quinta-feira, setembro 05, 2013

TEORIA: Stalin e a igualdade racial

Por Alexandre Braga* 

"LEVANTE A BANDEIRA DO INTERNACIONALISMO PROLETÁRIO"


Para Lênin a desigualdade do desenvolvimento econômico era inerente ao capitalismo. Apesar dele se referir a possibilidade do triunfo socialista em um só país, suas palavras cabem muito bem quando o assunto é a questão racial, porém, nesse caso, quem tematizou essa demanda étnico-racial foi Josef Stalin, um dos mais próximos colaboradores de Lênin. Ou seja, a desigualdade racial está intrinsecamente ligada ao sistema capitalista[1]. Tal preocupação foi constante na vida de Stalin, como militante e como dirigente do PCUS[2], em que buscou tratar disso recordando, também, o seu passado, cujo avo Dzhugasvili, era judeu. Em ?O Marxismo e a Questão Nacional? (1912) aponta o perigo do multiculturalismo dentro do Partido e afirma a necessidade da unidade entre as várias nacionalidades, que deveriam se organizar num Partido forte e centralizado[3], sem abrir mão da autodeterminação: ? o direito à autodeterminação é o direito, não da burguesia, mas das massas trabalhadoras de uma nação dada.O principio da autodeterminação deve ser utilizado como um meio de luta para o socialismo, deve ser subordinado aos princípios do socialismo?, pregava Stalin, o Pai dos Povos.[4] 

Ele afirmara isso porque sempre foi um exímio conhecedor das lutas do povo, pois esteve entre elas nos vários momentos de sua vida, como Agitprop[5], como editor de jornais e nas atividades clandestinas onde teve agudo contato com as minorias étnicas do interior da Rússia (curdos, judeus, ciganos, turcos, persas, entre outras). Daí porque entendia como poucos a realidade e o sofrimento dessas minorias, o que tornou-se fundamental para a consolidação da URSS, pós-1917. Com a vitória dos bolcheviques, a Rússia passa a primeiro país socialista da historia, em 1917, e Stalin é eleito Comissário das Nacionalidades, órgão responsável pela questão racial-nacional, onde a 2 de novembro deste ano edita ?A Declaração dos Povos da Rússia? com os seguintes princípios [6]: 

*abolição do jugo nacional 
*igualdade de direitos entre as nacionalidades 
*autodeterminação 
*fim dos ?progroms? 
*exaltação da amizade e fraternidade 
*abolição dos privilégios nacionais 
*abolição das restrições religioso-nacionais 
*liberdade das minorias étnicas 

A declaração, além de defender a autonomia das repúblicas socialistas, reconhecia o direito à autodeterminação e, inclusive, até delas virem a se separar da Rússia, onde o governo comunista tinha acabado de chegar ao poder, colocava fim à violência de uns grupos contra outros e conclamava o povo à fraternidade. Mas o principal significado da declaração ?A Todos os Povos da Rússia? é que, na prática, o poder soviético dava autonomia para a formação de Estados independentes, respeitando a soberania e o livre desenvolvimento das crenças e costumes étnicos, com garantia tanto da liberdade religiosa quanto à inviolabilidade desses valores. O Conselho dos Comissários do Povo ratificou os princípios da declaração e os defendeu com fervor revolucionário nos seus órgãos, os Sovietes de Deputados Operários, Camponeses e Soldados. Na proclamação ?A Todos os Trabalhadores Mulçumanos da Rússia e do Oriente? publicada em 22 de novembro de 1917, o governo bolchevique se dirigiu à comunidade mulçumana [7]convocando-a para uma política internacionalista libertadora, incentivando sua formação e o respeito às instituições mulçumanas no território russo. Esta atitude era uma luta contra o nacionalismo de cunho burguês, que no fundo, agia em oposição a jovem nação socialista. O Comissariado das Nacionalidades, a cargo de Stalin, criou as Repúblicas de Tártaro-Barquíria, Casaquestão, Turquestão, ambas autônomas do Estado Soviético, fruto da nova política externa adota por Lênin. 

Já em 19 de novembro de 1917, o alvo da ação política dos comunistas era acabar com os resquícios machistas que humilhavam as mulheres. Nesta data publica-se o decreto ?Sobre o Matrimonio Civil, os Filhos e a Implantação do Registro Civil? onde proclama-se a igualdade de direitos entre homens e mulheres, pois, antes da Revolução de Outubro, a mulher sofria uma dupla escravização, por causa da exploração capitalista, e por ser considerada inferior ao sexo masculino. Usando esta justificativa milhares de meninas foram estupradas, surradas e maltratadas. O decreto comunista pôs fim a isso e ainda reconhecia como legítimos os matrimônios civis, dava os mesmos direitos aos filhos nascidos fora do matrimonio e o casamento religioso passou a ser uma opção de cada família, portanto, sem caráter oficial [9]. Para formar o novo cidadão russo com base nesses valores humanistas-socialistas, o governo criou o ?Decreto Sobre a Imprensa,?em que lançou a campanha maciça contra o analfabetismo [10], ajuda alimentar e vestuário dos estudantes, bem como a instrução pública, técnico-política e obrigatória para todos. Também elevou os clássicos russos como patrimônio exclusivo do Estado e construiu a Academia Socialista de Ciências Sociais, preservando a liberdade de imprensa [11]. No ano de 1921, Stalin discursou no X Congresso do Partido Comunista da Rússia propondo no documento ?Sobre as Tarefas Atuais do Partido no Problema Nacional?, a formação da URSS-Uniao das Repúblicas Socialistas Soviéticas. Seguindo o espírito democrático desse líder os países que aderissem à URSS poderiam se separar depois caso quisessem e não perderiam a autonomia. Como garantia da proposta haveria rodízio no presidium da URSS entre ucranianos, russos, georgianos. A tese de Josef Stalin foi recebida calorosamente pelos congressistas, sendo aprovada a 30 de dezembro de 1922, durante o I Congresso dos Sovietes da URSS. 

O tema racial volta a ser objeto dos debates, em 1936, com a promulgação da Constituição Soviética sanciona-se legislativamente o que já havia tornado fato: as conquistas sociais do povo na luta pelos socialismo. Nela ratificam-se a independência das nacionalidades, das raças e o caráter multi-nações da URSS. Nada menos do que 50 milhões de trabalhadores participaram desses debates através de assembléias, reuniões e sovietes; recorde que nenhum outro país fez. Mas o orgulho maior do povo ficou por conta das reconstruções das velhas cidades e da periferia que ganharam novas, cômodas e alegres moradias e construíram-se novos bairros de residências nos centros operários de Cheliabinsk, Gorki, Karkov, Novosibirsk. Moscou ganhou seu rápido e barato metro [13]. Ainda em 1936 Stalin é a primeira liderança mundial a condenar a invasão da Abissínia, hoje Etiópia, pelas tropas fascistas italianas [14]. Durante a década de 30, Stalin adota as cotas para os batrak ( assalariados agrícolas) e os bedniak (camponeses pobres). Estes tinham preferência para receber alimentação, educação (nas escolas de liquidação do analfabetismo), para participar dos programas sociais do governo e no momento de receber incentivos técnico-agrícolas, como aquisição de máquinas e tratores (BETTANIN,1981:95). 

Em 1943 o desejo de Hitler de aniquilar ?toda a população judia sem exceção? foi frustrado por Stalin nos confrontos militares de Petrogrado. Em 1948 Stalin apóia a criação do Estado de Israel, em 1950 convoca a Conferencia sobre Etnografia[16] e em 1955, dois anos após a morte do líder bolchevique, realiza-se a Conferencia de Bandung convocando a Ásia-África a lutar contra o colonialismo e a discriminação racial [17], com eco na III Internacional Comunista, cuja repercussão do pensamento de Stalin chegava ao Partido Comunista dos Estados Unidos, onde o movimento pelos Direitos Civis teve sua maior agitação, graças justamente a essa influência vinda de Stalin. A hegemonia stalinista dentro do Partido atingiu toda uma expressiva geração de líderes negros dos Estados Unidos, como Malcom X e Martin Luther King [18]. No continente africano a linha stalinista foi responsável pelas vitórias contra o colonialismo e o racismo. Estavam sob influência stalinista a maioria das lideranças negras dos anos 50 e 60, como Nelson Mandela, que foi dirigente do Partido Comunista da África do Sul, Agostinho Neto (Angola), Amílcar Cabral(Guiné-Bissau), Samora Machel(Moçambique), Léopold Senghor (Senegal) Sam Mujoma (Namíbia), Patrice Lumumba( Congo) e os mais de 60 mil comunistas que se engajaram na luta anti-racista para defender a Mãe-África. 

Mas para os socialistas a igualdade racial se direciona, especificamente, aos negros, índios e demais grupos étnicos enquanto parcela do proletariado e porque são as maiores vitimas do capitalismo, para elevar suas consciências no sentido de engaja-los no projeto de construção da sociedade que não tenha nenhum tipo de preconceito contra eles próprios e nem mesmo contra outro segmento qualquer, seja a mulher, o idoso ou outros surgidos por causa da orientação sexual ou por causa da opinião política. Sendo assim, consideram a igualdade racial como um passo rumo à igualdade social, consorte todos os seres humanos possam viver fraternalmente sem preconceito, sem exploração econômica ou ideológica, na sociedade socialista. Através do empoderamento dessas etnias e do exercício de suas cidadanias plenas a um grau tal que já não precisa mais da tutela do Estado ou do Partido, pois ambos, Estado e Partido, perderão a razão de ser, e a Humanidade, a partir do estágio comunista, evoluirá livremente. 

Notas 
1-Lenin.Obras. 
2-Partido Comunista da União Soviética 
3-Martes,Ludo.Stalin:um novo olhar.Rio de Janeiro,Revan.2003.pag.37 
4-Joseph,Stalin. O Marxismo e a Questão Nacional 
5-agitação e propaganda 
6-Kim M.P. et al.Historia da URSS:época do socialismo(1917-1957).São Paulo,Grijaldo.1960.pág.89. 
7-ibidem 
8-ibidem 
9-ibidem.p.106. 
10-ibidem.p.378. 
11-ibidem.p.115. 
12-ibidem.p.305. 
13-ibidem.p.509. 
14-Martens,op.cit. 
15-Kim.op.cit.p.607. 
16-Holloway,David.Stalin e a Bomba.Rio de Janeiro,Record.1997. 
17-ibidem.p.730. 
18- CALLINICOS,Alex.Capitalismo e Racismo.Disponível emAcesso em 2 
fev.2006. 



*Alexandre Braga é africanista.

segunda-feira, setembro 02, 2013

BRASIL: Кубинские медики, бразильский антикоммунизм и ксенофобия (RUS)

Кристиано Алвес
(Artigo escrito em língua russa)




История повторяется в Бразилии


На этой неделе в Бразилию прибыли кубинские медики, чтобы работать там, где врачей нет вообще — то есть в бразильских 700 муниципалитетов. Решение о приезде врачей из Кубы было принято потому, что, несмотря на заработную плату в 10.000 реалов (150 000 российских рублей) для врачей в маленьких городах и поселках, врачи больших городов не хотят работать в таких городах. Когда президент Бразилии Дилма Русеф решила пригласить в страну 5 000 медиков из Кубы, отличное качество медицины которой известно во всем мире, организация бразильских врачей — Местный Совет Медицины (CRM) начала протестовать против кубинских медиков.

Уровень ксенофобии этих протестов был таков, что было трудно не увидеть бразильскую молодую девушку из высших социальных классов, которая не несла бы плакат с текстом, где не употреблялась бы ненормативная лексика. на одном из таких плакатов, к примеру, было написано, что палец бывшего президента Бразилии, Луиса Игнасио Лулы да Силва, который в настоящее время состоит в команде нынешнего президента, «вставлен в задницу бразильского народа». Таким непристойным образом обыгрывается его увечье (у Лулы, бывшего рабочего, только 4 пальца на левой руке после производственной травмы). Многие медики также показывали ксенофобские плакаты, где название государства "Куба" непристойно обыгрывается как "ку" (в просторечии — "анус" по-португальски). В социальный сети Фейсбук разные люди представляли кубинских врачей как "коммунистических партизан" и "опасных террористов".

Уровень бразильских врачей - мат и оскорбление
Эта истерия, связанная со "страхом перед коммунистической угрозой", стала известна всему миру в бразильском Международном Аэропорте Пинто Мартинс в городе Форталезу, когда бразильские врачи, в белом, но сравнимые не с медициной, а с членами организации Ку Клукс Клан, начали наносить оскорбления кубинским врачам. Они называли кубинских медиков "рабами" и "террористами". В социальной сети Фейсбук, известная журналистка Мишелине Боржес рассказала, что "они не похожи на врачей, скорее, на науборщиков". Причиной такого высказывания стало то, что многие из кубинских врачей — темнокожие. Воистину, расистская трагедия Литлы Рока 1957-го года в США, повторился в Форталезу, Бразилия, в 2013-м. 

Несмотря на то, что в Бразилии законы против расизма как в Республики Беларуси, они не строгие и позволяют действии связаны с фашизмом. Запрещается в Бразилии распределение открытого нацизма, но эти законы ничего говорят о фашистских идеии.

Может ли Бразилия обратить вредительство своих врачей? Может ли она остановить капиталистический прессинг? - Это вопросы без ответа, решение которых не найдешь в эпизодах бразильских сериалов.


Антикоммунистка в больнице: "Это бешенство"

domingo, setembro 01, 2013

TEORIA: Professor doutor demonstra a atualidade do marxismo em aula magna

A atualidade de Marx - Prof. Dr. Ricardo Antunes


Palestra proferida na UNESP de Marília dia 16 de agosto de 2013, no período da noite, durante a mesa redonda: "A atualidade de Marx", realizada no encerramento do V Seminário Internacional Teoria Política do Socialismo que teve como tema "Marx: Crise do Capitalismo e Transição".

Gravação e edição: Efrain Maciel e Silva
http://boletimef.org

MUNDO: Militares americanos americanos são contra a guerra na Síria






Clique para ampliar. Na foto da esquerda, um paraquedista americano diz "Eu não entrei nas Forças Armadas para me envolver em guerras civis de outros países. FIQUE FORA DA SÍRIA! Na foto da direita, um marinheiro segundo-sargento americano diz: EU NÃO ENTREI NA MARINHA PARA LUTAR PELA AL QAEDA NA GUERRA CIVIL SÍRIA!







MUNDO: Síria: imperialismo e intervenção não é revolução

Por Cristiano Alves

Forças rebeldes sírias carregam um canhão com o que parece ser munição com ogiva química


Começaram as preparações do ataque da OTAN, incluindo forças americanas, contra a república independente síria. A justificativa foi dada após um suposto ataque de Bashar Al Assad contra suas própria população e tropas empregando armas químicas.

Ora, os métodos americanos não são nenhuma novidade. Foi usado como justificativa para a Líbia, um suposto "bombardeio de Kadaffi contra sua própria população", embora fontes russas tenham confirmado que nenhuma aeronave líbia sobrevoava o espaço aéreo. No início da década de 2000, alegou-se que Saddam Hussein possuía "armas de destruição em massa" e estava ligado aos atentados de 11 de setembro, alegações comprovadamente falsas. Na Síria usa-se o mesmo expediente, vídeos confiscados dos terroristas do FSA(sigla para Exército Sírio Livre, rebeldes da Irmandade Muçulmana apoiados por Israel, Arábia Saudita e EUA), revelam um diálogo onde um deles, após gritar várias vezes "allah uh akbar", é informado pelo seu colega que este irá trazer "o gás sarin":


A mídia americana, a exemplo do que já fez e continua fazendo contra outros povos, assim como o Departamento de Estado dos Estados Unidos, alegam que "Assad usou armas químicas contra o próprio povo", mas que tipo de presidente, com o país vivenciando uma guerra civil, seria louco de usar tais armas contra o próprio povo e mesmo contra suas próprias forças armadas, presentes no local. Alguém poderia dizer que ele "o fez para demonizar o FSA", mas conseguir apoio de quem? O apoio russo é duvidável, apesar de presente desde o início do conflito, uma vez que a Rússia tem bases na Síria. Além disso, conforme já mostrado em "A Página Vermelha", bem como em vários noticiários ao redor do mundo, dentre os quais o Russia Today, e no blog da "Garota Síria"(Syrian girl), que foi o FSA, e não as tropas do exército regular sírio, de Bashar Al Assad, que iniciaram ataques contra civis para depois acusar o governo sírio e conseguir apoio dos Estados Unidos. Esses rebeldes, apoiados pela Arábia Saudita(que teria fornecido as armas químicas), OTAN, Israel e reúnem criminosos da Irmandade Islâmica vindos do Egito e até de repúblicas islâmicas da ex-URSS, tem provido, desde o início do conflito, crimes contra a humanidade e atos de selvageria como a decapitação de prisioneiros de guerra rendidos e esquartejamentos, tais como facínoras! As acusações contra Assad tem um propósito nitidamente político a fim de justificar o que os EUA vem fazendo há anos, que é aniquilar a soberania de outros povos e subjugá-los para rapinar seus recursos econômicos, no caso da Síria, o petróleo, o que já diz muita coisa.

A crise Síria causou grande sensação nos últimos dias, quando Barack Obama iniciou os preparativos de um ataque contra o país do Oriente Médio, a Rússia, por sua vez, ameaçou retaliação com um ataque à Arábia Saudita(aliado americano na região), caso forças americanas ataquem a Síria.

sábado, agosto 31, 2013

TEORIA: Stalinismo

Por William "Bill" Bland

Tradução do inglês para o português de Cristiano Alves




Um discurso na Academia Sarat, em Londres. 
Em 30 de abril de 1999.


Eu sou grato à Academia Sarat por ter me convidado para palestrar para vocês sobre“Stalinismo”.

Porém, sua escolha de tema apresentou-se a mim com certa dificuldade, visto que sou um grande admirador de Stalin e a palavra “stalinismo” foi introduzida por oponentes enrustidos de Stalin – em particular por Nikita Khruschev – em preparação para futuros ataques políticos a ele.

Hoje, de fato, “stalinismo” virou um termo de abuso sem sentido usado para denotar posições políticas com que alguém discorda. A imprensa Conservadora às vezes até descreve Tony Blair como “Stalinista” – dando à Stalin, se estivesse vivo, campos amplos para uma ação por difamação!

Stalin sempre se referiu a si mesmo como “um pupilo de Lenin” e eu devo seguir o exemplo e interpretar o assunto “Stalinismo” como Marxismo-Leninismo.

Talvez a figura mais próxima de Stalin na história britânica é Ricardo Terceiro, do qual todo mundo “sabe” – e eu ponho a palavra “sabe” em aspas – de seus livros de história do Segundo Grau e de Shakespeare por ter sido um cruel, deformado monstro que matou o pequenino príncipe na Torre.

Apenas recentemente historiadores sérios começaram a perceber que o retrato comumente aceito de Ricardo foi desenhado por seus sucessores Tudor, que tomaram o trono e mataram Ricardo.

Naturalmente, eles então procederam em reescrever as crônicas para justificar sua usurpada do trono – até alterando a imagem de Ricardo para apresentá-lo como deformado fisicamente, como um monstro tanto físico quanto moral. Em outras palavras, a imagem de Ricardo que foi geralmente aceita hoje não foi resultado de verdades históricas, mas de propaganda de seus oponentes políticos.

É, então, legítimo perguntar a si mesmo: A figura de Stalin apresentada para nós pelos auto-proclamados “kremlinologistas” é fato histórico ou mera propaganda?

A União das Repúblicas Soviéticas Socialistas (União Soviética), construída sob as lideranças de Lenin e Stalin, não existe mais. É então verdadeiro dizer – como muitas pessoas dizem – que isso significa que o socialismo na União Soviética falhou?

Eu tenho a intenção de citar aqui apenas um conjunto de estatísticas. Nesse relato ao 17° Congresso do Partido Comunista da União Soviética, em janeiro de 1939, Stalin cita números de fontes ocidentais sobre o crescimento industrial em vários países em comparação com 1913. Esses números eram:

Alemanha: -24,6%

Reino Unido: -14,8%

EUA: +10,2%

URSS: +291,9%

Realmente, é um fato indiscutível que sob a economia planificada centralmente instituída por Stalin, a Rússia foi transformada em poucas décadas de um país atrasado e agrário em um país industrial tão avançado que em 1941-45 tinha se tornado poderoso o bastante para derrotar uma agressão alemã capaz de estagnar os recursos de toda Europa Ocidental.

É comum ouvir Stalin ser chamado de “ditador”.

O escritor americano anti-soviético fervoroso Eugene Lyons uma vez perguntou a Stalin diretamente: “Você é um ditador?” Lyons continua (e eu cito):

“Stalin sorriu, implicando que a pergunta estava no lado do ridículo.

‘Não’, ele falou lentamente, ‘Eu não sou um ditador. Aqueles que usam esta palavra não entendem o Sistema Soviético de Governo e os métodos do Partido Comunista. Nenhum homem ou grupo de homens pode ditar. Decisões são feitas pelo Partido.”

Os economistas britânicos Sidney e Beatrice Webb, em seu compreensivo livro “URSS: Uma Nova Civilização” (Soviet communism: a new civilisation?) rejeitam categoricamente a noção de Stalin como um ditador. Eles dizem (e eu cito):

“Stalin…não tinha nem o poder extensivo… que a Constituição Americana confia de quatro em quatro anos para cada sucessivo presidente.

O Partido Comunista na URSS adotou sua própria organização. Nesse modelo não há lugar para ditadura individual. Decisões pessoais são desacreditadas e elaboradamente repelidas.”

Certamente, na época de Lênin e Stalin, o regime soviético era oficialmente descrito como uma “Ditadura do Proletariado”. Mas isso não implica em ditadura individual. Significa simplesmente que o poder político está nas mãos dos trabalhadores e que ações políticas visando tomar o poder para longe dos trabalhadores são consideradas ilegais.

É claro, essa atividade é considerada em círculos oficiais de Londres e Washington como “não-democrática” e “uma grande violação dos Direitos Humanos”.

Mas a palavra “democracia” significa “o governo do povo comum” e nesse sentido a União Soviética na época de Stalin era infinitamente mais democrática que qualquer país ocidental.

Sobre “Direitos Humanos”, a Convenção de Direitos Humanos das Nações Unidas de 1966 descreve que o Estado deverá garantir aos seus cidadãos o “direito de trabalhar”.

Mas somente em uma sociedade socialista esse direito pode ser posto em efeito, pode o desemprego ser abolido (como foi na União Soviética durante a época de Stalin). Uma sociedade capitalista requer o que Marx chamava de “um exército reserva de trabalho” para que esta possa fazer o trabalho disponível a curto-prazo em épocas de crise.

Logo, um país socialista banir atividades políticas visadas em restaurar o Capitalismo é totalmente de acordo com a Convenção de Direitos Humanos das Nações Unidas.

De fato, falar sobre Direitos Humanos é, na maioria dos casos, meramente uma arma de propaganda direcionada contra o socialismo. Aos olhos de Lombard Street e Wall Street, uma corrupta “República das Bananas” centro-americana que envia esquadrões da morte noturnos para matar crianças desabrigadas, a fim de manter as ruas prontas para o comércio turistas, é considerada como um “país livre” enquanto ela permite a liberdade de investimento.

Os traidores soviéticos do socialismo iniciaram seu ataque contra o socialismo em 1956, no 20° Congresso do Partido Comunista em fevereiro de 1956, ao acusar Stalin de criar um “Culto à Personalidade” ao redor de si.

De fato, na época de Stalin havia um Culto à Personalidade de Stalin, mas este foi ridicularizado e oposto pelo próprio Stalin.

Por exemplo, quando em fevereiro de 1938 alguém quis publicar um livro intitulado “Histórias da Infância de Stalin”, Stalin escreveu tipicamente:

“Eu sou absolutamente contra a publicação de ‘Histórias da Infância de Stalin’.

O livro é impregnado de uma massa de inexatidões de fato… de exageros e de louvores desmerecidos.

Mas… o mais importante reside na tendência de gravar na mente das crianças soviéticas(e no povo em geral) o culto da personalidade de líderes, de heróis infalíveis. Isso é perigoso e pernicioso… eu sugiro que queimemos este livro”.

Havia de fato um Culto a Personalidade ao redor de Stalin. Um líder comunista gritou no 18° Congresso do Partido Comunista em março de 1939:

“O Povo Ucraniano proclama com todo o seu coração e alma: ‘Vida Longa ao nosso amado Stalin! ’.

Vida Longa ao maior gênio de toda a humanidade… nosso amado Camarada Stalin!”.

O gritante era Nikita Khruschev!

Foi também Khruschev que criou o termo “stalinismo” e começou a chamar Stalin de“Vojd” – o equivalente em russo do alemão “Führer”, líder.

Em outras palavras, o “Culto da Personalidade” ao redor de Stalin não foi criado por Stalin e por aqueles que o apoiavam genuinamente, mas por seus oponentes políticos para atacá-lo depois como um ditador megalomaníaco.

Apesar de que Stalin não tinha o poder para parar essas alegadas manifestações de“lealdade e de “patriotismo”, Stalin não era tolo e estava ciente de que seus motivos eram, como ele disse ao escritor alemão Lion Feauchtwanger em 1937, “para desprestigiá-lo” no futuro.

Logo, o Culto a Personalidade rodeando Stalin era contrário aos próprios desejos de Stalin e de fato isso se demonstrou nos últimos anos de vida de Stalin – longe de deter qualquer poder ditatorial – vindo de uma minoria dentro da liderança Soviética.

Isso explica muitos fatos estranhos:

Por exemplo,

Que, depois de 1927, Stalin cessou de ser ativo na Internacional Comunista.

Que os trabalhos de Stalin, apesar de incompletos, cessaram de serem publicados na União Soviética em 1949, três anos antes de sua morte.

Que, em termos de prática a longo prazo, Stalin – apesar de ser Secretário Geral do Partido Comunista e em boa saúde – falhou em apresentar o relatório no 19° Congresso do Partido Comunista, em 1952.

Deixe-me retomar a pergunta sobre a alegada “falência do socialismo”.

Em uma tentativa de prevenir a construção do socialismo, em 1918, o novo Estado foi atacado pelas forças armadas da Grã-Bretanha, França, Polônia e Japão. Mas, mesmo com o fato de que o novo Estado Soviético não possuía nesse tempo nem um exército organizado e nem militares experientes, a Guerra de Intervenção de cinco anos acabou em vitória para os soviéticos.

Os oponentes do socialismo aprenderam uma importante lição pelas suas derrotas, nominalmente, que era muito improvável destruir o socialismo por ofensiva direta, mas somente por dentro, isto é, por agentes posando como socialistas, trabalhando duro dentro do Partido Comunista para atingir lugares de influência e então, em nome de “modernizar” o Socialismo, usando esta influência para dividir o Partido em linhas políticas que iriam minar o socialismo e gradualmente destruir o apoio do povo trabalhador ao Partido.

Isto é um programa que os Marxistas chamam de revisionismo, pois enquanto revisa o marxismo de maneiras danosas, clama estar meramente “modernizando-o”.

Khruschev se tornou o líder do Partido Comunista Soviético pouco depois da morte de Stalin, em 1953. Mas foi apenas em 1956, três anos depois, que ele se sentiu seguro em atacar abertamente Stalin – e então somente em um comício secreto que nunca foi publicado na União Soviética até vários anos depois.

O ataque a Stalin foi um prelúdio necessário para um ataque ao(e a mudança do) programa para a construção do socialismo posto em frente por Stalin.

Uma das acusações comumente levantadas contra Stalin é que enquanto ele estava no cargo de Secretário-Geral do Partido muitas pessoas inocentes foram falsamente aprisionadas por ações contra-revolucionárias. Essa alegação, diferente da maioria das outras, é verdadeira. Entre 1934 e 1938 o posto de Comissário Popular de Questões Internas – em cargo da polícia de segurança – foi ocupado sucessivamente por Genrikh Yagoda e Nikolai Yezhov. No julgamento público de Yagoda em 1938, ele descreveu à corte como ele usou sua autoridade para servir à conspiração protegendo seus companheiros conspiradores de prisões, mas prendendo Comunistas fiéis sob falsas acusações.

Foi Stalin quem, suspeitando de que algo estava terrivelmente errado, pôs em seu secretariado pessoal Aleksandr Poskrebyshev para investigar o que estava acontecendo na polícia de segurança.

Foi pelo resultado de tais investigações que Yagoda e Yezhov foram demitidos e presos, que todos os supostos casos de crimes políticos foram reinvestigados e milhares de erros de justiça foram corrigidos.

Essa situação foi mais responsável do que qualquer coisa pela produção de bibliotecas inteiras de acusações contra Stalin o acusando de assassinato em massa.

Em cada edição do livro de Robert Conquest intitulado “O Grande Terror”, sua estimativa das “vítimas” de Stalin subiu de vários milhões para o ridículo. Quando, depois da contrarrevolução ser completa, Boris Yeltsin publicou números oficiais de prisioneiros soviéticos, eles chegaram a ser menos numerosos que os presos nos Estados Unidos e a imprensa mundial ficou estranhamente silenciosa.

Foi para Leonid Brezhnev – que sucedeu Khruschev como Secretário Geral do Partido em 1964 – que caiu a desonra de ser o verdadeiro desmantelador do Socialismo. Sobre as “reformas econômicas” de Brezhnev, levadas sob o disfarce de “descentralização”, ações foram feitas para substituir o planejamento centralizado, que é uma das bases do socialismo, pela regulação da produção pelo motivo de lucro, que é uma das bases do Capitalismo.

A partir daí, foi tudo abaixo.

O que foi abolido, junto com a União Soviética, em 1991, virtualmente sem oposição, não era socialismo, mas uma particularmente corrupta e não-democrática forma de capitalismo semelhante ao fascismo.

Hoje, graças aos falsos comunistas como Khruschev, Brezhnev e Gorbachev a antes unida União Soviética foi dividida em um número de principados rivais, comumente em guerra entre si por serem falidas.

Mas a nós é dito que os povos da antiga União Soviética são agora “livres”.

Livres para serem desempregados e, caso forem sortudos o bastante para conseguirem um emprego, livres para passarem meses sem salários por que os bancos de seus patrões liquidaram.

Livres para comprarem carros Rolls-Royce se eles forem milionários da Máfia.

Livres para beberem água poluída.

Livres para mendigar em qualquer lado da rua pelo equivalente a algumas moedas.

Não deveria ser surpresa quando nos noticiários russos de hoje vemos pessoas protestando carregando o retrato de Stalin! Para os manifestantes, o retrato de Stalin simboliza o socialismo do qual eles foram temporariamente privados.

Se, então, pessoas me chamam de “stalinista” – como às vezes o fazem – eu levo isso como um elogio, mesmo sendo desmerecido.

Eu respeito Stalin como uma grande figura progressista que lutou toda sua vida pelo fim do sistema capitalista e imperialista que é a causa da miséria e morte de incontáveis homens, mulheres e crianças, a cada ano, especialmente no mundo neocolonial.

Eu respeito Stalin como uma pessoa que lutou por toda a sua vida pela maior causa no mundo: a libertação da humanidade.


"Não deveria ser surpresa quando nos noticiários russos de hoje vemos pessoas protestando carregando o retrato de Stalin! Para os manifestantes, o retrato de Stalin simboliza o socialismo do qual eles foram temporariamente privados." Bill Bland

DEBATE: Bertone Souza, o professor de história que mentiu para mim!

Por Cristiano Alves


Este artigo refere-se a um debate travado entre o autor deste artigo e um indivíduo denominado Bertone Souza, professor da Universidade Federal do Tocantis, que não apenas tentou ridicularizar o autor deste artigo como censurou suas postagens, num ímpeto de intolerância e má-fé caros à extrema-direita


Para o professor da UFT, governos como o de Cuba ou Vietnã foram piores que regimes de extermínio de negros, índios, eslavos e judeus como o Apartheid, EUA e III Reich

Existe um consenso na direita de que "as universidades e escolas brasileiras estão impregnadas de historiadores marxistas", que promovem a "doutrinação comunista". Esse tipo de ideias pode ser encontrada em artigos de filósofos como Leandro Pondé, economistas como Rodrigo Constantino, sites como o Mises Brasil ou ainda no arquirreacionário Mídia Sem Máscara. A realidade, entretanto, é bem diferente do que pensam esses nefelibatas. Aqueles que acompanham ao site "A Página Vermelha" devem ter ciência de um artigo que critica um jornalista de extrema-direita escrito por indivíduo chamado Bertone Souza, denominado "Olavo de Carvalho, um filósofo para racistas e idiotas". Apesar do teor do artigo, uma rápida troca de ideias no blog deste revelou que este não difere muito daquele a quem critica. Como já alertava o grande autor Aldous Huxley, "aquele que promove uma cruzada não pelo seu deus, mas contra o demônio que existe nos outros corre o risco de tornar o mundo igual ou até pior". O aparentemente "democrático" e autointitulado "moderado" Bertone Souza revelou-se ligeiramente um indivíduo intolerante, de mente estreita, sectário, dogmático e disseminador do flagelo do anticomunismo, classificado por intelectuais americanos como o Profº Dr. Michael Parenti como "a mais influente de todas as ideias", mais do que o comunismo, o liberalismo, o anarcocapitalismo, anarquismo e outras. 

Mas quem é o tal Bertone Souza? O autor gaba-se de ser professor da UFT e historiador, o que é ainda mais grave, pois trata-se de um educador e formador de opiniões para jovens que muitas vezes acreditam ser o professor uma espécie de "iluminado" que sempre sabe mais do que todos num país onde o cidadão médio lê em média apenas um livro por ano. Essa crença é reforçada a partir do momento em que o dito cujo apresenta-se como tal, inclusive censurando jornalistas em seu blog, ainda que estes exponham diferentes versões dos fatos. Numa tentativa de desacreditar o autor de "A Página Vermelha", este acusou o site de ser panfletário simplesmente por que não vai de encontro às suas visões limitadas e medievais de mundo, tentando desmerecer e rebaixar A Página Vermelha.

A Página Vermelha surgiu quando o autor deste artigo, cursando então o 2º ano do segundo grau, que desde 1997 tem acesso à internet, então acessada a partir de 00:00 da madrugada para acessar internet discada contando apenas um pulso na linha telefônica, começou a pesquisar a respeito do socialismo e principalmente da URSS, principal pais socialista, verificando nítidos contrastes entre historiadores anglófonos e livros tradicionais paradidáticos de história. Em suas pesquisas o autor começou a descobrir coisas que não saiam em livros didáticos de história, grande parte através de autores como o imortal William "Bill" Bland, da Aliança Marxista-Leninista do Reino Unido, em língua inglesa. O autor percebeu que o britânico apresentava fontes que corroboravam os seus argumentos, que este "matava a cobra e mostrava a cobra", recheando seus artigos com ampla bibliografia e números estatísticos. A partir daí e de leituras da obra do historiador belga e médico humanitarista Ludo Martens, o autor percebeu que muitas coisas não chegavam ao público lusófono, decidindo assim criar uma página em língua portuguesa que trouxesse informações sob uma ótica diferente. O site A Página Vermelha foi um grande sucesso durante seu lançamento, inicialmente hosteado pelo site da "Hpg", foi visitado por milhares de pessoas, incluindo descendentes de Che Guevara, por nomes como o Prof. Mestre Lemuel Rodrigues, um dos maiores, senão o maior, historiador do Rio Grande do Norte, professor da disciplina de história deste autor, e por juízes federais(cujo nome será mantido em sigilo) do Sudeste do Brasil, que contribuíram para o site com o envio de 4 importantíssimas obras, "Stalin, um novo olhar", do belga Ludo Martens, "A carta chinesa", sobre o revisionismo soviético e iugoslavo, "Código civil dos Soviets", em português, e "The Soviet State and the Law", obras raríssimas! No decorrer deste período, o autor também foi agraciado com a opus "O assassinato de Júlio César", presente do magíster americano Michael Parenti após um saudável debate e troca de ideias e conhecimentos. Mas por que falar de A Página Vermelha? Por que este não se trata de um "trabalho panfletário", mas de um resultado de mais de 10 anos de pesquisas epistemológicas em obras de direito e de história de diferentes correntes historiográficas e diferentes matizes político-ideológicas, entretanto para o tal profº Bertone Souza, o autor do site "é só um moleque petulante a escrever asneiras de forma quixotesca e patética". Saliente-se que o autor desta passagem é autor da seguinte passagem:


"Cristiano deve ser mesmo um grande pesquisador para provar que virtualmente todos os grandes historiadores do mundo nos últimos vinte anos estão errados em suas pesquisas sobre os massacres e genocídios ocorridos na União Soviética"

A princípio, Bertone Souza alega que desconhece a obra de Ludo Martens(Stalin, um novo olhar), renomado trabalho histórico sobre Stalin e mitos como o "Holodomor", "Testamento de Lenin", a "coletivização forçada" e o "terror cego dos expurgos", tendo recebido 4 estrelas no site "Goodreads.com", acessado por mais de 20 milhões de membros. Mais adiante, o caricato alega que conhece todas as principais obras de história dos últimos anos 20 anos. "Meu professor de história mentiu para mim!"

O filósofo alemão Friedrich Engels escrevia em sua obra Anti-Dühring que "não existem verdades eternas", ou melhor, que "existem e não existem". Exemplos de verdades eternas, segundo o sábio teuto, é a verdade segundo a qual "todas as águas de uma cachoeira caem para baixo", ou que antes do dia 31 vem o dia 30 no calendário ocidental gregoriano, enfim, verdades eternas limitam-se a afirmativas pueris. Talvez o professor Bertone Souza não saiba, mas a história não é uma ciência exata como a matemática ou a física, mas mesmo essa última, ainda sendo uma ciência "exata", teve sua estrutura abalada com as descobertas de físicos como Tesla e Albert Einstein, que até então era um "Zé Ninguém" no mundo da física. Historiadores podem errar ou usar-se de má-fé conforme sua agenda política. O professor da UFT, que nem em seus sonhos leu "todas as obras de história"(algo humanamente impossível), tenta ridicularizar o autor deste artigo por sua ignorância em obras históricas de correntes historiográficas que fogem às suas crendices eclesiásticas. A história, como uma ciência humana, está sujeita a diversas interpretações com escopo político-ideológico. Um exemplo clássico disso já demonstrado aqui nessa página é II Guerra Mundial. Se buscarmos um livro soviético ou mesmo russo sobre a IIGM, ele vai dizer que o grande vencedor da guerra foi a URSS; se buscarmos o mesmo tema em livros americanos, então a "verdade" é que a guerra realmente "esquentou" não a partir do início da Operação Barbarrossa, mas sim a partir do Ataque a Pearl Harbor, pelos japoneses, e esses autores americanos, para reforçar sua versão tendem a omitir a participação soviética na IIGM, quando muito dedicando apenas uma linha numa breve cronologia em que são mencionadas batalhas na Frente Oriental, dando ao autor a impressão de o combate que envolveu 80% das tropas do III Reich e envolveu diretamente no conflito mais de 50 milhões de pessoas não passou de meros detalhes. Mas como um historiador pode chegar à verdade real? Através de estatísticas, por exemplo, de quantos homens foram envolvidos em cada frente. A partir de estatísticas referentes ao número de baixas de guerra que cada exército foi capaz de infligir, bem como a partir do número total de perdas de cada exército. Assim, e só assim, pode-se saber "quem lutou mais" no conflito. O problema é que para indivíduos como Bertone Souza, números são irrelevantes, e é de praxe que anticomunistas em geral espumem quando se fala de números e estatísticas.

Mas voltando aos ataques histéricos do bobalhão acadêmico, será que o nosso reles ignóbil sabe o que é uma "fonte histórica"? Por que se diz, por exemplo, que os nazistas mataram 27 milhões de soviéticos? Por que dados demográficos, numéricos, revelam uma redução populacional durante a época de 1941-1945, os mesmos anos da guerra. Além disso, é possível encontrar no Mein Kampf e em discursos de Hitler a defesa do extermínio de populações da Rússia, Bielorrússia, Ucrânia e de outros povos. Assim, temos uma fonte histórica que revela a intenção de exterminar, de um autocrata anticomunista, e uma fonte história que nos dá números sobre as perdas populacionais ocorridas no período da guerra, de uma fonte demográfica. Mas quantos autores citados pelo profº Bertone Souza trazem pelo menos algum dado demográfico sobre os supostos "milhões de mortos no terrível regime comunista"? Ora, onus probandi incubere acusatio1, quem alega que "o comunismo matou 10, 100 ou 500 milhões" deve estar disposto a provar o que alega", a apresentar-nos estatísticas que revelam uma redução populacional tão gritante e provar sua relação direta com o governo daquele país, lembrando que "morte no comunismo" é diferente de "morte pelo comunismo". Não é culpa do "malvado Stalin" se alguém morre após escorregar no banheiro nem se um soldado acidentalmente dispara contra seu colega na instrução militar de tiro de pistola. Curiosamente, ao contrário do que aconteceu na Alemanha nazista com os judeus durante o Holocausto, cuja população foi seriamente reduzida, o historiador russo Alexander Zemskov nos diz que a população de russos(grandes-russos, russos-brancos e pequenos-russos, isto é, russos, bielorrussos e ucranianos) nos tempos da direção de Stalin aumentou em cerca de 1,3-1,5 milhões por ano, bem diferente do que ocorre hoje em países como a Rússia e a Ucrânia, cuja população encurtou durante a direção de líderes como Yeltsin, Putin, Kuchma e Yuschenko. Obras demográficas como a de E. M. Andreev2, referente à população por completo da URSS, nos dão os seguintes números:


Janeiro 1897 (Rússia): 125,640,000
1911 (Rússia): 167,003,000
Janeiro 1920 (Rússia): 137,727,000*
Janeiro 1926 : 148,656,000
Janeiro 1937: 162,500,000
Janeiro 1939: 168,524,000
Junho 1941: 196,716,000 (início da guerra, nota de C.A.)
January 1946: 170,548,000**
January 1951: 182,321,000
January 1959: 209,035,000
January 1970: 241,720,000
1985: 272,000,000
July 1991: 293,047,571

*Diz respeito aos dados da RSFSR, novo Estado surgido após a desintegração do Império Russo, que abrangia mais 30 milhões de habitantes(18 milhões de poloneses, 3 milhões de finlandeses, 3 milhões de romenos, 5 milhões de bálticos e 400 mil cidadãos perdidos para os turcos). 

**Diz respeito à população após as perdas da II Guerra Mundial na URSS, estimadas entre 25 e 30 milhões de vítimas, mais 1,5 milhão em mortalidade infantil.

Ressalte-se que esse número vai de encontro aos dados da CIA3, que excluem da população soviética a população dos países bálticos(Estônia, Lituânia e Letônia) referentes ao ano de 1991.

Como um historiador sério pode encontrar evidências de que líder X tinha a intenção de exterminar povo Y? Se queremos mostrar, por exemplo, que o General von Trotha, líder da colônia alemã na Namíbia, queria exterminar os nativos hereros, então pesquisamos a sua carta aos hereros e seus resultados:

"Qualquer herero encontrado dentro da fronteira alemã, com ou sem armas ou gado, deverá ser executado. Eu não puparei nem mulheres nem crianças. Eu darei a ordem para que os expulsem e fuzilem. Essas são as minhas palavras para o povo herero" General von Trotha em 1904

Quando falamos da história da União Soviética, há que se tomar em conta que a maioria das obras disponíveis no ocidente, especialmente no Brasil, são obras politicamente motivadas, que podem ou não trazer informações verdadeiras. Segundo o Profº Dr. John Archibald Getty, III(adiante, apenas Arch Getty), doutor pela Boston College e professor(que nos EUA e países desenvolvidos é um alto título acadêmico) da University of California, a esmagadora maioria do que se escreve na historiografia ocidental sobre a União Soviética é falsa, este inclusive propõe uma história alternativa da URSS no século. Este sovietólogo, insuspeito de "partidarismo comunista" ou "propagandismo stalinista", destrói vários mitos criados acerca da figura de Joseph Stalin, e vai mais longe! Conforme bem nos mostra o estudante do curso de história da UnB Paulo Gabriel, "não há nenhuma evidência que aponte a URSS como um Estado genocida", pode-se pesquisar os resultados da pesquisa de John Arch Getty sobre o sistema penal soviético após a abertura dos arquivos no início dos anos 90, pode-se até pesquisar gigantes da história como Robert Thruston, como Yuriy Júkov, membro da Academia de Ciências da Rússia, que não será encontrada nenhuma evidência de "genocídio comunista". Estabelecendo um diálogo entre gigantes da história do mundo ocidental, temos uma convergência de opiniões por parte de historiadores como Arch Getty e Grover Furr, que alegou, num debate universitário, que "a história soviética, assim como a americana, é falsificada sob propósitos políticos". Ressalte-se que A. Getty e G. Furr são os dois únicos historiadores no ocidente que tem acesso aos Arquivos de Moscou em sua língua original, o russo, sendo ambos fluentes na língua, inclusive com trabalhos nela publicados, algumas com grande número de tiragens vendidas, como é o caso da obra "Antistalinskaya podlost"(Vilania antistalinista), de Grover Furr, sobre o Discurso de Khruschov no XX Congresso do PCUS.

Professores filoburgueses como Bertone Souza, R. Conquest e outros ficam horrorizados quando ouvem falar de "culto da personalidade de Stalin", mas estes silenciam quando milhões de jovens histéricos imitam e frequentam shows de artistas decadentes como Lady Gaga. Na foto, jovem ucraniana posa ao lado do busto do Generalíssimo Stalin erguido recentemente em Zaporoje, Ucrânia, por iniciativa de cidadãos ucranianos
Logo quando alguém afirma que existe uma "falsificação histórica ao redor da história soviética e especialmente do período de Stalin, isso não se trata de um "complô para difamar Stalin", trata-se de um fato politicamente motivado, comum a um país capitalista, atestado por historiadores internacionalmente renomados como Grover Furr(EUA), Arch Getty(EUA), Sven-Eric Holmstrom(Suécia), Ludo Martens(Bélgica), Yuriy Júkov(Rússia), dentre outros, incluindo inúmeros depoimentos de quem viveu na época. Será que o "ex-toureador" Bertone Souza acredita piamente que tudo o que vem da boca dos poucos historiadores que ele conhece é uma "verdade absoluta" e incontestável? Segundo o sábio alemão F. Engels(Anti-Dühring), somente as bestas e os charlatões acreditam em "verdades absolutas"! Será que o ex-toureador Bertone Souza já leu ou pelo menos sabe da existência de historiadores russos na Academia de Ciências da Rússia? Será que o orgulhoso ex-toureador Bertone Souza já leu alguma obra em língua inglesa? Ora, um grande sábio alemão, o Dr. Karl Heinrich Marx, filósofo, aclamado por algumas pesquisas como o maior filósofo de todos os tempos, nos ensinou há quase 200 anos atrás, que "as ideias predominantes de uma época são as ideias da classe dominante". Qual a classe dominante da maioria dos países do mundo? É a classe capitalista, então nada mais normal que os capitalistas incentivem obras que difamam, caluniam e injuriam o sistema socialista. E isso não é "panfletarismo marxista", ora, o coronel Roger Trinquier, especialista da guerra anticomunista da OTAN corrobora, involuntariamente, a tese do magíster alemão:

"A guerra é hoje um conjunto de acções de todas as naturezas — políticas, sociais, econômicas, psicológicas, armadas, etc. — que visa o derrubamento do poder estabelecido num país"4

Como vimos, o coronel anticomunista demonstra a atualidade e veracidade da tese de Marx, cuja inteligência sobrevive pelos séculos, expondo que é parte integrante do modus operandi anticomunista a promoção de uma "guerra de informação". É por isso que se o leitor neste exato momento for a uma livraria qualquer, ele terá pelo menos 95% de chance de encontrar exclusivamente obras de historiadores dedicadas a caluniar e difamar o modelo comunista. Os 5% restantes referem-se a possibilidade dele encontrar em sua maior parte obras anticomunistas e uma ou duas obras com uma visão alternativa. É claro que todas essas obras anticomunistas tentam dar alguma credibilidade aos seus escritos através de métodos nefastos, por exemplo usando como fontes emigrados colaboradores de nazistas, obras de professores nazistas e até mesmo apresentando falsas fotos em suas obras. Joseph Smith, especialista da CIA em "propaganda negra", isto é, a "ciência da mentira", conceito integrante de Inteligência Militar, nos diz que utilizou por anos o Senhor Li, o melhor jornalista de Cingapura, para espalhar mentiras que facilitaram a intervenção americana no Vietnã, mobilizando a opinião pública. O espião americano, em sua auto-biografia,  expõe-nos uma técnica comumente utilizada por nomes como Olavo de Carvalho e muitos historiadores anticomunistas, a mentira sempre de uma forma convincente:

"Dizer que os comunistas são maus é apenas tagarelice. Apresentar actos maus, mascarados de comunistas, eis o que pode ter uma credibilidade efectiva"5

Compreender esse recurso, idealizado por Goebbels, é fundamental para que possamos entender por que é que todos os dias, em alguma parte do mundo, existe toda essa histeria antistalinista(em realidade, anticomunista). Subestimar essa realidade, assim como subestimar os bilhões que o mundo capitalista investe no anticomunismo, seja através de livros ou grandes produções cinematográficas é agir como nefelibata, num mundinho ideal onde "todos são puros e honestos". Para a burguesia e mesmo parte da esquerda, é inaceitável defender Stalin, isso "foge aos padrões politicamente corretos" definidos pelo establishment, uma heresia alarmante que deve ser anatematizada.


"Sobre a questão do rock, o sujeito é tão idiota que acha isso uma grande vantagem"

Não há nenhuma vantagem nisso, nem desvantagem, apenas uma constatação de que quem afirma que "o rock era proibido na URSS" falta com a verdade! Desinformado e desconhecedor do que é uma "fonte primária", o palpiteiro Bertone Souza inclui em sua escatologia a tese de que na URSS o "rock era proibido". Embora esse tenha depois voltado atrás, após este que vos escreve ter provado a existência de bandas de rock na URSS como o Pesnyary, Kinó, Samotsvety e BI-2, e até bandas de rock na Polônia como o Czerwony Gitary, esse lançou o argumento escatológico de que "o rock não, mas o jazz foi proibido". Ora, como um historiador pode comprovar tal tese? Do mesmo jeito que alguém poderia comprovar que o estelionato é proibido no Brasil, isto é, apresentando o artigo 171 do Código Penal Brasileiro. Esse código legal é a prova que nos apresenta a verdade inexorável de que "no Brasil o estelionato é proibido". O ex-toureador Bertone não nos mostra nem sequer fragmentos do direito soviético, seja uma lei, decreto ou pelo menos uma portaria que comprova a "proibição do jazz na URSS". Talvez no "Fantástico mundo do bobo" a URSS, Estado de Direito Socialista, era uma espécie de "bodega" onde tudo funcionava sob normas orais e informais, "do jeito que Stalin gosta". A fim de tentar corroborar seu ponto de vista, ele nos dá como "prova" um... blog do Nassif! Em que pese o respeito por esse jornalista, o artigo peca em omitir as razões pelas quais a URSS não promovia concertos de jazz(não promover não é o mesmo que proibir!). O jazz, nos EUA e fora dele, era um estilo novo e desacreditado por muitos músicos e críticos de cultura, mas além disso, também era um lugar de reunião de criminosos e traficantes, o que nos é informado por Malcolm X em sua autobiografia, que critica o estilo. Bertone nos fala de tal "proibição" como se isso fosse um erro imperdoável(talvez por seu interesse pessoal no estilo), mas parece ignorar que foi na época de Stalin que a música soviética floresceu, tanto a erudita, com grandes compositores como a pianista Maria Yudina, com compositores como Dmitriy Shostakovich, Alexander Alexandrov, dentre outros. Além de canções que hoje fazem parte da idiossincrasia russa como "Katyusha", sobre amor e amizade, "Smuglyanka", sobre uma bela jovem moreninha, dentre outras que encontram-se difundidas na rede mundial. Mas a tagarelice de nosso ex-toureador palpiteiro não para por aí...

"Eu poderia trazer abordagens de autores como Hannah Arendt"

Segundo a britânica Frances Stonor Saunders, em Quem pagou a conta?, Hannah Arendt, assim como o ex-presidente FHC, estiveram na folha de pagamentos da Agência Central de Inteligência, CIA
Ingênuo como Macabéia e cheio de bazófias, Bertone acha que alguém que estuda o socialismo e a URSS há mais de 10 anos "nunca ouviu falar de Hannah Arendt". Bertone por certo acha que todos que o cercam são idiotas. Este que vos escreve não apenas conhece H. Arendt como sabe quem pagou suas contas! Frances Stonor Saunders(autor de Quem pagou a conta?), intelectual britânica, teve acesso aos arquivos da CIA e dos serviços secretos britânicos, expondo uma lista de intelectuais que direta ou indiretamente colaborou com a CIA em sua guerra de informação terrorista, dentre os quais figuram nomes como Fernando Henrique(que recebeu 145 mil dólares da CIA para fundar o Cebrap), George Orwell, Louis Armstrong(para promover a ideia de que os EUA eram tolerantes com os negros) e Hannah Arendt, encarregada de equiparar o comunismo ao nazismo por uma postura supostamente "de esquerda", no esforço de guerra ideológica contra o comunismo, uma corrupta intelectual!

Assim, como o obnóxio professor tira conclusões sobre fato de grande relevância? Lendo autores que tem fontes indiretas propagandistas do nazismo e mercenários ideológicos da CIA, umas das maiores organizações terroristas da humanidade, responsável pela tortura e morte de milhões de comunistas, golpes de Estado na América Latina, assassinatos de presidentes ao redor do mundo, formação, treino e patrocínio de grupos terroristas fundamentalistas islâmicos, corrupção de intelectuais ao redor do mundo, terrorismo ideológico anticomunista, acobertamento de criminosos de guerra nazistas, corrupção de chefes de Estado, monitoramento da vida privada de milhões de cidadãos ao redor do mundo, dentre outros crimes! Ora, a Macabéia de calças quer formar uma opinião sobre o socialismo a partir de fontes ocidentais e anticomunistas, é o mesmo que querer formar uma opinião sobre os judeus perseguidos na Alemanha a partir de livros editados pelos nazistas. Só faltou mesmo Bertone sugerir, sem conhecer, o Discurso de Khruschov, que a maioria dos palpiteiros cita sem sequer conhecer, ter investigado seu teor ou os interesses aos quais serviu. Não é preciso ser gênio nem superdotado para chegar a tais conclusões. O eterno amigo e professor dos trabalhadores e amantes da justiça, o grande Lenin, admoesta seus pupilos, em suas Obras, a sempre fazer a seguinte pergunta: a que interesses serve? Aquele que honra ao seu mestre honra a si mesmo!

Palpiteiro incorrigível, Bertone vomita críticas a governos "genocidas e malvados" como o da Albânia, China, Coreia do Norte, países que talvez sequer consegue encontrar no mapa. Para não se estender muito, a Coreia do Norte é o maior exemplo de que notícias da mídia ocidental que atacam a nação de Koryo devem ser tidas como falsas até que o contrário seja provado! Há algum tempo, jornais da burguesia gritavam sobre uma absurda "lei que proibia mulheres coreanas de usar calças", matéria que curiosamente não nos dizia o número desta lei nem em que circunstâncias foi aprovada, se é que existiu. Quando três jovens brasileiros visitaram a Coreia do Norte, a primeira coisa que flagraram no "inferno comunista" foi mulheres usando calças, saias e variadas vestimentas, inclusive militares, em seu regresso ao Brasil até criaram um blog que desmente várias mentiras criadas sobre a Coreia Popular na grande mídia. Para se ter uma ideia do tipo de distorção que se faz sobre a Coreia, uma matéria do portal de notícias G1 sobre brasileiros fazendo turismo na Coreia do Norte nos mostra como "prova de como o povo é fechado" o fato de que uma criança se recusou a lhe dar seu endereço para "troca de cartões postais". Em qualquer país da Europa Ocidental, esse turista poderia ser facilmente tido por populares como um "pedófilo", por mais inocente que fosse seu pedido. Como "prova do atraso coreano", um publicitário ficou espantado por um grupo de coreanos desconhecer a morte de Michael Jackson, como se isso fosse uma desatualização lastimável. Ora, quantos artistas coreanos, antes de Psy, conhecemos aqui no Brasil? Há quem pense em sua visão estreita e etnocêntrica que a Coreia é uma espécie de "zoológico".


"E sobre o Olavo de Carvalho, eu o critico como extremista de direita como critico extremistas de esquerda como você. Aprendi com Aristóteles a arte do equilíbrio e da moderação, coisa que vocês claques nunca entenderam"


Tão moderado equilibrado que para Bertone Souza, um regime promovia o extermínio de negros como o do Apartheid na África do Sul, que segregava pessoas negras e brancas, proibindo-as até de se casarem, como ocorria nos Estados Unidos(o casamento de brancos e negros lá era considerado crime passível de prisão pelo Ato de Integridade Racial de 1924), ou ainda governos como o da Alemanha nazista, exterminador de eslavos, negros e judeus; todos esses governos, só para citar alguns, eram logicamente considerados melhores(ou talvez menos ruim) do que um Estado que promovia a igualdade social e até criminalizava a prática do racismo(artigo 123 da Constituição Soviética de 1936). Afinal, Bertone escreveu claramente que 


"O comunismo foi a maior tragédia humanitária do século XX".

O leitor pode pensar por alguns instantes, que esse artigo corresponde a algum tipo de "quixotismo" ou mesmo de uma "ira" sem respaldo racional. Thommas Mann, novelista alemão que fugiu da Alemanha nazista, um dos maiores do século XX, escreveu certa vez que a "tolerância torna-se um crime quando é aplicada para com o mal". Quando alguém compara o comunismo ao fascismo, temos a resposta na própria obra de Mann, citado por Losurdo em "Stalin, a história de uma lenda negra": 


“Colocar no mesmo plano moral o comunismo e o nazifascismo, como sendo ambos totalitários, no melhor dos casos é superficialidade, no pior dos casos é fascismo. Quem insiste nesta equiparação pode bem considerar-se democrático, mas na verdade e no fundo do coração já é... fascista...”

Assim, como vemos, conscientemente ou não, o que Bertone Souza e outros intelectuais que insistem em tal comparação, descrita pelo cientista político russo de origem armena Sergey Kurginyan como "idiotia filosófica", não fazem outra coisa senão promover e propagandear o fascismo! O reles ignóbil acha, de modo ingênuo, que é "equilibrado e moderado", que "está em cima do muro". O muro é sempre um ótimo lugar para quem quer fugir de mordidas de pitbull, há quem consiga até pular de um muro para outro com agilidade, só que muros apenas fornecem uma visão para outros muros, para as casas ao redor, não para o horizonte. Muros são desconfortáveis, pois são estreitos, como a visão de quem está em cima deles, muros também podem ser perigosos, pois muitos muros tem pregos, cacos de vidro e até cercas elétricas. O destino de quem fica em cima do muro, tal como um covarde, é um dia cair desse muro, e normalmente se cai para o lado que mais se admira. O ex-toureador promove, ainda que de forma "tímida", sobre seu muro, sua própria cruzada anticomunista, aquela que serve aos interesses dos exploradores, que negam à humanidade a possibilidade de construir um mundo novo e socialista, que promovem o culto da personalidade jurídica de sua trademark, do lucro e da banalidade, serve aos interesses dos fomentadores da guerra imperialista. Adotando aqui as palavras do célebre cantor alemão Ernst Busch, esses ataques à "Zôviet Unión", são um ataque à própria ideia de "revoluzión".

Para concluir, que "historiador"  ignora conceitos tão elementares? Que "historiador" não sabe o que é uma "corrente historiográfica"? Que acha que "conhece todos os historiadores" do mundo só por que leu alguns do mainstream? Em que buraco Bertone Souza, que não serve nem para escrever história de escola de samba, tirou seu diploma em História? Se é que realmente o fez por meios legítimos... Não é difícil entender todo esse furor e ódio do professor filofascista da UFT se levarmos em consideração sua afirmação de que "o comunismo foi a maior tragédia humanitária". É exatamente esse tipo de ideias, conforme bem nos mostra o Profº Dr. Michael Parenti, ele próprio um ex-anticomunista(como o autor desta página), que motivou campanhas genocidas como a Guerra do Vietnã, o extermínio de milhões de comunistas na Indonésia, dezenas de tiranias fascistas na América Latina, regimes racistas como o do Apartheid e o maior banho de sangue história, a Operação Barbarrossa, iniciada pelos fascistas alemães sob a liderança de Hitler, o mais célebre anticomunistas. Afinal, se "o comunismo é o mal encarnado", se ele é "a maior tragédia", se ele "matou mais do que o nazismo", logo todos os meios para seu combate estão automaticamente justificados. O anticomunismo, e não o comunismo, levou aos mais opressivos governos do século XX. Adaptando as palavras de Ivan Karamazov, do romance Dostoyevskiy, "se o fantasma do comunismo existe, então tudo é permitido". E é exatamente por isso que a escória da humanidade, os anticomunistas, devem ser desmascarados, denunciados e combatidos, pois sua ideologia, por mais que finjam estar em cima do muro, é o anticomunismo, que é reacionário e facínora. Aqueles que defendem a sua ideologia nefasta ou simplesmente com ela simpatizam são cúmplices morais de todos os seus crimes!



1- "O ônus da prova cabe à acusação"
2- Andreev, E.M., et al., Naselenie Sovetskogo Soiuza, 1922-1991. Moscow, Nauka, 1993.
3- CIA Factbook 1990 Em 10/04/2009
4- Trinquier Roger, La guerre moderne, éd. La Table Ronde, Paris, 1961, p. 15
5- Smith Joseph, Portrait of a cold warrior, Ballantine books, Nova Iorque, 1976, pp. 164 e 80


O debate original, censurado por Bertone Souza, pode ser visto neste link, acessado pela última vez às 10:30 da manhã de 31/08/13:

http://bertonesousa.wordpress.com/2013/05/04/lenin-e-o-comunismo/comment-page-1/#comment-3093

segunda-feira, agosto 26, 2013

CHARGE: Um desafio para os médicos cubanos curarem na direita



BRASIL: Brasileiros comemoram a chegada dos médicos cubanos no Aeroporto Internacional de Fortaleza

Em vídeo


EDITORIAL: Apoie a imprensa popular e democrática!

Por Cristiano Alves



Os jornais da burguesia servem aos interesses dos patrões, dos grandes capitalistas, exatamente por isso eles estão impregnados de matérias tendenciosas que demonizam movimentos sociais e mentem sobre a luta de classes, alegando não haver alternativa à sua hegemonia e desencorajando os trabalhadores a lutar por seus direitos e entregar-se passivamente aos chicotes de seus exploradores. Com o financiamento de grandes empresas, através de contribuições ou publicidade, eles disseminam o flagelo da reação e do anticomunismo.

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quinta-feira, agosto 22, 2013

MUNDO: Uma anciã georgiana e o socialismo

Originalmente publicado por André Ortega em http://www.realismopolitico.blogspot.com.br/2013/08/uma-velha-senhora-georgiana-e-o_22.html





Navegando encontrei este vídeo que é uma entrevista com uma senhora georgiana, "Era a vida melhor sob Stálin?". Essa senhora nasceu em uma família pobre de trabalhadores manuais, ela mesma já fez trabalhos braçais, estudou sob o socialismo, serviu na guerra e inclusive foi super-intendente de uma campo de prisioneiros de guerra (principalmente alemães) - quer dizer, foi parte da "casta burocrática stalinista", apesar da sua pobreza não indicar isso para os incautos. De qualquer forma, me chamou atenção a extrema simplicidade da forma como ela entende o socialismo, captando em poucas palavras a lógica do mesmo de maneira que muitos acadêmicos e "teóricos marxistas" não conseguem.

"Um homem como Stálin nunca nasceu na Geórgia! Aqueles tempos eram magníficos!", diz ela. Neste momento, ela complementa: "Os preços eram constantemente reduzidos! Se Stálin não tivesse morrido, ele teria feito sabão, eletricidade e água de graça". Pronto, esta é a lógica do socialismo. Desde Lenin, seja Trotsky ou seja Stálin, os comunistas enfatizam a tarefa primordial de aumentar a produtividade do trabalho. Muitos socialistas simplesmente ignoram isso, talvez por serem jovens idealistas inspirados por sentimentos de justiça. O principal objetivo do socialismo é aumentar a produtividade do trabalho, e era esse o fim perseguido na URSS de Stálin, reduzir os custos através do aumento da produtividade do trabalho. Essa é basicamente a principal diferença do socialismo "antes e depois" de Stálin, tanto na URSS como no resto do mundo. Na década de '60, o principal critério de avaliação da economia soviética deixa de ser a produtividade do trabalho e se torna a taxa de lucro de unidade produtiva. As taxas mais elevadas da produtividade do trabalho foram alcançadas nos anos '50 e depois caíram e estagnaram nas décadas posteriores.

A referência que ela faz a gratuidade de certos produtos, como a água e a eletricidade, também é notável. Realmente, no fim de sua vida Stálin desejava dar um passo a frente na direção do comunismo. Por princípio, é a produtividade do trabalho que permite a construção do comunismo, a distribuição comunista segundo a necessidade, quer dizer, a expansão do acesso aos produtos e até sua distribuição gratuita. Stálin na altura da publicação de seu "Problemas Econômicos do Socialismo na URSS" considerava a possibilidade de se dar um passo a mais de distância em relação a produção mercantil e na direção do comunismo. Segundo ele, a superação da produção mercantil é uma das tarefas do socialismo. Reconhece que isso não depende da vontade subjetiva de um líder, de um partido ou mesmo de todo um povo, mas que depende de leis econômicas objetivas. No entanto, enfatiza que é tarefa do Partido Comunista conduzir já na etapa socialista a transição para formas comunistas não-mercantis.

 I. V. Milianov, biógrafo de Stálin, fala um pouco sobre isso:

«Mikoian, segundo o próprio afirmou, mal se familiarizou com a brochura de
Stáline, adoptou de imediato uma posição crítica em relação a uma série de teses.
“Quando acabei de a ler, fiquei surpreendido: afirmava-se que a etapa da circulação
mercantil na economia se tinha esgotado, que era preciso passar para a troca de
produtos entre a cidade e o campo. Isto era um extraordinário desvio esquerdista.
Expliquei-lhe que, pelos vistos, Stáline planejava realizar a construção do comunismo
no nosso país ainda durante a sua vida, o que, evidentemente, era uma coisa irreal”.
Segundo as palavras de Mikoian, “passado pouco tempo da discussão na datcha,
caminhava ao lado de Stáline num corredor do Kremlin quando este me disse com
um sorriso irónico malicioso: ‘Estiveste estupendamente calado, não revelaste
interesse pelo livro. É claro que te aferras à circulação de mercadorias, ao
comércio’. Respondi a Stáline: ‘Tu próprio nos ensinaste que não podemos
apressar-nos e saltar de uma etapa para a outra, e que a circulação mercantil e o
comércio permanecerão ainda durante muito tempo como meio de troca na
sociedade socialista. Efectivamente duvido de que tenha chegado o momento da
transição para a troca de produtos’. Ele retorquiu: ‘Ah é assim! Estás atrasado.
Pois o momento é chegado precisamente agora!’ Na sua voz havia uma entoação
maliciosa. Ele sabia que nestas questões eu era mais entendido do que qualquer
outro, e não lhe agradava que não o apoiasse.
(apud V.D. Pikhorovitch, A alternativa rejeitada  à reforma de mercado de 1965 Por ocasião do 80.º aniversário do nascimento de V.M. Gluchkov , pg. 8, acessado as  14:00 22/08/2013 em http://www.hist-socialismo.com/docs/Gluchkov.pdf)

Alguns anos após a morte de Stálin, o complexo unificado que caracterizava a economia passa por um processo de desintegração e fragmentação. A unidade ganha um aspecto mais formal, com o Estado guiando a economia, distribuindo investimentos e controlando o crédito, enquanto na prática há uma autonomia financeira por parte das empresas. O sistema soviético se torna uma versão menos radical do sistema iugoslavo. A redução do custo da produção (i.e. aumento da produtividade do trabalho) deixa de ser o principal objetivo das empresas e é substituído pela busca pelo lucro. Antes considerava-se apenas a rentabilidade da economia nacional (que era como uma única empresa, um complexo unificado), agora cada empresa deve se preocupar com sua própria taxa de lucro. Naturalmente cresceram as desigualdades - cresceu a desproporção setorial, operários de uma mesma função ganhavam salários diferentes por estarem em setores distintos, os empregados dos setores mais lucrativos tiveram um aumento salarial muito grande e incapaz de ser atendido pela economia soviética o que estimulou o mercado negro, etc. Se antes a intenção era reduzir custos, agora eles aumentavam com a busca pelo lucro - aumentavam nas relações de uma empresa com outra, afetando a economia nacional, e em relação ao consumidor, mais uma vez fornecendo um estímulo para o mercado negro (quanto ao mercado negro ainda há um terceiro fato relacionado as reformas, que são  os excessos, as "sobras" de capital proveniente do lucro, permitindo re-investimentos).

Explica Prof. Natália Olegova Arkhanguelskaia:

Mas foi o anseio de se obter lucros em cada empresa, em vez da situação anterior em que se considerava apenas a rentabilidade da economia nacional no seu conjunto, que exacerbou, em muito maior grau, a oposição entre a sociedade e os colectivos laborais. Em resultado produziu-se a separação económica dos colectivos laborais, o que conduziu à formação de relações de produção fundamentalmente  diferentes das anteriores. Se antes os interesses do colectivo e da sociedade  coincidiam no essencial, agora estavam em contradição entre si.
As mudanças iniciadas neste período foram consolidadas com a reforma de 1965.  Esta reforma levou à desintegração e fragmentação do complexo económico unificado, pretendendo-se garantir não só a rentabilidade da economia nacional no seu conjunto, mas também que cada empresa separadamente obtivesse lucros. Em consequência, também a grande comunidade de trabalhadores deste complexo  dividiu-se em colectivos separados.(...) Antes de mais, a sociedade e os colectivos foram colocados em oposição entre si  com a introdução do pagamento pelo capital. O pagamento pelo capital fixo e
circulante passou a ser incluído no plano de lucros das empresas. A introdução deste pagamento marcou a mudança de relações entre os colectivos laborais e o Estado. No período anterior partia-se do pressuposto de que os colectivos das  empresas faziam parte do povo, que era o detentor dos meios de produção,  podendo utilizá-los sem qualquer tipo de pagamento. Agora resultava que os colectivos laborais tinham de pagar pelo capital utilizado e, por conseguinte,  passavam a ser considerados não como parte dos proprietários dos meios de  produção, mas como uma espécie de arrendatários. Assiste-se assim a uma peculiar  «espoliação» da propriedade do produtor e a uma oposição do último em relação ao Estado. Os colectivos laborais e a sociedade estão em oposição entre si enquanto proprietário dos meios de produção e sujeitos que os utilizam. Os colectivos  laborais não são proprietários das empresas e não podem dispor delas plenamente, por conseguinte, se por enquanto ainda não existem massas de proprietários  isolados, simultaneamente os colectivos já não fazem parte do proprietário plural.  Esta situação dificilmente poderia ser estável, teria de conduzir a ulteriores  mudanças, o que veio a ocorrer no limiar dos anos 90.   

(...) Antes da reforma, um dos  mais importantes indicadores do funcionamento das empresas era o preço de custo  da produção e a sua redução, por outras palavras, eram considerados os gastos de  trabalho vivo e social [trabalho passado]. As empresas eram incentivadas a reduzir  os gastos do trabalho, o que se traduzia na redução do preço de custo em relação  aos objectivos do plano, sendo que uma parte significativa dos meios economizados  ficava no colectivo laboral. Deste modo, não só o colectivo estava interessado na redução do preço de custo, mas também a sociedade, uma vez que podia receber  maior variedade de produtos com iguais gastos de trabalho. Isto criou uma  comunhão de interesses entre a sociedade e os colectivos de trabalho, o que  contribuiu em muito para o próspero desenvolvimento económico do país e para a  formação de uma psicologia colectivista.

Essas razões estão entre as que levam alguns a afirmar, num pensamento estritamente marxista, que a URSS foi o país que mais avançou na construção do socialismo, que "realizou a primeira etapa". Não só por ter desenvolvido mais suas forças produtivas, mas por ter avançado mais em suas relações de produção. No Leste Europeu o nível de socialização não chegava nem mesmo nos níveis da URSS pós-Stálin, além de esboçarem suas próprias noções de socialismo de mercado. Em Cuba na década de '70 adota-se o modelo soviético com alguns elementos cubanos (nota: Che havia criticado o sistema econômico soviético e defendo a "via stalinista" para Cuba, o Sistema Orçamentário de Financiamento). Na Iugoslávia as unidades produtivas eram mais autônomas do que na URSS. A China, ainda no período Mao, flutuava entre diversas formas propriedade com um considerável nível de descentralização (você tinha fábricas estatais "à soviética", fábricas privas e fábricas comunais) e agora tem um sistema de mercado com controle macroeconômico e "superioridade do setor socialista"(o setor estatal é o maior). A Coreia é um caso mais sui generis, mas ainda sim com maior autonomia regional e fábricas independentes.

A URSS era um país socialista, quer dizer, tinha um sistema econômico socialista, assentado na produção socializada. É esse fator que a torna socialista, o que não depende julgamentos morais. Vejo muitas concepções demasiado emotivas de "socialismo", desligadas do fator econômico e distintas do marxismo (apesar de muitas vezes a Marx prestarem homenagem). Jovens guiados por ideais de justiça e uma sociedade perfeita denunciam a URSS sem levar em conta sua base econômica, submetendo-a ao julgamento de suas normais ideias e de seu corações sensíveis.  Uma coisa são as relações de produção da URSS e outra coisa são "erros e acertos" de Stálin - até Trotsky era consciente disso e, pelo menos no campo verbal, defendia a base econômica da URSS. É muita gente falando da URSS sem saber, sem pensar nesses termos É no mínimo irônico que muitos dos que se consideram atualmente "campeões do anti-capitalismo" ataquem ferozmente uma das principais alternativas ao capitalismo, na maioria das vezes devido a pressão da propaganda anti-comunista ocidental e clichês que eles aceitam como verdades para depois dizer que "isso não é socialismo" - fazem o jogo daquele que teoricamente seria o inimigo. Realmente, olhando por este lado, a propaganda aliada ao acontecimento histórico da desintegração da URSS tem efeitos devastadores na esquerda, o que só piora com uma tradicional falta de estudos, senso comum, presunção e pedantismo. Existe uma certa dificuldade em se utilizar o termo "socialismo" objetivamente, como uma característica de um fenômeno e não um elogio onde cada auto-proclamado socialista o aplica naquilo que ele considera ideal. É por isso que re-afirmo o que disse no começo: essa senhora do vídeo entende mais de "socialismo" do que muitos "socialistas".

"Uma forma de pensar "puramente" normativa, idealista e ultimatista quer construir o mundo à sua imagem e desfazer-se simplesmente dos fenômenos de que não gosta. Só os sectários, quer dizer, a gente que é revolucionária só na sua própria imaginação, se deixam guiar por puras normas ideais. Dizem: não gostamos destes sindicatos, não os defendemos." (Trotsky, "Um Estado Não Operário e Não Burguês", 25 de Novembro de 1937)

Fonte

"Sobre algumas causas da restauração do capitalismo na URSS", N.O. Arkhanguelskaia http://www.hist-socialismo.com/docs/CausasrestauracaocapitalismoURSS.pdf