quarta-feira, novembro 07, 2012
segunda-feira, novembro 05, 2012
ATUALIDADES
O que é meritocracia?
Fonte: Canal O fantástico mundo de Clarion
http://www.youtube.com/user/ClarionDeLaffalot
Fonte: Canal O fantástico mundo de Clarion
http://www.youtube.com/user/ClarionDeLaffalot
PM: concorrente do crime organizado no extermínio de trabalhadores
Coletânea de reportagens sobre chacinas praticadas pela Polícia Militar
Recentemente, os veículos midiáticos dos exploradores do povo tem feito uma campanha de solidariedade à Polícia Militar, mostrando policiais assassinados, muitos de forma covarde. Embora muitos policiais sejam cidadãos honestos, que cumprem corretamente o seu dever, muitos, em vez de serem mantenedores da lei, são meros fascistas fardados que impõem o terror sobre trabalhadores, estudantes e que também apreendem materiais de jornalistas e populares que flagram nítidas atrocidades cometidas pela organização. Atuando por vezes em conluio com o tráfico ou como a "SS" de "coronéis" políticos, esta é a Polícia Militar que os grandes jornais não mostram, uma instituição perpetradora da tortura, do homicídio, do racismo e da repressão autoritária:
Infanticídio de crianças pobres pela Polícia Militar
http://www.anovademocracia.com.br/no-56/2368-policia-genocida-do-rio-atira-contra-criancas
Assassinato de jovens pela PM-RJ
http://www.anovademocracia.com.br/no-99/4364-pm-do-rio-assassina-mais-um-jovem
Chacina de trabalhadores promovida pela PM-BA
http://www.anovademocracia.com.br/no-99/4364-pm-do-rio-assassina-mais-um-jovem
Advogado é atacado por filmar o que a PM sabe fazer melhor: reprimir movimentos sociais
http://www.youtube.com/watch?v=-sGQD-aqfwQ
Jovem trabalhador é brutalmente torturado por policiais nazistas da PM-PR
http://feab.wordpress.com/2012/10/31/policiais-torturam-jovem-negro-com-choques-nos-genitais-e-na-lingua-oab-denuncia-barbarie/
Chacina de pobres para uso político pela PM-SP
http://www.anovademocracia.com.br/no-99/4362-centenas-de-pobres-sao-executados-em-sao-paulo
Artigo sobre a repressão da PM-SP na USP:
http://www.cartacapital.com.br/sociedade/o-que-esta-por-tras-da-presenca-da-pm-na-usp/
Policiais de Açailândia reprimem e espancam morador de rua
http://www.youtube.com/watch?v=DLjj6SAiERU
PM preso por tráfico de drogas
http://www.youtube.com/watch?v=0ytvmlbexts
PMs prestando "consultoria de risco" em São Paulo
http://g1.globo.com/brasil/noticia/2012/04/policiais-corruptos-viram-consultores-de-risco-em-sp.html
Tortura praticada pela PM na Paraíba:
http://g1.globo.com/pb/paraiba/noticia/2012/11/justica-decreta-prisao-de-policiais-indiciados-por-tortura-na-paraiba.html
Repressão de moradores na ocupação de Pinheirinho, em São Paulo
http://pt.globalvoicesonline.org/2012/01/24/brasil-pinheirinho-massacre/
Policiais mineiros atacam família negra e agridem empresário(no Brasil o negro, de bermuda ou gravata, é sempre suspeito)
http://www.youtube.com/watch?v=pc5PmhjgEbQ
...agora compare com o tratamento dado a uma jovem de classe média branca:
http://www.youtube.com/watch?v=_LK5RdYbSZ0
Todas essas vítimas tem algo em comum. Elas não recebem nem metade da atenção que a mídia de massa emprega para vitimizar PMs assassinados. Uma organização que quer ter respeito tem que dar respeito, o que não se vê em muitos casos!
Recentemente, os veículos midiáticos dos exploradores do povo tem feito uma campanha de solidariedade à Polícia Militar, mostrando policiais assassinados, muitos de forma covarde. Embora muitos policiais sejam cidadãos honestos, que cumprem corretamente o seu dever, muitos, em vez de serem mantenedores da lei, são meros fascistas fardados que impõem o terror sobre trabalhadores, estudantes e que também apreendem materiais de jornalistas e populares que flagram nítidas atrocidades cometidas pela organização. Atuando por vezes em conluio com o tráfico ou como a "SS" de "coronéis" políticos, esta é a Polícia Militar que os grandes jornais não mostram, uma instituição perpetradora da tortura, do homicídio, do racismo e da repressão autoritária:
Infanticídio de crianças pobres pela Polícia Militar
http://www.anovademocracia.com.br/no-56/2368-policia-genocida-do-rio-atira-contra-criancas
Assassinato de jovens pela PM-RJ
http://www.anovademocracia.com.br/no-99/4364-pm-do-rio-assassina-mais-um-jovem
Chacina de trabalhadores promovida pela PM-BA
http://www.anovademocracia.com.br/no-99/4364-pm-do-rio-assassina-mais-um-jovem
Advogado é atacado por filmar o que a PM sabe fazer melhor: reprimir movimentos sociais
http://www.youtube.com/watch?v=-sGQD-aqfwQ
Jovem trabalhador é brutalmente torturado por policiais nazistas da PM-PR
http://feab.wordpress.com/2012/10/31/policiais-torturam-jovem-negro-com-choques-nos-genitais-e-na-lingua-oab-denuncia-barbarie/
Chacina de pobres para uso político pela PM-SP
http://www.anovademocracia.com.br/no-99/4362-centenas-de-pobres-sao-executados-em-sao-paulo
Artigo sobre a repressão da PM-SP na USP:
http://www.cartacapital.com.br/sociedade/o-que-esta-por-tras-da-presenca-da-pm-na-usp/
Policiais de Açailândia reprimem e espancam morador de rua
http://www.youtube.com/watch?v=DLjj6SAiERU
PM preso por tráfico de drogas
http://www.youtube.com/watch?v=0ytvmlbexts
PMs prestando "consultoria de risco" em São Paulo
http://g1.globo.com/brasil/noticia/2012/04/policiais-corruptos-viram-consultores-de-risco-em-sp.html
Tortura praticada pela PM na Paraíba:
http://g1.globo.com/pb/paraiba/noticia/2012/11/justica-decreta-prisao-de-policiais-indiciados-por-tortura-na-paraiba.html
Repressão de moradores na ocupação de Pinheirinho, em São Paulo
http://pt.globalvoicesonline.org/2012/01/24/brasil-pinheirinho-massacre/
Policiais mineiros atacam família negra e agridem empresário(no Brasil o negro, de bermuda ou gravata, é sempre suspeito)
http://www.youtube.com/watch?v=pc5PmhjgEbQ
...agora compare com o tratamento dado a uma jovem de classe média branca:
http://www.youtube.com/watch?v=_LK5RdYbSZ0
Todas essas vítimas tem algo em comum. Elas não recebem nem metade da atenção que a mídia de massa emprega para vitimizar PMs assassinados. Uma organização que quer ter respeito tem que dar respeito, o que não se vê em muitos casos!
sábado, novembro 03, 2012
Brasil, um país racista
Coletânea de notícias que quebra o mito da "igualdade racial" e de "Brasil tolerante":
Advogada denuncia racismo
Universitários angolanos exterminados por serem negros, em São Paulo
Estudantes africanos são chamados de macaco e fuzilados
Racismo contra africanos na UNESP: "Sem cotas para animais da África"
Racismo e mensagens de ódio contra coreanos em São Paulo
Blogueiro anticomunista, racista e homofóbico é preso pela PF
Blogueiros anticomunistas e misóginos no Jornal Nacional
Médica perde o voo e insulta o funcionário da Gol por este ser negro
Racismo contra judoca olímpica
Vídeo antirracista
Reportagem da BBC com uma abordagem do racismo brasileiro
Estagiária negra é forçada a alisar o cabelo
Artigo sobre o racismo no Brasil
Apologia do extermínio de nordestinos após as eleições de 2010
Estagiária negra é chamada de macaca
Na Bahia, caixa de supermercado é chamada de "negra burra" e agressora se diz "vítima"
Humor segregacionista em estilo americano dos anos 20
Racismo na Zorra Total ridiculariza a mulher negra
Violência contra negros em Alagoas
Regina Duarte contra os índios
Artigo sobre o preconceito sofrido pela comunidade indígena
Agressão sofrida no Shopping da Barra
Reportagem do jornalista Roberto Cabrini sobre o racismo no Brasil(4 partes)
Parte II - http://www.youtube.com/watch?v=S3Bb1Bjcz2I
Parte III - http://www.youtube.com/watch?v=Bt89EGE_DVM
Parte IV - http://www.youtube.com/watch?v=nTsw9M2VC6U
Estudantes congoleses são parados e quase fuzilados pela PM/RS por falar francês em ônibus
Comentário: E aí, quem vai dizer ainda que "no Brasil não existe racismo"? Que "a maior vítima de racismo no Brasil são os brancos" ou que cotas são "Afrocoitadismo"? O que mais é necessário para escancarar ainda mais a realidade racista brasileira, um Partido Nazista no poder?
O capitalismo promove justiça?
Nos Estados Unidos, país mais capitalista do mundo, os 400 americanos mais ricos recebem o mesmo que 180 milhões de americanos(mais da metade). Por que não vemos isso todos os dias na mídia de massa? Por que essa é dominada por esses 400 mais ricos nos EUA!
segunda-feira, outubro 01, 2012
LIVROS
Etnocentrismo, russofobia e impulso anticomunista de Eric J. Hobsbawm em A Era dos Extremos
Por Cristiano Alves
No dia do falecimento de Eric Hobsbawm, A Página Vermelha republica a morte de suas ideias. A Página Vermelha identificou na obra do dito "renomado historiador marxista" uma série de falsificações em "A Era dos Extremos" que vão desde a desinformação a respeito do sistema político soviético até russofobia e etnocentrismo
É muito comum ouvir o nome de Hobsbawm nos quatro cantos do mundo acadêmico, especialmente em faculdades de História. Sua obra é recomendada num dos mais bem conceituados concursos do Brasil, o da carreira diplomática, cujo programa recomenda as "Eras" do autor nascido no Egito de nacionalidade britânica. De fato, muitos o vêem como "a última palavra em História", uma espécie de guru para alguns, e homem influente da chamada "esquerda verdadeira", isto é, esquerdistas que se autoproclamam, abertamente ou não, a "última palavra em termos de marxismo"; o que pesa ainda mais em razão da militância deste no PCGB, isto é, o Partido Comunista da Grã-Bretanha. A verdade, entretanto, e a intenção de repassá-la nem sempre é um elemento contido nos livros de Eric John Hobsbawm, devendo ser esta buscada e espalhada, a fim de que novos erros não venham a ser repetidos e mentiras possam ser destruídas como uma muralha que impede a todos de ver a verdade.
A Era dos Extremos, assim como várias outras obras de Hobsbawm, é uma referência para muita gente no tocante à história do século XX, independente de suas visões políticas, de modo tal que o historiador britânico consegue congregar num mesmo universo "esquerdistas" e conservadores, sendo classificado como tal por ambos os grupos. O próprio título do livro é tendencioso, pois ele infere, implicitamente(e é necessário ler todo o livro para perceber isso), que a "Era dos Extremos" é uma era de "extrema-esquerda" e "extrema-direita", que teriam influenciado fortemente o mundo em que vivemos. Não é nenhum segredo que tais tendências existem, entretanto, para Hobsbawm a "extrema-esquerda" nada mais é do que a tendência apresentada pela União Soviética e outros países que efetivamente buscaram o socialismo em seus países, diferente do PCGB, que apenas o faz verbalmente. Para Hobsbawm as idéias de Lenin e Stalin são ideias de "extrema-esquerda" e um trecho do livro que corrobora bem esta tese está no capítulo "O socialismo real"(página 363). Este capítulo traz uma vasta pesquisa a respeito do socialismo em alguns países da Cortina de Ferro, porém negligenciando que nem todos esses Estados de "orientação marxista" eram necessariamente Estados Socialistas, porém Repúblicas Populares, assim como comete um leve deslize ao negligenciar a defesa que Marx fazia da Economia Planificada e Centralizada, esta defendida pelo filósofo alemão já em O Manifesto Comunista. Até aí, nenhum problema, o autor inclusive faz uma aguçada análise que vai de encontro à do historiador belga Ludo Martens no tocante ao nome de Nikolay Buharin, que Hobsbawm acertadamente identifica como um "proto-Gorbatchov"1.
Segundo William Bland, marxista britânico, "antistalinismo" é anticomunismo, uma vez que o primeiro nada mais é do que uma forma de atacar não o homem I. V. Stalin, porém a sua obra no primeiro Estado Socialista da história, cujo trabalho seguiu praticamente à risca os escritos de Karl Heinrich Marx. Esse antistalinismo é o grande tótem de Hobsbawm. Ao falar de Stalin, cujo governo levou a Rússia da era do arado para a era da energia nuclear(então a mais avançada forma de tecnologia da época), nas palavras do próprio Winston Churchill, também britânico, Hobsbawm não esconde o seu impulso contra o ex-sapateiro georgiano, introduzindo-o como um "autocrata de ferocidade, crueldade e falta de escrúpulos exepcionais que para muitos eram "únicas"2. Essa visão, entretanto, pode ser facilmente refutada por uma série de autores que vai desde sua filha Svetlana na consagrada obra "Vinte cartas a um amigo", até o historiador Simon Sebag Montefiore(também britânico), autor de "O jovem Stalin", livro que fora sucesso de vendas na Europa ao demonstrar um lado desconhecido do líder soviético, um poeta do Cáucaso. Deve ser lembrado aqui que esse mesmo senhor Montefiore, em uma de suas obras, insinua que "a mãe de Stalin era prostituta, uma vez que era muito pobre e provavelmente não vivia bem apenas lavando roupas"(em poucas palavras, para S. Montefiore, Stalin era literalmente um "filho da puta"), tal era o seu elitismo3.
A idéia de que "Stalin era um ditador"(termo que Hobsbawm substitui por "autocrata" para não cair em clichê), é objeto de onanismo político dos defensores do liberalismo econômico, do conservadorismo político e de outras ideias da classe dos exploradores do povo, além de ser objeto também de onanismo político da extrema-esquerda, que para Lenin era uma "doença infantil do comunismo"4. A idéia do "Stalin ditador absolutista", entretanto, é tão realista quanto um cavalo alado ou um leão falante, ela já foi esclarecida num diálogo de Stalin com Eugene Lyons5, que o entrevistou pessoalmente, e refutada por autores como William Bland, que estudou seu governo e até sua personalidade baseado no testemunho de pessoas que estiveram com ele. Os estudos de Bland demonstram que Stalin, premier soviético, tinha um poder menor do que o do Presidente dos Estados Unidos, no governo soviético. Enquanto este era o secretário-geral do PCUS e chefe do governo soviético(mas não de Estado), o soberano americano executava as duas funções. Essa limitação do poder de Stalin é mais tarde reconhecida inclusive por Harry Truman, líder americano, que durante as negociações relativas às áreas de influência na Europa mencionava que não se podia adotar por parâmetro as "decisões do Tio Joe"(nota: Stalin)6, em razão deste ser um "prisioneiro do Politburo". Essa versão é corroborada pelo professor Grover Furr, dos Estados Unidos, ampliada num debate com um professor do Reino Unido que deu origem a um importante texto a respeito, mostrando as limitações do governo de Stalin7. Este mesmo professor, em "Stalin e a luta pela reforma democrática"8, apresenta várias limitações da autoridade do líder georgiano e até apresenta um fato ignorado por praticamente todos os estudiosos do premier soviético, uma proposta sua de eleições diretas para os postos do governo soviético a ser incluída na Constituição de 1936, vetada pelos outros membros do Politburo. Grover Furr, tomando por base os estudos de um renomado historiador russo, o Dr. Yuri Júkov, alega ser uma mentira o mito de Stalin como "ditador todo-poderoso". Ainda, o líder albanês Enver Hodja afirmou que "Stalin não era um tirano, um déspota", mas "um homem de princípios"9. Sidney e Beatrice Webb, em "Soviet Communism: A New Civilisation", também rejeitam a idéia de que o Estado Soviético era governado por uma só pessoa10.
Refutada a idéia do "Stalin autocrata", é necessário questionar, investigar e fazer conclusões sobre a idéia do "Stalin cruel", adotando uma corrente que nada tem de "stalinista", mas de racionalista, mais próxima de Voltaire do que de Stalin. A imagem deste "Darth Vader vermelho", deste "Arthas de bigode", vendida por historiadores como Hobsbawm, cujo impulso antistalinista o leva a extremos, foi objeto de estudo do marxista-leninista britânico William Bland. Em seu documento "O culto do indivíduo"11, Bland demonstra que segundo o líder albanês Enver Hodja "Stalin era modesto e bastante gentil com as pessoas, os quadros e seus colegas", e segundo o embaixador dos Estados Unidos na União Soviética, Joseph Davies, citado no trabalho de Bland, Stalin era um "homem simples, de gestos agradáveis". Contrastando ainda com essa imagem, a filha do próprio Stalin, Svetlana Alilulyeva, descreve o líder soviético como um pai atencioso, amável. Segundo Georgiy Júkov, Marechal da União Soviética, "Stalin conquistava o coração de todos com quem conversava"12. Como se não bastassem essas declarações, o "cruel Stalin" jamais ordenara a prisão de Mihail Bulgákov, um escritor que pensava diferente do Estado Soviético e lhe era crítico, apreciava o talento de Maria Yudina, pianista considerada louca na URSS mas admirada por Stalin, e tinha por um de seus hobbies não a caça ou a pescaria, mas tão somente plantar árvores ou plantas de jardim, características incomuns num "sujeito cruel". Para alegar que "Stalin era cruel" é necessário comprovar tal alegação, por exemplo, com algum documento de Stalin que demonstrasse atos de crueldade, documentos que inexistem, tornando a alegação de Hobsbawm pura sofistaria.13
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| Stalin, segundo Eric Hobsbawm |
Não bastasse o impulso anti-Stalin de Hobsbawm, de dar inveja a qualquer propagandista do III Reich, Hobsbawm chega a mais um extremo ao alegar que "poucos homens manipularam o terror em escala mais universal". É questionável o porquê de Eric ter adicionado esta descrição, será que chamar de "cruel e autocrata" já não era suficiente para o britânico? É de se supor que esta afirmação tenha sido inserida como forma de "blindar" o autor de A Era dos Extremos contra possíveis alegações de "stalinista" por parte de seus editores ou mecenas burgueses. Um elogio de Hobsbawm ao Banco Mundial no referido livro pode ser indicativo de uma de suas fontes de financiamento. É comum que certos indivíduos confundam "amor a uma coisa" com "ódio por outra", usando-se do ódio como forma de demonstrar "apreço" por uma outra coisa, como Hitler na Alemanha, que sendo austríaco, usava o ódio contra eslavos, negros e judeus como forma de demonstrar um suposto "amor" pelo país, ou como o marido que bate na esposa como forma de mostrar que "a ama". Mais uma vez, essa tentativa desesperada de Hobsbawm de doutrinarnos com sua sofistaria através de uma linguagem de ódio vai por água abaixo ante os estudos do Dr. Yuri Júkov e do professor Grover Furr. Mesmo o discurso de Nikita Hruschov no XX Congresso do PCUS, que talvez conferissem alguma legitimidade ao historiador britânico foi provado como falso pelo professor americano em sua obra "Hruschov lied", que demonstra que 60 das 61 acusações de Hruschov em seu discurso no referido congresso são falsas, discurso que, diga-se de passagem, é ignorado por Eric Hobsbawm, mesmo sendo um dos discursos mais importantes do século XX, sua obra carece de qualquer investigação séria desse discurso e de sua veracidade. O professor Grover Furr, responsável por investigar e desmascarar o discurso fraudulento de Hruschov, demonstra como falsa a idéia de Stalin como "todo poderoso soviético", demonstrando que esse não exercia controle sobre o NKVD, órgão para a defesa da Revolução Bolchevique que nos anos 30 cometera sérios abusos de poder sob a direção de Genrih Yagoda e Nikolay Yejov, ambos exonerados, processados, julgados, condenados e executados, sendo este último substituído por Lavrenti Beria.
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| Adolf Hitler, o mais célebre dos anticomunistas. Em várias oportunidades deixou transparecer seu ódio contra Stalin |
Fazendo o papel de pícaro do marxismo a serviço de forças reacionárias, Hobsbawm descreve o crescimento do sistema soviético como o resultado de uma "força de trabalho de 4 e 13 milhões de pessoas prisioneiras(os gulags)", citando Van der Linden. Essa cifra absurda já foi contestada por uma vasta gama de autores e refutada pelos documentos desclassificados na época da Glasnost e assinados pelo Procurador-Geral da União Soviética R. Rudenko, o Ministro do Interior S. Kruglov e o Ministro da Justiça K. Gorshenin, que demonstram o número de cerca de 2 milhões de presos na URSS, um número inferior em termos absolutos e proporcionais ao número de presos nos EUA(que por volta de 2006 era de 7 milhões). Essa mesma tabela divulgada pelo governo anticomunista de M. Gorbatchov fora divulgada pelo sueco Mário Sousa14, por Alexander Dugin, Zemskov e Ludo Martens. Ela é a prova de que autores como Hobsbawm e outros de sua camarilha mentem deliberadamente quando o assunto é "União Soviética", algo que não se atrevem a fazer quando falam de seus próprios países, responsáveis pela morte de milhões de pessoas ao redor do mundo. Estima-se que a Grã-Bretanha, país de Hobsbawm, tenha provocado deliberadamente uma grande fome na Índia que matou cerca de 30 milhões de pessoas. Curiosamente, sua soberana, a Rainha Elizabeth II e seus primeiros-ministros, não recebem nem metade dos epítetos que o historiador lança furiosamente e irresponsavelmente sobre Stalin.
Adotando uma posição reacionária, Hobsbawm atribui como causa da fome na Ucrânia em 1932-33 a "coletivização da agricultura", medida adotada para promover a justiça social no campo e evitar a figura do kulak, o historiador britânico ignora completamente o papel destes na sabotagem da agricultura, do tifo e da seca, fatores abordados e detalhadamente pesquisados pelo historiador belga Ludo Martens15. Com muito pouca objetividade E. Hobsbawm descreve Stalin como um "homem pequenino", de "1,58", embora registros médicos o indicassem como tendo 1,71, e observações de Wallace Graham, médico de Harry Truman16, o indicasse como tendo a mesma altura de Hitler, isto é, por volta de 1,73, e fichas de informação do governo tzarista o descrevessem como tendo 1,74. Na página 386 da edição em português de seu livro, Hobsbawm, com seu anti-sovietismo e russofobia, descreve a URSS como sendo responsável pelo "saque" dos países então libertados pelo Exército Vermelho. Num ato de vilania, ele omite ao leitor que estes países libertados eram ex-aliados da Alemanha nazista que, juntos com esta, participaram do massacre de mais de 20 milhões de soviéticos, países como a Tchecoeslováquia, Hungria, Romênia e Bulgária, cujo contingente enviado para a Operação Barbarrossa ultrapassava os 300 mil homens. Falando sobre a Hungria, a propósito, Hobsbawm se atreve a defender o levante de 1956, organizado pelos partidários do fascista Horty, aliado de Hitler durante a Segunda Guerra.
Sem dúvidas, um dos pontos mais curiosos em "A Era dos Extremos" é o impulso antistalinista latente de Eric Hobsbawm, levando-o a despir-se de todo método dialético para abraçar o método maniqueísta. Poucos nomes em sua obra impregnada de subjetivismo são tão demonizados como a figura de Stalin. Nem mesmo Hitler, cujo projeto político exterminou cerca de 60 milhões de pessoas17 e incluía na sua agenda um racismo aberto, é descrito como "cruel, perverso, tirano" no livro de Hobsbawm; nem mesmo Harry Truman, cujo governo introduziu a bactéria da sífilis em mais de centenas de indivíduos para usá-los como cobaias humanas, é descrito como "perverso"; nomes como Mussolini, Margaret Tatcher e outros personagens reacionários do século XX não recebem um espaço especial para demonização como o líder responsável pela destruição de mais de 70% das forças nazistas.
O que Eric Hobsbawn pretende e quais os seus objetivos com o seu onanismo político? Será que ele acredita mesmo que todos os seus leitores são todos tolos ou acéfalos incapazes de pesquisar a respeito de um personagem de tão grande importância no século XX, considerado um dos três maiores nomes da história da Rússia na pesquisa "The Name of Russia", efetuada em 2008, mesmo após anos de vilania anti-stalinista e, portanto, anticomunista? Impressiona como a sugestão de livros a respeito do socialismo real do Sr. Hobsbawn não traga sequer um só autor que examine a URSS com objetividade e sem preconceitos. É este falsificador e farsante o "grande historiador marxista"? Que "marxistas" como Hobsbawn, com seu onanismo político, sejam exaltados e gozem de excelente reputação na mídia de massa, isso é perfeitamente compreensivo, porém cabe apenas aos tolos digerir o produto de sua diarreia mental. Aquele que de fato compreende a força dos valores iluministas, a importância da pesquisa, da investigação e da conclusão buscam o conhecimento, não se acomodam com "historiadores marxistas recomendados pela mídia", eles denunciam pícaros do movimento marxista e fazem a verdade ir até o topo das montanhas, ressoar pelas paredes, eles fazem com que as nuvens façam chover essas verdades que cairão como uma espada afiada que destroça a vilania e a mentira!
Fontes:
1- HOBSBAWM, Eric J. A Era dos extremos: Breve século XX 1914-1991. 2ª edição. Tradução de Marcos Santarrita. Companhia das Letras
2- ibid., pg. 371
3- Artigo do jornal A Hora do Povo. Em: http://www.horadopovo.com.br/2009/janeiro/2733-14-01-09/P8/pag8a.htm
4- Ver "Esquerdismo, doença infantil do comunismo", por V. I. Lenin
5- E. Lyons: Stalin: Czar of All the Russias; Philadelphia; 1940; p. 196, 200, citado em "The cult of the Individual", por William Bland. Em: http://www.mltranslations.org/Britain/StalinBB.htm
6- No original: "I got very well acquainted with Joe Stalin, and I like old Joe! He is a decent fellow. But Joe is a prisoner of the Politburo." President HARRY S. TRUMAN, informal remarks, Eugen, Oregon, June 11, 1948. Public Papers of the Presidents of the United States: Harry S. Truman, 1948, p. 329.
7- FURR, Grover. Stalin foi um ditador? Tradução de Gláuber Ataíde Em: http://www.omarxistaleninista.org/2011/04/stalin-foi-um-ditador.html
8- Em http://pt.scribd.com/doc/62898033/stalinealutapelareformademocratica-parte-II
9- E. Hoxha: With Stalin: Memoirs; Tirana; 1979; p. 14-15, citado em "The cult of the Individual", por William Bland. Em: http://www.mltranslations.org/Britain/StalinBB.htm
10- Citados em "The cult of the Individual", por William Bland. Em: http://www.mltranslations.org/Britain/StalinBB.htm
11- Em http://www.mltranslations.org/Britain/StalinBB.htm
12- G. K. Zhukov: The Memoirs of Marshal Zhukov; London; 1971; p. 283. Citado em "The cult of the Individual", por William Bland. Em: http://www.mltranslations.org/Britain/StalinBB.htm
13- Há vários indícios de falsidade de um documento supostamente assinado por Stalin que ultimamente tem ganho grande popularidade, que revelaria sua "crueldade em Katyn": http://pt.scribd.com/doc/62732715/Katyn-49-sinais-de-falsificacao-do-pacote-secreto-n-1
14- Ver http://www.mariosousa.se/MentirassobreahistoriadaUniaoSovietica.html
15- Em Stalin, um novo olhar.
16- Citado em: http://humanheight.net/famous_people/sources/height_of_stalin_source.html
17- http://en.wikipedia.org/wiki/World_War_II_casualties
domingo, setembro 30, 2012
ELEIÇÕES 2012
Nessas eleições, A Página Vermelha pede a você da cidade do Rio de Janeiro que escolha um de nossos leitores, colaboradores e camaradas para a Câmara dos Vereadores, Ronaldo da Luta. Comunista e trabalhador, Ronaldo é a voz dos setores menos favorecidos do Rio de Janeiro.
quinta-feira, setembro 13, 2012
MUNDO: Levantamento de países invadidos pelos Estados Unidos
A direita brasileira, marionete de Washington. costuma repetir ad infinitum que "o perigo são os russos", e em alguns mesmo os chineses. Estudo feito em 2007 faz um levantamento de países invadidos pelos Estados Unidos, o mais imperialista de todos os países.
Reproduzo levantamento feito por Alberto da Silva Jones, publicado em 2007 no sítio do Centro de Mídia Independente/Brasil:
Entre as várias invasões que as forças armadas dos Estados Unidos fizeram nos séculos XIX, XX e XXI, podemos citar:
1846/1848 - México - Por causa da anexação, pelos EUA, da República do Texas;
1890 - Argentina - Tropas desembarcam em Buenos Aires para defender interesses econômicos americanos;
1891 - Chile - Fuzileiros Navais esmagam forças rebeldes nacionalistas;
1891 - Haiti - Tropas debelam a revolta de operários negros na ilha de Navassa, reclamada pelos EUA;
1893 - Hawai - Marinha enviada para suprimir o reinado independente e anexar o Hawaí aos EUA;
1894 - Nicarágua - Tropas ocupam Bluefields, cidade do mar do Caribe, durante um mês;
1894/1895 - China - Marinha, Exército e Fuzileiros desembarcam no país durante a guerra sino-japonesa;
1894/1896 - Coréia - Tropas permanecem em Seul durante a guerra;
1895 - Panamá - Tropas desembarcam no porto de Corinto, província Colombiana;
1898/1900 - China - Tropas ocupam a China durante a Rebelião Boxer;
1898/1910 - Filipinas - Luta pela independência do país, dominado pelos EUA (Massacres realizados por tropas americanas em Balangica, Samar, 27/09/1901, e Bud Bagsak, Sulu, 11/15/1913; 600.000 filipinos mortos;
1898/1902 - Cuba - Tropas sitiaram Cuba durante a guerra hispano-americana;
1898 - Porto Rico - Tropas sitiaram Porto Rico na guerra hispano-americana, hoje 'Estado Livre Associado' dos Estados Unidos;
1898 - Ilha de Guam - Marinha desembarca na ilha e a mantêm como base naval até hoje;
1898 - Espanha - Guerra Hispano-Americana - Desencadeada pela misteriosa explosão do encouraçado Maine, em 15 de fevereiro, na Baía de Havana. Esta guerra marca o surgimento dos EUA como potência capitalista e militar mundial;
1898 - Nicarágua - Fuzileiros Navais invadem o porto de San Juan del Sur;
1899 - Ilha de Samoa - Tropas desembarcam e invadem a Ilha em conseqüência de conflito pela sucessão do trono de Samoa;
1899 - Nicarágua - Tropas desembarcam no porto de Bluefields e invadem a Nicarágua (2ª vez);
1901/1914 - Panamá - Marinha apóia a revolução quando o Panamá reclamou independência da Colômbia; tropas americanas ocupam o canal em 1901, quando teve início sua construção;
1903 - Honduras - Fuzileiros Navais desembarcam em Honduras e intervêm na revolução do povo hondurenho;
1903/1904 - República Dominicana - Tropas atacaram e invadiram o território dominicano para proteger interesses do capital americano durante a revolução;
1904/1905 - Coréia - Fuzileiros Navais dos Estados Unidos desembarcaram no território coreano durante a guerra russo-japonesa;
1906/1909 - Cuba -Tropas dos Estados Unidos invadem Cuba e lutam contra o povo cubano durante período de eleições;
1907 - Nicarágua - Tropas invadem e impõem a criação de um protetorado, sobre o território livre da Nicarágua;
1907 - Honduras - Fuzileiros Navais desembarcam e ocupam Honduras durante a guerra de Honduras com a Nicarágua;
1908 - Panamá - Fuzileiros invadem o Panamá durante período de eleições;
1910 - Nicarágua - Fuzileiros navais desembarcam e invadem pela 3ª vez Bluefields e Corinto, na Nicarágua;
1911 - Honduras - Tropas enviadas para proteger interesses americanos durante a guerra civil invadem Honduras;
1911/1941 - China - Forças do exército e marinha dos Estados Unidos invadem mais uma vez a China durante período de lutas internas repetidas;
1912 - Cuba - Tropas invadem Cuba com a desculpa de proteger interesses americanos em Havana;
1912 - Panamá - Fuzileiros navais invadem novamente o Panamá e ocupam o país durante eleições presidenciais;
1912 - Honduras - Tropas norte americanas mais uma vez invadem Honduras para proteger interesses do capital americano;
1912/1933 - Nicarágua - Tropas dos Estados Unidos com a desculpa de combaterem guerrilheiros invadem e ocupam o país durante 20 anos;
1913 - México - Fuzileiros da Marinha invadem o México com a desculpa de evacuar cidadãos americanos durante a revolução;
1913 - México - Durante a revolução mexicana, os Estados Unidos bloqueiam as fronteiras mexicanas;
1914/1918 - Primeira Guerra Mundial - EUA entram no conflito em 6 de abril de 1917 declarando guerra à Alemanha. As perdas americanas chegaram a 114 mil homens;
1914 - República Dominicana - Fuzileiros navais da Marinha dos Estados invadem o solo dominicano e interferem na revolução em Santo Domingo;
1914/1918 - México - Marinha e exército invadem o território mexicano e interferem na luta contra nacionalistas;
1915/1934 - Haiti - Tropas americanas desembarcam no Haiti, em 28 de julho, e transformam o país numa colônia americana, permanecendo lá durante 19 anos;
1916/1924 - República Dominicana - Os EUA invadem e estabelecem governo militar na República Dominicana, em 29 de novembro, ocupando o país durante oito anos;
1917/1933 - Cuba - Tropas desembarcam em Cuba e transformam o país num protetorado econômico americano, permanecendo essa ocupação por 16 anos;
1918/1922 - Rússia - Marinha e tropas enviadas para combater a revolução bolchevista. O Exército realizou cinco desembarques, sendo derrotado pelos russos em todos eles;
1919 - Honduras - Fuzileiros desembarcam e invadem mais uma vez o país durante eleições, colocando no poder um governo a seu serviço;
1918 - Iugoslávia - Tropas dos Estados Unidos invadem a Iugoslávia e intervêm ao lado da Itália contra os sérvios na Dalmácia;
1920 - Guatemala - Tropas invadem e ocupam o país durante greve operária do povo da Guatemala;
1922 - Turquia - Tropas invadem e combatem nacionalistas turcos em Smirna;
1922/1927 - China - Marinha e Exército mais uma vez invadem a China durante revolta nacionalista;
1924/1925 - Honduras - Tropas dos Estados Unidos desembarcam e invadem Honduras duas vezes durante eleição nacional;
1925 - Panamá - Tropas invadem o Panamá para debelar greve geral dos trabalhadores panamenhos;
1927/1934 - China - Mil fuzileiros americanos desembarcam na China durante a guerra civil local e permanecem durante sete anos ocupando o território;
1932 - El Salvador - Navios de Guerra dos Estados Unidos são deslocados durante a revolução das Forças do Movimento de Libertação Nacional - FMLN -
comandadas por Marti;
1939/1945 - II Guerra Mundial - Os EUA declaram guerra ao Japão em 8 de dezembro de 1941 e depois a Alemanha e Itália, invadindo o Norte da África, a Ásia e a Europa, culminando com o lançamento das bombas atômicas sobre as cidades desmilitarizadas de Iroshima e Nagasaki;
1946 - Irã - Marinha americana ameaça usar artefatos nucleares contra tropas soviéticas caso as mesmas não abandonem a fronteira norte do Irã;
1946 - Iugoslávia - Presença da marinha ameaçando invadir a zona costeira da Iugoslávia em resposta a um avião espião dos Estados Unidos abatido pelos soviéticos;
1947/1949 - Grécia - Operação de invasão de Comandos dos EUA garantem vitória da extrema direita nas "eleições" do povo grego;
1947 - Venezuela - Em um acordo feito com militares locais, os EUA invadem e derrubam o presidente eleito Rómulo Gallegos, como castigo por ter aumentado o preço do petróleo exportado, colocando um ditador no poder;
1948/1949 - China - Fuzileiros invadem pela ultima vez o território chinês para evacuar cidadãos americanos antes da vitória comunista;
1950 - Porto Rico - Comandos militares dos Estados Unidos ajudam a esmagar a revolução pela independência de Porto Rico, em Ponce;
1951/1953 - Coréia - Início do conflito entre a República Democrática da Coréia (Norte) e República da Coréia (Sul), na qual cerca de 3 milhões de pessoas morreram. Estados Unidos são um dos principais protagonistas da invasão usando como pano de fundo a recém criada Nações Unidas, ao lado dos sul-coreanos. A guerra termina em julho de 1953 sem vencedores e com dois estados polarizados: comunistas ao norte e um governo pró-americano no sul. Os EUA perderam 33 mil homens e mantém até hoje base militar e aero-naval na Coréia do Sul;
1954 - Guatemala - Comandos americanos, sob controle da CIA, derrubam o presidente Arbenz, democraticamente eleito, e impõem uma ditadura militar no país. Jacobo Arbenz havia nacionalizado a empresa United Fruit e impulsionado a reforma agrária;
1956 - Egito - O presidente Nasser nacionaliza o canal de Suez. Tropas americanas se envolvem durante os combates no Canal de Suez sustentados pela Sexta Frota dos EUA. As forças egípcias obrigam a coalizão franco-israelense-britânic
1958 - Líbano - Forças da Marinha invadem apóiam o exército de ocupação do Líbano durante sua guerra civil;
1958 - Panamá - Tropas dos Estados Unidos invadem e combatem manifestantes nacionalistas panamenhos;
1961/1975 - Vietnã. Aliados ao sul-vietnamitas, o governo americano invade o Vietnã e tenta impedir, sem sucesso, a formação de um estado comunista, unindo o sul e o norte do país. Inicialmente a participação americana se restringe a ajuda econômica e militar (conselheiros e material bélico). Em agosto de 1964, o congresso americano autoriza o presidente a lançar os EUA em guerra. Os Estados Unidos deixam de ser simples consultores do exército do Vietnã do Sul e entram num conflito traumático, que afetaria toda a política militar dali para frente. A morte de quase 60 mil jovens americanos e a humilhação imposta pela derrota do Sul em 1975, dois anos depois da retirada dos Estados Unidos, moldou a estratégia futura de evitar guerras que impusessem um custo muito alto de vidas americanas e nas quais houvesse inimigos difíceis de derrotar de forma convencional, como os vietcongues e suas táticas de guerrilhas;
1962 - Laos - Militares americanos invadem e ocupam o Laos durante guerra civil contra guerrilhas do Pathet Lao;
1964 - Panamá - Militares americanos invadiram mais uma vez o Panamá e mataram 20 estudantes, ao reprimirem a manifestação em que os jovens queriam trocar, na zona do canal, a bandeira americana pela bandeira de seu país;
1965/1966 - República Dominicana - Trinta mil fuzileiros e pára-quedistas desembarcaram na capital do país, São Domingo, para impedir a nacionalistas panamenhos de chegarem ao poder. A CIA conduz Joaquín Balaguer à presidência, consumando um golpe de estado que depôs o presidente eleito Juan Bosch. O país já fora ocupado pelos americanos de 1916 a 1924;
1966/1967 - Guatemala - Boinas Verdes e marines invadem o país para combater movimento revolucionário contrário aos interesses econômicos do capital americano;
1969/1975 - Camboja - Militares americanos enviados depois que a Guerra do Vietnã invadem e ocupam o Camboja;
1971/1975 - Laos - EUA dirigem a invasão sul-vietnamita bombardeando o território do vizinho Laos, justificando que o país apoiava o povo vietnamita em sua luta contra a invasão americana;
1975 - Camboja - 28 marines americanos são mortos na tentativa de resgatar a tripulação do petroleiro estadunidense Mayaquez;
1980 - Irã - Na inauguração do estado islâmico formado pelo Aiatolá Khomeini, estudantes que haviam participado da Revolução Islâmica do Irã ocuparam a embaixada americana em Teerã e fizeram 60 reféns. O governo americano preparou uma operação militar surpresa para executar o resgate, frustrada por tempestades de areia e falhas em equipamentos. Em meio à frustrada operação, oito militares americanos morreram no choque entre um helicóptero e um avião. Os reféns só seriam libertados um ano depois do seqüestro, o que enfraqueceu o então presidente Jimmy Carter e elegeu Ronald Reagan, que conseguiu aprovar o maior orçamento militar em época de paz até então;
1982/1984 - Líbano - Estados Unidos invadiram o Líbano e se envolveram nos conflitos no país logo após a invasão por Israel - e acabaram envolvidos na guerra civil que dividiu o país. Em 1980, os americanos supervisionaram a retirada da Organização pela Libertação da Palestina de Beirute. Na segunda intervenção, 1.800 soldados integraram uma força conjunta de vários países, que deveriam restaurar a ordem após o massacre de refugiados palestinos por libaneses aliados a Israel. O custo para os americanos foi a morte 241 fuzileiros navais, quando os libaneses explodiram um carro bomba perto de um quartel das forças americanas;
1983/1984 - Ilha de Granada - Após um bloqueio econômico de quatro anos a CIA coordena esforços que resultam no assassinato do 1º Ministro Maurice Bishop. Seguindo a política de intervenção externa de Ronald Reagan, os Estados Unidos invadiram a ilha caribenha de Granada alegando prestar proteção a 600 estudantes americanos que estavam no país, as tropas eliminaram a influência de Cuba e da União Soviética sobre a política da ilha;
1983/1989 - Honduras - Tropas enviadas para construir bases em regiões próximas à fronteira invadem o Honduras;
1986 - Bolívia - Exército invade o território boliviano na justificativa de auxiliar tropas bolivianas em incursões nas áreas de cocaína;
1989 - Ilhas Virgens - Tropas americanas desembarcam e invadem as ilhas durante revolta do povo do país contra o governo pró-americano;
1989 - Panamá - Batizada de Operação Causa Justa, a intervenção americana no Panamá foi provavelmente a maior batida policial de todos os tempos: 27 mil soldados ocuparam a ilha para prender o presidente panamenho, Manuel Noriega, antigo ditador aliado do governo americano. Os Estados Unidos justificaram a operação como sendo fundamental para proteger o Canal do Panamá, defender 35 mil americanos que viviam no país, promover a democracia e interromper o tráfico de drogas, que teria em Noriega seu líder na América Central. O ex-presidente cumpre prisão perpétua nos Estados Unidos.
1990 - Libéria - Tropas invadem a Libéria justificando a evacuação de estrangeiros durante guerra civil;
1990/1991 - Iraque - Após a invasão do Iraque ao Kuwait, em 2 de agosto de 1990, os Estados Unidos, com o apoio de seus aliados da Otan, decidem impor um embargo econômico ao país, seguido de uma coalizão anti-Iraque (reunindo além dos países europeus membros da Otan, o Egito e outros países árabes) que ganhou o título de "Operação Tempestade no Deserto". As hostilidades começaram em 16 de janeiro de 1991, um dia depois do fim do prazo dado ao Iraque para retirar tropas do Kuwait. Para expulsar as forças iraquianas do Kuwait, o então presidente George Bush destacou mais de 500 mil soldados americanos para a Guerra do Golfo;
1990/1991 - Arábia Saudita - Tropas americanas destacadas para ocupar a Arábia Saudita que era base militar na guerra contra Iraque;
1992/1994 - Somália - Tropas americanas, num total de 25 mil soldados, invadem a Somália como parte de uma missão da ONU para distribuir mantimentos para a população esfomeada. Em dezembro, forças militares norte-americanas (comando Delta e Rangers) chegam a Somália para intervir numa guerra entre as facções do então presidente Ali Mahdi Muhammad e tropas do general rebelde Farah Aidib. Sofrem uma fragorosa derrota militar nas ruas da capital do país;
1993 - Iraque - No início do governo Clinton é lançado um ataque contra instalações militares iraquianas em retaliação a um suposto atentado, não concretizado, contra o ex-presidente Bush, em visita ao Kuwait;
1994/1999 - Haiti - Enviadas pelo presidente Bill Clinton, tropas americanas ocuparam o Haiti na justificativa de devolver o poder ao presidente eleito Jean-Betrand Aristide, derrubado por um golpe, mas o que a operação visava era evitar que o conflito interno provocasse uma onda de refugiados haitianos nos Estados Unidos;
1996/1997 - Zaire (ex-República do Congo) - Fuzileiros Navais americanos são enviados para invadir a área dos campos de refugiados Hutus;
1997 - Libéria - Tropas dos Estados Unidos invadem a Libéria justificando a necessidade de evacuar estrangeiros durante guerra civil sob fogo dos rebeldes;
1997 - Albânia - Tropas invadem a Albânia para evacuar estrangeiros;
2000 - Colômbia - Marines e "assessores especiais" dos EUA iniciam o Plano Colômbia, que inclui o bombardeamento da floresta com um fungo transgênico fusarium axyporum (o "gás verde");
2001 - Afeganistão - Os EUA bombardeiam várias cidades afegãs, em resposta ao ataque terrorista ao World Trade Center em 11 de setembro de 2001. Invadem depois o Afeganistão onde estão até hoje;
2003 - Iraque - Sob a alegação de Saddam Hussein esconder armas de destruição e financiar terroristas, os EUA iniciam intensos ataques ao Iraque. É batizada pelos EUA de "Operação Liberdade do Iraque" e por Saddam de "A Última Batalha", a guerra começa com o apoio apenas da Grã-Bretanha, sem o endosso da ONU e sob protestos de manifestantes e de governos no mundo inteiro. As forças invasoras americanas até hoje estão no território iraquiano, onde a violência aumentou mais do que nunca.
* Na América Latina, África e Ásia, os Estados Unidos invadiam países ou para depor governos democraticamente eleitos pelo povo, ou para dar apoio a ditaduras criadas e montadas pelos Estados Unidos, tudo em nome da "democracia" (deles).
Nota do perfil "Porra Serra":
Como o levantamento acabou em 2007, acrescentei:
2011 - Líbia
Ataques norteamericanos com VANTS (Veículos Aérios Não Tripulados): Síria, Iêmen, Paquistão, Somália, Irã, Afeganistão e Iraque.
terça-feira, setembro 11, 2012
MUNDO: Ex-agente americano explica como os EUA escravizam e dominam outros países
Ex-agente americano explica como os Estados Unidos escravizam e dominam outros países, no filme Zeitgeist Adenddum.
É importante notar como esse processo sugere como foram derrubados vários governos populares no Leste Europeu e como foi estabelecida a ditadura fascista no Brasil. Diferente de outros vídeos que pretensamente trazem "a verdade revelada por ex-agentes do KGB", este agente não reside em nenhum país socialista, anti-imperialista ou é por esses financiado, devendo o seu depoimento ser tomado por espontâneo e revelador.
É importante notar como esse processo sugere como foram derrubados vários governos populares no Leste Europeu e como foi estabelecida a ditadura fascista no Brasil. Diferente de outros vídeos que pretensamente trazem "a verdade revelada por ex-agentes do KGB", este agente não reside em nenhum país socialista, anti-imperialista ou é por esses financiado, devendo o seu depoimento ser tomado por espontâneo e revelador.
BRASIL: ONG é proibida de dar livros em viaduto de São Paulo
Extraído de http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/agencia-estado/2012/09/11/ong-e-proibida-de-dar-livro-em-viaduto-de-sao-paulo.htm
A organização não-governamental Educa São Paulo havia programado para a manhã de segunda-feira (10), a distribuição de cerca de 8.000 livros, entre obras de literatura brasileira, livros infantis e gibis, no Viaduto do Chá, região central. A intenção era, além de incentivar a leitura, protestar contra o abandono das bibliotecas da cidade, que, segundo o presidente da ONG, Devanir Amâncio, "têm livros, mas não têm leitores."
Uma perua Kombi estacionou no Viaduto do Chá por volta das 23h de domingo (9) para organizar e separar os títulos por autor e gênero, mas foram impedidos. Quatro guardas-civis metropolitanos disseram para os integrantes da ONG que eles deveriam ter autorização da prefeitura para realizar a distribuição. "Eles disseram que estavam em alerta, esperando pela ação, e que a ordem era impedir", disse Amâncio.
A iniciativa, intitulada Bienal Relâmpago, agora será transformada em Bienal Móvel. Segundo Amâncio, duas Kombis - equipadas com aparelhos de som e faixas - percorrerão locais movimentados da região central da cidade oferecendo livros às pessoas. "Devemos começar ainda pela região do Viaduto do Chá, porque ali é área de Zona Azul e, se pagarmos, podemos estacionar por um tempo para distribuir os livros."
Ainda sem itinerário ou data marcada para a ação, Amâncio disse que é provável que a distribuição seja realizada neste sábado. Segundo ele, os livros foram doados por moradores da cidade. "Os próximos gestores têm de oferecer uma política eficiente de incentivo à leitura, para que as bibliotecas não sejam depósitos de livros como são hoje." As informações são do jornal "O Estado de S.Paulo".
sexta-feira, setembro 07, 2012
BRASIL: Os menores e mais ignóbeis nomes do Brasil
Por Cristiano Alves
Concurso promovido pelo Sistema Brasileiro de Televisão SBT distorce o entendimento do brasileiro acerca da cultura e história do Brasil
Concurso promovido pelo Sistema Brasileiro de Televisão SBT distorce o entendimento do brasileiro acerca da cultura e história do Brasil
Há algum tempo foi lançado um concurso chamado "O maior brasileiro de todos os tempos". Longe do que alguns imaginam, esse concurso não é uma "ideia original do SBT", mas até aí tudo bem, Maquiavel já dizia em "O Príncipe", que a história tem poucos originais, e que o homem tende a copiar aquilo que faz sucesso. Assim, pode-se o concurso "O maior nome" teve um grande sucesso nos países onde ele foi feito, especialmente no Reino Unido, Rússia e Ucrânia. Nesses países foram julgados nomes de relevância, que deram alguma contribuição significativa para que o nome do país fosse lembrado ao longo dos tempos, sempre indivíduos que já haviam falecido, a fim de aprofundar a investigação histórica, a pesquisa e de evitar que nomes que hoje exercem grande popularidade sobrepujassem o daqueles que efetivamente fizeram ecoar a imagem do país. Após a escolha dos nomes mais votados, foi feito um debate televisivo similar a um debate presidencial. No Brasil, entretanto, tudo se deu de modo bem diferente.
A televisão aberta brasileira é conhecida pelo seu papel anticultural, desinformativo e alienador, seus empresários preferem exibir em horário vespertino programas onde crianças rebolam suas nádegas em torno de garrafas que são claramente uma representação do falo, ao invés de exibir, por exemplo, um programa onde um professor tenta difundir a música erudita. Essa prática abominável e nefasta afronta claramente a lei brasileira, em especial a Carta Magna, que enumera como um dos princípios que norteiam a programação televisiva em seu artigo 221:
I- preferência a finalidades educativas, artísticas, culturais e informativas;
II- promoção da cultura nacional e regional e estímulo à produção independente que objetive sua divulgação;
III- regionalização da produção cultural, artística e jornalística, conforme percentuais estabelecidos em lei;
IV- respeito aos valores éticos e sociais da pessoa e da família.
Ainda, segundo a "Lei da Televisão"(nº 32/2003), em seu artigo 10º, esta deve "favorecer a criação de hábitos de convivência cívica própria de um Estado Democrático" e "promover a cultura e a língua portuguesas e os valores que exprimem a identidade nacional". Se num programa que visa escolher "o maior brasileiro de todos os tempos" a criadora, ou melhor "animadora" de uma canção do tipo "o seu amor é canibal" sai na frente do criador da "ópera sobre o canibal"(como foi anunciada, erroneamente, por um garoto na Itália antes da apresentação da maior ópera brasileira, Il Guarany), Carlos Gomes, é por que há algo de errado com os valores transmitidos pela mídia e pelo sistema educacional brasileiro. E o que dizer da animadora Cláudia Leite(75º) ter conseguido mais votos do que o cantor e renomado compositor Chico Buarque(84º), cujas composições falam de períodos difíceis da história do brasileiro, do cotidiano do trabalhador oprimido, explorado e de nossa cultura? Tamanho é o desserviço promovido pelo concurso, que enquanto nomes como Anderson Silva(90º, setenta posições atrás do futebolista Neymar, que jamais ganhou nada em nível internacional), cujo mérito como atleta e lutador é inegável; sequer aparecem na lista nomes como o lendário revolucionário Gregório Bezerra, quase um "Che Guevara tupiniquim", que pegou em armas para lutar por justiça social, assaltando sozinho um quartel da polícia da cidade de Natal, no Rio Grande do Norte, lutando até o último cartucho de munição, até sair ferido e conduzido ao hospital, ajudando a estabelecer a primeira república popular, efêmera, na América Latina, na capital potiguar, tendo ainda lutado em armas contra a ditadura fascista estabelecida em 1964, sendo por isso preso até o final de sua vida, o que lhe valeu uma comparação com Nelson Mandela. Como explicar Michel Teló em 72º lugar e Tom Jobim, um dos patriarcas da bossa nova e divulgador internacional da verdadeira música popular brasileira em 89º lugar? Como explicar Maria da Penha, paladina da luta contra a violência doméstica misógina, em 100º lugar, enquanto Xuxa, ex-estrela de um filme de pornografia infantil, está em 40º lugar? E o que dizer do palhaço Tiririca(48º) ter recebido mais votos que o renomado escritor e poeta Carlos Drummond de Andrade(52º)? Ou ainda do padre Cícero(32º), agente dos nefastos coronéis cearenses, que mesmo cooptou o cangaceiro Lampião(74º) para combater a coluna revolucionária de Luís Carlos Prestes(76º), com mais votos que o bispo Dom Helder Câmara(37º), que não apenas questionou e combateu a miséria no Brasil, como levantou a voz contra a ditadura fascista no país? Como se não fosse pouca a ignorância histórica, ela também é notável no plano econômico, uma vez que Eike Batista(21º), cujo principal "mérito" é ser o homem mais rico do Brasil e um dos 10 mais ricos do mundo segundo a revista Forbes, conseguiu o incrível feito de estar melhor colocado que o Visconde de Mauá(45º), economista e banqueiro que teve um importante papel na fundação do primeiro Banco do Brasil, uma das mais bem sucedidas empresas que o Brasil já teve, na construção da primeira fundição no Brasil, e das primeiras ferrovias, isto é, da inserção do nosso país na Idade Contemporânea, sendo ainda um pioneiro do empreendedorismo no país. Quantos empresários brasileiros nos dias atuais financiam a construção de sistemas ferroviários, um quesito indispensável para qualquer país que quer fazer parte do século XXI?
Longe de demonstrar "o maior brasileiro de todos os tempos", o concurso lançado pelo Sistema Brasileiro de Televisão consegue mostrar os mais ignóbeis brasileiros de todos os tempos, que são aqueles que banalizam um meio de comunicação tão significativo como a televisão, aqueles que, sem nenhum critério, transformam um concurso sério, que diz respeito à identidade nacional de um povo, num verdadeiro circo sem qualquer caráter cultural ou educativo. Os menores são certamente aqueles que são mantidos num estado de ignorância ou que, voluntariamente, negligenciam sua própria identidade em favor de um culto da personalidades de nomes insignificantes, que em nada contribuem para o Brasil, senão para divulgar fora dele uma imagem de "povo festeiro e desinteressado pelo seu próprio país", que é justamente a imagem ideal para os exploradores do Brasil, que dele retiram o que bem querem, que "podem explodir o país e ainda serem agradecidos por fazê-lo". Até quando o Brasil seguirá a máxima de De Gaulle, segundo o qual "não somos um país sério"? Melhor seria escolher como o "maior brasileiro de todos os tempos" Jorge Amado, não apenas por ter sido um grande escritor cujas obras foram publicadas em mais de 55 idiomas, vencedor de diversas premiações no Brasil e fora dele, mas sobretudo por expor, de forma realista, um retrato fiel do povo brasileiro, miserável materialmente e intelectualmente, sensual e dominado por uma burguesia nefasta traidora dos interesses nacionais em nome de sua posição aristocrática. Título justo, não?
quinta-feira, setembro 06, 2012
BRASIL: Entrevista a Ivan Pinheiro, secretário-geral do PCB
Por Dick e Miriam Emanuelsson
Em entrevista a jornalista sueco, líder comunista brasileiro adverte: "O Brasil não é socialista e nem caminha em direção ao socialismo"
Em entrevista a jornalista sueco, líder comunista brasileiro adverte: "O Brasil não é socialista e nem caminha em direção ao socialismo"
sexta-feira, agosto 31, 2012
REFLEXÃO
Por Twylla Ferraz
Racismo, preconceito e discriminação são situações distintas.
Você, branco, por ouvir RAP, dançar Samba Rock e usar dred NÃO é mais preto que o preto que ouve rock, não dança e alisa o cabelo.
Não é pelo fato de andar de calça bag e camisa do Corinthians, que a sua abordagem policial vai ser igual a de um preto, mesmo que esse esteja de terno voltando da universidade.
Não, você não deixa de ser racista ao me chamar de macaco e cabelo duro SÓ de "brincadeira".
Ter uma empregada é preta também não te faz menos racista.
Ter um namorado/marido/peguete/amigo preto também não te faz menos racista.
Pretos não são os mais racistas.
VOCÊ É RACISTA E NÃO SABE!
Racismo, preconceito e discriminação são situações distintas.
Você, branco, por ouvir RAP, dançar Samba Rock e usar dred NÃO é mais preto que o preto que ouve rock, não dança e alisa o cabelo.
Não é pelo fato de andar de calça bag e camisa do Corinthians, que a sua abordagem policial vai ser igual a de um preto, mesmo que esse esteja de terno voltando da universidade.
Não, você não deixa de ser racista ao me chamar de macaco e cabelo duro SÓ de "brincadeira".
Ter uma empregada é preta também não te faz menos racista.
Ter um namorado/marido/peguete/amigo preto também não te faz menos racista.
Pretos não são os mais racistas.
VOCÊ É RACISTA E NÃO SABE!
domingo, agosto 26, 2012
BRASIL: Estagiária negra é forçada a alisar o cabelo para preservar "boa aparência"
De São Paulo, da Radioagência NP, Jorge Américo, com Geledés
Publicado em http://www.pragmatismopolitico.com.br/2011/12/estagiaria-negra-e-forcada-alisar.html
‘O padrão daqui é cabelo liso’, disse a patroa.
Publicado em http://www.pragmatismopolitico.com.br/2011/12/estagiaria-negra-e-forcada-alisar.html
‘O padrão daqui é cabelo liso’, disse a patroa.
A estagiária Ester Elisa da Silva Cesário acusa seus superiores de perseguição e racismo. Conforme Boletim de Ocorrência registrado no dia 24 de novembro, na Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi) de São Paulo, ela teria sido forçada a alisar o cabelo para manter a “boa aparência”. A diretora do Colégio Internacional Anhembi Morumbi ainda teria prometido comprar camisas mais compridas para que a funcionária escondesse os quadris.
Ester conta que foi contratada no dia 1º de novembro de 2011, para atuar no setor de marketing e monitorar visitas de pais interessados em matricular seus filhos no colégio, localizado no bairro do Brooklin, na cidade de São Paulo. A estagiária afirma ter sido convocada para uma conversa na sala da diretora, identificada como professora Dea de Oliveira. Nos dias anteriores, sempre alguém mandava recado para que prendesse o cabelo e evitasse circular pelos corredores.
“Ela disse: ‘como você pode representar o colégio com esse cabelo crespo? O padrão daqui é cabelo liso’. Então, ela começou a falar que o cabelo dela era ruim, igual o meu, que era armado, igual o meu, e ela teve que alisar para manter o padrão da escola.”
Além das advertências, Ester afirma ter sofrido ameaças depois de revelar o conteúdo da conversa aos demais funcionários do colégio. Eles teriam demonstrado solidariedade ao perceber que a estagiaria estava em prantos no banheiro.
“Depois disso, eu me vesti para ir embora e, quando estava saindo, ela me parou na porta e disse: ‘cuidado com o que você fala por aí porque eu tenho vinte anos aqui no colégio e você está começando agora. A vida é muito difícil, você ainda vai ouvir muitas coisas ruins e vai ter que aguentar’.”
Colégio se defende
Após contato da reportagem, um funcionário indicado pela Direção do Anhembi Morumbi informou que a instituição não recebeu nenhuma notificação sobre o registro do Boletim de Ocorrência. Ele negou a existência de preconceito e se limitou a dizer que “o colégio zela pela sua imagem e, ao pregar a ‘boa aparência’, se refere ao uso de uniformes e cabelo preso”.
A advogada trabalhista Carmen Dora de Freitas Ferreira, que ministra cursos no Geledés – Instituto da Mulher Negra – assegura que a expressão “boa aparência” é usada frequentemente para disfarçar preconceitos.
“Não está escrito isso, mas quando eles dizem ‘boa aparência’, automaticamente estão excluindo negros, afrodescendentes e indígenas. O padrão é mulher loira, alta, magra, olhos claros. É isso que querem dizer com ‘boa aparência’. E excluir do mercado de trabalho por esse requisito é muito doloroso, afronta a Lei, afronta a Constituição e afronta os direitos humanos.”
Métodos conhecidos
De acordo com o depoimento da estagiária, as ofensas se deram em um local reservado. A advogada explica que essa prática é comum no ambiente de trabalho, além de ser sempre premeditada.
“O assediador sempre espera o momento em que a vítima está sozinha para não deixar testemunhas, mas as marcas são profundas. O preconceito é tão danoso, que ele nega direitos fundamentais, exclui, coloca estigmas, e a pessoa se sente humilhada, violentada. Quando o assediador percebe a extensão do dano, ele tenta minimizar, dizendo ‘não foi bem assim, você me interpretou errado, eu não sou discriminador, na minha família, a minha avó era negra’.”
Ester ainda afirma que teria sido pressionada a deixar o trabalho, ao relatar o ocorrido a uma conselheira do Colégio. Como decidiu permanecer, passou a ser vigiada constantemente por colegas.
“Eu estou lá e consegui passar numa entrevista porque sou qualificada para o cargo, mas ela não viu isso. Ela quis me afrontar e conseguiu abalar as minhas estruturas emocionais a ponto de eu me sentir um lixo e ficar dois dias trancada dentro de casa sem comer e sem beber. Você pensa em suicídio, se vê feia, se sente um monstro.”
Sequelas e legislação
Ester revela que as situações vividas no trabalho mexeram com sua auto-estima e também provocaram grande impacto nos estudos e no convívio social.
“Desde que isso aconteceu, eu não consigo mais soltar o cabelo. Quando estou na presença dela eu me sinto inferior, fico com vergonha, constrangida, de cabeça baixa. É a única reação que eu tenho pela afronta e falta de respeito em relação a mim e à minha cor.”
O Boletim de Ocorrência foi registrado como prática de “preconceito de raça ou de cor”. A Lei Estadual nº 14.187/10 prevê punição a “todo ato discriminatório por motivo de raça ou cor praticado no Estado por qualquer pessoa, jurídica ou física”. Se comprovado o crime, os infratores estarão sujeitos a multas e à cassação da licença estadual para funcionamento.
Colégio se defende
Ester ainda afirma que teria sido pressionada a deixar o trabalho, ao relatar o ocorrido a uma conselheira do Colégio. Como decidiu permanecer, passou a ser vigiada constantemente por colegas.
“Eu estou lá e consegui passar numa entrevista porque sou qualificada para o cargo, mas ela não viu isso. Ela quis me afrontar e conseguiu abalar as minhas estruturas emocionais a ponto de eu me sentir um lixo e ficar dois dias trancada dentro de casa sem comer e sem beber. Você pensa em suicídio, se vê feia, se sente um monstro.”
O Boletim de Ocorrência foi registrado como prática de “preconceito de raça ou de cor”. A Lei Estadual nº 14.187/10 prevê punição a “todo ato discriminatório por motivo de raça ou cor praticado no Estado por qualquer pessoa, jurídica ou física”. Se comprovado o crime, os infratores estarão sujeitos a multas e à cassação da licença estadual para funcionamento.
BRASIL: Advogada denuncia racismo: "não quero ser atendido por uma negra"
Fonte: O globo, republicado em http://www.pragmatismopolitico.com.br/2012/08/advogada-denuncia-racismo-nao-quero-ser-atendido-por-uma-negra.html
Advogada denuncia contribuinte por racismo em Campinas. Segundo a vítima, homem disse que ‘negro não serve pra nada’. Crime é inafiançável, pode haver multa e pena é de até 5 anos de prisão
Uma advogada que trabalhava na prefeitura de Campinas (SP) aguarda a decisão da Justiça pelo tratamento denunciado como racismo recebido de um contribuinte. O crime de racismo é inafiançável, pode haver multa e a pena vai de um a cinco anos de prisão. Os casos de injúria racial, em que a pessoa atribui uma característica pejorativa ocorrem em situações mais frequentes por nacionalidade, cor, local de moradia e profissão, segundo a Comissão do Negro.
Ana Vanessa Silva foi vítima de preconceito e há três anos aguarda a decisão do processo judicial. “Eu não quero ser atendido por uma pessoa negra”, disse o contribuinte. O caso ocorreu ao enfrentar um constrangimento durante o atendimento. Ela disse que o homem ficou nervoso ao verificar que seria atendido por uma negra. “Negro não serve pra nada, negro só faz coisa errada”, afirma sobre o modo que o contribuinte comentou. O homem responde o processo em liberdade e se for condenado pode ficar até quatro anos preso.
Assumir um preconceito não é algo comum, muitas atitudes revelam um pré-julgamento e podem desvalorizar a pessoa socialmente. “Se você mora num determinado bairro ou em uma determinada região, então você já é conceituada por aquela região e baseado nisso você sofre prejuízos até quando vai procurar emprego”, afirma o presidente da comissão, Ademir José da Silva.
Os reflexos para quem sofre algum tipo de preconceito podem muitas vezes se tornar irreversíveis. “Nos momentos extremos de uma situação aguda, de constrangimento, de exposição, essas pessoas sofrem muito mesmo que podem evoluir para alguns quadros psiquiátricos”, explica o psiquiatra Eduardo Henrique Teixeira.
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| O constrangimento enfrentado pela Dra. Ana Vanessa Silva é uma prova viva de que no Brasil o preconceito não se limita à questão social (A Página Vermelha) |
quinta-feira, agosto 23, 2012
BRASIL: O comunismo dos armênios no Brasil: A tragetória de Levon Yacubian
Por Heitor de Andrade Carvalho Loureiro* (Originalmente publicado em
http://www.encontro2010.rj.anpuh.org/resources/anais/8/1276558947_ARQUIVO_LOUREIRO,Heitor.[anaisanpuhrj]OCOMUNISMODOSARMENIOSNOBRASIL.pdf )
Resumo: Para uma fração da comunidade armênia de São Paulo, entre os anos 1930-60, o comunismo era sobretudo uma forma de sobrevivência política dentro desta colônia de imigrantes. Neste sentido, o presente trabalho pretende analisar a trajetória de Levon Yacubian, líder comunista da coletividade armênio-brasileira, editor de jornal propagandista, preso pelo DEOPS/SP por atividades subversivas.
Palavras-chave: Armênios, Comunismo, repressão.
Abstract: For a part of the Armenian community in São Paulo, among the 1930s-1960s, the communism was mainly a form of political survival within the colony of immigrants. Therefore, this paper is about the trajectory of Levon Yacubian, who was a communist leader of the Armenian-Brazilians, as well as propagandist newspaper editor. He also was arrested by DEOPS/SP for subversive activities.
Keywords: Armenians, Communism, repression.
1. INTRODUÇÃO
Em 1975, um jornalista de origem estrangeira residente em São Paulo dá entrada no DEOPS/SP(1) para retirar uma certidão que o permita obter a sua habilitação de motorista amador. Para qualquer cidadão brasileiro, tal procedimento poderia soar trivial e ser executado sem grandes problemas. Entretanto, para indivíduos de origem estrangeira, a desejada certidão ensejava o início de uma devassa na vida pessoal do requerente.
Assim aconteceu com Levon Yacubian, indivíduo de origem armênia. A simples vontade de expedir a habilitação de motorista trouxe a tona toda sua ação de militante político de esquerda e de liderança respeitada no seio da coletividade armênia brasileira. Ao mesmo tempo, tal certidão exumou as cicatrizes que o aparelho repressor do DEOPS/SP deixou na vida desse militante comunista.
Assim, o objetivo desse trabalho é, através de uma figura central, compreender algumas características do comunismo da comunidade armênia de São Paulo entre os anos de 1930 e 1964 e como a repressão do Estado autoritário, através de sua ramificação de inteligência e operação – no caso o DEOPS/SP –, agiu para cercear a atividade “subversiva” desses elementos “alienígenas”, conforme nomenclatura recorrente nos prontuários gerados por tal órgão.
Para cumprir tal objetivo, utilizaremos como fonte os prontuários produzidos pelo DEOPS/SP no decorrer da atividade de investigação e prisão do elemento suspeito. O Fundo DEOPS/SP do Arquivo Público do Estado de São Paulo(2) é reconhecidamente um rico acervo para o estudo dos períodos autoritários da história republicana brasileira e com base nesses documentos, já nasceram diversas pesquisas que tratavam do engajamento político do imigrante e da respectiva repressão(3).
Para os armênios, segundo nossos levantamentos preliminares, existem cerca de 400 prontuários, sendo que aproximadamente 130 destes foram fichados pelas autoridades como comunistas. Ou seja, é perfeitamente viável, no que diz respeito à disponibilidade das fontes, a proposta de estudar os armênios comunistas no Brasil.
2. A IMIGRAÇÃO ARMÊNIA PARA O BRASIL: PECULIARIDADES SÓCIOPOLÍTICAS
A chegada dos armênios à América e mais especificamente ao Brasil constitui um processo histórico bem peculiar, se comparada aos demais fluxos migratórios euro-asiáticos que tiveram lugar no final do século XIX até meados do século XX. Não houve uma política de Estado de incentivo à imigração desse povo. Sem um Estado autônomo desde 1064, capitulado ante os turcos, os armênios se espalharam pelo mundo(4) principalmente após o Genocídio iniciado em 1915, que ceifou a vida de mais de 1,5 milhão de armênios que viviam no interior do Império Turco-Otomano(5).
De acordo com Hagop Kechichian, a primeira entrada substancial de armênios no país se deu via Rio Grande do Sul, por comerciantes que em busca de oportunidades de negócios, atravessaram a fronteira uruguaia com o Brasil e se estabeleceram em cidades daquele estado. Alguns mascates armênio-uruguaios alcançaram o sudeste, principalmente as cidades de Rio de Janeiro e São Paulo (KECHICHIAN, 2000:23-24 e 46-48). Contudo, a chegada do maior contingente de imigrantes se concentrou entre os anos de 1924-1926 (Ibid.:32), alcançando o número de cinco mil armênios no país em 1935 (Ibid.:51), atraídos muitas vezes pelas experiências dos árabes na Síria e no Líbano – países nos quais os armênios se refugiaram no primeiro momento –, que remetiam cartas às famílias contando das vitórias e conquistas no Brasil (Ibid.:31).
Kechichian (Ibid.:33) afirma que os primeiros que aqui chegaram se organizaram em pequenas sociedades e conseguiram iniciar pequenos negócios, principalmente vinculados às atividades comerciais de mascate. Uma vez estabelecidos e relativamente estabilizados, os novos imigrantes já direcionavam seus esforços para a confecção de calçados, atividade na qual muitos já trabalhavam nas cidades de origem.
Por último, as agremiações partidárias também são instituições da primeira hora na coletividade armênio-brasileira. No Brasil, à semelhança em outros países da Diáspora armênia, destacam-se três partidos principais: Federação Revolucionária Armênia, Hentchak e Ramvagar. Entretanto, corria por fora da organização partidária um número considerável de comunistas, que adotaram tal postura política por razões inerentes ao ser armênio e ao estar no Brasil. Assim, passemos então a análise dessas razões.
3. O COMUNISMO DOS ARMÊNIOS NO BRASIL E A REPRESSÃO DO DEOPS/SP
A repressão do DEOPS/SP – 1924-1983(6) – conforme mencionamos, recai sobre uma boa fração da colônia armênia, que segundo o entendimento das autoridades repressivas, são “todos pertencem a Armênia Soviética [sic](7) e são comunistas, adeptos e admiradores de Stalin”(8), numa clara tentativa de demonização dos inimigos políticos. Assim, nos cabe perguntar: se a disseminação do “credo comunista” entre os brasileiros já assustava as autoridades, o que podemos inferir quando refletimos sobre indivíduos ligados a um país que a esta altura era república integrante da URSS(9)? Nesse contexto, os armênios rotulados como comunistas se encaixavam perfeitamente no perfil estereotipado que a repressão criou para enquadrar os elementos indesejáveis: “os revolucionários, os contestadores, os sindicalistas, os estrangeiros, os operários, os anarquistas e os subversivos” (PEDROSO, 2005:114).
Dessa forma, muitas vezes a repressão feroz e intolerante do Estado não consegue diferenciar o que é comunismo do que é admiração de cunho nacionalista pela Pátria-mãe. Assim, acreditamos ser possível dividir os comunistas fichados pelo DEOPS/SP em três grupos distintos: a) os que apóiam a URSS pelo fato da Armênia estar contida naquele país; b) os que são comunistas para demarcar terreno político dentro da coletividade, uma vez que a vida político-partidária era intrínseca ao indivíduo armênio; c) os que eram comunistas strictu sensu, comprometido com toda a teoria e prática peculiar a essa postura. Entretanto, esses grupos não são excludentes, ou seja, um indivíduo pode se enquadrar nas três categorias simultaneamente. Acreditamos ser esse o caso de Levon Yacubian, nosso objeto de estudo. A seguir, analisaremos a sua ação política a partir de seu prontuário no DEOPS/SP para clarificar tal ponto
4. A TRAJETÓRIA DE LEVON YACUBIAN
Além do Ararat, Yacubian era membro da União Cultural Armênia de São Paulo(16), entidade que também era tomada como subversiva pela repressão, uma vez que tinha vários nomes em comum com o jornal, como o do intelectual armênio-brasileiro Jacob Bazarian, egresso da Academia de Ciências da União Soviética(17), além de receber materiais informativos sobre a URSS(18).
Tal postura oposicionista do Ararat na coletividade não descarta, contudo, o caráter socialista da publicação. Embora não consigamos encontrar nos textos do periódico grandes alusões teóricas ao marxismo-leninismo e ao bolchevismo – como também não era comum nos demais intelectuais brasileiros de esquerda no período (KONDER, 2009:73-75) –, é evidente a simpatia ao regime soviético e à figura de Stalin. Em uma edição comemorativa ao aniversário do líder soviético, o jornal estampa uma manchete com os dizeres “Stalin e os armênios”, acompanhado de um extenso texto de Yacubian acerca das proezas de Stalin e dos benefícios do comunismo para a Armênia(19). Na mesma edição, todavia, Yacubian da cadeia, também assina o texto denominado “os tashnags a caminho da traição”, mostrando assim em um mesmo número do jornal os diversos usos do comunismo para os armênios do Brasil.
Entretanto, em outubro de 1949, beneficiado por um despacho do Ministério da Justiça e Negócios Interiores, a expulsão de Yacubian foi arquivada e o réu foi inocentado. A decisão se deu após o juiz entender que a atividade do jornalista não feriu a legislação vigente e não acarretou em danos para o país.
Apesar da absolvição, é fato que Levon Yacubian, ainda que não pertencente ao Partido Comunista Brasileiro e não seguir as orientações do Komitern, agiu no sentido de atrair os seus compatriotas para o lado do comunismo, ainda que essa adesão se desse de acordo com os usos que o jornalista dava a tal ideologia no interior da coletividade. Contudo, pode ter pesado na decisão da justiça a repercussão que o caso tomou. Na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo, instituição a qual Yacubian frequentava na época de sua detenção, foi organizado um abaixo-assinado em protesto à manutenção da prisão do jornalista mesmo depois da expedição do alvará de soltura. No mesmo número do Ararat supracitado, também havia uma nota sobre a prisão do jornalista e o descontentamento da sociedade com tal acontecimento.
Enfim, importa menos o motivo da libertação de Yacubian do que o processo do qual ele faz parte. Preso com um companheiro por atividades subversivas, editor e escritor de um jornal de ampla circulação na comunidade armênia do Brasil, próximo a intelectuais e pensadores ligados mais diretamente a URSS e também inserido na intelectualidade brasileira através da USP, Yacubian mostra-se um valoroso militante, engajado principalmente nos problemas de sua pátria-mãe e da coletividade na que está inserido. Por esse prisma, o comunismo armênio não interfere na sociedade brasileira enquanto força política ameaçadora. Entretanto, na medida em que a ação de Yacubian transborda a coletividade e atinge a universidade, por exemplo, suas atividades engajadas compõem um rico cenário das esquerdas brasileiras no século XX, cujas fileiras são engrossadas por centenas de imigrantes com diferentes formações pessoais e políticas que afluem para o grande rio caudaloso da oposição do autoritarismo repressivo brasileiro e sua principal materialização: o DEOPS.
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(2) Doravante denominado de APESP.
(3) Cf. DIETRICH, 2007, WIAZOVSKI, 2001, ZEN, 2005.
(4) Aharon Sapsezian (1988:161-162) estima que, enquanto viviam na Armênia Soviética cerca de 3,1 milhões de armênios, outros 3,5 milhões estavam espalhados pelo mundo.
(5) Cf. TERNON, 1996.
(6) O DEOPS foi criado, segundo Regina Célia Pedroso, em um contexto de repressão política e formação
ideológica contra àqueles que fossem julgados prejudiciais para a manutenção da ordem vigente, principalmente os anarquistas e estrangeiros em um primeiro momento. (PEDROSO, 2005:112-114).
(7) Embora estes tenham emigrado antes de 1921, quando a Armênia se tornou uma das Repúblicas Socialistas Soviéticas.
(8) Pront. nº 98.438 - Vartavar Tchungurian. DEOPS/SP, APESP.
(9) Taciana Wiazovski (2001:37) nos mostra que eram justamente os imigrantes – sobretudo judeus – oriundos dos países pertencentes à URSS e seus satélites os mais perseguidos pelo DEOPS/SP sob a acusação de comunismo.
(10) Pront. 73.631 – Levon Yacubian, DEOPS/SP, APESP. Curiosamente, há outro prontuário que trata do mesmo personagem, registrado sob o número 121.455 em 1952 e com o nome grafado de outra forma: Levon Jacobian.
(11) Pront. 46.273 - Agop Boyadjian, DEOPS/SP, APESP.
(12) Pront. 121.455 – Levon Jacobian, DEOPS/SP, APESP.
(13) Pront. 98.526 – Ararat, DEOPS/SP, APESP.
(14) Todos os assinantes foram fichados pelo DEOPS/SP e possuem prontuários arquivados no APESP.
(15) Isso fica claro em um texto de Yacubian para o jornal: “somente o poder socialista dos operários, camponeses e intelectuais armênios é que conseguiu derrotar definitivamente, na Armênia, as forças retrogadas [sic] do governo tashnag de Vratzian. Somente o socialismo é que deu o poder governamental nas mãos do povo armênio, outrora escravisado [sic] e espoliado por meia dúzia de lacaios tashnags” Ararat – A voz do povo armênio. Ano IV, nº. 39-40; dezembro de 1949 a janeiro de 1950, p. 1. Lembrando que “tashnags” é a denominação em armênio para os membros da FRA.
(16) Pront. 94.341 - Sociedade Cultural União Armênia de São Paulo, DEOPS/SP, APESP.
(17) Pront. 95.621 - Jacob Bazarian, DEOPS/SP, APESP.
(18) Pront. 94.341.
(19) Ararat – A voz do povo armênio. Ano IV, nº. 39-40; dez. 1949 a jan. 1950, p. 1.
(20) Pront. 73.63. Desse trecho em diante, as informações são oriundas deste prontuário, salvo exceções que serão notificadas.
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