segunda-feira, setembro 26, 2011

CULTURA

Cantemos a canção (coletânea)


"Cantemos a canção" é uma canção húngara que reúne trechos de várias canções revolucionárias de outros países e a canção de Florián Geyer, famoso cavaleiro alemão que liderou os camponeses numa revolta contra a nobreza. Os húngaros têm uma importante tradição musical herdada desde os tempos de Bhrams, destaca-se em suas canções o uso do violino e do violoncelo. Com o estabelecimento da República Popular, a Hungria promoveu a cultura, antes privilégio das elites, para as massas, trazendo ao povo trabalhador lindas canções sobre a sua luta, sobre a Revolução que tornou a Hungria uma República Soviética efêmera em 1919, sobre a sua libertação pelas tropas do Exército Vermelho e sobre o internacionalismo e o proletariado. A maestria utilizada na composição e execução dessas belas canções, a força e a graça de sua letras, admiradas até mesmo pelos anticomunistas, são uma prova material da superioridade da cultura socialista e do ideal comunista.

Acompanhe a canção, reproduzida no Canal da Vitória (The Victory Channel) organizada pelo maestro Pasti Miklós, presente no CD "Best of communism" e a sua letra traduzida do húngaro para o inglês por Kristoballit e do inglês para o português por Cristiano Alves:





1ª canção - Bunkócska* (versão húngara da canção soviética "Dubinushka") 

Nunca ouvi uma canção tão linda
como a que ouvi quando criança.
Ela atinge meu coração, esta bela e velha canção,
e minhas lágrimas vêm de imediato.

Minhas lágrimas vêm de imediato.

2ª canção: Bécsi munkásinduló (A marcha dos trabalhadores de Viena)

Passos dos exércitos de trabalhadores são ouvidos,
cantos rebeldes que alcançam os céus,
a luz da alvorada irradia o mundo,
mãos dadas e ombros lado a lado.

Voe, ardente bandeira flamejante,
lidere-nos na noite das noites,
lidere-nos na luta, na dificuldade,
você pinta o púrpura da alvorada.

Coral masculino:

Voe, ardente bandeira flamejante,
lidere-nos na noite das noites,
lidere-nos na luta, na dificuldade,
você pinta o púrpura da alvorada.

Coral feminino:

A nossa canção voa, alcança os céus,
atados estão os punhos dos trabalhadores,
as algemas quebram nas mãos daqueles que trazem a luz,
a chama queima, mas hoje não há quem a espalhe.

Seja você o que espalha a chama,
e derruba os muros, oh bravo!

Coral feminino:

Sejamos os verdadeiros soldados da nova ordem,
Então estaremos no topo, vitoriosos.

Seja você o que espalha a chama,
e derruba os muros, oh bravo!


Coral feminino:

Sejamos os verdadeiros soldados da nova ordem,
Então estaremos no topo, vitoriosos.


3ª canção: Zengjük a dalt (Cantemos a canção)

Cantemos a canção cheios de alegria,
a alvorada pinta o céu rubro como o sangue,
o coração da Terra bate, o povo se levanta,
seus pés sentem-se novos ao andar.


Coral masculino:

Venham em milhares, juntem-se ao exército,
suas espadas nunca se enferrujarão,
mas afaste as barreiras, abra um novo caminho
para varrer os opressores burgueses.



Coral feminino:



Esta grande ideologia está numa tempestade de perigos,
temos que protegê-la, salvá-la, bravamente,
com a arma nas mãos e a canção nos lábios,
o triunfo será nosso.

O triunfo será nosso.

4ª canção: Geyer Flórián dala (A canção de Florian Geyer)

No início da criação da mundo, ey-hay, ey-ho!
Não havia o pobre e nem o rico, ey-hay, ey-ho!
Nós os povos do mundo, ey-hay, ey-ho!
Não deixaremos mais você ser oprimido, ey-hay, ey-ho!

Coral: × 2

Venha, ataque com a lança e espada,
Lidere o ataque dos camponeses.

Ey, hay, ey-ho!

Nossa luta não carece de um bom líder, ey-hay, ey-ho!
Nos lidera Geyer Florian, ey-hay, ey-ho!

Coral × 2

Ey, hay, ey-ho!

5ª canção: Elől járunk a harcban (Somos a cabeça da linha)

Encabeçamos a linha de batalha,
E atacamos bravamente,
Somos a guarda jovem,
Sem piedade para ninguém.
Trabalhando o dia inteiro,
E quase morrendo de fome,
Mas as nossas mãos calejadas
Já estão segurando armas!
 
Mas as nossas mãos calejadas
Já estão segurando armas!

A guarda está pronta
Para a luta de glasses,
Dificuldades e morte,
Não nos faz recuar!
A nossa tortura acabou,
Não mais sustentaremos,
A príncipes e barões,
Lembre-se, proletários!
A príncipes e barões,
lembre-se, proletário!

6ª canção: A kovácsok (Os ferreiros - canção revolucionária russa)

Nós somos os ferreiros, a chave para o futuro
estivemos forjando há muito tempo,
Venha e torne-se nosso camarada,
nosso trabalho será necessário por muito tempo!

Nós produzimos o arco e quebramos a corrente,
uma peça a cada dia,
o povo ainda dorme, mas o acordaremos,
nós libertaremos todos os escravos!

Faíscas estão saindo, as rochas estão quebrando,
para aqueles que não se abateram,
nós não temos qualquer descanso ou atraso,
o mundo inteiro é a nossa oficina.

Então venham todos os ferreiros,
deixe o povo testemunhar o poder dos martelos,
Deixe o lindo futuro nascer
para todos os proletários!

7ª canção: Bunkócska (2ª parte)

Esta canção passou dos avós para os netos,
e seu legado também ficou para os netos.
Se você tem um grande problema, nunca se esqueça
de que existe a "bunkócska"1, milhares dela!

Ei, minha querida "bunkócska",
ei, ramo de uma árvore saudável,
ajude, querida!


1- "Bunkócska" é um tipo de cajado usado em longas viagens que tem um dos lados pesados e redondos, podendo ser usado como maça, arma medieval. No ocidente desenvolveram-se alguns estilos marciais baseados nesta arma, especialmente na Irlanda.

segunda-feira, setembro 05, 2011

MUNDO

A Líbia bombardeada, a libido e o vírus
Por Cristiano Alves

"A Líbia bombardeada, a libido e o vírus", assim iniciava-se uma famosa canção dos Engenheiros do Hawaii dos anos 80 e termina aquele país mais de 20 anos depois. Vinte anos é o tempo que a Líbia tem enfrentado os mais facínoras Estados do mundo atual, seja através de bombardeios, sanções econômicas, atos terroristas e novamente bombardeios.

A idéia das "bombas humanitárias" é o norte da política dos países membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte. Consiste num erro associar a idéia de "imperialismo" somente aos Estados Unidos, acreditar que o "imperialismo americano" é a raiz de todos os problemas do mundo, esquecendo-se do "imperialismo alemão", "imperialismo espanhol", "imperialismo francês", "imperialismo britânico", dentre outros países que, partindo da idéia racista de que este ou aquele povo é "inferior demais para cuidar de seu próprio destino", então deve-se efetuar uma invasão militar ou patrocinar para-militares para fazer todo o trabalho(ou ainda empregar os mercenários de companhias privadas de segurança, como os Blackwaters). Não importa o quão socialmente seja desenvolvido o país ou quão democrática tenha sido a sua revolução ou eleição, a União Européia e os seus capangas da OTAN sempre enxergam nesse ou naquele líder que não vive aos seus pés um "ditador sanguinário", visão essa que jamais atribuem a seus aliados que mantém o seu povo na miséria e na opressão fundamentalista, como a Arábia Saudita, onde há até decapitação por crime de... feitiçaria.

A Europa ocidental manteve sempre um modelo de enriquecimento baseado no empobrecimento alheio, não raramente buscando os mais humilhantes meios para isso, e o "Zoológico de seres humanos", no qual ficavam confinados presos congoleses na Bélgica, é uma prova disso. A destruição de civilizações como a dos maias, astecas, incas, o extermínio dos povos herero são uma prova de que não há limites para a ganância européia, onde a vida de qualquer "povo inferior" é como a de insetos desprezíveis que podem ser esmagados a qualquer custo para encher os bolsos dessa ou daquela companhia. O jogo é bem simples, primeiro destrói-se tudo para que depois companhias privadas façam o trabalho de reconstrução, com enormes lucros e posando de "bons humanistas". 

Os "bombardeios humanitários" são uma prova da preocupação da OTAN com a liberdade e a democracia, termo que para ela e seus simpatizantes liberais e sociais-democratas não passam de onanismo ideológico.
MUNDO

Полковника никто не пишет (RUS)
Кристиано Лима

"В большие города пустые поезда, в которых никогда ты раньше не бывал", так начиналась знаменитная песня группа БИ-2 от 90-x, и такими в конце концов становятся города во странах со многими нефта, которые не живут на коленях перёд тиранами нашего мира.

Эти тираны считают, что у них есть права "научить другие народы как они должны бы жить", во всех странах в которых лидеры не предают своего народа, в которых много нефти, золота, серебра и другие ресурсы, они найдут своего "кровового диктатора". Так было с народами майя, ацтеками, инками, великие цилизации были уничтожены ради испанских аристократов. Сегодня бомбардируется Ливия, но не только сегодня... В детстве была знаменитная песня "Энженейрос до Аваи"(бразильский БИ-2, то есть, другая группа которая появилась в 80-х под вдохновлённая группой "The Police"), уже сказала в песне "Аливио де имедиато": "бомбардируемая Ливия, либидо и вирус".

Если раньше в Ливии был Полковник и первый ИРЧП Африки, сейчас просто "пустые города, пустые поезда" ради США и Европейского Союза. Это всегда легко стать богатым за счёт уничтожение и воровства других народов, это был главный рецепт развития западной Европы, давно уже. Раньше они уничтожали всё, что могли, сегодня военные и наёмники всё взрывают, а строительные фирмы почти всего перестроят, не забудем, конечно, роль банков. Это урок свободы и демократии. 
MUNDO


A democracia chega na Líbia (vídeo)

Veja chegada triunfante da "democracia" na Líbia, sob auspícios da OTAN, no país que até antes da invasão mantinha os melhores índices de IDH na África:

sexta-feira, setembro 02, 2011

BRASIL

Manifestantes em Teresina conseguem derrubar medidas impopulares do prefeito da capital
Por Cristiano Alves

Contando com participantes de Teresina, Timon, Fortaleza e outras cidades, manifestações em Teresina conseguem revogar as medidas impopulares do prefeito da capital, obrigando-o a baixar o preço da passagem e revisar o valor da passagem municipal. As ações foram promovidas na rua e na internet, fechando cruzamentos importantes da capital piauiense e hackeando sites do SETUT, o Sindicato das Empresas de Transporte Urbano de Teresina, e do Diário Oficial do Piauí. As redes sociais Twitter, Facebook e Orkut foram usadas para convocar a manifestação.


Foto: Deco Lira

Após uma forte campanha que retratou os manifestantes como vândalos e arruaceiros, estes resolveram levar flores para as autoridades policiais, como fazem estes na foto, entregando uma rosa ao oficial da cavalaria da PM-PI e frustrando as tentativas das autoridades locais de conseguir uma justificativa para reprimir vilentamente o movimento na sexta-feira

PIAUÍ

E eles dizem que o protesto é violento...
Por Cristiano Alves

Protestos explodem pela capital teresinense e despertam a fúria da elite local. Jornais demonizam as manifestações da massa sofrida, imolada por um calor de mais de 40 graus, e agora chamam-nos de terroristas, mas será que as acusações de jornalistas desesperados fazem algum sentido?


Populares na escadaria da Prefeitura Municipal de Teresina
 
Ao longo da história, conforme demonstrado em várias obras a respeito, ficou constatado que o diálogo nunca resolveu nada, ao menos no que diz respeito a reivindicações de cunho social. Manifestações e revoltas ocorrem desde a antiguidade, especialmente na Roma antiga, onde a plebe miserável trabalhava incansavelmente para sustentar os privilégios de classe dos "patrícios", os únicos que tinham voz no senado. A tentativa pacífica dos tribunos Caio e Tibério Graco, representantes legítimos da plebe, de realizar uma reforma agrária que beneficiasse o proletariado romano, isto é, a classe daqueles que produziam, levou ao assassinato de Tibério e à decapitação dos partidários de Caio Graco, que foi perseguido até pedir que o matassem. A revolta de Spartacus contra as condições abusivas da plebe de Roma levou à crucificação deste e de quase todos os seus partidários na Via Ápia, principal avenida romana.

Florian Geyer, nobre e cavaleiro que liderou a revolta dos camponeses contra a própria nobreza na Alemanha, no século XVI

As classes dominantes não abrem mão de seus privilégios facilmente, a luta pelo direito sempre foi marcada por protestos e muito frequentemente pela luta física, revoltas na Roma antiga, no Império Bizantino podiam assumir diferentes proporções, mas sempre tendo um fundo social, como a revolta de Nika, que em muita coisa lembra as cenas que se vê em metrópoles como Fortaleza ou São Paulo, onde torcedores agitados, muitas vezes desempregados, vêem em brigas de torcida uma válvula de escape para uma situação de miséria. Isso não implica dizer que todos os torcedores daquele time são "vândalos". No Piauí, manifestantes são apresentados como vândalos em razão da ação da massa sofrida e ignorada, sem voz no poder, o mais pacífico dos manifestantes apresentado como um "baderneiro, arruaceiro, bandido" e agora até mesmo terrorista, segundo Pádua Araújo, mais um farsante que brinca com os sentimentos de justiça do povo ao meio-dia, vivendo às custas da ignorância alheia e atiçando nas massas ideologias de ódio, chegando ao extremo de clamar pelo "Estado de Sítio". Não sabe este ignóbil que a Constituição da República Federativa do Brasil tem regras específicas para a decretação do Estado de Sítio (1), e se este ao menos uma vez na vida se desse ao trabalho de ler a revista da Agência Brasileira de Inteligência(ABIN), saberia que há uma série de critérios para designar uma "organização terrorista". Uma de suas edições define, por exemplo, que existe uma diferença entre "movimento revolucionário ou social", "organização criminosa" e "organização terrorista", todas podem se usar de ações terroristas, o que não as caracteriza necessariamente como "organização terrorista". (2)

Pintura de uma cena não rara da Revolução Francesa, uma cabeça decapitada de um aristocrata é exibida em público. A Revolução Francesa garantiu os direitos em vigor na maioria dos países civilizados, tais como o de liberdade
Alguns reacionários de plantão da capital piauiense falam em "guerra civil promovida pelos estudantes". Desconhece-se o que esses indivíduos aprendiam em aulas de história, se é que as frequentavam(e talvez o fato de terem vivido uma ditadura fascista militar agrave o quadro), porém se estes tivessem ao menos estudado um pouco sobre a Revolução Francesa, a Revolução Russa e a vizinha Revolução Cubana jamais se atreveriam a proferir tamanho impropério pelas ruas. É esse mesmo universo de analfabetos políticos que vê no manifestante um "bandido", que acha(enfatize-se acha, e não "pensa") que é o "fim do mundo", ou melhor, o "fim do Piauí", pelo fato da população não estar mais de braços cruzados assistindo a tudo passivamente. Passou-se o tempo de assistir a tudo, passou-se o tempo dos "protestos pacíficos", que mesmo tendo sido promovidos em meses anteriores não surtiram efeito. Passou-se o tempo de acreditar no que dizem os jornais teresinenses como "O Dia", que trabalham dia e noite na demonização de um movimento de caráter social. Será que os infames donos desse jornal sabem que nos anos 60, na Alemanha, uma bomba foi colocada na sede do jornal Springer, um inútil jornal reacionário conhecido por demonizar os movimentos sociais e as lutas dos povos do terceiro-mundo? Toda ação corresponde a uma reação, ensinamento elementar que vem primeiramente não de aulas de história, geografia ou filosofia, mas de aulas de ciência, de química, física, ciências exatas. A Prefeitura Municipal de Teresina, teleguiada pelos empresários que financiaram os seus gestores, dentre os quais o prefeito Elmano Ferrer, promove medidas anti-populares que provocam as massas da capital, seja ela de estudantes, de trabalhadores, comerciantes, dentre outros. O estudante, diferente do trabalhador, goza da imunidade às perseguições dos patrões, estando estes últimos sempre prontos para demitir este ou aquele trabalhador por "promover arruaça", "por ser um agitador comunista". É triste o destino daquele que fica "queimado" no mercado de trabalho por participar de movimentos de reivindicação social, esta é a pior censura e o mais desavergonhado estupro aos princípios da Constituição da RFB, é a fogueira profana de uma nova inquisição secular e capitalista, reacionária e anti-popular, que identifica no manifestante uma persona non grata para o mercado de trabalho, que passa a representar para a sociedade teresinense o mesmo que um leproso na Idade Média. Afinal, quem contrataria um "vagabundo que participa de baderna e não quer trabalhar", o "baderneiro", o "demônio comunista" em uma loja, colégio ou fábrica? Isso explica por que os estudantes compõem o grosso da manifestação.

Cena da Revolução Russa, onde seus líderes instruem os operários, camponeses e soldados a derrubarem o poder do tzar, o antigo soberano da Rússia. A Revolução Russa originou muitos dos chamados "Direitos Constitucionais de 3ª geração", tendo também criado a primeira Constituição da história do homem a criminalizar a discriminação racial
Muitos espantam-se com o novo acordar das massas de Teresina, acham que "isso é uma maldição que só acontece no Brasil", esquecendo-se das lutas populares em Londres e em Santiago do Chile, nos dias atuais, esquecendo-se de lutas passadas na Alemanha Ocidental, nos anos 60, dirigidas pela carismática Fração do Exército Vermelho(RAF), que e acordo com estudos do Instituto Allensbacher contava com o apoio de 23% dos jovens alemães, isto é, mais de 7 milhões de pessoas. A ação destes jovens, que muitas vezes foram obrigados a recorrer à luta armada pelas autoridades alemãs, impediu que o país assistisse a uma ressurreição do nazismo naquele país. No Brasil, a luta pelos direitos sociais, contra a ditadura dos latifundiários e empresários(injustamente atribuída exclusivamente aos militares), levou à redemocratização do país, no curso dessa luta, nem sempre as ações foram pacíficas, afinal, uma luta por direitos sociais não é como ir a um coquetel ou participar de um jantar de gala. Mas comparada às bombas, extensivamente usadas na Europa do século XIX, à Revolução Francesa, que cortou a cabeça de reis e aristocratas para garantir direitos elementares dos quais desfrutamos hoje, a ação da população de Teresina limita-se a fechar cruzamentos, realizar passeatas e queimar sacos de lixo na avenida principal. Recentemente, dois ônibus foram queimados, uma vez que a população não mais os vê como um serviço de sua utilidade, antes os preços abusivos que vem a tornar o transporte coletivo municipal quase "de elite".

Revoluções vieram a moldar o mundo em que vivemos hoje, foi graças a essas ações, muitas vezes violentas, que hoje o cidadão não precisa deixar que sua esposa durma primeiro com o prefeito da cidade após o casamento, como acontecia na Idade Média com a humilhante lei da prima nocte, obrigação do servo para com o seu senhor feudal, revoluções e lutas duras, que em não raros momentos ceifaram milhões de vidas, cortaram cabeças, trouxeram até mesmo a guerra e a fome. E hoje alguns, tão bem manipulados e envenenados pelos setores elitistas da mídia, desprovidos de qualquer solidariedade para com o povo trabalhador e estudante, olham para os jovens manifestantes que fecham o trânsito e caminham pelas ruas em nome de uma causa justa, em prol da coletividade, e dizem que "o protesto é violento", que "a capital está entregue ao caos".



Exemplo de demonização de protesto em Londres na BBC News:



Fontes:

1- Segundo a Constituição da República Federativa do Brasil, em seu artigo 137, "O Presidente da República pode, ouvidos o Conselho da República e o Conselho de Defesa Nacional, solicitar ao Congresso Nacional autorização para decretar o estado de sítio nos casos de:
I - comoção grave de repercussão nacional ou ocorrência de fatos que comprovem a ineficácia de medida tomada durante o estado de defesa;
II - declaração de estado de guerra ou resposta a agressão armada estrangeira."

2- REVISTA BRASILEIRA DE INTELIGÊNCIA. Brasília: Abin, v. 3, n. 4, set. 2007. Em: http://www.abin.gov.br/modules/mastop_publish/files/files_48581dbdd7d04.pdf
PIAUÍ

Clichê antiprotesto
Por Cristiano Alves

A seguinte pérola apareceu numa rede social, sendo o nome de sua autora mantido no anonimato:

"Se a pessoa não gosta do supermercado você deixa de comprar no supermercado. Se ele não está gostando do sistema de ônibus que ele procure outro meio de transporte e não ficar depredando o patrimônio."

Vejamos que outro meio de transporte poderia o obreiro, o campesino, o estudante teresinense poderia usar:

- Poderia usar o táxi, pra congestionar ainda mais o trânsito da capital, imagine você se encontrando num trânsito congestionado por táxis branquinhos, doeria até na vista e iria sair bem mais caro. Com os salários tão altos de Teresina, todos poderiam pagar um táxi todos os dias...

- Poderia usar o metrô(em realidade um trem que a prefeitura resolveu denominar metrô) de Teresina, que passa em pontos seletos e longíquos da cidade, depois tendo que andar a pé por quilômetros.

- Poderia usar cavalos, pois como se sabe, todo mundo tem um estábulo no seu quintal e em qualquer lugar se compra cavalos...

- Poderia usar os pés, daí imagina só o pessoal tez mais clara, tadinho das meninas, com 20 anos iriam parecer ter 60, e precisariam gastar bem mais com tratamento para câncer de pele, lembrando que, com o aumento das temperaturas do planeta, o câncer não faz discriminação pela cor da pele. Também teriam que gastar mais com calçados, que não durariam nem 1 ano com o sol intenso e o calor do asfalto.

- Poderia usar carro próprio, daí imagina todos os 700 mil teresinenses com um carro próprio, não só a cidade ficaria mais quente por causa da poluição como o trânsito ficaria bem mais congestionado.

- Poderia usar moto também, causando não só a mesma coisa que o quesito anterior, como também mais acidentes graves e até fatais! 

 Aqueles que em nada querem contribuir poderiam ter ao menos a sensatez de não atrapalhar. Os protestos na capital do Piauí contam com o apoio de diversos setores da sociedade.
FRASE DA SEMANA

"JN, você não me engana não, sabemos que o seu lugar é bajulando patrão!"
#aumentonãoTHE
BRASIL

O que é depender do transporte coletivo em Teresina para o trabalhador
Por Cristiano Alves

A Página Vermelha acompanhou de perto os protestos na capital piauiense, onde houve um aumento de mais de 10% sobre a passagem de ônibus. Acompanhe a reportagem e fique por dentro do que emissoras e outros jornais não mostram

O dia 1º de agosto foi marcado por mais um protesto na capital do estado do Piauí. Essa ação pode ser considerada inédita na capital em anos recentes, onde vários aumentos incidiram sobre a passagem, mas não sobre a qualidade do transporte público na capital. Mas fica a pergunta, isso tudo por causa de 10 centavos?

Para aqueles que não conhecem, a cidade de Teresina é conhecida por seus baixos índices de umidade do ar, isso sob um calor de mais de 30 graus durante praticamente todo o ano, pela manhã e especialmente durante a noite, estando a mais de 400 quilômetros do litoral, a cidade não tem brisas de vento nem mesmo no vigésimo andar dos mais altos prédios da cidade. Qualquer cidadão corre sério risco de futuro câncer de pele na capital piauiense, onde há altos índices de pessoas com problemas de pele, risco esse que aumenta ainda mais de acordo com a classe social do indivíduo. Se o filme-documentário "Zeitgeist: Moving foward" comprovara que quanto mais o invíduo ganha um centavo a menos no nosso sistema econômico, maior é a chance dele ter doenças, essa realidade é palpável em Teresina, especialmente no que diz respeito a problemas de pele e de visão.

O trabalhador teresinense, seja ele o obreiro, o campesino, assim como o estudante, é completamente ignorado pelas autoridades. Vivendo numa capital de mais de 700 mil pessoas, o seu direito à locomoção é mitigado por uma série de fatores, dentre a ausência de cobertura em grande parte das paradas de ônibus, isto é, em muitos pontos, a "parada" é apenas o local onde o transporte coletivo para, não havendo qualquer placa ou banco com cobertas, em poucas palavras, cada indivíduo precisa providenciar por conta própria seu guarda-sol(daí é comum ver indivíduos carregando guarda-chuvas em tempo aberto e ensolarado), ou ainda usar-se de outros artifícios tais como ficar embaixo de uma placa, atrás de alguém alto e, se for muito esperto, entra numa loja com arcondicionado e cronometra o exato tempo que o ônibus irá passar para sair na ocasião, o que é quase impossível, dada a falta de pontualidade do serviço de ônibus na capital piauiense. Embora o bom senso implique que para ser pontual é necessário jamais sair em cima da hora, em Teresina, capital de pequeno porte, é preciso se antecipar em pelo menos 1 hora para ser pontual, pois o transporte coletivo, como afirmado, não tem pontualidade.

A cidade de Teresina não dispõe de um serviço de integração, de um "terminal", isso quer dizer que quem mora em lugares mais afastados da cidade necessita pagar duas passagens para chegar num dado lugar, isso quer dizer que para quem vive de salário mínimo, ele gastará no mês cerca de 1/5 de seu salário para pagar despesas de transporte. Considerando que ele mora longe, esse gasto sobe para 2/5, que com sua despesa de alimentação e moradia, fechará os 3/5 restantes, levando este indivíduo a uma situação de sobrevivência, onde não poderá desfrutar de lazer nem de educação de qualidade, direitos constitucionalmente garantidos. É importante frisar que a capital piauiense é precária em termos de empregos, além da falta, a maioria das empresas contrata segundo o QI, isto é, "quem indica", o que inclui o grupo do maior plutocrata da cidade, também político, João Claudino. 

Além de todo gasto que o trabalhador ou o estudante tem com a passagem, foi enfatizada a qualidade precária, a falta de pontos de espera condizentes com as condições climáticas da região, a falta de pontualidade do serviço e mesmo a falta de ônibus em determinadas linhas. Em avenidas como a Kennedy é muito comum ver uma série de veículos passando com as luzes apagadas, indo para a garagem. Curiosamente, as linhas universitárias mais parecem uma lata de ração animal(como essas de cãezinhos de estimação), dado que estudantes comprimem-se o máximo que podem para ir assistir aula ou voltar para casa em plenas 10:00 ou 10:30 da noite. A cena é triste, e estar dentro de um desses coletivos é mais triste ainda. Qualquer homem casado ou comprometido precisa estar junto de sua parceira, pois ela será voluntariamente ou não seviciada pelos seus colegas universitários, não que os estudantes de Teresina sejam tarados, mas pelo simples fato de ser impossível que estes removam os seus órgãos sexuais. É praticamente impossível se mecher nos horários de pico, dada a escassez de transporte para determinadas linhas. Fora isso, no intuito de encher o transporte ao máximo, muitas linhas tem apenas uma fila de cadeiras, não permitindo que uma dupla, por exemplo, sente-se no mesmo banco. Fora isso há o despreparo dos profissionais, que frequentemente são mal-humorados, motoristas despreparados, que não raramente causam acidentes, e veículos com pouca ou nenhuma manutenção, sendo já conhecidos, só no ano de 2011, dois casos onde o ônibus "entrou" numa residência, próximo aos bairros "Morada do Sol" e "Buenos Aires".

Hoje a passagem foi aumentada de R$ 1,90 para R$ 2,10. Esse preço não implica nenhuma melhora nos serviços, uma vez que não é o primeiro aumento em Teresina. Propostas como um sistema de integração tem sido promessa vaga, melhorias nos pontos de espera tem sido praticamente nulos, exceto em locais onde há publicidade desta ou daquela empresa. Com todos estes fatos, pouco ou em ocasião nenhuma abordados pela imprensa local, que em grande parte serve a interesses privados, o Jornal Nacional, na sua edição de quinta-feira, cumpriu mais uma vez com a sua função anti-social da propriedade, divulgando notícias caluniosas e injuriosas a respeito de um movimento inédito na capital do Piauí. A todo momento preocuparam-se em mostrar que "os estudantes estavam brigando por apenas 10 centavos", o que é falso, sendo uma luta contra um aumento de mais de 10% e que reivindica melhores condições para o transporte público na capital, que, é um serviço de utilidade pública, e não um serviço de "táxi coletivo" onde o dono pode estabelecer o preço que bem entender. Isso, entretanto, a ninguém surpreende, vindo de um órgão de imprensa muito bem descrito no documentário britânico "Além do Cidadão Kane"(Beyond the citizen Kane).

Alguns empresários em Teresina não entendem que a propriedade deve ter a sua função social, constituindo uma verdadeira heresia contra o direito pátrio a alegação de que "seu objetivo é meramente o lucro", essa afronta por parte deste grupelho de plutocratas, intríssecamente vinculada ao grupo político do prefeito, tem sido a gasolina que é jogada a cada dia na chama do movimento estudantil, movimento esse inspirado por lutas do passado, por lutas contemporâneas que se desenrolam no Chile e no Reino Unido, e que tem se espalhado por várias capitais brasileiras. Em breve, a plutocracia teresinense irá entender que nada acontece por acaso, e que por mais que tentem através de seus órgãos de imprensa, os quais são "patrocinados" com os caros preços que pagam por sua publicidade, os protestos tem uma raiz, que nasceu de uma semente impopular que estes plantaram. E eles que tratem de providenciar uma solução, pois enquanto muitos são senhores sem energia e qualquer sensibilidade para com o seu próprio povo, para com o trabalhador ou o estudante, os manifestantes são jovens cheios de energia, dispostos a muita coisa para atingir os fins almejados pela sociedade.


quarta-feira, agosto 31, 2011

BRASIL

Para que serve o RONE piauense?

Muitos teresinenses tem reclamado do mal atendimento do RONE, a pouca efetividade contra criminosos. O vídeo abaixo mostra quem o RONE piauiense toma por criminosos:

BRASIL

Policial militar é atingida por policial civil durante manifestação de terça-feira em Teresina
Por Cristiano Alves


Policial civil usou spray de pimenta contra manifestantes e a tenente-coronel Júlia Beatriz, que negociava com estes. Os manifestantes reivindicavam a diminuição da passagem, tendo a oficial de polícia intermediado a negociação com estes. A tenente-coronel deu voz de prisão ao policial civil. A oficial da PM-PI é responsável pela condução de um diálogo civilizado com vários movimentos sociais e por isso tem sido atacada pela imprensa local, acusada de colaboração com estes.


Fotos: Thiago Amaral


BRASIL


Teresina é sede de mais uma manifestação contra o aumento da passagem
Por Cristiano Alves

Conforme noticiado por "A Página Vermelha", Teresina voltou a ser a sede de mais uma manifestação contra o aumento da passagem. A capital piauiense não dispõe de qualquer sistema de integração de transporte, a condição de seus ônibus é precária e seus pontos não oferecem nenhuma proteção contra o forte calor teresinense. Na manifestação desta quarta-feira não houve repressão policial.

O protesto teve início por volta das 12:00 e durou até a noite. Sob o calor escaldante de 40 graus, reunindo estudantes de diversos colégios da rede pública e privada, além de organizações como a CTB, PCdoB, UJS e PSTU. Os estudantes cantaram slogans como "A luta, é minha sina, saiu do Chile e chegou em Teresina", além de dois sugeridos pelo autor deste artigo, que participou dos protestos: "prefeito, seu desgraçado, o estudante não é pago pelo estado" e "isso é imoral, aqui em Teresina não tem nem um terminal". A passagem em Teresina, cidade escassa em oferta de trabalho e de pouco movimento sindical, é considerada uma das mais caras do país. Representantes do movimento foram ouvidos pelo Ministério Público e o prefeito, pressionado pelo movimento, aceitou pensar na diminuição da passagem. Outro protesto massivo é esperado para esta quinta-feira às 09:00h da manhã.


Galeria(Fotos de Cristiano Alves) :

Estudantes carregaram faixas exigindo a diminuição da passagem

Várias organizações participaram da manifestção

A manifestação fechou vários cruzamentos da Avenida Frei Serafim

Enquanto os seus colegas de farda motorizados do RONE parecem ter perdido a noção de civilidade na manifestação do dia 30 de agosto, os cavalarianos da PM-PI, que lidam com animais, agiram de forma civilizada, evitando abusos de motoristas e garantindo a segurança, como faz o oficial da foto num cavalo árabe

A manifestação combinou passeatas e fechamento de cruzamentos, nenhum ato de repressão foi verificado no ato da quarta-feira

Fechamento do cuzamento da Avenida Frei Serafim com a Avenida Miguel Rosa

Cristiano Alves ajudando a organizar o fechamento Avenida Miguel Rosa

Medida impopular do prefeito de Teresina leva ao fechamento de importantes vias da capital, reunindo centenas de estudantes da capital do Piauí

A Central dos Trabalhadores do Brasil também participou da manifestação, alertando aos condutores de veículos sobre a razão do protesto



terça-feira, agosto 30, 2011

BRASIL

Teresinenses protestam contra os preços abusivos da passagem na capital piauiense e são reprimidos de forma implacável pela Polícia Militar
Por Cristiano Alves

Há alguns dias atrás a Polícia Militar do estado do Piauí realizou uma greve para protestar contra a sua situação na unidade da federação. Seu protesto não tivera qualquer oposição da população e ninguém lhes atacou durante suas passeatas. Essa mesma PM, que há pouco tempo era a massa manifestante agora passou a ser o agente repressor.

A passagem de ônibus em Teresina foi aumentada de R$ 1,90 para R$ 2,10, um preço abusivo numa capital de apenas 750 mil habitantes, sem qualquer terminal de ônibus, com veículos de má qualidade, sem pontualidade e com salários deprimentes para seus trabalhadores. Para se ter uma idéia do ridículo do preço, a cidade de Fortaleza, com mais de 2,5 milhões de habitantes, tem a passagem a R$ 1,70 e R$ 1,00 durante os domingos, além de uma rede de terminais de ônibus, onde o passageiro pode descer de uma linha e pegar outra gratuitamente. Esse aumento gerou protesto por parte da população de Teresina, que reuniu grande número de estudantes e mobilizou cidadãos de todas as idades. Isso, entretanto, não impediu a Polícia Militar de usar spray de pimenta contra estudantes de 17 anos e usar-se de ação violenta contra menores de idade.

A ação reuniu diversos movimentos sociais, embora tivesse caráter "sem bandeiras" segundo os manifestantes, dentre os quais se encontra o autor deste artigo, testemunho da má qualidade do serviço de transporte urbano. Este foi o segundo protesto na capital piauiense, sendo previsto ainda outro para essa quinta-feira(1º de setembro).


MUNDO

Atriz de Holywood é presa por fazer protesto pacífico nos Estados Unidos
Por Cristiano Alves

A atriz de Holywood Daryl Hannah, estrela de filmes como "Kill Bill" foi presa hoje nos Estados Unidos por fazer um protesto pacífico no país. Tendo seu direito de liberdade de expressão suprimido a atriz rejeitava a construção de um oleoduto do Texas ao Canadá que traria enormes danos ambientais, alegando que "por vezes é necessário sacrificar a própria liberdade em nome de uma liberdade maior".


Vídeo da prisão:

segunda-feira, agosto 29, 2011

MÚSICA

Nacha Guevara - Yo te nombro libertad



Por el pajaro enjaulado
Por el pez en la pecera
Por mi amigo que esta preso
Por que ha dicho lo que piensa

Por las flores arrancadas
Por la hierba pisoteada
Por los arboles podados
Por los cuerpos torturados
Yo te nombro Libertad

Por los dientes apretados
Por la rabia contenida
Por el nudo en la garganta
Por las bocas que no cantan
Por el beso clandestino
Por el verso censurado
Por el joven exilado
Por los nombres prohibidos
Yo te nombro Libertad

Te nombro en nombre de todos
Por tu nombre verdadero
Te nombro y cuando oscurece
cuando nadie me ve

Escribo tu nombre
en las paredes de mi ciudad
Escribo tu nombre
en las paredes de mi ciudad
Tu nombre verdadero
Tu nombre y otros nombres
que no nombro por temor

Por la idea perseguido
Por los golpes recibidos
Por aquel que no resiste
Por aquellos que se esconden
Por el miedo que te tienen
Por tus pasos que vigilan
Por la forma en que te atacan
Por los hijos que te matan
Yo te nombro Libertad

Por las tierras invadidas,
Por los pueblos conquistados
Por la gente sometida
Por los hombres explotados
Por los muertos en la hoguera
Por el justo ajusticiado
Por el heroe asesinado
Por los fuegos apagados
Yo te nombro Libertad

Te nombro en nombre de todo
Por tu nombre verdadero
Te nombre cuando oscurece
cuando nadie me ve

Escribo tu nombre
en las paredes de mi ciudad
escribo tu nombre
en las paredes de mi ciudad
Tu nombre verdadero
Tu nombre y otros nombres
Que no nombro por temor
Yo te nombro Libertad



CHARGE

Mercenário da OTAN

domingo, agosto 28, 2011

LIVROS

Etnocentrismo, russofobia e impulso anticomunista de Eric J. Hobsbawm em A Era dos Extremos
Por Cristiano Alves

A Página Vermelha idenficou na obra do dito "renomado historiador marxista" uma série de falsificações em "A Era dos Extremos" que vão desde a desinformação a respeito do sistema político soviético até russofobia e etnocentrismo 


É muito comum ouvir o nome de Hobsbawm nos quatro cantos do mundo acadêmico, especialmente em faculdades de História. Sua obra é recomendada num dos mais bem conceituados concursos do Brasil, o da carreira diplomática, cujo programa recomenda as "Eras" do autor nascido no Egito de nacionalidade britânica. De fato, muitos o vêem como "a última palavra em História", uma espécie de guru para alguns, e homem influente da chamada "esquerda verdadeira", isto é, esquerdistas que se autoproclamam, abertamente ou não, a "última palavra em termos de marxismo"; o que pesa ainda mais em razão da militância deste no PCGB, isto é, o Partido Comunista da Grã-Bretanha. A verdade, entretanto, e a intenção de repassá-la nem sempre é um elemento contido nos livros de Eric John Hobsbawm, devendo ser esta buscada e espalhada, a fim de que novos erros não venham a ser repetidos e mentiras possam ser destruídas como uma muralha que impede a todos de ver a verdade.

A Era dos Extremos, assim como várias outras obras de Hobsbawm, é uma referência para muita gente no tocante à história do século XX, independente de suas visões políticas, de modo tal que o historiador britânico consegue congregar num mesmo universo "esquerdistas" e conservadores, sendo classificado como tal por ambos os grupos. O próprio título do livro é tendencioso, pois ele infere, implicitamente(e é necessário ler todo o livro para perceber isso), que a "Era dos Extremos" é uma era de "extrema-esquerda" e "extrema-direita", que teriam influenciado fortemente o mundo em que vivemos. Não é nenhum segredo que tais tendências existem, entretanto, para Hobsbawm a "extrema-esquerda" nada mais é do que a tendência apresentada pela União Soviética e outros países que efetivamente buscaram o socialismo em seus países, diferente do PCGB, que apenas o faz verbalmente. Para Hobsbawm as idéias de Lenin e Stalin são ideias de "extrema-esquerda" e um trecho do livro que corrobora bem esta tese está no capítulo "O socialismo real"(página 363). Este capítulo traz uma vasta pesquisa a respeito do socialismo em alguns países da Cortina de Ferro, porém negligenciando que nem todos esses Estados de "orientação marxista" eram necessariamente Estados Socialistas, porém Repúblicas Populares, assim como comete um leve deslize ao negligenciar a defesa que Marx fazia da Economia Planificada e Centralizada, esta defendida pelo filósofo alemão já em O Manifesto Comunista. Até aí, nenhum problema, o autor inclusive faz uma aguçada análise que vai de encontro à do historiador belga Ludo Martens no tocante ao nome de Nikolay Buharin, que Hobsbawm acertadamente identifica como um "proto-Gorbatchov"1.

Segundo William Bland, marxista britânico, "antistalinismo" é anticomunismo, uma vez que o primeiro nada mais é do que uma forma de atacar não o homem I. V. Stalin, porém a sua obra no primeiro Estado Socialista da história, cujo trabalho seguiu praticamente à risca os escritos de Karl Heinrich Marx. Esse antistalinismo é o grande tótem de Hobsbawm. Ao falar de Stalin, cujo governo levou a Rússia da era do arado para a era da energia nuclear(então a mais avançada forma de tecnologia da época), nas palavras do próprio Winston Churchill, também britânico, Hobsbawm não esconde o seu impulso contra o ex-sapateiro georgiano, introduzindo-o como um "autocrata de ferocidade, crueldade e falta de escrúpulos exepcionais que para muitos eram "únicas"2. Essa visão, entretanto, pode ser facilmente refutada por uma série de autores que vai desde sua filha Svetlana na consagrada obra "Vinte cartas a um amigo", até o historiador Simon Sebag Montefiore(também britânico), autor de "O jovem Stalin", livro que fora sucesso de vendas na Europa ao demonstrar um lado desconhecido do líder soviético, um poeta do Cáucaso. Deve ser lembrado aqui que esse mesmo senhor Montefiore, em uma de suas obras, insinua que "a mãe de Stalin era prostituta, uma vez que era muito pobre e provavelmente não vivia bem apenas lavando roupas"(em poucas palavras, para S. Montefiore, Stalin era literalmente um "filho da puta"), tal era o seu elitismo3.

A idéia de que "Stalin era um ditador"(termo que Hobsbawm substitui por "autocrata" para não cair em clichê), é objeto de onanismo político dos defensores do liberalismo econômico, do conservadorismo político e de outras ideias da classe dos exploradores do povo, além de ser objeto também de onanismo político da extrema-esquerda, que para Lenin era uma "doença infantil do comunismo"4. A idéia do "Stalin ditador absolutista", entretanto, é tão realista quanto um cavalo alado ou um leão falante, ela já foi esclarecida num diálogo de Stalin com Eugene Lyons5, que o entrevistou pessoalmente, e refutada por autores como William Bland, que estudou seu governo e até sua personalidade baseado no testemunho de pessoas que estiveram com ele. Os estudos de Bland demonstram que Stalin, premier soviético, tinha um poder menor do que o do Presidente dos Estados Unidos, no governo soviético. Enquanto este era o secretário-geral do PCUS e chefe do governo soviético(mas não de Estado), o soberano americano executava as duas funções. Essa limitação do poder de Stalin é mais tarde reconhecida inclusive por Harry Truman, líder americano, que durante as negociações relativas às áreas de influência na Europa mencionava que não se podia adotar por parâmetro as "decisões do Tio Joe"(nota: Stalin)6, em razão deste ser um "prisioneiro do Politburo". Essa versão é corroborada pelo professor Grover Furr, dos Estados Unidos, ampliada num debate com um professor do Reino Unido que deu origem a um importante texto a respeito, mostrando as limitações do governo de Stalin7. Este mesmo professor, em "Stalin e a luta pela reforma democrática"8, apresenta várias limitações da autoridade do líder georgiano e até apresenta um fato ignorado por praticamente todos os estudiosos do premier soviético, uma proposta sua de eleições diretas para os postos do governo soviético a ser incluída na Constituição de 1936, vetada pelos outros membros do Politburo. Grover Furr, tomando por base os estudos de um renomado historiador russo, o Dr. Yuri Júkov, alega ser uma mentira o mito de Stalin como "ditador todo-poderoso". Ainda, o líder albanês Enver Hodja afirmou que "Stalin não era um tirano, um déspota", mas "um homem de princípios"9. Sidney e Beatrice Webb, em "Soviet Communism: A New Civilisation", também rejeitam a idéia de que o Estado Soviético era governado por uma só pessoa10. 

Um dos poucos pontos positivos da obra de Hobsbawm está em seu reconhecimento do surgimento de uma nova sociedade surgida com as idéias dos bolchevistas na União Soviética. Na foto, uma parada cívica de atletas soviéticas nos anos 30.

Refutada a idéia do "Stalin autocrata", é necessário questionar, investigar e fazer conclusões sobre a idéia do "Stalin cruel", adotando uma corrente que nada tem de "stalinista", mas de racionalista, mais próxima de Voltaire do que de Stalin. A imagem deste "Darth Vader vermelho", deste "Arthas de bigode", vendida por historiadores como Hobsbawm, cujo impulso antistalinista o leva a extremos, foi objeto de estudo do marxista-leninista britânico William Bland. Em seu documento "O culto do indivíduo"11, Bland demonstra que segundo o líder albanês Enver Hodja "Stalin era modesto e bastante gentil com as pessoas, os quadros e seus colegas", e segundo o embaixador dos Estados Unidos na União Soviética, Joseph Davies, citado no trabalho de Bland, Stalin era um "homem simples, de gestos agradáveis". Contrastando ainda com essa imagem, a filha do próprio Stalin, Svetlana Alilulyeva, descreve o líder soviético como um pai atencioso, amável. Segundo Georgiy Júkov, Marechal da União Soviética, "Stalin conquistava o coração de todos com quem conversava"12. Como se não bastassem essas declarações, o "cruel Stalin" jamais ordenara a prisão de Mihail Bulgákov, um escritor que pensava diferente do Estado Soviético e lhe era crítico, apreciava o talento de Maria Yudina, pianista considerada louca na URSS mas admirada por Stalin, e tinha por um de seus hobbies não a caça ou a pescaria, mas tão somente plantar árvores ou plantas de jardim, características incomuns num "sujeito cruel". Para alegar que "Stalin era cruel" é necessário comprovar tal alegação, por exemplo, com algum documento de Stalin que demonstrasse atos de crueldade, documentos que inexistem, tornando a alegação de Hobsbawm pura sofistaria.13

Stalin, segundo Eric Hobsbawm
Não bastasse o impulso anti-Stalin de Hobsbawm, de dar inveja a qualquer propagandista do III Reich, Hobsbawm chega a mais um extremo ao alegar que "poucos homens manipularam o terror em escala mais universal". É questionável o porquê de Eric ter adicionado esta descrição, será que chamar de "cruel e autocrata" já não era suficiente para o britânico? É de se supor que esta afirmação tenha sido inserida como forma de "blindar" o autor de A Era dos Extremos contra possíveis alegações de "stalinista" por parte de seus editores ou mecenas burgueses. Um elogio de Hobsbawm ao Banco Mundial no referido livro pode ser indicativo de uma de suas fontes de financiamento. É comum que certos indivíduos confundam "amor a uma coisa" com "ódio por outra", usando-se do ódio como forma de demonstrar "apreço" por uma outra coisa, como Hitler na Alemanha, que sendo austríaco, usava o ódio contra eslavos, negros e judeus como forma de demonstrar um suposto "amor" pelo país, ou como o marido que bate na esposa como forma de mostrar que "a ama". Mais uma vez, essa tentativa desesperada de Hobsbawm de doutrinarnos com sua sofistaria através de uma linguagem de ódio vai por água abaixo ante os estudos do Dr. Yuri Júkov e do professor Grover Furr. Mesmo o discurso de Nikita Hruschov no XX Congresso do PCUS, que talvez conferissem alguma legitimidade ao historiador britânico foi provado como falso pelo professor americano em sua obra "Hruschov lied", que demonstra que 60 das 61 acusações de Hruschov em seu discurso no referido congresso são falsas, discurso que, diga-se de passagem, é ignorado por Eric Hobsbawm, mesmo sendo um dos discursos mais importantes do século XX, sua obra carece de qualquer investigação séria desse discurso e de sua veracidade. O professor Grover Furr, responsável por investigar e desmascarar o discurso fraudulento de Hruschov, demonstra como falsa a idéia de Stalin como "todo poderoso soviético", demonstrando que esse não exercia controle sobre o NKVD, órgão para a defesa da Revolução Bolchevique que nos anos 30 cometera sérios abusos de poder sob a direção de Genrih Yagoda e Nikolay Yejov, ambos exonerados, processados, julgados, condenados e executados, sendo este último substituído por Lavrenti Beria.

Adolf Hitler, o mais célebre dos anticomunistas. Em várias oportunidades deixou transparecer seu ódio contra Stalin
Fazendo o papel de pícaro do marxismo a serviço de forças reacionárias, Hobsbawm descreve o crescimento do sistema soviético como o resultado de uma "força de trabalho de 4 e 13 milhões de pessoas prisioneiras(os gulags)", citando Van der Linden. Essa cifra absurda já foi contestada por uma vasta gama de autores e refutada pelos documentos desclassificados na época da Glasnost e assinados pelo Procurador-Geral da União Soviética R. Rudenko, o Ministro do Interior S. Kruglov e o Ministro da Justiça K. Gorshenin, que demonstram o número de cerca de 2 milhões de presos na URSS, um número inferior em termos absolutos e proporcionais ao número de presos nos EUA(que por volta de 2006 era de 7 milhões). Essa mesma tabela divulgada pelo governo anticomunista de M. Gorbatchov fora divulgada pelo sueco Mário Sousa14, por Alexander Dugin, Zemskov e Ludo Martens. Ela é a prova de que autores como Hobsbawm e outros de sua camarilha mentem deliberadamente quando o assunto é "União Soviética", algo que não se atrevem a fazer quando falam de seus próprios países, responsáveis pela morte de milhões de pessoas ao redor do mundo. Estima-se que a Grã-Bretanha, país de Hobsbawm, tenha provocado deliberadamente uma grande fome na Índia que matou cerca de 30 milhões de pessoas. Curiosamente, sua soberana, a Rainha Elizabeth II e seus primeiros-ministros, não recebem nem metade dos epítetos que o historiador lança furiosamente e irresponsavelmente sobre Stalin.

Adotando uma posição reacionária, Hobsbawm atribui como causa da fome na Ucrânia em 1932-33 a "coletivização da agricultura", medida adotada para promover a justiça social no campo e evitar a figura do kulak, o historiador britânico ignora completamente o papel destes na sabotagem da agricultura, do tifo e da seca, fatores abordados e detalhadamente pesquisados pelo historiador belga Ludo Martens15. Com muito pouca objetividde, E. Hobsbawm descreve Stalin como um "homem pequenino", de "1,58", embora registros médicos o indicassem como tendo 1,71, e observações de Wallace Graham, médico de Harry Truman16, o indicasse como tendo a mesma altura de Hitler, isto é, por volta de 1,73, e fichas de informação do governo tzarista o descrevessem como tendo 1,74. Na página 386 da edição em português de seu livro, Hobsbawm, com seu anti-sovietismo e russofobia, descreve a URSS como sendo responsável pelo "saque" dos países então libertados pelo Exército Vermelho. Num ato de vilania, ele omite ao leitor que estes países libertados eram ex-aliados da Alemanha nazista que, juntos com esta, participaram do massacre de mais de 20 milhões de soviéticos, países como a Tchecoeslováquia, Hungria, Romênia e Bulgária, cujo contingente enviado para a Operação Barbarrossa ultrapassava os 300 mil homens. Falando sobre a Hungria, a propósito, Hobsbawm se atreve a defender o levante de 1956, organizado pelos partidários do fascista Horty, aliado de Hitler durante a Segunda Guerra.

Sem dúvidas, um dos pontos mais curiosos em "A Era dos Extremos" é o impulso antistalinista latente de Eric Hobsbawm, levando-o a despir-se de todo método dialético para abraçaro método maniqueísta. Poucos nomes em sua obra impregnada de subjetivismo são tão demonizados como a figura de Stalin. Nem mesmo Hitler, cujo projeto político exterminou cerca de 60 milhões de pessoas17 e incluía na sua agenda um racismo aberto, é descrito como "cruel, perverso, tirano" no livro de Hobsbawm; nem mesmo Harry Truman, cujo governo introduziu a bactéria da sífilis em mais de centenas de indivíduos para usá-los como cobaias humanas, é descrito como "perverso"; nomes como Mussolini, Margaret Tatcher e outros personagens reacionários do século XX não recebem um espaço especial para demonização como o líder responsável pela destruição de mais de 70% das forças nazistas. 

O que Eric Hobsbawn pretende e quais os seus objetivos com o seu onanismo político? Será que ele acredita mesmo que todos os seus leitores são todos tolos ou acéfalos incapazes de pesquisar a respeito de um pesonagem de tão grande importância no século XX, considerado um dos três maiores nomes da história da Rússia na pesquisa "The Name of Russia", efetuada em 2008, mesmo após anos de vilania anti-stalinista e, portanto, anticomunista? Impressiona como a sugestão de livros a respeito do socialismo real do Sr. Hobsbawn não traga sequer um só autor que examine a URSS com objetividade e sem preconceitos. É este falsificador e farsante o "grande historiador marxista"? Que "marxistas" como Hobsbawn, com seu onanismo político, sejam exaltados e gozem de excelente reputação na mídia de massa, isso é perfeitamente compreensivo, porém cabe apenas aos tolos digerir o produto de sua diarréia mental. Aquele que de fato compreende a força dos valores iluministas, a importância da pesquisa, da investigação e da conclusão buscam o conhecimento, não se acomodam com "historiadores marxistas recomendados pela mídia", eles denunciam pícaros do movimento marxista e fazem a verdade ir até o topo das montanhas, ressoar pelas paredes, eles fazem com que as nuvens façam chover essas verdades que cairão como uma espada afiada que destroça a vilania e a mentira!


Fontes:

1- HOBSBAWM, Eric J. A Era dos extremos: Breve século XX 1914-1991. 2ª edição. Tradução de Marcos Santarrita. Companhia das Letras
2- ibid., pg. 371
3- Artigo do jornal A Hora do Povo. Em: http://www.horadopovo.com.br/2009/janeiro/2733-14-01-09/P8/pag8a.htm
4- Ver "Esquerdismo, doença infantil do comunismo", por V. I. Lenin
5- E. Lyons: Stalin: Czar of All the Russias; Philadelphia; 1940; p. 196, 200, citado em "The cult of the Individual", por William Bland. Em: http://www.mltranslations.org/Britain/StalinBB.htm
6- No original: "I got very well acquainted with Joe Stalin, and I like old Joe! He is a decent fellow. But Joe is a prisoner of the Politburo." President HARRY S. TRUMAN, informal remarks, Eugen, Oregon, June 11, 1948. Public Papers of the Presidents of the United States: Harry S. Truman, 1948, p. 329.
7- FURR, Grover. Stalin foi um ditador? Tradução de Gláuber Ataíde Em: http://www.omarxistaleninista.org/2011/04/stalin-foi-um-ditador.html
8- Em http://pt.scribd.com/doc/62898033/stalinealutapelareformademocratica-parte-II
9- E. Hoxha: With Stalin: Memoirs; Tirana; 1979; p. 14-15, citado em "The cult of the Individual", por William Bland. Em: http://www.mltranslations.org/Britain/StalinBB.htm
10- Citados em "The cult of the Individual", por William Bland. Em: http://www.mltranslations.org/Britain/StalinBB.htm
11- Em http://www.mltranslations.org/Britain/StalinBB.htm
12- G. K. Zhukov: The Memoirs of Marshal Zhukov; London; 1971; p. 283. Citado em "The cult of the Individual", por William Bland. Em: http://www.mltranslations.org/Britain/StalinBB.htm
13- Há vários indícios de falsidade de um documento supostamente assinado por Stalin que ultimamente tem ganho grande popularidade, que revelaria sua "crueldade em Katyn": http://pt.scribd.com/doc/62732715/Katyn-49-sinais-de-falsificacao-do-pacote-secreto-n-1
14- Ver http://www.mariosousa.se/MentirassobreahistoriadaUniaoSovietica.html
15- Em Stalin, um novo olhar.
16- Citado em: http://humanheight.net/famous_people/sources/height_of_stalin_source.html
17- http://en.wikipedia.org/wiki/World_War_II_casualties




Stalin foi considerado pelo povo russo como um dos 3 maiores nomes de sua história, embora seja originalmente georgiano. Neste pôster soviético ele congratula trabalhadores soviéticos com duas grandes ordens conferidas a civis e militares, a Ordem de Lenin e a medalha de Herói do Trabalho Socialista.

sexta-feira, agosto 26, 2011

CULTURA


Dalol az ifjúság(Cante a importância da juventude)

Aqueles que foram à batalha ainda cantam
Centenas de canções de batalhas, velhas citações
Flamejantes que alcançam até as nuvens
E que ecoam através das paredes

Ref:
A terra canta, o mundo canta
A importância da juventude
A colina canta a canção que percorre o mar
E de um novo ritmo de canção
Levanta-se numa grande batalha
Um homem de paz

Aqueles que viveram por nós cantam sempre
E a canção torna-se forte como tempestade
Que alcança os jardins
O vento desvia-se quando ela vem.

Ref:

Hoje a velha chama está em novos corações
Jovens cantos de verão no dia de hoje
E ela pode alcançar todo o mundo
Até a mais jovem e virgem flor.


quarta-feira, agosto 17, 2011

Canal da Vitória

Образование на Украине - Educação na Ucrânia(legendado em português)

BBC ou Globo: Lá, como cá, o jornalismo é o mesmo

Extraído do Diário Vermelho

"Não há diferença essencial entre a Rede Globo e a BBC. Os que querem “mídia” podem perder suas últimas ilusões liberalóides conservadoras. Nenhum jornalismo-que-há sempre será melhor que o jornalismo-que-há". Artigo assinado pelo coletivo Vila Vudu, reproduzido a partir do blog Redecastorphoto.


A matéria abaixo esteve no ar. Nunca aconteceria no Brasil, porque a Rede Globo nunca entrevista gente que seja realmente contra a posição da “mídia” e as convicções pessoais dos jornalistas.

Aliás, fazem todos muito bem, porque ouviriam o que não querem ouvir nem querem que ninguém ouça e vivem para impedir que as pessoas digam e, se alguém disser, para impedir que a opinião pública ouça. Mas o horror do jornalismo-que-há, que só existe para impor opiniões feitas, é muito parecido.

Para os que pensem que só a Rede Globo faz o que faz e que algum outro tipo de jornalismo-empresa seja algum dia possível ou pensável, aí vai bom exemplo de que a Rede Globo é, só, a pior do mundo, mas faz um mesmo e idêntico “jornalismo”, feito por jornalistas autistas, fascistas sinceros, absolutamente convictos de que “sabem mais”, só porque são donos da palavra e nunca ouvem o “outro lado”, sobretudo se o outro lado quiser falar DELES e das empresas para as quais trabalham.

O problema do mundo não é a Rede Globo (ou, pelo menos, não é mais a Rede Globo que a BBC). O problema do mundo é que o jornalismo (que é aparelho ideológico criado e mantido para uniformizar as opiniões e constituir mercados homogêneos, seja para o consumo uniforme de sabão em pó e remédio antipeido, seja para o consumo uniforme de ideias sobre ética e democracia e justiça) é o único dono da palavra social. Se se inventar mídia que não seja única dona, feudatária, da palavra social, acaba-se o jornalismo-que-há.

Quem ainda duvidar, veja (abaixo) e leia a seguir (traduzido pelo Coletivo da Vila Vudu): 


Transcrição da entrevista:
Shocking Footage: BBC Presenter Attacks Black Veteran Over London Riots – Aug, 09,2001

BBC (para a câmera): Vamos falar com Marcus Dowe, escritor e jornalista. (A câmera mostra um senhor, visivelmente perturbado.) Marcus Dowe, qual sua opinião sobre tudo isso? Você está chocado com o que viu lá a noite passada em Londres?
Entrevistado: Não, não estou. Vivo em Londres há 50 anos e há “climas” e momentos diferentes. O que sei, ouvindo meu filho e meu neto, é que algo muito, muito sério estava para acontecer nesse país. Nossos líderes políticos não tinham ideia. A Polícia não tinha ideia. [Só faltou completar: “Os jornais e os jornalistas não tinham ideia”.]

Mas se se olhasse para os jovens negros e para os jovens brancos, com atenção, se os ouvíssemos com atenção, eles estavam nos dizendo. E não ouvimos. Mas o que está acontecendo nesse país com eles...

BBC: Posso interrompê-lo, por favor... O senhor está dizendo que não condena o que houve ontem? Que não está chocado com o que houve em nossa comunidade ontem à noite?
Entrevistado: É claro que não condeno! Por que condenaria? A coisa que mais me preocupa é que havia um jovem chamado Mark Dogan, tinha casa, família, irmãos, irmãs. E a poucos metros de sua casa, um policial rebentou sua cabeça com um tiro.

BBC [interrompendo]: Sim, mas não podemos falar sobre isso. Temos de esperar o julgamento, o tribunal não se manifestou sobre isso... Não sabemos o que aconteceu. O senhor estava falando do seu filho, de jovens...

Entrevistado: Meu neto é um anjo. Me enfureço só de pensar que ele vai crescer e um policial pode colá-lo a uma parede e explodir sua cabeça com um tiro. A Polícia detém e pára e revista os jovens negros sem qualquer razão. Alguma coisa vai muito mal nesse país. Perguntei ao meu filho quantas vezes ele foi parado pela polícia. Ele me disse “Papai, não tenho conta de tantas vezes que aconteceu...”

BBC: Mas... Isso seria justificativa para sair e quebrar tudo, como vimos nos últimos dias em Londres?
Entrevistado: Onde estava você em 1981 em Brixton? Não digo que estão acontecendo “tumultos”. O que está acontecendo é insurreição das massas, do povo. Está acontecendo na Síria, em Liverpool, em Port of Spain... Essa é a natureza do momento histórico que vivemos.

BBC: O senhor não é estranho a essas agitações. O senhor já participou de agitações como essa, como sabemos.
Entrevistado: Nunca participei de agitação alguma. Estive em muitas manifestações que acabaram em conflitos. Seria normal que a Polícia da Índia Ocidental me acusasse de ser agitador. Mas absolutamente não admito que você me acuse de agitador. Quis oferecer um contexto para o que está acontecendo. O que é que vocês queriam? Masmorras?

BBC: Infelizmente, o senhor não conseguiria ser objetivo. Obrigada pela entrevista.

[Corta e o “jornal” passa a falar da suspensão de uma partida de futebol].