sexta-feira, agosto 31, 2012

REFLEXÃO

Por Twylla Ferraz

Racismo, preconceito e discriminação são situações distintas.
Você, branco, por ouvir RAP, dançar Samba Rock e usar dred NÃO é mais preto que o preto que ouve rock, não dança e alisa o cabelo.
Não é pelo fato de andar de calça bag e camisa do Corinthians, que a sua abordagem policial vai ser igual a de um preto, mesmo que esse esteja de terno voltando da universidade.
Não, você não deixa de ser racista ao me chamar de macaco e cabelo duro SÓ de "brincadeira".
Ter uma empregada é preta também não te faz menos racista.
Ter um namorado/marido/peguete/amigo preto também não te faz menos racista.
Pretos não são os mais racistas.

VOCÊ É RACISTA E NÃO SABE!

domingo, agosto 26, 2012

BRASIL: Estagiária negra é forçada a alisar o cabelo para preservar "boa aparência"

De São Paulo, da Radioagência NP, Jorge Américo, com Geledés
Publicado em http://www.pragmatismopolitico.com.br/2011/12/estagiaria-negra-e-forcada-alisar.html

‘O padrão daqui é cabelo liso’, disse a patroa.
A estagiária Ester Elisa da Silva Cesário acusa seus superiores de perseguição e racismo. Conforme Boletim de Ocorrência registrado no dia 24 de novembro, na Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi) de São Paulo, ela teria sido forçada a alisar o cabelo para manter a “boa aparência”. A diretora do Colégio Internacional Anhembi Morumbi ainda teria prometido comprar camisas mais compridas para que a funcionária escondesse os quadris.
Ester conta que foi contratada no dia 1º de novembro de 2011, para atuar no setor de marketing e monitorar visitas de pais interessados em matricular seus filhos no colégio, localizado no bairro do Brooklin, na cidade de São Paulo. A estagiária afirma ter sido convocada para uma conversa na sala da diretora, identificada como professora Dea de Oliveira. Nos dias anteriores, sempre alguém mandava recado para que prendesse o cabelo e evitasse circular pelos corredores.
“Ela disse: ‘como você pode representar o colégio com esse cabelo crespo? O padrão daqui é cabelo liso’. Então, ela começou a falar que o cabelo dela era ruim, igual o meu, que era armado, igual o meu, e ela teve que alisar para manter o padrão da escola.”
Além das advertências, Ester afirma ter sofrido ameaças depois de revelar o conteúdo da conversa aos demais funcionários do colégio. Eles teriam demonstrado solidariedade ao perceber que a estagiaria estava em prantos no banheiro.
“Depois disso, eu me vesti para ir embora e, quando estava saindo, ela me parou na porta e disse: ‘cuidado com o que você fala por aí porque eu tenho vinte anos aqui no colégio e você está começando agora. A vida é muito difícil, você ainda vai ouvir muitas coisas ruins e vai ter que aguentar’.”

Colégio se defende
Após contato da reportagem, um funcionário indicado pela Direção do Anhembi Morumbi informou que a instituição não recebeu nenhuma notificação sobre o registro do Boletim de Ocorrência. Ele negou a existência de preconceito e se limitou a dizer que “o colégio zela pela sua imagem e, ao pregar a ‘boa aparência’, se refere ao uso de uniformes e cabelo preso”.
A advogada trabalhista Carmen Dora de Freitas Ferreira, que ministra cursos no Geledés – Instituto da Mulher Negra – assegura que a expressão “boa aparência” é usada frequentemente para disfarçar preconceitos.
“Não está escrito isso, mas quando eles dizem ‘boa aparência’, automaticamente estão excluindo negros, afrodescendentes e indígenas. O padrão é mulher loira, alta, magra, olhos claros. É isso que querem dizer com ‘boa aparência’. E excluir do mercado de trabalho por esse requisito é muito doloroso, afronta a Lei, afronta a Constituição e afronta os direitos humanos.”
Métodos conhecidos
De acordo com o depoimento da estagiária, as ofensas se deram em um local reservado. A advogada explica que essa prática é comum no ambiente de trabalho, além de ser sempre premeditada.
“O assediador sempre espera o momento em que a vítima está sozinha para não deixar testemunhas, mas as marcas são profundas. O preconceito é tão danoso, que ele nega direitos fundamentais, exclui, coloca estigmas, e a pessoa se sente humilhada, violentada. Quando o assediador percebe a extensão do dano, ele tenta minimizar, dizendo ‘não foi bem assim, você me interpretou errado, eu não sou discriminador, na minha família, a minha avó era negra’.”
Ester ainda afirma que teria sido pressionada a deixar o trabalho, ao relatar o ocorrido a uma conselheira do Colégio. Como decidiu permanecer, passou a ser vigiada constantemente por colegas.
“Eu estou lá e consegui passar numa entrevista porque sou qualificada para o cargo, mas ela não viu isso. Ela quis me afrontar e conseguiu abalar as minhas estruturas emocionais a ponto de eu me sentir um lixo e ficar dois dias trancada dentro de casa sem comer e sem beber. Você pensa em suicídio, se vê feia, se sente um monstro.”
Sequelas e legislação
Ester revela que as situações vividas no trabalho mexeram com sua auto-estima e também provocaram grande impacto nos estudos e no convívio social.
“Desde que isso aconteceu, eu não consigo mais soltar o cabelo. Quando estou na presença dela eu me sinto inferior, fico com vergonha, constrangida, de cabeça baixa. É a única reação que eu tenho pela afronta e falta de respeito em relação a mim e à minha cor.”

O Boletim de Ocorrência foi registrado como prática de “preconceito de raça ou de cor”. A Lei Estadual nº 14.187/10 prevê punição a “todo ato discriminatório por motivo de raça ou cor praticado no Estado por qualquer pessoa, jurídica ou física”. Se comprovado o crime, os infratores estarão sujeitos a multas e à cassação da licença estadual para funcionamento.

BRASIL: Advogada denuncia racismo: "não quero ser atendido por uma negra"

Fonte: O globo, republicado em http://www.pragmatismopolitico.com.br/2012/08/advogada-denuncia-racismo-nao-quero-ser-atendido-por-uma-negra.html

Advogada denuncia contribuinte por racismo em Campinas. Segundo a vítima, homem disse que ‘negro não serve pra nada’. Crime é inafiançável, pode haver multa e pena é de até 5 anos de prisão

Uma advogada que trabalhava na prefeitura de Campinas (SP) aguarda a decisão da Justiça pelo tratamento denunciado como racismo recebido de um contribuinte. O crime de racismo é inafiançável, pode haver multa e a pena vai de um a cinco anos de prisão. Os casos de injúria racial, em que a pessoa atribui uma característica pejorativa ocorrem em situações mais frequentes por nacionalidade, cor, local de moradia e profissão, segundo a Comissão do Negro.
Ana Vanessa Silva foi vítima de preconceito e há três anos aguarda a decisão do processo judicial. “Eu não quero ser atendido por uma pessoa negra”, disse o contribuinte. O caso ocorreu ao enfrentar um constrangimento durante o atendimento. Ela disse que o homem ficou nervoso ao verificar que seria atendido por uma negra. “Negro não serve pra nada, negro só faz coisa errada”, afirma sobre o modo que o contribuinte comentou. O homem responde o processo em liberdade e se for condenado pode ficar até quatro anos preso.
Assumir um preconceito não é algo comum, muitas atitudes revelam um pré-julgamento e podem desvalorizar a pessoa socialmente. “Se você mora num determinado bairro ou em uma determinada região, então você já é conceituada por aquela região e baseado nisso você sofre prejuízos até quando vai procurar emprego”, afirma o presidente da comissão, Ademir José da Silva.
Os reflexos para quem sofre algum tipo de preconceito podem muitas vezes se tornar irreversíveis. “Nos momentos extremos de uma situação aguda, de constrangimento, de exposição, essas pessoas sofrem muito mesmo que podem evoluir para alguns quadros psiquiátricos”, explica o psiquiatra Eduardo Henrique Teixeira.


O constrangimento enfrentado pela Dra. Ana Vanessa Silva é uma prova viva de que no Brasil o preconceito não se limita à questão social (A Página Vermelha)

quinta-feira, agosto 23, 2012

BRASIL: O comunismo dos armênios no Brasil: A tragetória de Levon Yacubian





Resumo: Para uma fração da comunidade armênia de São Paulo, entre os anos 1930-60, o comunismo era sobretudo uma forma de sobrevivência política dentro desta colônia de imigrantes. Neste sentido, o presente trabalho pretende analisar a trajetória de Levon Yacubian, líder comunista da coletividade armênio-brasileira, editor de jornal propagandista, preso pelo DEOPS/SP por atividades subversivas. 


Palavras-chave: Armênios, Comunismo, repressão. 




Abstract: For a part of the Armenian community in São Paulo, among the 1930s-1960s, the communism was mainly a form of political survival within the colony of immigrants. Therefore, this paper is about the trajectory of Levon Yacubian, who was a communist leader of the Armenian-Brazilians, as well as propagandist newspaper editor. He also was arrested by DEOPS/SP for subversive activities. 

Keywords:  Armenians, Communism, repression. 



1. INTRODUÇÃO 

Em 1975, um jornalista de origem estrangeira residente em São Paulo dá entrada no DEOPS/SP(1)  para retirar uma certidão que o permita obter a sua habilitação de motorista amador. Para qualquer cidadão brasileiro, tal procedimento poderia soar trivial e ser executado sem grandes problemas. Entretanto, para indivíduos de origem estrangeira, a desejada certidão ensejava o início de uma devassa na vida pessoal do requerente. 

Assim aconteceu com Levon Yacubian, indivíduo de origem armênia. A simples vontade de expedir a habilitação de motorista trouxe a tona toda sua ação de militante político de esquerda e de liderança respeitada no seio da coletividade armênia brasileira. Ao mesmo tempo, tal certidão exumou as cicatrizes que o aparelho repressor do DEOPS/SP deixou na vida desse militante comunista. 

Assim, o objetivo desse trabalho é, através de uma figura central, compreender algumas características do comunismo da comunidade armênia de São Paulo entre os anos de 1930 e 1964 e como a repressão do Estado autoritário, através de sua ramificação de inteligência e operação – no caso o DEOPS/SP –, agiu para cercear a atividade “subversiva” desses elementos “alienígenas”, conforme nomenclatura recorrente nos prontuários gerados por tal órgão. 

Para cumprir tal objetivo, utilizaremos como fonte os prontuários produzidos pelo DEOPS/SP no decorrer da atividade de investigação e prisão do elemento suspeito. O Fundo DEOPS/SP do Arquivo Público do Estado de São Paulo(2) é reconhecidamente um rico acervo para o estudo dos períodos autoritários da história republicana brasileira e com base nesses documentos, já nasceram diversas pesquisas que tratavam do engajamento político do imigrante e da respectiva repressão(3). 

Para os armênios, segundo nossos levantamentos preliminares, existem cerca de 400 prontuários, sendo que aproximadamente 130 destes foram fichados pelas autoridades como comunistas. Ou seja, é perfeitamente viável, no que diz respeito à disponibilidade das fontes, a proposta de estudar os armênios comunistas no Brasil. 

Entretanto, antes de adentramos na história de Levon Yacubian, far-se-á necessário uma breve digressão pela história da imigração armênia no Brasil, bem como o cenário político que esses indivíduos trouxeram para o país. 


2. A IMIGRAÇÃO ARMÊNIA PARA O BRASIL: PECULIARIDADES SÓCIOPOLÍTICAS 

A chegada dos armênios à América e mais especificamente ao Brasil constitui um processo histórico bem peculiar, se comparada aos demais fluxos migratórios euro-asiáticos que tiveram lugar no final do século XIX até meados do século XX. Não houve uma política de Estado de incentivo à imigração desse povo. Sem  um Estado autônomo desde 1064, capitulado ante os turcos, os armênios se espalharam pelo mundo(4) principalmente após o Genocídio iniciado em 1915, que ceifou a vida de mais de 1,5 milhão de armênios que viviam no interior do Império Turco-Otomano(5).

Devido à imigração armênia ter sido um processo particular e individualizado, não é de se espantar o pequeno número que emigraram para o Brasil se comparado com trabalhadores oriundos de outros países, ou ainda se pensarmos nas cifras de imigrantes armênios em nações que incentivaram o aporte destes, como França ou EUA. Não há um número exato de quantos armênios há atualmente no Brasil. Roberto Grün (1992:17), estima que haja entre 20 a 25 mil armênios, sem discriminar, todavia, se ele considera nesse número apenas os da primeira geração ou também seus descendentes. 

De acordo com Hagop Kechichian, a primeira entrada substancial de armênios no país se deu via Rio Grande do Sul, por comerciantes que em busca de oportunidades de negócios, atravessaram a fronteira uruguaia com o Brasil e se estabeleceram em cidades daquele estado. Alguns mascates armênio-uruguaios alcançaram o sudeste, principalmente as cidades de Rio de Janeiro e São Paulo (KECHICHIAN,  2000:23-24 e 46-48). Contudo, a chegada do maior contingente de imigrantes se concentrou entre os anos de 1924-1926 (Ibid.:32), alcançando o número de cinco mil armênios no país em 1935 (Ibid.:51), atraídos muitas vezes pelas experiências dos árabes na Síria e no Líbano – países nos quais os armênios se refugiaram no primeiro momento –, que remetiam cartas às famílias contando das vitórias e conquistas no Brasil (Ibid.:31).

Kechichian (Ibid.:33) afirma que os primeiros que aqui chegaram se organizaram em pequenas sociedades e conseguiram iniciar pequenos negócios, principalmente vinculados às atividades comerciais de mascate. Uma vez estabelecidos e relativamente estabilizados, os novos imigrantes já direcionavam seus esforços para a confecção de calçados, atividade na qual muitos já trabalhavam nas cidades de origem. 

A partir daí, a vida social e política da comunidade tomou forma. As primeiras sociedades e associações foram fundadas, com o intuito de construir os dois pilares fundamentais da existência do armênio na Diáspora:  a Igreja e os partidos (SAPSEZIAN, 1988:167). Assim, foi formada em 1923 a Comissão da Fundação da Coletividade, com o objetivo de construir uma sede para a Igreja Apostólica Armênia no Brasil (KECHICHIAN, 2000:69). Também os católicos e evangélicos armênios conseguiram organizar-se e constituir suas entidades, em 1935 e 1927 respectivamente (Ibid.:72-73), e é na Igreja Evangélica Armênia que nasce a primeira escola armênia no Brasil, em 1937 (Ibid.:74). Além disto, sociedades culturais e recreativas também afloraram no seio da coletividade nas décadas de 1920 e 1930, bem como agremiações da juventude armênia, encenando peças e cantando músicas armênias em corais. A instituição mais significativa neste sentido foi a Sociedade Artística de Melodias Armênias – Clube Armênio – SAMA (Ibid.:80-84). Também prioritárias, as escolas primárias da comunidade surgiram tão logo foi possível, ainda na década de 1920. 

Por último, as agremiações partidárias também são instituições da primeira hora na coletividade armênio-brasileira. No Brasil, à semelhança em outros países da Diáspora armênia, destacam-se três partidos principais: Federação Revolucionária Armênia, Hentchak e Ramvagar. Entretanto, corria por fora da organização partidária um número considerável de comunistas, que adotaram tal postura política por razões inerentes ao ser armênio e ao estar no Brasil. Assim, passemos então a análise dessas razões. 


3. O COMUNISMO DOS ARMÊNIOS NO BRASIL E A REPRESSÃO DO DEOPS/SP 

A repressão do DEOPS/SP – 1924-1983(6) – conforme mencionamos, recai sobre uma boa fração da colônia armênia, que segundo o entendimento das autoridades repressivas, são “todos pertencem a Armênia Soviética [sic](7) e são comunistas, adeptos e admiradores de Stalin”(8), numa clara tentativa de demonização dos inimigos  políticos. Assim, nos cabe perguntar: se a disseminação do “credo comunista” entre os brasileiros já assustava as autoridades, o que podemos inferir quando refletimos sobre indivíduos ligados a um país que a esta altura era república integrante da URSS(9)? Nesse contexto, os armênios rotulados como comunistas se encaixavam perfeitamente no perfil estereotipado que a repressão criou para enquadrar os elementos indesejáveis: “os revolucionários, os contestadores, os sindicalistas, os estrangeiros, os operários, os anarquistas e os subversivos” (PEDROSO, 2005:114).

Naquela altura, com a Armênia sendo uma das repúblicas socialistas soviéticas, era normal que muitos armênios apoiassem a URSS sem necessariamente ter um gesto de simpatia ao comunismo. Até mesmo o partido democrata liberal  Ramgavar, de cariz conservador e burguês, era um entusiasta da Armênia Soviética, uma vez que foi a anexação do país à URSS o que garantiu a manutenção do torrão nacional, longe da constante ameaça turca. Convém lembrar que não havia entre as agremiações diaspóricas armênias, um partido essencialmente comunista, mas sim indivíduos simpatizantes com os ideais comunistas que poderiam militar entre os brasileiros e divulgar suas ideias entre os patrícios. 

Dessa forma, muitas vezes a repressão feroz e intolerante do Estado não consegue diferenciar o que é comunismo do que é admiração de cunho nacionalista pela Pátria-mãe. Assim, acreditamos ser possível dividir os comunistas fichados pelo DEOPS/SP em três grupos distintos: a) os que apóiam a URSS pelo fato da Armênia estar contida naquele país; b) os que são comunistas para demarcar terreno político dentro da coletividade, uma vez que a vida político-partidária era intrínseca ao indivíduo armênio; c) os que eram comunistas strictu sensu, comprometido com toda a teoria e prática peculiar a essa postura. Entretanto, esses grupos não são excludentes, ou seja, um indivíduo pode se enquadrar nas três categorias simultaneamente. Acreditamos ser esse o caso de Levon Yacubian, nosso objeto de estudo. A seguir, analisaremos a sua ação política a partir de seu prontuário no DEOPS/SP para clarificar tal ponto


4. A TRAJETÓRIA DE LEVON YACUBIAN 

Levon Yacubian nasceu em Alepo, na Síria, em 15 de dezembro de 1925(10). Sua família chegou ao Brasil quando ele tinha dois anos de idade, pelo porto de Santos. Entre idas e vindas, fixou-se em São José do Rio Preto, onde trabalhou como revisor de jornais e revistas, começando assim sua carreia ligada ao jornalismo. Em 1949, já na capital paulista, Yacubian trabalhava no jornal “Folha da Manhã”, quando foi preso juntamente com um compatriota(11), acusado de atividades subversivas(12).
Paralelamente às suas atividades profissionais no “Folha da Manhã”, o jornalista era editor, redator e secretário do jornal “Ararat – a voz do povo armênio”, tido pelo DEOPS/SP como subversivo e comunista(13). Em dezembro de 1946, o jornal possuía dezenas de assinantes em diversas partes do país, mostrando ter uma grande circulação e penetração na coletividade armênia no Brasil(14). De circulação bimestral, o  Ararat era a expressão do segmento mais à esquerda da coletividade armênia, colocando-se em uma postura crítica com relação aos problemas da coletividade brasileira e os rumos que essa tomava sob a direção da Federação Revolucionária Armênia – FRA –, principal força política na diáspora armênia no Brasil e no mundo. Assim, mais que um órgão comunista para além da comunidade, o Ararat era um veículo de propagação de ideias e de oposição no interior da mesma, servindo para marcar uma posição política clara frente às demais  forças partidárias que coexistiam na colônia armênia do Brasil(15). 

Além do  Ararat, Yacubian era membro da  União Cultural Armênia de São Paulo(16), entidade que também era tomada como subversiva pela repressão, uma vez que tinha vários nomes em comum com o jornal, como o do intelectual armênio-brasileiro Jacob Bazarian, egresso da Academia de Ciências da União Soviética(17), além de receber materiais informativos sobre a URSS(18). 

Tal postura oposicionista do  Ararat na coletividade não descarta, contudo, o caráter socialista da publicação. Embora não consigamos encontrar nos textos do periódico grandes alusões teóricas ao marxismo-leninismo e ao bolchevismo – como também não era comum nos demais intelectuais brasileiros de esquerda no período (KONDER, 2009:73-75) –, é evidente a simpatia ao regime soviético e à figura de Stalin. Em uma edição comemorativa ao aniversário do líder soviético, o jornal estampa uma manchete com os dizeres “Stalin e os armênios”, acompanhado de um extenso texto de Yacubian acerca das proezas de Stalin e dos benefícios do comunismo para a Armênia(19). Na mesma edição, todavia, Yacubian da cadeia, também assina o texto denominado “os tashnags a caminho da traição”, mostrando assim em um mesmo número do jornal os diversos usos do comunismo para os armênios do Brasil. 


5. CONCLUSÃO 

Levon Yacubian ficou preso por pouco mais de dois meses – entre 18 de junho e 09 de setembro de 1949 – devido à distribuição do referido jornal(20). Neste tempo, foi emitida contra o réu uma portaria de expulsão do território nacional, punição passível e recorrentemente usada contra elementos estrangeiros que causavam transtornos a ordem nacional, na visão do Estado autoritário. Frente a isso, Yacubian pediu visto de trânsito para deixar o país e ir para o Uruguai, onde procuraria a embaixada da URSS. 

Entretanto, em outubro de 1949, beneficiado por um despacho do Ministério da Justiça e Negócios Interiores, a expulsão de Yacubian foi arquivada e o réu foi inocentado. A decisão se deu após o juiz entender que a atividade do jornalista não feriu a legislação vigente e não acarretou em danos para o país.

Apesar da absolvição, é fato que Levon Yacubian, ainda que não pertencente ao Partido Comunista Brasileiro e não seguir as orientações do Komitern, agiu no sentido de atrair os seus compatriotas para o lado do comunismo, ainda que essa adesão se desse de acordo com os usos que o jornalista dava a tal ideologia no interior da coletividade. Contudo, pode ter pesado na decisão da justiça a repercussão que o caso tomou. Na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo, instituição a qual Yacubian frequentava na época de sua detenção, foi organizado um abaixo-assinado em protesto à manutenção da prisão do jornalista mesmo depois da  expedição do alvará de soltura. No mesmo número do Ararat supracitado, também havia uma nota sobre a prisão do jornalista e o descontentamento da sociedade com tal acontecimento. 

Enfim, importa menos o motivo da libertação de Yacubian do que o processo do qual ele faz parte. Preso com um companheiro por atividades subversivas, editor e escritor de um jornal de ampla circulação na comunidade armênia do Brasil, próximo a intelectuais e pensadores ligados mais diretamente a URSS e também inserido na intelectualidade brasileira através da USP, Yacubian mostra-se um valoroso militante, engajado principalmente nos problemas de sua pátria-mãe e da coletividade na que está inserido. Por esse prisma, o comunismo armênio não interfere na sociedade brasileira enquanto força política ameaçadora. Entretanto, na medida em que a ação de Yacubian transborda a coletividade e atinge a universidade, por exemplo, suas atividades engajadas compõem um rico cenário das esquerdas brasileiras no século XX, cujas fileiras são engrossadas por centenas de imigrantes com diferentes formações pessoais e políticas que afluem para o grande rio caudaloso da oposição do autoritarismo repressivo brasileiro e sua principal materialização: o DEOPS. 

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*Graduado em História pela Universidade Federal de Juiz de Fora – MG, mestrando em História Social pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Pesquisador do grupo “E/Imigrações: histórias, culturas, trajetórias”, CNPq. 

(1) Chamado nesse momento de Departamento Estadual de  Ordem Política e Social de São Paulo, mas ficou também conhecido pela sigla Dops, que designava o antigo nome de “Delegacia de Ordem Política e Social” (AQUINO, 2001:19).
(2) Doravante denominado de APESP. 
(3) Cf. DIETRICH, 2007, WIAZOVSKI, 2001, ZEN, 2005.
(4) Aharon Sapsezian (1988:161-162) estima que, enquanto viviam na Armênia Soviética cerca de 3,1 milhões de armênios, outros 3,5 milhões estavam espalhados pelo mundo. 
(5) Cf. TERNON, 1996. 
(6) O DEOPS foi criado, segundo Regina Célia Pedroso,  em um contexto de repressão política e formação  
ideológica contra àqueles que fossem julgados prejudiciais para a manutenção da ordem vigente, principalmente os anarquistas e estrangeiros em um primeiro momento. (PEDROSO, 2005:112-114). 
(7) Embora estes tenham emigrado antes de 1921, quando a Armênia se tornou uma das Repúblicas Socialistas Soviéticas. 
(8) Pront. nº 98.438 - Vartavar Tchungurian. DEOPS/SP, APESP. 
(9) Taciana Wiazovski (2001:37) nos mostra que eram justamente os imigrantes – sobretudo judeus – oriundos dos países pertencentes à URSS e seus satélites os mais perseguidos pelo DEOPS/SP sob a acusação de comunismo. 
(10) Pront. 73.631 – Levon Yacubian, DEOPS/SP, APESP. Curiosamente, há outro prontuário que trata do mesmo personagem, registrado sob o número 121.455 em 1952 e com o nome grafado de outra forma: Levon Jacobian. 
(11) Pront. 46.273 - Agop Boyadjian, DEOPS/SP, APESP. 
(12) Pront. 121.455 – Levon Jacobian, DEOPS/SP, APESP. 
(13) Pront. 98.526 – Ararat, DEOPS/SP, APESP. 
(14) Todos os assinantes foram fichados pelo DEOPS/SP e possuem prontuários arquivados no APESP. 
(15) Isso fica claro em um texto de Yacubian para o jornal: “somente o poder socialista dos operários, camponeses e intelectuais armênios é que conseguiu derrotar definitivamente, na Armênia, as forças retrogadas [sic] do governo tashnag de Vratzian. Somente o socialismo é que deu o poder governamental nas mãos do povo armênio, outrora escravisado [sic] e espoliado por  meia dúzia de lacaios tashnags”  Ararat – A voz do povo armênio. Ano IV, nº. 39-40; dezembro de 1949 a janeiro de  1950, p. 1. Lembrando que “tashnags” é a denominação em armênio para os membros da FRA.
(16) Pront. 94.341 - Sociedade Cultural União Armênia de São Paulo, DEOPS/SP, APESP. 
(17) Pront. 95.621 - Jacob Bazarian, DEOPS/SP, APESP. 
(18) Pront. 94.341. 
(19) Ararat – A voz do povo armênio. Ano IV, nº. 39-40; dez. 1949 a jan. 1950, p. 1. 
(20) Pront. 73.63. Desse trecho em diante, as informações são oriundas deste prontuário, salvo exceções que serão notificadas.

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domingo, agosto 19, 2012

MUNDO: Por que a mídia ocidental defende tanto o "Pussy Riot"?


Por Cristiano Alves

Nadyejda Tolokonnikova, integrante do grupo Pussy Riot(Rebelião das xanas) denuncia o seu "processo stalinista" e carrega uma camisa com os dizeres "No Pasarán", que ironicamente pertence à mais famosa "stalinista" espanhola.

Como reagiria um brasileiro num rito de candomblé se repentinamente seu local de culto fosse invadido por indivíduos desconhecidos que, alegando professar o candomblé, agisse de modo diverso dos fiéis daquela casa portando indumentárias distintas das pessoas do local? Algo parecido aconteceu na Rússia, quando uma banda autoproclamada "punk" adentrou o principal templo da religião ortodoxa, sendo após o incidente presas, julgadas e condenadas, o que despertou uma enorme atenção da mídia ocidental, que desde então em lhe conferido um colossal apoio talvez nunca antes visto por um opositor. Para entender o caso "Pussy Riot"(literalmente, "Revolta das xanas"), é preciso entender o quadro como um todo.

Desde os tempos de sua formação em Kiev, a Rússia(hoje com a sede em Moscou) tem atraído a atenção e o assédio de diversos poderes externos, o império dos cazares, dos mongóis, tártaros, da Ordem dos Cavaleiros Teutônicos, República das Duas Nações, do finado e sepultado Império Sueco, França napoleônica, Império Britânico, Alemanha nazista, Estados Unidos... enfim, uma lista completa demandaria um parágrafo inteiro. Todos esses poderes tem uma coisa em comum, que é sua expulsão do território russo, e isso é notável e registrado nos mais elementares livros de história russos até documentários norte-americanos como The battle of Russia. Nos dias atuais, o assédio contra o país russo não se dá por meios militares, uma vez que isso poderia levar à guerra nuclear, mas através do patrocínio de forças russófobas encontradas na própria Rússia, a mídia ocidental cria uma ilusão dicotômica, maniqueísta, onde Barack Obama, envolvido até o pescoço em sanguinárias guerras imperialistas aparece como o "príncipe do bem", um "promotor da paz", e ícones do pós-modernismo como Lady Gaga e Madonna aparecem como "arautos de uma nova arte que expressa como somos livres e modernos sob o capitalismo", tudo parte de uma ideologia cosmopolitista e globalista, onde deve-se abraçar os valores do "Império da democracia e da liberdade", sendo toda e qualquer manifestação tradicionalista ou nacional um sacrilégio que "deve desaparecer na tempestade mundial", tal é a mentalidade dessa imposição cosmopolitista, de um mundo formado por "bons" de um lado e "loucos e desvairados" de outro, tal como num desenho infantil.

Se a ideologia globalista apresenta ao mundo "quem são os bons caras", quem seriam os "caras maus"? Esses seriam justamente todos aqueles que não aceitam as imposições do Império hegemônico, naturalmente China e Rússia, dois países que em diversas oportunidades já se opuseram à sanha beligerante dos impérios americano e europeu, mas a China é muito rica, empresta dinheiro ao ocidente e em muitas oportunidades sustenta a sua economia capitalista, logo não é uma boa ideia incomodá-la, mas outro foi forte no passado e hoje encontra-se enfraquecido, mas não com os dois joelhos no chão ainda, a Rússia, e todos aqueles que não aceitam uma Rússia submissa, completamente de joelhos ante o mundo ocidental, que sabe que mais de 70% das forças fascistas foram derrotadas pelos soviéticos, e não pelos americanos, que entende que Stalingrado era uma cidade soviética, e não um bairro de Nova Iorque, torna-se um elemento perigoso, "reacionário e retrógrado", "autoritário antidemocrático", um "radical" que deveria estar num museu.

De fato a oposição russa tão retratada na mídia ocidental tem um formato heterogêneo, nela encontra-se aqueles que acreditam que o melhor caminho para a Rússia é ajoelhar-se ante o ocidente, os liberais, aqueles que acreditam que o caminho para a Rússia é "voltar ao futuro soviético"(e mesmo esses dividem-se entre os defensores da economia dos tempos de Stalin e do caminho chinês ou bielorrusso), há ainda os que acreditam que o caminho está na monarquia, e mesmo aqueles que acreditam que o caminho está na "expulsão dos negros e destruição dos judeus", estes últimos, por sua vez, são idiotas úteis ao governo para desmoralizar a oposição. De todos esses grupos, o que menos interessa ao ocidente são os comunistas, pois este não quer uma nova União Soviética e muito menos um Lukashenko russo cheio de mísseis nucleares e recursos naturais à sua disposição para competir a altura com companhias ocidentais. O que interessa ao ocidente é uma Rússia fraca, descentralizada, esfacelada, onde companhias ocidentais possam atuar sem óbices na exploração de seus recursos minerais e de seu povo. É por isso que todas as ações que enfraqueçam a Rússia são de pronto apresentadas positivamente na imprensa ocidental, seja o esfacelamento da União Soviética, a guerra da Chechênia, governantes russófobos eleitos na Ucrânia, manifestantes de top less anti-Rússia ou anti-Belarus, essa ou aquela crise no Cáucaso ou simplesmente uma banda punk que invade uma catedral para protestar contra o governo, ainda que o país tenha centenas de bandas e cantores de protesto.

A Igreja Ortodoxa do Patriarcado de Moscou é uma instituição muito antiga na Rússia, vinculada à formação da mentalidade de seu povo, que em diversas ocasiões o inspirou na luta contra os invasores do país. Mesmo durante os anos da Revolução Russa, foram cometidos erros severos contra a Igreja Ortodoxa, situação que ficou tão séria a ponto de um dos líderes do Partido Bolchevique e da Revolução de Outubro intervir no caso, I. V. Stalin, emitindo uma ordem para proibir as violações às casas de oração ou prisões por motivo de religião. Mais tarde, sob o governo desse revolucionário foi restaurado o Patriarcado de Moscou, que desde os tempos do tzar Pedro havia sido suspenso e convertido em Santo Sínodo, bem como preservadas várias igrejas antigas. A ação do Pussy Riot, entretanto, nada tem a ver com um "contexto revolucionário" ou "ataque a um símbolo", tem a ver somente com uma tentativa de marketing muito mal sucedida, uma vez que culminou na prisão das integrantes do grupo, mas por outro lado bem sucedida, já que conquistou a simpatia do mundo ocidental, não por causa de sua música, mas por que podem posar como "vítimas da falta de liberdade de expressão no país", tão grave como em outros países capitalistas ocidentais como os EUA, onde a atriz holywoodiana Daryl Hannah foi presa por liderar um protesto pacífico contra a construção de um oleoduto no país, que traria grandes impactos ambientais, comprovando a tese do "fascismo corporativo" naquele país.

O grupo Pussy Riot, a começar pelo seu nome, é só mais um símbolo da pobreza e decadência cultural da Rússia burguesa. Essas pseudofeministas, que envergonhariam Aleksandra Kollontay, revolucionária russa, expôs numa de suas entrevistas o seu grau de estupidez e falta de coerência, ao comentar o processo movido contra elas, motivado pelo seu "pornô-huliganismo". Em tal entrevista, a integrante Nadyejda denuncia o "processo stalinista", envergando uma camisa com a mensagem "No pasarán!", que ironicamente era o bordão de Dolores Ibarruri, la Pasionera, a mais famosa "stalinista" espanhola.



VEJA TAMBÉM:

http://apaginavermelha.blogspot.com.br/2011/08/mundo-atriz-de-holywood-e-presa-por.html

sexta-feira, julho 20, 2012

MUNDO: Evidências da homoafetividade de Anders Breivik

Evidências da homoafetividade de Anders Behring Breivik
Por Vladimir Tavares


Ao longo da história, a hipocrisia foi uma arma comumente utilizada por mentes reacionárias, projetando no oponente determinadas características próprias com o intuito de afastar de si a culpa para algo, assim, organizações homofóbicas como a SA e a SS nazistas eram conhecidas pela obsessiva preocupação com a aparência mesmo orgias homoafetivas. No caso da SA, o líder desta chegava a ser um conhecido pederasta, Ernst Röhm. Segundo a obra "O segredo de Hitler", de Lothar Machtan, evidências, depoimentos de colegas de infância e até fotos públicas do führer apontam uma grande possibilidade de Hitler ter sido homossexual. No entanto, o que surpreende não é o fato destes nomes ou organizações terem tido um acentuado caráter homoafetivo, mas sim de ser formado por homossexuais "no armário" que perseguiam outros homossexuais fora dele.

Evidências da homossexualidade do terrorista conservador norueguês Anders Breivik são conhecidas há muito tempo, antes mesmo de seus crimes. Conhecido por uma preocupação obsessiva com sua aparência, fetiches por uniformes militares e especialmente por cruzados medievais, Breivik, criado pela mãe, realizou ainda jovem uma cirurgia plástica para tornar seu nariz "mais ariano", uma vez que o achava "demasiado árabe". De acordo com testemunhas, a sua antiga página do Facebook jamais trouxe qualquer contestação de um questionamento se ele seria gay, aliás, o próprio Breivik enfatiza em seu "Manifesto", que isso poderá chocar alguns cruzados cristãos, mas "o uso de maquiagem para um cruzado é essencial". O próprio Breivik, aliás, usava maquiagem, e segundo depoimentos dados em juízo durante seu julgamento, ele foi visto e fotografado na Parada do Orgulho Gay de Oslo, em 2004, de acordo com muitos amigos e mesmo o próprio Breivik, este jamais teve qualquer envolvimento amoroso com mulheres. Em seu livro de ódio, o terrorista norueguês critica de forma ácida o movimento gay, mas não o comportamento gay em si, mesmo portando-se de forma afeminada em várias ocasiões. Embora se dissesse "cristão", não há registro de visita sua a qualquer igreja local nem são conhecidas testemunhas de tais visitas. A homoafetividade de Breivik não apenas é alegada por amigos seus próximos, como também já foi levantada em alguns jornais como o Telegraph, britânico, e mesmo noruegueses e suecos, inclusive jornais LGBT como o Pink News, britânico.

O fato é que Breivik é uma caricatura perfeita do típico conservador que "sem coragem para sair do armário" ataca os mais exaltados homoafetivos, como forma de lutar com seus conflitos existenciais internos. A opção sexual do terrorista conservador norueguês deve ser dissociada de seus atos, uma vez que cerca de 40 jovens que seriam vítimas de Breivik foram salvos por um casal lésbico, que os resgatou em sua lancha particular após os pedidos de socorro.

Uma das 70 vítimas de Anders Breivik, terrorista conservador norueguês

quarta-feira, julho 18, 2012

MUNDO: Semelhanças entre o regime nazista e o norte-americano

Semelhanças entre o regime nazista e o norte-americano
Por Vladimir Tavares

Muitas personalidades de direita, especialmente a chamada "direita conservadora", eufemismo hodierno para "fascista", tem feito colossais esforços na tentativa de equiparar o comunismo ao nazismo. Latentes as suas diferenças, necessário é levar para o campo da epistemologia e abstrair conclusões a respeito dessa questão. Sendo o nazismo nada mais que um capitalismo desesperado, nenhum país se parece mais com o modelo nazista do que o modelo americano em diversos momentos de sua história.

- Racismo

EUA e Alemanha nazista foram historicamente campeões do racismo, seguidos de fortes concorrentes como o Reino Unido, Bélgica, Espanha, África do Sul e Japão. Dois aspectos notáveis nos dois países citados é a criação de leis de segregação racial.

Alemanha nazista: Leis de Nuremberg

As Leis de Nuremberg(Nürnberger Gesetze) eram leis abertamente racistas surgidas na Alemanha nazista durante os anos 30. Seu conteúdo visava a proibição de qualquer relacionamento entre judeus e alemães não-judeus. Embora a pena fosse inicialmente a de trabalhos forçados, ela foi depois substituída pela pena capital. Um dos mais famosos casos foi o de Leo Katzenberger, guilhotinado(em pleno século XX) em 2 de junho de 1942.

Estados Unidos: Leis racistas coloniais e a Lei Jim Crow

Desde os tempos coloniais, os britânicos introduziram leis racistas nas 13 colônias, em 1664, a colônia de Virgínia estabeleceu uma lei criminalizando o casamento entre brancos e negros, algo que há 4 anos havia sido regularizado. Em 1691, uma lei proibiu o casamento entre brancos e negros, lei que mais tarde se espalhou para outras colônias. Para se ter uma idéia do quão reacionárias eram essas leis, nas colônias francesas como a Luisiana, não havia proibição legal ao casamento interracial, embora um Código Civil estabelecido em 1685 tenha proibido o casamento entre católicos e não católicos, sem envolver questões raciais. Sob o domínio espanhol, o casamento interracial poderia ocorrer somente sob consentimento parental, antes dos 25 anos de idade, e sem ele caso as partes fossem mais velhas. Quando os EUA(já independentes) tomaram a Luisiana, em 1806, casamentos interraciais foram banidos.

Em 1776, ano da independência dos Estados Unidos, o casamento interracial continuou proibido, frequentemente sob falsas alegações que evocavam princípios da Bíblia e atribuíam interpretações erradas desta que jamais foram contempladas por qualquer patriarca na Ortodoxia ou mesmo por alguns papas no Catolicismo, histórias como a de Cão e Fineias. É interessante ressaltar que embora a Independência dos Estados Unidos tenha tido como uma de suas bases o iluminismo, o racionalismo, esta foi depois corrompida pelo fundamentalismo protestante, que até hoje influencia a ideologia americana.

A mais famosa lei racista nos EUA foi a Lei Jim Crow, de 1876 a 1965, lei que segregava legalmente negros e brancos, estabelecendo locais públicos só para negros e só para brancos, e até mesmo fontes de água para pessoas de cor e brancas, sendo os locais para negros geralmente de qualidade inferior aos dos brancos. Um dos mais famosos casos de questionamento desta lei foi o caso da mulata Rosa Parks, professora de origem afro-índio-irlando-escocesa que, sentada em um acento destinado aos negros, foi requisitada para deixar seu acento e cedê-lo para um branco que estava de pé, conforme o costume local estabelecido pelas autoridades brancas; por se recusar a fazê-lo, Rosa Parks foi presa por policiais, após a requisição do motorista do ônibus, que já havia se recusado a abrir a porta para Rosa Parks durante uma chuva. A Lei Jim Crow não apenas proibia casamentos interraciais, como também negava aos filhos de casais interraciais direitos sociais e acesso às escolas e hospitais públicos.


- Organizações terroristas de supremacia branca

A SS nazista usava uniformes desenhado por um famoso membro do partido, o estilista Hugo Boss

Alemanha nazista: Antes do nazismo, a Alemanha foi atormentada por anos pelas ações da SA(Sturmabteilung), popularmente conhecidos como "camisas-marrom", um tipo de camisa fácil de ser adquirido e que assemelhava-se à cor das tropas coloniais alemãs. Esta organização promovia a segurança de líderes nazistas, ataques contra comunistas, judeus, negros e era conhecida pelo seu alcoolismo e orgias homossexuais, sendo que o próprio Röhm era assumidamente homoafetivo, tendo numa de suas cartas expressado o seu desejo por "rapazes jovens e arianos".

Reunindo mais de 3 milhões de membros, a SA deu origem à SS, que passaria a garantir a proteção de líderes nazistas e trocaria as camisas marrons por camisas negras desenhadas por um fascista quase tão famoso quanto o próprio Hitler, o estilista Hugo Boss.

Tendo iniciado como organização paramilitar do partido nazista, a SA, assim como a sua "filha", a SS, tornaram-se organizações oficiais do governo fascista alemão.

Estados Unidos: Em 1865, surge o Ku Klux Klan(KKK), organização secreta extremista de supremacia branca, formada por veteranos confederados. Essa organização promovia o terrorismo cristão-protestante, promovendo o linchamento de negros e combatendo toda e qualquer tentativa de integração dos negros à sociedade através dos mais violentos métodos disponíveis(há rumores de que a sigla KKK seria uma onomatopéia do som de um rifle ao ser carregado), tais como o linchamento de pessoas de cor, enforcamento, fogueiras para negros, castração, mutilação de seus órgãos sexuais, dentre outros.  Esse grupo era bastante ativo em períodos eleitorais, onde impediam por qualquer método os negros de votar. O abuso do terrror indiscriminado em nome do "orgulho branco", levou o governo americano à persecução penal dos crimes do KKK, o que levou à sua derrocada, mas não do racismo e do terrorismo branco, uma vez que o clã deu lugar à Liga Branca e aos Camisas Vermelhas, organizações paramilitares responsáveis pelo assassinato de eleitores e líderes negros. Ao contrário do "Clã", essas últimas organizações eram abertas, não fazendo segredo sobre suas ações.

Com o fim do KKK, por volta de 1870, surge um novo Ku Klux Klan em 1915, no estado da Geórgia, nos EUA. Dessa vez, a organização terrorista ganhou um novo aliado, o cinema. Utilizando-se de modernas campanhas publicitárias, o clã ganhou um enorme número de adeptos após a exibição do filme The birth of a nation(O nascimento de uma nação), baseado na peça The Clansmen, película de propaganda racista anti-negro. Para se ter uma idéia do ponto a que chega o racismo no filme, negros são apresentados sempre como ininteligentes, constantemente perturbados e sexualmente agressivos em relação à mulheres brancas, nele, embora alguns figurantes sejam negros, os atores "negros" que desempenham algum papel relevante são atores brancos pintados de preto, como o asssassino "Gus", tarado por mulheres brancas que tenta estuprar uma jovem branca que prefere se suicidar a ser tocada por ele(os filmes da época costumavam usar sempre atores brancos pintados de preto para cenas que envolvessem um maior contato com mulheres brancas). O filme satiriza negros tornando-se congressistas, especialmente numa cena em que um deles tira o sapato em pleno congresso e pões os pés em cima da mesa, ao passo que outros bebem em pleno congresso. De acordo com periódicos americanos, após a exibição desse filme um negro foi linchado após a saída do cinema. O nascimento de uma nação foi utilizado como ferramenta de recrutamento pelo KKK até a década de 1970, encontrando-se disponível no site de vídeos Youtube e eivado de comentários racistas, o filme também foi o primeiro a ser exibido na Casa Branca. O presidente dos EUA Woodrow Wilson exibiu o filme diversas vezes em sessões privadas. Apesar do enorme sucesso comercial, o filme gerou uma onda de protestos, tendo o mesmo diretor produzido o filme "Intolerância" no ano seguinte.

O Ku Klux Klan teve um famoso jornal nos anos 20 chamado "The Good Citizen", isto é, "O cidadão de bem", "O bom cidadão", nas quais evocava a terminologia "WASP", que em inglês quer dizer "Protestante Branco Anglo-Saxão" e defendia idéias de supremacia branca e anti-catolicismo como seus antecessores, antes de Hitler dominar as ruas na Alemanha. Tratava-se de uma luta para tentar resgatar a superioridade branca e protestante americana, "ameaçada" por novos cidadãos em tal sociedade, fundada no extermínio de seus homens originais e na escravidão daqueles que os próprios brancos americanos anglo-saxões trouxeram ao país.

A popularidade do clã foi perdida em fins dos anos 20, com a grande depressão. Em fins dos anos 30, o KKK tentou estabelecer laços com a Alemanha nazista, flertando com a ideologia hitleriana, o que foi oficialmente abandonado após a entrada dos EUA na guerra do lado dos aliados. Este clã havia adotado novos rituais como a queima de cruzes, durante as quais usava sempre o seu famoso uniforme branco.

Em fins dos anos 40, o KKK tenta se levantar mais uma vez, surgindo o "Terceiro Clã", reciclado no anticomunismo febril dos tempos da Guerra Fria. Embora tenha sempre sido uma organização paramilitar, é importante frisar que um filme associado à sua ideologia foi o primeiro a ser exibido na Casa Branca e mesmo em várias sessões privadas pelo presidente Woodrow Wilson, e nos anos 50, no filme-documentário produzido pelo governo americano How to spot a communist(Como detectar um comunista) uma passeata contra o Ku Klux Klan é apresentada como "propaganda comunista", isto é, opor-se a uma organização terrorista e racista era considerado um "abominável atocomunista antiamericano". Assim, ao contrário de seus pares alemães da SA e SS, o KKK jamais foi uma organização oficial dos Estados Unidos da América, todavia contou ela com o aval do governo americano e a inexistência de uma legislação que proiba o racismo naquele país, existindo até os dias atuais e marchando em ruas americanas sem contar com qualquer repressão policial, destino não reservado às milhares de manifestações sociais ocorridas no país. A covardia do KKK e seus métodos cruéis repousa no assassinato de milhares de negros, militantes por direitos ou não, bem como num terrível crime onde um garoto deve sua face desfigurada por um tiro de escopeta após assobiar para uma mulher branca.


- Assassinatos em massa, militarismo e imperialismo

Militares americanos mostram seu verdadeiro rosto(a foto não é montagem)

Alemanha nazista: A Alemanha é conhecida por incontáveis atos facínoras, crimes contra a humanidade em nome da "higiene racial" que provocaram a destruição de milhões de vidas na ex-União Soviética, Polônia e outros países. Estima-se que as perdas totais da IIGM, iniciada pela Alemanha nazista, foram de cerca de 60 milhões de pessoas, isto é, 2,5% da população mundial em apenas 6 anos, e não os costumeiros "6 milhões de judeus" descritos, mesmo por que morreram muito mais eslavos do que judeus, especialmente poloneses, russos, ucranianos e bielorrussos, considerados uttermensch pelos nazistas, isto é, uma "raça inferior". Vale salientar que milhões ficariam sem casa e deficit habitacional se tornaria um sério problema nos anos seguintes.

Estados Unidos: Diferente de seus colegas alemães, os alvos dos racistas americanos não eram brancos, razão pela qual o país não tem a mesma fama da Alemanha, mas sim negros e americanos nativos, isto é, povos indígenas. Diferentemente de outros países do continente americano, nos EUA os índios foram praticamente extirpados do país, negros foram mortos aos milhares por organizações como o KKK, e esse espírito imperialista ainda se estendeu direta e indiretamente a países vizinhos como a Guatemala, Nicarágua, Filipinas, Líbia, Afeganistão, Sérvia, Iraque, Somália, Quênia, além de dezenas de outros países.

É importante enfatizar que tal como na Alemanha nazista, nos Estados Unidos a "faxina racial" foi defendida abertamente em várias ocasiões, valendo ler o discurso do presidente Andrew Jackson sobre a necessidade de "eliminar a raça inferior indígena". Em alguns casos, essa defesa foi velada, merecendo ser citado o "plano de eliminação da raça eslava", isto é, a Operação Dropshot, que visava lançar 300 bombas atômicas em território soviético em 1947.

- Experimentos com seres humanos

Alemanha nazista: Conhecida por uma série de experimentos com prisioneiros "indesejáveis", o mundo horrorizou-se com as experiências do Dr. Mengele e as teorias racistas do pseudocientista Eugene Fischer, que provocaram a morte de milhares de pessoas em testes laboratoriais... com cobaias humanas.

Estados Unidos: Tal como no filme "V for vendetta", tal como seus colegas alemães, os americanos empreenderam uma série de testes com cobaias humanas nos anos 40, sob a liderança do ditador Harry Truman. Utilizando-se de negros, prisioneiros e especialmente gualtemaltecas, o vírus da sífilis foi introduzido involuntariamente em diversos seres humanos. Dos milhares de infectados, apenas alguns tiveram a "sorte" de serem usados para testar sua vacina, fato que evidencia a possibilidade do vírus da AIDS ser uma criação de laboratórios americanos para o extermínio de africanos.

quarta-feira, junho 27, 2012

POLÍTICA: Carta aberta à Deputada Manuela d'Ávila (PCdoB-RS)

Por Cristiano Alves

Segue-se aqui uma carta aberta, originalmente postada no vídeo do canal oficial da deputada Manuela d'Ávila, em resposta a uma entrevista sua concedida no programa "Agora é Tarde", onde a pecedebista alega que seu partido hoje é um "partido moderno que não mais quer o comunismo totalitário". Veja o vídeo e em seguida a resposta do editor de "A Página Vermelha":




Prezada Deputada Manuela, manifesto o meu profundo respeito pelo seu trabalho na câmara e pelo seu trabalho em defesa de causas sociais, sou eleitor do PCdoB(votei no deputado Osmar Júnior, pelo estado do PI) e fico preocupado com certas questões a ele referentes.

Vejo o socialismo como o único caminho para colocar o Brasil como uma superpotência, como caminho viável para destruir grandes males brasileiros como a miséria, o analfabetismo, o racismo e a submissão, e é exatamente por condenar esses males que eu, como comunista, evoco dois grandes exemplos de países em situação parecida com a nossa que através do comunismo científico superaram tal deficiência, a URSS e a China. Conforme elucido em meu artigo "Por que estudar Stalin?", bem como venho colocando em minha nova monografia jurídica, este filho de um sapateiro e de uma lavadeira e empregada, homem humilde como milhões de brasileiros, foi o primeiro a elaborar uma Constituição que proibiu o racismo, através do artigo 123 da Constituição Soviética de 1936, que eu, conhecedor da bela língua russa, fiz questão de ler e traduzir para alguns de meus artigos políticos.
O que é modernidade? Conceito já debatido por Descartes, por Marx e Berman. Seria uma ruptura com a tradição? Ora, a modernidade sem a tradição não é nada. A deputada coloca em sua entrevista que "o PCdoB hoje é um partido moderno". O que seria um "partido moderno"? Um partido que esquece sua tradição?

Eu enxergo as idéias comunistas como idéias de vanguada da sociedade, e não apenas assim enxergo, como elas efetivamente assim sempre foram. K. Marx é visto na Grã-Bretanha, segundo pesquisa da BBC, como o maior filósofo de todos os tempos, suas teses do século XIX até hoje explicam muito bem o que se passa no século XXI, o que já foi reconhecido mesmo em periódicos como o NY Times. Numa época em que negros viviam sob a nefasta lei Jim Crow, em que o mundo vivenciava os horrores da eugenia, da idéia de "raça pura", o grande Lenin já condenava o preconceito contra minorias nacionais em seu texto sobre a autonomia de povos menores e o grande Stalin, paladino de suas idéias, já escrevia em "O marxismo e a questão nacional" que não havia "nação pura", inclusive demonstrando a falácia de tais idéias. Seu governo extirpou o analfabetismo de um país de mais de 80% de analfabetos, eletrificou um país agrário e mais tarde, logo após seu governo, seu país provou ao mundo que lugar de mulher também é no espaço, lançando a primeira cosmonauta, Valentina Tereshkova. Devo lembrar que antes dela, a URSS lançou o primeiro homem ao espaço, um camponês cuja família foi sequestrada e assassinada pelos fascistas alemães, Yuri Gagarin. Falamos de um Estado governado por trabalhadores, cujo maior monumento era um operário e uma camponesa em pleno centro de Moscou, que provou ao mundo que proletários podem gerir seu próprio destino e superar em dezenas de anos o que outros países fizeram em centenas. Alegar que tal Estado foi um "totalitário" é uma idéia absolutamente estranha às idéias comunistas e, antes de tudo, estranha ao racionalismo. Estados de inspiração marxista cercearam a liberdade? Sim, assim como a Revolução Francesa e centenas de outras revoluções progressistas que se viram ameaçados por inimigos externos reais(nada comparável à paranóia da ditadura militar fascista). Os soviéticos construíram o socialismo sob constante ameaça de invasão externa e da guerra nuclear. Sendo a deputada gaúcha, de um Estado que conheceu a Revolução Farroupilha e que efetivamente lutou pela república, esperava mais respeito por um Estado revolucionário. Nenhuma revolução que transforma para melhor a vida de milhões de pessoas como a gente humilde que aparece em seus vídeos é feita na base do "abraço e do aperto de mão"; o ideal é que assim ocorresse, e até já foi tentado em locais como a Hungria em 1919, onde esses "comunistas pacíficos" foram massacrados pela burguesia. A deputada, a julgar pelo seu discurso que, lamentavelmente, em nada se diferencia do discurso conservador e falso, não sabe o que é viver em um Estado que durante seu surgimento foi invadido por 14 diferentes países, que nos anos 30 sofreu constante ameaça de guerra, por 4 anos viveu a mais sangrenta guerra que a humanidade já conheceu e, depois disso, ainda teve que lutar para não ser bombardeada por 300 bombas atômicas dos imperialistas dos EUA, conforme planejado no hoje não mais secreto "Plano Dropshot". E feliz fico, deputada, por Vossa Senhoria não saber o que é viver em tal Estado, todavia de forma alguma contemplo toda e qualquer idéia que procure difamar e caluniar este país, mesmo por que os autores de tais calúnias, nomes como Hannah Arendt, jamais foram referência para qualquer defensor dos trabalhadores, visto que são suas idéias infundadas e motivadas pela Agência Central de Inteligência(CIA), algo que hoje não mais é segredo e que já foi divulgado por uma grande jornalista britânica.

Para finalizar, não sei se o conteúdo desta "carta" interessa a Vossa Senhoria, como parece pouco ter lhe interessado o trabalho de ex-companheiros de partido seus que estiveram na Coréia do Norte, país que Vossa Senhoria despreza num dos comentário do Twitter, jovens que saíram do Partido por causa do desprezo que hoje muitos tem pelo real sentido de sua sigla, "Comunista", mas quero deixar bem claro que nenhum país ou líder que inspirou e liderou milhões de trabalhadores merece desprezo! É diante desse descaso com questões ideológicas contemporâneas, da latente incapacidade de muitos jovens de defender estoicamente a bandeira que carregam, como fizeram milhões de revolucionários e militares comunistas que deram a sua vida contra o fascismo, nomes como Zoya Kosmodemyanskaya, enforcada e esquartejada por defender a causa comunista até o último segundo de sua vida, vale perguntar: será que, infelizmente, a opinião dos deputados sobre a juventude, ébria com o veneno pós-moderno, não está correta?

terça-feira, junho 26, 2012

MUNDO: Experimentos com seres humanos em estilo nazista feitos pelo governo dos EUA(Eng)



Como o governo americano infectou negros e milhares de gualtemaltecos com o vírus da sífilis. Quem garante que o vírus da AIDS não foi fruto de experimento similar?

Assista e repasse!

segunda-feira, maio 28, 2012

BRASIL

O retrato de um país racista

O relato abaixo foi escrito pela madrugada um dia depois do acontecimento, (considerando que passei alguns dias sem conseguir dormir) e encaminhado a Corregedoria da Polícia Militar e ao Ministério Público.


Meu nome é Sandra, sou funcionária pública a 10 anos. Atualmente sou Coordenadora Pedagógica de uma escola municipal aqui em Goiânia. Sou formada em Pedagogia pela Universidade Federal de Goiás, e Especialista em Educação Integral, também pela UFG, ou seja, sou uma cidadã honesta e sem antecedentes criminais de qualquer especie.

O fato de eu ser negra, pobre e moradora de um bairro periférico em Goiânia, onde há muitas ocorrências de trafico de drogas, não dá a alguns policiais corruptos e mau caráter o direito de me tratar como bandida.

Ontem, dia 23 de março de 2012, fui agredida fisicamente, verbalmente e presa publicamente por policiais militares na porta da minha casa.

Tenho certeza que um dos principais motivos foi o racismo, pois o sargento me xingou inúmeras vezes... e demostrou manifestações racistas e de intolerância a classe social que pertenço.

Eu tinha chegado do trabalho (da escola que atuo como coordenadora pedagógica) e estava sentada no sofá da minha casa, quando por volta das 20 hs e 10 minutos, minha prima chegou com seu esposo. Os dois estavam indo até a feira e passaram lá em casa para falar comigo.

O esposo da minha prima entrou cumprimentou e conversamos um pouco. Logo, eles decidiram se despedir e seguir até a feira, e quando o Fabrício, (esposo da minha prima) foi saindo para fora do portão, de repente chegou um carro de policia e um dos policiais o sargento Manoel já desceu do carro gritando com o Fabrício para que ele se encostasse no muro. E na maior estupidez, mandou eu e a esposa do Fabrício entrarmos para dentro e fechar o portão.

Eu disse que o rapaz estava dentro da minha casa e que era conhecido. Então eles me mandaram sair de perto deles, caso contrário usariam de força. Alegando que eu não poderia presenciar a abordagem.

Assim, eu fui para o outro lado da rua com a Nilzilene (prima). Um dos policiais, (o sargento Manoel) que se mostrou o tempo todo mais estúpido e agressivo, perguntou se o Fabricio tinha passagem pela policia, e ele respondeu que não. Ai pegaram os documentos dele para confirmar pelo rádio da viatura.

O policial ao ler o nome dele na identidade ao invés de dizer Fabricio, pelo radio falou Francisco, ai eu disse que eles passaram o nome errado. Então o 3º Sargento: Manoel Mendes de Moraes me mandou calar a boca e me xingou de vagabunda. Disse ainda, que se eu dissesse mais uma palavra eu ia acertar com ele. E como ele falou o nome do Fabrício errado, a resposta da viatura veio dizendo que o tal Francisco com o sobrenome do Fabrício, tinha passagem. Então o policial partiu para cima do Fabrício falando que ele tinha mentido para ele, e que ele já tinha passagem.

Nesse momento, eu entrei no meu portão e peguei meu celular para ligar para um amigo (advogado) e perguntar o que fazer naquela situação pois o nome passado pelo policial estava errado.

Quando ele (o 3º SG PM Manoel M M) me viu com o celular na mão ele gritou SUA VAGABUNDA VC NÃO VAI FILMAR NADA AQUI NÃO, tomou o celular da minha mão e mandou a mão no meu rosto. Ai eu falei para ele que eu poderia processá-lo, pois conhecia meus direitos e sabia que ele não podia me ofender com xingamentos muito menos me agredir. Ai ele me deu outro tapa, torceu meus braços para trás, me algemou e me jogou dentro da viatura.

O SG PM Manoel, foi me humilhando, me agredindo verbalmente ate a delegacia. Ao chegarmos lá, o soldado Brito desceu para verificar o melhor lugar para estacionar a viatura, nesse momento, o sargento aproveitou que estávamos sozinhos e me ameaçou. Disse que eu estava ferrada na mão dele e que ele era chefe dos traficantes do meu bairro e que se eu o denunciasse ele mandaria um dos traficantes me matar. Após fazer essa afirmação, eu disse ao sargento que usaria o que ele falou para argumentar minha vulnerabilidade perante a justiça. Então ele entrou em contradição e afirmou que se eu insistisse em dizer que ia até a corregedoria, eu só teria problemas pois processos ele já tinha muitos e que esse não ia fazer diferença para a vida dele, mas para minha sim.

Ao chegar na delegacia ele mudou completamente seu comportamento e ficava comentando com os outros policiais que eu havia os agredido e desacatado. Enquanto eu permanecia de pé no meio da sala de recepção do 8º distrito da policia civil no setor Pedro Ludovico, o Sargento Manoel formou uma roda com outros PMs que estavam lá, na parte de fora da delegacia, e mexiam no meu celular buscando identificar se eu havia feito alguma gravação.

Devido ao constrangimento e humilhação que eu estava passando, com todas as pessoas presentes me olhando, eu só conseguia chorar. Alem da vergonha, as algemas me machucavam muito.

Enquanto eu esperava lá de pé servindo de espetáculo para todos, o sargento Manoel passava perto de mim e ria da minha cara. Entrava na sala do delegado conversava com ele e saia rindo e me olhando, uma forma de me humilhar e intimidar.

O outro policial que estava com o sargento que me agrediu, (o soldado Brito) em particular, me pediu para ser justa e não envolvê-lo no processo que eu pretendia montar contra o sargento Manoel que me xingou e agrediu fisicamente. Disse que ele não podia fazer nada para me ajudar lá dentro, que não poderia ir contra o sargento, mas que eu deveria mesmo ir ate a corregedoria porque eu estava certa; segundo ele o sargento agiu com agressividade e utilizou-se de excessos desnecessários'. Disse ainda, que se ele estivesse mais próximo a mim, no momento da agressão, teria impedido que o sargento me desferisse os tapas e empurrões.

Quando fomos para o IML fazer o exame de corpo delito, o sargento que me agrediu foi dizendo que estava nervoso tentando me fazer desistir do processo, claro, depois que viu toda a minha família na delegacia e todo mundo com celular cada um ligando para uma outra pessoa na tentativa de arrumar um advogado.

Com certeza o sargento Manoel percebeu que eu não era uma negra pobre, ignorante e vagabunda como ele havia me qualificado. Notou que tenho uma família e amigos que me apoiam e que se deslocaram de suas casas até a delegacia para me apoiarem. E que na mesma finalidade seguiram a viatura ate o IML para também me proteger.

Minha irmã que cursa direito na catolica chegou e pediu para os policiais tirarem minha algema, afirmou que não havia necessidade de que eu permanecesse algemada, pois eu não representava risco algum a integridade física ou moral de qualquer pessoa. Só ai tiraram as algemas... Eu já havia feito essa solicitação várias vezes, repeti que sou educadora e não era necessário me manterem algemada como se eu fosse uma criminosa.

Nunca fui tão humilhada e ofendida... Tenho certeza que entre outros um dos motivos foi discriminação racial. Se o Fabrício e eu fossemos brancos ele não teria agido assim. Meu esposo também saiu para fora do portão, e nem assim eles o mandaram ir para o muro, (detalhe, meu esposo e minha prima possuem pele mais clara).

Acredito que o sargento teria me agredido ainda mais, se não fosse a manifestação clara de desaprovação e intervenção por parte do soldado Brito.

Preciso de um advogado para me defender no dia da audiência e para me ajudar no processo contra esse policial.

Tenho a cópia do relato dele e do meu. Entretanto ele mentiu vários fatos. Chegou a afirmar em seu relato que minha casa é um ponto de venda de drogas, para justificar sua ação injustificável. Felizmente tenho como provar que tudo o que ele disse foi mentiras. O sargento Manoel, em seu depoimento, alegou ainda que me prendeu por que eu sai de dentro de casa gritando, os xingando, e que eu portava um objeto não identificado (no momento) nas mãos. E que ele pediu para eu colocar o objeto no chão e eu desobedeci as ordens dadas...

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Assim, ao chegar em casa depois de passar toda a noite na delegacia, meu esposo me relatou que o sargento Manoel, o chamou para fora do IML e pediu para ele me convencer a não processá-lo, pois estava nervoso no momento que me agrediu.

Mas eu não vou, e nem posso mudar de ideia e deixar de processá-lo. Ele me chamou de vagabunda e me bateu na frente de todos os meus vizinhos, da minha família (mãe, pai e esposo) e o que é pior, na frente dos meus dois filhos menores. (12 e 6 anos de idade)

O sargento Manoel ficou totalmente descontrolado, parecia estar fora de si. Volto a dizer que se o outro policial o soldado Brito, não estivesse tentando acalmá-lo o tempo todo, com certeza ele teria me agredido ainda mais.

Pensei que o delegado ia me ouvir. Mas ao contrário, apenas a escrivã me ouviu. O delegado só entrou na sala, onde eu estava tentando esclarecer os fatos, para assinar o documento e passar meus dados pelo telefone.

No dia 4 de junho de 2012 acontece a audiência onde serei julgada por desacato a autoridade policial... Irônico, não é mesmo?

quarta-feira, maio 09, 2012

segunda-feira, fevereiro 27, 2012

quinta-feira, fevereiro 23, 2012

23 DE FEVEREIRO

Vozes do comunismo: o Coro do Exército Vermelho
Por Cristiano Alves


Vídeos de soldados cantando e dançando tem sido comuns ultimamente na internet, canções em tom jocoso usadas como passatempo que trazem uma má imagem para a profissão militar. Nem sempre, entretanto, soldados cantaram e dançaram cantigas pueris.

Originalmente denominado "Orquestra Acadêmica de Canto e Dança duas vezes agraciada com a Ordem da Estrela Vermelha denominada A. V. Alexandrov", ou simplesmente "Orquestra de Alexandrov", ou ainda como é mais conhecida no ocidente, o "Coro do Exército Vermelho"(atualmente, "do Exército Russo") tornou-se um dos maiores ícones culturais da era soviética e da Rússia, levando ao mundo a mensagem comunista através da música, da arte e da cultura.

O Coro do Exército Vermeho em seus primeiros dias
Com o triunfo da Grande Revolução de Outubro de 1917, Lenin via na cultura um meio de difusão da cultura socialista, sendo a Rússia, primeiro país socialista da história, historicamente conhecida pela sua cultura musical, pelo estilo melancólico de compositores como Tchaikovsky até a capacidade de capacidade de seus compositores para captar canções populares que expressam a alma dos povos da Rússia, os comunistas logo entenderam que a Revolução, os valores socialistas e também a cultura popular deveriam integrar a música edudita, fortalecendo o conceito de "cultura socialista". Em 1928, quando a orquestra levava ainda o nome de Frunze, herói e veterano da Guerra Civil, o então professor de música Aleksandr Aleksandrov foi encarregado de organizar a orquestra. Em 1929, a orquestra realizou apresentações no Extremo Oriente soviético, onde tropas do Exército Vermelho de Operários e Camponeses não apenas defendiam o país, como também ajudavam a construir o socialismo, atuando na construção da ferrovia que interligava as regiões longínquas do país.

O Coro do Exército Vermelho procurava despertar o interesse dos soldados pela boa música e ao mesmo tempo encorajava o desenvolvimento da arte amadora nas fileiras militares. A orquestra, que começou com menos de 15 membros, já reunia mais de 300 membros em 1933, reunindo o coral masculino, a orquestra musical e dançarinos, executando composições de nomes da música como Vasily Solovyov-Sedoy, Anatoli Novikov, Matvey Blanter and Boris Mokrousov. Em 1935, a orquestra foi agraciada com a Ordem da Bandeira Vermelha, uma condecoração soviética que podia ser atribuída a militares, civis e inclusive agrupamentos de cidadãos por extraordinários feitos militares. A orquestra viajou a todas as partes da União Soviética, desde as areias quentes do Tadjiquistão até o ártico extremo-norte da URSS, onde resplandece o fenômeno da aurora boreal. Na França, em 1937, a Orquestra Alexandrov venceu o Grand Prix da Exposição dedicada à arte e tecnologia da vida moderna. Durante os anos da 2ª Guerra Mundial, a Orquestra do Exército Vermelho efetuou 1500 concertos em ambos os fronts soviéticos, entretendo soldados prontos a partir para o combate, hospitais, portos e bases aéreas.

Após a morte de seu fundador, Aleksandr Aleksandrov, a direção da orquestra foi assumida por seu filho, Borís Aleksandrov, que tornou-a popular em outras partes do mundo após vários tours efetuados no exterior. O irmão de Borís, o major Vladimir Alexandrov, também integrou a orquestra. Após a morte dele, a direção foi efetuada por Vladimir Gordeev, que dirigiu o tour de Londres. Importantes discos foram gravados, no Brasil, mesmo na Rede Globo foram propagandeados LPs do "Coro do Exército Vermelho", nos anos 90. Muitas canções da Orquestra Alexandrov também tem um grande número de vistas na internet, em sites de vídeo como o Youtube, suas canções tem enorme número de visitas, alguns vídeos tem mais de 2 milhões de vistas. Não é raro que mesmo anticomunistas convictos admitam em comentários que "os comunistas sabiam fazer boa música", ou que "detestam o comunismo, mas acham que eram excelentes artistas". A Orquestra Alexandrov também efetuou vários concertos com artistas individuais como David Foster, Jean-Jacques Goldman, Steve Barakatt, Oleg Gazmanov, na Rússia atual, e mesmo durante a abertura do festival europeu "Eurovisão", com um dueto de cantoras.

O Coro do Exército Vermelho foi agraciado com vários prêmios e medalhas na União Soviética e no exterior, formou famosos solistas, além do Globo de Ouro, da gravadora holandesa N.O.K, em 1974. O sucesso destes músicos comunistas é uma importante resposta ao mito burguês de que "após a revolução os operários usariam clássicos literários como peso de porta ou suporte de pé-de-cama quebrado". Ele é a prova material de que o socialismo é capaz de construir uma cultura nova e superior que leva o povo trabalhador ao caminho da glória, retira-o das trevas e coloca-o sob a luz.

Fonte:
http://en.wikipedia.org/wiki/Alexandrov_Ensemble
http://planetlyrics.co/artist/The+Red+Army+Choir#.T0bL6hcu9gW


Canções do Coro do Exército Vermelho:

- Canção dos Barqueiros do Volga


Perfomada em sua maior parte por um solista(Leonid Haritonov no vídeo) acompanhado da orquestra com instrumentos típicos da Rússia, trata-se de uma antiga canção popular cantada pelos barqueiros do rio Volga, que para fugir de sua existência miserável ganhavam a vida sob condições desumanas puxando barcos próximos da margem até o porto.

- Kalinka


Canção popular muito famosa na Rússia e outros países eslavos como a Polônia, sobre a flor do junípero.

- Poema ucraniano

Canção sobre um poema do poeta ucraniano Taras Shevchenko, um servo de um aristocrata russo que comprou a sua liberdade, no século XIX. Crítico do tzarismo, Taras foi acusado de participar de uma organização que defendia o fim do Império e a formação de uma federação de Estados eslavos, um sonho que os bolcheviques transformaram em realidade no século XX. Taras Shevchenko deu nome à várias cidades soviéticas, inclusive uma importante cidade construída no Cazaquistão.

- Varsoviense


"Marche, marche adiante, povo trabalhador". Esta forte canção escrita na Polônia no século XIX ganhou uma melodia na Rússia, tendo sido popularizada na União Soviética. Ela contém um forte teor anti-monarquista, contra a autocracia, declarando que todos os tronos são construídos sobre o sangue do povo trabalhador. A "Varsoviense" chama o povo trabalhador a uma luta sagrada e sangrenta.

- A caminho


"O caminho é longo, e estamos com você, soldado, alegre-se". Canção de marchas militares comumente cantada em percursos e interior de quartéis.

- Os soldados marcharam


"Se necessário, nos ergueremos como uma muralha para defender o lar pátrio", diz esta forte e vibrante canção militar soviética sobre a II Guerra Mundial.

- Nós somos a Cavalaria Vermelha

A Cavalaria Vermelha desempenhou um grande papel durante a Guerra Civil entre "vermelhos e brancos", dela faziam parte milhares de operários e camponeses que lutavam pela sobrevivência da primeira Revolução Socialista da história, berço de inesquecíveis heróis como o futuro marechal Georgiy Júkov, que nela serviu como soldado, e de nomes como Aleksá Dundic, internacionalista iugoslavo que lutou do lado vermelho durante a Guerra Civil. Os cavaleiros vermelhos usavam armas de fogo e espadas em rápidas cargas de cavalaria, que a canção bem retrata, mencionando ainda os nomes de Stalin e Voroshilov, comissários que lutaram em Tsaratsin, depois renomeada "Stalingrado" e então "Volgogrado".

- O Exército Branco e o Barão Negro

Canção da época da Guerra Civil contra o reacionário Exército Branco, composto de aristocratas, mencheviques e por corpos expedicionários de 18 diferentes países. O "Barão Negro" referido na canção é Pyotr Wrangel, aristocrata que comandava tropas que frequentemente vestiam uniformes negros em combate. Ela clama que "das taigas aos mares britânicos o Exército Vermelho tem toda a força", uma vez que na época o Exército Vermelho não tinha o controle total da Rússia.

- O sol se pôs atrás da montanha

Canção sobre o retorno dos soldados do Exército Soviético para casa após a Grande Guerra Patriótica, contra o fascismo. Conta como os soldados não pouparam suas vidas e como os soldados, acreditados por Stalin, faziam com que todos os inimigos temessem à sagrada pátria socialista.

- Os cossacos




Famosos cavaleiros do sul da Ucrânia, os cossacos eram camponeses livres que combatiam os invasores turcos e tornaram-se vassalos do Império Russo, dando também nome à unidades de cavalaria leve, sem vínculos étnicos. Com o advento da Revolução de Outubro, muitos cossacos lutaram ao lado dos comunistas, tendo tido uma importante participação na luta antifascista.

- Os cossacos partiram pelo Danúbio


Canção cossaca sobre uma cavalgada cossaca pelo famoso rio europeu, em ucraniano. "Melhor seria nem partir, melhor seria nem amar, melhor seria de nada saber, do que ter que esquecer isso agora".
- A guerra sagrada


Executada nos dias atuais, este vídeo traz aquela que é sem dúvidas a mais forte canção antifascista já criada, surgida no calor da guerra contra os nazistas. Ela conclama todo o país a se levantar para uma guerra mortal contra as hordas obscuras do fascismo, a deixar a "fúria justa" vir como as ondas do mar, na guerra popular, a guerra sagrada. Esta canção descreve perfeitamente, em sua letra, os fascistas: "sufocadores de nobres idéias", estupradores, ladrões e torturadores de pessoas.