terça-feira, novembro 20, 2012

CONSCIÊNCIA NEGRA: Politicamente incorreto racista em publicidade e propaganda

Exaltado no mundo socialista e ridicularizado e vilipendiado no mundo capitalista, o negro sempre foi alvo de campanhas publicitárias preconceituosas e depreciativas de empresas privadas, algo que tem sutilmente mudado ao longo do tempo, após a intervenção do Estado, sob pressão de movimentos sociais e partidos comunistas. Essa matéria é dedicada a todos os amantes do "politicamente incorreto", àqueles que odeiam a intervenção do Estado, trazendo uma série de anúncios publicitários que a VEJA e nomes como Leandro Ponder e Narloch adorariam ter como seus patrocinadores.


Por Cristiano Alves

O mundo capitalista sempre foi dominado pelos valores do capitalismo. Numa sociedade de exploração do homem pelo homem sempre foi a esta funcional uma ideia que viesse a dividir os trabalhadores, que desviasse o foco na luta de classes, enfatizando assim a "luta de raças". Enquanto o país dos sovietes chamava todos os trabalhadores de todas etnias e nacionalidades para construir um novo mundo sem fome, sem exploração e sem racismo, expondo ao público cartazes como estes:


"A África luta, a África vencerá"
"Levante a bandeira do Internacionalismo Proletário"




Esta era a ideologia passada no capitalismo (Clique para ampliar):


- "Por que sua mamãe não te lavou com o Sabão Feérico ?"


Esse é um dos mais nefastos cartazes existentes no mundo da publicidade. Aqui é visível não apenas o racismo, que claramente implica que a cor negra é sujeira que pode ser removida com uma "limpeza", mas também instiga essa prática entre as crianças! Repare que uma delas tem um tom claramente debochante, ao passo que a outra está constrangida, a criança branca em belas roupas e a criança negra em trapos.

Essa publicidade é da companhia N. K. Fairbank Co, do século XIX, quando a escravidão ainda estava em vigor. A companhia encerrou suas operações em 1903.


- "Nós usaremos Clorinol e nos tornaremos crioulos brancos"


Muitos já ouviram falar de nomes como Michael Jackson e Beyonce, personalidades negras que embranqueceram a pele para parecerem caucasianos no país mais racista do planeta, os Estados Unidos da América. Esse cartaz, que claramente zomba dos negros, mostra 3 jovens negros num barco com a bandeira do "Clorinol". Um deles já usou e tornou-se branco, outros dois estão a apreciá-los, sorrindo, como se renegar a própria cor fosse um motivo de alegria e orgulho. Curiosamente, todos estão no meio do mar, talvez para mostrar que esses deveriam ficar longe da sociedade "civilizada".

Até hoje, nos EUA e em outros países, muitos negros que tem êxito social fazem o máximo para renegar sua cultura, sua cor e parecerem-se fisicamente com brancos, gastando com produtos e tratamento de "branqueamento da pele", uma indústria lucrativa no mercado de cosméticos, bem como tingindo a cor do cabelo.


- Uísque de Schenley Bourbon


Era comum à cultura americana apresentar sempre o negro sob uma perspectiva subserviente ao homem branco, esse cartaz reforça bem o estereótipo. Repare na forma como o branco é retratado e como o negro aparece.


- Chrysler Plymouth


Mais um exemplo do negro subserviente ao homem branco. Aqui ele aparece apenas para reafirmar a supremacia do homem branco, o único com dinheiro para adquirir um Plymouth e dirigí-lo.


- Camisas Van Heusen


O pôster diz "4 em cada 5 homens querem Oxford... nesses novos estilos Van Heusen. Observemos quem qual é a cor do quinto homem que não quer tal camisa. O informe claramente reforça o estereótipo do "negro selvagem", que não partilha os valores da civilização. Reparemos que enquanto o homem branco aparece sorridente e contente, com um ar elegante, o negro aparece com um tom colérico. Vale lembrar a ideologia passada neste cartaz com a de um famoso cientista responsável pela moderna classificação taxonômica, Carlos Linneus, em seu Sistemae Naturalis, em 1767, antes mesmo da definição de "raça":

"Homo sapiens europaeus, branco, sério e forte; Homo sapiens asiaticus, amarelo, melancólico e avaro; Homo sapiens afer, negro impassível e preguiçoso; Homo sapiens americanus: vermelho, mal-humorado, violento"
Interessante destacar que na cultura americana(e brasileira), com o advento do romantismo e de uma busca por uma identidade nacional baseada no índio, ao mesmo tempo que o exterminavam, países como EUA e Brasil passaram retiraram a classificação de "mal-humorado e violento" do americano nativo e transferiram-na para o negro.


- Recivilize-se



"Recivilize-se". Aqui uma publicidade da Nivea claramente passa a ideia de que um estilo de cabelo black power, africanista, símbolo da luta do negro pelos seus direitos, é algo "selvagem".


- "Antes e depois"



Aqui o racismo é apresentado de forma subliminar. Na parede estão dois tipos de pele, uma "antes", outra "depois", e abaixo estão 3 diferentes mulheres. Curiosamente, a linda modelo negra do informe aparece logo abaixo de "antes", no meio está uma outra jovem de pele ligeiramente mais clara, e abaixo de "após" está uma modelo branca de perfil europeu. Numa sociedade como a americana, a mensagem é clara, "mais limpo você, mais branco será". Tal como a publicidade do século XIX.

- Curve-se!



"Curve-se", diz uma outra versão desse mesmo reclame. Em plena era do "politicamente correto", um informe mostra-nos apenas homens negros curvando-se ante um homem branco, cena mais que desejada por milhões de racistas.

- Vogue


Qualquer homem certamente ficaria engrandecido ao aparecer numa capa de revista ao lado de Gisele Bündchen, padrão internacional de beleza e modelo mundialmente aclamada, muitos não ligariam se tivessem de fazê-lo vestido de palhaço, de terno, sunga ou talvez mesmo vestido. Ocorre que na primeira capa da Vogue ao trazer um homem de cor negra, não basta apenas mostrá-lo como o "negão mal-encarado, malvado e assustador". Essa capa gerou grande polêmica e basta comparar com as fotos abaixo para entender o motivo:

Esquerda: "Destrua o bruto louco. Aliste-se no Exército americano"

Direita: Capa do King Kong.

 - O "superbebê" ariano


No Brasil, preto não nasce, segundo as edições da Editora Abril. Suas revistas sobre bebês, num país onde mais de 50% da população é negra e mais de 70% possui genes africanos, em regra trazem apenas bebês brancos de olhos claros. Mesmo em revistas adultas como a "Playboy", apenas 7 mulheres negras foram capa da revista desde o ingresso da revista no Brasil. Mas, voltando ao tema de bebês, a edição da Superinteressante traz como "superbebê" justamente um bebê branco, reafirmando a "superioridade do homem branco", aceita pela sociedade a ponto desta ver numa revista sobre a luta do movimento negro, por exemplo, um "racismo negro", ainda que a matéria ou a revista limite-se a discutir ou defender o papel mais participativo do negro na sociedade.

Considerando ser a Editora Abril uma parceira do grupo Naspers, empresa sulafricana que apoiou o regime terrorista e racista do Apartheid, o "superbebê" ariano na capa não está lá por acaso.


- VEJA



Ao longo dos anos, é comum querer desqualificar um adversário político mostrando-lhe "quem está com o outro grupo", sendo o bode expiatório mais comum o homossexual, desde os tempos de Roma. Afinal, quem votaria em político "X" se seus eleitores são homossexuais? E no caso brasileiro, onde grande parte da sociedade é elitista e preconceituosa, quem votaria num candidato à presidência cujos principais eleitores são "um bando" de nordestinos, negros e pobres?

Aqueles que conhecem a ideologia nefasta da revista Veja, que tem por um de seus acionistas o grupo Naspers, que ajudou a implantar o regime do Apartheid na África do Sul, sabe que a jovem empregada não está na capa por acaso.


- Creme de trigo



Mais uma publicidade americana de deboche dos afrodescendentes, mostrando um homem com um cartaz impregnado de erros ortográficos, de modo a ser ridicularizado pelo público comprador do tal creme. A placa diz algo como:

"Talvez o Creme de Trigo não ter vitaminas. Num sei o que é isso. Num tem besouro no Creme de Trigo, e ela é tao baum pra comê e barato. Custa so 1 centavo pruma grande refeição."


- "E o resultado? A perda do orgulho racial"




Cartaz de propaganda da época da Alemanha fascista trazendo os dizeres: "E esse é o resultado! A perda do orgulho racial". Na Alemanha hitlerista nem mesmo se podia ter uma "amiga negra" que tantos racistas usam para dizer que não são racistas.


- Cartaz nazista antinegro e antijudeu




Embora o fascismo alemão condenasse todas as "raças inferiores"(uttermensch), sem dúvidas o campeão de ódio dos fascistas era o judeu. Aqui um cartaz de propaganda antinegro que não deixa de lado o racismo antijudaico hitlerista. Essa capa de uma brochura racista com a ideologia racista do III Reich traz "Música degenerada", mostrando um negro claramente distorcido tocando jazz, em estilo americano, mas é necessário fazer mais do que isso, é preciso associar o negro ao judeu, conforme evidenciado pela estrela de Davi. A brochura traz, dentre outras coisas, a ideia de que "os judeus trouxeram os negros para a Alemanha para poluir a raça ariana".

Assim como nos EUA o casamento interracial era proibido legalmente até os anos 70, na Alemanha fascista foram aprovadas leis que proibiam tais uniões nos anos 30, as chamadas "Leis de Nurembergue", que mais tarde vieram a penalizar o intercurso sexual interracial com a pena de morte.


- Conclusão

No dia da consciência negra e em todos os demais dias do ano a sociedade deve policiar o racismo, seja ele aberto ou mascarado, subliminar, manifestado através de ideologias conservadoras, da publicidade comercial ou simplesmente em tiras de redes sociais onde o negro é sempre apresentado negativamente, com uma imagem associada ao crime, ao alcoolismo ou à ignorância, seja como o malandro, o vilão ou simplesmente a "mãezona gorda" que cuida de tudo e de todos. É importante que o cidadão honesto e principalmente o comunista saiba identificar o racismo e denunciar tal ideologia nefasta, bem como apresentar à sociedade o fato de que capitalismo e racismo são duas faces da mesma moeda, cerrando fileiras em torno do Partido Comunista para construir uma nova sociedade!

CONSCIÊNCIA NEGRA: Dos vadios e das capoeiras


Você sabia, que casar-se com uma pessoa negra já foi motivo para exoneração de cargo público? Que a capoeira já foi proibida por lei no Brasil? Doutor gaúcho expõe a forma vergonhosa como foi perseguida a cultura afrobrasileira no Brasil



Dos vadios e dos capoeiras


JOÃO BECCON DE ALMEIDA NETO*

"Nego jogando pernada/ Mesmo jogando rasteira/ Todo mundo condenava/ Uma simples brincadeira/ E o negro deixou de tudo/ Acreditou na besteira/ Hoje só tem gente branca/ Na escola de capoeira" (Geraldo Filme, trecho da música Vá Cuidar da Sua Vida)

Manoel dos Reis Machado, consiste em uma das figuras mais importantes de nossa cultura. Mestre Bimba como era conhecido, foi o fundador da capoeira regional em nosso país. Ele também foi um dos responsáveis por tirar a capoeira da marginalidade. Hodiernamente a capoeira é popular, patrimônio cultural brasileiro, presente em inúmeras academias de ginásticas devido a sua musicalidade e a potencialidade de seus exercícios para queimar calorias. No entanto, inolvidável que até pouco tempo, essa modalidade de luta (ou modo de vida, como afirmava Bimba) era considerado crime a sua atividade, prevista de forma clara no anterior Código Penal brasileiro (Decreto nº 847 - de 11 de outubro de 1890) Imputava o art. 402 fazer nas ruas e praças públicas exercícios de agilidade e destreza corporal conhecidos pela denominação capoeiragem, crime cuja pena variava de dois a seis meses de prisão (Capítulo XIII - Dos vadios e dos Capoeiras). A pena era maior para aqueles que fossem os considerados chefes ou cabeças do grupo, os conhecidos Mestres.

Mas essa criminalização da capoeira não ilustra outra coisa senão a própria marginalização do negro, que, mesmo liberto das correntes da escravidão, não encontrou espaço da sociedade e trabalho. Inclusive, como bem demonstra Sérgio Buarque de Holanda, em Raízes do Brasil, a própria conotação pejorativa que o negro sofria, sendo motivo, inclusive, de perda ou exoneração de cargos públicos em razão de casamento com um negro, o que não ocorria, diga-se de passagem, pelo menos de forma tão veemente, com outras etnias, como a indígena, por exemplo.

Atualmente ainda observamos resquícios dessa forma de poder e política, talvez por isso, as ações afirmativas, como as cotas raciais, seguem como a pauta do dia. Mas com relação à capoeira, cabe ressaltar que sua descriminalização somente ocorrera no governo de Getúlio Vargas, em 1934, quando o então presidente procurava na capoeira uma verdadeira manifestação da cultura popular brasileira. Mas isso só foi possível a partir do empenho do Mestre Bimba que havia criado a capoeira regional (a partir da mistura entre a capoeira angola e o batuque), que até a legalidade era chamada simplesmente de luta regional brasileira, e assim popularizou a nova modalidade, incluindo entre seus praticantes, estudantes da tradicional Faculdade de Medicina da Bahia, próximo ao Pelourinho. Mas isso não apaga os atos arbitrários promovidos pelo Estado na repressão da capoeira. Muitos largaram a prática da capoeira devido à violenta retroação policial aos seus exequentes. Caso modelar é o do mestre Pastinha, legendário mestre de capoeira angola, que parou de praticar em 1914 devido ao feroz embate. A capoeira, independente de sua modalidade, é cultura, arte, dança, jogo e luta brasileira nascida como forma de defesa e resistência pelo negro escravo foi, também, utilizada pelo próprio Estado como força militar (como na Guerra do Paraguai). 

No dia 20 de novembro é celebrado o Dia da Consciência Negra. Data escolhida em razão de ser o mesmo dia da morte de Zumbi dos Palmares, em 1695, o último dos líderes do Quilombo de Palmares, símbolo de resistência e sobrevivência, como é a própria capoeira.

* Advogado e professor universitário, vice-presidente da Sociedade Rio-Grandense de Bioética (Sorbi)

segunda-feira, novembro 19, 2012

MUNDO: Um filho da Geórgia


Como o antigo jovem idealista de um pequeno país montanhoso do Cáucaso mudou o mundo e é lembrado até hoje pelos seus conterrâneos

Por Vladimir Tavares



"Eu sei que após a minha morte jogarão muito lixo sobre o meu túmulo, porém os ventos da história o removerão", dizia Iósif Vissarionovitch Stalin em 1943. Nascido numa pequena cidade da Geórgia, então uma mera província do Império Russo, Iósif Djugashvili logrou em arquitetar a construção do primeiro Estado de direito socialista da história da humanidade. Revolucionário caucasiano, Stalin foi em sua infância sapateiro, em sua juventude foi seminarista, poeta e empregado de um observatório, tornando-se aluno de Lenin e um dos líderes da Revolução Bolchevique de 1917. 

Busto de Stalin em Bedford, no D-Day Memorial, Estados Unidos. Dor de cabeça para os anticomunistas
Não há dúvidas de que Stalin é uma figura polêmica em todo o mundo, sendo visto positivamente na Rússia atual, tendo tido enorme respeito do povo armeno, especialmente aqueles espalhados ao redor do mundo após a diáspora que se seguiu ao Genocídio Armeno, na Turquia, Stalin tem grande respeito de populares georgianos, que o veem como um conterrâneo que elevou o nome do pequeno país e produziu transformações no mundo inteiro. Respeitado mundialmente pelo seu papel de líder da vitória antifascista, existindo bustos em sua homenagem até mesmo nos Estados Unidos da América, Stalin foi um símbolo para a luta internacional dos trabalhadores contra o sistema capitalista, um líder que colocou em prática as ideias de Lenin e aperfeiçoou o entendimento marxista acerca da questão nacional, de enorme contribuição para a luta contra o racismo. A opinião do povo georgiano acerca do revolucionário do Cáucaso é importante na compreensão de seu papel histórico.
I. V. Djugashvili(Stalin), então "Koba"
“Os estrangeiros sempre me perguntam: por que vocês não falam sobre o gulag? simplesmente respondo que não falamos sobre contos de fadas sobre Stalin.” Diz Olga Topchishvili, guia do museu de Stalin, ela insiste que “dizem que entre 15 e 40 milhões de pessoas foram mortas pelo regime de Stalin. Como eles podem perder 25 milhões de pessoas? Eu sou uma historiadora e quero fatos, não esses... contos de fadas.” Segundo Tatia Kopadze, estudante de 17 anos, “Stalin era cem vezes melhor do que o nosso atual presidente”, referindo-se a Mihail Saakashvili, herói da "Revolução Rósea" de 2003, pró-ocidente. Tamanho é o ocidentalismo de Saakashvili, que seu governo fez da Geórgia o único lugar do planeta onde há ruas com o nome de I. V. Stalin e George W. Bush, estas últimas enfrentando protestos de populares em 2005 em razão da mudança de seu batismo em homenagem ao déspota americano.

Compatriotas do líder soviético prestam-lhe homenagem
A história de Stalin foi recentemente contada em 2006 por uma novela em 40 episódios no formato "live", que mistura elementos fictícios com reais, similar a um documentário, que se passa a partir das recordações de Stalin sobre o seu passado, desde a infância até os seus últimos dias de vida. A novela, escrita por seu conterrâneo Nicka Kvizhinadze,  enfureceu periódicos anticomunistas ocidentais como o "Los Angeles Times" e impressionou ao público russo, admirado por tal conteúdo ter ido ao ar na TV. Uma das maiores contribuições do primeiro-ministro soviético, além da liderança na destruição do fascismo alemão, foi a criação da primeira constituição a criminalizar o racismo, em 1936, em tempos em que o capitalismo promovia a ideologia nefasta da eugenia e da inferioridade racial dos negros e outros povos.



A partir de 1:55, o então jovem seminarista Djugashvili, vivido pelo ator Levan Dzhibgashvili, georgiano, apresenta aos seus colegas as ideias de Jesus como revolucionárias, até a chegada do inspetor do seminário

domingo, novembro 18, 2012

REPRESSÃO: Manual de tortura da Escola das Américas(SOA) em espanhol


Tortura, ontem e hoje símbolos da repressão capitalista(ênfase no sorriso da torturadora)

A fim de possibilitar o estudo da ideologia repressora que formou milhares de torturadores na América Latina, A Página Vermelha disponibiliza, em língua espanhola, a sanguinária e facínora ideologia ensinada na Escola das Américas.

O texto que se segue compreende a uma versão em espanhol do manual, que incorpora elementos dos manuais dos anos 50 e 60, que visavam transformar militares latino-americanos em açougueiros profissionais. Segundo o Departamento de Defesa dos EUA, o manual original da CIA não existe mais. Nos anos 90, em razão de pressão popular, o Pentágono desclassificou o material. Há uma versão de 1963 denominada

KURBAK, INTERROGATÓRIO DE CONTRAINTELIGÊNCIA (Em inglês)


Manual dos anos 80, em espanhol:


MANUAL DA ESCOLA DAS AMÉRICAS


MANEJO DE FONTES

- Páginas 1-60
- Páginas 61-111

CONTRAINTELIGÊNCIA

Páginas 1-60
- Páginas 61-120
- Páginas 121-180
- Páginas 181-240
- Páginas 241-300
- Páginas 301-A16

GUERRA REVOLUCIONÁRIA E IDEOLOGIA COMUNISTA

Parte I
- Páginas 1-60
- Páginas 61-83

Parte II
- Páginas 85-128

TERRORISMO E GUERRILHA URBANA I e II

 Parte I
- Páginas 1-60
- Páginas 61-119

Parte II
- Páginas 120-175

INTERROGAÇÃO

- Páginas 1-60
- Páginas 61-112
- Páginas 113-B1

INTELIGÊNCIA DE COMBATE

- Páginas 1-60
- Páginas 61-112
- Páginas 113-172

ANÁLISE I

- Páginas 1-59
- Páginas 60-120
- Páginas 121-143
- Guia, páginas 1-36


BRASIL: Ditadura fascista brasileira ensinou os índios a torturar




VEJA TAMBÉM:

PM, concorrente do crime organizado no extermínio de trabalhadores
- Brasil, um país racista
- Racismo, uma história

BRASIL: Os movimentos sociais e os processos revolucionários na América Latina: Uma crítica aos pós-modernistas


Por Edmilson Costa 



Doutor paulista adverte: pós-modernismo é um cavalo de tróia na luta de classes

Os anos 90 do século passado e os primeiros dez anos deste século foram marcados por intenso debate entre as forças de esquerda sobre o papel dos movimentos sociais, das minorias, das lutas de gênero e das vanguardas políticas nos processos de transformação econômica, social e política da sociedade. Colocou-se na ordem do dia a discussão sobre novas palavras de ordem, novos agentes políticos e sociais, novas formas de luta, novas concepções sobre a ação prática política. 


Esses temas e concepções ocuparam o vazio político nesse período em funções de uma série de fenômenos que ocorreram na década de 80 e 90, como a queda do Muro de Berlim, o colapso da União Soviética e dos países do Leste Europeu, o refluxo do movimento sindical, a redução das lutas operárias nos principais centros capitalistas, a perda de protagonismo dos partidos revolucionários, especialmente dos comunistas, além da ofensiva da ideologia neoliberal em todas as partes do mundo, sob o comando das forças mais reacionárias do capital. 

A conjuntura de derrota das forças progressistas favoreceu todo tipo modismo teórico e fetiche ideológico. Sob diversos pretextos, certas forças políticas, inclusive alguns companheiros de esquerda, começaram a questionar a centralidade do trabalho na vida social, o papel dos partidos políticos como vanguarda dos processos de transformações sociais e políticas, a atualidade da luta de classes como instrumento de mudança da história e o próprio socialismo-comunismo como processo que leva à emancipação humana. 

Esse movimento teórico e político envolveu forças difusas, mas influentes junto à juventude e vários movimentos sociais. O objetivo era desconstruir o discurso dos partidos políticos revolucionários, do movimento sindical e do próprio marxismo, como síntese teórica da revolução. Para estas forças, os discursos de temas abrangentes, como a igualdade, o socialismo, a emancipação humana, os valores históricos do proletariado, as soluções coletivas contra a opressão humana, eram coisa do passado e produto de um mundo que já existia mais. 

No lugar desses velhos temas, tornava-se necessário colocar um novo discurso, como forma de forma reconhecer a fragmentação da realidade e do conhecimento, a constatação da diferença, a emergências de novos sujeitos sociais, com características, valores e reivindicações específicas, como os movimentos sociais, de gênero, raça, etnia, etc, e novas formas de formas de luta, inclusive com renúncia à tomada do poder. 

O condensamento desse ecletismo conservador, dessa matriz teórica diluidora, pode ser expresso no que se convencionou chamar de pós-modernismo. Essa é a fonte teórica inspiradora de todos os modismos teóricos e fetiches que se tornou moda as duas últimas décadas. Quais são os principais supostos teóricos dos pós-modernistas, que tanta influência tiveram nesses anos de vazio político? Vamos nos ater a três vertentes fundamentais que norteiam os fundamentos dessa corrente teórica. 

1) O fim da centralidade do trabalho. Um dos temas mais destacados pelos pós-modernistas é o fato de que as tecnologias da informação, a reestruturação produtiva e a inserção acelerada de ciência no processo produtivo tornaram obsoleto o conceito de classe operária e proletariado, até mesmo porque esses atores estão se tornando residuais num mundo globalizado onde impera a robótica, a internet e a informática avançada. Alguns desses teóricos chegaram a dar adeus ao proletariado, que seria um conceito típico da segunda revolução industrial. Prova disso, seria a constatação de que a classe operária está diminuindo em todo o mundo e, por isso mesmo, perdeu o protagonismo para outros movimentos emergentes no capitalismo globalizado. 

Os teóricos pós-modernistas se comportam como o caçador que vê apenas as árvores mas não consegue enxergar a floresta. Olham o mundo a partir de uma perspectiva da Europa ou Estados Unidos. Por isso, não conseguem compreender que o capital possui uma extraordinária mobilidade, em função da busca permanente por valorização. Por isso, são incapazes de perceber que o proletariado está crescendo de maneira expressiva em termos mundiais, com o deslocamento de milhares de indústrias dos EUA e da Europa para a Ásia, processo que está incorporando ao mundo do trabalho centenas de milhões de trabalhadores na China, na Índia e em toda a Ásia, num movimento que está mudando a conjuntura mundial. 

Não conseguem entender que o próprio capitalismo é uma contradição em processo, pois quanto mais se moderniza, quanto mais insere ciência na produção, mais amplia sua composição orgânica e, consequentemente, mais pressiona as taxas de lucro para baixo. Por isso, o capitalismo não pode existir sem seu contraponto, o proletariado. Se o capitalismo automatizasse todas suas fábricas o sistema entraria em colapso, pois os robôs são até mais disciplinados que os seres humanos, são capazes de trabalhar sem descanso, não reivindicam salário, nem fazem greve, mas também tem seu calcanhar de Aquiles: não consomem. Se não têm consumidores, os capitalistas não têm para quem vender suas mercadorias. Ou seja, antes de uma automatização total, o sistema entraria em colapso em função de suas próprias contradições. 

2) O fim da centralidade da luta de classes. Outro dos argumentos dos teóricos pós-modernos é a alegação de que a luta de classes é coisa do passado. Afinal, dizem, se o proletariado está se reduzindo aceleradamente, não existe mais identidade de classe e, portanto, não teria sentido se falar em luta de classes. Nessa perspectiva, dizem, a reestruturação produtiva pode ser considerada uma espécie de dobre de finados que veio sepultar os velhos agentes do passado, como o movimento sindical. Prova disso, é que os sindicatos perderam o protagonismo e agora agonizam em todo o mundo. E o principal representante teórico do mundo do trabalho, o marxismo, também estaria ultrapassado, em função de sua visão monolítica do mundo. 

Novamente, os teóricos pós-modernistas também não compreendem a história e confundem sua submissão ideológica à ordem capitalista com a realidade dos trabalhadores. A luta de classes sempre existiu desde que as classes se constituíram na humanidade e continuará sua trajetória enquanto existir a exploração de um ser humano por outro. Não porque os marxistas querem, mas porque a realidade a impõe. Nos tempos de refluxo as lutas sociais diminuem, parece que os trabalhadores estão passivos e os capitalistas imaginam que conseguiram disciplinar para sempre os trabalhadores. 

Nessa conjuntura, o discurso do fim da luta de classe, da passividade dos trabalhadores, chega a influenciar muita gente, afinal, quem não tem uma perspectiva histórica do mundo se atém apenas à superfície dos fenômenos, à aparência das coisas. Mas nos momentos de crise do capitalismo, esse discurso se torna inteiramente inadequado, entra em choque com a realidade, uma vez que a crise coloca a luta de classes naordem do dia com uma atualidade extraordinária, para desespero daqueles que imaginavam o seu fim. 

Se observarmos a realidade atual, onde o sistema capitalismo enfrenta sua maior crise desde a Grande Depressão, poderemos facilmente constatar e emergência da luta de classes em praticamente todas as partes do mundo. É só observar as insurreições no Oriente Médio, na África, as lutas na América Latina, as greves e mobilizações na Europa. Além disso, a crise também tornou o marxismo mais atual do que nunca. Mesmo os capitalistas estão lendo O Capital para tentar entender o que está ocorrendo no mundo. 

3) As vanguardas políticas não têm mais nenhum papel a desempenhar no mundo globalizado. O terceiro dos argumentos-chave dos teóricos pós-modernistas é o fato de os partidos revolucionários, especialmente os comunistas, não terem mais nenhum papel a desempenhar no mundo atual. A ação política agora deve ser comandada pelos movimentos sociais, pelos movimentos de gênero, minorias étnicas, de raças, sexuais, etc, que são vítimas de “opressões específicas”. Isso porque os partidos seriam organizações autoproclamatórias, autoritárias, portadoras de um fetiche autorealizável, que é a revolução socialista.Essas instituições, portadoras de um discurso utópico de emancipação humana, estão também definhando em todo o mundo porque não estariam entendendo a realidade do mundo globalizado. 

Mais uma vez os teóricos pós-modernistas não conseguem compreender a totalidade da vida social. Por isso, vêem o mundo sem unidade, fragmentado e disperso. Não entendem que, por trás da “opressãoespecífica” que atinge os movimentos sociais e de gênero, etnia, raça, sexual, está o grande capital apropriando a mais-valia de todos, independentemente de raça, sexo ou orientação religiosa . Não compreendem que os movimentos, por sua própria natureza, têm limites institucionais e de representatividade. 

Um sindicato, por mais combativo que seja, deve representar os interesses dos trabalhadores que representa. Da mesma forma que uma entidade estudantil, uma organização de moradores, de mulheres ou de homosexuais tem como objetivo defender os interesses específicos de seus representados, atuam nos limites institucionais da ordem burguesa. Somente o partido político revolucionário, que se propõe a derrotar a ordem capitalista e que junta em suas fileiras todos esses segmentos sociais, possui condições para entender a totalidade da luta política e lançar propostas globais para a transformação da sociedade. 

A prática das lutas sociais 

Se observarmos as lutas sociais que foram realizadas nos últimos anos, poderemos constatar facilmente que grande parte delas foram derrotadas exatamente porque não existiam vanguardas com capacidade de conduzir e orientar essas lutas para a radicalidade da luta de classes e a emancipação do proletariado. Não se trata aqui de negar a importância das lutas específicas ou dos movimentos sociais. Pelo contrário, são fundamentais para qualquer processo de mudança, servem também como aprendizado da luta dos trabalhadores, mas deixadas por si mesmas, apenas com seu conteúdo espontaneísta, não tem condições de realizaras transformações da sociedade e terminam se esvaziando e sendo derrotadas pelo capital. 

O teatro de operações é mais ou menos o seguinte: após um momento de euforia e mobilização os movimentos sociais são capazes de realizar proezas impressionantes, como desacreditar a velha ordem, desafiar as classes dominantes, mas num segundo momento a euforia se esgota em si mesma sem atingir os objetivos por falta de perspectivas. A América Latina é um importante posto de observação para constatarmos essa hipótese, mas também em várias partes do mundo os exemplos são férteis para verificarmos a necessidades de vanguardas políticas. 

A Bolívia, por exemplo, foi palco de várias insurreições populares contra governos neoliberais. As massas se sublevaram, foram às ruas aos milhões, derrubaram os governos conservadores, mas o máximo que conseguiram foi eleger um presidente progressista que é fustigado a todo momento pelo capital e não consegue realizar plenamente nem o próprio programa a que se propôs no período das eleições. 

No Equador, ocorreram também várias insurreições populares. Em uma delas, os movimentos conquistaram o poder e o entregaram a um militar que depois os traiu e agora é um personagem conservador na política do País. Posteriormente, no bojo de outra insurreição, conseguiram eleger um presidente progressista, mas este não consegue implementar um programa transformador porque o capital não lhe dá trégua. Recentemente quase foi deposto por um setor militar sublevado. 

Na Argentina, em função da crise econômica herdada do governo neoliberal de Menem, as massas também se sublevaram aos milhões em várias regiões do País. Em um período curto o País mudou três vezes de presidente. O resultado da sublevação popular foi a eleição de Nestor Kirchner e, posteriormente, de sua companheira, Cristina Kirchner. Nesses anos de poder, os Kirchner também não realizaram nenhuma mudança de fundo. O capitalismo seguiu seu curso como se nada tivesse acontecido. 

Mais recentemente, duas grandes insurreições populares derrubaram os governos conservadores da Tunísia, do Egito e do Iêmen. Milhares de pessoas se sublevaram durante vários dias, centenas de pessoas morreram, os ditadores deixaram o poder, mas os movimentos sociais, sem vanguarda política, não conseguiram seus objetivos. Setores da burguesia local encabeçaram a formação de novos governos e os trabalhadores mais uma vez deixaram escapar de suas mãos a revolução. 

No Brasil, um grande movimento social, o Movimento dos Sem Terra (MST) enfrentou com bravura os governos neoliberais, tendo como norte a bandeira da reforma agrária. Organizou um movimento original e de massas, com base social em todo o País, especialmente entre a população mais pobre da cidade e do campo. O MST ocupou fazendas dos latifundiários, realizou formação de grande parte dos seus quadros e até mesmo conseguiu construir uma universidade popular para formação permanente dos seus militantes. 

No entanto, o desenvolvimento do capitalismo no campo brasileiro e a emergência do agronegócio criaram uma nova conjuntura no campo brasileiro, onde as relações de produção passaram a se dar predominantemente entre capital e trabalho. Essa conjuntura, aliada ao programa de compensação social do governo Lula, o “Bolsas Família”, uma programa de transferência de rendimento para a população mais pobre, levou o MST a uma encruzilhada. 

Ou seja, a realidade mudou radialmente no campo brasileiro, mas a razão de ser do MST era a reforma agrária. Por isso, o movimento, que se tornara um dos símbolos de luta contra o neoliberalismo e, por isso mesmo obteve simpatia mundial, agora está perdendo protagonismo. Os acampamentos do MST foram reduzidos para menos da metade e o movimento vive grandes dificuldades estratégicas. Afinal, se a maioria dos trabalhadores está nas cidades, se o capitalismo hegemonizou as relações de produção no campo e subordinou a pequena agricultura à lógica do capital, torna-se difícil a sobrevivência no longo prazo de um movimento que tem apenas a bandeira da reforma agrária como luta estratégica. 

A condensação mais expressiva da teoria movimentista foi o Fórum Social Mundial (FSM). Por ocasião do primeiro FSM, em Porto Alegre, parecia que todos tinham encontrado a fórmula ideal, a varinha mágica, para as novas lutas sociais. Milhares de lutadores de todo o mundo convergiram para o Rio Grande do Sul para se fazer presentes no lançamento da nova grife da luta mundial autônoma. Foi um sucesso extraordinário e um contraponto ao Foro de Davos, onde os capitalistas tramavam novas estratégias para dominação do mundo. 

O sucesso de público e de mídia do FSM parecia ter enterrado de vez a noção de vanguarda política. Agora seriam os movimentos sociais, os movimentos de gênero, etnia, das mulheres, os movimentos sociais que doravante comandariam as lutas no mundo. Adeus partidos políticos, adeus movimento sindical, adeus velhos atores sociais da segunda revolução industrial. Agora eram os movimentos difusos, sem centralidade política, inteiramente autônomos, livres de dogmas e ideologias ultrapassadas que iriam provar ao mundo a nova realidade da luta social e política.

Muita gente sinceramente acreditou que o FSM poderia ser a fórmula mágica, o contraponto contemporâneo ao capital, o substituto das velhas vanguardas políticas e seu discurso autoproclamatório.  Mas a realidade aos poucos foi colocando no devido lugar o modismo movimentista. Com o tempo, o FSM foi perdendo fôlego, foi se esvaziando, até o ponto em que hoje ninguém mais acredita que possa ser alternativa a coisa nenhuma. Mas uma vez a vida provou que os movimentos por si só não têm condições de mudar a sociedade, é necessário a vanguarda política para conduzir os processos de transformação. 

O significado do pós-modernismo e as lutas sociais 

Em outras palavras, a ideologia pós-modernista é responsável por grande parte das derrotas dos movimentos sociais nestas duas décadas, não só porque esse modismo teórico influenciou parte da juventude e lideranças dos movimentos sociais, como também porque levou à frustração milhares de lutadores sociais. Isso porque as lutas fragmentadas geralmente se desenvolvem de maneira espontânea. No início tem uma trajetória de ascenso, empolga milhares de pessoas, mas logo depois o movimento vai enfraquecendo até ser absorvido pelo sistema. 

Em outras palavras, o pós-modernismo é o fetiche ideológico típico dos tempos de neoliberalismo e representa a ideologia pequeno-burguesa da submissão sofisticada à ordem do capital. Mas essa ideologia carrega consigo uma contradição insolúvel: no momento em que o capital mais se globaliza, com a internacionalização da produção e das finanças, é justamente neste momento que os pós-modernos pregam a fragmentação da realidade, a setorização das lutas sociais, a especificidade dos combates de gênero, etnia, raça, sexo, etc. Só mesmo quem não quer mudar a ordem capitalista pensa desse jeito. 

Na verdade, todos que seguem esse ritual teórico, de maneira direta ou indireta, estão abrindo mão de um projeto emancipatório e escondem sua impotência mediante um discurso cheio de abstrações sociológicas, mas muito conveniente para o capital. Por isso, combatem as lutas gerais, para fragmentá-las em lutas específicas, que não afrontam abertamente o sistema dominante.Trata-se do varejo da política fantasiado de moderno. 

Esses setores cumpriram, nos últimos 20 anos e ainda cumprem até hoje, um papel muito especial na luta ideológica atual: eles são a mão esquerda do social-liberalismo capitalista. Influenciam as gerações mais jovens, desenvolvem um discurso com aparência de modernidade, influem na organização das lutas sociais. Com seu discurso eclético e fatalista, cheio de senso comum, desorientam setores importantes da sociedade no que se refere à ação política e, na prática, ajudam a organizar, mesmo que indiretamente, a submissão de vários setores sociais à ordem capitalista e aos valores do mercado. 

Essas duas décadas de experiências fragmentadas nos levam à conclusão de que, mais do que nunca, as vanguardas revolucionárias têm um papel fundamental no processo de transformações sociais. São elas exatamente que podem conduzir e orientar os vários movimentos sociais com uma plataforma estratégica de emancipação da humanidade, o que significa derrotar o imperialismo e o capitalismo e transitar para a construção da sociedade socialista.


[*] Doutorado em Economia pela Unicamp, com pós-doutoramento na mesma instituição. É autor, entre outros, de A globalização e o capitalismo contemporâneo e A política salarial no Brasil. Professor universitário, é membro da Comissão Política do Comitê Central do PCB. 

Extraído de http://www.resistir.info/brasil/edmilson_08abr12.html


VEJA TAMBÉM:

- Cultura: De Bach a Lady Gaga
- Mundo: Por que a mídia ocidental defende tanto o Pussy Riot

quarta-feira, novembro 07, 2012

95 anos da Revolução Bolchevique de 1917

Desde os tempos da Grécia antiga, a música foi uma forma de elevar os espíritos dos guerreiros que partem para o combate, sendo os músicos, ao lado dos guerreiros, uma classe de extrema importância para a sociedade.

Na construção do socialismo, a cultura do Realismo Socialista presta um importante papel na construção de um novo homem, elevando os espíritos comunistas na luta por um mundo contra a injustiça. Ouça a "Canção de Lenin", criação dos arautos do comunismo da antiga República Popular da Hungria:




A Canção de Lenin
Tradução: Virag Venekey

"As algemas nos pés pesaram 

Mas com orgulho o povo as arrancou 
Viva o herói que por nós
Sua vida sacrificou, Lenin
Viva o povo e Lenin!

As algemas caíram na poeira 

E o homem olha a luz do Sol
Levante a bandeira para o céu
E lhe seja fiel em vida, Lenin
Esteja na sua frente em vida

E ascendem as chamas no chão,

E já se espalha a luz
E assim tanto no norte quanto no sul
O povo será livre e feliz, Lenin
O povo será livre e feliz!

Ressoa na boca de milhares um nome

Esse nome é tão grande e digno
Nenhuma sombra o dilacera
Nenhum tempo o faz desaparecer, Lenin
Nenhum tempo o faz desaparecer

Segure a arma com firmeza

Nação guerreira e heróica
Seu exemplo é Lenin que por você
Sacrificou a sua vida, Lenin
Lenin, sacrificou a sua vida!



HINO AO COMUNISMO

"Comunismo, uma palavra de desejo do povo,
Comunismo, uma bandeira de desejo do povo,
Comunismo, uma palavra que dá asas ao povo,
É por ele que lutamos hoje, povo!"

MÚSICA

Nos mais diversos países do mundo, a vitória bolchevique de 1917 através de uma revolução, e não de uma revolução fraudulenta guiada pela burguesia, foi celebrada pelos mais diversos povos do mundo, sendo um destes o povo alemão, que encontrou no operário e artista Ernst Busch a voz do comunismo:

"Avante, bolchevique!"

95 anos da Grande Revolução Socialista de Outubro


Sobre a nossa Revolução
A propósito das notas de N. Sukhánov
V.I. Lênin
I
Folheei nestes dias as notas de Sukhánov sobre a revolução.
O que salta sobretudo à vista é o pedantismo de todos os nossos democratas pequeno-burgueses, bem como de todos os heróis da II Internacional. Sem falar já de que são extraordinariamente covardes e de que mesmo os melhores deles se enchem de reservas quando se trata do menor desvio relativamente ao modelo alemão, sem falar já desta qualidade de todos os democratas pequeno-burgueses, suficientemente manifestada durante toda a revolução, salta à vista a sua servil imitação do passado.
Todos eles se dizem marxistas, mas entendem o marxismo de uma maneira extremamente pedante. Não compreenderam de modo nenhum aquilo que é decisivo no marxismo: precisamente a sua dialética revolucionária. Não compreenderam em absoluto nem mesmo as indicações diretas de Marx, dizendo que nos momentos de revolução é necessária a máxima flexibilidade1, e nem sequer notaram, por exemplo, as indicações de Marx na sua correspondência, referente, se bem me recordo, a 1856, na qual expressava a esperança de que a guerra camponesa na Alemanha, capaz de criar uma situação revolucionária, se unisse ao movimento operário2 – eludem mesmo esta indicação direta, dando voltas em volta dela como o gato em volta do leite quente.
Em toda a sua conduta revelam-se uns reformistas covardes que temem afastar-se da burguesia e, mais ainda, romper com ela, e ao mesmo tempo ocultam a sua covardia com a fraseologia e a jactância descarada. Mas, mesmo do ponto de vista puramente teórico, salta à vista em todos eles a sua plena incapacidade de compreender a seguinte ideia do marxismo: viram até agora um caminho determinado de desenvolvimento do capitalismo e da democracia burguesa na Europa Ocidental. E eis que eles não são capazes de imaginar que este caminho só pode ser considerado como modelo mutatis mutandis*, só com algumas correções (absolutamente insignificantes do ponto de vista do curso geral da história universal).
Primeiro - uma revolução ligada à primeira guerra imperialista mundial. Numa tal revolução deviam manifestar-se traços novos ou modificados precisamente em consequência da guerra, porque nunca houve no mundo tal guerra em tal situação. Vemos que até agora a burguesia dos países mais ricos não podem organizar relações burguesas "normais" depois dessa guerra, enquanto os nossos reformistas, pequenos burgueses que se armam em revolucionários, consideravam e consideram como um limite (além disso, insuperável) as relações burguesas normais, compreendendo esta "norma" de uma maneira extremamente estereotipada e estreita.
Segundo - é-lhes completamente alheia qualquer ideia de que dentro das leis gerais do desenvolvimento em toda a história mundial não estão de modo nenhum excluídas, mas, pelo contrário, pressupõem-se determinadas etapas de desenvolvimento que apresentam peculiaridades, quer na forma quer na ordem desse desenvolvimento. Nem sequer lhes passa pela cabeça, por exemplo, que a Rússia, situada na fronteira entre os países civilizados e os países que pela primeira vez são arrastados definitivamente por esta guerra para o caminho da civilização, os países de todo o Oriente, os países não europeus, que a Rússia podia e devia, por isso, revelar certas peculiaridades, que naturalmente estão na linha geral do desenvolvimento mundial, mas que distinguem a sua revolução de todas as revoluções anteriores dos países da Europa Ocidental e que introduzem algumas inovações parciais ao deslocar-se para os países orientais.

Por exemplo, não pode ser mais estereotipada a argumentação por eles usada, que aprenderam de memória na época do desenvolvimento da social-democracia da Europa Ocidental e que consiste no fato de que nós não estamos maduros para o socialismo, de que não existem no nosso país, segundo a expressão de vários "doutos" senhores dentre eles, as premissas econômicas objetivas para o socialismo. E não passa pela cabeça de nenhum deles perguntar: não podia um povo que se encontrou numa situação revolucionária como a que se criou durante a primeira guerra imperialista, não podia ele, sob a influência da sua situação sem saída, lançar-se numa luta que lhe abrisse pelo menos algumas possibilidades de conquistar para si condições que não são de todo habituais para o crescimento ulterior da civilização?
"A Rússia não atingiu um nível de desenvolvimento das forças produtivas que torne possível o socialismo." Todos os heróis da II Internacional, e entre eles, naturalmente, Sukhánov, se comportam como se tivessem descoberto a pólvora. Ruminam esta tese indiscutível de mil maneiras e parece-lhes que é decisiva para apreciar a nossa revolução.
Mas que fazer, se uma situação peculiar levou a Rússia, primeiro à guerra imperialista mundial, na qual intervieram todos os países mais ou menos influentes da Europa Ocidental, e colocou o seu desenvolvimento no limite das revoluções do Oriente, que estão a começar e em parte já começaram, em condições que nos permitiram levar à prática precisamente essa aliança da "guerra camponesa" com o movimento operário sobre as quais escreveu um "marxista" como Marx em 1856 como uma das perspectivas possíveis com relação à Prússia?
Que fazer se uma situação absolutamente sem saída, decuplicando as forças dos operários e camponeses, abria perante nós a possibilidade de passar de maneira diferente de todos os outros países da Europa Ocidental à criação das premissas fundamentais da civilização? Alterou-se por isso a linha geral de desenvolvimento da história universal? Alteraram-se por isso as correlações fundamentais das classes fundamentais em cada país que se integra e integrou já no curso geral da história mundial?
Se para criar o socialismo é necessário um determinado nível de cultura (ainda que ninguém possa dizer qual é precisamente esse determinado "nível de cultura", pois ele é diferente em cada um dos Estados da Europa Ocidental), por que é que não podemos começar primeiro pela conquista, por via revolucionária, das premissas para esse determinado nível, e já depois, com base no poder operário e camponês e no regime soviético, pôr-nos em marcha para alcançar os outros povos?
16 de Janeiro de 1923.
II


Para criar o socialismo, dizeis, é necessária civilização. Muito bem. Mas então, por que não havíamos de criar primeiro no nosso país premissas da civilização como a expulsão dos capitalistas russos e depois iniciar um movimento para o socialismo? Em que livros lestes que semelhantes alterações da ordem histórica habitual são inadmissíveis ou impossíveis?
Lembro que Napoleão escreveu: "On s'engage et puis ... on voit". Traduzido livremente para russo isto quer dizer: "Primeiro lançamo-nos no combate sério e depois logo vemos". E nós, em Outubro de 1917, iniciamos primeiro o combate sério e depois logo vimos os pormenores do desenvolvimento (do ponto de vista da história universal trata-se indubitavelmente de pormenores), tais como a Paz de Brest ou a NEP, etc. E hoje não há dúvida de que, no fundamental, alcançamos a vitória.
Os nossos Sukhánov, sem falar já daqueles sociais-democratas que estão mais à direita, nem sonham sequer que as revoluções em geral não se podem fazer de outra maneira. Os nossos filisteus europeus não sonham sequer que as futuras revoluções nos países do Oriente, com uma população incomparavelmente mais numerosa e que se diferenciam muito mais pela diversidade das condições sociais apresentarão sem dúvida mais peculiaridades do que a Revolução Russa.
Nem é preciso dizer que o manual redigido segundo Kautsky foi, na sua época, uma coisa muito útil. Mas já é tempo de renunciar à ideia de que esse manual tinha previsto todas as formas de desenvolvimento ulterior da história mundial. Àqueles que pensam desse modo é tempo já de os declarar simplesmente imbecis.
17 de Janeiro de 1923.
______________________________
*Mutatis mutandis - expressão latina que significa: mudando o que tem de ser mudado1 Lenin refere-se à caracterização da Comuna de Paris como "forma política inteiramente expansiva" na obra de Marx A Guerra Civil em França e à elevada apreciação da "elasticidade" dos parisienses feita por Marx na carta a L. Kugelmann de 12 de Abril de 1871.
2 Lenin alude ao seguinte trecho de uma carta de K. Marx a F. Engels de 16 de Abril de 1856: "Tudo na Alemanha dependerá da possibilidade de apoiar a revolução proletária por uma espécie de segunda edição da guerra camponesa. Então a coisa será ótima".

95 Anos da Grande Revolução Proletária Mundial de Outubro de 1917


segunda-feira, novembro 05, 2012

ATUALIDADES

O que é meritocracia?



Fonte: Canal O fantástico mundo de Clarion
http://www.youtube.com/user/ClarionDeLaffalot

PM: concorrente do crime organizado no extermínio de trabalhadores

Coletânea de reportagens sobre chacinas praticadas pela Polícia Militar

Recentemente, os veículos midiáticos dos exploradores do povo tem feito uma campanha de solidariedade à Polícia Militar, mostrando policiais assassinados, muitos de forma covarde. Embora muitos policiais sejam cidadãos honestos, que cumprem corretamente o seu dever, muitos, em vez de serem mantenedores da lei, são meros fascistas fardados que impõem o terror sobre trabalhadores, estudantes e que também apreendem materiais de jornalistas e populares que flagram nítidas atrocidades cometidas pela organização. Atuando por vezes em conluio com o tráfico ou como a "SS" de "coronéis" políticos, esta é a Polícia Militar que os grandes jornais não mostram, uma instituição perpetradora da tortura, do homicídio, do racismo e da repressão autoritária:

Infanticídio de crianças pobres pela Polícia Militar
http://www.anovademocracia.com.br/no-56/2368-policia-genocida-do-rio-atira-contra-criancas

Assassinato de jovens pela PM-RJ
http://www.anovademocracia.com.br/no-99/4364-pm-do-rio-assassina-mais-um-jovem

Chacina de trabalhadores promovida pela PM-BA
http://www.anovademocracia.com.br/no-99/4364-pm-do-rio-assassina-mais-um-jovem

Advogado é atacado por filmar o que a PM sabe fazer melhor: reprimir movimentos sociais
http://www.youtube.com/watch?v=-sGQD-aqfwQ

Jovem trabalhador é brutalmente torturado por policiais nazistas da PM-PR
http://feab.wordpress.com/2012/10/31/policiais-torturam-jovem-negro-com-choques-nos-genitais-e-na-lingua-oab-denuncia-barbarie/

Chacina de pobres para uso político pela PM-SP
http://www.anovademocracia.com.br/no-99/4362-centenas-de-pobres-sao-executados-em-sao-paulo

Artigo sobre a repressão da PM-SP na USP:
http://www.cartacapital.com.br/sociedade/o-que-esta-por-tras-da-presenca-da-pm-na-usp/

Policiais de Açailândia reprimem e espancam morador de rua
http://www.youtube.com/watch?v=DLjj6SAiERU

PM preso por tráfico de drogas
http://www.youtube.com/watch?v=0ytvmlbexts

PMs prestando "consultoria de risco" em São Paulo
http://g1.globo.com/brasil/noticia/2012/04/policiais-corruptos-viram-consultores-de-risco-em-sp.html

Tortura praticada pela PM na Paraíba:
http://g1.globo.com/pb/paraiba/noticia/2012/11/justica-decreta-prisao-de-policiais-indiciados-por-tortura-na-paraiba.html

Repressão de moradores na ocupação de Pinheirinho, em São Paulo
http://pt.globalvoicesonline.org/2012/01/24/brasil-pinheirinho-massacre/

Policiais mineiros atacam família negra e agridem empresário(no Brasil o negro, de bermuda ou gravata, é sempre suspeito)
http://www.youtube.com/watch?v=pc5PmhjgEbQ

...agora compare com o tratamento dado a uma jovem de classe média branca:
http://www.youtube.com/watch?v=_LK5RdYbSZ0


Todas essas vítimas tem algo em comum. Elas não recebem nem metade da atenção que a mídia de massa emprega para vitimizar PMs assassinados. Uma organização que quer ter respeito tem que dar respeito, o que não se vê em muitos casos!

sábado, novembro 03, 2012

Brasil, um país racista


Coletânea de notícias que quebra o mito da "igualdade racial" e de "Brasil tolerante":

Advogada denuncia racismo

Universitários angolanos exterminados por serem negros, em São Paulo

Estudantes africanos são chamados de macaco e fuzilados

Racismo contra africanos na UNESP: "Sem cotas para animais da África"

Racismo e mensagens de ódio contra coreanos em São Paulo

Blogueiro anticomunista, racista e homofóbico é preso pela PF

Blogueiros anticomunistas e misóginos no Jornal Nacional

Médica perde o voo e insulta o funcionário da Gol por este ser negro

Racismo contra judoca olímpica

Vídeo antirracista

Reportagem da BBC com uma abordagem do racismo brasileiro

Estagiária negra é forçada a alisar o cabelo

Artigo sobre o racismo no Brasil

Apologia do extermínio de nordestinos após as eleições de 2010

Estagiária negra é chamada de macaca

Na Bahia, caixa de supermercado é chamada de "negra burra" e agressora se diz "vítima"

Humor segregacionista em estilo americano dos anos 20

Racismo na Zorra Total ridiculariza a mulher negra

Violência contra negros em Alagoas

Regina Duarte contra os índios

Artigo sobre o preconceito sofrido pela comunidade indígena

Agressão sofrida no Shopping da Barra

Reportagem do jornalista Roberto Cabrini sobre o racismo no Brasil(4 partes)


Estudantes congoleses são parados e quase fuzilados pela PM/RS por falar francês em ônibus


Comentário: E aí, quem vai dizer ainda que "no Brasil não existe racismo"? Que "a maior vítima de racismo no Brasil são os brancos" ou que cotas são "Afrocoitadismo"? O que mais é necessário para escancarar ainda mais a realidade racista brasileira, um Partido Nazista no poder?

O capitalismo promove justiça?

Nos Estados Unidos, país mais capitalista do mundo, os 400 americanos mais ricos recebem o mesmo que 180 milhões de americanos(mais da metade). Por que não vemos isso todos os dias na mídia de massa? Por que essa é dominada por esses 400 mais ricos nos EUA!

segunda-feira, outubro 01, 2012

LIVROS


Etnocentrismo, russofobia e impulso anticomunista de Eric J. Hobsbawm em A Era dos Extremos
Por Cristiano Alves

No dia do falecimento de Eric Hobsbawm, A Página Vermelha republica a morte de suas ideias. A Página Vermelha identificou na obra do dito "renomado historiador marxista" uma série de falsificações em "A Era dos Extremos" que vão desde a desinformação a respeito do sistema político soviético até russofobia e etnocentrismo 


É muito comum ouvir o nome de Hobsbawm nos quatro cantos do mundo acadêmico, especialmente em faculdades de História. Sua obra é recomendada num dos mais bem conceituados concursos do Brasil, o da carreira diplomática, cujo programa recomenda as "Eras" do autor nascido no Egito de nacionalidade britânica. De fato, muitos o vêem como "a última palavra em História", uma espécie de guru para alguns, e homem influente da chamada "esquerda verdadeira", isto é, esquerdistas que se autoproclamam, abertamente ou não, a "última palavra em termos de marxismo"; o que pesa ainda mais em razão da militância deste no PCGB, isto é, o Partido Comunista da Grã-Bretanha. A verdade, entretanto, e a intenção de repassá-la nem sempre é um elemento contido nos livros de Eric John Hobsbawm, devendo ser esta buscada e espalhada, a fim de que novos erros não venham a ser repetidos e mentiras possam ser destruídas como uma muralha que impede a todos de ver a verdade.

A Era dos Extremos, assim como várias outras obras de Hobsbawm, é uma referência para muita gente no tocante à história do século XX, independente de suas visões políticas, de modo tal que o historiador britânico consegue congregar num mesmo universo "esquerdistas" e conservadores, sendo classificado como tal por ambos os grupos. O próprio título do livro é tendencioso, pois ele infere, implicitamente(e é necessário ler todo o livro para perceber isso), que a "Era dos Extremos" é uma era de "extrema-esquerda" e "extrema-direita", que teriam influenciado fortemente o mundo em que vivemos. Não é nenhum segredo que tais tendências existem, entretanto, para Hobsbawm a "extrema-esquerda" nada mais é do que a tendência apresentada pela União Soviética e outros países que efetivamente buscaram o socialismo em seus países, diferente do PCGB, que apenas o faz verbalmente. Para Hobsbawm as idéias de Lenin e Stalin são ideias de "extrema-esquerda" e um trecho do livro que corrobora bem esta tese está no capítulo "O socialismo real"(página 363). Este capítulo traz uma vasta pesquisa a respeito do socialismo em alguns países da Cortina de Ferro, porém negligenciando que nem todos esses Estados de "orientação marxista" eram necessariamente Estados Socialistas, porém Repúblicas Populares, assim como comete um leve deslize ao negligenciar a defesa que Marx fazia da Economia Planificada e Centralizada, esta defendida pelo filósofo alemão já em O Manifesto Comunista. Até aí, nenhum problema, o autor inclusive faz uma aguçada análise que vai de encontro à do historiador belga Ludo Martens no tocante ao nome de Nikolay Buharin, que Hobsbawm acertadamente identifica como um "proto-Gorbatchov"1.

Segundo William Bland, marxista britânico, "antistalinismo" é anticomunismo, uma vez que o primeiro nada mais é do que uma forma de atacar não o homem I. V. Stalin, porém a sua obra no primeiro Estado Socialista da história, cujo trabalho seguiu praticamente à risca os escritos de Karl Heinrich Marx. Esse antistalinismo é o grande tótem de Hobsbawm. Ao falar de Stalin, cujo governo levou a Rússia da era do arado para a era da energia nuclear(então a mais avançada forma de tecnologia da época), nas palavras do próprio Winston Churchill, também britânico, Hobsbawm não esconde o seu impulso contra o ex-sapateiro georgiano, introduzindo-o como um "autocrata de ferocidade, crueldade e falta de escrúpulos exepcionais que para muitos eram "únicas"2. Essa visão, entretanto, pode ser facilmente refutada por uma série de autores que vai desde sua filha Svetlana na consagrada obra "Vinte cartas a um amigo", até o historiador Simon Sebag Montefiore(também britânico), autor de "O jovem Stalin", livro que fora sucesso de vendas na Europa ao demonstrar um lado desconhecido do líder soviético, um poeta do Cáucaso. Deve ser lembrado aqui que esse mesmo senhor Montefiore, em uma de suas obras, insinua que "a mãe de Stalin era prostituta, uma vez que era muito pobre e provavelmente não vivia bem apenas lavando roupas"(em poucas palavras, para S. Montefiore, Stalin era literalmente um "filho da puta"), tal era o seu elitismo3.

A idéia de que "Stalin era um ditador"(termo que Hobsbawm substitui por "autocrata" para não cair em clichê), é objeto de onanismo político dos defensores do liberalismo econômico, do conservadorismo político e de outras ideias da classe dos exploradores do povo, além de ser objeto também de onanismo político da extrema-esquerda, que para Lenin era uma "doença infantil do comunismo"4. A idéia do "Stalin ditador absolutista", entretanto, é tão realista quanto um cavalo alado ou um leão falante, ela já foi esclarecida num diálogo de Stalin com Eugene Lyons5, que o entrevistou pessoalmente, e refutada por autores como William Bland, que estudou seu governo e até sua personalidade baseado no testemunho de pessoas que estiveram com ele. Os estudos de Bland demonstram que Stalin, premier soviético, tinha um poder menor do que o do Presidente dos Estados Unidos, no governo soviético. Enquanto este era o secretário-geral do PCUS e chefe do governo soviético(mas não de Estado), o soberano americano executava as duas funções. Essa limitação do poder de Stalin é mais tarde reconhecida inclusive por Harry Truman, líder americano, que durante as negociações relativas às áreas de influência na Europa mencionava que não se podia adotar por parâmetro as "decisões do Tio Joe"(nota: Stalin)6, em razão deste ser um "prisioneiro do Politburo". Essa versão é corroborada pelo professor Grover Furr, dos Estados Unidos, ampliada num debate com um professor do Reino Unido que deu origem a um importante texto a respeito, mostrando as limitações do governo de Stalin7. Este mesmo professor, em "Stalin e a luta pela reforma democrática"8, apresenta várias limitações da autoridade do líder georgiano e até apresenta um fato ignorado por praticamente todos os estudiosos do premier soviético, uma proposta sua de eleições diretas para os postos do governo soviético a ser incluída na Constituição de 1936, vetada pelos outros membros do Politburo. Grover Furr, tomando por base os estudos de um renomado historiador russo, o Dr. Yuri Júkov, alega ser uma mentira o mito de Stalin como "ditador todo-poderoso". Ainda, o líder albanês Enver Hodja afirmou que "Stalin não era um tirano, um déspota", mas "um homem de princípios"9. Sidney e Beatrice Webb, em "Soviet Communism: A New Civilisation", também rejeitam a idéia de que o Estado Soviético era governado por uma só pessoa10. 

Um dos poucos pontos positivos da obra de Hobsbawm está em seu reconhecimento do surgimento de uma nova sociedade surgida com as idéias dos bolchevistas na União Soviética. Na foto, uma parada cívica de atletas soviéticas nos anos 30.

Refutada a idéia do "Stalin autocrata", é necessário questionar, investigar e fazer conclusões sobre a idéia do "Stalin cruel", adotando uma corrente que nada tem de "stalinista", mas de racionalista, mais próxima de Voltaire do que de Stalin. A imagem deste "Darth Vader vermelho", deste "Arthas de bigode", vendida por historiadores como Hobsbawm, cujo impulso antistalinista o leva a extremos, foi objeto de estudo do marxista-leninista britânico William Bland. Em seu documento "O culto do indivíduo"11, Bland demonstra que segundo o líder albanês Enver Hodja "Stalin era modesto e bastante gentil com as pessoas, os quadros e seus colegas", e segundo o embaixador dos Estados Unidos na União Soviética, Joseph Davies, citado no trabalho de Bland, Stalin era um "homem simples, de gestos agradáveis". Contrastando ainda com essa imagem, a filha do próprio Stalin, Svetlana Alilulyeva, descreve o líder soviético como um pai atencioso, amável. Segundo Georgiy Júkov, Marechal da União Soviética, "Stalin conquistava o coração de todos com quem conversava"12. Como se não bastassem essas declarações, o "cruel Stalin" jamais ordenara a prisão de Mihail Bulgákov, um escritor que pensava diferente do Estado Soviético e lhe era crítico, apreciava o talento de Maria Yudina, pianista considerada louca na URSS mas admirada por Stalin, e tinha por um de seus hobbies não a caça ou a pescaria, mas tão somente plantar árvores ou plantas de jardim, características incomuns num "sujeito cruel". Para alegar que "Stalin era cruel" é necessário comprovar tal alegação, por exemplo, com algum documento de Stalin que demonstrasse atos de crueldade, documentos que inexistem, tornando a alegação de Hobsbawm pura sofistaria.13

Stalin, segundo Eric Hobsbawm
Não bastasse o impulso anti-Stalin de Hobsbawm, de dar inveja a qualquer propagandista do III Reich, Hobsbawm chega a mais um extremo ao alegar que "poucos homens manipularam o terror em escala mais universal". É questionável o porquê de Eric ter adicionado esta descrição, será que chamar de "cruel e autocrata" já não era suficiente para o britânico? É de se supor que esta afirmação tenha sido inserida como forma de "blindar" o autor de A Era dos Extremos contra possíveis alegações de "stalinista" por parte de seus editores ou mecenas burgueses. Um elogio de Hobsbawm ao Banco Mundial no referido livro pode ser indicativo de uma de suas fontes de financiamento. É comum que certos indivíduos confundam "amor a uma coisa" com "ódio por outra", usando-se do ódio como forma de demonstrar "apreço" por uma outra coisa, como Hitler na Alemanha, que sendo austríaco, usava o ódio contra eslavos, negros e judeus como forma de demonstrar um suposto "amor" pelo país, ou como o marido que bate na esposa como forma de mostrar que "a ama". Mais uma vez, essa tentativa desesperada de Hobsbawm de doutrinarnos com sua sofistaria através de uma linguagem de ódio vai por água abaixo ante os estudos do Dr. Yuri Júkov e do professor Grover Furr. Mesmo o discurso de Nikita Hruschov no XX Congresso do PCUS, que talvez conferissem alguma legitimidade ao historiador britânico foi provado como falso pelo professor americano em sua obra "Hruschov lied", que demonstra que 60 das 61 acusações de Hruschov em seu discurso no referido congresso são falsas, discurso que, diga-se de passagem, é ignorado por Eric Hobsbawm, mesmo sendo um dos discursos mais importantes do século XX, sua obra carece de qualquer investigação séria desse discurso e de sua veracidade. O professor Grover Furr, responsável por investigar e desmascarar o discurso fraudulento de Hruschov, demonstra como falsa a idéia de Stalin como "todo poderoso soviético", demonstrando que esse não exercia controle sobre o NKVD, órgão para a defesa da Revolução Bolchevique que nos anos 30 cometera sérios abusos de poder sob a direção de Genrih Yagoda e Nikolay Yejov, ambos exonerados, processados, julgados, condenados e executados, sendo este último substituído por Lavrenti Beria.

Adolf Hitler, o mais célebre dos anticomunistas. Em várias oportunidades deixou transparecer seu ódio contra Stalin
Fazendo o papel de pícaro do marxismo a serviço de forças reacionárias, Hobsbawm descreve o crescimento do sistema soviético como o resultado de uma "força de trabalho de 4 e 13 milhões de pessoas prisioneiras(os gulags)", citando Van der Linden. Essa cifra absurda já foi contestada por uma vasta gama de autores e refutada pelos documentos desclassificados na época da Glasnost e assinados pelo Procurador-Geral da União Soviética R. Rudenko, o Ministro do Interior S. Kruglov e o Ministro da Justiça K. Gorshenin, que demonstram o número de cerca de 2 milhões de presos na URSS, um número inferior em termos absolutos e proporcionais ao número de presos nos EUA(que por volta de 2006 era de 7 milhões). Essa mesma tabela divulgada pelo governo anticomunista de M. Gorbatchov fora divulgada pelo sueco Mário Sousa14, por Alexander Dugin, Zemskov e Ludo Martens. Ela é a prova de que autores como Hobsbawm e outros de sua camarilha mentem deliberadamente quando o assunto é "União Soviética", algo que não se atrevem a fazer quando falam de seus próprios países, responsáveis pela morte de milhões de pessoas ao redor do mundo. Estima-se que a Grã-Bretanha, país de Hobsbawm, tenha provocado deliberadamente uma grande fome na Índia que matou cerca de 30 milhões de pessoas. Curiosamente, sua soberana, a Rainha Elizabeth II e seus primeiros-ministros, não recebem nem metade dos epítetos que o historiador lança furiosamente e irresponsavelmente sobre Stalin.

Adotando uma posição reacionária, Hobsbawm atribui como causa da fome na Ucrânia em 1932-33 a "coletivização da agricultura", medida adotada para promover a justiça social no campo e evitar a figura do kulak, o historiador britânico ignora completamente o papel destes na sabotagem da agricultura, do tifo e da seca, fatores abordados e detalhadamente pesquisados pelo historiador belga Ludo Martens15. Com muito pouca objetividade  E. Hobsbawm descreve Stalin como um "homem pequenino", de "1,58", embora registros médicos o indicassem como tendo 1,71, e observações de Wallace Graham, médico de Harry Truman16, o indicasse como tendo a mesma altura de Hitler, isto é, por volta de 1,73, e fichas de informação do governo tzarista o descrevessem como tendo 1,74. Na página 386 da edição em português de seu livro, Hobsbawm, com seu anti-sovietismo e russofobia, descreve a URSS como sendo responsável pelo "saque" dos países então libertados pelo Exército Vermelho. Num ato de vilania, ele omite ao leitor que estes países libertados eram ex-aliados da Alemanha nazista que, juntos com esta, participaram do massacre de mais de 20 milhões de soviéticos, países como a Tchecoeslováquia, Hungria, Romênia e Bulgária, cujo contingente enviado para a Operação Barbarrossa ultrapassava os 300 mil homens. Falando sobre a Hungria, a propósito, Hobsbawm se atreve a defender o levante de 1956, organizado pelos partidários do fascista Horty, aliado de Hitler durante a Segunda Guerra.

Sem dúvidas, um dos pontos mais curiosos em "A Era dos Extremos" é o impulso antistalinista latente de Eric Hobsbawm, levando-o a despir-se de todo método dialético para abraçar o método maniqueísta. Poucos nomes em sua obra impregnada de subjetivismo são tão demonizados como a figura de Stalin. Nem mesmo Hitler, cujo projeto político exterminou cerca de 60 milhões de pessoas17 e incluía na sua agenda um racismo aberto, é descrito como "cruel, perverso, tirano" no livro de Hobsbawm; nem mesmo Harry Truman, cujo governo introduziu a bactéria da sífilis em mais de centenas de indivíduos para usá-los como cobaias humanas, é descrito como "perverso"; nomes como Mussolini, Margaret Tatcher e outros personagens reacionários do século XX não recebem um espaço especial para demonização como o líder responsável pela destruição de mais de 70% das forças nazistas. 

O que Eric Hobsbawn pretende e quais os seus objetivos com o seu onanismo político? Será que ele acredita mesmo que todos os seus leitores são todos tolos ou acéfalos incapazes de pesquisar a respeito de um personagem de tão grande importância no século XX, considerado um dos três maiores nomes da história da Rússia na pesquisa "The Name of Russia", efetuada em 2008, mesmo após anos de vilania anti-stalinista e, portanto, anticomunista? Impressiona como a sugestão de livros a respeito do socialismo real do Sr. Hobsbawn não traga sequer um só autor que examine a URSS com objetividade e sem preconceitos. É este falsificador e farsante o "grande historiador marxista"? Que "marxistas" como Hobsbawn, com seu onanismo político, sejam exaltados e gozem de excelente reputação na mídia de massa, isso é perfeitamente compreensivo, porém cabe apenas aos tolos digerir o produto de sua diarreia mental. Aquele que de fato compreende a força dos valores iluministas, a importância da pesquisa, da investigação e da conclusão buscam o conhecimento, não se acomodam com "historiadores marxistas recomendados pela mídia", eles denunciam pícaros do movimento marxista e fazem a verdade ir até o topo das montanhas, ressoar pelas paredes, eles fazem com que as nuvens façam chover essas verdades que cairão como uma espada afiada que destroça a vilania e a mentira!


Fontes:

1- HOBSBAWM, Eric J. A Era dos extremos: Breve século XX 1914-1991. 2ª edição. Tradução de Marcos Santarrita. Companhia das Letras
2- ibid., pg. 371
3- Artigo do jornal A Hora do Povo. Em: http://www.horadopovo.com.br/2009/janeiro/2733-14-01-09/P8/pag8a.htm
4- Ver "Esquerdismo, doença infantil do comunismo", por V. I. Lenin
5- E. Lyons: Stalin: Czar of All the Russias; Philadelphia; 1940; p. 196, 200, citado em "The cult of the Individual", por William Bland. Em: http://www.mltranslations.org/Britain/StalinBB.htm
6- No original: "I got very well acquainted with Joe Stalin, and I like old Joe! He is a decent fellow. But Joe is a prisoner of the Politburo." President HARRY S. TRUMAN, informal remarks, Eugen, Oregon, June 11, 1948. Public Papers of the Presidents of the United States: Harry S. Truman, 1948, p. 329.
7- FURR, Grover. Stalin foi um ditador? Tradução de Gláuber Ataíde Em: http://www.omarxistaleninista.org/2011/04/stalin-foi-um-ditador.html
8- Em http://pt.scribd.com/doc/62898033/stalinealutapelareformademocratica-parte-II
9- E. Hoxha: With Stalin: Memoirs; Tirana; 1979; p. 14-15, citado em "The cult of the Individual", por William Bland. Em: http://www.mltranslations.org/Britain/StalinBB.htm
10- Citados em "The cult of the Individual", por William Bland. Em: http://www.mltranslations.org/Britain/StalinBB.htm
11- Em http://www.mltranslations.org/Britain/StalinBB.htm
12- G. K. Zhukov: The Memoirs of Marshal Zhukov; London; 1971; p. 283. Citado em "The cult of the Individual", por William Bland. Em: http://www.mltranslations.org/Britain/StalinBB.htm
13- Há vários indícios de falsidade de um documento supostamente assinado por Stalin que ultimamente tem ganho grande popularidade, que revelaria sua "crueldade em Katyn": http://pt.scribd.com/doc/62732715/Katyn-49-sinais-de-falsificacao-do-pacote-secreto-n-1
14- Ver http://www.mariosousa.se/MentirassobreahistoriadaUniaoSovietica.html
15- Em Stalin, um novo olhar.
16- Citado em: http://humanheight.net/famous_people/sources/height_of_stalin_source.html
17- http://en.wikipedia.org/wiki/World_War_II_casualties




Stalin foi considerado pelo povo russo como um dos 3 maiores nomes de sua história, embora seja originalmente georgiano. Neste pôster soviético ele congratula trabalhadores soviéticos com duas grandes ordens conferidas a civis e militares, a Ordem de Lenin e a medalha de Herói do Trabalho Socialista.