terça-feira, julho 16, 2013

MUNDO: Почему царь Николай II был палачом? (RUS)

Неизвестный автор




Сегодня последнего русского царя Hиколая II не только "патриоты" - монархисты, но и многие буржуазные демократы призывают причислить к лику святых. Hо почему же при жизни он был назван народом не святым - Кровавым?

1895 г 18 мая - При его коронации на Ходынском поле в возникшей по преступной нераспорядительности царских чиновников давке погибло более 5000 человек;
1901 г 7 мая - Расстрел обуховских рабочих;
1902 г ноябрь - Расстрел ростовских рабочих: убито - 6 ранено - 20;
1903 г 11 марта - Расстрел рабочих Златоустовского оружейного завода убито - 60, пострадало - 200;
1903 г 14 июля - Расстрел бастовавших железнодорожников: убито - 10, ранено - 18 ;
1903 г 23 июля - Расстрел демонстрации в Киеве: убито - 4, ранено - 27
1903 г 7 августа - Расстрел рабочих в Екатеринбурге: убито - 16, ранено - 48
1904 г 13 декабря- Расстрел рабочих в Баку: убито - 5, ранено - 40;
1905 г 9 января - Кровавое Воскресенье в Петербурге, расстрел мирного шествия рабочих: убито - 1200, ранено - более 5000;
1905 г 12 января - Расстрел демонстрации рабочих в Риге:убито - 127, ранено - свыше 200;
1905 г 18 июня - Расстрел демонстрации в Лодзи: убито - 10, ранено - 40
1905 г 5 сентября - Позорный Портсмутский мир с Японией: потери России в войне - 400000 человек;
1905 г 15 ноября - Расстрел крейсера "Очаков", других восставших судов Черноморского флота. Гибель тысяч матросов - севастопольцев;
1906 г 4 июля - 28 участников восстания матросов в Свеаборге приговорены к расстрелу;
1907 г 3 июня - Разгон "святым" царем Думы. Всего к этому времени повешено и расстреляно 14 тысяч человек;
1911 год - Голод, унесший жизни 300 тысяч человек;
1912 г 4 апреля - Расстрел бастующих рабочих на Ленских приисках: убито 254 человека;
1914 г 3 июня - Расстрел митинга путиловских рабочих в Петербурге;
1915 г 10 августа- Расстрел демонстрации в Иваново-Вознесенске: убито - 30 ранено-53;
1914 год - ЕЖЕДHЕВHЫЕ потери в 1 Мировой войне - 30 тысяч;

За все это и ответил последний русский царь в 1918 году в Екатеринбурге. И стоит подумать, прежде чем поддаваться призывам монархистов.

terça-feira, julho 09, 2013

EDITORIAL: A Página Vermelha, o primeiro site genuinamente vermelho da internet brasileira

Com mais de 10 anos no ar, A Página Vermelha, antes sediada no domínio www.apaginavermelha.hpg.com.br foi reconhecida pelo Comitê Central do PCEP, o Partido Comunista da Emancipação Popular, de tendência maoísta, como o primeiro site brasileiro genuinamente "vermelho". Segue aqui uma cópia do comentário do CC do PCEP sobre o site, feito em 28 de fevereiro de 2003, em seu antigo livro de visitas:

Os militantes verdadeiramente comunistas só têm a ganhar com esse esplêndido site. Gostaríamos de nos comunicar(via e-mail) com o responsável pela página. É a primeira vez que constatamos uma página genuinamente comunista e revolucionária na internet brasileira, inclusive com o intuito de refutar as mentiras e sandices históricas inventadas contra Stalin(sem dúvida, o maior nome do socialismo no século XX), algo raro de se achar, uma vez que o podre revisionismo devora os partidos como bichos da goiaba.
Quanto a alguns estúpidos comentários que playboys, filhotes da burguesia e alienados mentais(sobretudo acadêmicos) fazem sobre a página, recomendo ao responsável pela mesma que os delete.Nós, comunistas temos muito pouco espaço para nos expormos, e quando o conseguimos, ainda sofremos interferência desses petistas, falsos socialistas ou pseudo-nacionalistas metidos a falar do que não sabem?

Ora, velharia é o capitalismo, essa praga decrépita com mais de 500 anos de existência, que suga o sangue de bilhões de pessoas todos os dias. Dizer que falar de socialismo é "ultrapassado" é argumento de revisionista que sempre quer realizar velhas canalhices sob novas formas(social-democracia, terceira via, reformismo, etc.). A mesma canalha que prega o "fim da história". Quanto à saudação "camarada", ser coisa de russo, tem gente por aí que não sabe que esta é uma saudação dos tempos da primeira Internacional, e como tal, não tem pátria, assim como o proletariado. É uma forma de reconhecer o proletário como seu camarada de luta, algo que certos #(no sentido preciso do termo) não entendem. Não se está nessa página a se fazer propaganda de criminoso algum(Stalin, o nosso mestre e glorioso herói nunca o foi nem nunca será), mas sim se faz uma tarefa de questionamento e revisão dialéticos de inclucações ideológicas que sofremos desde a infância(servidão, "comunista come criancinha", "Stalin era mau","as autoridades devem ser obedecidas",etc.),absorvidas inclusive por certos "socialistas" com quem não devemos manter unidade alguma, visto que eles são a negação dessa unidade.

O nosso partido, ainda incipiente, recomenda esse site a todos que querem de fato saber a VERDADE(e não as mentiras patronais), sobre o comunismo. Parabenizamos o responsável pela página(camarada nosso na construção do homem novo), sugerindo-lhe mais textos sobre Stalin e sobre a Coréia Popular. Nos sites das organizações Northstar Compass, Progressive Labor Party, Partido Comunista Reconstruído da Espanha, Aliança Marxista-Leninista da América do Norte, Partido Marxista-Leninista Italiano, entre outros, há grande material sobre os referidos assuntos.

De qualquer forma, Stalin é a nossa bandeira, nosso ideal, nosso objetivo e nosso herói. Na próxima semana(em 05/03, quarta-feira de cinzas faz 50 anos de seu falecimento),faremos nos dias 05/03 e 06/03, vários atos de panfletagem(e depredação de monumentos burgueses, para vingar os monumentos derrubados na ex-URSS)e homenagem ao líder mundial do proletariado, em várias regiões da Baixada Santista(se quiser uma cópia do panfleto que distribuiremos, é só entrar em contato).Também dizemos, que preparando a guerrilha urbana e a guerra civil no Brasil(e quiçá no resto do mundo), nosso partido age no intuito de derrubar a ditadura do capital, o Estado, a propriedade privada e a ordem imposta,tendo como referência o grande camarada Stalin.
Para nós, é um estímulo saber que não estamos sós na luta contra o revisionismo(trotskismo, reformismo, social-democracia, eurocomunismo, PCdoB,PCB,PSB,PT e esquerda "oficial"), tendo de canalizar forças para derrubar os apoiadores(disfarçados de revolucionários) do sistema sócio econômico que torna o homem lobo do homem.

MAIS DO QUE NUNCA: VIVA O ETERNAMENTE GLORIOSO STALIN, SEMPRE CALUNIADO PELO SEU HEROÍSMO!!!

VIVA O MARXISMO-LENINISMO-STALINISMO-MAOÍSMO!!!

E Ao criador e mantenedor da página: parabéns pela página, que continue cada vez melhor, e que outras iguais surjam!!!!

PCEP(PARTIDO COMUNISTA DE EMANCIPAÇÃO DO POVO)

Quais as suas espectativas quanto ao novo presidente eleito?
É um renegado, traidor do proletariado, um burguês disfarçado de operário, que não trabalha desde 1978(quando assumiu a direção do sindicato dos metalúrgicos), um trabalhista arqui-reacionário que quer conciliar irreconcialiáveis interesses de classes opostas, inimigo do socialismo, que como tal, não deve ter espaço na sociedade comunista pela qual lutamos. Reformista, quer posar de Ramsay McDonald brasileiro.
COMITÊ CENTRAL DO PCEP
Guarujá-Baixada Santista, SP Brasil - 28-Fevereiro-2003 / 23:31:41

sábado, julho 06, 2013

INTERNET: Baixaria, ódio e fobia: O perfil da extrema-direita nas redes sociais


Por Cristiano Alves

Baixaria: Você confiaria numa médica que se expressa assim?
Foi-se o tempo em que a favela era sinônimo de crime, hoje em dia ela tem um forte concorrente, inclusive no aspecto de delinquência juvenil, o apartamento da zona nobre! Enquanto a favela concentra indivíduos socialmente excluídos, marginalizados, que por sua condição social são arrastados para o mundo do crime, apartamentos de classe média concentram delinquentes com alto nível de formação educacional, em teoria, cuja diversão está na fomentação do ódio, do desprezo por qualquer indivíduo que não tenha o perfil de alguém de classe média alta e branco, e mesmo na divulgação do fascismo, da xenofobia e do racismo. É claro que, assim como na favela, nem todos os habitantes de tais lugares são praticantes de tais crimes, sendo inaceitável a generalização.

Com os últimos avanços tecnológicos, a informação adquiriu uma velocidade comparável a da luz. Aquilo que os olhos veem, o smartphone transmite, o que o coração sente é postado no Twitter, VK ou Facebook. Os avanços tecnológicos e as redes sociais de modo algum inventaram o ódio, ele apenas surgiu como um vidro transparente que prisma o que há de mais vil, baixo e repugnante na alma humana. Assim, jovens pequeno-burgueses com problemas de realização pessoal enxergaram em redes sociais como o Facebook um consolo para seu onanismo intelectual. Não basta achar que "o negro é macaco" ou que "o comunismo é a encarnação do mal", é preciso postar no Twitter ou em um perfil de Facebook, além de ser necessário criar até mesmo grupos de discussão para papaguear seus argumentos escatológicos. Nos últimos meses, além dos famigerados grupos neonazistas, alguns travestidos de "Orgulho eurodescendente", tem sido verificada na rede social Facebook um número crescente de grupos que clamam como ideário político o conservadorismo ou o "anarcocapitalismo"(ou Ancaps, como preferem), mostrando-se sempre favoráveis ao modelo econômico liberal, como a presença mínima ou até inexistente(no caso dos anarcocapitalistas) do Estado. Eis que um grupo da rede social Facebook denominado "Liberalismo", que é tão "liberal" a ponto de liberar até o racismo. Em expressa conivência com esse ideário, uma usuária chamada Ingrid Souza, favorável ao abortamento foi chamada de "macaca no cio", por um usuário chamado Gabriel Fialho, que sustentou ainda que essa precisaria levar "tapa de macho". É claro que a posição dessas crianças não nasceu por geração espontânea, ela advém de posições arquirreacionárias de adultos conscientes de seus preconceitos como o arcebispo de Granada, na Espanha, o católico Javier Martinez, que defende que "mulheres que abortam merecem ser estupradas". Numa outra postagem do mesmo grupo, um jovem chamado Vitor Hugo Pereira questiona se apenas ele acha absurda a sentença condenatória de Mayara Petruso, estudante de direito neonazista que defendeu em seu Twitter o extermínio de cidadãos nordestinos. A despeito da divergência de alguns membros, vários foram os que concordaram com a postagem do rapaz.  Um indivíduo chamado Rafael Madalozzo cinicamente afirma que "punir qualquer pessoa por opinião é coisa de gente totalitária", ignorando que a Lei 7.716/89, que condena o preconceito baseado em "raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional", assim estabelecendo limites à liberdade de expressão, como também a própria Constituição o faz, liberdade essa que, sem limites, não é liberdade, mas arbitrariedade! 

Jovens de extrema-direita abominam a legislação antirracista que há no Brasil: "coisa de totalitarismo"
Uma breve análise no perfil dos transgressores, que acreditam piamente que "racismo não existe", nos ajuda a entender o perfil dos jovens de extrema-direita. Ambos são brancos, estudantes de colégios e universidades particulares, e tem uma infinidade de compartilhamentos onde esses fazem questão de mostrar o seu ódio inveterado contra o comunismo. Não raramente seus perfis contém referências ao pensamento do astrólogo Olavo de Carvalho, e a Von Mises, para o qual o "preconceito é uma coisa boa", "a escravidão não foi tão ruim" e "o fascismo e movimentos similares(isto é, o nazismo, nota de APV)... salvaram a civilização europeia". Entre seus livros favoritos, encontram-se obras pseudo-históricas do jornalista Leandro Narloch, isto é, seus guias "politicamente incorretos", em realidade guias conservadores e politicamente "corretos" do ponto de vista da mídia hegemônica.

Embora o perfil dos racistas mais barulhentos seja predominantemente branco, outras etnias não estão excluídas de tal prática nefasta, conforme verificado nessa mensagem dirigida ao autor desse artigo por um indivíduo de extrema-direita de Salvador, Bahia
Além de grupos como o "Liberalismo", no Facebook é possível ainda encontrar páginas entupidas com conteúdo obnóxio como "Meu professor de história mentiu para mim". Nesse grupo é possível encontrar pérolas como a de que "o PSDB é um partido de esquerda"(posição que vai contra a de qualquer cientista político e inclusive contra a de personalidades renomadas da extrema-direita como Reynaldo Azevedo), é possível ver ainda que "nazismo é uma forma de comunismo"(apesar do nazismo ser decididamente anticomunista e defensor intransigente da propriedade privada dos meios de produção), dentre outras excrescências. A comunidade é repleta de mensagens contra o MEC, que na visão do dono do grupo é uma "agência de propaganda comunista", promovendo, além do desserviço à educação, a apologia de torturadores como o coronel Brilhante Ustra, ainda que a comunidade sustente que "a ditadura militar era de esquerda".


Como se não bastasse o descaso do governo com os professores, estes são expostos ao ridículo no grupo "Meu professor de história mentiu para mim", no qual podemos "aprender" que estamos cercados por comunistas de todos os lados, que o crime organizado é cria de Lula e que a ditadura fascista de 1964-85 em realidade foi "de esquerda", apesar do grupo defender o torturador Brilhante Ustra

Mas essa intolerância não é mera birra pueril, há algumas semanas atrás o promotor Rogério Zagallo, defendeu de forma intransigente a execução sumária de manifestantes contra o aumento da passagem, a quem chamou de "petistas de merda, filhas da puta"(apesar de que a maioria dos manifestantes eram de partidos como o PCB, PSOL, PSTU e outros). A postagem, apagada um pouco depois da repercussão negativa que teve, obteve mais de 148 curtidas! Fazendo o estilo "pitbull colérico", o promotor possuía diversos compartilhamentos preconceituosos, anticomunistas e de apologia ao regime fascista que vigorou no Brasil entre 1946 e 1985. Além do promotor, tornou-se também conhecida a postagem de uma brasileira identificada apenas como "Godivana Shivana", que na comunidade "Brasileiros em Paris" julgava abominável o fato de uma revista francesa ter publicado uma capa com uma brasileira de cor negra. Segundo a meliante, a revista se tratava de uma "merda nas bancas de Paris", por trazer uma mulher que "nem cara de brasileira tem, mas de africana, toda caída, numa praia esquisita, como se o Brasil fosse lixo". Para ela isso seria uma evidência da "imagem absurda que o mundo tem do Brasil", tão absurda que todos os anos o Brasil recebe milhões de turistas, muitos inclusive vindo a se casar com brasileiras e brasileiros de cor negra, muitas vezes mais valorizados lá fora do que em seu próprio país.

Ao contrário da ideia de que a intolerância é exclusividade de "jovens mal resolvidos e profissionalmente fracassados", o promotor Rogério Zagallo é a intolerância encarnada, revestida com terno e gravata, no cargo do Ministério Público
O ódio pequeno-burguês é visível nos vários perfis do Facebook e era visível na "finada" rede social Orkut. Um certo Maycon Freitas, recentemente elevado à categoria de "herói", pela revista Veja, funcionário da Globo e suposto líder das últimas manifestações, contém um perfil recheado de citações anticomunistas e contrárias aos direitos humanos, que em sua visão são o "mal encarnado". Numa de suas postagens, no mais baixo nível, o "herói da imprensa" sugere que o deputado Marcelo Freixo vá "dar meia hora de cú"(sic) e chupe um "canavial de rola" por suas posições em favor dos direitos humanos. Maycon nos diz que "bandido bom é bandido morto", desde que o bandido não seja o filho do empresário, o político do DEM ou do PSDB, partidos campeões no ranking nacional de corrupção, desde que não seja ainda o pequeno-burguês que comete crimes usando a internet em seu apartamento no bairro da "zona nobre".


Nem sempre a "direita raivosa" usa suástica, uniformes nazistas ou tatuagem, parte dela usa maquiagem Dior, bolsa Louis Vuitton e salto alto... e claro, o Twitter!
Não é menos expressiva na rede a criação de grupos de humor segregacionista. No grupo "Humor negro", que trás uma montagem com uma foto do tirano austríaco Adolf Hitler, é possível encontrar várias fotos de indivíduos comuns de cor negra expostos a situações ridículas, como uma postagem que cassoa da fome na África e outra com o atleta Anderson Silva, com a inscrição "O homem com a força de 10 escravos". Embora o grupo também traga piadas de loiras, o humor antinegro é sempre voltado para questões históricas. 

Postagens de teor racista tem sido alvo de protesto e ações de ativistas como a funcionária pública da cidade de São Paulo identificada como "Luh Souza". Monitorando redes sociais há mais de 3 anos, esta até já discutiu virtualmente com vários racistas militantes, incluindo o engenheiro Emerson Eduardo Rodrigues, que chegou a organizar atos terroristas contra a Universidade de Brasília. Procurada pela edição de "A Página Vermelha", a ativista paulista nos descreve o perfil dos militantes racistas de extrema-direita:

"O perfil é sempre o mesmo, classe média a alta, de etnia branca em sua maioria. Alguns podem eventualmente se declarar brancos e depois dizerem que tem ascendência  negra, e até amigos negros, quando o fazemos perceber que têm ideias racistas . Faixa etária é inexistente, uma vez que pode-se debater com garotos de 14 e depois nos deparar com textos jornalísticos de embasamento altamente racista. Percebe-se em todos eles a falta de informação, a completa ignorância a respeito da História dos negros como um todo.. a maioria fala através do achismo, do próprio pensamento, sem qualquer embasamento histórico e antropológico a respeito do povo negro. Muitos não são mesmo racistas, são apenas mal informados devido a formação eurocêntrica que recebem nas escolas. Esta mesma desculpa não consigo digerir em relação aos jornalistas e outras pessoas mais velhas com acesso a informação e que continuam embasando suas ideias no próprio sentir. Mas já vi muitos brancos mal informados, não racistas, que procuraram por respostas e mudaram completamente sua visão em relação a muitas coisas, inclusive se tornando em favor das cotas raciais e se livrando de outros preconceitos, assim como se descasca uma banana."

- A Página Vermelha: O que motiva os preconceituosos em sua obsessão contra pessoas de cor negra?

- Luh Souza: Muitos não sabem, outros tem certeza, mas o que os motiva é, sem dúvidas, o medo de perderem o 'status quo'. Sentem-se ameaçados pela "Onda Negra" e de alguma forma, estarem contato com tantos pretos de cabelos crespos para o alto, falando alto e exigindo mudanças, tem assustado muita gente. Não percebem que estamos em busca de igualdade, não de exterminarmos os brancos por vingança. Deve ser assustador saber que somos tantos e agora estamos mostrando nossos rostos como nunca antes viram ou sequer perceberam.

- A Página Vermelha: Há algum tempo, a Polícia Federal prendeu um blogueiro racista e anticomunista que pretendia cometer atentados contra a Universidade de Brasília(UnB) em nome de sua cruzada contra um suposto "marxismo cultural". Você já sofreu alguma ameaça ou represália pela sua militância antirracista?

- Luh Souza: Já. Comecei no Orkut há anos atrás. No começo me assustava com as mensagens que recebia, contendo negros mutilados, ou de ameaça à minha família, símbolos nazistas entre tantas coisas... Este Emerson que foi preso por racismo na internet, entrou muitas vezes em confronto em minhas comunidades ou com meus amigos, dizia sempre que jamais seria preso por ser branco e se fosse, pagaria bons advogados e sairia ileso. Muitos mal informados sentem-se incomodados, acham que a gente sente ódio, mas a realidade é que estamos fazendo por nós o que não fariam de boa vontade. Já viram alguma marcha só de brancos pedindo por igualdade entre ambas as etnias? Não veremos, jamais!

"Dotô" Nelson Neto,  cirurgião, casado, paizão, trabalhador incansável, intolerante com injustiça(sic) e também médicos cubanos e com jornalistas como Carlos Fialho, que ousou criticá-los.
Se alguém acreditava piamente no mito de que "o brasileiro é caloroso e receptivo", é um fato que a sua pequena-burguesia não é nenhum pouco! Essa pode até ser receptiva quando se trata de trazer ao Brasil engenheiros do Canadá, executivos dos Estados Unidos, empresários de Portugal, cozinheiros da Itália, professores da Suécia... porém é xenófoba quando se trata de trazer ao Brasil médicos da república socialista insular. Enquanto mais de 70 países, na África, Europa e América, incluindo o Brasil, recebem médicos de Cuba, uma fração de médicos componentes da chamada "direita raivosa" passou a vociferar e espumar contra a ideia da contratação de mais de 6.000 médicos cubanos proposta pelo Governo Federal. Um número significativo chegou ao ponto de realizar um ato obnóxio de xenofobia, onde médicas carregavam cartazes comparáveis apenas ao da Marcha das Vadias com dizeres como "Dilma, trate seu linfoma em Cuba", enquanto outra dizia "Lula, achamos que o seu dedo está no *#% do povo brasileiro". Nenhum verbo da língua portuguesa pode descrever tão bem o ato quanto o verbo "to bitch" da língua inglesa, dado que nesse ato uma parcela de médicos, turrões, que deveriam estar orgulhosos por estarem vindo mais profissionais para cuidar de pessoas carentes no interior, preferiram agir como prostitutas  insatisfeitas ao reclamar da chegada dos médicos do país com a melhor medicina das Américas, segundo dados da OMS reconhecidos nas Nações Unidas e corroborados por centenas de jornais ao redor do mundo, inclusive de países como os Estados Unidos e a Suíça.


Um dos mentores da pequena-burguesia
Assim, esse é o perfil da extrema-direita nas redes sociais, reacionário, a encarnação da baixaria, pois diferente da classe média de países como a Rússia, onde é abominado o léxico não normativo, a classe média brasileira é culturalmente miserável; a encarnação do ódio por que é ignorante, e pesquisas apontam que pessoas menos inteligentes tendem a ser conservadoras e preconceituosas; além disso é inerente na extrema-direita a fobia constante retroalimentada a cada dia pelo anticomunismo, ideologia descrita pelo sábio americano Michael Parenti como "a mais influente de todas as ideologias", pelo elitismo, pelo racismo e por outros flagelos inerentes ao sistema capitalista. É exatamente desses preconceitos, da paranoia, de uma fobia de indivíduos que estão logo abaixo de sua camada social, que energúmenos criam no país os pressupostos básicos para a instauração de uma tirania fascista, ainda que esta tirania muitas vezes pertença apenas à esfera do universo policial ou meramente do "coronel" nordestino. Entretanto, não se pode condenar Smyerdyakov sem se falar de Ivan Karamazov, separar o parricida de seu mentor intelectual, como nos advertiu o escritor russo Fyodor Dostoyevskiy em sua obra "Os irmãos Karamazov". O ódio da classe média não nasce de geração espontânea, ele é uma consequência direta de um país cuja grande imprensa é controlada por uma dúzia de famílias, onde livros são artigos de luxo e, quando publicados, trazem apenas mensagens reacionárias que relativizam e até negam o racismo, que trazem a russofobia, revisando o papel da potência socialista nos tempos da Segunda Guerra Mundial, e de publicações com uma mensagem antipopular, que criminaliza movimentos sociais e dissemina na sociedade a semente do ódio. Não se pode falar num Brasil democrático e livre de cães obcecados pelo ódio sem se falar numa eficaz "ley de medios", inspirada nos hermanos que puseram na América Latina grandes nomes como Che(que através do comunismo livrou-se de seus preconceitos) e Carlos Gardel.


Crime de injúria qualificada por agravante racial cometida em Aracaju, Sergipe.

MULTIMÍDIA: Cipollino, um conto sobre a opressão capitalista

Por Cristiano Alves


Este simpático "garoto-cebola" protagoniza um conto educativo sobre a exploração capitalista
Durante a época soviética tornou-se conhecido um desenho animado chamado "Chipolino", baseado no conto de Gianni Rodari, "Il Romanzo di Cipollino"(literalmente, "O romance de Cebolinha"), em 1957 renomeado "As aventuras de Chipolino"(Le aventure de Cipollino), um conto infantil sobre a opressão capitalista. Sua história tornou-se tão famosa que na Ucrânia Soviética foi criado um balé em sua homenagem, no teatro de ópera Taras Shevchenko, obra do grande compositor Aram Khachaturyan, de origem armênia. 

O pequeno Chipolino(isto é, "Cebolinha") combate a opressão contra os vegetais exercida pela realeza, composta de frutas, nos jardins do reino. Ele nos apresenta a luta do oprimido contra o opressor, do bem contra o mal, do trabalhador contar o explorador e o especulador. Um desenho animado indispensável para crianças e para a família comunista.


Confira aqui a versão de 1961 de Chipolino. Em russo, com legendas em inglês:


БРАЗИЛИЯ: Что в Бразилии бывает на самом деле? (rus)

Что в Бразилии бывает на самом деле?


То что происходит в Бразилии, это не простой процесс. Сначало, манифестации были против ценны автобуса в Сан Пауло, там система транспорта не хорошое, многие люди, но мало транспорта. СМИ представлял такие движение как “хулиганы” и “бродягами”, но потом, СМИ и компании транспорта заметили, что они могли бы использоваться массами. В этой недели, эти “хулиганы и бродяги” перестали “активисты”, но это не просто так… Многие группы против федерального правительство решили участвовать протестами, они не были “против ценны транспорта”, у них были разные дела, у некоторых даже не были “дела”, а некоторые даже попросили фашистский путч типа 1964 в Бразилии. Известный бразильский генерал даже сообщил о том, что “Армия готова репрессировать любого протеста, потому что это работа коммунистов и Рабочего Партия(партия президента Бразилии, которая не коммунистическая, кроме для экстремисты политического права). На самом деле, США внимательно наблюдает этот процесс через посольство в Бразилии.
То, что происходит в Бразилии, пока только процесс, но дай Бог, что у нас не будет то, что произошло в Парагвай недавно или в Бразилии в 1964.

Кристиано
Бразилия

HISTÓRIA: O mito do "bolchevismo judeu"


Por Cristiano Alves

Apesar da significativa participação judaica, os russos predominaram durante  a Revolução de Outubro
É um lugar comum nas ideias de extrema-direita, especialmente no credo fascista, a crença de que "o bolchevismo foi parte de uma conspiração judaico-satano-sionista", de que "a Revolução Russa foi financiada pelos judeus". Esse absurdo propagandístico, oriundo dos tempos do tzar Nikolay II, sempre foi um apelo ao antissemitismo, um flagelo que há tempos atormenta o povo russo, instrumental para a ideologia tzarista. Este artigo demonstra a falsidade de tal teoria.




É um fato, que em qualquer país uma minoria oprimida tende a ver nas ideias comunistas um instumento para sua libertação nacional e colonial, assim, muitos judeus na Rússia voltaram-se para o bolchevismo, curdos na Turquia e negros na América abraçaram ideias comunistas, todavia, de acordo com "Roots of Russian Social Democracy"(As raízes da social-democracia russa), de David Lane, em 1907, no Congresso do Partido Operário Social-Democrata Russo, de 105 delegados, 78% eram russos, 11% eram judeus, 5% eram transcaucasianos(isto é, armenos, azeris e georgianos), 3% eram bálticos, e 1% eram ucranianos. Os judeus eram muito bem representados no, mas nada excepcional, já que os russos formavam 50% da população do Império Russo, sendo desproporcionalmente representados. Segundo Lane, "as principais e mais significantes diferenças entre as duas facções está em seu plano de fundo nacional. Os bolcheviques eram bem mais homogêneos... eles tinham uma pequena minoria de membros judeus, mas eram predominantemente grão-russos"(p. 51).

Em 1917-1923, havia 78 pessoas que ingressaram no Comitê Central. Desses, 38 eram russos, 13 eram judeus, 8 eram ucranianos, 8 eram bálticos, 5 eram transcaucasianos e havia ainda outros 6. Eles eram:

A.S Bubnov, N.I Bukharin, F.E Dzerzhinski, E.M Iaroslavski, M.I Kalinin, L.B Kamenev, A.S Kiselev, V.I Lenin, V.P Miliutin, G.I Petrovski, K.B Radek, Kh.G Rakovski, A.I Rykov, F.A Sergeev, A.G Shliapnikov, V.V Schmidt, I.T Smilga, I.N Smirnov, G.IA Sokolnikov, I.V Stalin, M.P Tomski, L.D Trotsky, G.E Zinoviev, S.G Shaumian, P.A Dzhaparidze, Ia.M Sverdlov, M.S Uritski, A.G Beloborodov, Ia.A Berzin, K.Kh Danishevski, G.E Evdokimov, V.N Iakovleva, A.A Ioffe, V.S Kapsukas, A.M Kollontai, N.N Krestinski, M.M Lashevich, G.I Lomov, M.K Muranov, V.P Nogin, E.A Preobrazhenski, L.P Serebriakov, N.A Skrypnik, E.D Stasova, P.I Stuchka, M.F Vladimirski, A.A Andreev, A.E Badaev, V.Ia Chubar, M.V Frunze, S.I Gusev, S.M Kirov, N.P Komarov, I.I Korotkov, T.S Krivov, V.V Kuibyshev, I.I Kutuzov, D.Z Lebed, I.I Lepse, S.S Lobov, D.Z Manuilski, V.M Mikhailov, A.I Mikoian, V.M Molotov, G.K Ordzhonikidze, V.V Osinski, G.L Piatakov, I.A Piatnitski, A.R Rakhimbaev, Ia.E Rudzutak, G.I Safarov, T.V Saporonov, D.E Sulimov, I.Ia Tuntul, N.A Uglanov, K.E Voroshilov, P.A Zalutski, I.A Zelenski


Os judeus étnicos acima são Iaroslavski, Kamenev (Rosenfeld), Radek (Sobelson), Sokolnikov (Brilliant), Trotsky (Bronstein), Zinoviev (Apfelbaum), Sverdlov (Yankel), Uritski, Ioffe, Lashevich, Gusev, Piatnitski, Zelenski. 

Em 1925, o Comitê Central tinha 58 russos, 12 judeus, 7 transcaucasianos, 5 bálticos, 5 ucranianos e 10 de outras nacionalidades. Embora os judeus constituíssem 2% da população, em 1922 eles eram 17% do Comitê Central. Os bálticos compunham 0,7% da população do Império, mas eram 10% do Comitê Central(incluindo aqui o bielorrusso Félix Dzerjinsky, patrono do KGB). Também havia 2 alemães, Vassili Schmidt e Emanuil Kviring no Comitê Central em 1925.

Em 1934, dos 139 membros do Comitê Central, 72 eram russos e 23 eram judeus. Apesar do aumento, não se verifica aí uma ameaça à maioria russa. Em 1939, de 139 membros, havia 11 judeus, sendo 70% dos membros russos e 21% ucranianos. Em 1952, havia 3 judeus entre os 236 membros, deixando os judeus de ser uma força política notável. Entre 1956-1981, de 948 membros do Comitê Central, 6 eram judeus. Para efeito de comparação, no mesmo período o politburo teve 1 finlândês, Otto Kuusinen, apesar do baixo número de finlandeses na União Soviética.


Para efeito de comparação com os mencheviques, grupo composto de anticomunistas, monarquistas e interventores estrangeiros durante a guerra civil, David Lane, autor de "The roots of Russian social-democracy", estabelece os seguintes dados:

Bolcheviques
82 russos
12 judeus
3 georgianos
2 armenos
1 polonês
1 letão
1 ucraniano
1 estoniano
1 finlandês

1 tártaro

Mencheviques

33 russos
28 georgianos
22 judeus
6 ucranianos
2 poloneses
1 alemão
1 estoniano
1 armeno
1 grego
1 ossétio

Havia, entretanto, alguns setores onde os judeus tinham forte influência, cargos onde detinham grande poder como o Comissariado dos Assuntos Estrangeiros e o Comissariado do Exército e da Marinha(ambos ocupados por Trotsky). Nos principais comissariados militares verificava-se a presença de nenhum russo, 8 letões, 1 alemão e 34 judeus.


Assim, conforme os dados e estatísticas nos informam, constitui um mito antissemítico do tzarismo e do nazismo a ideia de "bolchevismo judeu".


Fontes: 

LANE, David. Roots of Russian Social Democracy
MAWDSLEY, Evan e WHITE, Stephen. The Soviet Elite from Lenin to Gorbachev
Fórum "Revleft". http://www.revleft.com/vb/russian-revolution-funded-t41876/index.html Acesso em 06/07/2013

BRASIL: Olavo de Carvalho, um filósofo para racistas e idiotas


Tornou-se comum nos últimos anos que jovens católicos e anticomunistas tenham abraçado as ideias de um pseudojornalista que se autointitula "filósofo" - Olavo de Carvalho. Com ideias análogas as do terrorista conservador norueguês Anders Breivik, Olavo de Carvalho, que carece de formação em filosofia, tem utilizado o site de vídeos Youtube e redes sociais para disseminar mensagens de ódio numa linha já condenada até mesmo por pensadores de direita como Rodrigo Constantino. O charlatão considera falsa a Teoria da Relatividade, de Einstein, defende a cientificidade da "dança do sol", chama vítimas de massacres de "boiolas e maricas" e defende a pena de morte para comunistas, o que faz dele uma leitura obrigatória todos os círculos neonazistas tupiniquins. Em seu pensamento, cheio de lugares comuns, os EUA são "o melhor lugar do mundo para um negro viver" por que numa missa viu um "padre negão".


O texto abaixo foi originalmente publicado por Bertone Sousa, historiador e professor do curso de história da UFT
http://bertonesousa.wordpress.com/2012/10/28/olavo-de-carvalho-um-filosofo-para-racistas-e-idiotas/


"Qual é o melhor lugar do mundo para um negro viver? São os Estados Unidos... Na igreja onde fui, tava lá um padre negão" Olavo de Carvalho
Olavo de Carvalho é um católico conservador que, incapaz de conviver com ideias diferentes na academia brasileira, resolveu estudar filosofia sozinho. Essa sua incapacidade, no entanto, é algo que marca toda a sua trajetória de vida, se traduzindo em uma profunda intolerância a qualquer pensamento divergente do seu. No site Mídia sem Máscara, do qual Olavo é dono, vários colunistas expõem todo tipo de pensamento preconceituoso, tacanho e reducionista travestidos de “jornalismo”.

Como católico conservador, Olavo possui um profundo medo de ir para o inferno após a morte. Embora isso seja risível, é o que ele demonstra em vários vídeos seus espalhados pelo Youtube, como este. E para tentar garantir sua ida ao céu, ele atribuiu a si mesmo uma missão: dedicar a vida a combater o comunismo e o marxismo em todas as suas formas de manifestação.  E nada escapa à sua obsessão anti-comunista: positivismo, ciência, secularismo, ateísmo – nada que não seja escolástico e profundamente reacionário. 

Não importa que a Guerra Fria tenha terminado e o comunismo internacional tenha arrefecido juntamente com ela; ele não se deu por satisfeito e continua sua cruzada incansável contra todo esquerdismo, como ele caracteriza as entidades globalistas que, segundo ele, pretendem solapar os valores da família cristã e impor em seu lugar a agenda dos movimentos homossexual, feminista e ambientalista. Há anos ele tem sido um dos defensores de golpes militares pró-Estados Unidos na América Latina.

Nos últimos quatro anos, Olavo não cessou de falar sobre a falsidade da certidão de nascimento de Barack Obama, advertindo que ele é comunista e membro da fraternidade islâmica, tendo sido eleito presidente para minar o poder dos Estados Unidos no mundo, o que pode ser visto através do enfraquecimento das forças armadas americanas e pelo favorecimento dos grupos ligados à fraternidade islâmica nos países onde ocorreu a “primavera árabe”. Ele costuma elogiar o patriotismo dos norte-americanos, a importância que dão às forças armadas e deplorar o fato de que isso não existe no Brasil. Às vezes se mostra entusiasta do regime que vigorou no Brasil durante o Segundo Reinado. Também deplora o fato de o regime militar brasileiro não ter aniquilado a esquerda, antes permitindo que se tornassem proprietários de editoras e meios de comunicação.

Acusando sempre a imprensa brasileira de ser aquiescente em relação a esses eventos, ele se coloca como um jornalista que fala “a verdade” dos fatos. Afirma que o Brasil vive um regime totalitário sob o governo do PT, nutre um profundo desprezo por Dilma, Lula, pela Teologia da Libertação e por todos os teóricos da esquerda, sejam brasileiros ou não. Ele mesmo não se envergonha de dizer que, quando Lula foi eleito, tentou alertar as autoridades americanas acerca da “ameaça” que representava sua subida ao poder. É muito curioso esse interesse que ele demonstra pelo nacionalismo americano e pela direita cristã que apoia o partido Republicano. Olavo fala de Lula como a própria encarnação do mal, e frequentemente se refere ao ex-presidente com espasmos viscerais de ódio. Denuncia que o PT pôs em prática a estratégia gramsciana de mudança da sociedade pelo controle permanente das instituições.

Ele atribui os problemas educacionais do Brasil unicamente à esquerda e omite o fato de que foi o regime militar que sucateou o ensino de humanidades no Brasil, excluindo dos currículos disciplinas como línguas clássicas e francês, além de filosofia e sociologia e reduzindo inclusive o ensino da língua portuguesa. Qualquer um que seja minimamente informado sabe que ele mente quando fala essas coisas. Tudo isso deixa bem claro que Olavo não quer um país onde a esquerda participe do jogo democrático. Embora queira passar a imagem de liberal, ele não o é. Prefere uma ditadura fascista ao estilo franquista, que esmague a oposição e imponha a ferro e fogo os valores do catolicismo tradicional e do pensamento conservador.

Olavo ministra, pela internet, um seminário de Filosofia, curso em que ele, sozinho, trabalha todos os aspectos da disciplina, além de lições sobre história, psicologia e o que mais lhe der na telha. Olavo pensa o mundo de forma monomaníaca: tudo o conduz para um discurso denuncista da esquerda. Ele afirma ter passado vários anos estudando o marxismo, período que ele considera como de “autoenvenenamento”. Não reconhece qualquer importância nos trabalhos de Marx e Engels ou de qualquer outro teórico da esquerda, associando sempre esses autores ao stalinismo e aos gulags. Apesar de afirmar que estuda o assunto há quatro décadas, ele repete há anos os mesmos chavões.

Embora nem tudo o que Olavo diga seja desprezível, e algumas de suas análises tenham certo teor de relevância, elas, no entanto, se perdem como gotículas no oceano de asneiras que ele profere. O problema não é o fato de ele ser de direita, mas de ter descambado para um pensamento intolerante, monomaníaco, mesquinho.  Alguém que leia Olavo de Carvalho verá o quanto ele está aquém de pensadores liberais (de verdade) que se destacaram no Brasil como Roque Spencer Maciel de Barros, por exemplo. Olavo é até mesmo indigno da grandeza dos autores de quem ele usurpa seu pretenso conservadorismo, como Ortega y Gasset, Ludwig Von Mises, Otto Maria Carpeaux, entre outros.

Já tentei buscar na internet informações sobre alunos e ex-alunos de Olavo de Carvalho. E com exceção de algumas frases bajulatórias em seu próprio site do Seminário de Filosofia, o resultado foi nada. Nenhum artigo, nenhum livro, ninguém que se dedique a qualquer área do pensamento filosófico e expresse isso em publicações. Olavo costuma dizer que nunca conheceu uma pessoa que tenha sido alfabetizada pelo método Paulo Freire. Da mesma forma, nunca conheci ou ouvi falar de um filósofo que tenha sido formado por ele. Esses alunos fantasmas vivem – como é de se esperar – silenciosamente paralisados à sombra de seu mestre, de quem são incapazes (ou têm medo) de discordar e mais incapazes ainda de produzir algo minimamente relevante.

Mas então, onde estão e quem são essas pessoas? O que elas produzem? Olhando os comentários aos vídeos semanais de Olavo no canal do Mídia sem Máscara no Youtube, podemos ter uma dimensão do perfil de seus seguidores. Muitos o chamam de “grande mestre”, e, seguindo seu exemplo, achincalham a esquerda sem um mínimo de reflexão teórica. Em um de seus programas recentes, um ouvinte ligou e afirmou de forma iracunda que “odeia a esquerda”. Olavo esboça um semblante de satisfação e lhe diz mansamente que não tem que odiar ninguém, que ele precisa ser profissional.

Mas que tipo de profissionalismo ele pode esperar de seu pupilo, se o que ele diz é a única coisa que aprendeu com o mestre: detestar irracionalmente toda forma de esquerdismo, mesmo que determinadas pessoas ou movimentos nada tenham de esquerdistas ou marxistas? E verbalizar esse ódio com xingamentos e esculhambações?

No ano passado, uma reportagem do portal Ig noticiou a atividade de alguns jovens universitários de direita, que, inspirados em Olavo de Carvalho, defendem valores tradicionais e afirmam estarem dispostos a usar a força física e a morrer por isso, estratégia semelhante ao do grupo racista skinheads, demonstra a reportagem. Embora Olavo posteriormente tenha negado qualquer ligação com esses grupos e criticado a reportagem, fica evidente que esse é o resultado mais óbvio de suas posturas políticas: o incentivo a atos e pensamentos de intolerância, facilmente assimiláveis por grupos de extrema direita.

A maioria de seus admiradores não são leitores de filosofia, são antes jovens carentes de um pai, de um líder, de um guia, de um führer. São pessoas incapazes de pensar por si mesmas e compartilham com seu mestre o desprezo pela academia. Apesar de todas as suas limitações e defeitos, a academia é o lugar onde ideias podem ser livremente debatidas. Essas pessoas, no entanto, não querem debates, elas querem a imposição do que pensam que pensam, sem saberem que na verdade não pensam nada. Como Olavo, seus seguidores veem esquerda e comunistas por toda parte, um inimigo a quem eles atribuem uma importância que não existe fora de suas mentes.

Ele ainda aconselha seus alunos a usarem textos anti-marxistas de seu site para enfrentarem professores nas universidades e já citou até exemplos de que isso deu certo. Ora, somente professores muito ingênuos e dogmáticos (e ainda há muitos desses por aí) podem cair nessa. Como se não bastasse, seus seguidores têm lançado diversos produtos com a marca “Olavettes”, contendo frases de seu mestre e com o dizer “Olavettes é nóis mermo”. Não são intelectuais, são tolos. São como crianças imitando adultos, com a diferença de que as crianças carregam a pureza da inocência, e eles a terrível marca da estupidez. Esse comportamento das “olavettes” é de causar vergonha alheia, a começar pelo nome que escolheram para designar a si próprios. Enquanto Olavo continua sua empreitada para tentar chegar ao céu, seus discursos têm atraído uma legião de seguidores, fascinados por seu estilo histriônico de falar, por seus xingamentos e por sua intolerância. Essas pessoas não se destacam por erudição ou produção intelectual, mas pela abjeção de suas ações.

Para que os leitores percebem o quanto Olavo realmente não pode ser levado a sério, vejam a “refutação” que ele faz à ciência moderna e à teoria da relatividade neste vídeo. Chega mesmo a ser patológica a obsessão deste homem para ridicularizar qualquer coisa que não se enquadre em sua estreitíssima visão de mundo formada pelo ideário fascista e por dogmas da escolástica medieval. Sem absolutamente nenhuma referência teórica, sem menção a nenhuma pesquisa, ele tem a desfaçatez de sugerir que a terra é imóvel! Tudo porque o modelo copernicano mostrou a falsidade da cosmologia ptolomaica adotada pela Igreja. Esqueceram de avisar a Olavo que a própria Igreja hoje não pensa mais dessa forma, mudou seus conceitos e já até se desculpou com Galileu através de João Paulo II. O Vaticano inclusive conta com um centro avançado de pesquisa científica, onde atuam pesquisadores de várias partes do mundo.

E como alguém pode refutar a relatividade sem ao menos compreendê-la como ele próprio admite no vídeo? No auge de sua ignorância cínica, Olavo diz que Einstein inventou a teoria da relatividade pra não ter que admitir que a terra é imóvel. É impressionante quantas pessoas dão crédito e se deixam enganar por um impostor que se finge de filósofo e intelectual e pronuncia tantas asneiras absurdas e risíveis. Não é à toa que  apenas skinheads e outros grupos racistas, além de incautos sugestionáveis admiram o tal “filósofo”. Os verdadeiros liberais e pessoas sensatas da direita se envergonham até mesmo de mencionar-lhe o nome, afinal Olavo não é referência para nada que se queira produzir cientificamente. Ele mescla seus sentimentos de revolta pessoal com a esquerda com fanatismo religioso e sua personalidade megalomaníaca de se achar “um grande intelectual” a quem ninguém se compara no Brasil. É de dar dó. Ele critica intelectuais como Leandro Konder chamando-os de militantes mas incrivelmente não consegue se enxergar como militante de extrema direita.

Se fôssemos elencar as asneiras ditas e escritas por ele, teríamos de fazer um blog voltado exclusivamente a isso. Apenas mais um exemplo: em seu site pessoal há um texto assinado por José Nivaldo Cordeiro, “Discutindo o capitalismo”. No texto, o autor, que não passa de uma sombra de Olavo de Carvalho, fala coisas tão infundadas sobre Weber e Marx que não é possível dizer que se trata de um texto sério. Ele diz que o cristianismo fundou o princípio da igualdade jurídica quando lançou a máxima do “amar ao próximo como a si mesmo”. A noção de igualdade do Cristianismo primitivo não era jurídica, mas espiritual, não é à toa que suas verdades permaneceram no nível da dogmática por muitos séculos, apenas tardiamente ganhando elaboração intelectual. A moderna noção de igualdade jurídica remonta aos pensadores deístas do Iluminismo e, com base em suas ideias, à subsequente separação entre Estado e religião. A Igreja Católica não poderia tê-la desenvolvido na Idade Média porque sua cosmovisão estava ancorada no tomismo e na Escolástica, que preconizavam a subordinação do Estado à Igreja como a ordem natural estava subordinada à sobrenatural. No Antigo Regime da era moderna, o Estado, em aliança com a Igreja, exercia o poder a partir do princípio do direito divino dos reis, uma das características a que posteriormente se opôs o pensamento liberal, de matriz protestante. O que ele fala sobre “amor ao próximo” sequer pode ser considerado um argumento porque não tem fundamento histórico. A noção de igualdade jurídica é um anacronismo se aplicado à Idade Média. A atuação dos Tribunais da Inquisição também o provam. Durante séculos, dezenas de milhares de pessoas foram torturadas e executadas por divergirem ou serem suspeitas de divergirem dos dogmas oficiais da Igreja. Os tribunais não tinham preocupações com provas, qualquer acusação do tipo “ouvi dizer que fulano…” já eram suficientes para levar alguém a se tornar réu. Uma vez nessa condição, não havia possibilidade de absolvição. Depois ele diz que “sem a mensagem salvadora de Cristo ainda estaríamos vivendo formas imperiais e/ou tribais de organização social”. Será que o senhor Nivaldo Cordeiro não sabe o que foi o feudalismo, o cesaropapismo, a servidão que subsistiu por mais de um milênio após a queda do Império Romano? Claro que sabe, mas omite isso.

Depois ele diz que Weber cometeu vários erros, como “associar a eclosão do capitalismo ao protestantismo” e que ele fez isso por ser protestante e ter uma visão depreciativa do catolicismo e diz que houve uma “explosão de produtividade agrícola na Idade Média pelo talento dos monges católicos”. Parece que o autor nunca leu nem Weber nem autores renomados como Jacques Le Goff, Henri Pirenni e outros. Só faltou ele dizer que a Revolução Industrial começou nos mosteiros medievais. Ora, Weber não associou a origem do capitalismo ao protestantismo mas mostrou a diferença entre o ascetismo católico (extramundano) e o protestante (intramundano), demonstrando como a mentalidade deste último foi essencial para o desenvolvimento do comércio e, posteriormente, da indústria.  E isso nada tinha a ver com o fato de ele ser protestante ou não gostar do catolicismo. No texto, “Rejeições Religiosas do mundo e suas direções”, Weber retoma o assunto acrescentando outros elementos importantes, que Nivaldo Cordeiro sequer se deu o trabalho de ler, assim como não leu o capítulo de “Sociologia da Religião” na obra “Economia e Sociedade”, também do Weber. Não é por acaso que as análises de Weber sobre o tema continuam não apenas atuais e insuperadas, como também não houve críticas capazes de mostrar qualquer falsidade nelas.

No parágrafo seguinte ele diz que a Igreja adquiriu uma “herança imperial maldita” de Roma. “Herança maldita?” O uso de tal juízo de valor, depreciativo e absolutamente desnecessário pra algo que pretendia ser uma discussão histórica, já é suficiente para despacharmos o texto para o lixo. Aqui ele prova sua falta de seriedade, de distanciamento do objeto, sua ignorância histórica. Ele está analisando a origem do capitalismo não com base numa pesquisa ou discussão teórica, mas com base em seus sentimentos pessoais de aversão ao protestantismo, em seu fanatismo religioso. Ele utiliza autores como Paul Johnson, mas numa apropriação ingênua. Ele quer mostrar que o protestantismo não foi importante para o capitalismo, associando isso à herança clássica apropriada pela Igreja. Trata-se de uma interpretação completamente falsa de Weber e da retomada da herança clássica no Renascimento. Não vou entrar em detalhes sobre Weber porque em minhas publicações já discuti isso. Além disso há uma farta bibliografia sobre o assunto disponível inclusive na internet que o leitor pode usar para se informar, como os artigos do falecido sociólogo da USP Antonio Flavio Pierucci, um dos principais divulgadores da obra de Weber no Brasil, que ainda ajudou a traduzir e organizou a publicação de  ”A Ética Protestante…” para o português para a editora Companhia das Letras. Vale ainda indicar a biografia intelectual de Weber de Reinhard Bendix, uma das melhores já produzidas. A estratégia de Olavo e seguidores é a seguinte: eles pegam alguns autores católicos ou de extrema direita, reafirmam o que eles dizem abrindo mão do diálogo com qualquer outro autor ou vertente, depois posam de grandes intelectuais e sabichões. Se a pessoa não for atenta cai na armadilha porque eles argumentam bem, usam a dialética erística pra enganar os incautos.  São pessoas inescrupulosas e que não têm comprometimento com a investigação científica, só com a militância e não se envergonham de fraudar os fatos para se colocarem como arautos da razão.

Uma vez, enquanto apresentava seu programa de rádio True Outspeak, um ouvinte telefonou e perguntou a Olavo o que ele achava da filosofia de Paul Ricoeur. Olavo respondeu diminuindo a importância da obra dele e dizendo que não tiraria três meses de sua vida pra ler Paul Ricoeur. Quem já teve contato com a obra de Ricoeur sabe que foi um dos mais importantes filósofos do século passado, principalmente por seus estudos sobre narrativa histórica e de ficção, hermenêutica e sobre a memória. É muito estranho Olavo ignorar sua obra e se recusar a estudá-la. Mas logo compreendi o porquê: Ricoeur não era um teórico da conspiração nem um militante anti-comunista e pra Olavo não interessam discussões fora desse campo. Ricoeur era um intelectual católico, mas não um extremista. Também me causa muita estranheza o fato de os seguidores de Olavo não perceberem sua desonestidade intelectual: ele se tornou obcecado pra combater o marxismo e faz isso a partir de posturas tacanhas como o fanatismo religioso, facilmente assimilável por jovens com pouca leitura de livros e de mundo.

Muitos outros exemplos poderiam ser citados, mas o que foi exposto já serve como amostra de quem se trata o homem que considera a si mesmo “o maior representante da alta cultura” no Brasil. Olavo de Carvalho não é filósofo, é um tagarela anticomunista, teórico da conspiração, ex-astrólogo revoltado por não ter encontrado espaço na universidade brasileira para suas logomaquias megalomaníacas e obsedado por sua intelectualidade imaginária. Um ogro da extrema direita brasileira.

terça-feira, junho 25, 2013

Ex-Integralista demonstra foi orquestrada a onda "antipartido" nas manifestações

Por Márcio Hiroshi (Publicado originalmente em https://www.facebook.com/marcio.hiroshi.31)


ESTOU DENUNCIANDO!
URGENTE - LEIAM TODOS - O BRASIL CORRE RISCO!
Meu nome é Márcio Hiroshi. Sou membro do Movimento Integralista há 5 anos.

Sempre acreditei no Integralismo como forma de mudar o país. Mas o que venho narrar aqui me fez refletir e romper com o Movimento.

Desde que as manifestações começaram temos nos reunido todos os domingos para traçar rumos de ação de nosso movimento. A ação é pautada em TUMULTUAR, EXPULSAR OS PARTIDOS DE ESQUERDA E ACABAR COM AS PASSEATAS PROMOVENDO A DESORDEM. Por que isso? Para acabar com as mobilizações dirigidas pela esquerda.

Neste último domingo, as posições definidas pelo grupo me fizeram sair e denunciar o que está havendo. Como prova da veracidade dos fatos estou divulgando fotos e nomes de meus comandantes
1 - Os integralistas estão desde os primeiros dias nas passeatas.
2 - A linha de atuação do grupo é TUDO PELO BRASIL, retirar as bandeiras dos partidos de esquerda e prevalecer a do Brasil.
3 - Nas manifestações gritar SEM PARTIDO e expulsar os partidos de esquerda.
4 - Há um núcleo político e um núcleo de ação.
5 - O núcleo político inicia a agitação e o núcleo de ação intervêm batendo nos militantes.
6 - Há o movimento fortemente organizado em São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, BH e outras cidades.
7 - O objetivo é acabar com as passeatas, sempre tumultuando.
8 - Nas reuniões somos ajudados por pessoas do serviço reservado da PM e por dirigentes do PSDB, DEM e outros deputados e vereadores (depois direi nomes e fotos). Estes partidos nos financiam.
9 - Em São Paulo os carecas de SP e Carecas do ABC são pagos para nos ajudar a bater e a gerar grande desordem. Eles são do núcleo de ação. De início eu participei ativamente do núcleo de agitação. Estava em São Paulo (onde moro) e todos íamos sempre para outras cidades, pois as datas não eram conflitantes.

O que me fez sair do grupo? As ações previstas agora estavam sendo muito violentas, onde teve gente que que quebraram o braço, machucaram bastante. Meu chefe de agitação é Marcelo Coradassi Eiras. Ele aparece nas fotos à direita, onde estamos em Anauê. Em breve irei revelar mais nomes e endereços de todos.

Estou publicando as fotos de nossa reunião ocorrida sábado e domingo em SP e Rio. No domingo, na parte da manhã fomos bater fotos no Viaduto do Chá. Nas fotos estão apenas o núcleo de agitação. O núcleo de ação está atrás de quem tira a foto, pois não queríamos que os carecas aparecessem.
Nas passeatas o núcleo de ação está sempre com a máscara do mascarado do filme V, o anonymous. Nosso grupo tem influência em diversas páginas do Facebook, incluindo esse, onde revelarei todas em breve.

Também falarei de nosso financiamento e de quem recebe dinheiro, pessoas, páginas do Facebook, etc.
Em breve mais informações, pois quero que todos divulguem ao máximo o que está ocorrendo. Neste momento sou jurado de morte e não sei o que fazer para me proteger. Tenho 43 anos e fiz a minha parte do que considerei errado.
Tudo pelo Brasil!


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Perfil do líder integralista: https://www.facebook.com/marcelo.eiras.180
Arquivos citados(sob risco de ser apagado): https://docs.google.com/file/d/0B7zim8GBEN4zWmdNZWxHOFpreUE/view?sle=true

sexta-feira, junho 21, 2013

BRASIL: Todo apoio às organizações de esquerda nas manifestações

ATENÇÃO

Recomendo aos manifestantes de partidos como o PCB, PSTU, PCdoB, PSOL, PCO e outras organizações vistas na manifestação que SE UNAM contra baderneiros e gangues de extrema-direita que tem atacado grupos de esquerda nos últimos dias.

Embora condene com veemência a ideologia e a prática do PSTU, é bom notar que vários grupos só não tem atacado outros partidos "por falta de rima". Eis aqui o comentário de um indivíduo de extrema-direita incitando à violência contra manifestantes de esquerda:

Alexandre Assemany: PESSOAL, aqui em Salvador ontem tomamos Bandeiras do PSTU, PSOL, PCdoB e cia, NÃO QUEREMOS ESTES PARTIDARISTAS COMUNISTAS EM NOSSAS MANIFESTAÇÃO, PARA QUEM NÃO ENTENDEU essa MOVIMENTAÇÃO É CONTRA A CORRUPÇÃO, GASTOS COM A COPA EXAGERADO, CONTRA A PEC37, PELO TRANSPORTE PÚBLICO E GRATUITO. Ou seja se vcs encontrarem pessoas com camisas do PSTU, PSOL, REDE, PCdoB, PCB, PCO e outros BAIXEM A PORRADA NELES, JUNTEM UM GRUPO, E QUEBREM ELES NO PAU, TOMEM E LASQUEM AS CAMISAS E BANDEIRAS.
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Partidos como PCdoB, PSOL e PSTU têm, em maior escala integrado várias lutas populares a favor do transporte público de qualidade. Enquanto muita gente sonha que "o Brasil acordou", ele já está acordado há muitos anos, só que quando esses partidos e o povo iam à rua protestar, eles preferiam dizer que se tratava de "malandros e baderneiros que não tem o que fazer", ou mesmo ainda diziam "se acha o transporte caro, compra um carro, anda a pé".

TODO APOIO A ORGANIZAÇÕES DE ESQUERDA QUE ESTÃO NA MANIFESTAÇÃO, RETIRAR-SE É FAZER O JOGO DA DIREITA, É FAZER O QUE O FASCISMO QUER! A HORA AGORA É DE UNIÃO, NÃO DEIXEM A EXTREMA-DIREITA RASGAR SUAS BANDEIRAS, NEM QUEBRÁ-LAS, A MENOS QUE SEJA PARA QUEBRÁ-LAS NA CABEÇA DE UM FASCISTA !!! NO PASARÁN!

BRASIL: Discurso de triunfo da ditadura fascista em 1964



"Vive a Nação dias gloriosos. Porque souberam unir-se todos os patriotas, independentemente de vinculações políticas, simpatias ou opinião sobre problemas isolados, para salvar o que é essencial: a democracia, a lei e a ordem.


Poderemos, desde hoje, encarar o futuro confiantemente, certos, enfim, de que todos os nossos problemas terão soluções, pois os negócios públicos não mais serão geridos com má-fé, demagogia e insensatez.

Este não foi um movimento partidário. Dele participaram todos os setores conscientes da vida política brasileira, pois a ninguém escapava o significado das manobras presidenciais.

A esses líderes civis devemos, igualmente, externar a gratidão de nosso povo. Mas, por isto que nacional, na mais ampla acepção da palavra, o movimento vitorioso não pertence a ninguém. É da Pátria, do Povo e do Regime. Não foi contra qualquer reivindicação popular, contra qualquer idéia que, enquadrada dentro dos princípios constitucionais, objetive o bem do povo e o progresso do País."


Lembra alguma coisa?

BRASIL: Manifestação agora atrai grupos autoritários neonazistas em São Paulo

NÃO ESTOU MAIS ORGULHOSO DE PORRA NENHUMA!
(por Lohan Fillipo)

"Chego de uma manifestação MERDA. Bonita pelo tamanho, bonita por ver as pessoas nas ruas, mas MERDA. MERDA primeiro porque nem sequer foi manifestação. Um monte de gente sem ideal, sem saber porque tá lá, ou gritando por coisas que não fazem sentido, ou pior ainda, coisas que fazem um sentido completamente cruel e diferente do que parecem.

E a maior merda foi simplesmente porque tinha FASCISTA PRA CARALHO. Uma quantidade cada vez maior de militares, reacionários, homofóbicos, racistas, nacionalistas, fascistas de forma geral. Agredindo militantes do PSTU, respaldados pelos gritos de "SEM PARTIDO" de todo mundo. Vocês têm noção do quão RETARDADOS E IMBECIS vocês estão sendo? Tem gente NO HOSPITAL porque foi ESPANCADO por levantar bandeira de partido SOCIALISTA. Seu retardado, VOCÊ TÁ DEFENDENDO QUE ACONTEÇA ISSO. QUE ESPÉCIE DE DEMOCRACIA VOCÊ QUER?

Esses militantes do PSTU, PSOL, PCO, PCB, tão nas ruas a MUITO mais tempo e em MUITO mais lutas do que você. Lutam por causas que você nem sequer imagina que existam, lutam em lugares que você não costuma sair de casa pra frequentar, lutam contra a repressão policial, lutam contra coisas que VOCÊ CRITICA, e lutam SEM VOCÊ DO LADO. Eles praticamente CRIARAM esses movimentos, inclusive os que VOCÊ está lá participando hoje, por influência sabe-se de quem. VOCÊ, fascista filho da puta, que fica gritando hino nacional e dizendo que odeia partido político, sabe quem eram os caras que mais odiavam isso? Os militares que comandavam essa porra desse país. Já ouviu falar de AI-2? Já ouviu falar do fim do pluripartidarismo? Você já ouviu falar que é político do PSOL e PSTU que vai lá tirar manifestante da cadeia quando são presos injustamente?

Enquanto você tá por aí lanchando no Starbucks, dizendo que nasceu no país errado e que tem vergonha do Brasil, tem gente TOMANDO NO CU pra lutar por uma porra de um Brasil melhor. E aí você do dia pra noite resolve se deixar levar pela onda de protestos (nada contra, inclusive), ir pra rua só por ir, e encharcar uma manifestação JUSTA, POPULAR E (sim, foda-se o que você acha) DE ESQUERDA com seu discurso REACIONÁRIO FASCISTA?? Enfia no olho do seu rabo!!

Tem gente com bandeira VOLTA DITADURA MILITAR e você tá xingando PSTU. Você xinga a Globo e agride militante do PSOL? Que espécie de MONGOL é você?

Quanto ao estado, e seu braço de chumbo, tudo na mesma medida desproporcional de sempre. Sinceramente, foi o que menos me irritou. A não ser pelo fato de estarem TORTURANDO manifestantes, INVADINDO ÁREA FEDERAL, mantendo gente PRESA dentro de faculdades (FEDERAIS), o que é CRIME. Além do já tradicional CAVEIRÃO. Sim, amigos, além de FUZIL, usam CAVEIRÃO.. em PROTESTO.

Mas, tá certo, continue gritando SEM VANDALISMO, SEM VIOLÊNCIA, vestindo sua camiseta branca e cara pintada (essa expressão te lembra alguma coisa?). Enquanto isso, além de tomar tiro na cara do estado, tem gente de cabeça raspada enrolado na bandeira do Brasil agredindo gente de movimento negro, gay, movimentos sociais populares. Presta atenção no que vocês tão defendendo. Presta atenção nesse discurso SEM PARTIDO.

O Brasil tá com cara de que se encaminha pra um golpe. Um golpe fascista. Que, não vão ter como negar depois, foi "apoiado pela massa".

Escrevi tanta coisa que nem sei mais o que falei. Foda-se. Acho que o recado foi dado. Quando a gente se enche de esperança..."

terça-feira, junho 18, 2013

BRASIL: Da necessidade de organização e o oportunismo da Direita: nota sobre o 5º ato contra o aumento das passagens

Por Coletivo Bandeira Vermelha


A Avenida Paulista hoje foi tomada. Tomada pela reação, ou ao menos a parte útil a ela, como os militantes do Coletivo puderam presenciar. Enquanto outros lugares da cidade como o Largo da Batata e Av. Morumbi em frente ao Palácio dos Bandeirantes eram tomados, na Paulista o que menos se ouvia eram as palavras de ordem do ato contra o aumento das passagens. O mesmo cenário dos protestos combativos das semanas anteriores não se repetia. Ao invés disto, toda a fauna esteve presente: desde os libertários, que acreditam que todos os problemas do mundo se ligam diretamente a uma ineficiência do Estado e falta de livre mercado segundo qualquer “economista” austríaco obscuro; dos jovens de classe média que se autoproclamam “apartidários” como se o próprio ato dessa confissão de fé não fosse reacionário e que estão contra a corrupção mas não contra o capitalismo já que não aprenderam a fazer essa elementar relação de efeito e causa; até mesmo um grupo de neonazistas, aquela degenerescência humana que insiste em se reproduzir. Todas essas figuras transformavam o ato contra o aumento da passagem em mera ocasião para desabafar as frustrações pessoais sobre um quadro político que pouco entendem mas que querem rejeitar.

Esse fenômeno visto nesta segunda-feira é fruto de uma nova tática da imprensa burguesa que, após ver sua primeira tentativa de demonizar o movimento com acusações de vandalismo que foi prontamente negada pelas informações que correram a internet, agora tenta abraçar a “causa”, cooptar o movimento que passa a ser caracterizado como algo que vai além dos R$ 0,20 e que os atos protestam contra tudo e todos da política (menos aqueles da eventual preferência dos veículos), além do que, também tentarão caracterizar o “bom manifestante” e o “mau manifestante”, o primeiro aquele que protesta pacificamente contra o monstro da corrupção e que vai mudar o País mas que não se rende a nenhum partido, e o segundo, justamente os que sempre estiveram presentes apoiando o movimento e agora são definidos por dogmáticos e violentos que tentam controlar tudo para atender seus interesses partidários e que por isso, qualquer manifestação desses devem ser rechaçadas pela massa.

O MPL e os partidos e movimentos de esquerda, que sempre estiveram presentes na discussão do transporte público da cidade e nas manifestações contra os aumentos das passagens, precisar agir rápido e dar uma resposta a esta tentativa da direita e da mídia burguesa de esvaziar os atos em meras confraternizações entre “indignados” que mal sabem explicar por que exatamente se indignaram. Deve-se buscar uma unidade de ação para o movimento, ainda que causem contradições inevitáveis. A estruturação horizontal e ausência de lideranças só funcionam em ensaios abstratos de casos poucos efetivos. Para dar respostas a situações concretas e urgentes, esse tipo de organização nunca pôde, não pode e nem poderá gerar resultados satisfatórios. Deve-se tomar a frente dos protestos; deixar claro a reivindicação da revogação do aumento da tarifa e denúncia do escandaloso monopólio dos transportes na cidade de São Paulo, que demanda milionários subsídios da Prefeitura mas que mantém ao mesmo tempo lucros não menos grandiosos e, desta forma, determinar o caráter anticapitalista do movimento. Ao assumir posição firme diante dos fatos o movimento dará um passo fundamental para sua consolidação, derrotará o oportunismo da direita e conquistará cada vez mais a massa de trabalhadores e trabalhadores para a sua causa.



domingo, junho 09, 2013

FOTO DA SEMANA: Máscara de gás improvisada usada por cidadão da Turquia


ENTREVISTA: Elucidando algumas diferenças e semelhanças entre Brasil e Rússia

Por Cristiano Alves

Num encontro inesperado e entusiástico com duas cidadãs da Federação Russa deu-se uma conversa informal, mas nem por isso sem teor de seriedade, entre o jornalista Cristiano Alves, autor de A Página Vermelha, e duas gêmeas russas missionárias de uma seita hinduísta. Com quase uma hora de duração, parte foi registrada e traz algumas razões que explicam o interesse de vários comunistas na Rússia e as lições que o país nórdico tem para ensinar aos trabalhadores e ao povo do Brasil. Confira a entrevista legendada no canal "A voz do comunismo":


BRASIL: Promotor defende no Facebook a execução sumária de manifestantes

A postagem teria sido capturada por um de seus seguidores e já foi veiculada em vários veículos de mídia alternativa:




Por V. Tavares

segunda-feira, maio 20, 2013

MUNDO: Europa oriental 15 anos depois e sua dura realidade


Introdução por Ortega 

Seguem alguns dados sobre a barbárie social que se abateu sobre os países do Leste Europeu depois da queda do socialismo. É interessante como existem incautos ignorantes o suficiente para acreditar que a pobreza que existe naqueles países hoje "se deve ao socialismo", numa lógica falaciosa de post hoc ergo propter hoc. Com o capitalismo não veio somente o desmantelamento e privatização de grandes empresas aliada ao desaparecimento da segurança social, veio também o caos. Tráfico de pessoas, abuso de drogas, corrupção, criminalidade, assassinato, desemprego, impunidade, etc. Eu diria nessa linha que "diversos autores e fontes" reconhecem o bem estar social existente nesses países nos tempos do socialismo, porém seria ridículo já que não existe polêmica quanto a isso (como esses dados estão aí para mostrar). A nostalgia do socialismo tem suas origens. Me impressiona que alguns "libertários", especialmente os mais novos, acreditem que isso realmente foi um "avanço" e que o mercado é capaz de resolver todos os problemas sociais; a eles cabe a honestidade de reconhecer a barbárie que se instaurou nesses países e defender aquilo que acreditam, dizer que "esse é o preço da liberdade", ao invés de forjar quimeras para se opor. Gastam a saliva para falar da "impossibilidade do cálculo econômico", "eppur si muove" - o socialismo certamente funcionava e funcionava melhor que o regime econômico atual, implicava num avanço sem precedentes nas forças produtivas, avanço abortado pelo capitalismo. É claro que para os nossos "macroeconomistas" e demais "especialistas" a robustez de uma economia não se mede por suas forças produtivas e sim por uma "estabilidade" que nada mais é que a estabilidade do capital financeiro. É bom lembrar também dos "esquerdistas", especialmente os morenistas da LIT-PSTU que comemoram esse acontecimento da queda do socialismo sob o pretexto de "permitir a reorganização dos trabalhadores". "Reorganização" dos trabalhadores desempregados que foram demitidos por multinacionais ou tiveram suas empresas fechadas, dos esfomeados? Os trabalhadores que tiveram suas organizações atacadas e foram duramente reprimidos por Yeltsin (que chegou a bombardear o Parlamento) quando tentaram recuperar o que perderam? Os fatos gritam por si só, e fato é que a queda do socialismo significou um retrocesso nas forças produtivas desses países (que demonstrarei em tabelas numa outra postagem), anomia, fim da seguridade social e um grande golpe aos trabalhadores e de toda sociedade no que concerne sua situação material. Até hoje não houve recuperação, mesmo com o abrandamento de efeitos que foram extremos nos anos '90 e 15 anos depois se faziam sentir. Por fim, como disse, cada um trás os seus valores e julga isto como preferir: para os trotskistas da LIT é provável que o melhor seja assim mesmo.


Europa Oriental: 15 anos depois, a dura realidade 
Por Marc Vandepitte


A instauração do capitalismo significou um retrocesso para todos os países da Europa Oriental, tanto no plano econômico quanto no social. Um relatório das Nações Unidas declara: "A mudança de uma economia planificada para uma economia de mercado foi acompanhada de grandes mudanças na divisão da riqueza nacional e no bem-estar social. As estatísticas mostram que são as mudanças mais rápidas jamais registradas. Isso é dramático e acarretou um custo humano elevado" (1).

Entre 1990 e 2002, o produto interno bruto (PIB, o conjunto de bens e serviços produzidos em um ano) por habitante dos países da Europa Oriental diminuiu em 10%, enquanto em países de nível comparável o aumento no mesmo período do PIB foi de 27% (2). Isso representa uma perda efetiva de quase 40%. Essa regressão vale para todos os países, salvo Polônia e Eslovênia.
Hoje, o PIB per capita dos antigos países comunistas da Europa Central e Oriental é 25% menor que o da América Latina (3). Para as repúblicas da ex-União Soviética a situação é mais dramática ainda. Nos anos 90 o PIB caiu em 33% (4). A Ucrânia teve, inclusive, uma diminuição de 48% (5) entre 1993 e 1996, e a Rússia teve de 47% (6).

As ações das empresas Estatais foram vendidas a preços ridiculamente baixos, uma grande parte do poderoso aparato econômico e industrial foi desmantelada. Em alguns anos, a grande potência industrial que era a Rússia se converteu em um país do Terceiro Mundo. O seu PIB (144 milhões de habitantes) é mais baixo que o dos Países Baixos (16 milhões de habitantes).
A União Soviética retrocedeu economicamente em uns 100 anos. No momento da revolução socialista, em 1917, o PIB per capita era de 10% em relação ao dos americanos. Em 1989, apesar do fato de a União Soviética ter deixado a Segunda Guerra esgotada e praticamente destruída, o PIB per capita alcançava 43% do índice dos americanos (7). Hoje, o PIB per capita russo é menor de 7% do índice dos cidadãos dos EUA.

A situação social 

Cerca de 150 milhões de habitantes da ex-União Soviética (isto é, o número de habitantes de França, Reino Unido, Países Baixos e Escandinávia reunido) desapareceram dentro da pobreza nos princípios dos anos 90. Hoje vivem com menos de 4 dólares por dia (8). O número de pobres que vivem com menos de um dólar por dia se multiplicou por vinte. Na Bulgária, Romênia, Rússia, Cazaquistão, Quirguistão, Turcomenistão, Uzbequistão e Moldova o número de pobres atinge de 50% a 90% da população (9).

Segundo um estudo recente da Unicef, um em cada três crianças dos antigos países do Leste Europeu vive hoje na miséria (10). Um milhão e meio de crianças vivem em orfanatos. Na Rússia, o número de crianças abandonadas foi duplicado, apesar da forte diminuição da taxa de nascimentos. Em Bucareste, capital da Romênia, centenas de crianças vivem nas ruas e mais de 100 mil abandonadas. E no antigo Bloco Oriental mais de 100 mil delas foram empurradas para a prostituição.
Os cuidados médicos e sociais com as crianças foram quase inteiramente desmantelados. Para muitas mulheres, a mudança para o capitalismo foi também uma verdadeira catástrofe: "Um numero crescente de mulheres é vítima da violência. Muitas mulheres que procuraram desesperadamente por trabalho e por uma vida melhor foram empurradas para a prostituição, organizadas por máfias" (11). A cada ano, aproximadamente, meio milhão de mulheres da região é literalmente exportado para os países da Europa Ocidental (12).

Antes da passagem para o capitalismo, a região vivia um bem-estar social garantido. Um relatório das Nações Unidas descreve: "Antes dos anos 90, as condições sociais nos países da Europa Central e Oriental e nos países da CEI (13) eram notavelmente boas. Havia uma grande segurança social como base. O emprego era garantido por toda a vida. Da mesma forma, se a renda monetária era baixa, era estável e segura. Muitos bens de consumo e serviços básicos eram subsidiados e o abastecimento era regular. Havia alimentação suficiente, roupas e moradias. O acesso à educação e à saúde era gratuito. A aposentadoria estava assegurada e as pessoas podiam desfrutar de outras formas de proteção social" (14).

O relatório continua: "Hoje, uma educação satisfatória, uma vida sã e uma alimentação suficiente não estão asseguradas. A taxa de mortalidade aumenta, novas epidemias potencialmente destruidoras ameaçam e tornam a vida (e a sobrevivência) num crescente e alarmante perigo" (15).

Uma conseqüência: certos países dramaticamente perdem população. Na Ucrânia, a população diminuiu em 1,2 milhões de pessoas desde o ano de 1991. Na Rússia, entre 1992 e 1997, em 5,7 milhões, apesar da chegada de 3,7 milhões de imigrantes de países vizinhos. O que quer dizer que a cada dia que passa há menos 3,5 mil russos no país.
As Nações Unidas estimam que, se a atual tendência não se inverter a população dos antigos países do Leste Europeu terá diminuído 20% em 2050 em relação aos dias de hoje. De 307 milhões de pessoas, passarão para 250 milhões (16).

Que pensa o povo? 

As pessoas oscilam entre a decepção, a resignação e a cólera. Alguns exemplos:

A Polônia foi a nação que se deu melhor com a transição. Neste país tão católico o comunismo jamais teve vida fácil. Entretanto, 44% dos poloneses de hoje julgam o período do Bloco Socialista como "positivo". Quarenta e quatro por cento dos poloneses estimam que o socialismo é uma boa doutrina, mas que foi "mal aplicada". Trinta e sete por cento fazem uma apreciação positiva do partido comunista, que esteve no poder de 1945 a 1989. Trinta e um por cento deles se dizem descontentes com o período findo com a queda do muro. Somente 41% acham que o capitalismo ainda é um sistema melhor (17).

Um pouco mais para o Oeste, no território da antiga Alemanha Democrática, 76% dos alemães consideram o socialismo "uma boa idéia, mas que foi mal aplicada" e só um em cada três deles está satisfeito com a forma como funciona a democracia (18).

De acordo com uma pesquisa feita em 1999, 64% dos romenos preferiam viver sob o comando do premiê Ceausescu (19).

Na Rússia, Lênin é ainda muito popular. Sessenta e sete por cento dos russos emitem opiniões positivas a seu respeito. Apenas 15% deles falam de Lênin utilizando termos negativos (20).

Há milhares de insatisfações e o potencial de revolução é grande. As feridas do passado estão ainda abertas e a confusão ideológica ainda é grande, mas não se afasta a idéia de que, em um futuro próximo, se regresse ao socialismo, mas desta vez, "bem aplicado".

Os males típicos do Terceiro Mundo 

Desde a instauração do capitalismo, a Europa Oriental parece cada vez mais formada por países do Terceiro Mundo.

A décima parte dos habitantes dos antigos países do Bloco Socialista está desnutrida. Na Rússia, uma criança em cada sete sofre de desnutrição crônica.

Pela primeira vez em 50 anos, o analfabetismo reapareceu.

A tuberculose está novamente tão disseminada como no Terceiro Mundo.

O número de casos de sífilis na Rússia, em 1998, era quarenta vezes maior que o de 1990.

A esperança de vida dos russos de sexo masculino passou de 63,8 para 57,7 anos, entre 1992 e 1994. Na Ucrânia diminuiu de 65,7 para 62,3 anos.

Desde 1992, o número de alcoólatras duplicou na Rússia.

Para cada 100 casos de gravidez, há 60 abortos na Rússia. A conseqüência é brutal: 6 milhões de mulheres são estéreis.

O número de suicídios na Polônia aumentou em 25%. Em alguns países da ex-URSS dobrou.

O número de crimes, na Bulgária, é quatro vezes maior que em 1989. Na Hungria e na República Tcheca triplicou. Na Polônia, aumentou em 60% o número de assassinados. Noutros países, em até 250%.

As Nações Unidas estimam que o número de mortos nos antigos países socialistas, atribuídos às novas enfermidades (facilmente curáveis) e à violência (guerra) é de 2 milhões nos primeiros 5 anos da passagem para o capitalismo.


Notas

1. PNUD, Informe sobre a evolução da humanidade, 1999, pp. 39 e 79.

2. PNUD, Informe sobre a evolução da humanidade, 2004, p. 187.

3. Ibidem.

4. Comissão econômica das Nações Unidas para Europa, ver www.unece.org/stats/trends/ch5/5.2.xls.

5. Financial Times, 12 de outubro de 2004.

6. Le Monde Diplomatique, julho de 1998.

7. Harpal Brar, Imperialismo. Decadente, Parasita, Moribundo Capitalismo, Londres 1997, p. 210.

8. James Gustave Speth, The Plight of the Poor, Foreign Affairs, maio-junho 1999; PNUD, Informe sobre a evolução da humanidade, 1997, p. 35.

9. PNUD, Informe sobre a evolução da humanidade, 2000, p. 172; Unicef, Poverty, Children and Policy, Report n. 3, Nova Iorque, 1995; PNUD, Informe sobre a evolução da humanidade, 2004, pp. 150-151; Michael Chossudovsky, Global Poverty in the late 20th Century, p. 296.

10. Unicef, Eastern Europe & Central Asia: Millions of Children bypassed by Economic Progress, Moscou 2004.

11. PNUD, Informe sobre a evolução da humanidade para Europa central e oriental & a CEI, 1999, pp. 7-8.

12. PNUD, Informe sobre a evolução da humanidade, 1999, p. 89.

13. CEI, Confederação de Estados Independentes, uma organização desaparecida das antigas repúblicas soviéticas.

14. PNUD, Informe sobre a evolução da humanidade para a Europa Central e Oriental e a CEI, 1999, p. 2.

15. Ibidem, p. 10.

16. The New York Times, 4 de maio de 2000; Le Monde Diplomatique, março 1999; Le Monde Diplomatique, julho 1998.

17. Le Monde Diplomatique, janeiro de 2001; La Libre Belgique, 2 de agosto de 2002.

18. The Guardian, 9 setembro de 2004.

19. NRC Handelsblad, 14 de dezembro de 1999.

20. NRC Handelsblad, 18 de abril de 2001.


Marc Vandepitte* é escritor. Escreveu livros em holandês sobre Cuba, Iraque e a antiglobalização

domingo, maio 19, 2013

BRASIL: Boatos sobre o Bolsa Família levam milhares de pessoas à Caixa Econômica Federal


Por V. Tavares


No dia 19 de maio de 2013 milhares de famílias foram às agências da Caixa Econômica Federal movidas por boatos segundo o qual "seria hoje pago um valor extra" e "o programa Bolsa Família iria acabar". O boato não apenas levou milhares de pessoas às agências da Caixa, como também foi responsável por tumultos por parte de indivíduos que nada conseguiram sacar. O fenômeno foi verificado em Teresina e várias outras partes do Brasil.

Artifícios semelhantes foram usados no golpe de 1964, que derrubou o então presidente Jânio Quadros. A página do jornal G1 sobre o boato também foi estranhamente "hackeada", levando a um endereço estranho ao do site da Globo durante alguns instantes.


Confira mais em: http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2013/05/beneficiarios-do-bolsa-familia-fazem-fila-em-agencias-da-caixa-no-rio.html