obras de autores comunistas como Ludo Martens ou mesmo de autores neutros como Domenico Losurdo são resultado de ampla pesquisa epistemológica. Assim, por exemplo, a obra de Ludo Martens cita em inúmeras oportunidades historiadores renomados como o Dr. John Arch Getty Jr., embaixadores americanos como o Dr. Joseph Davies, jurista, além de profissionais que estiveram na URSS e lá moraram, além de historiadores russos e mesmo americanos anticomunistas como Robert Conquest, é fruto do diálogo com vários autores, e não mero "panfletarismo" ou "proselitismo" como aquele que o advogado embusteiro faz em sítio virtual. Mas certamente seria demais exigir que uma ameba "intelectuóide" saiba o que é uma "citação bibliográfica", uma "pesquisa bibliográfica", epistemologia. Conde assim age por que é ignorante, Bertone Sousa o faz por que é desonesto. O trabalho de Ludo Martens, um médico humanista que por anos trabalhou no Congo, defendendo os direitos dos negros, um gigante da história e da humanidade, diferentemente desses homúnculos anticomunistas, é um trabalho sério impassível de críticas baratas e infundadas oriundas de uma mente insana e apedeuta anticomunista.

Mas para Vila Nova, conforme este mesmo alega em um de seus artigos, "tudo é válido na guerra pela propaganda", inclusive mentir, falsificar fatos ou adotar como "fonte de credibilidade" autores que comprovadamente utilizam como fontes neonazistas, autores como Viktor Suvorov(Vladimir Rezun), que em "O Exército Vermelho por dentro" declara abertamente seu respeito pelo general Andriey Vlassov, desertor do Exército Vermelho que sob a tutela de Himmler montou um exército colaboracionista de russos, o ROA, para exterminar seu próprio povo, mas ao fim da guerra acabou sendo capturado, processado, julgado e condenado à forca na Praça Vermelha. Querer entender o "socialismo de cerco"(empregando a expressão cunhada por Michael Parenti) pela opinião de nazistas ou mesmo de historiadores anticomunistas ocidentais é o mesmo que querer entender os judeus por autores nazistas ou querer uma opinião sobre a república vinda de um autor monarquista, as chances da opinião ser tendenciosa e mesmo falsa são imensas.

Bertone Sousa e Leonardo Bruno são como Ivan Karamazov e Smerdyakov, personagens do romance de Dostoyevskiy, Os Irmãos Karamazov, um é o autor intelectual do crime, outro o seu executor, comparar os dois é comparar o obnóxio com o ignóbil, qual deles é o pior? O "conde" e o "ex-toureador" repetem em uníssono que "o comunismo é pior do que o nazismo", este último um regime de extermínio de eslavos, negros e judeus, ambos são fanáticos, que veem no comunismo "o mal encarnado"... Ambos são agressivos e intolerantes para com quem apresenta fontes diversas das suas, são sectários, brutos, vis, fracos e inferiores! Qual a diferença entre os dois? A lógica nos ensina que até um criminoso pode falar a verdade, e alegar o contrário é falácia ad hominem. O conde, do alto de seus devaneios, diferentemente de Bertone, ao menos tem a coragem para se assumir como extrema-direita, ao passo que este último, seja por sua covardia e aparente tentativa de "ficar em cima do muro", se recusa a fazê-lo e mesmo, hipocritamente, ataca quem o faz chamando-os de "fascistas"(característica nele facilmente constatada). Bertone diz que A Página Vermelha é uma "MSM num polo oposto", mesmo se isso fosse verdade, é melhor estar no polo oposto do que estar num mesmo polo com um tabardo diferente. O conde não apenas tem a hombridade de se reconhecer como "direita", como também percebe e mesmo elucida de forma brilhante as ideias de Bertone como "de direita". O erro maior de seu artigo, além dos ataques pessoais ao autor desta página, é apresentar Bertone como um "esquerdista incurável", visto que seu artigo mostra justamente o oposto sobre o ex-toureador. Também há que admitir que o conde acerta quando diz que "Bertone faz sim proselitismo", proselitismo do anticomunismo e de ideias claramente fascistas, algo feito indiretamente citando autores que tem por base colaboradores de nazistas e censurando toda e qualquer opinião que lhe é contrária, incluindo de professores e jornalistas, chamando de "burra e desmiolada" uma mulher que ousa dizer que "seu site perdeu a credibilidade", assim demonstrando sua face intolerante e autoritária para com as mulheres. Nesse quesito, ao menos o conde é menos seletivo ao emitir seus preconceitos.

Ambos são duas nulidades filosóficas, são elementos de periculosidade para a sociedade que num sistema socialista seriam a justo título removidos do convívio social por divulgar o ódio, a mentira, a desinformação, o machismo e a intolerância, por agirem como inimigos do povo. O Conde atinge principalmente os ignorantes e jovens sem cabeça formada, o ex-toureador atinge principalmente um público intelectualizado uma vez que está numa instituição de ensino superior. Ambos são perturbadores da paz, são antidemocráticos e suas ideias são funcionais apenas para extremistas de direita, para fascistas clericais e hordas de ignorantes que poluem o universo virtual. Para Edgar Morin, antropólogo e sociólogo, o homem tem a necessidade de "olhar e ser olhado", alguns querem ser olhados por fatores positivos, uma criação, seu altruísmo, pela beleza... os comunistas querem ser vistos por criar uma sociedade melhor e são bem vistos por aqueles que trabalham por seu combate e triunfo sobre o fascismo, pela promoção de políticas sociais voltadas para o obreiro e o campesino, pela sua defesa da paz; outros querem ser vistos por fatores negativos, seja o barulho de seus automóveis com escandalosas caixas de som, por suas extravagâncias feitas com altas somas de dinheiro ou pelo seu ódio desmesurado e fascismo.

Numa sociedade capitalista e desumana, sem dúvidas o grande vencedor é o "conde" Leonardo Bruno, pois com toda a sua histeria e esquizofrenia elitista ele ganha pleno espaço na mídia. Direita ajuda direita! O autor de A Página Vermelha já tentou, sem sucesso ter artigos publicados em revistas como a Carta Capital, Resistir.info, no Opera Mundi(que a direita curiosamente tacha de "leninista"), sempre sem sucesso, artigos enviados sem qualquer resposta, mas para ser justo, o autor de A Página Vermelha já teve artigos publicados em revistas de esquerda... do Canadá! O advogado de extrema-direita não apenas aparece positivamente nas páginas do Estadão, como é convidado para palestras e mesmo para um dos mais renomados jornais de direita, o Mídia Sem Máscara, talvez no Brasil o braço direito de Olavo de Carvalho. Um fato não pode ser negado, o troll pode cantar vitória, pois tem seu lugar ao sol! E ainda há energúmenos que acreditam que "vivemos numa ditadura comunista".



3- DE OLIVEIRA, Leonardo Bruno. Mentiras carnavalescas. Em http://cavaleiroconde.blogspot.com.br/2011/03/mentiras-carnavalescas.html
4- O endereço original da citação foi retirado do ar, entretanto, o Orkut ainda disponibiliza um registro dela em http://www.orkut.com.br/Main#UniversalSearch?searchFor=F&cmm=9009222&q=conde
5- ibid


Enquanto a extrema-direita sempre foi uma divulgadora do ódio travestido de "cristandade", da intolerância, seja ela a do "Orgulho LGBT" ou do "Orgulho hetero", os comunistas sempre exaltaram a criatividade, a amizade dos povos e o respeito pelos obreiros e campesinos, perseguindo como meta a criação de um novo homem: