quinta-feira, janeiro 20, 2011

BRASIL

Brasil canta marcha de despedida todo 7 de setembro

Por Archibaldo Figueira (Originalmente publicado no jornal A Nova Democracia) 

 

Durante 68 anos — de 1822 a 1890 — o Brasil teve um hino monárquico, porém libertário. Consta que a melodia é de Pedro I, sendo certo que os versos "Ou ficar a Pátria livre, ou morrer pelo Brasil", entre outros, são do jornalista carioca Evaristo da Veiga. Em 1831, com a abdicação, virou moda a Marcha da Despedida, de Francisco Manuel da Silva.
Em 1890, o marechal Deodoro, para fazer a República prevalecer ao Império, adotou-a como Hino Nacional. Mas ninguém cantava, por falta de letra. Só no ano revolucionário de 1922 — o país envolvido com o Centenário da Independência, a Semana de Arte Moderna, o Tenentismo e a criação do Partido Comunista do Brasil — é que o Presidente Epitácio Pessoa juntou à Marcha da Despedida, de Francisco Manuel, o arrevezado poema de Osório Duque-Estrada, adotando este hino que poucos sabem cantar da primeira à última palavra.

 

 Nos estádios, mais um 7 de setembro, mais um atleta recebendo medalha, mais um jogo internacional — e nunca tantos brasileiros cantaram tão erradamente o Hino Nacional Brasileiro. Ele não é executado por inteiro nas solenidades desportivas internacionais por uma razão muito simples: trata-se do mais longo do mundo.

Na Internet, a letra do hino, apresentada nas páginas oficiais, a começar pela da Presidência da República, terminando pelo Ministério das Relações Exteriores, nunca é igual: em umas, vê-se "Nossa vida no teu seio mais amores"; noutras, já vem "em teu seio". O mesmo acontece com o verde-louro, que para a Presidência da República é "dessa flâmula" , mas para o Itamaraty é "desta flâmula".

Não é nada, se for levado em conta que recentemente uma rede nacional de televisão desafiou cantores estreantes a entoarem o hino, no programa Ídolos, da primeira à última palavra: ninguém conseguiu nem começar.

Capas de cadernos

Na tentativa de impedir que o povo brasileiro continue sem saber cantar o hino, em fevereiro do ano passado foi apresentado no Senado Federal um projeto de lei determinando que sua letra passe a figurar das contracapas de todos os livros e cadernos utilizados pela rede escolar.

Difícil será substituir as cenas de programas do imperialismo para a televisão, aquelas ilustrações preferidas pelos fabricantes de material didático.

A proposição, aprovada quase que de imediato pela Comissão de Educação do Senado e enviada à Câmara, continua engavetada.

A medida inspira-se na lei 259, que Getúlio Vargas sancionou em 1 outubro de 1936, ainda como presidente da República eleito na forma da Constituição de 1934, que estabelecia a obrigatoriedade da execução do Hino Nacional em todos os estabelecimentos de ensino públicos ou privados do país. Inclue as associações desportivas, empresas de radiodifusão e outras de finalidade educativa. O estabelecimento que o descumprisse seria fechado.

Mas isso vai dar trabalho às gerências federal, estadual e municipal, porque até hoje não se baixou uma legislação definindo a letra — ao pé da letra.

Hino do trono

Se a melodia e a letra que embala os estádios, ginásios e piscinas cada vez que um atleta brasileiro recebe medalha de ouro são quase desconhecidas, a sua história é ainda mais, sendo poucos os que aproveitam o transcurso de mais um 7 de Setembro para registrá-la. Os originais tinham sido entregues por Joaquim Osório Duque Estrada à Academia Brasileira de Letras e, ao que consta, por esta encaminhada à Biblioteca Nacional.

Já o próprio Museu Histórico Nacional não possuía uma única gravação do Hino Nacional Brasileiro, embora ele tenha sido registrado mais de 30 vezes por algumas das mais famosas orquestras como a Sinfônica Brasileira, regida pelo Maestro Eugen Szenkar, a do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, com coro, regidos por Heitor Villa-Lobos, a Banda do Corpo de Bombeiros, Banda do Corpo de Fuzileiros Navais, Banda Internacional e outras.

Logo após a proclamação da Independência, em 7 de Setembro de 1822, os brasileiros adotaram como seu hino a música feita em parceria pelo próprio príncipe Dom Pedro (melodia) e Evaristo Ferreira da Veiga (versos), e apresentada em 16 de agosto de 1822 com o título de Hino Constitucional Brasiliense. À letra falta o "ou ficar a Pátria livre ou morrer pelo Brasil", e o principal executante era o maestro Marcos Portugal, de quem a autoria teria sido subtraída em 1824 pelo imperador.

Com a abdicação de Pedro I ao trono brasileiro, em março de 1831, Francisco Manuel da Silva — músico que ansiava pela partida do imperador e combatia os maestros Marcos e Simão, pretensos donos da verdade e então ditadores da música oficial — , lançou como marcha de despedida do primeiro Pedro, a melodia hoje apresentada como Hino Nacional.

Assim, foi ao som do hino criado por um de seus perseguidos que a fragata inglesa Volage levantou âncoras levando Pedro I e a sua família para Lisboa.

Segundo Luís Heitor de Azevedo Correia, essa marcha tinha letra de Ovídio Saraiva de Carvalho e Silva, e foi cantada pela primeira vez no cais do Largo do Paço (ex-cais Faroux, atual Praça 15 de Novembro, no Rio de Janeiro), em 13 de abril de 1831. Foram encontrados, mais tarde, alguns versos feitos pelo desembargador e poeta piauiense, Ovídio Saraiva, dizendo o seguinte:
Os bronzes da tirania
Já no Brasil não rouquejam
Os monstros que a escravizam
Já entre nós não vicejam
Eis se desata
Do Amazonas
Até o Prata
O Hino Nacional Brasileiro permaneceu sendo aquele supostamente composto por Pedro I e Evaristo da Veiga, embora em 1841, na coroação de Pedro II, tenha sido novamente executada a marcha de Francisco Manuel da Silva, com letra diferente da primeira e de autor desconhecido. Dizia:
Negar de Pedro as virtudes
Seu talento escurecer
É negar como é sublime
Da bela aurora, o romper.
Medíocre a versalhada, mas na frente do imperador...

Com a proclamação da República, tornou-se inadmissível, para os ocupantes do poder, que o, então, Estados Unidos do Brasil tivessem um hino de origem monárquica. Para substituí-lo, pensou-se em confiar a tarefa a um compositor profissional.

Vitória do velho

Informa-se que Carlos Gomes, convidado a fazê-lo, recusou-se, por amizade ao segundo Pedro. Assim, vingou a idéia alternativa da promoção, em outubro de 1898, de um concurso, vencido por um amador, o farmacêutico Ernesto Fernandes de Sousa, com versos de Medeiros e Albuquerque.

O jornalista Oscar Guanabarino denunciou o resultado em artigo publicado em 4 de janeiro de 1890. Revelava que o concurso fora instituído para eleger uma composição musical, pois a letra de Medeiros e Albuquerque já fora previamente escolhida pelo Ministério da Justiça. Se para isto tinha havido escolha e não concurso, melhor seria que também se tivesse escolhido um músico profissional capaz de inspirar-se na poesia e produzir um hino correto. E sugeria o nome do maestro Leopoldo Miguez.

O ditador Deodoro e os ministros ouviram no Teatro Lírico todas as composições. Leopoldo Miguez, que resolvera concorrer, foi declarado vencedor. A banda apresentou mais uma vez a partitura por ele assinada. Porém, a pedido do público, foi também executada a marcha de despedida a D. Pedro I, composta em 1830 por Francisco Manuel. O povo a considerava seu hino nacional, mas, sem letra, não podia cantá-la. Comparando-a com o trabalho de Leopoldo Miguez, o marechal Deodoro da Fonseca decretou:

— Prefiro o velho!

Como consequência, naquela mesma noite de 20 de janeiro 1890, foi redigido pelo ministro do Interior, Aristides Lobo, um decreto conservando e instituindo como hino nacional a música de Francisco Manuel e adotando, como Hino da Proclamação da República, o de Leopoldo Miquez.

De 1831 a 1890 os mais diferentes versos tinham sido juntados à composição de Francisco Manuel, muitos deles em adaptações inadequadas, impregnadas de regionalismos e principalmente de posistivismo semicolonial e latifundiário.

A situação ainda perdurou por mais de cinco anos, até o deputado e escritor Coelho Neto, em 1906, propor da tribuna da Câmara que se fizesse "um poema condigno" para a música de Francisco Manuel da Silva. Foram-se dois anos até o ministro da Justiça, Augusto Tavares de Lira, nomear uma comissão para rever o Hino, integrada Alberto Nepomuceno, então diretor do Instituto Nacional de Música, e os maestros Francisco Braga e Frederico Nascimento.

A Comissão de 1908 sugeriu a abertura de um concurso para a escolha da melhor letra, com prêmio de 2 contos de réis. Vários poemas concorreram, vencendo o apresentado por Joaquim Osório Duque Estrada em 1909 como Projeto de Letra Para o Hino Nacional Brasileiro, tendo os seguintes versos iniciais:
Ouviram do Ipiranga às margens plácidas
Da Independência o brado retumbante
E o sol da liberdade, em raios fúlgidos
Brilhou no céu da pátria nesse instante.
Em 1916, o poeta introduziu modificações no poema, que ficou como se discute até hoje.

A 21 de agosto de 1922, o Decreto nº 4.559 autorizou o Poder Executivo a adquirir a propriedade dos versos e, na véspera do Centenário da Independência, o Decreto nº 15.671, de 6 de setembro de 1922 declarava oficial essa letra.

Em 1º de outubro de 1936, Getúlio Vargas assinou o Decreto nº 259, que, além de consagrar a orquestração de Leopoldo Miguez, a instrumentação para bandas, do 2º Tenente Antonio Pinto Junior do Corpo de Bombeiros do então, Distrito Federal, no tom original de si-bemól; e, para canto, em fá. O trabalho de Alberto Nepomuceno, ainda estabelecia a obrigatoriedade do cântico "nos estabelecimentos de ensino mantidos ou não pelos poderes públicos".

Enfim, um hino que não faz mal a ninguém: não toma partido, não perturba a velha ordem latifundiária, burocrática e semicolonial e que o povo não entende. Melhor do que isso, impossível.

A abdicação em CD

No início deste ano uma editora independente lançou o disco Brasil Imperial trazendo uma compilação de modinhas e lundus do século XIX gravados pela soprano Luiza Sawaya em trabalhos anteriores.

Ora acompanhada pelo piano de Achille Picchi, ora pelo pianoforte de Pedro Persone, a cantora interpreta com precisão canções do Padre José Maurício, Marcos Portugal e Sigismund Neukomm, entre outros. De grande interesse no disco também é a reedição da única gravação disponível do hino ao Sete de Abril. Em 1831, Francisco Manuel da Silva compôs um hino para comemorar a abdicação do primeiro Pedro , ocorrida no dia 7 de abril. Com letra atribuída a Ovídio Saraiva de Carvalho e Silva, este hino foi executado alguns dias depois, e a aceitação imediata fez com que fosse reapresentado diversas vezes e ficasse conhecido como "Hino Nacional".

Embora tenha havido a tentativa de se escolher um novo hino com a Proclamação da República, permaneceu a música de Francisco Manuel, recebendo a nova letra de Osório Duque Estrada em 1909.

A parte que hoje conhecemos como Introdução do Hino Nacional (e que só é tocada), já teve letra:
Espera o Brasil
Que todos cumprais
Com vosso dever
Eia, avante, brasileiros, sempre avante!
Gravai com buril
Os pátrios anais
Do vosso poder
Eia, avante, brasileiros, sempre avante!
Servir o Brasil
Sem esmorecer
Com ânimo audaz
Cumprir o dever
Na guerra ou na paz
À sombra da lei
À brisa gentil
O lábaro erguei
Do belo Brasil
Eia
sus*, Brasil!
Não se perdeu nada pelo visto. E a peça permanece, até que o povo brasileiro crie o seu verdadeiro hino, emergindo da efervecência do movimento de massas. Mas essa é outra história, outra despedida e, principalmente, aquela que contará o glorioso nascimento de um Brasil regido pelo povo trabalhador, livre, independente, revolucionário.


sus — segundo Aurélio Buarque de Holanda, é uma interjeição motivadora que vem do latim e que significa: suspender, elevar

domingo, janeiro 16, 2011

MUNDO

Colaborador de nazistas ucranianos perde o título de "Herói da Ucrânia"
Por Cristiano Alves

O famoso colaborador de nazistas Stepan Bandera, outrora declarado "Herói da Ucrânia" durante o governo de Yuschenko, o mesmo que tanto propagandeou o "Holodomor" teve seu título revogado pelo poder judiciário ucraniano, conforme noticiado no The New York Times1.

   Organização neonazista ucraniana com bandeirão de Bandera em estádio de futebol: "Bandera, nosso herói"

Embora o tirano alemão Adolf Hitler considerasse os eslavos como uma uttermensch(raça inferior), ele e sua gangue nazista viam os colaboracionistas como um importante elemento na política de eliminação racial, usando judeus contra judeus através dos destacamentos armados denominados kapos, responsáveis pela manutenção da repressão nos guetos e campos de concentração. Deste modo, ao invadir a Ucrânia, os nazistas usaram-se de movimentos cujas raízes nasceram na parte ocidental da Ucrânia, outrora sob domínio polonês, que veio a ser incorporada à URSS somente em 1939. Vale salientar que, ironicamente, nomes como Stepan Bandera, antes prisioneiro da justiça polonesa, fora libertado pelos soviéticos, uma vez que o direito da URSS não reconhecia o direito do então extinto Estado polonês.

Com a invasão dos fascistas alemães, o movimento conhecido por Organização dos Ucranianos Nacionalistas - Exército de Libertação da Ucrânia(OUN-UPA), em realidade pseudônimo para sua organização nazista, junto com a organização de nome similar de Andri Melnik, atuou como pitbull de Hitler na Ucrânia, promovendo atrocidades contra a população local que não aderisse o seu movimento, principalmente civis não-combatentes. As atividades colaboracionistas desta organização de facínoras foi documentada pelo Exército Americano em pelo menos 9 álbuns da inteligência, relatada por sobreviventes do holocausto judeu, inclusive o famoso diário de Rudi Weiss, e condenada por poloneses e soviéticos, tendo sido ainda combatida pelos últimos. Embora o Comissariado Popular de Assuntos Internos(NKVD) tenha logrado em desmantelar a organização banderista após a II Guerra Mundial, Stepan Bandera conseguiu fugir para a Alemanha Ocidental, que sendo país vassalo dos EUA, concedeu asilo a vários criminosos nazistas.

     Vítimas do terror banderista e cartaz atacando o "bolchevismo judeu": "Stalin está com os judeus"

Segundo o Professor Vladimir Herasymchuk2, ucraniano, todos os funcionários do governo de colaboração na Ucrânia foram instalados pelos fascistas alemães, o próprio Bandera recebeu seu bastão de oficial destes mesmos. O colaborador de nazistas anunciava que "nossa autoridade deve ser terrível", recomendando a matança de todos que ficassem em seu caminho e no de seu regime. De acordo com um artigo de Olexa Panasenko, do jornal "Tovarisch", "aqueles que não quisessem cumprir as ordens destes nacionalistas ucranianos, o Destacamento de Segurança da OUN/UPA, não apenas recebiam entre 30 a 50 chibatadas, mas eram fisicamente mortos. Por que Sidor K. Oniskovets, vivendo na vila de Innje, região de Sernetsky, não quis juntar-se à UPA, primeiro eles mataram-no em frente aos seus filhos, com um machado. Depois, mataram quatro membros de sua família e, por último, seu filho de dois anos, Ivan, pela "glória da Ucrânia" eles cortaram sua perna e com o seu nome escreveram em um muro: "Por ato de traição contra a Ucrânia".

          Cartaz de recrutamento da Waffen SS e Yuschenko com colaboradores de nazistas

Num esforço de reescrever a história, a administração de Viktor Yuschenko exaltou figuras como Ivan Mazepa, Roman Shuhkevich e Stepan Bandera, conhecidos colaboradores do invasor(o primeiro colaborara com os suecos, quando o Rei Carlos XII invadiu a Rússia de Pedro, o Grande, ao passo que o segundo se tornara um comandante da Waffen SS Galizen3). A reabilitação deste tipo de criminoso tornou a Ucrânia um dos países a promover o revisionismo e reabilitar o nazismo, junto com a Estônia e Letônia, um passo denunciado por vários grupos ativistas de Direitos Humanos, associações de veteranos, historiadores e outros cidadãos ucranianos. Sobre o movimento colaboracionista ucraniano recaem muitas acusações sobre crimes graves, tais como a "limpeza étnica" de judeus. Segundo o documentário bielorrusso "A verdade vergonhosa sobre Hatyn", os colaboradores nazistas ucranianos teriam sido responsáveis por um dos episódios mais horrendos da II Guerra Mundial, o massacre de Hatin, na Bielorrússia, cuja população inteira foi incinerada viva dentro de uma igreja, incluindo mulheres e crianças, incidente dramatizado no clássico do cinema "Idi i smotri"(Vá e veja). Até recentemente, acreditava-se que teria sido obra exclusiva dos alemães.

                      Propaganda anti-judaica em rede social, feita por banderistas ucranianos

Assim como o KGB logrou em executar a sentença de morte do facínora  Stepan Bandera, responsável pela morte de milhões do seu próprio povo, na antiga Alemanha Ocidental, é importante que, após este passo em direção à democracia, o povo ucraniano pressione o atual governo ucraniano para que este possa extirpar do país toda a sorte de movimentos neonazistas e revisionistas no país de nomes como Ludmila Pavychenko e de Timoshenko(não confundir com a Primeira-Ministra pró-imperialista da Ucrânia atual), assim como desmascarar em caráter oficial a grande farsa do holodomor.

                                 Manifestação anti-fascista na Ucrânia

1- LEVY, Clifford J. 'Hero of Ukraine' Award to Partizan leader is revoked. Artigo do jornal The New York Times. Em http://www.nytimes.com/2011/01/13/world/europe/13ukraine.html?_r=1&scp=1&sq=Hero%20of%20ukraine&st=cse
2- HERASYMCHUK, Vladimir. No rehabilitation to the national fascism. Artigo no jornal Northstar Compass. Em http://www.northstarcompass.org/nsc0203/herasym.htm
3- Braço da Waffen SS, organização terrorista formada pelos nazistas mais extremistas. Para pertencer à esta organização, era necessário ter ascendência de "sangue puro" alemão no mínimo até o século XVIII, recrutando ainda elementos colaboradores nos países ocupados. Estes destacamentos eram com frequência formados por elementos infiltrados formados na Alemanha nazista, assim como marginais, desertores e ex-kulaks expropriados. Muitos de seus membros eram obrigados a servir na OUN-UPA ou na Waffen SS Galizen, para atuar como policiais nazistas nos territórios ocupados.

sábado, janeiro 15, 2011

BRASIL

Prostituição, ao invés de jornalismo na Folha de São Paulo
Por Cristiano Alves

No último final de semana, uma notícia choca à toda a comunidade cristã brasileira: "Dilma manda retirar Bíblia e cruxifixo de seu gabinete". Essa notícia foi divulgada em jornais impressos e no site deste bordel, em letras garrafais e sem sequer ser assinada.

A "notícia"1 tinha basicamente a seguinte estrutura textual, seis parágrafos. Destes seis, apenas dois se dedicavam ao que é dito no título, os demais apenas se limitavam a dar uma de "Caras" ou talvez "Capricho", dizendo que a presidente mandou trocar os estofados, trocou um computador desktop por um laptop e não tolera atrasos, no final da notícia, alega que a presidenta se sente mais a vontade do que nos dias das eleições.

Enfim, apenas dois parágrafos para falar do assunto proposto e quatro para "encher linguiça", esse é o tipo de "jornalismo" que somos obrigados a tolerar. Ainda que essa notícia fosse verdadeira, ignorando a paupérrima estrutura textual, deve-se perguntar, desde quando o Brasil é uma teocracia? Para quem não sabe, diz a Constituição da República Federativa do Brasil que:

"Art. 5°.
(...)
VI - é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias;"

Ainda, o artigo 19 do referido documento, alega que:

"É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:
I – estabelecer cultos religiosos ou igrejas, subvencioná-los, embaraçar-lhes o funcionamento ou manter com eles ou seus representantes relações de dependência ou aliança, ressalvada, na formada lei, a colaboração de interesse público"

Isto é, inexiste qualquer obrigatoriedade do Estado de colocar símbolos religiosos em lugares públicos, seja o crucifixo, Bíblia, Quarto crescente, Estrela de Davi, estátua de Vishnu, de Iemanjá, pé-de-coelho, pentagrama... Aliás, parte da doutrina jurídica defende inclusive a inconstitucionalidade da existência de símbolos religiosos em prédios públicos, inclusive renomados juristas como Pontes de Miranda, dentre vários outros doutores no assunto, quase todos, diga-se de passagem, cristãos convictos. Interessante ressaltar que a liberdade que existe hoje, seja para o ortodoxo, o católico, o protestante, judeu ou muçulmano, se deve à liberdade garantida pelo modelo repúblicano. Em grandes cidades como São Paulo, por exemplo, percebe-se catedrais, sinagogas, mesquitas, terreiros, todos outrora proibidos nos tempos do Império. Vejamos o que dizia a constituição do Império Brasileiro de 25-3-1824, em seu artigo 5°, a respeito do assunto:
"a religião Catholica Apostólica Romana continuará a ser a religião do Império. Todas as outras Religiões são permitidas com seu culto doméstico ou particular, em casas para isso destinadas, sem forma exterior de templo"2

                   Catedral ortodoxa e sinagoga em São Paulo. Nos tempos do Império, estes templos jamais existiriam

Como vimos, nada obriga nenhuma personalidade pública a manter qualquer tipo de objeto religioso em sua sala de trabalho. Ocorre, entretanto, que apesar de todos estes fatos, a notícia apresentada pela Folha de São Paulo é falsa, tendo sido, inclusive, prontamente desmentida  pela jornalista e ministra Helena Chagas, que de tão pouca importância que deu a esse jornal, respondeu por Twitter as acusações. Ocorre que o crucifixo que teria sido retirado era em realidade do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva, tendo origem portuguesa e sido dado a este por um amigo. A Bíblia está em cima de uma mesa, numa sala contígua, e também a presidenta não trocou um desktop por um laptop, isto é, a notícia é praticamente quase inteiramente falsa, fruto de um produto de prostituição de indivíduos que venderam seus corpos mentes e almas ao capitalismo liberal, ideologia predominante na Folha de São Paulo.

O impacto desta notícia foi visível em redes sociais, onde em comunidades de católicos vários indivíduos, tomando por verdade o que foi escrito na FSP, começaram a choramingar, ignorando princípios constitucionais elementares.

Exemplo de falsificação grotesca. O aborto não fazia parte do programa de governo do PT. Como retirar o que não há?

Assim, em razão destas e de outras pseudo-notícias, como o famoso caso da Coréia Popular, que não transmitiria os jogos da Copa do Mundo de 2010, exceto em caso de vitória do time, o que se mostrou falso, é que constitui uma verdade inexorável alegar que nesse tipo de jornal não trabalham jornalistas, mas sim trolls3, e que aquilo que se lê na imprensa da burguesia é falso até que o contrário seja provado, a julgar pela enorme quantidade de notícias falsas e factóides. Embora Dilma tenha já alegado que prefere o barulho da imprensa ao silêncio das ditaduras, é importante enfatizar que "imprensa" jamais poderá ser confundido com casas de fofoca ou prostituição que, por sua falta de ética e de profissionalismo, distorcem o sentido da palavra "jornalismo", razão pela qual este instrumento nefasto não deve ter sua concessão renovada

A credibilidade da Folha de São Paulo é a mesma de um pedaço de papel higiênico sujo, não merecendo a consideração de qualquer pessoa séria. É parte integrante de um sistema sujo. O capitalismo mais reacionário sustenta-se através de mentiras e falsificações, conforme já demonstrado em A Página Vermelha, tudo isso para encobrir os crimes de um modelo nefasto e genocida. Aqueles que defendem a sua ideologia ou simplesmente com ele simpatizam são cúmplices de todos os seus crimes.

2-  QUEIROZ, Fernando Fonseca. Brasil: Estado laico e a inconstitucionalidade da existência de símbolos religiosos em prédios públicos. Artigo jurídico publicado no site Jus Navigandi. Em http://jus.uol.com.br/revista/texto/8519/brasil-estado-laico-e-a-inconstitucionalidade-da-existencia-de-simbolos-religiosos-em-predios-publicos
3- Troll: denominação usada na internet para indivíduos cujo objetivo é semear a discórdia, normalmente a partir de notícias falsas ou mentiras. Um exemplo clássico de troll é o indivíduo que, numa página sobre música clássica escreve que "aqueles que ouvem música clássica são menos homens do que quem escuta outro gênero". A expressão é uma referência à criatura mitológica sueca, citada nos livros de Selma Lagerlöf, cuja atividade principal era destruir o que os homens construíam, razão pela qual gostavam de viver em ambientes subterrâneos.

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segunda-feira, janeiro 10, 2011

HISTÓRIA

O futuro do socialismo(trecho de entrevista com Anita Leocádia Prestes)



A historiadora condena os que, desde a dissolução da União Soviética, vêem o socialismo como uma ideologia em crise, deslocada da realidade.

"Eu acho que este pensamento se insere dentro da luta ideológica que citei. Sem dúvida, erros e até crimes muito sérios foram cometidos na construção do socialismo, na União Soviética e em alguns outros países do Leste Europeu. Isto foi bem aproveitado pelo imperialismo, palavra que hoje em dia está fora de moda, mas isso foi bem aproveitado e os agentes do imperialismo souberam utilizar as insatisfações justas que existiam na população desses países, em particular a da URSS. Isto contribuiu para a derrota atual, muito séria. Mas, na minha opinião, isto não invalida os objetivos socialistas".

"O socialismo, desde Karl Marx e Friederich Engels, tornou-se uma ciência deixou de ser uma utopia, mesmo que determinadas sociedades tenham cometido graves erros ao tentar implantá-lo. sendo até derrotadas. Isto, porém, não invalida a teoria. É preciso levar em conta que esse socialismo real, que a URSS viveu, teve uma série de características e condições que dificultaram seu desenvolvimento socialista. Em primeiro lugar, é preciso lembrar que a União Soviética foi o primeiro país a experimentar o socialismo e o fez num grande isolamento: de início, 14 países imperialistas fizeram-lhe guerra e invadiram a Rússia Soviética dos primeiros anos. O país era muito atrasado economicamentee e esse ponto de partida já dificultou muito a edificação socialista. Era um socialismo com problemas muito sérios, não era a utopia da massa que se imaginava, um regime popular que seria vitorioso sobre aqueles países capitalistas mais avançados".

Ela lembra que, duas décadas depois, a Segunda Guerra Mundial iria impor um retrocesso muito grande para a URSS. 'Basta lembrar que o pais perdeu 20 milhões de pessoas, além de prejuízos materiais extensos. Toda a Rússia Européia foi praticamente destruída. Imagine a dificuldade para edificar o socialismo em meio a situações tão devastadoras", aponta.
"É preciso salientar que o socialismo não se constrói na base da miséria, do atraso, da falta de recursos."


Família russa morando em um buraco nas ruínas de Stalingrado. Após a II Guerra Mundial, quando os nazistas arruinaram o país, era assim que viviam 25 milhões de russos





Alguns poucos após a II Guerra, todas as famílias que antes moravam em buracos viviam em apartamentos como estes. Eram pequenos e apertados, mas eram moradias dignas


"Essas dificuldades todas, eu acho que contribuíram para o revés do socialismo, o que eu vejo, porém, como passageiro. A propaganda da direita mundial procura fazer com que a opinião publica mundial esqueça inteiramente as conquistas reais que existiam no campo socialista e, em particular, na União Soviética."

Anita cita algumas das conquistas sociais do regime soviético: "Nenhum país capitalista, por mais adiantado que seja (mesmo os Estados Unidos), resolveu as questões sociais como o fez a União Soviética. Todo cidadão soviético, ainda que modestamente, tinha casa para morar. Podia-se morar apertado, mas com decência, e ninguém morava nas ruas. Todo mundo tinha um emprego, todo mundo tinha escola grátis para os filhos, ensino completo inteiramente gratuito, assim como também assistência médica, estendida a toda a população, além de férias para todo mundo. Quer dizer, um bem-estar generalizado, embora em níveis modestos, devido exatamente àquelas dificuldades já apontadas, provocadas por uma implantação socialista em meio à hostilidade internacional e à guerra. Mas, mesmo assim, os problemas sociais estavam resolvidos na União Soviética, o que até hoje nenhum país capitalista desenvolvido conseguiu dar à sua população."

Menina no lixão: cena constante no Brasil, país maior e mais rico que Cuba, onde não há a mesma cena

Veja o caso de Cuba: "Apesar de todo o bloqueio e das condições naturais modestas, pois é uma ilha pequena, Cuba não tem miseráveis, ninguém passa fome, ninguém passa a situação dos miseráveis dos Estados Unidos, ou da Alemanha, ou daqui mesmo do Brasil, que vivem nessa crise gigantesca", assinala a historiadora. "Eu tenho a profunda certeza de que, se meu pai fosse vivo, manteria a convicção que sempre teve, de que o socialismo é a solução para a humanidade. Isto não quer dizer que o caminho do socialismo vá ser exatamente igual ao que se deu na URSS ou em outros países. Os caminhos serão diversificados. Os próprios erros e as experiências desse socialismo que já existiu vão ajudar outros países, futuramente, se possível, a construir sociedades com menos problemas".

"Sem dúvida uma derrota é uma derrota, é problema muito sério. Eu pessoalmente, acho que os comunistas, em âmbito internacional, nessa segunda metade do século, não conseguiram formular uma estratégia para a revolução socialista pelo menos no Ocidente, de acordo com as novas condições. Não conseguiram fazer com a teoria marxista o que Lênin conseguiu fazer no fim do século passado. Lênin inovou. Diante daquela época de imperialismo, ele inovou diante de uma nova realidade. Acho que, na nossa época isso não aconteceu. Mesmo o Partido Comunista Italiano, o mais importante do Ocidente depois da Segunda Guerra, fez várias tentativas, mas não conseguiu. Aqui na América Latina é ainda mais complicado. Quando não se conhece de forma adequada a realidade, quando não se dispõe de pesquisas suficientes para se ter uma visão mais próxima, a tendência é o mimetismo, é a de copiar. E aqui no Brasil essa sempre foi a tendência: copiar o exemplo do exterior, que vem de uma realidade diferente. E o exemplo da Revolução Soviética foi tão esmagador que a tendência era essa mesma: de copiá-la", analisa Anita Prestes.

"Quando ocorre uma derrota a tendência é achar que tudo estava errado e perder a orientação. Isto também é humano. O socialismo está num período de crise, sem dúvida. Novos caminhos terão que ser encontrados. Mas o socialismo não acabou. Enquanto houver capitalismo, a teoria marxista basicamente continua válida. O marxismo, porém, não é um dogma. Como dizia Lênin, o marxismo tem que ser estudado, aplicado e desenvolvido. Não se trata de ficar repetindo o que Marx e Lênin disseram. Trata-se de encontrar os caminhos para o socialismo nessa realidade de hoje, que é bastante complexa e diferente, Ievando-se em conta também a especificidade de cada pais. É o que os cubanos estão procurando fazer."'

Divisão e crise

"O meu pai sempre dizia que, a partir da luta dos trabalhadores, é que surgiriam novas lideranças, que se encontrariam novos caminhos para o socialismo, para a construção de novos partidos e organizações capazes de levar adiante a luta. Eu acho que, no panorama brasileiro atual, nenhuma organização partidária é realmente revolucionária com uma proposta de mudanças e avanços. Mas acredito que acabará surgindo."

Anita Leocádia Preses: "Eu acho que, no panorama brasileiro atual, nenhuma organização partidária é realmente revolucionária com uma proposta de mudanças e avanços. Mas acredito que acabará surgindo"

De acordo com Anita, nosso próprio processo de formação da sociedade brasileira prejudica essa evolução, a partir do movimento popular. A classe dominante brasileira sempre viu triunfarem seus esforços para impedir a organização popular. Isso levou a um crescente desanimo, a uma descrença por parte da população. No século XIX, por exemplo, quantos movimentos populares não foram esmagados? E no nosso século, no período de 1934-35, havia um entusiasmo popular enorme, e logo veio uma derrota. Depois, tivemos outro grande surto de entusiasmo nos anos 60, cortado pelo golpe militar de 1964."

Ela atribui a um fato o pouco avanço social: "Vejo o povo trabalhador altamente desorganizado. Hoje em dia temos, porém uma novidade, o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra, um movimento de organização elogiável. A própria participação da Igreja Católica é outro fator positivo. Mas, ao longo da história, nossa trajetória é de um movimento popular desorganizado, porque, quando tenta se organizar. vem a repressão."

"A repressão, que houve após 1964, desestruturou e amedrontou as pessoas. Vejo isto na universidade: pessoas muito insatisfeitas, mas descrentes das lideranças, desestimuladas, desinteressadas até para defender seus próprios interesses, as causas as que as afetam diretamente. Assim, é difícil que venham a levantar bandeiras por causas mais amplas."
Anita não julga irremediável esta situação. "Não é uma fatalidade que isto deva permanecer assim. Até mesmo por causa do agravamento da situação social, vai chegar o momento em que haverá uma reação. É neste processo que surgirão novas lideranças, novas formas de organização. Não existe, para o movimento social. uma espécie de receita de bolo. Por enquanto, porém, as forças de esquerda continuam divididas."

Josef Mengele, o "médico monstro", denominado "O anjo da morte", nazista e integrante da Waffen SS, responsável por conduzir experimentos sádicos com seres humanos vivos. Conviveu no Brasil tranquilamente,  até sua morte, abrigado pela mesma tirania fascista que prendia e torturava comunistas

A ditadura exerceu um papel muito negativo na formação de lideranças no pais, segundo Anita. "A ditadura impediu que as pessoas pensassem, esterilizou o pensamento. Daí, o que vemos é que nas esquerdas só surgiu o Lula no final dos anos 70. As demais lideranças existentes, como Brizola e Arraes, sao pré-64", afirma.

Anita Prestes lamenta também, que os jovens de hoje sejam as maiores vítimas desse tipo de situação.

"Atualmente, podemos observar na juventude um baixo interesse pela participação política. Existe um clima de desalento, de desencanto mesmo. A politica é vista como sinônimo de safadeza. Cada rapaz e cada moça estão mais interessados em cuidar de sua própria carreira profissional"

segunda-feira, janeiro 03, 2011

MUNDO

O significado da vitória de Alexander Lukashenko na República de Belarus
Por Cristiano Alves

                                         
Presidente A. Lukashenko, em uniforme de Comandante das FFAA bielorrussas, no dia 9 de maio

O presidente Alexander Lukashenko, da República de Belarus, inaugurou seu novo mandato neste ano de 2011, após derrotar a oposição nas eleições com 79% dos votos. Sua vitória representou uma conquista para os trabalhadores daquele país, que não sofre os efeitos da economia capitalista adotada nos países da ex-URSS. Belarus não é um país socialista, porém preservou muitas características da URSS e mantém uma economia em crescimento, embora ainda muito dependente da vizinha Rússia.

                  
                                                                         "Por uma Belarus para o povo"

Conhecida por suas ruas limpas, Belarus adota o lema segundo o qual "limpo não é o lugar onde se limpa, mas aquele onde não se suja", é um país do tamanho do Estado do Ceará e sua população é um pouco maior do que a do Estado de Pernambuco, com aproximadamente 10 milhões de habitantes, seu crescimento demográfico é similar ao de muitos países desenvolvido da Europa ocidental, a taxa de vida das mulheres é uma das mais altas da Europa Oriental, o país exporta produtos industrializados para a CEI e a União Européia, estando leite e batatas dentre estes, além de TVs e principalmente tratores. No país funciona o planejamento econômico estatal, embora exista um mercado no país, assim como o controle de importantes recursos minerais pela iniciativa privada. Também há companhias multinacionais no país, embora em pequena quantidade. Mais da metade dos empreendimentos econômicos são estatais. A educação e a saúde no país são gratuitos para a maioria da população. As ruas, além de limpas, são seguras e em Belarus, diferente do resto da Europa, não existem organizações abertamente fascistas ou neonazistas, uma vez que são proibidas por lei e caçadas pelo KGB, que ainda existe no país. A discriminação por motivos de etnia praticamente inexiste no país, inclusive sendo proibida por lei, assim como o analfabetismo. Na Bielorrússia todos tem moradia, inexistindo crianças de rua ou mendigos no país, diferente das demais ex-repúblicas soviéticas.

                             
 "Em Belarus e em Gomyel não há organizações racistas. Eles esperam por você na Ucrânia e na Rússia"

A importância política de Belarus se dá no ponto em que o povo deste país conseguiu banir da política os elementos entreguistas, que planejavam fazer no país as mesmas refrmas liberais de Yeltsin na Rússia ou Kuchma na Ucrânia, o que resultou numa catástrofe econômica e enorme prejuízo para os povos destes países, exceto para um reduzido grupo de oligarcas e cleptocratas destes países. Com a eleição de Lukashenko, em 1995, houve um forte combate à corrupção, o que praticamente a varreu do país. A forte política de segurança interna protegeu Belarus do tráfico de drogas, que mostrou-se tão forte em outros países da ex-URSS. Belarus, durante o governo de Lukashenko, também restaurou a bandeira usada nos tempos soviéticos, através de referendo, embora sem a foice e o martelo, seus símbolos e uniformes, além da planificação econômica e do sistema de fazendas coletivas. Quando diversos países ocidentais patrocinaram, no início da primeira década de 2000, aquilo que se conhecia por "revoluções coloridas", em realidade golpes de Estado, tais como a "revolução laranja" na Ucrânia e a "revolução rósea", na Geórgia, Lukashenko anunciou de pronto que "em Belarus não haverá outra revolução laranja", renunciando a todas as ofertas de mordomias e aposentadorias propostas por países ocidentais.

                       
 Yulia Nesterenko, recordistas que foi sensação dos jogos olímpicos de 2004, quando após 20 anos foi a primeira mulher branca e não americana a vencer a prova da corrida de 100 metros, ultrapassando a atleta jamaicana

Sendo Lukashenko o único líder do Leste Europeu e da ex-URSS que mantém uma política voltada para a satisfação das necessidades de seu povo, o presidente bielorrusso tem sofrido várias campanhas contra seu governo e sua pessoa por parte de jornais e governos ocidentais, que visam a todo custo submeter a República de Belarus e dela extrair mão de obra barata, assim como a rota de gás que passa pelo país, da Rússia para a Europa Ocidental. Sua submissão, ainda, possibilitaria ao ocidente implantar mísseis no país e bases da NATO, que são de extrema importância para os bombardeiros invisíveis da Força Aérea Americana(USAF), uma vez que estes não podem ser carregados por porta-aviões. A postura política da República de Belarus nas relações internacionais faz do país um bastião contra o imperialismo. Quando o país aceitou de pronto a proposta de hospedar mísseis russos, em resposta às ameaças dos EUA de instalar mísseis na Polônia, Codoleeza Rice, porta-voz autorizada da ditadura americana, chamou o país de "fortaleza da tirania", expressão que cai como uma luva na Casa Branca, onde trabalham seus companheiros facínoras, responsáveis pela eliminação de milhões de pessoas só no Iraque. Uma das mais vis medidas da União Européia contra Belarus foi o boicote aos produtos bielorrussos e a suspensão de vistos para os integrantes da BRSM(União da Juventude Republicana Bielorrussa), assim como o estabelecimento de entraves para cidadãos bielorrusos que desejassem viajar para outros países.

                   
                                        Militantes da BRSM

O fato é que Belarus é hoje um país livre e independente, apesar dos esforços da Radio Svoboda em difamá-la. Uma vez que Belarus tem uma política fortemente repressora quanto aos narcóticos e o álcool, assim como sendo o país isento de paradas com tendências ocidentais escandalosas e de movimentos neofascistas, há um movimento quase inexpressivo, mas significante, de oposição. Estes costumam carregar bandeiras da União Européia, uma vez que defendem o papel cúmplice de Belarus nos genocídios promovidos pela OTAN, assim como a bandeira usada por Belarus durante a ocupação fascista, branca com uma listra vermelha. Estes promovem a desordem pelo país e incitam os jovens à violência e à desordem, conforme verificado no dia da apuração eleitoral.

                                                    
           Turistas em visita à Linha Stalin, em Belarus

Assim como jovens brasileiros usaram-se da internet para promover o ódio racista e a desordem, alguns jovens bielorrussos promoveram um circo, pensando ter o sacrossanto direito de promover atos de vandalismo contra o patrimônio público, o que foi prontamente rechaçado pelo povo de Belarus e contido pelo OMON bielorrusso. A reivindicação da oposição era basicamente a mesma de todas as oposições mundiais, a de que o país "não era uma democracia", uma vez que seu candidato não triunfou. A oposição bielorrussa sempre foi um inimigo perigoso da liberdade e da democracia, uma vez que evoca a memória de colaboradores do nazismo e propõe a revisão a história, relativizando os crimes do fascismo, o que explica o fetichismo que estes mantém pelos EUA e pelas políticas genocidas da Organização do Tratado do Atlântico Norte. São títeres da Radio Svoboda e sua vitória representaria um enorme retrocesso nos direitos sociais alcançados pelo povo da República de Belarus, que optou por Alexander Grigorievich como seu governante por mais alguns anos.

                 
                               Defensores do país, em uniformes idênticos aos usados na URSS

De fato, assim como os avós dos bielorrussos foram um enorme obstáculo no caminho dos invasores nazistas, confrontando o inimigo através de guerrilhas de partizans, assim como opondo tenaz resistência na fortaleza heróica de Brest, a Belarus atual representa um enorme entrave no caminho belicista dos mentecaptos do imperialismo, assim como também é um sério problema para os oligarcas russos, que desejam fazer do país uma espécie de neocolônia para suas fortes corporações. Deste modo, Belarus segue num caminho independente com Alexander Lukashenko, devendo este evitar criar serpentes em sua casa, uma vez que estas podem trazer problemas, e buscar um caminho para reconduzir Belarus ao caminho mais amplo para a liberdade e a democracia, outrora já alcançadas plenamente no país.



Comentário em vídeo de Cristiano Alves sobre a oposição bielorrussa e seu papel reacionário (em russo)
FILMES


Brestskaya Krepost (2010)
Por Cristiano Alves



Brestskaya Krepost(A Fortaleza de Brest) é um filme bielorrusso feito em parceria com a Rússia, do ano 2010, ano que marcou os 65 anos da vitória sobre o fascismo. Para muitos este foi talvez o melhor, mas com certeza um dos melhores filmes de guerra feito nos últimos 20 anos, trazendo a guerra da perspectiva dos soldados da heróica guarnição do extremo ocidente da União Soviética, hoje, ponto mais ocidental da República de Belarus, sua produção foi inclusive elogiada por seu presidente, Aleksander Lukashenko.

Muitas pessoas no mundo provavelmente já ouviram falar de Stalingrado, Leningrado ou, se gostam de olhar mapas, talvez mesmo Kaliningrado, que diferente das outras cidades, ainda leva o mesmo nome(a despeito da região de São Petersburgo ser ainda chamada "Região Leningradense"), poucos, entretanto, ouviram falar dos comunistas da Fortaleza de Brest, aliás, os próprios soviéticos, só vieram saber de seus feitos durante os anos 60, quando vieram a tona documentos e depoimentos que relatavam o que realmente aconteceu lá.

 
O jovem cadete Sashka Akimov, que nos relata a história


A Fortaleza de Brest, cidade bielorrussa que foi reconquistada pelos soviéticos em 1939, quando os nazistas invadiram a Polônia e o governo deste país colapsou, deixando de existir de fato e de direito, o que possibilitou aos comunistas retomar áreas de maioria bielorrussa e ucraniana, que 20 anos antes pertenciam a estes países. Esse avanço possibilitou construir uma linha de defesa que retardou o avanço fascista e salvou a capital Moscou, como bem atestado pelo historiador belga Ludo Martens. Um sistema de muralhas, fossos, pontes e torres abrigavam tropas de infantaria e artilharia que guardavam a fronteira que então separava a URSS da Alemanha. O foco do filme está na história de 3 comandantes notáveis desta fortaleza, o major Gavrilov, comandante da Fortaleza, o comissário político Yefim Fomin e o capitão Ivan Zubachyov, todos de etnias diferentes, o primeiro era tártaro, o segundo judeu e o último era russo, entre eles havia algo em comum, eram todos militares, comunistas exemplares e tinham consciência da necessidade de resistir, todos eles receberam a condecoração e título máximos do país: a estrela dourada de Herói da União Soviética.


Foto da parede da Fortaleza de Brest contendo a inscrição "Por Stalin"

O enredo do filme inicia-se com um dia de rotina na vida soviética, 12 horas antes de iniciar a invasão nazista. Livre de clichês holywoodianos, no filme os soldados aproveitam um final de semana com suas famílias tirando fotos, indo a bailes, cavalgando, jogando xadrez, indo ao cinema do quartel ou namorando. Seu principal relator é um garoto, cadete da banda musical, que testemunhara de perto a guerra, tal como o garoto do filme "Idi e Smotri"(Vá e veja), de 1985, também bielorrusso. Alguns soldados, entretanto, discutem rumores trazidos por desertores alemães e por poloneses, anunciando uma eminente invasão alemã, o que entretanto não foi levado a sério, visto que falavam em eminentes datas. O comandante da guarnição, o Major Gavrilov, já tinha suas preocupações e a propagação deste rumor acaba levando a Fortaleza a receber uma visita de um agente do NKVD, um jovem tenente que fora investigar a origem dos rumores. Diferentemente dos filmes de guerra ocidental, notadamente antisoviéticos, o tenente do NKVD não é um açouguero sedento de sangue interessado em fuzilar soldados soviéticos, é um personagem simpático, que dança muito bem, a despeito de seu peso avantajado, e que é cortêz com seus camaradas do Exército.


Major Pyotr Mihailovich Gavrilov em foto jovem(esq.) e Alexander Korshunov em seu papel(dir.)


De fato, o filme traz um tópico abordado até então apenas no "Comando 10 de Navarrone", o uso de tropas diversionárias. No filme, de um trem recém chegado com uma suástica chegam vários soldados portando uniformes comunistas, do NKVD, e armas soviéticas, todos falando alemão, diversionários que cortaram as comunicações e a eletricidade da Fortaleza, de modo a dificultar sua defesa, um desses diversionários, numa tentativa frustrada de levar os soldados para uma cilada, é desmascarado pelo tenente do NKVD, que o identifica por causa da tacha de seu coturno, de origem alemã. Numa outra cena, os nazistas capturam os civis que estavam na Fortaleza e oferecem todos eles em troca do comissário político, que anda até eles desarmado, só que ao invés do que ocorreria num filme americano, o comissário grita a todos para deitarem-se e snipers e metralheiros abatem os fascistas.

            Comissário político Yefim Fomin e Pavel Derevyanko representando o seu papel, em Brestskaya Krepost


Brestskaya Krepost traz algumas cenas muito fortes, embora sem excessos gráficos, numa delas, por exemplo, civis são colocados para fora da Fortaleza, até serem metralhados pelos alemães, após algum tempo, no filme, um carro de combate passa por cima dos corpos, com suas lagartas, o que deixa o chão completamente vermelho, embora isso aconteça com a câmera muito alta, filmando de cima a cena. O filme traz alguns soldados sem braços, vítimas das bombas alemãs, e há uma cena em que a bela mocinha que namorava o militar responsável pelo cinema acaba sendo capturada pelos nazistas, o filme, diferente de Vá e Veja, não retrata o que exatamente aconteceu à moça. Outra cena produzida, ainda, é a dos bombardeios Stuka, assim como um dogfight de dois caças nazistas contra um comunista

                                        Avião soviético abatido em combate no filme Brestskaya Krepost

Brestskaya Krepost não traz tantos clichês patrióticos da era soviética, procurando enfatizar a luta que os soldados travaram, embora sem desvinculá-los do seu significado político. A cena, por exemplo, em que o Major Gavrilov faz um discurso pregando a resistência incondicional e envia o garoto que relata-nos a história para anunciar a todos os outros que comandavam a guarnição para que resistissem. Talvez os americanos, antes de fazer seus filmes injuriosos e difamatórios contra os comunistas do Exército Vermelho, jamais soubessem que a Fortaleza de Brest levou mais de 1 mês para ser tomado pelos nazistas, em razão da sua obstinada resistência, feita sob cerco, praticamente sem água, sem reforços, sem diretrizes do governo e praticamente sem comunicação, exceto por um telegrafista que repete uma voz que faz eco na mente do espectador: "ya krepost, ya krepost, derjú abaronu"(sou a fortaleza, sou a fortaleza, mantenho a defesa).

Para muitos historiadores, a Fortaleza de Brest representou o prólogo da vitória do humanismo sobre o racismo, tendo sido um enorme obstáculo no caminho dos fascistas. Estima-se que 5% do efetivo total alemão, só nos primeiros dias, foi perdido na Fortaleza de Brest. Embora ela tenha caído no final de junho, alguns soldados continuaram a oferecer resistência a partir dos esgotos, incluso o proprio major Gavrilov. Uma vez que o livro de Sergei Smirnov, jornalista investigativo, foi publicado em 1957, os feitos heróicos dos resistentes da Fortaleza de Brest passaram a ser internacionalmente reconhecidos. Esta guarnição recebeu o título de "Fortaleza Heróica" e hoje é um dos principais pontos turísticos da Bielorrússia, sendo também um importante ponto da guarnição do país, lá serviram nomes como Alexander Lukashenko, atual presidente de Belarus, como guarda de fronteira.

        O então Sgt. Alexander Lukashenko, do Exército Vermelho, hoje presidente de Belarus, na guarnição de Brest

Brestskaya Krepost, sob a direção de Alexander Kott, é um drama de guerra único, uma vez que foca nos primeiros dias da guerra para os soviéticos, assim como Pearl Harbor focou no primeiro dia da guerra para os americanos, com a diferença de que seu desfecho tem um sentido muito mais profundo, assim como o filme como um todo, a julgar pelo realismo de suas cenas, de sua história e a brilhante atuação dos atores, com pouquíssima fantasia. Sem dúvidas um filme que marcará o cinema e tem seu lugar dentre os melhores filmes de guerra já feito nos últimos 20 anos.

                                  

Site oficial: http://brestkrepost-film.ru/

quarta-feira, dezembro 29, 2010

PERSONALIDADES

O espião do século
Por Daniel Alves (originalmente publicado em http://grupogingagoias.com.br/oaprendizverde/?p=87)




Se James Bond é um deus para os espiões ingleses, agora você vai conhecer o diabo. E o melhor é que, ao contrário do personagem 007, ele existiu mesmo na vida real. Estamos falando de Kim Philby, um agente secreto inglês que por mais de 20 anos atuou como espião duplo, trabalhando para os odiados russos comunistas. Seu único problema foi ser bom demais. Depois de um tempo, os russos passaram a suspeitar que Philby fosse um espião triplo: um agente inglês que fingia espionar para os russos apenas para espionar de verdade para os ingleses.

Nascido na Índia em 1912, filho de diplomatas ingleses, Harold Adrian Russell Philby tornou-se comunista na Universidade de Cambridge. “Os movimentos de esquerda eram os únicos capazes de resistir a Hitler”, escreveria anos mais tarde em sua autobiografia My Silent War (“Minha Guerra Silenciosa”, de 1968, inédito em português). Era uma visão comum no início dos anos 30, e muitos jovens da alta sociedade abraçaram o comunismo como alternativa ao nazismo. Mas havia outra razão, inconfessável à época: “Não se recusa convite para entrar numa organização de elite”. Pois ele não recusou quando a polícia secreta soviética, a KGB, o recrutou junto com outros quatro estudantes. O grupo ficaria conhecido como o “Círculo de Cambridge” e ninguém poderia prever o sucesso que alcançaria. Desde o início a idéia era que servissem de “espiões duplos”, trabalhando para órgãos oficiais do Ocidente e repassando informações para a União Soviética.

Discreto e incontrolavelmente gago, o que lhe conferia um ar ingênuo, Philby começou a arquitetar seu plano de infiltração nos altos escalões do governo inglês. Criou uma imagem pública de extrema direita, chegando a juntar-se a associações pró-nazistas. Como jornalista, foi à Espanha cobrir a Guerra Civil e escreveu artigos extremamente tendenciosos defendendo o general Franco. A inteligência britânica revelou documentos sugerindo que ele tinha sido recrutado por Stálin para assassinar Franco. Se for verdade, Philby falhou feio: em 1938, ele recebeu uma medalha das mãos do próprio Generalíssimo, que não só sobreviveu ao agente como governou a Espanha por 39 anos.

Em 1940, o espião e ex-colega de Cambridge Guy Burgess conseguiu arranjar a entrada de Philby no serviço secreto britânico, o SIS (Secret Intelligence Service). O emprego que ele arrumou não poderia ser melhor: Philby passou a ser instrutor de espiões do SIS e, com o fim da guerra, ficou responsável por monitorar toda a espionagem russa na Inglaterra. O estrago foi enorme. Ele mesmo treinava espiões ingleses para infiltrar na Rússia e depois os denunciava à KGB. Ao mesmo tempo, impedia a divulgação de qualquer informação que pudesse revelar os espiões russos infiltrados na Inglaterra – como ele próprio.

Em 1949, ele chegou a ser desmascarado, mas virou o jogo. Philby arranjou a fuga para outro espião duplo e logo ficou claro que havia sido alguém das internas. As suspeitas caíram sobre Philby, que negou enfaticamente. Sua principal defesa era que estava envolvido com espionagem soviética por ordem do próprio serviço inglês. Foi tão convincente que ganhou apoio do governo, que o chamou de “herói”. Resultado: só foi desmascarado definitivamente 12 anos depois.

Em 1963, Kim Philby desertou para Moscou, onde não teve a recepção que esperava. As informações que passava eram tão boas que a KGB suspeitou que ele tinha se tornado um agente “triplo”. Só foi reabilitado nos anos 80, quando recebeu a Ordem de Lênin. Após sua morte, em 1988, aos 76 anos, o governo soviético lançou um selo com sua imagem. Uma imagem que, na realidade, mudava completamente de acordo com a situação. E foi essa personalidade camaleônica a razão de sua glória e de sua desgraça. Ao mesmo tempo que desviou as suspeitas de si, o Espião do Século gerou a desconfiança eterna daqueles a quem serviu lealmente por toda a vida.
PERSONALIDADES

Uma Patricinha pelo proletariado

Por Cristiano Alves

Quando o assunto é fascismo e jornalismo marrom, muito se tem ouvido falar do nome de William Randolph Hearst, responsável pela associação do jornalismo à palavra "prostituição". Hearst sempre foi na América considerado por liberais, comunistas, democratas, anarquistas, socialistas e meros sindicalistas como o "fascista número 1 da América". Boas razões para seguir este ideal genocida ele tinha, visto que enriqueceu às custas da bajulação de Hitler e Mussolini, chegando a dedicar matérias especiais para o tirano italiano. Em uma famosa foto, inclusive, ele chega a aparecer ao lado de quatro representantes da Alemanha hitlerista, que lhe encomendaram várias matérias originalmente publicadas em jornais nazistas alemães, inclusive a famosa estória do "Holodomor". Ninguém jamais imaginaria, entretanto, que o sobrenome "Hearst" viria um dia a ser associado a uma revolução marxista.

William Randolph Hearst(1863-1951), renomado fascista e magnata americano, avô de Patrícia, ao lado de famosos nazistas

Patricia Campbell Hearst era o que a cultura popular descreve hoje como "patricinha", uma integrante da burguesia que vivia rodeada de todo o luxo e que jamais precisara fazer o mínimo esforço em sua vida para a satisfação de suas necessidades materiais, básicas ou supérfluas. Era a herdeira do império erguido pelo magnata fascista, cujo inventário envolvia mansões, ações em grandes jornais e revistas, e até castelos, como um no oeste americano cuja opulência é tão grande e suas estruturas tão fortes, que seria capaz de resistir a um terremoto com as mais fortes escalas possíveis e ainda durar centenas de anos sem ninguém para conservá-lo. Sua vida, entretanto, mudaria aos seus 19 anos de idade, quando perderia seu papel patético comparável ao de milhões de jovens da mesma idade que vemos na sociedade brasileira dentre a chamada "classe média".

Em 4 de fevereiro de 1974, "Patty" Hearst e seu namorado foram sequestrados pelo Exército Simbionês de Libertação(por alguns conhecido por "Exército de Libertação Americano"), um grupo que se apresentava como "vanguarda revolucionária". Defendiam o estabelecimento do socialismo nos Estados Unidos, para isso adotando idéias de Herbert Marcuse, Karl Marx, Mao Tsé Tung e Che Guevara, para citar alguns nomes cujas idéias mais influenciaram o movimento. Embora Mao Tsé Tung pregasse a guerrilha rural, o ESL optou por um tipo de guerrilha urbana, então em alta naqueles anos, cujas concepções encontram em Carlos Marighella seu pai. Adotando por símbolo a naga, da mitologia indiana e do Sri Lanka, guardiã das águas, as idéias do Exército Simbionês de Libertação defendiam a emancipação dos negros, nos EUA, e chamava suas prisões de campos de concentração, tinham ainda por pilares 7 virtudes: Umoja (unidade), Kujichagulia (auto-determinação), Ujima (trabalho coletivo e responsabilidade), Ujamaa (economia cooperativa), Nia (propósito), Kuumba (criatividade) e Imani (fé). Apesar de sua inclinação pró africana, a maioria de seus membros eram brancos.

As primeiras exigências para a libertação de Patricia Hearst foi a doação, pela família Hearst, de US$ 70,00 para cada família carente da Califórnia, o que ao todo custaria 400 milhões de dólares. O pai de Patricia, entretanto, limitara-se a gastar apenas 6 milhões em doações para os pobres de Bay Area, região da Califórnia. Ressalte-se que todo o patrimônio da família Hearst foi construído a partir do estelionato ideológico, apresentando notícias falsas ao público de boa-fé, num jornalismo marrom contra seu concorrente Joe Pulitzer, assim como em acordos com nazi-fascistas. O ESL, entretanto, logo verificou que a família Hearst descumpriu com o acordo, uma vez que teria entregue comida de péssima qualidade e não teria atingido o valor exigido, razão pela qual decidiu manter Patricia em cativeiro.

Após a família Hearst falhar no atendimento às exigências dos comunistas americanos, apareceu na imprensa uma fita de áudio gravada que surpreenderia os Estados Unidos e abalaria tudo aquilo que eles conheciam a respeito do assunto, uma fita onde Patricia Campbell Hearst explicava as razões pelas quais havia se juntado à causa revolucionária, lá ela constatava, inclusive, que seu pai poderia ter feito melhor. A fita fora analizada por vários especialistas e ficara constatado que a voz era realmente a da antes "patricinha" americana, lá ela explicava por que decidiu se seguir o caminho revolucionário, ao invés do reacionário.

   
   Patricia Hearst em uma ação do Exército Simbionês de Libertação, foto da câmera de segurança

Se ainda restava alguma dúvida de que "Tanya", como agora era conhecida a Hearst comunista, havia se juntado ao Exército Simbionês de Libertação, com a divulgação de imagens de câmeras de vídeo onde esta expropriava bancos de grandes capitalistas, junta a seus camaradas, a dúvida havia sido agora sepultada. Uma vez que o ESL enfrentava dificuldades financeiras, este havia resolvido expropriar bancos que guardavam todo o dinheiro que os capitalistas americanos pilharam de países como Vietnã, Laos, Nicarágua, Guatemala, dentre outros, às custas do sangue e do genocídio de milhões de pessoas, especialmente mulheres e crianças. Essas ações, que possibilitavam a aquisição de fundos para a compra de armamentos e munições, aumentaram a perseguição dos órgãos de segurança do Império contra os simbioneses. Em um dos confrontos entre o ESL e os lacaios do imperialismo americano chegou a haver forte tiroteio envolvendo armas pesadas, para o qual foi enviado o Departamento de Polícia de Los Angeles(LAPD), SWAT, FBI e mesmo chegou-se a enviar tropas do Exército Americano.

             
              "Tanya", em foto oficial do ESL(aqui, com o símbolo da naga)

A captura de Tanya, entretanto, se deu quando em setembro de 1975 ela e seus companheiros foram surpreendidos num apartamento em Los Angeles, tendo sido presos então. Quando levada a julgamento, Patricia tentou desvincular-se de seu passado revolucionário, a fim de evitar a prisão, o que foi infrutífero. Lá, ainda chegou a manifestar alguns sentimentos nostálgicos quanto a seu passado revolucionário. As condições materiais que cercaram Tanya, entretanto, a impediram de seguir no caminho, assim como a repressão ferrenha que o governo americano viria a manifestar contra outros movimentos revolucionários(vindo, por exemplo, a desmantelar o Partido dos Panteras Negras e a prender Angela Davis). Em razão de sua origem social, entretanto, Patricia veio a obter um tratamento melhor do que outros presos confinados em campos de concentração.

 
Fichamento policial de Patricia "Tanya" Hearst

Tendo sido perdoada pelo então presidente William "Bill" Clinton, Patricia Hearst hoje leva uma vida que apenas condiz com suas condições materiais opulentas. Ainda que quisesse voltar para o caminho revolucionário, isto é de certa forma quase impossível, em razão da derrota de seu movimento, isto, entretanto, de forma alguma apaga seu legado e as principais lições que podem ser retiradas da história de seu movimento. A primeira, certamente, é que o ESL cometeu o mesmo erro de grandes revolucionários como Che Guevara, do General Varennikov ou dos alemães da Fração do Exército Vermelho, isto é, a idéia de que "um grupo de intelectuais armados podem sozinhos fazer a revolução sem o apoio da massa", filosofia dessa que levou à derrota de vários movimentos revolucionários; a outra lição é, sem dúvidas, a comprovação de que mesmo sendo o anticomunismo uma doença, ela tem cura e Tanya foi a cura para essa doença genética que Patrícia Hearst, a comunista, herdou de William Hearst, o fascista.

Hoje Patricia Hearst é atriz holywoodiana, nenhum de seus filmes é exibido na TV aberta no Brasil.

                                       
                                           Patricia Hearst, em foto no Internet Movies Database(IMDB)

domingo, dezembro 26, 2010

CULTURA

De Bach a Lady Gaga
Por Cristiano Alves

Croácia, ano 2010, uma famosa personalidade de grande influência naquele e em outros países ordena que uma multidão toda tire sua roupa, tendo o mais absoluto controle da situação, político e mental naquela situação. Se você acha que esta atitude foi coordenada por algum "comunista-satanista" que quer destruir a família e queria fuzilar a todos num campo de concentração, está redondamente enganado. Este fato ocorreu durante um show de "Lady Gaga" na Croácia, onde, após o ocorrido, ordenou a todos os alienados presentes que se masturbassem, uma vez que seus "dançarinos", para evitar uma palavra mais pesada para este tipo de profissional, simulavam atos de onanismo. Após esta depravação, a "cantora" enrolou-se com a bandeira da Eslovênia, que não mantém relações muito boas com a Croácia.

Constitui uma verdade inexorável a decadência moral e cultural da burguesia nas condições do capitalismo contemporâneo. Se a classe burguesa já representara no passado o progresso e o avanço, servindo de mecenas para grandes artistas como Johann Sebastian Bach, da Alemanha, dentre outros grandes músicos, poetas, pintores e escritores, hoje a referida classe social encontra nas drogas e em artistas como Lady Gaga, Madona, Tatu, dentre outros, uma nova arma para embrutecer o proletariado internacional. Se esta mesma burguesia não pode conceber a idéia de proletários pensantes, comunistas, com senso crítico e alto nível cultural, o que lhes permitiria contestar o sistema, o jeito é apelar para aquilo que toque os instintos mais primitivos do homem, a violência, a pornografia, a luxúria.

Por mais que manifestações culturais positivas sejam verificadas em sociedades capitalistas, como concertos clássicos e mesmo cantores populares, de rock ou outros estilos musicais sem uma mensagem subliminar pornográfica, individualista ou consumista, estas constituem normalmente a exceção, não recebendo nem 1/3 da publicidade e divulgação de manifestações que só atestam a decadência e inferioridade da burguesia, hodiernamente, uma vez que é frequentemente alegado que estas "não geram lucro", força motor do capitalismo. Muitas vezes é alegado que "o povo é ignorante" ou não tem interesse em cultura, uma afirmativa falsa, considerando as enormes multidões de concertos de música clássica em países como a Suécia e França, onde idéias socialistas tem grande popularidade e não há tanta idolatria pró-americana.

A idéia de usar o culto do grotesco como arma de propaganda imperialista é uma idéia muito antiga, que teve início já nos tempos da Guerra Fria. Em "O plano de Dulles", documentário russo, é mostrada uma diretiva do antigo diretor da CIA contra a União Soviética, onde este reconhece abertamente a impossibilidade de uma vitória militar contra a União Soviética, apresentando como solução para isto a elaboração de um programa e um conjunto de medidas voltadas para desacreditar o governo soviético ante a juventude, patrocinando a pornografia, o sadismo, o culto da violência em transmissões para a União Soviética e outros países, de maneira que isto levaria a juventude a enxergar o país ianque como "democrático". O teor deste documento, assim como suas implicações práticas, são alvos de críticas de grupos políticos socialistas, progressistas e até mesmo de organizações religiosas. Em Moscou, por exemplo, tem sido notícia a oposição de comunistas e fiéis cristãos contra concertos como os de Madona ou o Tatu, que estimulava o homoerotismo, representado por duas jovens que iniciaram sua carreira ainda como menores de idade.

De fato, cenas como aquelas vistas em "shows" promovidos pela burguesia inexistem em países socialistas ou de democracia popular. A realidade capitalista é que parte da classe média se droga com narcóticos e nítidas manifestações de decadência da burguesia como Lady Gaga, a nova arma do capitalismo para sperpetuar sua ideologia reacionária e genocida nas entranhas da alma humana, ao passo que a classe operária e camponesa é a maior vítima deste tipo de imoralidade que, certamente, irá perecer completamene apenas numa sociedade verdadeiramente livre, democrática e socialista. É nessa sociedade, e somente nela, que se poderá construir um homem superior voltado para novos valores humanístas, e não capitalistas e fascistas, que levará adiante a roda da história e fará evoluir a nossa raça humana.



 

"Zengjuk a dalt", canção comunista húngara, atestando a superioridade do socialismo sobre a a cultura da burguesia

segunda-feira, dezembro 20, 2010

EXCLUSIVO: Documentário desmascara o Holodomor

EXCLUSIVO:

Holodomor: a farsa desmascarada

Por Cristiano Alves

Documentário exclusivo, inédito em português, revela o processo de falsificação de fotos do que se conhece por "Holodomor". Nele é demonstrado como fotos da fome de 1921 do álbum sobre a fome na Rússia de Ditloff Hansen, explorador e cientista sueco, são apresentadas em filmes, livros, exibições, documentários televisivos e internet como sendo "provas do Holodomor".

Esta farsa, cujo objetivo é reescrever a história e minimizar os crimes do nazismo, uma vez que é defendida por anti-semitas fervorosos que negam o holocausto de judeus, apareceu primeiro na imprensa nazista, nos anos 30, e depois no Chicago American, que fazia parte do complexo capitalista de William Hearst, admirador do nazi-fascismo. Hoje na Ucrânia, é usada para minimizar os problemas trazidos pelo falido sistema capitalista no país, que provocou a redução populacional no país e sucateou sua economia.