domingo, agosto 19, 2012

MUNDO: Por que a mídia ocidental defende tanto o "Pussy Riot"?


Por Cristiano Alves

Nadyejda Tolokonnikova, integrante do grupo Pussy Riot(Rebelião das xanas) denuncia o seu "processo stalinista" e carrega uma camisa com os dizeres "No Pasarán", que ironicamente pertence à mais famosa "stalinista" espanhola.

Como reagiria um brasileiro num rito de candomblé se repentinamente seu local de culto fosse invadido por indivíduos desconhecidos que, alegando professar o candomblé, agisse de modo diverso dos fiéis daquela casa portando indumentárias distintas das pessoas do local? Algo parecido aconteceu na Rússia, quando uma banda autoproclamada "punk" adentrou o principal templo da religião ortodoxa, sendo após o incidente presas, julgadas e condenadas, o que despertou uma enorme atenção da mídia ocidental, que desde então em lhe conferido um colossal apoio talvez nunca antes visto por um opositor. Para entender o caso "Pussy Riot"(literalmente, "Revolta das xanas"), é preciso entender o quadro como um todo.

Desde os tempos de sua formação em Kiev, a Rússia(hoje com a sede em Moscou) tem atraído a atenção e o assédio de diversos poderes externos, o império dos cazares, dos mongóis, tártaros, da Ordem dos Cavaleiros Teutônicos, República das Duas Nações, do finado e sepultado Império Sueco, França napoleônica, Império Britânico, Alemanha nazista, Estados Unidos... enfim, uma lista completa demandaria um parágrafo inteiro. Todos esses poderes tem uma coisa em comum, que é sua expulsão do território russo, e isso é notável e registrado nos mais elementares livros de história russos até documentários norte-americanos como The battle of Russia. Nos dias atuais, o assédio contra o país russo não se dá por meios militares, uma vez que isso poderia levar à guerra nuclear, mas através do patrocínio de forças russófobas encontradas na própria Rússia, a mídia ocidental cria uma ilusão dicotômica, maniqueísta, onde Barack Obama, envolvido até o pescoço em sanguinárias guerras imperialistas aparece como o "príncipe do bem", um "promotor da paz", e ícones do pós-modernismo como Lady Gaga e Madonna aparecem como "arautos de uma nova arte que expressa como somos livres e modernos sob o capitalismo", tudo parte de uma ideologia cosmopolitista e globalista, onde deve-se abraçar os valores do "Império da democracia e da liberdade", sendo toda e qualquer manifestação tradicionalista ou nacional um sacrilégio que "deve desaparecer na tempestade mundial", tal é a mentalidade dessa imposição cosmopolitista, de um mundo formado por "bons" de um lado e "loucos e desvairados" de outro, tal como num desenho infantil.

Se a ideologia globalista apresenta ao mundo "quem são os bons caras", quem seriam os "caras maus"? Esses seriam justamente todos aqueles que não aceitam as imposições do Império hegemônico, naturalmente China e Rússia, dois países que em diversas oportunidades já se opuseram à sanha beligerante dos impérios americano e europeu, mas a China é muito rica, empresta dinheiro ao ocidente e em muitas oportunidades sustenta a sua economia capitalista, logo não é uma boa ideia incomodá-la, mas outro foi forte no passado e hoje encontra-se enfraquecido, mas não com os dois joelhos no chão ainda, a Rússia, e todos aqueles que não aceitam uma Rússia submissa, completamente de joelhos ante o mundo ocidental, que sabe que mais de 70% das forças fascistas foram derrotadas pelos soviéticos, e não pelos americanos, que entende que Stalingrado era uma cidade soviética, e não um bairro de Nova Iorque, torna-se um elemento perigoso, "reacionário e retrógrado", "autoritário antidemocrático", um "radical" que deveria estar num museu.

De fato a oposição russa tão retratada na mídia ocidental tem um formato heterogêneo, nela encontra-se aqueles que acreditam que o melhor caminho para a Rússia é ajoelhar-se ante o ocidente, os liberais, aqueles que acreditam que o caminho para a Rússia é "voltar ao futuro soviético"(e mesmo esses dividem-se entre os defensores da economia dos tempos de Stalin e do caminho chinês ou bielorrusso), há ainda os que acreditam que o caminho está na monarquia, e mesmo aqueles que acreditam que o caminho está na "expulsão dos negros e destruição dos judeus", estes últimos, por sua vez, são idiotas úteis ao governo para desmoralizar a oposição. De todos esses grupos, o que menos interessa ao ocidente são os comunistas, pois este não quer uma nova União Soviética e muito menos um Lukashenko russo cheio de mísseis nucleares e recursos naturais à sua disposição para competir a altura com companhias ocidentais. O que interessa ao ocidente é uma Rússia fraca, descentralizada, esfacelada, onde companhias ocidentais possam atuar sem óbices na exploração de seus recursos minerais e de seu povo. É por isso que todas as ações que enfraqueçam a Rússia são de pronto apresentadas positivamente na imprensa ocidental, seja o esfacelamento da União Soviética, a guerra da Chechênia, governantes russófobos eleitos na Ucrânia, manifestantes de top less anti-Rússia ou anti-Belarus, essa ou aquela crise no Cáucaso ou simplesmente uma banda punk que invade uma catedral para protestar contra o governo, ainda que o país tenha centenas de bandas e cantores de protesto.

A Igreja Ortodoxa do Patriarcado de Moscou é uma instituição muito antiga na Rússia, vinculada à formação da mentalidade de seu povo, que em diversas ocasiões o inspirou na luta contra os invasores do país. Mesmo durante os anos da Revolução Russa, foram cometidos erros severos contra a Igreja Ortodoxa, situação que ficou tão séria a ponto de um dos líderes do Partido Bolchevique e da Revolução de Outubro intervir no caso, I. V. Stalin, emitindo uma ordem para proibir as violações às casas de oração ou prisões por motivo de religião. Mais tarde, sob o governo desse revolucionário foi restaurado o Patriarcado de Moscou, que desde os tempos do tzar Pedro havia sido suspenso e convertido em Santo Sínodo, bem como preservadas várias igrejas antigas. A ação do Pussy Riot, entretanto, nada tem a ver com um "contexto revolucionário" ou "ataque a um símbolo", tem a ver somente com uma tentativa de marketing muito mal sucedida, uma vez que culminou na prisão das integrantes do grupo, mas por outro lado bem sucedida, já que conquistou a simpatia do mundo ocidental, não por causa de sua música, mas por que podem posar como "vítimas da falta de liberdade de expressão no país", tão grave como em outros países capitalistas ocidentais como os EUA, onde a atriz holywoodiana Daryl Hannah foi presa por liderar um protesto pacífico contra a construção de um oleoduto no país, que traria grandes impactos ambientais, comprovando a tese do "fascismo corporativo" naquele país.

O grupo Pussy Riot, a começar pelo seu nome, é só mais um símbolo da pobreza e decadência cultural da Rússia burguesa. Essas pseudofeministas, que envergonhariam Aleksandra Kollontay, revolucionária russa, expôs numa de suas entrevistas o seu grau de estupidez e falta de coerência, ao comentar o processo movido contra elas, motivado pelo seu "pornô-huliganismo". Em tal entrevista, a integrante Nadyejda denuncia o "processo stalinista", envergando uma camisa com a mensagem "No pasarán!", que ironicamente era o bordão de Dolores Ibarruri, la Pasionera, a mais famosa "stalinista" espanhola.



VEJA TAMBÉM:

http://apaginavermelha.blogspot.com.br/2011/08/mundo-atriz-de-holywood-e-presa-por.html

sexta-feira, julho 20, 2012

MUNDO: Evidências da homoafetividade de Anders Breivik

Evidências da homoafetividade de Anders Behring Breivik
Por Vladimir Tavares


Ao longo da história, a hipocrisia foi uma arma comumente utilizada por mentes reacionárias, projetando no oponente determinadas características próprias com o intuito de afastar de si a culpa para algo, assim, organizações homofóbicas como a SA e a SS nazistas eram conhecidas pela obsessiva preocupação com a aparência mesmo orgias homoafetivas. No caso da SA, o líder desta chegava a ser um conhecido pederasta, Ernst Röhm. Segundo a obra "O segredo de Hitler", de Lothar Machtan, evidências, depoimentos de colegas de infância e até fotos públicas do führer apontam uma grande possibilidade de Hitler ter sido homossexual. No entanto, o que surpreende não é o fato destes nomes ou organizações terem tido um acentuado caráter homoafetivo, mas sim de ser formado por homossexuais "no armário" que perseguiam outros homossexuais fora dele.

Evidências da homossexualidade do terrorista conservador norueguês Anders Breivik são conhecidas há muito tempo, antes mesmo de seus crimes. Conhecido por uma preocupação obsessiva com sua aparência, fetiches por uniformes militares e especialmente por cruzados medievais, Breivik, criado pela mãe, realizou ainda jovem uma cirurgia plástica para tornar seu nariz "mais ariano", uma vez que o achava "demasiado árabe". De acordo com testemunhas, a sua antiga página do Facebook jamais trouxe qualquer contestação de um questionamento se ele seria gay, aliás, o próprio Breivik enfatiza em seu "Manifesto", que isso poderá chocar alguns cruzados cristãos, mas "o uso de maquiagem para um cruzado é essencial". O próprio Breivik, aliás, usava maquiagem, e segundo depoimentos dados em juízo durante seu julgamento, ele foi visto e fotografado na Parada do Orgulho Gay de Oslo, em 2004, de acordo com muitos amigos e mesmo o próprio Breivik, este jamais teve qualquer envolvimento amoroso com mulheres. Em seu livro de ódio, o terrorista norueguês critica de forma ácida o movimento gay, mas não o comportamento gay em si, mesmo portando-se de forma afeminada em várias ocasiões. Embora se dissesse "cristão", não há registro de visita sua a qualquer igreja local nem são conhecidas testemunhas de tais visitas. A homoafetividade de Breivik não apenas é alegada por amigos seus próximos, como também já foi levantada em alguns jornais como o Telegraph, britânico, e mesmo noruegueses e suecos, inclusive jornais LGBT como o Pink News, britânico.

O fato é que Breivik é uma caricatura perfeita do típico conservador que "sem coragem para sair do armário" ataca os mais exaltados homoafetivos, como forma de lutar com seus conflitos existenciais internos. A opção sexual do terrorista conservador norueguês deve ser dissociada de seus atos, uma vez que cerca de 40 jovens que seriam vítimas de Breivik foram salvos por um casal lésbico, que os resgatou em sua lancha particular após os pedidos de socorro.

Uma das 70 vítimas de Anders Breivik, terrorista conservador norueguês

quarta-feira, julho 18, 2012

MUNDO: Semelhanças entre o regime nazista e o norte-americano

Semelhanças entre o regime nazista e o norte-americano
Por Vladimir Tavares

Muitas personalidades de direita, especialmente a chamada "direita conservadora", eufemismo hodierno para "fascista", tem feito colossais esforços na tentativa de equiparar o comunismo ao nazismo. Latentes as suas diferenças, necessário é levar para o campo da epistemologia e abstrair conclusões a respeito dessa questão. Sendo o nazismo nada mais que um capitalismo desesperado, nenhum país se parece mais com o modelo nazista do que o modelo americano em diversos momentos de sua história.

- Racismo

EUA e Alemanha nazista foram historicamente campeões do racismo, seguidos de fortes concorrentes como o Reino Unido, Bélgica, Espanha, África do Sul e Japão. Dois aspectos notáveis nos dois países citados é a criação de leis de segregação racial.

Alemanha nazista: Leis de Nuremberg

As Leis de Nuremberg(Nürnberger Gesetze) eram leis abertamente racistas surgidas na Alemanha nazista durante os anos 30. Seu conteúdo visava a proibição de qualquer relacionamento entre judeus e alemães não-judeus. Embora a pena fosse inicialmente a de trabalhos forçados, ela foi depois substituída pela pena capital. Um dos mais famosos casos foi o de Leo Katzenberger, guilhotinado(em pleno século XX) em 2 de junho de 1942.

Estados Unidos: Leis racistas coloniais e a Lei Jim Crow

Desde os tempos coloniais, os britânicos introduziram leis racistas nas 13 colônias, em 1664, a colônia de Virgínia estabeleceu uma lei criminalizando o casamento entre brancos e negros, algo que há 4 anos havia sido regularizado. Em 1691, uma lei proibiu o casamento entre brancos e negros, lei que mais tarde se espalhou para outras colônias. Para se ter uma idéia do quão reacionárias eram essas leis, nas colônias francesas como a Luisiana, não havia proibição legal ao casamento interracial, embora um Código Civil estabelecido em 1685 tenha proibido o casamento entre católicos e não católicos, sem envolver questões raciais. Sob o domínio espanhol, o casamento interracial poderia ocorrer somente sob consentimento parental, antes dos 25 anos de idade, e sem ele caso as partes fossem mais velhas. Quando os EUA(já independentes) tomaram a Luisiana, em 1806, casamentos interraciais foram banidos.

Em 1776, ano da independência dos Estados Unidos, o casamento interracial continuou proibido, frequentemente sob falsas alegações que evocavam princípios da Bíblia e atribuíam interpretações erradas desta que jamais foram contempladas por qualquer patriarca na Ortodoxia ou mesmo por alguns papas no Catolicismo, histórias como a de Cão e Fineias. É interessante ressaltar que embora a Independência dos Estados Unidos tenha tido como uma de suas bases o iluminismo, o racionalismo, esta foi depois corrompida pelo fundamentalismo protestante, que até hoje influencia a ideologia americana.

A mais famosa lei racista nos EUA foi a Lei Jim Crow, de 1876 a 1965, lei que segregava legalmente negros e brancos, estabelecendo locais públicos só para negros e só para brancos, e até mesmo fontes de água para pessoas de cor e brancas, sendo os locais para negros geralmente de qualidade inferior aos dos brancos. Um dos mais famosos casos de questionamento desta lei foi o caso da mulata Rosa Parks, professora de origem afro-índio-irlando-escocesa que, sentada em um acento destinado aos negros, foi requisitada para deixar seu acento e cedê-lo para um branco que estava de pé, conforme o costume local estabelecido pelas autoridades brancas; por se recusar a fazê-lo, Rosa Parks foi presa por policiais, após a requisição do motorista do ônibus, que já havia se recusado a abrir a porta para Rosa Parks durante uma chuva. A Lei Jim Crow não apenas proibia casamentos interraciais, como também negava aos filhos de casais interraciais direitos sociais e acesso às escolas e hospitais públicos.


- Organizações terroristas de supremacia branca

A SS nazista usava uniformes desenhado por um famoso membro do partido, o estilista Hugo Boss

Alemanha nazista: Antes do nazismo, a Alemanha foi atormentada por anos pelas ações da SA(Sturmabteilung), popularmente conhecidos como "camisas-marrom", um tipo de camisa fácil de ser adquirido e que assemelhava-se à cor das tropas coloniais alemãs. Esta organização promovia a segurança de líderes nazistas, ataques contra comunistas, judeus, negros e era conhecida pelo seu alcoolismo e orgias homossexuais, sendo que o próprio Röhm era assumidamente homoafetivo, tendo numa de suas cartas expressado o seu desejo por "rapazes jovens e arianos".

Reunindo mais de 3 milhões de membros, a SA deu origem à SS, que passaria a garantir a proteção de líderes nazistas e trocaria as camisas marrons por camisas negras desenhadas por um fascista quase tão famoso quanto o próprio Hitler, o estilista Hugo Boss.

Tendo iniciado como organização paramilitar do partido nazista, a SA, assim como a sua "filha", a SS, tornaram-se organizações oficiais do governo fascista alemão.

Estados Unidos: Em 1865, surge o Ku Klux Klan(KKK), organização secreta extremista de supremacia branca, formada por veteranos confederados. Essa organização promovia o terrorismo cristão-protestante, promovendo o linchamento de negros e combatendo toda e qualquer tentativa de integração dos negros à sociedade através dos mais violentos métodos disponíveis(há rumores de que a sigla KKK seria uma onomatopéia do som de um rifle ao ser carregado), tais como o linchamento de pessoas de cor, enforcamento, fogueiras para negros, castração, mutilação de seus órgãos sexuais, dentre outros.  Esse grupo era bastante ativo em períodos eleitorais, onde impediam por qualquer método os negros de votar. O abuso do terrror indiscriminado em nome do "orgulho branco", levou o governo americano à persecução penal dos crimes do KKK, o que levou à sua derrocada, mas não do racismo e do terrorismo branco, uma vez que o clã deu lugar à Liga Branca e aos Camisas Vermelhas, organizações paramilitares responsáveis pelo assassinato de eleitores e líderes negros. Ao contrário do "Clã", essas últimas organizações eram abertas, não fazendo segredo sobre suas ações.

Com o fim do KKK, por volta de 1870, surge um novo Ku Klux Klan em 1915, no estado da Geórgia, nos EUA. Dessa vez, a organização terrorista ganhou um novo aliado, o cinema. Utilizando-se de modernas campanhas publicitárias, o clã ganhou um enorme número de adeptos após a exibição do filme The birth of a nation(O nascimento de uma nação), baseado na peça The Clansmen, película de propaganda racista anti-negro. Para se ter uma idéia do ponto a que chega o racismo no filme, negros são apresentados sempre como ininteligentes, constantemente perturbados e sexualmente agressivos em relação à mulheres brancas, nele, embora alguns figurantes sejam negros, os atores "negros" que desempenham algum papel relevante são atores brancos pintados de preto, como o asssassino "Gus", tarado por mulheres brancas que tenta estuprar uma jovem branca que prefere se suicidar a ser tocada por ele(os filmes da época costumavam usar sempre atores brancos pintados de preto para cenas que envolvessem um maior contato com mulheres brancas). O filme satiriza negros tornando-se congressistas, especialmente numa cena em que um deles tira o sapato em pleno congresso e pões os pés em cima da mesa, ao passo que outros bebem em pleno congresso. De acordo com periódicos americanos, após a exibição desse filme um negro foi linchado após a saída do cinema. O nascimento de uma nação foi utilizado como ferramenta de recrutamento pelo KKK até a década de 1970, encontrando-se disponível no site de vídeos Youtube e eivado de comentários racistas, o filme também foi o primeiro a ser exibido na Casa Branca. O presidente dos EUA Woodrow Wilson exibiu o filme diversas vezes em sessões privadas. Apesar do enorme sucesso comercial, o filme gerou uma onda de protestos, tendo o mesmo diretor produzido o filme "Intolerância" no ano seguinte.

O Ku Klux Klan teve um famoso jornal nos anos 20 chamado "The Good Citizen", isto é, "O cidadão de bem", "O bom cidadão", nas quais evocava a terminologia "WASP", que em inglês quer dizer "Protestante Branco Anglo-Saxão" e defendia idéias de supremacia branca e anti-catolicismo como seus antecessores, antes de Hitler dominar as ruas na Alemanha. Tratava-se de uma luta para tentar resgatar a superioridade branca e protestante americana, "ameaçada" por novos cidadãos em tal sociedade, fundada no extermínio de seus homens originais e na escravidão daqueles que os próprios brancos americanos anglo-saxões trouxeram ao país.

A popularidade do clã foi perdida em fins dos anos 20, com a grande depressão. Em fins dos anos 30, o KKK tentou estabelecer laços com a Alemanha nazista, flertando com a ideologia hitleriana, o que foi oficialmente abandonado após a entrada dos EUA na guerra do lado dos aliados. Este clã havia adotado novos rituais como a queima de cruzes, durante as quais usava sempre o seu famoso uniforme branco.

Em fins dos anos 40, o KKK tenta se levantar mais uma vez, surgindo o "Terceiro Clã", reciclado no anticomunismo febril dos tempos da Guerra Fria. Embora tenha sempre sido uma organização paramilitar, é importante frisar que um filme associado à sua ideologia foi o primeiro a ser exibido na Casa Branca e mesmo em várias sessões privadas pelo presidente Woodrow Wilson, e nos anos 50, no filme-documentário produzido pelo governo americano How to spot a communist(Como detectar um comunista) uma passeata contra o Ku Klux Klan é apresentada como "propaganda comunista", isto é, opor-se a uma organização terrorista e racista era considerado um "abominável atocomunista antiamericano". Assim, ao contrário de seus pares alemães da SA e SS, o KKK jamais foi uma organização oficial dos Estados Unidos da América, todavia contou ela com o aval do governo americano e a inexistência de uma legislação que proiba o racismo naquele país, existindo até os dias atuais e marchando em ruas americanas sem contar com qualquer repressão policial, destino não reservado às milhares de manifestações sociais ocorridas no país. A covardia do KKK e seus métodos cruéis repousa no assassinato de milhares de negros, militantes por direitos ou não, bem como num terrível crime onde um garoto deve sua face desfigurada por um tiro de escopeta após assobiar para uma mulher branca.


- Assassinatos em massa, militarismo e imperialismo

Militares americanos mostram seu verdadeiro rosto(a foto não é montagem)

Alemanha nazista: A Alemanha é conhecida por incontáveis atos facínoras, crimes contra a humanidade em nome da "higiene racial" que provocaram a destruição de milhões de vidas na ex-União Soviética, Polônia e outros países. Estima-se que as perdas totais da IIGM, iniciada pela Alemanha nazista, foram de cerca de 60 milhões de pessoas, isto é, 2,5% da população mundial em apenas 6 anos, e não os costumeiros "6 milhões de judeus" descritos, mesmo por que morreram muito mais eslavos do que judeus, especialmente poloneses, russos, ucranianos e bielorrussos, considerados uttermensch pelos nazistas, isto é, uma "raça inferior". Vale salientar que milhões ficariam sem casa e deficit habitacional se tornaria um sério problema nos anos seguintes.

Estados Unidos: Diferente de seus colegas alemães, os alvos dos racistas americanos não eram brancos, razão pela qual o país não tem a mesma fama da Alemanha, mas sim negros e americanos nativos, isto é, povos indígenas. Diferentemente de outros países do continente americano, nos EUA os índios foram praticamente extirpados do país, negros foram mortos aos milhares por organizações como o KKK, e esse espírito imperialista ainda se estendeu direta e indiretamente a países vizinhos como a Guatemala, Nicarágua, Filipinas, Líbia, Afeganistão, Sérvia, Iraque, Somália, Quênia, além de dezenas de outros países.

É importante enfatizar que tal como na Alemanha nazista, nos Estados Unidos a "faxina racial" foi defendida abertamente em várias ocasiões, valendo ler o discurso do presidente Andrew Jackson sobre a necessidade de "eliminar a raça inferior indígena". Em alguns casos, essa defesa foi velada, merecendo ser citado o "plano de eliminação da raça eslava", isto é, a Operação Dropshot, que visava lançar 300 bombas atômicas em território soviético em 1947.

- Experimentos com seres humanos

Alemanha nazista: Conhecida por uma série de experimentos com prisioneiros "indesejáveis", o mundo horrorizou-se com as experiências do Dr. Mengele e as teorias racistas do pseudocientista Eugene Fischer, que provocaram a morte de milhares de pessoas em testes laboratoriais... com cobaias humanas.

Estados Unidos: Tal como no filme "V for vendetta", tal como seus colegas alemães, os americanos empreenderam uma série de testes com cobaias humanas nos anos 40, sob a liderança do ditador Harry Truman. Utilizando-se de negros, prisioneiros e especialmente gualtemaltecas, o vírus da sífilis foi introduzido involuntariamente em diversos seres humanos. Dos milhares de infectados, apenas alguns tiveram a "sorte" de serem usados para testar sua vacina, fato que evidencia a possibilidade do vírus da AIDS ser uma criação de laboratórios americanos para o extermínio de africanos.

quarta-feira, junho 27, 2012

POLÍTICA: Carta aberta à Deputada Manuela d'Ávila (PCdoB-RS)

Por Cristiano Alves

Segue-se aqui uma carta aberta, originalmente postada no vídeo do canal oficial da deputada Manuela d'Ávila, em resposta a uma entrevista sua concedida no programa "Agora é Tarde", onde a pecedebista alega que seu partido hoje é um "partido moderno que não mais quer o comunismo totalitário". Veja o vídeo e em seguida a resposta do editor de "A Página Vermelha":




Prezada Deputada Manuela, manifesto o meu profundo respeito pelo seu trabalho na câmara e pelo seu trabalho em defesa de causas sociais, sou eleitor do PCdoB(votei no deputado Osmar Júnior, pelo estado do PI) e fico preocupado com certas questões a ele referentes.

Vejo o socialismo como o único caminho para colocar o Brasil como uma superpotência, como caminho viável para destruir grandes males brasileiros como a miséria, o analfabetismo, o racismo e a submissão, e é exatamente por condenar esses males que eu, como comunista, evoco dois grandes exemplos de países em situação parecida com a nossa que através do comunismo científico superaram tal deficiência, a URSS e a China. Conforme elucido em meu artigo "Por que estudar Stalin?", bem como venho colocando em minha nova monografia jurídica, este filho de um sapateiro e de uma lavadeira e empregada, homem humilde como milhões de brasileiros, foi o primeiro a elaborar uma Constituição que proibiu o racismo, através do artigo 123 da Constituição Soviética de 1936, que eu, conhecedor da bela língua russa, fiz questão de ler e traduzir para alguns de meus artigos políticos.
O que é modernidade? Conceito já debatido por Descartes, por Marx e Berman. Seria uma ruptura com a tradição? Ora, a modernidade sem a tradição não é nada. A deputada coloca em sua entrevista que "o PCdoB hoje é um partido moderno". O que seria um "partido moderno"? Um partido que esquece sua tradição?

Eu enxergo as idéias comunistas como idéias de vanguada da sociedade, e não apenas assim enxergo, como elas efetivamente assim sempre foram. K. Marx é visto na Grã-Bretanha, segundo pesquisa da BBC, como o maior filósofo de todos os tempos, suas teses do século XIX até hoje explicam muito bem o que se passa no século XXI, o que já foi reconhecido mesmo em periódicos como o NY Times. Numa época em que negros viviam sob a nefasta lei Jim Crow, em que o mundo vivenciava os horrores da eugenia, da idéia de "raça pura", o grande Lenin já condenava o preconceito contra minorias nacionais em seu texto sobre a autonomia de povos menores e o grande Stalin, paladino de suas idéias, já escrevia em "O marxismo e a questão nacional" que não havia "nação pura", inclusive demonstrando a falácia de tais idéias. Seu governo extirpou o analfabetismo de um país de mais de 80% de analfabetos, eletrificou um país agrário e mais tarde, logo após seu governo, seu país provou ao mundo que lugar de mulher também é no espaço, lançando a primeira cosmonauta, Valentina Tereshkova. Devo lembrar que antes dela, a URSS lançou o primeiro homem ao espaço, um camponês cuja família foi sequestrada e assassinada pelos fascistas alemães, Yuri Gagarin. Falamos de um Estado governado por trabalhadores, cujo maior monumento era um operário e uma camponesa em pleno centro de Moscou, que provou ao mundo que proletários podem gerir seu próprio destino e superar em dezenas de anos o que outros países fizeram em centenas. Alegar que tal Estado foi um "totalitário" é uma idéia absolutamente estranha às idéias comunistas e, antes de tudo, estranha ao racionalismo. Estados de inspiração marxista cercearam a liberdade? Sim, assim como a Revolução Francesa e centenas de outras revoluções progressistas que se viram ameaçados por inimigos externos reais(nada comparável à paranóia da ditadura militar fascista). Os soviéticos construíram o socialismo sob constante ameaça de invasão externa e da guerra nuclear. Sendo a deputada gaúcha, de um Estado que conheceu a Revolução Farroupilha e que efetivamente lutou pela república, esperava mais respeito por um Estado revolucionário. Nenhuma revolução que transforma para melhor a vida de milhões de pessoas como a gente humilde que aparece em seus vídeos é feita na base do "abraço e do aperto de mão"; o ideal é que assim ocorresse, e até já foi tentado em locais como a Hungria em 1919, onde esses "comunistas pacíficos" foram massacrados pela burguesia. A deputada, a julgar pelo seu discurso que, lamentavelmente, em nada se diferencia do discurso conservador e falso, não sabe o que é viver em um Estado que durante seu surgimento foi invadido por 14 diferentes países, que nos anos 30 sofreu constante ameaça de guerra, por 4 anos viveu a mais sangrenta guerra que a humanidade já conheceu e, depois disso, ainda teve que lutar para não ser bombardeada por 300 bombas atômicas dos imperialistas dos EUA, conforme planejado no hoje não mais secreto "Plano Dropshot". E feliz fico, deputada, por Vossa Senhoria não saber o que é viver em tal Estado, todavia de forma alguma contemplo toda e qualquer idéia que procure difamar e caluniar este país, mesmo por que os autores de tais calúnias, nomes como Hannah Arendt, jamais foram referência para qualquer defensor dos trabalhadores, visto que são suas idéias infundadas e motivadas pela Agência Central de Inteligência(CIA), algo que hoje não mais é segredo e que já foi divulgado por uma grande jornalista britânica.

Para finalizar, não sei se o conteúdo desta "carta" interessa a Vossa Senhoria, como parece pouco ter lhe interessado o trabalho de ex-companheiros de partido seus que estiveram na Coréia do Norte, país que Vossa Senhoria despreza num dos comentário do Twitter, jovens que saíram do Partido por causa do desprezo que hoje muitos tem pelo real sentido de sua sigla, "Comunista", mas quero deixar bem claro que nenhum país ou líder que inspirou e liderou milhões de trabalhadores merece desprezo! É diante desse descaso com questões ideológicas contemporâneas, da latente incapacidade de muitos jovens de defender estoicamente a bandeira que carregam, como fizeram milhões de revolucionários e militares comunistas que deram a sua vida contra o fascismo, nomes como Zoya Kosmodemyanskaya, enforcada e esquartejada por defender a causa comunista até o último segundo de sua vida, vale perguntar: será que, infelizmente, a opinião dos deputados sobre a juventude, ébria com o veneno pós-moderno, não está correta?

terça-feira, junho 26, 2012

MUNDO: Experimentos com seres humanos em estilo nazista feitos pelo governo dos EUA(Eng)



Como o governo americano infectou negros e milhares de gualtemaltecos com o vírus da sífilis. Quem garante que o vírus da AIDS não foi fruto de experimento similar?

Assista e repasse!

segunda-feira, maio 28, 2012

BRASIL

O retrato de um país racista

O relato abaixo foi escrito pela madrugada um dia depois do acontecimento, (considerando que passei alguns dias sem conseguir dormir) e encaminhado a Corregedoria da Polícia Militar e ao Ministério Público.


Meu nome é Sandra, sou funcionária pública a 10 anos. Atualmente sou Coordenadora Pedagógica de uma escola municipal aqui em Goiânia. Sou formada em Pedagogia pela Universidade Federal de Goiás, e Especialista em Educação Integral, também pela UFG, ou seja, sou uma cidadã honesta e sem antecedentes criminais de qualquer especie.

O fato de eu ser negra, pobre e moradora de um bairro periférico em Goiânia, onde há muitas ocorrências de trafico de drogas, não dá a alguns policiais corruptos e mau caráter o direito de me tratar como bandida.

Ontem, dia 23 de março de 2012, fui agredida fisicamente, verbalmente e presa publicamente por policiais militares na porta da minha casa.

Tenho certeza que um dos principais motivos foi o racismo, pois o sargento me xingou inúmeras vezes... e demostrou manifestações racistas e de intolerância a classe social que pertenço.

Eu tinha chegado do trabalho (da escola que atuo como coordenadora pedagógica) e estava sentada no sofá da minha casa, quando por volta das 20 hs e 10 minutos, minha prima chegou com seu esposo. Os dois estavam indo até a feira e passaram lá em casa para falar comigo.

O esposo da minha prima entrou cumprimentou e conversamos um pouco. Logo, eles decidiram se despedir e seguir até a feira, e quando o Fabrício, (esposo da minha prima) foi saindo para fora do portão, de repente chegou um carro de policia e um dos policiais o sargento Manoel já desceu do carro gritando com o Fabrício para que ele se encostasse no muro. E na maior estupidez, mandou eu e a esposa do Fabrício entrarmos para dentro e fechar o portão.

Eu disse que o rapaz estava dentro da minha casa e que era conhecido. Então eles me mandaram sair de perto deles, caso contrário usariam de força. Alegando que eu não poderia presenciar a abordagem.

Assim, eu fui para o outro lado da rua com a Nilzilene (prima). Um dos policiais, (o sargento Manoel) que se mostrou o tempo todo mais estúpido e agressivo, perguntou se o Fabricio tinha passagem pela policia, e ele respondeu que não. Ai pegaram os documentos dele para confirmar pelo rádio da viatura.

O policial ao ler o nome dele na identidade ao invés de dizer Fabricio, pelo radio falou Francisco, ai eu disse que eles passaram o nome errado. Então o 3º Sargento: Manoel Mendes de Moraes me mandou calar a boca e me xingou de vagabunda. Disse ainda, que se eu dissesse mais uma palavra eu ia acertar com ele. E como ele falou o nome do Fabrício errado, a resposta da viatura veio dizendo que o tal Francisco com o sobrenome do Fabrício, tinha passagem. Então o policial partiu para cima do Fabrício falando que ele tinha mentido para ele, e que ele já tinha passagem.

Nesse momento, eu entrei no meu portão e peguei meu celular para ligar para um amigo (advogado) e perguntar o que fazer naquela situação pois o nome passado pelo policial estava errado.

Quando ele (o 3º SG PM Manoel M M) me viu com o celular na mão ele gritou SUA VAGABUNDA VC NÃO VAI FILMAR NADA AQUI NÃO, tomou o celular da minha mão e mandou a mão no meu rosto. Ai eu falei para ele que eu poderia processá-lo, pois conhecia meus direitos e sabia que ele não podia me ofender com xingamentos muito menos me agredir. Ai ele me deu outro tapa, torceu meus braços para trás, me algemou e me jogou dentro da viatura.

O SG PM Manoel, foi me humilhando, me agredindo verbalmente ate a delegacia. Ao chegarmos lá, o soldado Brito desceu para verificar o melhor lugar para estacionar a viatura, nesse momento, o sargento aproveitou que estávamos sozinhos e me ameaçou. Disse que eu estava ferrada na mão dele e que ele era chefe dos traficantes do meu bairro e que se eu o denunciasse ele mandaria um dos traficantes me matar. Após fazer essa afirmação, eu disse ao sargento que usaria o que ele falou para argumentar minha vulnerabilidade perante a justiça. Então ele entrou em contradição e afirmou que se eu insistisse em dizer que ia até a corregedoria, eu só teria problemas pois processos ele já tinha muitos e que esse não ia fazer diferença para a vida dele, mas para minha sim.

Ao chegar na delegacia ele mudou completamente seu comportamento e ficava comentando com os outros policiais que eu havia os agredido e desacatado. Enquanto eu permanecia de pé no meio da sala de recepção do 8º distrito da policia civil no setor Pedro Ludovico, o Sargento Manoel formou uma roda com outros PMs que estavam lá, na parte de fora da delegacia, e mexiam no meu celular buscando identificar se eu havia feito alguma gravação.

Devido ao constrangimento e humilhação que eu estava passando, com todas as pessoas presentes me olhando, eu só conseguia chorar. Alem da vergonha, as algemas me machucavam muito.

Enquanto eu esperava lá de pé servindo de espetáculo para todos, o sargento Manoel passava perto de mim e ria da minha cara. Entrava na sala do delegado conversava com ele e saia rindo e me olhando, uma forma de me humilhar e intimidar.

O outro policial que estava com o sargento que me agrediu, (o soldado Brito) em particular, me pediu para ser justa e não envolvê-lo no processo que eu pretendia montar contra o sargento Manoel que me xingou e agrediu fisicamente. Disse que ele não podia fazer nada para me ajudar lá dentro, que não poderia ir contra o sargento, mas que eu deveria mesmo ir ate a corregedoria porque eu estava certa; segundo ele o sargento agiu com agressividade e utilizou-se de excessos desnecessários'. Disse ainda, que se ele estivesse mais próximo a mim, no momento da agressão, teria impedido que o sargento me desferisse os tapas e empurrões.

Quando fomos para o IML fazer o exame de corpo delito, o sargento que me agrediu foi dizendo que estava nervoso tentando me fazer desistir do processo, claro, depois que viu toda a minha família na delegacia e todo mundo com celular cada um ligando para uma outra pessoa na tentativa de arrumar um advogado.

Com certeza o sargento Manoel percebeu que eu não era uma negra pobre, ignorante e vagabunda como ele havia me qualificado. Notou que tenho uma família e amigos que me apoiam e que se deslocaram de suas casas até a delegacia para me apoiarem. E que na mesma finalidade seguiram a viatura ate o IML para também me proteger.

Minha irmã que cursa direito na catolica chegou e pediu para os policiais tirarem minha algema, afirmou que não havia necessidade de que eu permanecesse algemada, pois eu não representava risco algum a integridade física ou moral de qualquer pessoa. Só ai tiraram as algemas... Eu já havia feito essa solicitação várias vezes, repeti que sou educadora e não era necessário me manterem algemada como se eu fosse uma criminosa.

Nunca fui tão humilhada e ofendida... Tenho certeza que entre outros um dos motivos foi discriminação racial. Se o Fabrício e eu fossemos brancos ele não teria agido assim. Meu esposo também saiu para fora do portão, e nem assim eles o mandaram ir para o muro, (detalhe, meu esposo e minha prima possuem pele mais clara).

Acredito que o sargento teria me agredido ainda mais, se não fosse a manifestação clara de desaprovação e intervenção por parte do soldado Brito.

Preciso de um advogado para me defender no dia da audiência e para me ajudar no processo contra esse policial.

Tenho a cópia do relato dele e do meu. Entretanto ele mentiu vários fatos. Chegou a afirmar em seu relato que minha casa é um ponto de venda de drogas, para justificar sua ação injustificável. Felizmente tenho como provar que tudo o que ele disse foi mentiras. O sargento Manoel, em seu depoimento, alegou ainda que me prendeu por que eu sai de dentro de casa gritando, os xingando, e que eu portava um objeto não identificado (no momento) nas mãos. E que ele pediu para eu colocar o objeto no chão e eu desobedeci as ordens dadas...

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Assim, ao chegar em casa depois de passar toda a noite na delegacia, meu esposo me relatou que o sargento Manoel, o chamou para fora do IML e pediu para ele me convencer a não processá-lo, pois estava nervoso no momento que me agrediu.

Mas eu não vou, e nem posso mudar de ideia e deixar de processá-lo. Ele me chamou de vagabunda e me bateu na frente de todos os meus vizinhos, da minha família (mãe, pai e esposo) e o que é pior, na frente dos meus dois filhos menores. (12 e 6 anos de idade)

O sargento Manoel ficou totalmente descontrolado, parecia estar fora de si. Volto a dizer que se o outro policial o soldado Brito, não estivesse tentando acalmá-lo o tempo todo, com certeza ele teria me agredido ainda mais.

Pensei que o delegado ia me ouvir. Mas ao contrário, apenas a escrivã me ouviu. O delegado só entrou na sala, onde eu estava tentando esclarecer os fatos, para assinar o documento e passar meus dados pelo telefone.

No dia 4 de junho de 2012 acontece a audiência onde serei julgada por desacato a autoridade policial... Irônico, não é mesmo?

quarta-feira, maio 09, 2012

segunda-feira, fevereiro 27, 2012

quinta-feira, fevereiro 23, 2012

23 DE FEVEREIRO

Vozes do comunismo: o Coro do Exército Vermelho
Por Cristiano Alves


Vídeos de soldados cantando e dançando tem sido comuns ultimamente na internet, canções em tom jocoso usadas como passatempo que trazem uma má imagem para a profissão militar. Nem sempre, entretanto, soldados cantaram e dançaram cantigas pueris.

Originalmente denominado "Orquestra Acadêmica de Canto e Dança duas vezes agraciada com a Ordem da Estrela Vermelha denominada A. V. Alexandrov", ou simplesmente "Orquestra de Alexandrov", ou ainda como é mais conhecida no ocidente, o "Coro do Exército Vermelho"(atualmente, "do Exército Russo") tornou-se um dos maiores ícones culturais da era soviética e da Rússia, levando ao mundo a mensagem comunista através da música, da arte e da cultura.

O Coro do Exército Vermeho em seus primeiros dias
Com o triunfo da Grande Revolução de Outubro de 1917, Lenin via na cultura um meio de difusão da cultura socialista, sendo a Rússia, primeiro país socialista da história, historicamente conhecida pela sua cultura musical, pelo estilo melancólico de compositores como Tchaikovsky até a capacidade de capacidade de seus compositores para captar canções populares que expressam a alma dos povos da Rússia, os comunistas logo entenderam que a Revolução, os valores socialistas e também a cultura popular deveriam integrar a música edudita, fortalecendo o conceito de "cultura socialista". Em 1928, quando a orquestra levava ainda o nome de Frunze, herói e veterano da Guerra Civil, o então professor de música Aleksandr Aleksandrov foi encarregado de organizar a orquestra. Em 1929, a orquestra realizou apresentações no Extremo Oriente soviético, onde tropas do Exército Vermelho de Operários e Camponeses não apenas defendiam o país, como também ajudavam a construir o socialismo, atuando na construção da ferrovia que interligava as regiões longínquas do país.

O Coro do Exército Vermelho procurava despertar o interesse dos soldados pela boa música e ao mesmo tempo encorajava o desenvolvimento da arte amadora nas fileiras militares. A orquestra, que começou com menos de 15 membros, já reunia mais de 300 membros em 1933, reunindo o coral masculino, a orquestra musical e dançarinos, executando composições de nomes da música como Vasily Solovyov-Sedoy, Anatoli Novikov, Matvey Blanter and Boris Mokrousov. Em 1935, a orquestra foi agraciada com a Ordem da Bandeira Vermelha, uma condecoração soviética que podia ser atribuída a militares, civis e inclusive agrupamentos de cidadãos por extraordinários feitos militares. A orquestra viajou a todas as partes da União Soviética, desde as areias quentes do Tadjiquistão até o ártico extremo-norte da URSS, onde resplandece o fenômeno da aurora boreal. Na França, em 1937, a Orquestra Alexandrov venceu o Grand Prix da Exposição dedicada à arte e tecnologia da vida moderna. Durante os anos da 2ª Guerra Mundial, a Orquestra do Exército Vermelho efetuou 1500 concertos em ambos os fronts soviéticos, entretendo soldados prontos a partir para o combate, hospitais, portos e bases aéreas.

Após a morte de seu fundador, Aleksandr Aleksandrov, a direção da orquestra foi assumida por seu filho, Borís Aleksandrov, que tornou-a popular em outras partes do mundo após vários tours efetuados no exterior. O irmão de Borís, o major Vladimir Alexandrov, também integrou a orquestra. Após a morte dele, a direção foi efetuada por Vladimir Gordeev, que dirigiu o tour de Londres. Importantes discos foram gravados, no Brasil, mesmo na Rede Globo foram propagandeados LPs do "Coro do Exército Vermelho", nos anos 90. Muitas canções da Orquestra Alexandrov também tem um grande número de vistas na internet, em sites de vídeo como o Youtube, suas canções tem enorme número de visitas, alguns vídeos tem mais de 2 milhões de vistas. Não é raro que mesmo anticomunistas convictos admitam em comentários que "os comunistas sabiam fazer boa música", ou que "detestam o comunismo, mas acham que eram excelentes artistas". A Orquestra Alexandrov também efetuou vários concertos com artistas individuais como David Foster, Jean-Jacques Goldman, Steve Barakatt, Oleg Gazmanov, na Rússia atual, e mesmo durante a abertura do festival europeu "Eurovisão", com um dueto de cantoras.

O Coro do Exército Vermelho foi agraciado com vários prêmios e medalhas na União Soviética e no exterior, formou famosos solistas, além do Globo de Ouro, da gravadora holandesa N.O.K, em 1974. O sucesso destes músicos comunistas é uma importante resposta ao mito burguês de que "após a revolução os operários usariam clássicos literários como peso de porta ou suporte de pé-de-cama quebrado". Ele é a prova material de que o socialismo é capaz de construir uma cultura nova e superior que leva o povo trabalhador ao caminho da glória, retira-o das trevas e coloca-o sob a luz.

Fonte:
http://en.wikipedia.org/wiki/Alexandrov_Ensemble
http://planetlyrics.co/artist/The+Red+Army+Choir#.T0bL6hcu9gW


Canções do Coro do Exército Vermelho:

- Canção dos Barqueiros do Volga


Perfomada em sua maior parte por um solista(Leonid Haritonov no vídeo) acompanhado da orquestra com instrumentos típicos da Rússia, trata-se de uma antiga canção popular cantada pelos barqueiros do rio Volga, que para fugir de sua existência miserável ganhavam a vida sob condições desumanas puxando barcos próximos da margem até o porto.

- Kalinka


Canção popular muito famosa na Rússia e outros países eslavos como a Polônia, sobre a flor do junípero.

- Poema ucraniano

Canção sobre um poema do poeta ucraniano Taras Shevchenko, um servo de um aristocrata russo que comprou a sua liberdade, no século XIX. Crítico do tzarismo, Taras foi acusado de participar de uma organização que defendia o fim do Império e a formação de uma federação de Estados eslavos, um sonho que os bolcheviques transformaram em realidade no século XX. Taras Shevchenko deu nome à várias cidades soviéticas, inclusive uma importante cidade construída no Cazaquistão.

- Varsoviense


"Marche, marche adiante, povo trabalhador". Esta forte canção escrita na Polônia no século XIX ganhou uma melodia na Rússia, tendo sido popularizada na União Soviética. Ela contém um forte teor anti-monarquista, contra a autocracia, declarando que todos os tronos são construídos sobre o sangue do povo trabalhador. A "Varsoviense" chama o povo trabalhador a uma luta sagrada e sangrenta.

- A caminho


"O caminho é longo, e estamos com você, soldado, alegre-se". Canção de marchas militares comumente cantada em percursos e interior de quartéis.

- Os soldados marcharam


"Se necessário, nos ergueremos como uma muralha para defender o lar pátrio", diz esta forte e vibrante canção militar soviética sobre a II Guerra Mundial.

- Nós somos a Cavalaria Vermelha

A Cavalaria Vermelha desempenhou um grande papel durante a Guerra Civil entre "vermelhos e brancos", dela faziam parte milhares de operários e camponeses que lutavam pela sobrevivência da primeira Revolução Socialista da história, berço de inesquecíveis heróis como o futuro marechal Georgiy Júkov, que nela serviu como soldado, e de nomes como Aleksá Dundic, internacionalista iugoslavo que lutou do lado vermelho durante a Guerra Civil. Os cavaleiros vermelhos usavam armas de fogo e espadas em rápidas cargas de cavalaria, que a canção bem retrata, mencionando ainda os nomes de Stalin e Voroshilov, comissários que lutaram em Tsaratsin, depois renomeada "Stalingrado" e então "Volgogrado".

- O Exército Branco e o Barão Negro

Canção da época da Guerra Civil contra o reacionário Exército Branco, composto de aristocratas, mencheviques e por corpos expedicionários de 18 diferentes países. O "Barão Negro" referido na canção é Pyotr Wrangel, aristocrata que comandava tropas que frequentemente vestiam uniformes negros em combate. Ela clama que "das taigas aos mares britânicos o Exército Vermelho tem toda a força", uma vez que na época o Exército Vermelho não tinha o controle total da Rússia.

- O sol se pôs atrás da montanha

Canção sobre o retorno dos soldados do Exército Soviético para casa após a Grande Guerra Patriótica, contra o fascismo. Conta como os soldados não pouparam suas vidas e como os soldados, acreditados por Stalin, faziam com que todos os inimigos temessem à sagrada pátria socialista.

- Os cossacos




Famosos cavaleiros do sul da Ucrânia, os cossacos eram camponeses livres que combatiam os invasores turcos e tornaram-se vassalos do Império Russo, dando também nome à unidades de cavalaria leve, sem vínculos étnicos. Com o advento da Revolução de Outubro, muitos cossacos lutaram ao lado dos comunistas, tendo tido uma importante participação na luta antifascista.

- Os cossacos partiram pelo Danúbio


Canção cossaca sobre uma cavalgada cossaca pelo famoso rio europeu, em ucraniano. "Melhor seria nem partir, melhor seria nem amar, melhor seria de nada saber, do que ter que esquecer isso agora".
- A guerra sagrada


Executada nos dias atuais, este vídeo traz aquela que é sem dúvidas a mais forte canção antifascista já criada, surgida no calor da guerra contra os nazistas. Ela conclama todo o país a se levantar para uma guerra mortal contra as hordas obscuras do fascismo, a deixar a "fúria justa" vir como as ondas do mar, na guerra popular, a guerra sagrada. Esta canção descreve perfeitamente, em sua letra, os fascistas: "sufocadores de nobres idéias", estupradores, ladrões e torturadores de pessoas.

HISTÓRIA

Mais do que uma atriz
Por Cristiano Alves

Kira foi uma das quase 1 milhão de mulheres que serviram ao Exército Vermelho durante a IIGM
 
Kira Petrovkaya nasceu em 1918, na Criméia, então parte da Rússia Soviética, numa família de nobres do antigo Império Russo. Seu nascimento se deu um ano após a Grande Revolução de Outubro, que rompeu com o capitalismo e iniciou o período socialista no país. Já durante os seus 7 meses de vida, a família de Kira enfrentou dias difíceis, uma vez que seu pai e vários parentes seus lutaram pelo Exército Branco, que foi derrotado pelos bolchevistas.

Vivendo sem parte de sua família em Leningrado, apesar de suas origens aristocráticas, Kira foi admitida numa escola musical para crianças, a Capela Acadêmica de Leningrado, lá ela aprendeu sobre diferentes artes, tornando-se apaixonada pelo teatro e iniciando a sua carreira como atriz, o que seria interrompido durante a guerra, mas ela não estava despreparada. Segundo Kira, "todas as escolas tinham preparação militar, inclusive a escola de balé"(1), uma hora semanal era utilizada para aprender sobre armas, marchar e tiro desportivo. Aos 16 anos, Kira foi premiada com a maior medalha para eventos de tiro da cidade, a "Sniper de Voroshilov". Assim, em razão de suas notáveis proezas como atiradora, Kira foi mobilizada para defender a cidade onde morava, Leningrado, que conheceu um dos mais terríveis cercos militares da história durante o pesadêlo da ocupação fascista. Atuando como sniper do Exército Vermelho, ela foi ferida duas vezes por estilhaços de artilharia e retornou a serviço como enfermeira de campanha. Ao longo da guerra, empreendida contra as forças do fascismo, inimigo mortal da classe operária mundial, Kira foi condecorada com 3 medalhas, na guerra que destruiu os planos de senhoria mundial apresentados por Adolf Hitler e seus aliados.

Ao fim da guerra, a sniper e enfermeira militar Kira Petrovskaya foi condecorada com 3 medalhas
Após o término da guerra, Kira foi para o Teatro Satírico de Moscou, onde continuou a cantar e exercer suas atividades culturais na União Soviética. De acordo com ela, em Moscou o artista está intimamente conectado ao teatro, "você poderia viver e morrer trabalhando no mesmo teatro", o que é diferente em outros países. Na capital do país, Kira conheceu o seu futuro marido, um diplomata americano, com quem se casou e foi morar nos Estados Unidos. Naquele país, Kira tentou a carreira artística, o que foi dificultado pelo seu forte sotaque russo, mais tarde, ingressou no show de Groucho Marx e passou a viver como escritora, publicando a sua autobiografia, que tornou-se um best-seller. Hoje, Kira Petrovskaya Wayne é militante de projetos cívicos para a promoção da cultura e a erradicação da poluição do ar, sendo também autora de vários livros com assuntos que vão desde mitologia grega até culinária russa e novelas juvenis.

Kira Petrovskaya Wayne, nos dias atuais

1- http://www.silverplanet.com/lifestyles/silver-stars/silver-star-kyra-petrovskaya-wayne/early-life-russia/5721

quarta-feira, fevereiro 15, 2012

MULTIMÍDIA

Coletânea de filmes de propaganda anticomunista americanos - Parte I
Comentados por Cristiano Alves

Certamente, muitos que nasceram nos anos 80 ou antes tem vivas em suas memórias filmes como "Rambo", "Braddok" ou, em alguns casos, talvez mesmo "Red Dawn"(Crepúsculo vermelho, com Patrick Swayze), todos estes filmes tem uma coisa em comum, uma mensagem anticomunista, entretanto, essa mensagem se dirigia a "comunistas externos", sendo os vilões sempre militares comunistas soviéticos, vietnamitas, revolucionários comunistas de outros países, nunca "comunistas domésticos", isso por que já haviam sido exterminados em grande número em anos anteriores. Poucos sabem, entretanto, que durante o final dos anos 40 e início dos anos 50 desenvolveu-se uma forte histeria anticomunista, explícita, contra o "perigo vermelho interno".

Assistir aos filmes anticomunistas ajuda a entender como surgiu o mito do "comunista comedor de criacinhas", do "russo sádico e malvado", papel antes ocupado por índios e negros no cinema americano, eles demonstram como desde a infância o invidíduo sofre um verdadeiro bombardeio ideológico anticomunista, com napalm suficiente para queimar todos os neurônios capazes de empreender algum senso crítico. Importante se faz lembrar, que todos estes filmes contém uma mensagem a favor do militarismo americano, numa época em que as forças armadas americanas ainda não dispunham da mesma proporção que tem hoje, ajudando a entender o início e a ideologia que justificou sua corrida armamentista, bem como os interesses a que ela serve.

"Ele pode ser um comunista"(1951)
Filme de informação das Forças Armadas

Seguido de uma narração de Michael Parenti(ele próprio um ex-anticomunista, como se declara em suas obras), inicia-se o filme produzido pelas Forças Armadas dos Estados Unidos que ensinam a "reconhecer um comunista". A mensagem seguida neste filme até hoje em dia é seguida de forma ortodoxa por anticomunistas fanáticos, ela basicamente deixa a entender que a sociedade inteira deveria se mobilizar contra os comunistas, que mesmo com as filiações do Partido Comunistas dos Estados Unidos da América em declínio, era necessário proibir o partido comunista. A paranóia deste vídeo chega a um ponto tão abusivo e caricato, que até mesmo uma manifestação contra o Ku Klux Klan(KKK) é mostrado como "obra de comunistas silenciosos". Isto é, se o indivíduo se dizia contra espancamento, linchamento, enforcamento e perseguição aos negros, algum comum a qualquer indivíduo com um ponto de vista humanista, não necessariamente comunista ou socialista, pela ideologia americana, ele era um "comunista perigoso", não é difícil achar na rede mundial fotos de "conservadores" ianques com placas portando os seguintes dizeres "Miscigenação= Comunismo". Esse ponto de vista foi seguido à risca nos países da América Latina, sendo também seguido até os dias de hoje pelos neofacistas brasileiros, os autodenominados "conservadores", que tem como porta-voz mor nomes como o jornalista paulista Olavo de Carvalho.

Embora o vídeo ensine a "reconhecer um comunista", curiosamente, inexistiu qualquer filme ou propaganda no Leste Europeu, Cuba ou Ásia ensinando a "reconhecer um capitalista".


"Para reconhecer um comunista, a aparência física não quer dizer nada. Se ele clama ser um comunista, então levamos adiante a sua palavra.
Se uma pessoa lê e advoga as visões expressas em publicações comunistas, ele pode ser um comunista.
Se uma pessoa apóia todas as organizações que refletem ensinamentos comunistas ou organizações classificadas como comunistas pelo departamento de justiça, ela pode ser um comunista.
Se uma pessoa defende as atividades de nações comunistas, enquanto consistentemente ataca a política dos Estados Unidos, ela pode ser um comunista.
Mas se uma pessoa efetua todas essas coisas por um período de tempo, ela DEVE SER UM COMUNISTA!
Mas há outros comunistas que não mostram sua verdadeira face, que trabalham mais "silenciosamente".

O dia do trabalho traz uma onda de sentimento anticomunista em uma parada de lealdade. Todos levantam as suas inatas bandeiras contra os comunistas, as pessoas celebram a liberdade de todos os países."


Duck and cover(1951)
Filme de informação da Defesa Civil

Duck and cover("Agachar-se e cobrir") é uma das mais sublimes obras de estímulo à paranóia feitos nos Estados Unidos, feito em  formato de desenho animado, seu alvo é claro, o público infantil! Diferente de outros filmes da época, ele foi feito pela Defesa Civil americana. Sua propaganda anticomunista é indireta, mesmo por que, em se tratando de um filme voltado ao público infantil, ele não trata diretamente de "comunismo", mas sim de uma obra de paranóia anticomunista. "Agachar e cobrir" era uma prática extremamente difundida nas escolas americanas em fins dos anos 40 e nos anos 50.

No final da década de 40, iniciou-se na América uma operação cujo codinome era "Dropshot", aprovada pelo ditador Harry Truman, tratava-se de um plano cujo objetivo era lançar 300 bombas atômicas na União Soviética, provocando um verdadeiro holocausto soviético. Uma vez que em 1947 somente os EUA tinham a bomba atômica, essa guerra nuclear seria unilateral, sem retaliações. O uso de meios não convencionais era usual durante a ditadura sanguinária de Harry Truman, um dos exemplos foi o uso de cobaias humanas(não voluntárias) para testar remédios contra a sífilis. Todas essas cobaias, a propósito, eram não-americanas, eram gualtemaltecos, nos quais foram introduzidos a bactéria da sífilis. Esse crime foi, após 50 anos, oficialmente reconhecido pelo governo dos Estados Unidos em 2010. Em 1949, a situação mudou, sob o governo de Stalin, a União Soviética desenvolveu a bomba atômica, poupando o povo soviético de um holocausto nuclear e forçando os americanos a adiar o seu plano.

Planejando extirpar os soviéticos e comunistas da face da Terra, os americanos plantaram a lógica da inversão, o país que queria lançar 300 bombas atômicas na URSS, agora passava ao seu povo a imagem de que "os comunistas queriam iniciar a guerra nuclear". Para tornar essa idéia ainda mais palpável, proliferou-se nos EUA, país que sempre governou através da técnica da fobia, a indústria do "abrigo nuclear". Empresas ofereciam aos cidadãos de classe média "abrigos nucleares particulares", supostamente capazes de resistir por anos sem contato com o mundo externo. Nas escolas, essa histeria era ainda mais reforçada com "instruções de como proteger de uma guerra nuclear", numa dessas instruções, as crianças e adolescentes aprendiam que poderiam ter alguma chance de sobreviver a uma guerra nuclear protegendo-se de estilhaços e partículas arremessadas por ventos atômicos. Essa instrução é reforçada pelo filme infantil que mostra uma tartaruguinha protegendo-se de uma explosão nuclear, bem como por treinamentos feitos com sirenes, muitas vezes tocada repentinamente, para testar a prontidão das crianças americanas. Essa prática ridícula e vergonhosa jamais foi ensaiada em países do Leste Europeu, que viam-na como uma mera paranóia dos Estados Unidos, no qual tinha apenas um objetivo, plantar na população o medo do comunismo desde crianças.



O pesadêlo vermelho(1962)
Departamento de Defesa dos Estados Unidos da América

Mesmo sob a égide do revisionismo, a União Soviética dava grandes saltos tecnológicos e expandia a sua influência pelo mundo, lançando o primeiro homem ao espaço em 1961, os Estados Unidos intensificavam ainda mais a sua paranóia, sob uma ditadura de fato militar que, procurando justificar ações imperialistas contra outros países, pintava sempre os EUA como "vítimas", através de uma ideologia transmitida por filmes do Departamento de Defesa, prática essa que nessas alturas já vinha sendo exportada para os países da América Latina, o "quintal" dos Estados Unidos.

Se nos primeiros filmes de faroeste, os americanos eram sempre pintados como "oprimidos pelos índios bárbaros e selvagens", que deveriam ser vingados pelo "valente cowboy justiceiro", essa imagem veio a ser revisada nos anos 60, de modo que os índios cederiam lugar para um outro "vilão opressor do povo americano", isto é, os comunistas, especificamente os soviéticos. "O Pedadêlo vermelho" é um filme que trata da derrubada do capitalismo nos EUA por tropas soviéticas. No início, dois comunistas conversam entre si, um militar e outro um militante do partido, um inicia a conversa em russo e o outrou pede-lhe que fale em inglês, pois será "a única liberdade que os americanos terão", um deles comenta que "os americanos tem muita liberdade". No decorrer do filme, um narrador descreve a cena vista, uma "cidade soviética", ela é cercada por muros, é cheia de ouriços e de arame farpado e tem postos de vigilância, um cenário bem parecido com as cidades americanas fronteiriças com o México nos dias atuais. Essa imagem, claramente inspirada em Berlim dos anos 40, é absolutamente descontextualizada, pois na ocasião Berlim estava ocupada por duas forças rivais, o filme pretende, entretanto, que toda cidade de "país comunista" é da mesma forma. Então surge no filme um narrador, que insere o telespectador em diferentes situações, numa delas, ele descreve o "cotidiano comunista", mostrando uma universidade onde os estudantes aprendem a fabricar explosivos e sabotar instalações americanas, a sabotagem que foi um dos mais comuns expedientes usados pelos imperialistas contra a União Soviética nos anos 30. Então, Jack Webb(o narrador), leva-nos a uma pequena e pacífica cidade norte-americana, onde tudo supostamente funciona bem, temos então os protagonistas, uma família americana de classe média alta, a esposa é uma mera dona de casa, numa época em que as mulheres nos EUA só podiam ser meras escravas domésticas, a filha do protagonista então traz para sua casa o seu namorado para um café da manhã, que é mal visto por seu pai, Jerry Donavan(Jack Kelly). Após uma dor de cabeça com o assunto, ele vai dormir, e o narrador novamente surge e fala de seu "pesadêlo", do "dia em que perdeu toda a liberdade que tinha". Ao acordar, a cidade onde vive foi "tomada pelos comunistas", seus antigos vizinhos e colegas agora o chamam por "camarada", ao que ele estranha. Ao chegar em casa, a situação lhe é ainda mais estranha, agora, seus filhos menores participam de uma organização de pioneiros, o que não lhe é tão chocante, até se deparar com uma situação que lhe é inaceitável, sua casa é invadida por comunistas uniformizados, militares que vieram buscar a sua filha, que antes não trabalhava, que agora era voluntária para trabalhar numa fazenda coletiva. Estes mostram-lhe, então, uma assinatura de próprio punho de sua filha onde ela se tornava voluntária, ao que Jerry contesta, até sua filha aparecer de malas feitas e confirmar a versão dos comunistas. Jerry, no dia seguinte, vai trabalhar numa fábrica, emprego que dificilmente lhe garantiria o padrão de vida mostrado no filme, lá ele tem uma quota de produção, que não consegue cumprir, sendo por isso advertido de que seria denunciado ao comissário local. Cotas de produção eram estabelecidas nos anos 30, quando se fazia urgente a industrialização do país para sair do atraso medieval também para preparar o país para a guerra antifascista, nos anos subsequentes elas também eram estabelecidas, porém não se tratava de metas irreais, aqueles que não produziam o número suficiente poderiam cumprir as metas depois. Jerry então chega em casa e se depara com os seus filhos indo para um acampamento de pioneiros, de malas feitas, então ele diz que nada disso mais acontecerá, pois eles "ainda são uma família"(pois ter uma filha trabalhando voluntariamente numa fazenda coletiva e seus filhos tendo instrução de teor humanista seriam o "fim de sua família"); por isso levará os filhos a uma escola dominical da igreja, arrastando os seus filhos até lá, deparando-se com uma placa indicativa de um museu, sobre o qual os seus filhos tentaram alertá-lo. Ao adentrar o local, depara-se com "invenções soviéticas", dentre os quais o telefone. O filme reflete claramente o desprezo que os americanos tem por outros inventores, seu nível é tão grotesco, que alega ser o telefone invenção do "americano Graham Bell", que nem mesmo era americano, mas escocês. Inconformado, Jerry alega ser tudo uma farsa e inicia a destruição do local, quebrando tudo o que pode até ser preso. O filme claramente faz uma apologia do vandalismo, posição seguida pelos neofascistas brasileiros, bastando lembrar que um blogueiro "conservador" fez um apelo para que as pessoas queimassem material escolar, material esse que, embora se trate de material nefasto e deseducativo, deveria ser combatido por outros meios.

No desfecho do filme, após ser preso, Jerry Donavan é levado a julgamento, onde é processado por "desvio" e tem seus crimes testemunhados por colegas de trabalho, vizinhos e sua própria esposa, sendo sentenciado à pena capital, uma pena geralmente destinada aos mais perigosos elementos da sociedade, envolvidos em atividades contrarrevolucionárias. Antes de sua execução, ele faz um discurso, até que no momento do disparo, ele acorda e diz "como ama o livre mundo onde vive", após o narrador retornar e fazer todo um discurso sobre o capitalismo, para o qual usa o eufemismo "liberdade".

"The red nightmare" foi distribuído em escolas secundaristas e universidades, ele aproveitou um vácuo deixado por filmes como "On the beach"(1959) e outros de sua época sobre a guerra nuclear, agora era preciso mostrar "quem ameaçava os EUA com a guerra nuclear" e o capitalismo, ou melhor, a "liberdade" americana, segundo seus dizeres. Filmado pela Warner Bros, seus produtores alegam ter se inspirado em estórias contadas por "emigrados" da Europa Oriental. Um comentário de um não comunista, no Youtube, expressa bem a natureza desse filme: "Essa porcaria é tão falsa, que eu vim de um país comunista e não era assim... as condições de vida eram duras, mas não como nessa porcaria de filme... e no trabalho as pessoas apenas fumavam, não davam a mínima para cotas..."



Red Dawn(1984)

Pérola da era Reagan, quando foram produzidos os maiores "clássicos" cinematográficos holywoodianos do anticomunismo, contando com futuras estrelas como Patrick Swayze e Charlie Sheen. O filme retoma o mesmo enredo que antes era utilizada contra os índios, isto é, os americanos como "vítimas" de um invasor imperialista, isto é, projeta-se no expectador a idéia de que a América é um país pacífico, que não incomoda a ninguém, porém está sempre sendo atordoada por invasores. Filmes como esse ganharam uma importância tremenda nos EUA de Reagan para justificar o famoso programa "Guerra nas Estrelas" e uma nova corrida armamentista.

Red Dawn, isto é, "Alvorada Vermelha," trata de uma história fictícia, um filme de propaganda sem cara de propaganda, como os clássicos que o antecederam, aqui não há um "narrador", porém ele segue o mesmo estilo trash, tosco, grotesco e ilógico. Logo no início, os Estados Unidos são invadidos pela União Soviética, para ser mais exato, por uma tropa de elite, a VDV(a força paraquedista), quem em plenos anos 80 já usava uniforme camuflado, seguindo o velho clichê de filmes americanos de que "o negão sempre morre primeiro", os desantniki(isto é, paraquedistas soviéticos) cercam uma escola americana, quando o seu diretor afroamericano vem falar com os militares que o cercam, sendo imediatamente fuzilado. Repentinamente, então, os paraquedistas iniciam uma chacina contra estudantes americanos indefesos, inclusive utilizando armas como o RPG(mundialmente famoso lança-rojões soviético) contra civis desarmados, e metralhadoras como o RPD, tudo isso contra... adolescentes secundaristas desarmados! Nessa cena, o filme deixa bem claro o seu público alvo, os adolescentes, que devem ver os soviéticos como assassinos sedentos de sangue, prontos a cometer massacres por mero prazer, prontos a cometer atos que os militares dos Estados Unidos cometiam no Vietnã, como comunistas que viam na matança um divertimento, tal como o General James Mattis, que declarou expressamente durante a Guerra do Iraque da década de 2000 que achava "divertido matar".

No decorrer do filme, a resistência ao Exército Soviético é exercida por adolescentes americanos que se autointitulam os "Wolverines"("lupinos"), que lutam com toda a garra, coragem e heroísmo contra soldados que quase nunca acertam o alvo e são facilmente surpreendidos por garotos, que roubam os seus uniformes comunistas. Os Estados Unidos também são invadidos por tropas cubanas no filme, que ocupam o país, até este ser libertado pelos adolescentes americanos, que expulsam os soviéticos e cubanos com suas táticas de guerrilhas. A mensagem do filme é clara, os jovens devem odiar profundamente e fanaticamente os comunistas, pois estes estão sempre dispostos a matá-los e querem invadí-los a qualquer custo.



Rambo II(1985)

Originalmente, o primeiro Rambo tratava de um soldado(Sylvester Stallone) que se tornara neurótico de guerra após a guerra do Vietnã e passou a enfrentar as autoridades americanas, inclusive a polícia, sendo enviado para um campo de trbalho nos Estados Unidos. No segundo filme, entretanto, a história é completamente distinta.

Escrito por nomes como James Cameron(o mesmo de Avatar), e estrelado por Sylvester Stallone, Rambo baseava-se nas alegações do dissidente soviético neofascista Aleksander Soljenítsin, conforme bem denunciado pelo jornalista sueco Mário Souza. Essas estórias foram a inspiração para o filme, onde o "valente soldado Rambo" tinha a missão de resgatar pilotos americanos brutalmente torturados por soviéticos e vietnamitas, sem entrar em combate com eles. O filme tinha por objetivo servir como anestesia para a direita americana, frustrada com a derrota no Vietnã, nele o militar americano acaba sendo enganado pela CIA, arquiteta do plano, sendo deixado sozinho e abandonado no Vietnã, onde é capturado, torturado por soviéticos, porém acaba tornando-se mais forte com a tortura sofrida e sozinho combate "somente" a Spetsnaz, isto é, os mais qualificados militares do Exército Soviético. Sozinho Rambo derrota o Exércitos Soviéticos e o Exército Popular do Vietnã, não importa se é um helicóptero Mi-24, uma lancha, tanque ou uma bomba de alto poder explosivo, nada disso é capaz de matá-lo, seu corpo fechado não é atingido por um só tiro fatal de um pelotão de soldados de elite.

No filme, foram gastos mais de 27 milhões de dólares, apesar disso, o filme foi mal recebido até mesmo pela crítica americana, sendo considerado o pior filme do ano pela Golden Raspberry Awards. Stallone foi considerado o pior ator do ano, assim como sua atriz coadjuvante, sua fotografia foi considerada a pior, assim como seu roteiro e trilha sonora. Apesar do quê, o filme rendeu 150 milhões de dólares na América do Norte, sendo um sucesso de bilheteria. Foi extremamente exibido na Rede Globo no início dos anos 90 na "Sessão da Tarde".



Rambo III(1988)

Rambo III, com Sylvester Stallone, é um filme que foi feito com o propósito de transmitir a idéia de "derrota soviética no Afeganistão", assim como Rambo II falava na derrota vietnamita-soviética no Vietnã. Foi um sucesso de bilheteria, inclusive dando origem ao desenho animado da série, assim como ao video game do filme.

Continuação da história anterior, Rambo agora está na Tailândia, junto a budistas, buscando paz espiritual, inclusive em lutas de aposta. Quando o seu amigo, o Coronel Trautman, é enviado para o Afeganistão(o filme não deixa claro o que ele foi fazer lá), ele tem o "privilégio" de ser o primeiro americano capturado no Afeganistão, levando Rambo a infiltrar-se no país, juntar-se aos mujaheedin e, sozinho, com munição infinita de fuzis Kalashnikov capturados, derrotar tropas soviéticas no Afeganistão. No filme, pode-se aprender que não é necessário recarregar um fuzil, que homens a cavalo podem derrotar facilmente tanques e helicópteros cheios de casulos de foguetes e mísseis, que helicópteros atacam veículos terrestres com vôos rasantes "raspando poeira do chão" e que um tanque, após ser parcialmente destruído por um coquetel Molotov, receber tiros de canhão de helicóptero e se chocar com um Mi-24 carregado de mísseis e casulos cheios de foguetes, pode sair intacto. De fato, Rambo III não é apenas uma propaganda anticomunista, como também um excelente marketing da tecnologia militar soviética! Tão tosco é o filme, que nele, em pleno calor matinal afegão, é possível ver militares soviéticos usando uniformes de inverno, as telogreikas, agasalhos usados pelo Exército Vermelho, além de... shapki(shapka é a denominação dada aos gorros de pele usados no inverno russos, que cobre a cabeça e pode cobrir as orelhas quando desamarrado). A julgar pelos shapki negros, com seus uniformes camuflados, o filme mostra claramente fuzileiros navais soviéticos num país sem acesso ao mar. No real Afeganistão, soldados soviéticos usavam uniformes comuns e chapéus(afganki), em muitas ocasiões usavam apenas as suas camisetas de listras azul-celeste, com ou sem manga, a telnyashka, "marca registrada" dos paraquedistas soviéticos.

Rambo parte da premissa de que os soviéticos foram os invasores do Afeganistão, posição que ignora que o governo da República Democrática do Afeganistão, legitimamente eleito pelo seu povo, solicitou a ajuda soviética contra insurretos afegãos que não aceitavam o fim da monarquia e queriam implantar no país um regime fundamentalista. Esses mujahedeen acreditavam num Afeganistão medieval e machista, eram reacionários que visavam um fascismo islâmico, abominavam que o governo socialista introduzisse escolas para homens e mulheres, hospitais para ambos os sexos, que mulheres pudessem andar sem a busca e fossem alfabetizadas por técnicos afegãos e soviéticos, além de ter promovido um dos piores pesadêlos de latifundiários e capitalistas - a reforma agrária. Conforme admitido pelo próprio Zbigniew Brzezinski em entrevista, os Estados Unidos começaram a intervir no Afeganistão antes da intervenção soviética, desde antes da guerra a CIA treinou islâmicos em técnicas de sabotagem, terrorismo e táticas de guerrilha. Quando o Exército Soviético entrou no Afeganistão, a pedido do governo local, para conter as guerrilhas mujaheedin, os EUA, através da CIA, intensificou seu apoio aos terroristas, que contaram também com o apoio da Arábia Saudita, Paquistão(por sua afinidade islâmica e rivalidade com a Índia, apoiada pelos soviéticos), República Popular da China, Israel, Canadá, Reino Unido, e, segundo algumas fontes, inclusive a Líbia! Todos estes países patrocinaram forças fundamentalistas e anticomunistas, que Rambo III chama de "lutadores da liberdade". O filme também acusa o Exército Soviético de usar armas proibidas contra o povo afegão, incluso armas químicas, versão jamais constada por qualquer equipe investigativa soviética, independente ou americana, exceto em alguns casos, em cavernas contra forças insurgentes, mas não contra civis, como os americanos fizeram no Vietnã. É interessante enfatizar, que embora Rambo traga cenas fictícias de tortura de afegãos e americanos, essas cenas nem de longe se assemelham com os horríficos crimes cometidos na prisão americana de Guantánamo, na ilha de Cuba. O filme também não deixa claro que os americanos armaram os mujaheedin com mísseis terra-ar Stinger, embora um coronel soviético interrogue o coronel americano Trautman sobre o assunto várias vezes. A entrega desses mísseis já foi admitida por autoridades americanas em várias oportunidades nos dias atuais.

Rambo transmite a velha idéia de que "russos são comunistas malvados, sádicos que matam pessoas por diversão", os grandes heróis do filme são os fanáticos mujaheedin, filme que é dedicado ao "bravo povo do Afeganistão", que os americanos combatem nos dias atuais e classificam como "terroristas que querem implantar uma ditadura islâmica". O filme, feito um ano antes da retirada soviética, transmite a idéia de derrota comunista, ignorando que a maioria das mortes soviéticas no Afeganistão se deveu a adversidades como o clima, doenças como o tifo, hepatite e outras infecções que, em razão do clima afegão,e as adversidades do local, espalhava-se facilmente pelas tropas. Não há como negar que muitas vitórias dos fundamentalistas foram obtidas em ações como emboscadas, especialmente em vias estreitas, contra comboios soviéticos, nos locais menos esperados, porém o saldo é que enquanto os soviéticos perderam entre 10 e 20 mil homens, as forças mujaheedin, que incluíam tropas estrangeiras lutando sob a bandeira islâmica, pederam entre 600 mil e 2 milhões de homens, só em operações como a "Magistral", um surpreente ocorrido teve lugar na cota 3234, protagonizada pela 9º Companhia, formada por paraquedistas da VDV. Lá, um pelotão formado por apenas 39 militares comunistas conseguiu deter uma força paquistanesa de 200 a 250 homens. Ao passo que os comunistas tiveram um saldo de 6 mortos e 28 feridos, os terroristas perderam entre 100 e 150 homens, todos mortos em combate. Apesar do teor do combate, entre forças inimigas de interesses irreconciliáveis, inexiste qualquer foto de tropas soviéticas urinando em cadáveres de afegãos ou com bandeiras da SS nazista, episódios protagonizados e fotografados(como troféis) por tropas americanas.

A retirada soviética do Afeganistão, longe de poder ser considerada uma "derrota", foi parte de uma mudança na política externa soviética, de modo que o país retirou tropas da Mongólia, onde tinham uma situação bastante confortável e bem mais favorável que as tropas do Afeganistão, também desaconselhou as ações do Vietnã contra a Kampuchéia, solicitou a Cuba a retirada da ajuda à Angola e aos poucos iniciou a retirada de tropas da Europa Oriental, onde não tinham conflito com forças locais, o Afeganistão foi apenas uma mudança de planos, valendo frisar que mesmo com a retirada soviética, o poder popular no país perdurou até meados da década de 90, até ser derrubado pelo talibã que iniciou o regime que muitos hoje conhecem, versado na mais brutal ditadura terrorista de cunho islâmico. Deste modo, o Afeganistão jamais pode ser tido por "Vietnã soviético", como clamado no filme Rambo e inconscientemente repetido por muitos.

Pode-se dizer que o início da década de 2000 "matou Rambo", quando os americanos invadiram o Afeganistão e a população doutrinada com o filme passou a enxergar como funciona o duplo estandarte da política externa americana, hoje olhando com desdém os falsos "lutadores da liberdade". A respeito da versão ocidental sobre a operação antiterrorista no Afeganistão, promovida pela União Soviética, há que recordar as palavras de um oficial do Exército Vermelho, após a retirada soviética: "a idiotia não tem encontra limites".