quinta-feira, setembro 13, 2012

MUNDO: Levantamento de países invadidos pelos Estados Unidos


A direita brasileira, marionete de Washington. costuma repetir ad infinitum que "o perigo são os russos", e em alguns mesmo os chineses. Estudo feito em 2007 faz um levantamento de países invadidos pelos Estados Unidos, o mais imperialista de todos os países.


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Reproduzo levantamento feito por Alberto da Silva Jones, publicado em 2007 no sítio do Centro de Mídia Independente/Brasil: 

Entre as várias invasões que as forças armadas dos Estados Unidos fizeram nos séculos XIX, XX e XXI, podemos citar:

1846/1848 - México - Por causa da anexação, pelos EUA, da República do Texas;

1890 - Argentina - Tropas desembarcam em Buenos Aires para defender interesses econômicos americanos;

1891 - Chile - Fuzileiros Navais esmagam forças rebeldes nacionalistas;

1891 - Haiti - Tropas debelam a revolta de operários negros na ilha de Navassa, reclamada pelos EUA;

1893 - Hawai - Marinha enviada para suprimir o reinado independente e anexar o Hawaí aos EUA;

1894 - Nicarágua - Tropas ocupam Bluefields, cidade do mar do Caribe, durante um mês;

1894/1895 - China - Marinha, Exército e Fuzileiros desembarcam no país durante a guerra sino-japonesa;

1894/1896 - Coréia - Tropas permanecem em Seul durante a guerra;

1895 - Panamá - Tropas desembarcam no porto de Corinto, província Colombiana;

1898/1900 - China - Tropas ocupam a China durante a Rebelião Boxer;

1898/1910 - Filipinas - Luta pela independência do país, dominado pelos EUA (Massacres realizados por tropas americanas em Balangica, Samar, 27/09/1901, e Bud Bagsak, Sulu, 11/15/1913; 600.000 filipinos mortos;

1898/1902 - Cuba - Tropas sitiaram Cuba durante a guerra hispano-americana;

1898 - Porto Rico - Tropas sitiaram Porto Rico na guerra hispano-americana, hoje 'Estado Livre Associado' dos Estados Unidos;

1898 - Ilha de Guam - Marinha desembarca na ilha e a mantêm como base naval até hoje;

1898 - Espanha - Guerra Hispano-Americana - Desencadeada pela misteriosa explosão do encouraçado Maine, em 15 de fevereiro, na Baía de Havana. Esta guerra marca o surgimento dos EUA como potência capitalista e militar mundial;

1898 - Nicarágua - Fuzileiros Navais invadem o porto de San Juan del Sur;

1899 - Ilha de Samoa - Tropas desembarcam e invadem a Ilha em conseqüência de conflito pela sucessão do trono de Samoa;

1899 - Nicarágua - Tropas desembarcam no porto de Bluefields e invadem a Nicarágua (2ª vez);

1901/1914 - Panamá - Marinha apóia a revolução quando o Panamá reclamou independência da Colômbia; tropas americanas ocupam o canal em 1901, quando teve início sua construção;

1903 - Honduras - Fuzileiros Navais desembarcam em Honduras e intervêm na revolução do povo hondurenho;

1903/1904 - República Dominicana - Tropas atacaram e invadiram o território dominicano para proteger interesses do capital americano durante a revolução;

1904/1905 - Coréia - Fuzileiros Navais dos Estados Unidos desembarcaram no território coreano durante a guerra russo-japonesa;

1906/1909 - Cuba -Tropas dos Estados Unidos invadem Cuba e lutam contra o povo cubano durante período de eleições;

1907 - Nicarágua - Tropas invadem e impõem a criação de um protetorado, sobre o território livre da Nicarágua;

1907 - Honduras - Fuzileiros Navais desembarcam e ocupam Honduras durante a guerra de Honduras com a Nicarágua;

1908 - Panamá - Fuzileiros invadem o Panamá durante período de eleições;

1910 - Nicarágua - Fuzileiros navais desembarcam e invadem pela 3ª vez Bluefields e Corinto, na Nicarágua;

1911 - Honduras - Tropas enviadas para proteger interesses americanos durante a guerra civil invadem Honduras;

1911/1941 - China - Forças do exército e marinha dos Estados Unidos invadem mais uma vez a China durante período de lutas internas repetidas;

1912 - Cuba - Tropas invadem Cuba com a desculpa de proteger interesses americanos em Havana;

1912 - Panamá - Fuzileiros navais invadem novamente o Panamá e ocupam o país durante eleições presidenciais;

1912 - Honduras - Tropas norte americanas mais uma vez invadem Honduras para proteger interesses do capital americano;

1912/1933 - Nicarágua - Tropas dos Estados Unidos com a desculpa de combaterem guerrilheiros invadem e ocupam o país durante 20 anos;

1913 - México - Fuzileiros da Marinha invadem o México com a desculpa de evacuar cidadãos americanos durante a revolução;

1913 - México - Durante a revolução mexicana, os Estados Unidos bloqueiam as fronteiras mexicanas;

1914/1918 - Primeira Guerra Mundial - EUA entram no conflito em 6 de abril de 1917 declarando guerra à Alemanha. As perdas americanas chegaram a 114 mil homens;

1914 - República Dominicana - Fuzileiros navais da Marinha dos Estados invadem o solo dominicano e interferem na revolução em Santo Domingo;

1914/1918 - México - Marinha e exército invadem o território mexicano e interferem na luta contra nacionalistas;

1915/1934 - Haiti - Tropas americanas desembarcam no Haiti, em 28 de julho, e transformam o país numa colônia americana, permanecendo lá durante 19 anos;

1916/1924 - República Dominicana - Os EUA invadem e estabelecem governo militar na República Dominicana, em 29 de novembro, ocupando o país durante oito anos;

1917/1933 - Cuba - Tropas desembarcam em Cuba e transformam o país num protetorado econômico americano, permanecendo essa ocupação por 16 anos;

1918/1922 - Rússia - Marinha e tropas enviadas para combater a revolução bolchevista. O Exército realizou cinco desembarques, sendo derrotado pelos russos em todos eles;

1919 - Honduras - Fuzileiros desembarcam e invadem mais uma vez o país durante eleições, colocando no poder um governo a seu serviço;

1918 - Iugoslávia - Tropas dos Estados Unidos invadem a Iugoslávia e intervêm ao lado da Itália contra os sérvios na Dalmácia;

1920 - Guatemala - Tropas invadem e ocupam o país durante greve operária do povo da Guatemala;

1922 - Turquia - Tropas invadem e combatem nacionalistas turcos em Smirna;

1922/1927 - China - Marinha e Exército mais uma vez invadem a China durante revolta nacionalista;

1924/1925 - Honduras - Tropas dos Estados Unidos desembarcam e invadem Honduras duas vezes durante eleição nacional;

1925 - Panamá - Tropas invadem o Panamá para debelar greve geral dos trabalhadores panamenhos;

1927/1934 - China - Mil fuzileiros americanos desembarcam na China durante a guerra civil local e permanecem durante sete anos ocupando o território;

1932 - El Salvador - Navios de Guerra dos Estados Unidos são deslocados durante a revolução das Forças do Movimento de Libertação Nacional - FMLN -
comandadas por Marti;

1939/1945 - II Guerra Mundial - Os EUA declaram guerra ao Japão em 8 de dezembro de 1941 e depois a Alemanha e Itália, invadindo o Norte da África, a Ásia e a Europa, culminando com o lançamento das bombas atômicas sobre as cidades desmilitarizadas de Iroshima e Nagasaki;

1946 - Irã - Marinha americana ameaça usar artefatos nucleares contra tropas soviéticas caso as mesmas não abandonem a fronteira norte do Irã;

1946 - Iugoslávia - Presença da marinha ameaçando invadir a zona costeira da Iugoslávia em resposta a um avião espião dos Estados Unidos abatido pelos soviéticos;

1947/1949 - Grécia - Operação de invasão de Comandos dos EUA garantem vitória da extrema direita nas "eleições" do povo grego;

1947 - Venezuela - Em um acordo feito com militares locais, os EUA invadem e derrubam o presidente eleito Rómulo Gallegos, como castigo por ter aumentado o preço do petróleo exportado, colocando um ditador no poder;

1948/1949 - China - Fuzileiros invadem pela ultima vez o território chinês para evacuar cidadãos americanos antes da vitória comunista;

1950 - Porto Rico - Comandos militares dos Estados Unidos ajudam a esmagar a revolução pela independência de Porto Rico, em Ponce;

1951/1953 - Coréia - Início do conflito entre a República Democrática da Coréia (Norte) e República da Coréia (Sul), na qual cerca de 3 milhões de pessoas morreram. Estados Unidos são um dos principais protagonistas da invasão usando como pano de fundo a recém criada Nações Unidas, ao lado dos sul-coreanos. A guerra termina em julho de 1953 sem vencedores e com dois estados polarizados: comunistas ao norte e um governo pró-americano no sul. Os EUA perderam 33 mil homens e mantém até hoje base militar e aero-naval na Coréia do Sul;

1954 - Guatemala - Comandos americanos, sob controle da CIA, derrubam o presidente Arbenz, democraticamente eleito, e impõem uma ditadura militar no país. Jacobo Arbenz havia nacionalizado a empresa United Fruit e impulsionado a reforma agrária;

1956 - Egito - O presidente Nasser nacionaliza o canal de Suez. Tropas americanas se envolvem durante os combates no Canal de Suez sustentados pela Sexta Frota dos EUA. As forças egípcias obrigam a coalizão franco-israelense-britânica, a retirar-se do canal;

1958 - Líbano - Forças da Marinha invadem apóiam o exército de ocupação do Líbano durante sua guerra civil;

1958 - Panamá - Tropas dos Estados Unidos invadem e combatem manifestantes nacionalistas panamenhos;

1961/1975 - Vietnã. Aliados ao sul-vietnamitas, o governo americano invade o Vietnã e tenta impedir, sem sucesso, a formação de um estado comunista, unindo o sul e o norte do país. Inicialmente a participação americana se restringe a ajuda econômica e militar (conselheiros e material bélico). Em agosto de 1964, o congresso americano autoriza o presidente a lançar os EUA em guerra. Os Estados Unidos deixam de ser simples consultores do exército do Vietnã do Sul e entram num conflito traumático, que afetaria toda a política militar dali para frente. A morte de quase 60 mil jovens americanos e a humilhação imposta pela derrota do Sul em 1975, dois anos depois da retirada dos Estados Unidos, moldou a estratégia futura de evitar guerras que impusessem um custo muito alto de vidas americanas e nas quais houvesse inimigos difíceis de derrotar de forma convencional, como os vietcongues e suas táticas de guerrilhas;

1962 - Laos - Militares americanos invadem e ocupam o Laos durante guerra civil contra guerrilhas do Pathet Lao;

1964 - Panamá - Militares americanos invadiram mais uma vez o Panamá e mataram 20 estudantes, ao reprimirem a manifestação em que os jovens queriam trocar, na zona do canal, a bandeira americana pela bandeira de seu país;

1965/1966 - República Dominicana - Trinta mil fuzileiros e pára-quedistas desembarcaram na capital do país, São Domingo, para impedir a nacionalistas panamenhos de chegarem ao poder. A CIA conduz Joaquín Balaguer à presidência, consumando um golpe de estado que depôs o presidente eleito Juan Bosch. O país já fora ocupado pelos americanos de 1916 a 1924;

1966/1967 - Guatemala - Boinas Verdes e marines invadem o país para combater movimento revolucionário contrário aos interesses econômicos do capital americano;

1969/1975 - Camboja - Militares americanos enviados depois que a Guerra do Vietnã invadem e ocupam o Camboja;

1971/1975 - Laos - EUA dirigem a invasão sul-vietnamita bombardeando o território do vizinho Laos, justificando que o país apoiava o povo vietnamita em sua luta contra a invasão americana;

1975 - Camboja - 28 marines americanos são mortos na tentativa de resgatar a tripulação do petroleiro estadunidense Mayaquez;

1980 - Irã - Na inauguração do estado islâmico formado pelo Aiatolá Khomeini, estudantes que haviam participado da Revolução Islâmica do Irã ocuparam a embaixada americana em Teerã e fizeram 60 reféns. O governo americano preparou uma operação militar surpresa para executar o resgate, frustrada por tempestades de areia e falhas em equipamentos. Em meio à frustrada operação, oito militares americanos morreram no choque entre um helicóptero e um avião. Os reféns só seriam libertados um ano depois do seqüestro, o que enfraqueceu o então presidente Jimmy Carter e elegeu Ronald Reagan, que conseguiu aprovar o maior orçamento militar em época de paz até então;

1982/1984 - Líbano - Estados Unidos invadiram o Líbano e se envolveram nos conflitos no país logo após a invasão por Israel - e acabaram envolvidos na guerra civil que dividiu o país. Em 1980, os americanos supervisionaram a retirada da Organização pela Libertação da Palestina de Beirute. Na segunda intervenção, 1.800 soldados integraram uma força conjunta de vários países, que deveriam restaurar a ordem após o massacre de refugiados palestinos por libaneses aliados a Israel. O custo para os americanos foi a morte 241 fuzileiros navais, quando os libaneses explodiram um carro bomba perto de um quartel das forças americanas;

1983/1984 - Ilha de Granada - Após um bloqueio econômico de quatro anos a CIA coordena esforços que resultam no assassinato do 1º Ministro Maurice Bishop. Seguindo a política de intervenção externa de Ronald Reagan, os Estados Unidos invadiram a ilha caribenha de Granada alegando prestar proteção a 600 estudantes americanos que estavam no país, as tropas eliminaram a influência de Cuba e da União Soviética sobre a política da ilha;

1983/1989 - Honduras - Tropas enviadas para construir bases em regiões próximas à fronteira invadem o Honduras;

1986 - Bolívia - Exército invade o território boliviano na justificativa de auxiliar tropas bolivianas em incursões nas áreas de cocaína;

1989 - Ilhas Virgens - Tropas americanas desembarcam e invadem as ilhas durante revolta do povo do país contra o governo pró-americano;

1989 - Panamá - Batizada de Operação Causa Justa, a intervenção americana no Panamá foi provavelmente a maior batida policial de todos os tempos: 27 mil soldados ocuparam a ilha para prender o presidente panamenho, Manuel Noriega, antigo ditador aliado do governo americano. Os Estados Unidos justificaram a operação como sendo fundamental para proteger o Canal do Panamá, defender 35 mil americanos que viviam no país, promover a democracia e interromper o tráfico de drogas, que teria em Noriega seu líder na América Central. O ex-presidente cumpre prisão perpétua nos Estados Unidos.

1990 - Libéria - Tropas invadem a Libéria justificando a evacuação de estrangeiros durante guerra civil;

1990/1991 - Iraque - Após a invasão do Iraque ao Kuwait, em 2 de agosto de 1990, os Estados Unidos, com o apoio de seus aliados da Otan, decidem impor um embargo econômico ao país, seguido de uma coalizão anti-Iraque (reunindo além dos países europeus membros da Otan, o Egito e outros países árabes) que ganhou o título de "Operação Tempestade no Deserto". As hostilidades começaram em 16 de janeiro de 1991, um dia depois do fim do prazo dado ao Iraque para retirar tropas do Kuwait. Para expulsar as forças iraquianas do Kuwait, o então presidente George Bush destacou mais de 500 mil soldados americanos para a Guerra do Golfo;

1990/1991 - Arábia Saudita - Tropas americanas destacadas para ocupar a Arábia Saudita que era base militar na guerra contra Iraque;

1992/1994 - Somália - Tropas americanas, num total de 25 mil soldados, invadem a Somália como parte de uma missão da ONU para distribuir mantimentos para a população esfomeada. Em dezembro, forças militares norte-americanas (comando Delta e Rangers) chegam a Somália para intervir numa guerra entre as facções do então presidente Ali Mahdi Muhammad e tropas do general rebelde Farah Aidib. Sofrem uma fragorosa derrota militar nas ruas da capital do país;

1993 - Iraque - No início do governo Clinton é lançado um ataque contra instalações militares iraquianas em retaliação a um suposto atentado, não concretizado, contra o ex-presidente Bush, em visita ao Kuwait;

1994/1999 - Haiti - Enviadas pelo presidente Bill Clinton, tropas americanas ocuparam o Haiti na justificativa de devolver o poder ao presidente eleito Jean-Betrand Aristide, derrubado por um golpe, mas o que a operação visava era evitar que o conflito interno provocasse uma onda de refugiados haitianos nos Estados Unidos;

1996/1997 - Zaire (ex-República do Congo) - Fuzileiros Navais americanos são enviados para invadir a área dos campos de refugiados Hutus;

1997 - Libéria - Tropas dos Estados Unidos invadem a Libéria justificando a necessidade de evacuar estrangeiros durante guerra civil sob fogo dos rebeldes;

1997 - Albânia - Tropas invadem a Albânia para evacuar estrangeiros;

2000 - Colômbia - Marines e "assessores especiais" dos EUA iniciam o Plano Colômbia, que inclui o bombardeamento da floresta com um fungo transgênico fusarium axyporum (o "gás verde");

2001 - Afeganistão - Os EUA bombardeiam várias cidades afegãs, em resposta ao ataque terrorista ao World Trade Center em 11 de setembro de 2001. Invadem depois o Afeganistão onde estão até hoje;

2003 - Iraque - Sob a alegação de Saddam Hussein esconder armas de destruição e financiar terroristas, os EUA iniciam intensos ataques ao Iraque. É batizada pelos EUA de "Operação Liberdade do Iraque" e por Saddam de "A Última Batalha", a guerra começa com o apoio apenas da Grã-Bretanha, sem o endosso da ONU e sob protestos de manifestantes e de governos no mundo inteiro. As forças invasoras americanas até hoje estão no território iraquiano, onde a violência aumentou mais do que nunca.


* Na América Latina, África e Ásia, os Estados Unidos invadiam países ou para depor governos democraticamente eleitos pelo povo, ou para dar apoio a ditaduras criadas e montadas pelos Estados Unidos, tudo em nome da "democracia" (deles).

Nota do perfil "Porra Serra":
Como o levantamento acabou em 2007, acrescentei:
2011 - Líbia
Ataques norteamericanos com VANTS (Veículos Aérios Não Tripulados): Síria, Iêmen, Paquistão, Somália, Irã, Afeganistão e Iraque.

terça-feira, setembro 11, 2012

MUNDO: Ex-agente americano explica como os EUA escravizam e dominam outros países

Ex-agente americano explica como os Estados Unidos escravizam e dominam outros países, no filme Zeitgeist Adenddum.

É importante notar como esse processo sugere como foram derrubados vários governos populares no Leste Europeu e como foi estabelecida a ditadura fascista no Brasil. Diferente de outros vídeos que pretensamente trazem "a verdade revelada por ex-agentes do KGB", este agente não reside em nenhum país socialista, anti-imperialista ou é por esses financiado, devendo o seu depoimento ser tomado por espontâneo e revelador.

MUNDO: Toda ação tem uma reação


BRASIL: ONG é proibida de dar livros em viaduto de São Paulo

Extraído de http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/agencia-estado/2012/09/11/ong-e-proibida-de-dar-livro-em-viaduto-de-sao-paulo.htm

A organização não-governamental Educa São Paulo havia programado para a manhã de segunda-feira (10), a distribuição de cerca de 8.000 livros, entre obras de literatura brasileira, livros infantis e gibis, no Viaduto do Chá, região central. A intenção era, além de incentivar a leitura, protestar contra o abandono das bibliotecas da cidade, que, segundo o presidente da ONG, Devanir Amâncio, "têm livros, mas não têm leitores."


Uma perua Kombi estacionou no Viaduto do Chá por volta das 23h de domingo (9) para organizar e separar os títulos por autor e gênero, mas foram impedidos. Quatro guardas-civis metropolitanos disseram para os integrantes da ONG que eles deveriam ter autorização da prefeitura para realizar a distribuição. "Eles disseram que estavam em alerta, esperando pela ação, e que a ordem era impedir", disse Amâncio.
A iniciativa, intitulada Bienal Relâmpago, agora será transformada em Bienal Móvel. Segundo Amâncio, duas Kombis - equipadas com aparelhos de som e faixas - percorrerão locais movimentados da região central da cidade oferecendo livros às pessoas. "Devemos começar ainda pela região do Viaduto do Chá, porque ali é área de Zona Azul e, se pagarmos, podemos estacionar por um tempo para distribuir os livros."
Ainda sem itinerário ou data marcada para a ação, Amâncio disse que é provável que a distribuição seja realizada neste sábado. Segundo ele, os livros foram doados por moradores da cidade. "Os próximos gestores têm de oferecer uma política eficiente de incentivo à leitura, para que as bibliotecas não sejam depósitos de livros como são hoje." As informações são do jornal "O Estado de S.Paulo".

sexta-feira, setembro 07, 2012

BRASIL: Os menores e mais ignóbeis nomes do Brasil

Por Cristiano Alves

Concurso promovido pelo Sistema Brasileiro de Televisão SBT distorce o entendimento do brasileiro acerca da cultura e história do Brasil

Há algum tempo foi lançado um concurso chamado "O maior brasileiro de todos os tempos". Longe do que alguns imaginam, esse concurso não é uma "ideia original do SBT", mas até aí tudo bem, Maquiavel já dizia em "O Príncipe", que a história tem poucos originais, e que o homem tende a copiar aquilo que faz sucesso. Assim, pode-se o concurso "O maior nome" teve um grande sucesso nos países onde ele foi feito, especialmente no Reino Unido, Rússia e Ucrânia. Nesses países foram julgados nomes de relevância, que deram alguma contribuição significativa para que o nome do país fosse lembrado ao longo dos tempos, sempre indivíduos que já haviam falecido, a fim de aprofundar a investigação histórica, a pesquisa e de evitar que nomes que hoje exercem grande popularidade sobrepujassem o daqueles que efetivamente fizeram ecoar a imagem do país. Após a escolha dos nomes mais votados, foi feito um debate televisivo similar a um debate presidencial. No Brasil, entretanto, tudo se deu de modo bem diferente.

A televisão aberta brasileira é conhecida pelo seu papel anticultural, desinformativo e alienador, seus empresários preferem exibir em horário vespertino programas onde crianças rebolam suas nádegas em torno de garrafas que são claramente uma representação do falo, ao invés de exibir, por exemplo, um programa onde um professor tenta difundir a música erudita. Essa prática abominável e nefasta afronta claramente a lei brasileira, em especial a Carta Magna, que enumera como um dos princípios que norteiam a programação televisiva em seu artigo 221:

        I- preferência a finalidades educativas, artísticas, culturais e informativas;
       II- promoção da cultura nacional e regional e estímulo à produção independente que objetive sua divulgação;
      III- regionalização da produção cultural, artística e jornalística, conforme percentuais estabelecidos em lei;
      IV- respeito aos valores éticos e sociais da pessoa e da família.

Ainda, segundo a "Lei da Televisão"(nº 32/2003), em seu artigo 10º, esta deve "favorecer a criação de hábitos de convivência cívica própria de um Estado Democrático" e "promover a cultura e a língua portuguesas e os valores que exprimem a identidade nacional". Se num programa que visa escolher "o maior brasileiro de todos os tempos" a criadora, ou melhor "animadora" de uma canção do tipo "o seu amor é canibal" sai na frente do criador da "ópera sobre o canibal"(como foi anunciada, erroneamente, por um garoto na Itália antes da apresentação da maior ópera brasileira, Il Guarany), Carlos Gomes, é por que há algo de errado com os valores transmitidos pela mídia e pelo sistema educacional brasileiro. E o que dizer da animadora Cláudia Leite(75º) ter conseguido mais votos do que o cantor e renomado compositor Chico Buarque(84º), cujas composições falam de períodos difíceis da história do brasileiro, do cotidiano do trabalhador oprimido, explorado e de nossa cultura? Tamanho é o desserviço promovido pelo concurso, que enquanto nomes como Anderson Silva(90º, setenta posições atrás do futebolista Neymar, que jamais ganhou nada em nível internacional), cujo mérito como atleta e lutador é inegável; sequer aparecem na lista nomes como o lendário revolucionário Gregório Bezerra, quase um "Che Guevara tupiniquim", que pegou em armas para lutar por justiça social, assaltando sozinho um quartel da polícia da cidade de Natal, no Rio Grande do Norte, lutando até o último cartucho de munição, até sair ferido e conduzido ao hospital, ajudando a estabelecer a primeira república popular, efêmera, na América Latina, na capital potiguar, tendo ainda lutado em armas contra a ditadura fascista estabelecida em 1964, sendo por isso preso até o final de sua vida, o que lhe valeu uma comparação com Nelson Mandela. Como explicar Michel Teló em 72º lugar e Tom Jobim, um dos patriarcas da bossa nova e divulgador internacional da verdadeira música popular brasileira em 89º lugar? Como explicar Maria da Penha, paladina da luta contra a violência doméstica misógina, em 100º lugar, enquanto Xuxa, ex-estrela de um filme de pornografia infantil, está em 40º lugar? E o que dizer do palhaço Tiririca(48º) ter recebido mais votos que o renomado escritor e poeta Carlos Drummond de Andrade(52º)? Ou ainda do padre Cícero(32º), agente dos nefastos coronéis cearenses, que mesmo cooptou o cangaceiro Lampião(74º) para combater a coluna revolucionária de Luís Carlos Prestes(76º), com mais votos que o bispo Dom Helder Câmara(37º), que não apenas questionou e combateu a miséria no Brasil, como levantou a voz contra a ditadura fascista no país? Como se não fosse pouca a ignorância histórica, ela também é notável no plano econômico, uma vez que Eike Batista(21º), cujo principal "mérito" é ser o homem mais rico do Brasil e um dos 10 mais ricos do mundo segundo a revista Forbes, conseguiu o incrível feito de estar melhor colocado que o Visconde de Mauá(45º), economista e banqueiro que teve um importante papel na fundação do primeiro Banco do Brasil, uma das mais bem sucedidas empresas que o Brasil já teve, na construção da primeira fundição no Brasil, e das primeiras ferrovias, isto é, da inserção do nosso país na Idade Contemporânea, sendo ainda um pioneiro do empreendedorismo no país. Quantos empresários brasileiros nos dias atuais financiam a construção de sistemas ferroviários, um quesito indispensável para qualquer país que quer fazer parte do século XXI?

Longe de demonstrar "o maior brasileiro de todos os tempos", o concurso lançado pelo Sistema Brasileiro de Televisão consegue mostrar os mais ignóbeis brasileiros de todos os tempos, que são aqueles que banalizam um meio de comunicação tão significativo como a televisão, aqueles que, sem nenhum critério, transformam um concurso sério, que diz respeito à identidade nacional de um povo, num verdadeiro circo sem qualquer caráter cultural ou educativo. Os menores são certamente aqueles que são mantidos num estado de ignorância ou que, voluntariamente, negligenciam sua própria identidade em favor de um culto da personalidades de nomes insignificantes, que em nada contribuem para o Brasil, senão para divulgar fora dele uma imagem de "povo festeiro e desinteressado pelo seu próprio país", que é justamente a imagem ideal para os exploradores do Brasil, que dele retiram o que bem querem, que "podem explodir o país e ainda serem agradecidos por fazê-lo". Até quando o Brasil seguirá a máxima de De Gaulle, segundo o qual "não somos um país sério"? Melhor seria escolher como o "maior brasileiro de todos os tempos" Jorge Amado, não apenas por ter sido um grande escritor cujas obras foram publicadas em mais de 55 idiomas, vencedor de diversas premiações no Brasil e fora dele, mas sobretudo por expor, de forma realista, um retrato fiel do povo brasileiro, miserável materialmente e intelectualmente, sensual e dominado por uma burguesia nefasta traidora dos interesses nacionais em nome de sua posição aristocrática. Título justo, não?


quinta-feira, setembro 06, 2012

BRASIL: Entrevista a Ivan Pinheiro, secretário-geral do PCB

Por Dick e Miriam Emanuelsson

Em entrevista a jornalista sueco, líder comunista brasileiro adverte: "O Brasil não é socialista e nem caminha em direção ao socialismo"


sexta-feira, agosto 31, 2012

REFLEXÃO

Por Twylla Ferraz

Racismo, preconceito e discriminação são situações distintas.
Você, branco, por ouvir RAP, dançar Samba Rock e usar dred NÃO é mais preto que o preto que ouve rock, não dança e alisa o cabelo.
Não é pelo fato de andar de calça bag e camisa do Corinthians, que a sua abordagem policial vai ser igual a de um preto, mesmo que esse esteja de terno voltando da universidade.
Não, você não deixa de ser racista ao me chamar de macaco e cabelo duro SÓ de "brincadeira".
Ter uma empregada é preta também não te faz menos racista.
Ter um namorado/marido/peguete/amigo preto também não te faz menos racista.
Pretos não são os mais racistas.

VOCÊ É RACISTA E NÃO SABE!

domingo, agosto 26, 2012

BRASIL: Estagiária negra é forçada a alisar o cabelo para preservar "boa aparência"

De São Paulo, da Radioagência NP, Jorge Américo, com Geledés
Publicado em http://www.pragmatismopolitico.com.br/2011/12/estagiaria-negra-e-forcada-alisar.html

‘O padrão daqui é cabelo liso’, disse a patroa.
A estagiária Ester Elisa da Silva Cesário acusa seus superiores de perseguição e racismo. Conforme Boletim de Ocorrência registrado no dia 24 de novembro, na Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi) de São Paulo, ela teria sido forçada a alisar o cabelo para manter a “boa aparência”. A diretora do Colégio Internacional Anhembi Morumbi ainda teria prometido comprar camisas mais compridas para que a funcionária escondesse os quadris.
Ester conta que foi contratada no dia 1º de novembro de 2011, para atuar no setor de marketing e monitorar visitas de pais interessados em matricular seus filhos no colégio, localizado no bairro do Brooklin, na cidade de São Paulo. A estagiária afirma ter sido convocada para uma conversa na sala da diretora, identificada como professora Dea de Oliveira. Nos dias anteriores, sempre alguém mandava recado para que prendesse o cabelo e evitasse circular pelos corredores.
“Ela disse: ‘como você pode representar o colégio com esse cabelo crespo? O padrão daqui é cabelo liso’. Então, ela começou a falar que o cabelo dela era ruim, igual o meu, que era armado, igual o meu, e ela teve que alisar para manter o padrão da escola.”
Além das advertências, Ester afirma ter sofrido ameaças depois de revelar o conteúdo da conversa aos demais funcionários do colégio. Eles teriam demonstrado solidariedade ao perceber que a estagiaria estava em prantos no banheiro.
“Depois disso, eu me vesti para ir embora e, quando estava saindo, ela me parou na porta e disse: ‘cuidado com o que você fala por aí porque eu tenho vinte anos aqui no colégio e você está começando agora. A vida é muito difícil, você ainda vai ouvir muitas coisas ruins e vai ter que aguentar’.”

Colégio se defende
Após contato da reportagem, um funcionário indicado pela Direção do Anhembi Morumbi informou que a instituição não recebeu nenhuma notificação sobre o registro do Boletim de Ocorrência. Ele negou a existência de preconceito e se limitou a dizer que “o colégio zela pela sua imagem e, ao pregar a ‘boa aparência’, se refere ao uso de uniformes e cabelo preso”.
A advogada trabalhista Carmen Dora de Freitas Ferreira, que ministra cursos no Geledés – Instituto da Mulher Negra – assegura que a expressão “boa aparência” é usada frequentemente para disfarçar preconceitos.
“Não está escrito isso, mas quando eles dizem ‘boa aparência’, automaticamente estão excluindo negros, afrodescendentes e indígenas. O padrão é mulher loira, alta, magra, olhos claros. É isso que querem dizer com ‘boa aparência’. E excluir do mercado de trabalho por esse requisito é muito doloroso, afronta a Lei, afronta a Constituição e afronta os direitos humanos.”
Métodos conhecidos
De acordo com o depoimento da estagiária, as ofensas se deram em um local reservado. A advogada explica que essa prática é comum no ambiente de trabalho, além de ser sempre premeditada.
“O assediador sempre espera o momento em que a vítima está sozinha para não deixar testemunhas, mas as marcas são profundas. O preconceito é tão danoso, que ele nega direitos fundamentais, exclui, coloca estigmas, e a pessoa se sente humilhada, violentada. Quando o assediador percebe a extensão do dano, ele tenta minimizar, dizendo ‘não foi bem assim, você me interpretou errado, eu não sou discriminador, na minha família, a minha avó era negra’.”
Ester ainda afirma que teria sido pressionada a deixar o trabalho, ao relatar o ocorrido a uma conselheira do Colégio. Como decidiu permanecer, passou a ser vigiada constantemente por colegas.
“Eu estou lá e consegui passar numa entrevista porque sou qualificada para o cargo, mas ela não viu isso. Ela quis me afrontar e conseguiu abalar as minhas estruturas emocionais a ponto de eu me sentir um lixo e ficar dois dias trancada dentro de casa sem comer e sem beber. Você pensa em suicídio, se vê feia, se sente um monstro.”
Sequelas e legislação
Ester revela que as situações vividas no trabalho mexeram com sua auto-estima e também provocaram grande impacto nos estudos e no convívio social.
“Desde que isso aconteceu, eu não consigo mais soltar o cabelo. Quando estou na presença dela eu me sinto inferior, fico com vergonha, constrangida, de cabeça baixa. É a única reação que eu tenho pela afronta e falta de respeito em relação a mim e à minha cor.”

O Boletim de Ocorrência foi registrado como prática de “preconceito de raça ou de cor”. A Lei Estadual nº 14.187/10 prevê punição a “todo ato discriminatório por motivo de raça ou cor praticado no Estado por qualquer pessoa, jurídica ou física”. Se comprovado o crime, os infratores estarão sujeitos a multas e à cassação da licença estadual para funcionamento.

BRASIL: Advogada denuncia racismo: "não quero ser atendido por uma negra"

Fonte: O globo, republicado em http://www.pragmatismopolitico.com.br/2012/08/advogada-denuncia-racismo-nao-quero-ser-atendido-por-uma-negra.html

Advogada denuncia contribuinte por racismo em Campinas. Segundo a vítima, homem disse que ‘negro não serve pra nada’. Crime é inafiançável, pode haver multa e pena é de até 5 anos de prisão

Uma advogada que trabalhava na prefeitura de Campinas (SP) aguarda a decisão da Justiça pelo tratamento denunciado como racismo recebido de um contribuinte. O crime de racismo é inafiançável, pode haver multa e a pena vai de um a cinco anos de prisão. Os casos de injúria racial, em que a pessoa atribui uma característica pejorativa ocorrem em situações mais frequentes por nacionalidade, cor, local de moradia e profissão, segundo a Comissão do Negro.
Ana Vanessa Silva foi vítima de preconceito e há três anos aguarda a decisão do processo judicial. “Eu não quero ser atendido por uma pessoa negra”, disse o contribuinte. O caso ocorreu ao enfrentar um constrangimento durante o atendimento. Ela disse que o homem ficou nervoso ao verificar que seria atendido por uma negra. “Negro não serve pra nada, negro só faz coisa errada”, afirma sobre o modo que o contribuinte comentou. O homem responde o processo em liberdade e se for condenado pode ficar até quatro anos preso.
Assumir um preconceito não é algo comum, muitas atitudes revelam um pré-julgamento e podem desvalorizar a pessoa socialmente. “Se você mora num determinado bairro ou em uma determinada região, então você já é conceituada por aquela região e baseado nisso você sofre prejuízos até quando vai procurar emprego”, afirma o presidente da comissão, Ademir José da Silva.
Os reflexos para quem sofre algum tipo de preconceito podem muitas vezes se tornar irreversíveis. “Nos momentos extremos de uma situação aguda, de constrangimento, de exposição, essas pessoas sofrem muito mesmo que podem evoluir para alguns quadros psiquiátricos”, explica o psiquiatra Eduardo Henrique Teixeira.


O constrangimento enfrentado pela Dra. Ana Vanessa Silva é uma prova viva de que no Brasil o preconceito não se limita à questão social (A Página Vermelha)

quinta-feira, agosto 23, 2012

BRASIL: O comunismo dos armênios no Brasil: A tragetória de Levon Yacubian





Resumo: Para uma fração da comunidade armênia de São Paulo, entre os anos 1930-60, o comunismo era sobretudo uma forma de sobrevivência política dentro desta colônia de imigrantes. Neste sentido, o presente trabalho pretende analisar a trajetória de Levon Yacubian, líder comunista da coletividade armênio-brasileira, editor de jornal propagandista, preso pelo DEOPS/SP por atividades subversivas. 


Palavras-chave: Armênios, Comunismo, repressão. 




Abstract: For a part of the Armenian community in São Paulo, among the 1930s-1960s, the communism was mainly a form of political survival within the colony of immigrants. Therefore, this paper is about the trajectory of Levon Yacubian, who was a communist leader of the Armenian-Brazilians, as well as propagandist newspaper editor. He also was arrested by DEOPS/SP for subversive activities. 

Keywords:  Armenians, Communism, repression. 



1. INTRODUÇÃO 

Em 1975, um jornalista de origem estrangeira residente em São Paulo dá entrada no DEOPS/SP(1)  para retirar uma certidão que o permita obter a sua habilitação de motorista amador. Para qualquer cidadão brasileiro, tal procedimento poderia soar trivial e ser executado sem grandes problemas. Entretanto, para indivíduos de origem estrangeira, a desejada certidão ensejava o início de uma devassa na vida pessoal do requerente. 

Assim aconteceu com Levon Yacubian, indivíduo de origem armênia. A simples vontade de expedir a habilitação de motorista trouxe a tona toda sua ação de militante político de esquerda e de liderança respeitada no seio da coletividade armênia brasileira. Ao mesmo tempo, tal certidão exumou as cicatrizes que o aparelho repressor do DEOPS/SP deixou na vida desse militante comunista. 

Assim, o objetivo desse trabalho é, através de uma figura central, compreender algumas características do comunismo da comunidade armênia de São Paulo entre os anos de 1930 e 1964 e como a repressão do Estado autoritário, através de sua ramificação de inteligência e operação – no caso o DEOPS/SP –, agiu para cercear a atividade “subversiva” desses elementos “alienígenas”, conforme nomenclatura recorrente nos prontuários gerados por tal órgão. 

Para cumprir tal objetivo, utilizaremos como fonte os prontuários produzidos pelo DEOPS/SP no decorrer da atividade de investigação e prisão do elemento suspeito. O Fundo DEOPS/SP do Arquivo Público do Estado de São Paulo(2) é reconhecidamente um rico acervo para o estudo dos períodos autoritários da história republicana brasileira e com base nesses documentos, já nasceram diversas pesquisas que tratavam do engajamento político do imigrante e da respectiva repressão(3). 

Para os armênios, segundo nossos levantamentos preliminares, existem cerca de 400 prontuários, sendo que aproximadamente 130 destes foram fichados pelas autoridades como comunistas. Ou seja, é perfeitamente viável, no que diz respeito à disponibilidade das fontes, a proposta de estudar os armênios comunistas no Brasil. 

Entretanto, antes de adentramos na história de Levon Yacubian, far-se-á necessário uma breve digressão pela história da imigração armênia no Brasil, bem como o cenário político que esses indivíduos trouxeram para o país. 


2. A IMIGRAÇÃO ARMÊNIA PARA O BRASIL: PECULIARIDADES SÓCIOPOLÍTICAS 

A chegada dos armênios à América e mais especificamente ao Brasil constitui um processo histórico bem peculiar, se comparada aos demais fluxos migratórios euro-asiáticos que tiveram lugar no final do século XIX até meados do século XX. Não houve uma política de Estado de incentivo à imigração desse povo. Sem  um Estado autônomo desde 1064, capitulado ante os turcos, os armênios se espalharam pelo mundo(4) principalmente após o Genocídio iniciado em 1915, que ceifou a vida de mais de 1,5 milhão de armênios que viviam no interior do Império Turco-Otomano(5).

Devido à imigração armênia ter sido um processo particular e individualizado, não é de se espantar o pequeno número que emigraram para o Brasil se comparado com trabalhadores oriundos de outros países, ou ainda se pensarmos nas cifras de imigrantes armênios em nações que incentivaram o aporte destes, como França ou EUA. Não há um número exato de quantos armênios há atualmente no Brasil. Roberto Grün (1992:17), estima que haja entre 20 a 25 mil armênios, sem discriminar, todavia, se ele considera nesse número apenas os da primeira geração ou também seus descendentes. 

De acordo com Hagop Kechichian, a primeira entrada substancial de armênios no país se deu via Rio Grande do Sul, por comerciantes que em busca de oportunidades de negócios, atravessaram a fronteira uruguaia com o Brasil e se estabeleceram em cidades daquele estado. Alguns mascates armênio-uruguaios alcançaram o sudeste, principalmente as cidades de Rio de Janeiro e São Paulo (KECHICHIAN,  2000:23-24 e 46-48). Contudo, a chegada do maior contingente de imigrantes se concentrou entre os anos de 1924-1926 (Ibid.:32), alcançando o número de cinco mil armênios no país em 1935 (Ibid.:51), atraídos muitas vezes pelas experiências dos árabes na Síria e no Líbano – países nos quais os armênios se refugiaram no primeiro momento –, que remetiam cartas às famílias contando das vitórias e conquistas no Brasil (Ibid.:31).

Kechichian (Ibid.:33) afirma que os primeiros que aqui chegaram se organizaram em pequenas sociedades e conseguiram iniciar pequenos negócios, principalmente vinculados às atividades comerciais de mascate. Uma vez estabelecidos e relativamente estabilizados, os novos imigrantes já direcionavam seus esforços para a confecção de calçados, atividade na qual muitos já trabalhavam nas cidades de origem. 

A partir daí, a vida social e política da comunidade tomou forma. As primeiras sociedades e associações foram fundadas, com o intuito de construir os dois pilares fundamentais da existência do armênio na Diáspora:  a Igreja e os partidos (SAPSEZIAN, 1988:167). Assim, foi formada em 1923 a Comissão da Fundação da Coletividade, com o objetivo de construir uma sede para a Igreja Apostólica Armênia no Brasil (KECHICHIAN, 2000:69). Também os católicos e evangélicos armênios conseguiram organizar-se e constituir suas entidades, em 1935 e 1927 respectivamente (Ibid.:72-73), e é na Igreja Evangélica Armênia que nasce a primeira escola armênia no Brasil, em 1937 (Ibid.:74). Além disto, sociedades culturais e recreativas também afloraram no seio da coletividade nas décadas de 1920 e 1930, bem como agremiações da juventude armênia, encenando peças e cantando músicas armênias em corais. A instituição mais significativa neste sentido foi a Sociedade Artística de Melodias Armênias – Clube Armênio – SAMA (Ibid.:80-84). Também prioritárias, as escolas primárias da comunidade surgiram tão logo foi possível, ainda na década de 1920. 

Por último, as agremiações partidárias também são instituições da primeira hora na coletividade armênio-brasileira. No Brasil, à semelhança em outros países da Diáspora armênia, destacam-se três partidos principais: Federação Revolucionária Armênia, Hentchak e Ramvagar. Entretanto, corria por fora da organização partidária um número considerável de comunistas, que adotaram tal postura política por razões inerentes ao ser armênio e ao estar no Brasil. Assim, passemos então a análise dessas razões. 


3. O COMUNISMO DOS ARMÊNIOS NO BRASIL E A REPRESSÃO DO DEOPS/SP 

A repressão do DEOPS/SP – 1924-1983(6) – conforme mencionamos, recai sobre uma boa fração da colônia armênia, que segundo o entendimento das autoridades repressivas, são “todos pertencem a Armênia Soviética [sic](7) e são comunistas, adeptos e admiradores de Stalin”(8), numa clara tentativa de demonização dos inimigos  políticos. Assim, nos cabe perguntar: se a disseminação do “credo comunista” entre os brasileiros já assustava as autoridades, o que podemos inferir quando refletimos sobre indivíduos ligados a um país que a esta altura era república integrante da URSS(9)? Nesse contexto, os armênios rotulados como comunistas se encaixavam perfeitamente no perfil estereotipado que a repressão criou para enquadrar os elementos indesejáveis: “os revolucionários, os contestadores, os sindicalistas, os estrangeiros, os operários, os anarquistas e os subversivos” (PEDROSO, 2005:114).

Naquela altura, com a Armênia sendo uma das repúblicas socialistas soviéticas, era normal que muitos armênios apoiassem a URSS sem necessariamente ter um gesto de simpatia ao comunismo. Até mesmo o partido democrata liberal  Ramgavar, de cariz conservador e burguês, era um entusiasta da Armênia Soviética, uma vez que foi a anexação do país à URSS o que garantiu a manutenção do torrão nacional, longe da constante ameaça turca. Convém lembrar que não havia entre as agremiações diaspóricas armênias, um partido essencialmente comunista, mas sim indivíduos simpatizantes com os ideais comunistas que poderiam militar entre os brasileiros e divulgar suas ideias entre os patrícios. 

Dessa forma, muitas vezes a repressão feroz e intolerante do Estado não consegue diferenciar o que é comunismo do que é admiração de cunho nacionalista pela Pátria-mãe. Assim, acreditamos ser possível dividir os comunistas fichados pelo DEOPS/SP em três grupos distintos: a) os que apóiam a URSS pelo fato da Armênia estar contida naquele país; b) os que são comunistas para demarcar terreno político dentro da coletividade, uma vez que a vida político-partidária era intrínseca ao indivíduo armênio; c) os que eram comunistas strictu sensu, comprometido com toda a teoria e prática peculiar a essa postura. Entretanto, esses grupos não são excludentes, ou seja, um indivíduo pode se enquadrar nas três categorias simultaneamente. Acreditamos ser esse o caso de Levon Yacubian, nosso objeto de estudo. A seguir, analisaremos a sua ação política a partir de seu prontuário no DEOPS/SP para clarificar tal ponto


4. A TRAJETÓRIA DE LEVON YACUBIAN 

Levon Yacubian nasceu em Alepo, na Síria, em 15 de dezembro de 1925(10). Sua família chegou ao Brasil quando ele tinha dois anos de idade, pelo porto de Santos. Entre idas e vindas, fixou-se em São José do Rio Preto, onde trabalhou como revisor de jornais e revistas, começando assim sua carreia ligada ao jornalismo. Em 1949, já na capital paulista, Yacubian trabalhava no jornal “Folha da Manhã”, quando foi preso juntamente com um compatriota(11), acusado de atividades subversivas(12).
Paralelamente às suas atividades profissionais no “Folha da Manhã”, o jornalista era editor, redator e secretário do jornal “Ararat – a voz do povo armênio”, tido pelo DEOPS/SP como subversivo e comunista(13). Em dezembro de 1946, o jornal possuía dezenas de assinantes em diversas partes do país, mostrando ter uma grande circulação e penetração na coletividade armênia no Brasil(14). De circulação bimestral, o  Ararat era a expressão do segmento mais à esquerda da coletividade armênia, colocando-se em uma postura crítica com relação aos problemas da coletividade brasileira e os rumos que essa tomava sob a direção da Federação Revolucionária Armênia – FRA –, principal força política na diáspora armênia no Brasil e no mundo. Assim, mais que um órgão comunista para além da comunidade, o Ararat era um veículo de propagação de ideias e de oposição no interior da mesma, servindo para marcar uma posição política clara frente às demais  forças partidárias que coexistiam na colônia armênia do Brasil(15). 

Além do  Ararat, Yacubian era membro da  União Cultural Armênia de São Paulo(16), entidade que também era tomada como subversiva pela repressão, uma vez que tinha vários nomes em comum com o jornal, como o do intelectual armênio-brasileiro Jacob Bazarian, egresso da Academia de Ciências da União Soviética(17), além de receber materiais informativos sobre a URSS(18). 

Tal postura oposicionista do  Ararat na coletividade não descarta, contudo, o caráter socialista da publicação. Embora não consigamos encontrar nos textos do periódico grandes alusões teóricas ao marxismo-leninismo e ao bolchevismo – como também não era comum nos demais intelectuais brasileiros de esquerda no período (KONDER, 2009:73-75) –, é evidente a simpatia ao regime soviético e à figura de Stalin. Em uma edição comemorativa ao aniversário do líder soviético, o jornal estampa uma manchete com os dizeres “Stalin e os armênios”, acompanhado de um extenso texto de Yacubian acerca das proezas de Stalin e dos benefícios do comunismo para a Armênia(19). Na mesma edição, todavia, Yacubian da cadeia, também assina o texto denominado “os tashnags a caminho da traição”, mostrando assim em um mesmo número do jornal os diversos usos do comunismo para os armênios do Brasil. 


5. CONCLUSÃO 

Levon Yacubian ficou preso por pouco mais de dois meses – entre 18 de junho e 09 de setembro de 1949 – devido à distribuição do referido jornal(20). Neste tempo, foi emitida contra o réu uma portaria de expulsão do território nacional, punição passível e recorrentemente usada contra elementos estrangeiros que causavam transtornos a ordem nacional, na visão do Estado autoritário. Frente a isso, Yacubian pediu visto de trânsito para deixar o país e ir para o Uruguai, onde procuraria a embaixada da URSS. 

Entretanto, em outubro de 1949, beneficiado por um despacho do Ministério da Justiça e Negócios Interiores, a expulsão de Yacubian foi arquivada e o réu foi inocentado. A decisão se deu após o juiz entender que a atividade do jornalista não feriu a legislação vigente e não acarretou em danos para o país.

Apesar da absolvição, é fato que Levon Yacubian, ainda que não pertencente ao Partido Comunista Brasileiro e não seguir as orientações do Komitern, agiu no sentido de atrair os seus compatriotas para o lado do comunismo, ainda que essa adesão se desse de acordo com os usos que o jornalista dava a tal ideologia no interior da coletividade. Contudo, pode ter pesado na decisão da justiça a repercussão que o caso tomou. Na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo, instituição a qual Yacubian frequentava na época de sua detenção, foi organizado um abaixo-assinado em protesto à manutenção da prisão do jornalista mesmo depois da  expedição do alvará de soltura. No mesmo número do Ararat supracitado, também havia uma nota sobre a prisão do jornalista e o descontentamento da sociedade com tal acontecimento. 

Enfim, importa menos o motivo da libertação de Yacubian do que o processo do qual ele faz parte. Preso com um companheiro por atividades subversivas, editor e escritor de um jornal de ampla circulação na comunidade armênia do Brasil, próximo a intelectuais e pensadores ligados mais diretamente a URSS e também inserido na intelectualidade brasileira através da USP, Yacubian mostra-se um valoroso militante, engajado principalmente nos problemas de sua pátria-mãe e da coletividade na que está inserido. Por esse prisma, o comunismo armênio não interfere na sociedade brasileira enquanto força política ameaçadora. Entretanto, na medida em que a ação de Yacubian transborda a coletividade e atinge a universidade, por exemplo, suas atividades engajadas compõem um rico cenário das esquerdas brasileiras no século XX, cujas fileiras são engrossadas por centenas de imigrantes com diferentes formações pessoais e políticas que afluem para o grande rio caudaloso da oposição do autoritarismo repressivo brasileiro e sua principal materialização: o DEOPS. 

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*Graduado em História pela Universidade Federal de Juiz de Fora – MG, mestrando em História Social pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Pesquisador do grupo “E/Imigrações: histórias, culturas, trajetórias”, CNPq. 

(1) Chamado nesse momento de Departamento Estadual de  Ordem Política e Social de São Paulo, mas ficou também conhecido pela sigla Dops, que designava o antigo nome de “Delegacia de Ordem Política e Social” (AQUINO, 2001:19).
(2) Doravante denominado de APESP. 
(3) Cf. DIETRICH, 2007, WIAZOVSKI, 2001, ZEN, 2005.
(4) Aharon Sapsezian (1988:161-162) estima que, enquanto viviam na Armênia Soviética cerca de 3,1 milhões de armênios, outros 3,5 milhões estavam espalhados pelo mundo. 
(5) Cf. TERNON, 1996. 
(6) O DEOPS foi criado, segundo Regina Célia Pedroso,  em um contexto de repressão política e formação  
ideológica contra àqueles que fossem julgados prejudiciais para a manutenção da ordem vigente, principalmente os anarquistas e estrangeiros em um primeiro momento. (PEDROSO, 2005:112-114). 
(7) Embora estes tenham emigrado antes de 1921, quando a Armênia se tornou uma das Repúblicas Socialistas Soviéticas. 
(8) Pront. nº 98.438 - Vartavar Tchungurian. DEOPS/SP, APESP. 
(9) Taciana Wiazovski (2001:37) nos mostra que eram justamente os imigrantes – sobretudo judeus – oriundos dos países pertencentes à URSS e seus satélites os mais perseguidos pelo DEOPS/SP sob a acusação de comunismo. 
(10) Pront. 73.631 – Levon Yacubian, DEOPS/SP, APESP. Curiosamente, há outro prontuário que trata do mesmo personagem, registrado sob o número 121.455 em 1952 e com o nome grafado de outra forma: Levon Jacobian. 
(11) Pront. 46.273 - Agop Boyadjian, DEOPS/SP, APESP. 
(12) Pront. 121.455 – Levon Jacobian, DEOPS/SP, APESP. 
(13) Pront. 98.526 – Ararat, DEOPS/SP, APESP. 
(14) Todos os assinantes foram fichados pelo DEOPS/SP e possuem prontuários arquivados no APESP. 
(15) Isso fica claro em um texto de Yacubian para o jornal: “somente o poder socialista dos operários, camponeses e intelectuais armênios é que conseguiu derrotar definitivamente, na Armênia, as forças retrogadas [sic] do governo tashnag de Vratzian. Somente o socialismo é que deu o poder governamental nas mãos do povo armênio, outrora escravisado [sic] e espoliado por  meia dúzia de lacaios tashnags”  Ararat – A voz do povo armênio. Ano IV, nº. 39-40; dezembro de 1949 a janeiro de  1950, p. 1. Lembrando que “tashnags” é a denominação em armênio para os membros da FRA.
(16) Pront. 94.341 - Sociedade Cultural União Armênia de São Paulo, DEOPS/SP, APESP. 
(17) Pront. 95.621 - Jacob Bazarian, DEOPS/SP, APESP. 
(18) Pront. 94.341. 
(19) Ararat – A voz do povo armênio. Ano IV, nº. 39-40; dez. 1949 a jan. 1950, p. 1. 
(20) Pront. 73.63. Desse trecho em diante, as informações são oriundas deste prontuário, salvo exceções que serão notificadas.

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domingo, agosto 19, 2012

MUNDO: Por que a mídia ocidental defende tanto o "Pussy Riot"?


Por Cristiano Alves

Nadyejda Tolokonnikova, integrante do grupo Pussy Riot(Rebelião das xanas) denuncia o seu "processo stalinista" e carrega uma camisa com os dizeres "No Pasarán", que ironicamente pertence à mais famosa "stalinista" espanhola.

Como reagiria um brasileiro num rito de candomblé se repentinamente seu local de culto fosse invadido por indivíduos desconhecidos que, alegando professar o candomblé, agisse de modo diverso dos fiéis daquela casa portando indumentárias distintas das pessoas do local? Algo parecido aconteceu na Rússia, quando uma banda autoproclamada "punk" adentrou o principal templo da religião ortodoxa, sendo após o incidente presas, julgadas e condenadas, o que despertou uma enorme atenção da mídia ocidental, que desde então em lhe conferido um colossal apoio talvez nunca antes visto por um opositor. Para entender o caso "Pussy Riot"(literalmente, "Revolta das xanas"), é preciso entender o quadro como um todo.

Desde os tempos de sua formação em Kiev, a Rússia(hoje com a sede em Moscou) tem atraído a atenção e o assédio de diversos poderes externos, o império dos cazares, dos mongóis, tártaros, da Ordem dos Cavaleiros Teutônicos, República das Duas Nações, do finado e sepultado Império Sueco, França napoleônica, Império Britânico, Alemanha nazista, Estados Unidos... enfim, uma lista completa demandaria um parágrafo inteiro. Todos esses poderes tem uma coisa em comum, que é sua expulsão do território russo, e isso é notável e registrado nos mais elementares livros de história russos até documentários norte-americanos como The battle of Russia. Nos dias atuais, o assédio contra o país russo não se dá por meios militares, uma vez que isso poderia levar à guerra nuclear, mas através do patrocínio de forças russófobas encontradas na própria Rússia, a mídia ocidental cria uma ilusão dicotômica, maniqueísta, onde Barack Obama, envolvido até o pescoço em sanguinárias guerras imperialistas aparece como o "príncipe do bem", um "promotor da paz", e ícones do pós-modernismo como Lady Gaga e Madonna aparecem como "arautos de uma nova arte que expressa como somos livres e modernos sob o capitalismo", tudo parte de uma ideologia cosmopolitista e globalista, onde deve-se abraçar os valores do "Império da democracia e da liberdade", sendo toda e qualquer manifestação tradicionalista ou nacional um sacrilégio que "deve desaparecer na tempestade mundial", tal é a mentalidade dessa imposição cosmopolitista, de um mundo formado por "bons" de um lado e "loucos e desvairados" de outro, tal como num desenho infantil.

Se a ideologia globalista apresenta ao mundo "quem são os bons caras", quem seriam os "caras maus"? Esses seriam justamente todos aqueles que não aceitam as imposições do Império hegemônico, naturalmente China e Rússia, dois países que em diversas oportunidades já se opuseram à sanha beligerante dos impérios americano e europeu, mas a China é muito rica, empresta dinheiro ao ocidente e em muitas oportunidades sustenta a sua economia capitalista, logo não é uma boa ideia incomodá-la, mas outro foi forte no passado e hoje encontra-se enfraquecido, mas não com os dois joelhos no chão ainda, a Rússia, e todos aqueles que não aceitam uma Rússia submissa, completamente de joelhos ante o mundo ocidental, que sabe que mais de 70% das forças fascistas foram derrotadas pelos soviéticos, e não pelos americanos, que entende que Stalingrado era uma cidade soviética, e não um bairro de Nova Iorque, torna-se um elemento perigoso, "reacionário e retrógrado", "autoritário antidemocrático", um "radical" que deveria estar num museu.

De fato a oposição russa tão retratada na mídia ocidental tem um formato heterogêneo, nela encontra-se aqueles que acreditam que o melhor caminho para a Rússia é ajoelhar-se ante o ocidente, os liberais, aqueles que acreditam que o caminho para a Rússia é "voltar ao futuro soviético"(e mesmo esses dividem-se entre os defensores da economia dos tempos de Stalin e do caminho chinês ou bielorrusso), há ainda os que acreditam que o caminho está na monarquia, e mesmo aqueles que acreditam que o caminho está na "expulsão dos negros e destruição dos judeus", estes últimos, por sua vez, são idiotas úteis ao governo para desmoralizar a oposição. De todos esses grupos, o que menos interessa ao ocidente são os comunistas, pois este não quer uma nova União Soviética e muito menos um Lukashenko russo cheio de mísseis nucleares e recursos naturais à sua disposição para competir a altura com companhias ocidentais. O que interessa ao ocidente é uma Rússia fraca, descentralizada, esfacelada, onde companhias ocidentais possam atuar sem óbices na exploração de seus recursos minerais e de seu povo. É por isso que todas as ações que enfraqueçam a Rússia são de pronto apresentadas positivamente na imprensa ocidental, seja o esfacelamento da União Soviética, a guerra da Chechênia, governantes russófobos eleitos na Ucrânia, manifestantes de top less anti-Rússia ou anti-Belarus, essa ou aquela crise no Cáucaso ou simplesmente uma banda punk que invade uma catedral para protestar contra o governo, ainda que o país tenha centenas de bandas e cantores de protesto.

A Igreja Ortodoxa do Patriarcado de Moscou é uma instituição muito antiga na Rússia, vinculada à formação da mentalidade de seu povo, que em diversas ocasiões o inspirou na luta contra os invasores do país. Mesmo durante os anos da Revolução Russa, foram cometidos erros severos contra a Igreja Ortodoxa, situação que ficou tão séria a ponto de um dos líderes do Partido Bolchevique e da Revolução de Outubro intervir no caso, I. V. Stalin, emitindo uma ordem para proibir as violações às casas de oração ou prisões por motivo de religião. Mais tarde, sob o governo desse revolucionário foi restaurado o Patriarcado de Moscou, que desde os tempos do tzar Pedro havia sido suspenso e convertido em Santo Sínodo, bem como preservadas várias igrejas antigas. A ação do Pussy Riot, entretanto, nada tem a ver com um "contexto revolucionário" ou "ataque a um símbolo", tem a ver somente com uma tentativa de marketing muito mal sucedida, uma vez que culminou na prisão das integrantes do grupo, mas por outro lado bem sucedida, já que conquistou a simpatia do mundo ocidental, não por causa de sua música, mas por que podem posar como "vítimas da falta de liberdade de expressão no país", tão grave como em outros países capitalistas ocidentais como os EUA, onde a atriz holywoodiana Daryl Hannah foi presa por liderar um protesto pacífico contra a construção de um oleoduto no país, que traria grandes impactos ambientais, comprovando a tese do "fascismo corporativo" naquele país.

O grupo Pussy Riot, a começar pelo seu nome, é só mais um símbolo da pobreza e decadência cultural da Rússia burguesa. Essas pseudofeministas, que envergonhariam Aleksandra Kollontay, revolucionária russa, expôs numa de suas entrevistas o seu grau de estupidez e falta de coerência, ao comentar o processo movido contra elas, motivado pelo seu "pornô-huliganismo". Em tal entrevista, a integrante Nadyejda denuncia o "processo stalinista", envergando uma camisa com a mensagem "No pasarán!", que ironicamente era o bordão de Dolores Ibarruri, la Pasionera, a mais famosa "stalinista" espanhola.



VEJA TAMBÉM:

http://apaginavermelha.blogspot.com.br/2011/08/mundo-atriz-de-holywood-e-presa-por.html

sexta-feira, julho 20, 2012

MUNDO: Evidências da homoafetividade de Anders Breivik

Evidências da homoafetividade de Anders Behring Breivik
Por Vladimir Tavares


Ao longo da história, a hipocrisia foi uma arma comumente utilizada por mentes reacionárias, projetando no oponente determinadas características próprias com o intuito de afastar de si a culpa para algo, assim, organizações homofóbicas como a SA e a SS nazistas eram conhecidas pela obsessiva preocupação com a aparência mesmo orgias homoafetivas. No caso da SA, o líder desta chegava a ser um conhecido pederasta, Ernst Röhm. Segundo a obra "O segredo de Hitler", de Lothar Machtan, evidências, depoimentos de colegas de infância e até fotos públicas do führer apontam uma grande possibilidade de Hitler ter sido homossexual. No entanto, o que surpreende não é o fato destes nomes ou organizações terem tido um acentuado caráter homoafetivo, mas sim de ser formado por homossexuais "no armário" que perseguiam outros homossexuais fora dele.

Evidências da homossexualidade do terrorista conservador norueguês Anders Breivik são conhecidas há muito tempo, antes mesmo de seus crimes. Conhecido por uma preocupação obsessiva com sua aparência, fetiches por uniformes militares e especialmente por cruzados medievais, Breivik, criado pela mãe, realizou ainda jovem uma cirurgia plástica para tornar seu nariz "mais ariano", uma vez que o achava "demasiado árabe". De acordo com testemunhas, a sua antiga página do Facebook jamais trouxe qualquer contestação de um questionamento se ele seria gay, aliás, o próprio Breivik enfatiza em seu "Manifesto", que isso poderá chocar alguns cruzados cristãos, mas "o uso de maquiagem para um cruzado é essencial". O próprio Breivik, aliás, usava maquiagem, e segundo depoimentos dados em juízo durante seu julgamento, ele foi visto e fotografado na Parada do Orgulho Gay de Oslo, em 2004, de acordo com muitos amigos e mesmo o próprio Breivik, este jamais teve qualquer envolvimento amoroso com mulheres. Em seu livro de ódio, o terrorista norueguês critica de forma ácida o movimento gay, mas não o comportamento gay em si, mesmo portando-se de forma afeminada em várias ocasiões. Embora se dissesse "cristão", não há registro de visita sua a qualquer igreja local nem são conhecidas testemunhas de tais visitas. A homoafetividade de Breivik não apenas é alegada por amigos seus próximos, como também já foi levantada em alguns jornais como o Telegraph, britânico, e mesmo noruegueses e suecos, inclusive jornais LGBT como o Pink News, britânico.

O fato é que Breivik é uma caricatura perfeita do típico conservador que "sem coragem para sair do armário" ataca os mais exaltados homoafetivos, como forma de lutar com seus conflitos existenciais internos. A opção sexual do terrorista conservador norueguês deve ser dissociada de seus atos, uma vez que cerca de 40 jovens que seriam vítimas de Breivik foram salvos por um casal lésbico, que os resgatou em sua lancha particular após os pedidos de socorro.

Uma das 70 vítimas de Anders Breivik, terrorista conservador norueguês

quarta-feira, julho 18, 2012

MUNDO: Semelhanças entre o regime nazista e o norte-americano

Semelhanças entre o regime nazista e o norte-americano
Por Vladimir Tavares

Muitas personalidades de direita, especialmente a chamada "direita conservadora", eufemismo hodierno para "fascista", tem feito colossais esforços na tentativa de equiparar o comunismo ao nazismo. Latentes as suas diferenças, necessário é levar para o campo da epistemologia e abstrair conclusões a respeito dessa questão. Sendo o nazismo nada mais que um capitalismo desesperado, nenhum país se parece mais com o modelo nazista do que o modelo americano em diversos momentos de sua história.

- Racismo

EUA e Alemanha nazista foram historicamente campeões do racismo, seguidos de fortes concorrentes como o Reino Unido, Bélgica, Espanha, África do Sul e Japão. Dois aspectos notáveis nos dois países citados é a criação de leis de segregação racial.

Alemanha nazista: Leis de Nuremberg

As Leis de Nuremberg(Nürnberger Gesetze) eram leis abertamente racistas surgidas na Alemanha nazista durante os anos 30. Seu conteúdo visava a proibição de qualquer relacionamento entre judeus e alemães não-judeus. Embora a pena fosse inicialmente a de trabalhos forçados, ela foi depois substituída pela pena capital. Um dos mais famosos casos foi o de Leo Katzenberger, guilhotinado(em pleno século XX) em 2 de junho de 1942.

Estados Unidos: Leis racistas coloniais e a Lei Jim Crow

Desde os tempos coloniais, os britânicos introduziram leis racistas nas 13 colônias, em 1664, a colônia de Virgínia estabeleceu uma lei criminalizando o casamento entre brancos e negros, algo que há 4 anos havia sido regularizado. Em 1691, uma lei proibiu o casamento entre brancos e negros, lei que mais tarde se espalhou para outras colônias. Para se ter uma idéia do quão reacionárias eram essas leis, nas colônias francesas como a Luisiana, não havia proibição legal ao casamento interracial, embora um Código Civil estabelecido em 1685 tenha proibido o casamento entre católicos e não católicos, sem envolver questões raciais. Sob o domínio espanhol, o casamento interracial poderia ocorrer somente sob consentimento parental, antes dos 25 anos de idade, e sem ele caso as partes fossem mais velhas. Quando os EUA(já independentes) tomaram a Luisiana, em 1806, casamentos interraciais foram banidos.

Em 1776, ano da independência dos Estados Unidos, o casamento interracial continuou proibido, frequentemente sob falsas alegações que evocavam princípios da Bíblia e atribuíam interpretações erradas desta que jamais foram contempladas por qualquer patriarca na Ortodoxia ou mesmo por alguns papas no Catolicismo, histórias como a de Cão e Fineias. É interessante ressaltar que embora a Independência dos Estados Unidos tenha tido como uma de suas bases o iluminismo, o racionalismo, esta foi depois corrompida pelo fundamentalismo protestante, que até hoje influencia a ideologia americana.

A mais famosa lei racista nos EUA foi a Lei Jim Crow, de 1876 a 1965, lei que segregava legalmente negros e brancos, estabelecendo locais públicos só para negros e só para brancos, e até mesmo fontes de água para pessoas de cor e brancas, sendo os locais para negros geralmente de qualidade inferior aos dos brancos. Um dos mais famosos casos de questionamento desta lei foi o caso da mulata Rosa Parks, professora de origem afro-índio-irlando-escocesa que, sentada em um acento destinado aos negros, foi requisitada para deixar seu acento e cedê-lo para um branco que estava de pé, conforme o costume local estabelecido pelas autoridades brancas; por se recusar a fazê-lo, Rosa Parks foi presa por policiais, após a requisição do motorista do ônibus, que já havia se recusado a abrir a porta para Rosa Parks durante uma chuva. A Lei Jim Crow não apenas proibia casamentos interraciais, como também negava aos filhos de casais interraciais direitos sociais e acesso às escolas e hospitais públicos.


- Organizações terroristas de supremacia branca

A SS nazista usava uniformes desenhado por um famoso membro do partido, o estilista Hugo Boss

Alemanha nazista: Antes do nazismo, a Alemanha foi atormentada por anos pelas ações da SA(Sturmabteilung), popularmente conhecidos como "camisas-marrom", um tipo de camisa fácil de ser adquirido e que assemelhava-se à cor das tropas coloniais alemãs. Esta organização promovia a segurança de líderes nazistas, ataques contra comunistas, judeus, negros e era conhecida pelo seu alcoolismo e orgias homossexuais, sendo que o próprio Röhm era assumidamente homoafetivo, tendo numa de suas cartas expressado o seu desejo por "rapazes jovens e arianos".

Reunindo mais de 3 milhões de membros, a SA deu origem à SS, que passaria a garantir a proteção de líderes nazistas e trocaria as camisas marrons por camisas negras desenhadas por um fascista quase tão famoso quanto o próprio Hitler, o estilista Hugo Boss.

Tendo iniciado como organização paramilitar do partido nazista, a SA, assim como a sua "filha", a SS, tornaram-se organizações oficiais do governo fascista alemão.

Estados Unidos: Em 1865, surge o Ku Klux Klan(KKK), organização secreta extremista de supremacia branca, formada por veteranos confederados. Essa organização promovia o terrorismo cristão-protestante, promovendo o linchamento de negros e combatendo toda e qualquer tentativa de integração dos negros à sociedade através dos mais violentos métodos disponíveis(há rumores de que a sigla KKK seria uma onomatopéia do som de um rifle ao ser carregado), tais como o linchamento de pessoas de cor, enforcamento, fogueiras para negros, castração, mutilação de seus órgãos sexuais, dentre outros.  Esse grupo era bastante ativo em períodos eleitorais, onde impediam por qualquer método os negros de votar. O abuso do terrror indiscriminado em nome do "orgulho branco", levou o governo americano à persecução penal dos crimes do KKK, o que levou à sua derrocada, mas não do racismo e do terrorismo branco, uma vez que o clã deu lugar à Liga Branca e aos Camisas Vermelhas, organizações paramilitares responsáveis pelo assassinato de eleitores e líderes negros. Ao contrário do "Clã", essas últimas organizações eram abertas, não fazendo segredo sobre suas ações.

Com o fim do KKK, por volta de 1870, surge um novo Ku Klux Klan em 1915, no estado da Geórgia, nos EUA. Dessa vez, a organização terrorista ganhou um novo aliado, o cinema. Utilizando-se de modernas campanhas publicitárias, o clã ganhou um enorme número de adeptos após a exibição do filme The birth of a nation(O nascimento de uma nação), baseado na peça The Clansmen, película de propaganda racista anti-negro. Para se ter uma idéia do ponto a que chega o racismo no filme, negros são apresentados sempre como ininteligentes, constantemente perturbados e sexualmente agressivos em relação à mulheres brancas, nele, embora alguns figurantes sejam negros, os atores "negros" que desempenham algum papel relevante são atores brancos pintados de preto, como o asssassino "Gus", tarado por mulheres brancas que tenta estuprar uma jovem branca que prefere se suicidar a ser tocada por ele(os filmes da época costumavam usar sempre atores brancos pintados de preto para cenas que envolvessem um maior contato com mulheres brancas). O filme satiriza negros tornando-se congressistas, especialmente numa cena em que um deles tira o sapato em pleno congresso e pões os pés em cima da mesa, ao passo que outros bebem em pleno congresso. De acordo com periódicos americanos, após a exibição desse filme um negro foi linchado após a saída do cinema. O nascimento de uma nação foi utilizado como ferramenta de recrutamento pelo KKK até a década de 1970, encontrando-se disponível no site de vídeos Youtube e eivado de comentários racistas, o filme também foi o primeiro a ser exibido na Casa Branca. O presidente dos EUA Woodrow Wilson exibiu o filme diversas vezes em sessões privadas. Apesar do enorme sucesso comercial, o filme gerou uma onda de protestos, tendo o mesmo diretor produzido o filme "Intolerância" no ano seguinte.

O Ku Klux Klan teve um famoso jornal nos anos 20 chamado "The Good Citizen", isto é, "O cidadão de bem", "O bom cidadão", nas quais evocava a terminologia "WASP", que em inglês quer dizer "Protestante Branco Anglo-Saxão" e defendia idéias de supremacia branca e anti-catolicismo como seus antecessores, antes de Hitler dominar as ruas na Alemanha. Tratava-se de uma luta para tentar resgatar a superioridade branca e protestante americana, "ameaçada" por novos cidadãos em tal sociedade, fundada no extermínio de seus homens originais e na escravidão daqueles que os próprios brancos americanos anglo-saxões trouxeram ao país.

A popularidade do clã foi perdida em fins dos anos 20, com a grande depressão. Em fins dos anos 30, o KKK tentou estabelecer laços com a Alemanha nazista, flertando com a ideologia hitleriana, o que foi oficialmente abandonado após a entrada dos EUA na guerra do lado dos aliados. Este clã havia adotado novos rituais como a queima de cruzes, durante as quais usava sempre o seu famoso uniforme branco.

Em fins dos anos 40, o KKK tenta se levantar mais uma vez, surgindo o "Terceiro Clã", reciclado no anticomunismo febril dos tempos da Guerra Fria. Embora tenha sempre sido uma organização paramilitar, é importante frisar que um filme associado à sua ideologia foi o primeiro a ser exibido na Casa Branca e mesmo em várias sessões privadas pelo presidente Woodrow Wilson, e nos anos 50, no filme-documentário produzido pelo governo americano How to spot a communist(Como detectar um comunista) uma passeata contra o Ku Klux Klan é apresentada como "propaganda comunista", isto é, opor-se a uma organização terrorista e racista era considerado um "abominável atocomunista antiamericano". Assim, ao contrário de seus pares alemães da SA e SS, o KKK jamais foi uma organização oficial dos Estados Unidos da América, todavia contou ela com o aval do governo americano e a inexistência de uma legislação que proiba o racismo naquele país, existindo até os dias atuais e marchando em ruas americanas sem contar com qualquer repressão policial, destino não reservado às milhares de manifestações sociais ocorridas no país. A covardia do KKK e seus métodos cruéis repousa no assassinato de milhares de negros, militantes por direitos ou não, bem como num terrível crime onde um garoto deve sua face desfigurada por um tiro de escopeta após assobiar para uma mulher branca.


- Assassinatos em massa, militarismo e imperialismo

Militares americanos mostram seu verdadeiro rosto(a foto não é montagem)

Alemanha nazista: A Alemanha é conhecida por incontáveis atos facínoras, crimes contra a humanidade em nome da "higiene racial" que provocaram a destruição de milhões de vidas na ex-União Soviética, Polônia e outros países. Estima-se que as perdas totais da IIGM, iniciada pela Alemanha nazista, foram de cerca de 60 milhões de pessoas, isto é, 2,5% da população mundial em apenas 6 anos, e não os costumeiros "6 milhões de judeus" descritos, mesmo por que morreram muito mais eslavos do que judeus, especialmente poloneses, russos, ucranianos e bielorrussos, considerados uttermensch pelos nazistas, isto é, uma "raça inferior". Vale salientar que milhões ficariam sem casa e deficit habitacional se tornaria um sério problema nos anos seguintes.

Estados Unidos: Diferente de seus colegas alemães, os alvos dos racistas americanos não eram brancos, razão pela qual o país não tem a mesma fama da Alemanha, mas sim negros e americanos nativos, isto é, povos indígenas. Diferentemente de outros países do continente americano, nos EUA os índios foram praticamente extirpados do país, negros foram mortos aos milhares por organizações como o KKK, e esse espírito imperialista ainda se estendeu direta e indiretamente a países vizinhos como a Guatemala, Nicarágua, Filipinas, Líbia, Afeganistão, Sérvia, Iraque, Somália, Quênia, além de dezenas de outros países.

É importante enfatizar que tal como na Alemanha nazista, nos Estados Unidos a "faxina racial" foi defendida abertamente em várias ocasiões, valendo ler o discurso do presidente Andrew Jackson sobre a necessidade de "eliminar a raça inferior indígena". Em alguns casos, essa defesa foi velada, merecendo ser citado o "plano de eliminação da raça eslava", isto é, a Operação Dropshot, que visava lançar 300 bombas atômicas em território soviético em 1947.

- Experimentos com seres humanos

Alemanha nazista: Conhecida por uma série de experimentos com prisioneiros "indesejáveis", o mundo horrorizou-se com as experiências do Dr. Mengele e as teorias racistas do pseudocientista Eugene Fischer, que provocaram a morte de milhares de pessoas em testes laboratoriais... com cobaias humanas.

Estados Unidos: Tal como no filme "V for vendetta", tal como seus colegas alemães, os americanos empreenderam uma série de testes com cobaias humanas nos anos 40, sob a liderança do ditador Harry Truman. Utilizando-se de negros, prisioneiros e especialmente gualtemaltecas, o vírus da sífilis foi introduzido involuntariamente em diversos seres humanos. Dos milhares de infectados, apenas alguns tiveram a "sorte" de serem usados para testar sua vacina, fato que evidencia a possibilidade do vírus da AIDS ser uma criação de laboratórios americanos para o extermínio de africanos.

quarta-feira, junho 27, 2012

POLÍTICA: Carta aberta à Deputada Manuela d'Ávila (PCdoB-RS)

Por Cristiano Alves

Segue-se aqui uma carta aberta, originalmente postada no vídeo do canal oficial da deputada Manuela d'Ávila, em resposta a uma entrevista sua concedida no programa "Agora é Tarde", onde a pecedebista alega que seu partido hoje é um "partido moderno que não mais quer o comunismo totalitário". Veja o vídeo e em seguida a resposta do editor de "A Página Vermelha":




Prezada Deputada Manuela, manifesto o meu profundo respeito pelo seu trabalho na câmara e pelo seu trabalho em defesa de causas sociais, sou eleitor do PCdoB(votei no deputado Osmar Júnior, pelo estado do PI) e fico preocupado com certas questões a ele referentes.

Vejo o socialismo como o único caminho para colocar o Brasil como uma superpotência, como caminho viável para destruir grandes males brasileiros como a miséria, o analfabetismo, o racismo e a submissão, e é exatamente por condenar esses males que eu, como comunista, evoco dois grandes exemplos de países em situação parecida com a nossa que através do comunismo científico superaram tal deficiência, a URSS e a China. Conforme elucido em meu artigo "Por que estudar Stalin?", bem como venho colocando em minha nova monografia jurídica, este filho de um sapateiro e de uma lavadeira e empregada, homem humilde como milhões de brasileiros, foi o primeiro a elaborar uma Constituição que proibiu o racismo, através do artigo 123 da Constituição Soviética de 1936, que eu, conhecedor da bela língua russa, fiz questão de ler e traduzir para alguns de meus artigos políticos.
O que é modernidade? Conceito já debatido por Descartes, por Marx e Berman. Seria uma ruptura com a tradição? Ora, a modernidade sem a tradição não é nada. A deputada coloca em sua entrevista que "o PCdoB hoje é um partido moderno". O que seria um "partido moderno"? Um partido que esquece sua tradição?

Eu enxergo as idéias comunistas como idéias de vanguada da sociedade, e não apenas assim enxergo, como elas efetivamente assim sempre foram. K. Marx é visto na Grã-Bretanha, segundo pesquisa da BBC, como o maior filósofo de todos os tempos, suas teses do século XIX até hoje explicam muito bem o que se passa no século XXI, o que já foi reconhecido mesmo em periódicos como o NY Times. Numa época em que negros viviam sob a nefasta lei Jim Crow, em que o mundo vivenciava os horrores da eugenia, da idéia de "raça pura", o grande Lenin já condenava o preconceito contra minorias nacionais em seu texto sobre a autonomia de povos menores e o grande Stalin, paladino de suas idéias, já escrevia em "O marxismo e a questão nacional" que não havia "nação pura", inclusive demonstrando a falácia de tais idéias. Seu governo extirpou o analfabetismo de um país de mais de 80% de analfabetos, eletrificou um país agrário e mais tarde, logo após seu governo, seu país provou ao mundo que lugar de mulher também é no espaço, lançando a primeira cosmonauta, Valentina Tereshkova. Devo lembrar que antes dela, a URSS lançou o primeiro homem ao espaço, um camponês cuja família foi sequestrada e assassinada pelos fascistas alemães, Yuri Gagarin. Falamos de um Estado governado por trabalhadores, cujo maior monumento era um operário e uma camponesa em pleno centro de Moscou, que provou ao mundo que proletários podem gerir seu próprio destino e superar em dezenas de anos o que outros países fizeram em centenas. Alegar que tal Estado foi um "totalitário" é uma idéia absolutamente estranha às idéias comunistas e, antes de tudo, estranha ao racionalismo. Estados de inspiração marxista cercearam a liberdade? Sim, assim como a Revolução Francesa e centenas de outras revoluções progressistas que se viram ameaçados por inimigos externos reais(nada comparável à paranóia da ditadura militar fascista). Os soviéticos construíram o socialismo sob constante ameaça de invasão externa e da guerra nuclear. Sendo a deputada gaúcha, de um Estado que conheceu a Revolução Farroupilha e que efetivamente lutou pela república, esperava mais respeito por um Estado revolucionário. Nenhuma revolução que transforma para melhor a vida de milhões de pessoas como a gente humilde que aparece em seus vídeos é feita na base do "abraço e do aperto de mão"; o ideal é que assim ocorresse, e até já foi tentado em locais como a Hungria em 1919, onde esses "comunistas pacíficos" foram massacrados pela burguesia. A deputada, a julgar pelo seu discurso que, lamentavelmente, em nada se diferencia do discurso conservador e falso, não sabe o que é viver em um Estado que durante seu surgimento foi invadido por 14 diferentes países, que nos anos 30 sofreu constante ameaça de guerra, por 4 anos viveu a mais sangrenta guerra que a humanidade já conheceu e, depois disso, ainda teve que lutar para não ser bombardeada por 300 bombas atômicas dos imperialistas dos EUA, conforme planejado no hoje não mais secreto "Plano Dropshot". E feliz fico, deputada, por Vossa Senhoria não saber o que é viver em tal Estado, todavia de forma alguma contemplo toda e qualquer idéia que procure difamar e caluniar este país, mesmo por que os autores de tais calúnias, nomes como Hannah Arendt, jamais foram referência para qualquer defensor dos trabalhadores, visto que são suas idéias infundadas e motivadas pela Agência Central de Inteligência(CIA), algo que hoje não mais é segredo e que já foi divulgado por uma grande jornalista britânica.

Para finalizar, não sei se o conteúdo desta "carta" interessa a Vossa Senhoria, como parece pouco ter lhe interessado o trabalho de ex-companheiros de partido seus que estiveram na Coréia do Norte, país que Vossa Senhoria despreza num dos comentário do Twitter, jovens que saíram do Partido por causa do desprezo que hoje muitos tem pelo real sentido de sua sigla, "Comunista", mas quero deixar bem claro que nenhum país ou líder que inspirou e liderou milhões de trabalhadores merece desprezo! É diante desse descaso com questões ideológicas contemporâneas, da latente incapacidade de muitos jovens de defender estoicamente a bandeira que carregam, como fizeram milhões de revolucionários e militares comunistas que deram a sua vida contra o fascismo, nomes como Zoya Kosmodemyanskaya, enforcada e esquartejada por defender a causa comunista até o último segundo de sua vida, vale perguntar: será que, infelizmente, a opinião dos deputados sobre a juventude, ébria com o veneno pós-moderno, não está correta?

terça-feira, junho 26, 2012

MUNDO: Experimentos com seres humanos em estilo nazista feitos pelo governo dos EUA(Eng)



Como o governo americano infectou negros e milhares de gualtemaltecos com o vírus da sífilis. Quem garante que o vírus da AIDS não foi fruto de experimento similar?

Assista e repasse!