quarta-feira, novembro 07, 2012

95 anos da Revolução Bolchevique de 1917

Desde os tempos da Grécia antiga, a música foi uma forma de elevar os espíritos dos guerreiros que partem para o combate, sendo os músicos, ao lado dos guerreiros, uma classe de extrema importância para a sociedade.

Na construção do socialismo, a cultura do Realismo Socialista presta um importante papel na construção de um novo homem, elevando os espíritos comunistas na luta por um mundo contra a injustiça. Ouça a "Canção de Lenin", criação dos arautos do comunismo da antiga República Popular da Hungria:




A Canção de Lenin
Tradução: Virag Venekey

"As algemas nos pés pesaram 

Mas com orgulho o povo as arrancou 
Viva o herói que por nós
Sua vida sacrificou, Lenin
Viva o povo e Lenin!

As algemas caíram na poeira 

E o homem olha a luz do Sol
Levante a bandeira para o céu
E lhe seja fiel em vida, Lenin
Esteja na sua frente em vida

E ascendem as chamas no chão,

E já se espalha a luz
E assim tanto no norte quanto no sul
O povo será livre e feliz, Lenin
O povo será livre e feliz!

Ressoa na boca de milhares um nome

Esse nome é tão grande e digno
Nenhuma sombra o dilacera
Nenhum tempo o faz desaparecer, Lenin
Nenhum tempo o faz desaparecer

Segure a arma com firmeza

Nação guerreira e heróica
Seu exemplo é Lenin que por você
Sacrificou a sua vida, Lenin
Lenin, sacrificou a sua vida!



HINO AO COMUNISMO

"Comunismo, uma palavra de desejo do povo,
Comunismo, uma bandeira de desejo do povo,
Comunismo, uma palavra que dá asas ao povo,
É por ele que lutamos hoje, povo!"

MÚSICA

Nos mais diversos países do mundo, a vitória bolchevique de 1917 através de uma revolução, e não de uma revolução fraudulenta guiada pela burguesia, foi celebrada pelos mais diversos povos do mundo, sendo um destes o povo alemão, que encontrou no operário e artista Ernst Busch a voz do comunismo:

"Avante, bolchevique!"

95 anos da Grande Revolução Socialista de Outubro


Sobre a nossa Revolução
A propósito das notas de N. Sukhánov
V.I. Lênin
I
Folheei nestes dias as notas de Sukhánov sobre a revolução.
O que salta sobretudo à vista é o pedantismo de todos os nossos democratas pequeno-burgueses, bem como de todos os heróis da II Internacional. Sem falar já de que são extraordinariamente covardes e de que mesmo os melhores deles se enchem de reservas quando se trata do menor desvio relativamente ao modelo alemão, sem falar já desta qualidade de todos os democratas pequeno-burgueses, suficientemente manifestada durante toda a revolução, salta à vista a sua servil imitação do passado.
Todos eles se dizem marxistas, mas entendem o marxismo de uma maneira extremamente pedante. Não compreenderam de modo nenhum aquilo que é decisivo no marxismo: precisamente a sua dialética revolucionária. Não compreenderam em absoluto nem mesmo as indicações diretas de Marx, dizendo que nos momentos de revolução é necessária a máxima flexibilidade1, e nem sequer notaram, por exemplo, as indicações de Marx na sua correspondência, referente, se bem me recordo, a 1856, na qual expressava a esperança de que a guerra camponesa na Alemanha, capaz de criar uma situação revolucionária, se unisse ao movimento operário2 – eludem mesmo esta indicação direta, dando voltas em volta dela como o gato em volta do leite quente.
Em toda a sua conduta revelam-se uns reformistas covardes que temem afastar-se da burguesia e, mais ainda, romper com ela, e ao mesmo tempo ocultam a sua covardia com a fraseologia e a jactância descarada. Mas, mesmo do ponto de vista puramente teórico, salta à vista em todos eles a sua plena incapacidade de compreender a seguinte ideia do marxismo: viram até agora um caminho determinado de desenvolvimento do capitalismo e da democracia burguesa na Europa Ocidental. E eis que eles não são capazes de imaginar que este caminho só pode ser considerado como modelo mutatis mutandis*, só com algumas correções (absolutamente insignificantes do ponto de vista do curso geral da história universal).
Primeiro - uma revolução ligada à primeira guerra imperialista mundial. Numa tal revolução deviam manifestar-se traços novos ou modificados precisamente em consequência da guerra, porque nunca houve no mundo tal guerra em tal situação. Vemos que até agora a burguesia dos países mais ricos não podem organizar relações burguesas "normais" depois dessa guerra, enquanto os nossos reformistas, pequenos burgueses que se armam em revolucionários, consideravam e consideram como um limite (além disso, insuperável) as relações burguesas normais, compreendendo esta "norma" de uma maneira extremamente estereotipada e estreita.
Segundo - é-lhes completamente alheia qualquer ideia de que dentro das leis gerais do desenvolvimento em toda a história mundial não estão de modo nenhum excluídas, mas, pelo contrário, pressupõem-se determinadas etapas de desenvolvimento que apresentam peculiaridades, quer na forma quer na ordem desse desenvolvimento. Nem sequer lhes passa pela cabeça, por exemplo, que a Rússia, situada na fronteira entre os países civilizados e os países que pela primeira vez são arrastados definitivamente por esta guerra para o caminho da civilização, os países de todo o Oriente, os países não europeus, que a Rússia podia e devia, por isso, revelar certas peculiaridades, que naturalmente estão na linha geral do desenvolvimento mundial, mas que distinguem a sua revolução de todas as revoluções anteriores dos países da Europa Ocidental e que introduzem algumas inovações parciais ao deslocar-se para os países orientais.

Por exemplo, não pode ser mais estereotipada a argumentação por eles usada, que aprenderam de memória na época do desenvolvimento da social-democracia da Europa Ocidental e que consiste no fato de que nós não estamos maduros para o socialismo, de que não existem no nosso país, segundo a expressão de vários "doutos" senhores dentre eles, as premissas econômicas objetivas para o socialismo. E não passa pela cabeça de nenhum deles perguntar: não podia um povo que se encontrou numa situação revolucionária como a que se criou durante a primeira guerra imperialista, não podia ele, sob a influência da sua situação sem saída, lançar-se numa luta que lhe abrisse pelo menos algumas possibilidades de conquistar para si condições que não são de todo habituais para o crescimento ulterior da civilização?
"A Rússia não atingiu um nível de desenvolvimento das forças produtivas que torne possível o socialismo." Todos os heróis da II Internacional, e entre eles, naturalmente, Sukhánov, se comportam como se tivessem descoberto a pólvora. Ruminam esta tese indiscutível de mil maneiras e parece-lhes que é decisiva para apreciar a nossa revolução.
Mas que fazer, se uma situação peculiar levou a Rússia, primeiro à guerra imperialista mundial, na qual intervieram todos os países mais ou menos influentes da Europa Ocidental, e colocou o seu desenvolvimento no limite das revoluções do Oriente, que estão a começar e em parte já começaram, em condições que nos permitiram levar à prática precisamente essa aliança da "guerra camponesa" com o movimento operário sobre as quais escreveu um "marxista" como Marx em 1856 como uma das perspectivas possíveis com relação à Prússia?
Que fazer se uma situação absolutamente sem saída, decuplicando as forças dos operários e camponeses, abria perante nós a possibilidade de passar de maneira diferente de todos os outros países da Europa Ocidental à criação das premissas fundamentais da civilização? Alterou-se por isso a linha geral de desenvolvimento da história universal? Alteraram-se por isso as correlações fundamentais das classes fundamentais em cada país que se integra e integrou já no curso geral da história mundial?
Se para criar o socialismo é necessário um determinado nível de cultura (ainda que ninguém possa dizer qual é precisamente esse determinado "nível de cultura", pois ele é diferente em cada um dos Estados da Europa Ocidental), por que é que não podemos começar primeiro pela conquista, por via revolucionária, das premissas para esse determinado nível, e já depois, com base no poder operário e camponês e no regime soviético, pôr-nos em marcha para alcançar os outros povos?
16 de Janeiro de 1923.
II


Para criar o socialismo, dizeis, é necessária civilização. Muito bem. Mas então, por que não havíamos de criar primeiro no nosso país premissas da civilização como a expulsão dos capitalistas russos e depois iniciar um movimento para o socialismo? Em que livros lestes que semelhantes alterações da ordem histórica habitual são inadmissíveis ou impossíveis?
Lembro que Napoleão escreveu: "On s'engage et puis ... on voit". Traduzido livremente para russo isto quer dizer: "Primeiro lançamo-nos no combate sério e depois logo vemos". E nós, em Outubro de 1917, iniciamos primeiro o combate sério e depois logo vimos os pormenores do desenvolvimento (do ponto de vista da história universal trata-se indubitavelmente de pormenores), tais como a Paz de Brest ou a NEP, etc. E hoje não há dúvida de que, no fundamental, alcançamos a vitória.
Os nossos Sukhánov, sem falar já daqueles sociais-democratas que estão mais à direita, nem sonham sequer que as revoluções em geral não se podem fazer de outra maneira. Os nossos filisteus europeus não sonham sequer que as futuras revoluções nos países do Oriente, com uma população incomparavelmente mais numerosa e que se diferenciam muito mais pela diversidade das condições sociais apresentarão sem dúvida mais peculiaridades do que a Revolução Russa.
Nem é preciso dizer que o manual redigido segundo Kautsky foi, na sua época, uma coisa muito útil. Mas já é tempo de renunciar à ideia de que esse manual tinha previsto todas as formas de desenvolvimento ulterior da história mundial. Àqueles que pensam desse modo é tempo já de os declarar simplesmente imbecis.
17 de Janeiro de 1923.
______________________________
*Mutatis mutandis - expressão latina que significa: mudando o que tem de ser mudado1 Lenin refere-se à caracterização da Comuna de Paris como "forma política inteiramente expansiva" na obra de Marx A Guerra Civil em França e à elevada apreciação da "elasticidade" dos parisienses feita por Marx na carta a L. Kugelmann de 12 de Abril de 1871.
2 Lenin alude ao seguinte trecho de uma carta de K. Marx a F. Engels de 16 de Abril de 1856: "Tudo na Alemanha dependerá da possibilidade de apoiar a revolução proletária por uma espécie de segunda edição da guerra camponesa. Então a coisa será ótima".

95 Anos da Grande Revolução Proletária Mundial de Outubro de 1917


segunda-feira, novembro 05, 2012

ATUALIDADES

O que é meritocracia?



Fonte: Canal O fantástico mundo de Clarion
http://www.youtube.com/user/ClarionDeLaffalot

PM: concorrente do crime organizado no extermínio de trabalhadores

Coletânea de reportagens sobre chacinas praticadas pela Polícia Militar

Recentemente, os veículos midiáticos dos exploradores do povo tem feito uma campanha de solidariedade à Polícia Militar, mostrando policiais assassinados, muitos de forma covarde. Embora muitos policiais sejam cidadãos honestos, que cumprem corretamente o seu dever, muitos, em vez de serem mantenedores da lei, são meros fascistas fardados que impõem o terror sobre trabalhadores, estudantes e que também apreendem materiais de jornalistas e populares que flagram nítidas atrocidades cometidas pela organização. Atuando por vezes em conluio com o tráfico ou como a "SS" de "coronéis" políticos, esta é a Polícia Militar que os grandes jornais não mostram, uma instituição perpetradora da tortura, do homicídio, do racismo e da repressão autoritária:

Infanticídio de crianças pobres pela Polícia Militar
http://www.anovademocracia.com.br/no-56/2368-policia-genocida-do-rio-atira-contra-criancas

Assassinato de jovens pela PM-RJ
http://www.anovademocracia.com.br/no-99/4364-pm-do-rio-assassina-mais-um-jovem

Chacina de trabalhadores promovida pela PM-BA
http://www.anovademocracia.com.br/no-99/4364-pm-do-rio-assassina-mais-um-jovem

Advogado é atacado por filmar o que a PM sabe fazer melhor: reprimir movimentos sociais
http://www.youtube.com/watch?v=-sGQD-aqfwQ

Jovem trabalhador é brutalmente torturado por policiais nazistas da PM-PR
http://feab.wordpress.com/2012/10/31/policiais-torturam-jovem-negro-com-choques-nos-genitais-e-na-lingua-oab-denuncia-barbarie/

Chacina de pobres para uso político pela PM-SP
http://www.anovademocracia.com.br/no-99/4362-centenas-de-pobres-sao-executados-em-sao-paulo

Artigo sobre a repressão da PM-SP na USP:
http://www.cartacapital.com.br/sociedade/o-que-esta-por-tras-da-presenca-da-pm-na-usp/

Policiais de Açailândia reprimem e espancam morador de rua
http://www.youtube.com/watch?v=DLjj6SAiERU

PM preso por tráfico de drogas
http://www.youtube.com/watch?v=0ytvmlbexts

PMs prestando "consultoria de risco" em São Paulo
http://g1.globo.com/brasil/noticia/2012/04/policiais-corruptos-viram-consultores-de-risco-em-sp.html

Tortura praticada pela PM na Paraíba:
http://g1.globo.com/pb/paraiba/noticia/2012/11/justica-decreta-prisao-de-policiais-indiciados-por-tortura-na-paraiba.html

Repressão de moradores na ocupação de Pinheirinho, em São Paulo
http://pt.globalvoicesonline.org/2012/01/24/brasil-pinheirinho-massacre/

Policiais mineiros atacam família negra e agridem empresário(no Brasil o negro, de bermuda ou gravata, é sempre suspeito)
http://www.youtube.com/watch?v=pc5PmhjgEbQ

...agora compare com o tratamento dado a uma jovem de classe média branca:
http://www.youtube.com/watch?v=_LK5RdYbSZ0


Todas essas vítimas tem algo em comum. Elas não recebem nem metade da atenção que a mídia de massa emprega para vitimizar PMs assassinados. Uma organização que quer ter respeito tem que dar respeito, o que não se vê em muitos casos!

sábado, novembro 03, 2012

Brasil, um país racista


Coletânea de notícias que quebra o mito da "igualdade racial" e de "Brasil tolerante":

Advogada denuncia racismo

Universitários angolanos exterminados por serem negros, em São Paulo

Estudantes africanos são chamados de macaco e fuzilados

Racismo contra africanos na UNESP: "Sem cotas para animais da África"

Racismo e mensagens de ódio contra coreanos em São Paulo

Blogueiro anticomunista, racista e homofóbico é preso pela PF

Blogueiros anticomunistas e misóginos no Jornal Nacional

Médica perde o voo e insulta o funcionário da Gol por este ser negro

Racismo contra judoca olímpica

Vídeo antirracista

Reportagem da BBC com uma abordagem do racismo brasileiro

Estagiária negra é forçada a alisar o cabelo

Artigo sobre o racismo no Brasil

Apologia do extermínio de nordestinos após as eleições de 2010

Estagiária negra é chamada de macaca

Na Bahia, caixa de supermercado é chamada de "negra burra" e agressora se diz "vítima"

Humor segregacionista em estilo americano dos anos 20

Racismo na Zorra Total ridiculariza a mulher negra

Violência contra negros em Alagoas

Regina Duarte contra os índios

Artigo sobre o preconceito sofrido pela comunidade indígena

Agressão sofrida no Shopping da Barra

Reportagem do jornalista Roberto Cabrini sobre o racismo no Brasil(4 partes)


Estudantes congoleses são parados e quase fuzilados pela PM/RS por falar francês em ônibus


Comentário: E aí, quem vai dizer ainda que "no Brasil não existe racismo"? Que "a maior vítima de racismo no Brasil são os brancos" ou que cotas são "Afrocoitadismo"? O que mais é necessário para escancarar ainda mais a realidade racista brasileira, um Partido Nazista no poder?

O capitalismo promove justiça?

Nos Estados Unidos, país mais capitalista do mundo, os 400 americanos mais ricos recebem o mesmo que 180 milhões de americanos(mais da metade). Por que não vemos isso todos os dias na mídia de massa? Por que essa é dominada por esses 400 mais ricos nos EUA!

segunda-feira, outubro 01, 2012

LIVROS


Etnocentrismo, russofobia e impulso anticomunista de Eric J. Hobsbawm em A Era dos Extremos
Por Cristiano Alves

No dia do falecimento de Eric Hobsbawm, A Página Vermelha republica a morte de suas ideias. A Página Vermelha identificou na obra do dito "renomado historiador marxista" uma série de falsificações em "A Era dos Extremos" que vão desde a desinformação a respeito do sistema político soviético até russofobia e etnocentrismo 


É muito comum ouvir o nome de Hobsbawm nos quatro cantos do mundo acadêmico, especialmente em faculdades de História. Sua obra é recomendada num dos mais bem conceituados concursos do Brasil, o da carreira diplomática, cujo programa recomenda as "Eras" do autor nascido no Egito de nacionalidade britânica. De fato, muitos o vêem como "a última palavra em História", uma espécie de guru para alguns, e homem influente da chamada "esquerda verdadeira", isto é, esquerdistas que se autoproclamam, abertamente ou não, a "última palavra em termos de marxismo"; o que pesa ainda mais em razão da militância deste no PCGB, isto é, o Partido Comunista da Grã-Bretanha. A verdade, entretanto, e a intenção de repassá-la nem sempre é um elemento contido nos livros de Eric John Hobsbawm, devendo ser esta buscada e espalhada, a fim de que novos erros não venham a ser repetidos e mentiras possam ser destruídas como uma muralha que impede a todos de ver a verdade.

A Era dos Extremos, assim como várias outras obras de Hobsbawm, é uma referência para muita gente no tocante à história do século XX, independente de suas visões políticas, de modo tal que o historiador britânico consegue congregar num mesmo universo "esquerdistas" e conservadores, sendo classificado como tal por ambos os grupos. O próprio título do livro é tendencioso, pois ele infere, implicitamente(e é necessário ler todo o livro para perceber isso), que a "Era dos Extremos" é uma era de "extrema-esquerda" e "extrema-direita", que teriam influenciado fortemente o mundo em que vivemos. Não é nenhum segredo que tais tendências existem, entretanto, para Hobsbawm a "extrema-esquerda" nada mais é do que a tendência apresentada pela União Soviética e outros países que efetivamente buscaram o socialismo em seus países, diferente do PCGB, que apenas o faz verbalmente. Para Hobsbawm as idéias de Lenin e Stalin são ideias de "extrema-esquerda" e um trecho do livro que corrobora bem esta tese está no capítulo "O socialismo real"(página 363). Este capítulo traz uma vasta pesquisa a respeito do socialismo em alguns países da Cortina de Ferro, porém negligenciando que nem todos esses Estados de "orientação marxista" eram necessariamente Estados Socialistas, porém Repúblicas Populares, assim como comete um leve deslize ao negligenciar a defesa que Marx fazia da Economia Planificada e Centralizada, esta defendida pelo filósofo alemão já em O Manifesto Comunista. Até aí, nenhum problema, o autor inclusive faz uma aguçada análise que vai de encontro à do historiador belga Ludo Martens no tocante ao nome de Nikolay Buharin, que Hobsbawm acertadamente identifica como um "proto-Gorbatchov"1.

Segundo William Bland, marxista britânico, "antistalinismo" é anticomunismo, uma vez que o primeiro nada mais é do que uma forma de atacar não o homem I. V. Stalin, porém a sua obra no primeiro Estado Socialista da história, cujo trabalho seguiu praticamente à risca os escritos de Karl Heinrich Marx. Esse antistalinismo é o grande tótem de Hobsbawm. Ao falar de Stalin, cujo governo levou a Rússia da era do arado para a era da energia nuclear(então a mais avançada forma de tecnologia da época), nas palavras do próprio Winston Churchill, também britânico, Hobsbawm não esconde o seu impulso contra o ex-sapateiro georgiano, introduzindo-o como um "autocrata de ferocidade, crueldade e falta de escrúpulos exepcionais que para muitos eram "únicas"2. Essa visão, entretanto, pode ser facilmente refutada por uma série de autores que vai desde sua filha Svetlana na consagrada obra "Vinte cartas a um amigo", até o historiador Simon Sebag Montefiore(também britânico), autor de "O jovem Stalin", livro que fora sucesso de vendas na Europa ao demonstrar um lado desconhecido do líder soviético, um poeta do Cáucaso. Deve ser lembrado aqui que esse mesmo senhor Montefiore, em uma de suas obras, insinua que "a mãe de Stalin era prostituta, uma vez que era muito pobre e provavelmente não vivia bem apenas lavando roupas"(em poucas palavras, para S. Montefiore, Stalin era literalmente um "filho da puta"), tal era o seu elitismo3.

A idéia de que "Stalin era um ditador"(termo que Hobsbawm substitui por "autocrata" para não cair em clichê), é objeto de onanismo político dos defensores do liberalismo econômico, do conservadorismo político e de outras ideias da classe dos exploradores do povo, além de ser objeto também de onanismo político da extrema-esquerda, que para Lenin era uma "doença infantil do comunismo"4. A idéia do "Stalin ditador absolutista", entretanto, é tão realista quanto um cavalo alado ou um leão falante, ela já foi esclarecida num diálogo de Stalin com Eugene Lyons5, que o entrevistou pessoalmente, e refutada por autores como William Bland, que estudou seu governo e até sua personalidade baseado no testemunho de pessoas que estiveram com ele. Os estudos de Bland demonstram que Stalin, premier soviético, tinha um poder menor do que o do Presidente dos Estados Unidos, no governo soviético. Enquanto este era o secretário-geral do PCUS e chefe do governo soviético(mas não de Estado), o soberano americano executava as duas funções. Essa limitação do poder de Stalin é mais tarde reconhecida inclusive por Harry Truman, líder americano, que durante as negociações relativas às áreas de influência na Europa mencionava que não se podia adotar por parâmetro as "decisões do Tio Joe"(nota: Stalin)6, em razão deste ser um "prisioneiro do Politburo". Essa versão é corroborada pelo professor Grover Furr, dos Estados Unidos, ampliada num debate com um professor do Reino Unido que deu origem a um importante texto a respeito, mostrando as limitações do governo de Stalin7. Este mesmo professor, em "Stalin e a luta pela reforma democrática"8, apresenta várias limitações da autoridade do líder georgiano e até apresenta um fato ignorado por praticamente todos os estudiosos do premier soviético, uma proposta sua de eleições diretas para os postos do governo soviético a ser incluída na Constituição de 1936, vetada pelos outros membros do Politburo. Grover Furr, tomando por base os estudos de um renomado historiador russo, o Dr. Yuri Júkov, alega ser uma mentira o mito de Stalin como "ditador todo-poderoso". Ainda, o líder albanês Enver Hodja afirmou que "Stalin não era um tirano, um déspota", mas "um homem de princípios"9. Sidney e Beatrice Webb, em "Soviet Communism: A New Civilisation", também rejeitam a idéia de que o Estado Soviético era governado por uma só pessoa10. 

Um dos poucos pontos positivos da obra de Hobsbawm está em seu reconhecimento do surgimento de uma nova sociedade surgida com as idéias dos bolchevistas na União Soviética. Na foto, uma parada cívica de atletas soviéticas nos anos 30.

Refutada a idéia do "Stalin autocrata", é necessário questionar, investigar e fazer conclusões sobre a idéia do "Stalin cruel", adotando uma corrente que nada tem de "stalinista", mas de racionalista, mais próxima de Voltaire do que de Stalin. A imagem deste "Darth Vader vermelho", deste "Arthas de bigode", vendida por historiadores como Hobsbawm, cujo impulso antistalinista o leva a extremos, foi objeto de estudo do marxista-leninista britânico William Bland. Em seu documento "O culto do indivíduo"11, Bland demonstra que segundo o líder albanês Enver Hodja "Stalin era modesto e bastante gentil com as pessoas, os quadros e seus colegas", e segundo o embaixador dos Estados Unidos na União Soviética, Joseph Davies, citado no trabalho de Bland, Stalin era um "homem simples, de gestos agradáveis". Contrastando ainda com essa imagem, a filha do próprio Stalin, Svetlana Alilulyeva, descreve o líder soviético como um pai atencioso, amável. Segundo Georgiy Júkov, Marechal da União Soviética, "Stalin conquistava o coração de todos com quem conversava"12. Como se não bastassem essas declarações, o "cruel Stalin" jamais ordenara a prisão de Mihail Bulgákov, um escritor que pensava diferente do Estado Soviético e lhe era crítico, apreciava o talento de Maria Yudina, pianista considerada louca na URSS mas admirada por Stalin, e tinha por um de seus hobbies não a caça ou a pescaria, mas tão somente plantar árvores ou plantas de jardim, características incomuns num "sujeito cruel". Para alegar que "Stalin era cruel" é necessário comprovar tal alegação, por exemplo, com algum documento de Stalin que demonstrasse atos de crueldade, documentos que inexistem, tornando a alegação de Hobsbawm pura sofistaria.13

Stalin, segundo Eric Hobsbawm
Não bastasse o impulso anti-Stalin de Hobsbawm, de dar inveja a qualquer propagandista do III Reich, Hobsbawm chega a mais um extremo ao alegar que "poucos homens manipularam o terror em escala mais universal". É questionável o porquê de Eric ter adicionado esta descrição, será que chamar de "cruel e autocrata" já não era suficiente para o britânico? É de se supor que esta afirmação tenha sido inserida como forma de "blindar" o autor de A Era dos Extremos contra possíveis alegações de "stalinista" por parte de seus editores ou mecenas burgueses. Um elogio de Hobsbawm ao Banco Mundial no referido livro pode ser indicativo de uma de suas fontes de financiamento. É comum que certos indivíduos confundam "amor a uma coisa" com "ódio por outra", usando-se do ódio como forma de demonstrar "apreço" por uma outra coisa, como Hitler na Alemanha, que sendo austríaco, usava o ódio contra eslavos, negros e judeus como forma de demonstrar um suposto "amor" pelo país, ou como o marido que bate na esposa como forma de mostrar que "a ama". Mais uma vez, essa tentativa desesperada de Hobsbawm de doutrinarnos com sua sofistaria através de uma linguagem de ódio vai por água abaixo ante os estudos do Dr. Yuri Júkov e do professor Grover Furr. Mesmo o discurso de Nikita Hruschov no XX Congresso do PCUS, que talvez conferissem alguma legitimidade ao historiador britânico foi provado como falso pelo professor americano em sua obra "Hruschov lied", que demonstra que 60 das 61 acusações de Hruschov em seu discurso no referido congresso são falsas, discurso que, diga-se de passagem, é ignorado por Eric Hobsbawm, mesmo sendo um dos discursos mais importantes do século XX, sua obra carece de qualquer investigação séria desse discurso e de sua veracidade. O professor Grover Furr, responsável por investigar e desmascarar o discurso fraudulento de Hruschov, demonstra como falsa a idéia de Stalin como "todo poderoso soviético", demonstrando que esse não exercia controle sobre o NKVD, órgão para a defesa da Revolução Bolchevique que nos anos 30 cometera sérios abusos de poder sob a direção de Genrih Yagoda e Nikolay Yejov, ambos exonerados, processados, julgados, condenados e executados, sendo este último substituído por Lavrenti Beria.

Adolf Hitler, o mais célebre dos anticomunistas. Em várias oportunidades deixou transparecer seu ódio contra Stalin
Fazendo o papel de pícaro do marxismo a serviço de forças reacionárias, Hobsbawm descreve o crescimento do sistema soviético como o resultado de uma "força de trabalho de 4 e 13 milhões de pessoas prisioneiras(os gulags)", citando Van der Linden. Essa cifra absurda já foi contestada por uma vasta gama de autores e refutada pelos documentos desclassificados na época da Glasnost e assinados pelo Procurador-Geral da União Soviética R. Rudenko, o Ministro do Interior S. Kruglov e o Ministro da Justiça K. Gorshenin, que demonstram o número de cerca de 2 milhões de presos na URSS, um número inferior em termos absolutos e proporcionais ao número de presos nos EUA(que por volta de 2006 era de 7 milhões). Essa mesma tabela divulgada pelo governo anticomunista de M. Gorbatchov fora divulgada pelo sueco Mário Sousa14, por Alexander Dugin, Zemskov e Ludo Martens. Ela é a prova de que autores como Hobsbawm e outros de sua camarilha mentem deliberadamente quando o assunto é "União Soviética", algo que não se atrevem a fazer quando falam de seus próprios países, responsáveis pela morte de milhões de pessoas ao redor do mundo. Estima-se que a Grã-Bretanha, país de Hobsbawm, tenha provocado deliberadamente uma grande fome na Índia que matou cerca de 30 milhões de pessoas. Curiosamente, sua soberana, a Rainha Elizabeth II e seus primeiros-ministros, não recebem nem metade dos epítetos que o historiador lança furiosamente e irresponsavelmente sobre Stalin.

Adotando uma posição reacionária, Hobsbawm atribui como causa da fome na Ucrânia em 1932-33 a "coletivização da agricultura", medida adotada para promover a justiça social no campo e evitar a figura do kulak, o historiador britânico ignora completamente o papel destes na sabotagem da agricultura, do tifo e da seca, fatores abordados e detalhadamente pesquisados pelo historiador belga Ludo Martens15. Com muito pouca objetividade  E. Hobsbawm descreve Stalin como um "homem pequenino", de "1,58", embora registros médicos o indicassem como tendo 1,71, e observações de Wallace Graham, médico de Harry Truman16, o indicasse como tendo a mesma altura de Hitler, isto é, por volta de 1,73, e fichas de informação do governo tzarista o descrevessem como tendo 1,74. Na página 386 da edição em português de seu livro, Hobsbawm, com seu anti-sovietismo e russofobia, descreve a URSS como sendo responsável pelo "saque" dos países então libertados pelo Exército Vermelho. Num ato de vilania, ele omite ao leitor que estes países libertados eram ex-aliados da Alemanha nazista que, juntos com esta, participaram do massacre de mais de 20 milhões de soviéticos, países como a Tchecoeslováquia, Hungria, Romênia e Bulgária, cujo contingente enviado para a Operação Barbarrossa ultrapassava os 300 mil homens. Falando sobre a Hungria, a propósito, Hobsbawm se atreve a defender o levante de 1956, organizado pelos partidários do fascista Horty, aliado de Hitler durante a Segunda Guerra.

Sem dúvidas, um dos pontos mais curiosos em "A Era dos Extremos" é o impulso antistalinista latente de Eric Hobsbawm, levando-o a despir-se de todo método dialético para abraçar o método maniqueísta. Poucos nomes em sua obra impregnada de subjetivismo são tão demonizados como a figura de Stalin. Nem mesmo Hitler, cujo projeto político exterminou cerca de 60 milhões de pessoas17 e incluía na sua agenda um racismo aberto, é descrito como "cruel, perverso, tirano" no livro de Hobsbawm; nem mesmo Harry Truman, cujo governo introduziu a bactéria da sífilis em mais de centenas de indivíduos para usá-los como cobaias humanas, é descrito como "perverso"; nomes como Mussolini, Margaret Tatcher e outros personagens reacionários do século XX não recebem um espaço especial para demonização como o líder responsável pela destruição de mais de 70% das forças nazistas. 

O que Eric Hobsbawn pretende e quais os seus objetivos com o seu onanismo político? Será que ele acredita mesmo que todos os seus leitores são todos tolos ou acéfalos incapazes de pesquisar a respeito de um personagem de tão grande importância no século XX, considerado um dos três maiores nomes da história da Rússia na pesquisa "The Name of Russia", efetuada em 2008, mesmo após anos de vilania anti-stalinista e, portanto, anticomunista? Impressiona como a sugestão de livros a respeito do socialismo real do Sr. Hobsbawn não traga sequer um só autor que examine a URSS com objetividade e sem preconceitos. É este falsificador e farsante o "grande historiador marxista"? Que "marxistas" como Hobsbawn, com seu onanismo político, sejam exaltados e gozem de excelente reputação na mídia de massa, isso é perfeitamente compreensivo, porém cabe apenas aos tolos digerir o produto de sua diarreia mental. Aquele que de fato compreende a força dos valores iluministas, a importância da pesquisa, da investigação e da conclusão buscam o conhecimento, não se acomodam com "historiadores marxistas recomendados pela mídia", eles denunciam pícaros do movimento marxista e fazem a verdade ir até o topo das montanhas, ressoar pelas paredes, eles fazem com que as nuvens façam chover essas verdades que cairão como uma espada afiada que destroça a vilania e a mentira!


Fontes:

1- HOBSBAWM, Eric J. A Era dos extremos: Breve século XX 1914-1991. 2ª edição. Tradução de Marcos Santarrita. Companhia das Letras
2- ibid., pg. 371
3- Artigo do jornal A Hora do Povo. Em: http://www.horadopovo.com.br/2009/janeiro/2733-14-01-09/P8/pag8a.htm
4- Ver "Esquerdismo, doença infantil do comunismo", por V. I. Lenin
5- E. Lyons: Stalin: Czar of All the Russias; Philadelphia; 1940; p. 196, 200, citado em "The cult of the Individual", por William Bland. Em: http://www.mltranslations.org/Britain/StalinBB.htm
6- No original: "I got very well acquainted with Joe Stalin, and I like old Joe! He is a decent fellow. But Joe is a prisoner of the Politburo." President HARRY S. TRUMAN, informal remarks, Eugen, Oregon, June 11, 1948. Public Papers of the Presidents of the United States: Harry S. Truman, 1948, p. 329.
7- FURR, Grover. Stalin foi um ditador? Tradução de Gláuber Ataíde Em: http://www.omarxistaleninista.org/2011/04/stalin-foi-um-ditador.html
8- Em http://pt.scribd.com/doc/62898033/stalinealutapelareformademocratica-parte-II
9- E. Hoxha: With Stalin: Memoirs; Tirana; 1979; p. 14-15, citado em "The cult of the Individual", por William Bland. Em: http://www.mltranslations.org/Britain/StalinBB.htm
10- Citados em "The cult of the Individual", por William Bland. Em: http://www.mltranslations.org/Britain/StalinBB.htm
11- Em http://www.mltranslations.org/Britain/StalinBB.htm
12- G. K. Zhukov: The Memoirs of Marshal Zhukov; London; 1971; p. 283. Citado em "The cult of the Individual", por William Bland. Em: http://www.mltranslations.org/Britain/StalinBB.htm
13- Há vários indícios de falsidade de um documento supostamente assinado por Stalin que ultimamente tem ganho grande popularidade, que revelaria sua "crueldade em Katyn": http://pt.scribd.com/doc/62732715/Katyn-49-sinais-de-falsificacao-do-pacote-secreto-n-1
14- Ver http://www.mariosousa.se/MentirassobreahistoriadaUniaoSovietica.html
15- Em Stalin, um novo olhar.
16- Citado em: http://humanheight.net/famous_people/sources/height_of_stalin_source.html
17- http://en.wikipedia.org/wiki/World_War_II_casualties




Stalin foi considerado pelo povo russo como um dos 3 maiores nomes de sua história, embora seja originalmente georgiano. Neste pôster soviético ele congratula trabalhadores soviéticos com duas grandes ordens conferidas a civis e militares, a Ordem de Lenin e a medalha de Herói do Trabalho Socialista.

domingo, setembro 30, 2012

ELEIÇÕES 2012



Nessas eleições, A Página Vermelha pede a você da cidade do Rio de Janeiro que escolha um de nossos leitores, colaboradores e camaradas para a Câmara dos Vereadores, Ronaldo da Luta. Comunista e trabalhador, Ronaldo é a voz dos setores menos favorecidos do Rio de Janeiro.


quinta-feira, setembro 13, 2012

CHARGE


MUNDO: Levantamento de países invadidos pelos Estados Unidos


A direita brasileira, marionete de Washington. costuma repetir ad infinitum que "o perigo são os russos", e em alguns mesmo os chineses. Estudo feito em 2007 faz um levantamento de países invadidos pelos Estados Unidos, o mais imperialista de todos os países.


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Reproduzo levantamento feito por Alberto da Silva Jones, publicado em 2007 no sítio do Centro de Mídia Independente/Brasil: 

Entre as várias invasões que as forças armadas dos Estados Unidos fizeram nos séculos XIX, XX e XXI, podemos citar:

1846/1848 - México - Por causa da anexação, pelos EUA, da República do Texas;

1890 - Argentina - Tropas desembarcam em Buenos Aires para defender interesses econômicos americanos;

1891 - Chile - Fuzileiros Navais esmagam forças rebeldes nacionalistas;

1891 - Haiti - Tropas debelam a revolta de operários negros na ilha de Navassa, reclamada pelos EUA;

1893 - Hawai - Marinha enviada para suprimir o reinado independente e anexar o Hawaí aos EUA;

1894 - Nicarágua - Tropas ocupam Bluefields, cidade do mar do Caribe, durante um mês;

1894/1895 - China - Marinha, Exército e Fuzileiros desembarcam no país durante a guerra sino-japonesa;

1894/1896 - Coréia - Tropas permanecem em Seul durante a guerra;

1895 - Panamá - Tropas desembarcam no porto de Corinto, província Colombiana;

1898/1900 - China - Tropas ocupam a China durante a Rebelião Boxer;

1898/1910 - Filipinas - Luta pela independência do país, dominado pelos EUA (Massacres realizados por tropas americanas em Balangica, Samar, 27/09/1901, e Bud Bagsak, Sulu, 11/15/1913; 600.000 filipinos mortos;

1898/1902 - Cuba - Tropas sitiaram Cuba durante a guerra hispano-americana;

1898 - Porto Rico - Tropas sitiaram Porto Rico na guerra hispano-americana, hoje 'Estado Livre Associado' dos Estados Unidos;

1898 - Ilha de Guam - Marinha desembarca na ilha e a mantêm como base naval até hoje;

1898 - Espanha - Guerra Hispano-Americana - Desencadeada pela misteriosa explosão do encouraçado Maine, em 15 de fevereiro, na Baía de Havana. Esta guerra marca o surgimento dos EUA como potência capitalista e militar mundial;

1898 - Nicarágua - Fuzileiros Navais invadem o porto de San Juan del Sur;

1899 - Ilha de Samoa - Tropas desembarcam e invadem a Ilha em conseqüência de conflito pela sucessão do trono de Samoa;

1899 - Nicarágua - Tropas desembarcam no porto de Bluefields e invadem a Nicarágua (2ª vez);

1901/1914 - Panamá - Marinha apóia a revolução quando o Panamá reclamou independência da Colômbia; tropas americanas ocupam o canal em 1901, quando teve início sua construção;

1903 - Honduras - Fuzileiros Navais desembarcam em Honduras e intervêm na revolução do povo hondurenho;

1903/1904 - República Dominicana - Tropas atacaram e invadiram o território dominicano para proteger interesses do capital americano durante a revolução;

1904/1905 - Coréia - Fuzileiros Navais dos Estados Unidos desembarcaram no território coreano durante a guerra russo-japonesa;

1906/1909 - Cuba -Tropas dos Estados Unidos invadem Cuba e lutam contra o povo cubano durante período de eleições;

1907 - Nicarágua - Tropas invadem e impõem a criação de um protetorado, sobre o território livre da Nicarágua;

1907 - Honduras - Fuzileiros Navais desembarcam e ocupam Honduras durante a guerra de Honduras com a Nicarágua;

1908 - Panamá - Fuzileiros invadem o Panamá durante período de eleições;

1910 - Nicarágua - Fuzileiros navais desembarcam e invadem pela 3ª vez Bluefields e Corinto, na Nicarágua;

1911 - Honduras - Tropas enviadas para proteger interesses americanos durante a guerra civil invadem Honduras;

1911/1941 - China - Forças do exército e marinha dos Estados Unidos invadem mais uma vez a China durante período de lutas internas repetidas;

1912 - Cuba - Tropas invadem Cuba com a desculpa de proteger interesses americanos em Havana;

1912 - Panamá - Fuzileiros navais invadem novamente o Panamá e ocupam o país durante eleições presidenciais;

1912 - Honduras - Tropas norte americanas mais uma vez invadem Honduras para proteger interesses do capital americano;

1912/1933 - Nicarágua - Tropas dos Estados Unidos com a desculpa de combaterem guerrilheiros invadem e ocupam o país durante 20 anos;

1913 - México - Fuzileiros da Marinha invadem o México com a desculpa de evacuar cidadãos americanos durante a revolução;

1913 - México - Durante a revolução mexicana, os Estados Unidos bloqueiam as fronteiras mexicanas;

1914/1918 - Primeira Guerra Mundial - EUA entram no conflito em 6 de abril de 1917 declarando guerra à Alemanha. As perdas americanas chegaram a 114 mil homens;

1914 - República Dominicana - Fuzileiros navais da Marinha dos Estados invadem o solo dominicano e interferem na revolução em Santo Domingo;

1914/1918 - México - Marinha e exército invadem o território mexicano e interferem na luta contra nacionalistas;

1915/1934 - Haiti - Tropas americanas desembarcam no Haiti, em 28 de julho, e transformam o país numa colônia americana, permanecendo lá durante 19 anos;

1916/1924 - República Dominicana - Os EUA invadem e estabelecem governo militar na República Dominicana, em 29 de novembro, ocupando o país durante oito anos;

1917/1933 - Cuba - Tropas desembarcam em Cuba e transformam o país num protetorado econômico americano, permanecendo essa ocupação por 16 anos;

1918/1922 - Rússia - Marinha e tropas enviadas para combater a revolução bolchevista. O Exército realizou cinco desembarques, sendo derrotado pelos russos em todos eles;

1919 - Honduras - Fuzileiros desembarcam e invadem mais uma vez o país durante eleições, colocando no poder um governo a seu serviço;

1918 - Iugoslávia - Tropas dos Estados Unidos invadem a Iugoslávia e intervêm ao lado da Itália contra os sérvios na Dalmácia;

1920 - Guatemala - Tropas invadem e ocupam o país durante greve operária do povo da Guatemala;

1922 - Turquia - Tropas invadem e combatem nacionalistas turcos em Smirna;

1922/1927 - China - Marinha e Exército mais uma vez invadem a China durante revolta nacionalista;

1924/1925 - Honduras - Tropas dos Estados Unidos desembarcam e invadem Honduras duas vezes durante eleição nacional;

1925 - Panamá - Tropas invadem o Panamá para debelar greve geral dos trabalhadores panamenhos;

1927/1934 - China - Mil fuzileiros americanos desembarcam na China durante a guerra civil local e permanecem durante sete anos ocupando o território;

1932 - El Salvador - Navios de Guerra dos Estados Unidos são deslocados durante a revolução das Forças do Movimento de Libertação Nacional - FMLN -
comandadas por Marti;

1939/1945 - II Guerra Mundial - Os EUA declaram guerra ao Japão em 8 de dezembro de 1941 e depois a Alemanha e Itália, invadindo o Norte da África, a Ásia e a Europa, culminando com o lançamento das bombas atômicas sobre as cidades desmilitarizadas de Iroshima e Nagasaki;

1946 - Irã - Marinha americana ameaça usar artefatos nucleares contra tropas soviéticas caso as mesmas não abandonem a fronteira norte do Irã;

1946 - Iugoslávia - Presença da marinha ameaçando invadir a zona costeira da Iugoslávia em resposta a um avião espião dos Estados Unidos abatido pelos soviéticos;

1947/1949 - Grécia - Operação de invasão de Comandos dos EUA garantem vitória da extrema direita nas "eleições" do povo grego;

1947 - Venezuela - Em um acordo feito com militares locais, os EUA invadem e derrubam o presidente eleito Rómulo Gallegos, como castigo por ter aumentado o preço do petróleo exportado, colocando um ditador no poder;

1948/1949 - China - Fuzileiros invadem pela ultima vez o território chinês para evacuar cidadãos americanos antes da vitória comunista;

1950 - Porto Rico - Comandos militares dos Estados Unidos ajudam a esmagar a revolução pela independência de Porto Rico, em Ponce;

1951/1953 - Coréia - Início do conflito entre a República Democrática da Coréia (Norte) e República da Coréia (Sul), na qual cerca de 3 milhões de pessoas morreram. Estados Unidos são um dos principais protagonistas da invasão usando como pano de fundo a recém criada Nações Unidas, ao lado dos sul-coreanos. A guerra termina em julho de 1953 sem vencedores e com dois estados polarizados: comunistas ao norte e um governo pró-americano no sul. Os EUA perderam 33 mil homens e mantém até hoje base militar e aero-naval na Coréia do Sul;

1954 - Guatemala - Comandos americanos, sob controle da CIA, derrubam o presidente Arbenz, democraticamente eleito, e impõem uma ditadura militar no país. Jacobo Arbenz havia nacionalizado a empresa United Fruit e impulsionado a reforma agrária;

1956 - Egito - O presidente Nasser nacionaliza o canal de Suez. Tropas americanas se envolvem durante os combates no Canal de Suez sustentados pela Sexta Frota dos EUA. As forças egípcias obrigam a coalizão franco-israelense-britânica, a retirar-se do canal;

1958 - Líbano - Forças da Marinha invadem apóiam o exército de ocupação do Líbano durante sua guerra civil;

1958 - Panamá - Tropas dos Estados Unidos invadem e combatem manifestantes nacionalistas panamenhos;

1961/1975 - Vietnã. Aliados ao sul-vietnamitas, o governo americano invade o Vietnã e tenta impedir, sem sucesso, a formação de um estado comunista, unindo o sul e o norte do país. Inicialmente a participação americana se restringe a ajuda econômica e militar (conselheiros e material bélico). Em agosto de 1964, o congresso americano autoriza o presidente a lançar os EUA em guerra. Os Estados Unidos deixam de ser simples consultores do exército do Vietnã do Sul e entram num conflito traumático, que afetaria toda a política militar dali para frente. A morte de quase 60 mil jovens americanos e a humilhação imposta pela derrota do Sul em 1975, dois anos depois da retirada dos Estados Unidos, moldou a estratégia futura de evitar guerras que impusessem um custo muito alto de vidas americanas e nas quais houvesse inimigos difíceis de derrotar de forma convencional, como os vietcongues e suas táticas de guerrilhas;

1962 - Laos - Militares americanos invadem e ocupam o Laos durante guerra civil contra guerrilhas do Pathet Lao;

1964 - Panamá - Militares americanos invadiram mais uma vez o Panamá e mataram 20 estudantes, ao reprimirem a manifestação em que os jovens queriam trocar, na zona do canal, a bandeira americana pela bandeira de seu país;

1965/1966 - República Dominicana - Trinta mil fuzileiros e pára-quedistas desembarcaram na capital do país, São Domingo, para impedir a nacionalistas panamenhos de chegarem ao poder. A CIA conduz Joaquín Balaguer à presidência, consumando um golpe de estado que depôs o presidente eleito Juan Bosch. O país já fora ocupado pelos americanos de 1916 a 1924;

1966/1967 - Guatemala - Boinas Verdes e marines invadem o país para combater movimento revolucionário contrário aos interesses econômicos do capital americano;

1969/1975 - Camboja - Militares americanos enviados depois que a Guerra do Vietnã invadem e ocupam o Camboja;

1971/1975 - Laos - EUA dirigem a invasão sul-vietnamita bombardeando o território do vizinho Laos, justificando que o país apoiava o povo vietnamita em sua luta contra a invasão americana;

1975 - Camboja - 28 marines americanos são mortos na tentativa de resgatar a tripulação do petroleiro estadunidense Mayaquez;

1980 - Irã - Na inauguração do estado islâmico formado pelo Aiatolá Khomeini, estudantes que haviam participado da Revolução Islâmica do Irã ocuparam a embaixada americana em Teerã e fizeram 60 reféns. O governo americano preparou uma operação militar surpresa para executar o resgate, frustrada por tempestades de areia e falhas em equipamentos. Em meio à frustrada operação, oito militares americanos morreram no choque entre um helicóptero e um avião. Os reféns só seriam libertados um ano depois do seqüestro, o que enfraqueceu o então presidente Jimmy Carter e elegeu Ronald Reagan, que conseguiu aprovar o maior orçamento militar em época de paz até então;

1982/1984 - Líbano - Estados Unidos invadiram o Líbano e se envolveram nos conflitos no país logo após a invasão por Israel - e acabaram envolvidos na guerra civil que dividiu o país. Em 1980, os americanos supervisionaram a retirada da Organização pela Libertação da Palestina de Beirute. Na segunda intervenção, 1.800 soldados integraram uma força conjunta de vários países, que deveriam restaurar a ordem após o massacre de refugiados palestinos por libaneses aliados a Israel. O custo para os americanos foi a morte 241 fuzileiros navais, quando os libaneses explodiram um carro bomba perto de um quartel das forças americanas;

1983/1984 - Ilha de Granada - Após um bloqueio econômico de quatro anos a CIA coordena esforços que resultam no assassinato do 1º Ministro Maurice Bishop. Seguindo a política de intervenção externa de Ronald Reagan, os Estados Unidos invadiram a ilha caribenha de Granada alegando prestar proteção a 600 estudantes americanos que estavam no país, as tropas eliminaram a influência de Cuba e da União Soviética sobre a política da ilha;

1983/1989 - Honduras - Tropas enviadas para construir bases em regiões próximas à fronteira invadem o Honduras;

1986 - Bolívia - Exército invade o território boliviano na justificativa de auxiliar tropas bolivianas em incursões nas áreas de cocaína;

1989 - Ilhas Virgens - Tropas americanas desembarcam e invadem as ilhas durante revolta do povo do país contra o governo pró-americano;

1989 - Panamá - Batizada de Operação Causa Justa, a intervenção americana no Panamá foi provavelmente a maior batida policial de todos os tempos: 27 mil soldados ocuparam a ilha para prender o presidente panamenho, Manuel Noriega, antigo ditador aliado do governo americano. Os Estados Unidos justificaram a operação como sendo fundamental para proteger o Canal do Panamá, defender 35 mil americanos que viviam no país, promover a democracia e interromper o tráfico de drogas, que teria em Noriega seu líder na América Central. O ex-presidente cumpre prisão perpétua nos Estados Unidos.

1990 - Libéria - Tropas invadem a Libéria justificando a evacuação de estrangeiros durante guerra civil;

1990/1991 - Iraque - Após a invasão do Iraque ao Kuwait, em 2 de agosto de 1990, os Estados Unidos, com o apoio de seus aliados da Otan, decidem impor um embargo econômico ao país, seguido de uma coalizão anti-Iraque (reunindo além dos países europeus membros da Otan, o Egito e outros países árabes) que ganhou o título de "Operação Tempestade no Deserto". As hostilidades começaram em 16 de janeiro de 1991, um dia depois do fim do prazo dado ao Iraque para retirar tropas do Kuwait. Para expulsar as forças iraquianas do Kuwait, o então presidente George Bush destacou mais de 500 mil soldados americanos para a Guerra do Golfo;

1990/1991 - Arábia Saudita - Tropas americanas destacadas para ocupar a Arábia Saudita que era base militar na guerra contra Iraque;

1992/1994 - Somália - Tropas americanas, num total de 25 mil soldados, invadem a Somália como parte de uma missão da ONU para distribuir mantimentos para a população esfomeada. Em dezembro, forças militares norte-americanas (comando Delta e Rangers) chegam a Somália para intervir numa guerra entre as facções do então presidente Ali Mahdi Muhammad e tropas do general rebelde Farah Aidib. Sofrem uma fragorosa derrota militar nas ruas da capital do país;

1993 - Iraque - No início do governo Clinton é lançado um ataque contra instalações militares iraquianas em retaliação a um suposto atentado, não concretizado, contra o ex-presidente Bush, em visita ao Kuwait;

1994/1999 - Haiti - Enviadas pelo presidente Bill Clinton, tropas americanas ocuparam o Haiti na justificativa de devolver o poder ao presidente eleito Jean-Betrand Aristide, derrubado por um golpe, mas o que a operação visava era evitar que o conflito interno provocasse uma onda de refugiados haitianos nos Estados Unidos;

1996/1997 - Zaire (ex-República do Congo) - Fuzileiros Navais americanos são enviados para invadir a área dos campos de refugiados Hutus;

1997 - Libéria - Tropas dos Estados Unidos invadem a Libéria justificando a necessidade de evacuar estrangeiros durante guerra civil sob fogo dos rebeldes;

1997 - Albânia - Tropas invadem a Albânia para evacuar estrangeiros;

2000 - Colômbia - Marines e "assessores especiais" dos EUA iniciam o Plano Colômbia, que inclui o bombardeamento da floresta com um fungo transgênico fusarium axyporum (o "gás verde");

2001 - Afeganistão - Os EUA bombardeiam várias cidades afegãs, em resposta ao ataque terrorista ao World Trade Center em 11 de setembro de 2001. Invadem depois o Afeganistão onde estão até hoje;

2003 - Iraque - Sob a alegação de Saddam Hussein esconder armas de destruição e financiar terroristas, os EUA iniciam intensos ataques ao Iraque. É batizada pelos EUA de "Operação Liberdade do Iraque" e por Saddam de "A Última Batalha", a guerra começa com o apoio apenas da Grã-Bretanha, sem o endosso da ONU e sob protestos de manifestantes e de governos no mundo inteiro. As forças invasoras americanas até hoje estão no território iraquiano, onde a violência aumentou mais do que nunca.


* Na América Latina, África e Ásia, os Estados Unidos invadiam países ou para depor governos democraticamente eleitos pelo povo, ou para dar apoio a ditaduras criadas e montadas pelos Estados Unidos, tudo em nome da "democracia" (deles).

Nota do perfil "Porra Serra":
Como o levantamento acabou em 2007, acrescentei:
2011 - Líbia
Ataques norteamericanos com VANTS (Veículos Aérios Não Tripulados): Síria, Iêmen, Paquistão, Somália, Irã, Afeganistão e Iraque.

terça-feira, setembro 11, 2012

MUNDO: Ex-agente americano explica como os EUA escravizam e dominam outros países

Ex-agente americano explica como os Estados Unidos escravizam e dominam outros países, no filme Zeitgeist Adenddum.

É importante notar como esse processo sugere como foram derrubados vários governos populares no Leste Europeu e como foi estabelecida a ditadura fascista no Brasil. Diferente de outros vídeos que pretensamente trazem "a verdade revelada por ex-agentes do KGB", este agente não reside em nenhum país socialista, anti-imperialista ou é por esses financiado, devendo o seu depoimento ser tomado por espontâneo e revelador.

MUNDO: Toda ação tem uma reação


BRASIL: ONG é proibida de dar livros em viaduto de São Paulo

Extraído de http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/agencia-estado/2012/09/11/ong-e-proibida-de-dar-livro-em-viaduto-de-sao-paulo.htm

A organização não-governamental Educa São Paulo havia programado para a manhã de segunda-feira (10), a distribuição de cerca de 8.000 livros, entre obras de literatura brasileira, livros infantis e gibis, no Viaduto do Chá, região central. A intenção era, além de incentivar a leitura, protestar contra o abandono das bibliotecas da cidade, que, segundo o presidente da ONG, Devanir Amâncio, "têm livros, mas não têm leitores."


Uma perua Kombi estacionou no Viaduto do Chá por volta das 23h de domingo (9) para organizar e separar os títulos por autor e gênero, mas foram impedidos. Quatro guardas-civis metropolitanos disseram para os integrantes da ONG que eles deveriam ter autorização da prefeitura para realizar a distribuição. "Eles disseram que estavam em alerta, esperando pela ação, e que a ordem era impedir", disse Amâncio.
A iniciativa, intitulada Bienal Relâmpago, agora será transformada em Bienal Móvel. Segundo Amâncio, duas Kombis - equipadas com aparelhos de som e faixas - percorrerão locais movimentados da região central da cidade oferecendo livros às pessoas. "Devemos começar ainda pela região do Viaduto do Chá, porque ali é área de Zona Azul e, se pagarmos, podemos estacionar por um tempo para distribuir os livros."
Ainda sem itinerário ou data marcada para a ação, Amâncio disse que é provável que a distribuição seja realizada neste sábado. Segundo ele, os livros foram doados por moradores da cidade. "Os próximos gestores têm de oferecer uma política eficiente de incentivo à leitura, para que as bibliotecas não sejam depósitos de livros como são hoje." As informações são do jornal "O Estado de S.Paulo".

sexta-feira, setembro 07, 2012

BRASIL: Os menores e mais ignóbeis nomes do Brasil

Por Cristiano Alves

Concurso promovido pelo Sistema Brasileiro de Televisão SBT distorce o entendimento do brasileiro acerca da cultura e história do Brasil

Há algum tempo foi lançado um concurso chamado "O maior brasileiro de todos os tempos". Longe do que alguns imaginam, esse concurso não é uma "ideia original do SBT", mas até aí tudo bem, Maquiavel já dizia em "O Príncipe", que a história tem poucos originais, e que o homem tende a copiar aquilo que faz sucesso. Assim, pode-se o concurso "O maior nome" teve um grande sucesso nos países onde ele foi feito, especialmente no Reino Unido, Rússia e Ucrânia. Nesses países foram julgados nomes de relevância, que deram alguma contribuição significativa para que o nome do país fosse lembrado ao longo dos tempos, sempre indivíduos que já haviam falecido, a fim de aprofundar a investigação histórica, a pesquisa e de evitar que nomes que hoje exercem grande popularidade sobrepujassem o daqueles que efetivamente fizeram ecoar a imagem do país. Após a escolha dos nomes mais votados, foi feito um debate televisivo similar a um debate presidencial. No Brasil, entretanto, tudo se deu de modo bem diferente.

A televisão aberta brasileira é conhecida pelo seu papel anticultural, desinformativo e alienador, seus empresários preferem exibir em horário vespertino programas onde crianças rebolam suas nádegas em torno de garrafas que são claramente uma representação do falo, ao invés de exibir, por exemplo, um programa onde um professor tenta difundir a música erudita. Essa prática abominável e nefasta afronta claramente a lei brasileira, em especial a Carta Magna, que enumera como um dos princípios que norteiam a programação televisiva em seu artigo 221:

        I- preferência a finalidades educativas, artísticas, culturais e informativas;
       II- promoção da cultura nacional e regional e estímulo à produção independente que objetive sua divulgação;
      III- regionalização da produção cultural, artística e jornalística, conforme percentuais estabelecidos em lei;
      IV- respeito aos valores éticos e sociais da pessoa e da família.

Ainda, segundo a "Lei da Televisão"(nº 32/2003), em seu artigo 10º, esta deve "favorecer a criação de hábitos de convivência cívica própria de um Estado Democrático" e "promover a cultura e a língua portuguesas e os valores que exprimem a identidade nacional". Se num programa que visa escolher "o maior brasileiro de todos os tempos" a criadora, ou melhor "animadora" de uma canção do tipo "o seu amor é canibal" sai na frente do criador da "ópera sobre o canibal"(como foi anunciada, erroneamente, por um garoto na Itália antes da apresentação da maior ópera brasileira, Il Guarany), Carlos Gomes, é por que há algo de errado com os valores transmitidos pela mídia e pelo sistema educacional brasileiro. E o que dizer da animadora Cláudia Leite(75º) ter conseguido mais votos do que o cantor e renomado compositor Chico Buarque(84º), cujas composições falam de períodos difíceis da história do brasileiro, do cotidiano do trabalhador oprimido, explorado e de nossa cultura? Tamanho é o desserviço promovido pelo concurso, que enquanto nomes como Anderson Silva(90º, setenta posições atrás do futebolista Neymar, que jamais ganhou nada em nível internacional), cujo mérito como atleta e lutador é inegável; sequer aparecem na lista nomes como o lendário revolucionário Gregório Bezerra, quase um "Che Guevara tupiniquim", que pegou em armas para lutar por justiça social, assaltando sozinho um quartel da polícia da cidade de Natal, no Rio Grande do Norte, lutando até o último cartucho de munição, até sair ferido e conduzido ao hospital, ajudando a estabelecer a primeira república popular, efêmera, na América Latina, na capital potiguar, tendo ainda lutado em armas contra a ditadura fascista estabelecida em 1964, sendo por isso preso até o final de sua vida, o que lhe valeu uma comparação com Nelson Mandela. Como explicar Michel Teló em 72º lugar e Tom Jobim, um dos patriarcas da bossa nova e divulgador internacional da verdadeira música popular brasileira em 89º lugar? Como explicar Maria da Penha, paladina da luta contra a violência doméstica misógina, em 100º lugar, enquanto Xuxa, ex-estrela de um filme de pornografia infantil, está em 40º lugar? E o que dizer do palhaço Tiririca(48º) ter recebido mais votos que o renomado escritor e poeta Carlos Drummond de Andrade(52º)? Ou ainda do padre Cícero(32º), agente dos nefastos coronéis cearenses, que mesmo cooptou o cangaceiro Lampião(74º) para combater a coluna revolucionária de Luís Carlos Prestes(76º), com mais votos que o bispo Dom Helder Câmara(37º), que não apenas questionou e combateu a miséria no Brasil, como levantou a voz contra a ditadura fascista no país? Como se não fosse pouca a ignorância histórica, ela também é notável no plano econômico, uma vez que Eike Batista(21º), cujo principal "mérito" é ser o homem mais rico do Brasil e um dos 10 mais ricos do mundo segundo a revista Forbes, conseguiu o incrível feito de estar melhor colocado que o Visconde de Mauá(45º), economista e banqueiro que teve um importante papel na fundação do primeiro Banco do Brasil, uma das mais bem sucedidas empresas que o Brasil já teve, na construção da primeira fundição no Brasil, e das primeiras ferrovias, isto é, da inserção do nosso país na Idade Contemporânea, sendo ainda um pioneiro do empreendedorismo no país. Quantos empresários brasileiros nos dias atuais financiam a construção de sistemas ferroviários, um quesito indispensável para qualquer país que quer fazer parte do século XXI?

Longe de demonstrar "o maior brasileiro de todos os tempos", o concurso lançado pelo Sistema Brasileiro de Televisão consegue mostrar os mais ignóbeis brasileiros de todos os tempos, que são aqueles que banalizam um meio de comunicação tão significativo como a televisão, aqueles que, sem nenhum critério, transformam um concurso sério, que diz respeito à identidade nacional de um povo, num verdadeiro circo sem qualquer caráter cultural ou educativo. Os menores são certamente aqueles que são mantidos num estado de ignorância ou que, voluntariamente, negligenciam sua própria identidade em favor de um culto da personalidades de nomes insignificantes, que em nada contribuem para o Brasil, senão para divulgar fora dele uma imagem de "povo festeiro e desinteressado pelo seu próprio país", que é justamente a imagem ideal para os exploradores do Brasil, que dele retiram o que bem querem, que "podem explodir o país e ainda serem agradecidos por fazê-lo". Até quando o Brasil seguirá a máxima de De Gaulle, segundo o qual "não somos um país sério"? Melhor seria escolher como o "maior brasileiro de todos os tempos" Jorge Amado, não apenas por ter sido um grande escritor cujas obras foram publicadas em mais de 55 idiomas, vencedor de diversas premiações no Brasil e fora dele, mas sobretudo por expor, de forma realista, um retrato fiel do povo brasileiro, miserável materialmente e intelectualmente, sensual e dominado por uma burguesia nefasta traidora dos interesses nacionais em nome de sua posição aristocrática. Título justo, não?


quinta-feira, setembro 06, 2012

BRASIL: Entrevista a Ivan Pinheiro, secretário-geral do PCB

Por Dick e Miriam Emanuelsson

Em entrevista a jornalista sueco, líder comunista brasileiro adverte: "O Brasil não é socialista e nem caminha em direção ao socialismo"


sexta-feira, agosto 31, 2012

REFLEXÃO

Por Twylla Ferraz

Racismo, preconceito e discriminação são situações distintas.
Você, branco, por ouvir RAP, dançar Samba Rock e usar dred NÃO é mais preto que o preto que ouve rock, não dança e alisa o cabelo.
Não é pelo fato de andar de calça bag e camisa do Corinthians, que a sua abordagem policial vai ser igual a de um preto, mesmo que esse esteja de terno voltando da universidade.
Não, você não deixa de ser racista ao me chamar de macaco e cabelo duro SÓ de "brincadeira".
Ter uma empregada é preta também não te faz menos racista.
Ter um namorado/marido/peguete/amigo preto também não te faz menos racista.
Pretos não são os mais racistas.

VOCÊ É RACISTA E NÃO SABE!

domingo, agosto 26, 2012

BRASIL: Estagiária negra é forçada a alisar o cabelo para preservar "boa aparência"

De São Paulo, da Radioagência NP, Jorge Américo, com Geledés
Publicado em http://www.pragmatismopolitico.com.br/2011/12/estagiaria-negra-e-forcada-alisar.html

‘O padrão daqui é cabelo liso’, disse a patroa.
A estagiária Ester Elisa da Silva Cesário acusa seus superiores de perseguição e racismo. Conforme Boletim de Ocorrência registrado no dia 24 de novembro, na Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi) de São Paulo, ela teria sido forçada a alisar o cabelo para manter a “boa aparência”. A diretora do Colégio Internacional Anhembi Morumbi ainda teria prometido comprar camisas mais compridas para que a funcionária escondesse os quadris.
Ester conta que foi contratada no dia 1º de novembro de 2011, para atuar no setor de marketing e monitorar visitas de pais interessados em matricular seus filhos no colégio, localizado no bairro do Brooklin, na cidade de São Paulo. A estagiária afirma ter sido convocada para uma conversa na sala da diretora, identificada como professora Dea de Oliveira. Nos dias anteriores, sempre alguém mandava recado para que prendesse o cabelo e evitasse circular pelos corredores.
“Ela disse: ‘como você pode representar o colégio com esse cabelo crespo? O padrão daqui é cabelo liso’. Então, ela começou a falar que o cabelo dela era ruim, igual o meu, que era armado, igual o meu, e ela teve que alisar para manter o padrão da escola.”
Além das advertências, Ester afirma ter sofrido ameaças depois de revelar o conteúdo da conversa aos demais funcionários do colégio. Eles teriam demonstrado solidariedade ao perceber que a estagiaria estava em prantos no banheiro.
“Depois disso, eu me vesti para ir embora e, quando estava saindo, ela me parou na porta e disse: ‘cuidado com o que você fala por aí porque eu tenho vinte anos aqui no colégio e você está começando agora. A vida é muito difícil, você ainda vai ouvir muitas coisas ruins e vai ter que aguentar’.”

Colégio se defende
Após contato da reportagem, um funcionário indicado pela Direção do Anhembi Morumbi informou que a instituição não recebeu nenhuma notificação sobre o registro do Boletim de Ocorrência. Ele negou a existência de preconceito e se limitou a dizer que “o colégio zela pela sua imagem e, ao pregar a ‘boa aparência’, se refere ao uso de uniformes e cabelo preso”.
A advogada trabalhista Carmen Dora de Freitas Ferreira, que ministra cursos no Geledés – Instituto da Mulher Negra – assegura que a expressão “boa aparência” é usada frequentemente para disfarçar preconceitos.
“Não está escrito isso, mas quando eles dizem ‘boa aparência’, automaticamente estão excluindo negros, afrodescendentes e indígenas. O padrão é mulher loira, alta, magra, olhos claros. É isso que querem dizer com ‘boa aparência’. E excluir do mercado de trabalho por esse requisito é muito doloroso, afronta a Lei, afronta a Constituição e afronta os direitos humanos.”
Métodos conhecidos
De acordo com o depoimento da estagiária, as ofensas se deram em um local reservado. A advogada explica que essa prática é comum no ambiente de trabalho, além de ser sempre premeditada.
“O assediador sempre espera o momento em que a vítima está sozinha para não deixar testemunhas, mas as marcas são profundas. O preconceito é tão danoso, que ele nega direitos fundamentais, exclui, coloca estigmas, e a pessoa se sente humilhada, violentada. Quando o assediador percebe a extensão do dano, ele tenta minimizar, dizendo ‘não foi bem assim, você me interpretou errado, eu não sou discriminador, na minha família, a minha avó era negra’.”
Ester ainda afirma que teria sido pressionada a deixar o trabalho, ao relatar o ocorrido a uma conselheira do Colégio. Como decidiu permanecer, passou a ser vigiada constantemente por colegas.
“Eu estou lá e consegui passar numa entrevista porque sou qualificada para o cargo, mas ela não viu isso. Ela quis me afrontar e conseguiu abalar as minhas estruturas emocionais a ponto de eu me sentir um lixo e ficar dois dias trancada dentro de casa sem comer e sem beber. Você pensa em suicídio, se vê feia, se sente um monstro.”
Sequelas e legislação
Ester revela que as situações vividas no trabalho mexeram com sua auto-estima e também provocaram grande impacto nos estudos e no convívio social.
“Desde que isso aconteceu, eu não consigo mais soltar o cabelo. Quando estou na presença dela eu me sinto inferior, fico com vergonha, constrangida, de cabeça baixa. É a única reação que eu tenho pela afronta e falta de respeito em relação a mim e à minha cor.”

O Boletim de Ocorrência foi registrado como prática de “preconceito de raça ou de cor”. A Lei Estadual nº 14.187/10 prevê punição a “todo ato discriminatório por motivo de raça ou cor praticado no Estado por qualquer pessoa, jurídica ou física”. Se comprovado o crime, os infratores estarão sujeitos a multas e à cassação da licença estadual para funcionamento.