domingo, novembro 07, 2010

Originalmente publicado no Blog Mamayev Kurgan (http://mamayev-kurgan.blogspot.com/) do historiador Paulo Gabriel



Causas do fim da União Soviética - Parte II

Aproxima-se o aniversário de 93 anos da Grande Revolução de Outubro. No calendário da antiga Rússia, o marco da Revolução é o dia 25 de Outubro, porém no calendário atual, o dia é 7 de Novembro. Como parte da homenagem a esse grande episódio da história da humanidade, seguirei com a segunda parte das causas do fim da União Soviética, com o intuito de apresentar a versão marxista de seus problemas econômicos internos. Versão esta, que é ignorada por grande parte dos ditos marxistas e pela maioria das pessoas do mundo, que preferem acreditar com todas as suas forças na velha versão liberal de que os mais fortes (ou mais competitivos e individualistas) sobrevivem.

Guerra Fria e a relatividade do conceito de bipolaridade

Bom, o primeiro ponto a ser abordado é: por mais que o mundo no século XX estivesse dividido em dois campos antagônicos, o socialista e o capitalista, eles não eram dois blocos monolíticos e isolados um do outro. O pragmatismo econômico levava a trocas entre os países rivais e, não olhemos apenas para o lado econômico, haviam trocas culturais também. Utilizemos um exemplo bem simples, porém de enormes proporções. Um estudante ocidental em maio de 1968, apesar das restrições e censuras em muitos países, levantou-se junto com milhares de seus companheiros em prol de uma sociedade mais justa e igualitária. O exemplo: Mao Tse-Tung e a República Popular da China. E não se enganem, da mesma maneira que essas ideias penetraram no ocidente, a ideologia liberal conquistou seu espaço no "oriente vermelho" também. Principalmente nos anos 70 e 80 com a grande influência de teóricos como Martin Friedman, que influenciaram variados países que buscavam um maior desenvolvimento econômico. Entre estes países, inclui-se a Polônia "socialista" [1].

Neste sentido, o conceito de bipolaridade se torna um pouco mais complexo do que normalmente se ouve falar. O antagonismo nos discursos muitas vezes não era acompanhado na prática e, o que parecia ser uma disputa aguda entre dois sistemas, estava mais próximo de uma disputa de interesses geopolíticos entre nações imperialistas. O próprio cisma sino-soviético é uma prova disso. Duas grandes nações, supostamente do mesmo bloco, se tornam inimigas mortais de uma hora para outra. Ora, que bipolaridade é essa? Alguns analistas dizem que foi a brilhante diplomacia americana que causou tal separação, enganam-se. Os interesses estratégicos - e predatórios - da União Soviética em relação à China, além dos graves conflitos ideológicos entre os dois Partidos (Partido Comunista da União Soviética e Partido Comunista da China) resultaram em uma separação definitiva entre os dois países.

Ora, mas qual seria o conflito ideológico entre duas nações ditas socialistas? Não seriam as duas grandes nações portadoras do mesmo sistema? Ou seja, planificação central da economia, coletivização das terras, socialização dos meios de produção, etc. A resposta é não. Como eu disse, a bipolaridade é um conceito relativo e, a URSS, à época do cisma com a China, já estava infectada com a ideologia liberal e dominada por uma nova burguesia conhecida como nomenklatura.

O Cisma sino-soviético e a influência burguesa na URSS

Vimos anteriormente que a causa principal do cisma no bloco socialista foi o conflito ideológico entre um Partido claramente marxista (O PCCh) e um com fortes tendências liberais (O PCUS), ao contrário do que se diz sobre a eficiência da diplomacia estadunidense. Mas qual seria a base de tais disputas? Estariam os chineses corretos em sua análise? Estaria a URSS seguindo políticas claramente capitalistas? Comecemos com as palavras do próprio Mao Tsé-Tung:


"[...]O Comitê Central do PCUS apontou em seu relatório ao 19º Congresso do Partido, em Outubro de 1952, que a degeneração e a corrupção haviam aparecido em certas organizações do Partido.


"Os líderes destas organizações haviam as transformado em pequenas comunidades compostas inteiramente de seus próprios companheiros, 'colocando seus interesses de grupo acima dos interesses do Partido e do Estado' (N. A., Aqui Mao cita as palavras do relatório soviético). Alguns executivos de empresas industriais 'esquecem que as empresas que foram confiadas a eles são do Estado, e tentam torná-las parte de seus próprios domínios privados'.


"[...] Desde que Kruschev usurpou a liderança do Partido e do Estado, houve uma mudança fundamental na luta de classes na União Soviética.


"Kruschev conduziu uma série de políticas revisionistas que serviram aos interesses da burguesia, aumentando rapidamente as forças do capitalismo na União Soviética." [2]

Nestes trechos, retirados dos escritos do líder chinês do ano de 1964, é fácil a observação de uma crítica feroz ao regime soviético e de uma clara inconsistência ideológica entre as duas nações. Estas palavras de Mao representam a análise chinesa acerca da URSS, mas ainda fica no ar a questão se ela condiz ou não com a realidade. Vejamos o que economistas soviéticos diziam após a morte de Stálin:

"Estas deficiências na gestão da economia devem ser eliminadas não através da complexificação, do maior detalhamento e centralização da planificação, mas sim através do desenvolvimento da iniciativa e da independência econômica das empresas - Empresas devem possuir iniciativa mais ampla; elas não devem estar presas a uma tutelagem trivial e a métodos burocráticos de planificação central" [3]

Observem o caráter tipicamente liberal deste trecho - independência econômica das empresas em contraponto à planificação socialista. Maior independência para as empresas significa:

1. A desregulação da planificação. À medida que empresas ganham maior independência, elas repassam cada vez menos de seu lucro para o Estado, facilitando a concentração de capital na mão de seus gestores e provocando uma desigualdade de rendimentos e investimentos entre as empresas e ramos econômicos do país.
2. Maior concentração de capital em empresas independentes - a volta da busca pelo lucro. Basicamente se forma uma propriedade privada não-oficial. Já que os gestores passaram a deter mais poder.
3. Uma "planificação" vinda de baixo. As empresas mudam seus planos conforme seus desejos, basicamente inutilizando os planos centrais e criando uma série de mecanismos de mercado como, por exemplo, a flutuação de preços.

A passagem acima citada foi escrita por um economista soviético em 1955, em tempos que Bill Bland definiu como a fase de propaganda das reformas capitalistas na URSS [4].

Subseqüentemente, em Setembro de 1965, veio a fase de implementação de tais reformas. Fase liderada pelo Primeiro-Ministro Alexei Kosygin. Vejamos, em números, o que estas reformas alcançaram em 4 anos em relação a concentração de lucros e, portanto, de capital nas mão de empresas cada vez mais independentes da planificação:

1966: 26%
1967: 29%
1968: 33%
1969: 40% [5]

A porcentagem significa o quanto de lucro uma empresa deteve para si em detrimento do Estado.

Portanto, Mao tinha razão em relação ao aburguesamento da União Soviética. Os revisionistas estavam restaurando o capitalismo em larga escala, sob o pretexto disfarçado de melhorar a eficiência do planejamento central. De fato, como o prosseguimento da história nos mostrou, as reformas minaram a eficiência do planejamento e também não implantaram totalmente uma economia de mercado, causando uma forte estagnação econômica nos anos 70. A então segunda economia do mundo entraria nos anos 80 em uma espiral de decadência.

Influência burguesa e fortalecimento de uma elite


A forte influência do liberalismo na URSS resultou no fortalecimento de uma elite e em uma forte estratificação da sociedade soviética. Isto porque as reformas econômicas revisionistas privilegiavam a alta administração do Estado e do Partido, colocando boa parte dos lucros das empresas diretamente em suas mãos e enfraquecendo o planejamento central. O que significa isso?

Basicamente significa a desmobilização da ditadura do proletariado e a transformação do regime soviético em uma ditadura sobre o proletariado. O planejamento central tinha duas funções primordiais: 1. Distribuir igualmente as riquezas da nação; 2. Fiscalizar as atividades econômicas de toda a União. A distribuição igual das riquezas servia como a argamassa social que unia todos os povos em torno de uma nação, provendo um padrão de vida médio a todos e impedindo a exploração do homem pelo homem, já que eliminava a mais-valia. É o sustentáculo primordial do socialismo e o instrumento básico para a constituição de uma sociedade igualitária e justa. E a fiscalização das atividades econômicas é a ação que permitia a construção deste tipo de economia socializada. Como tudo era planejado e decidido em detalhes, qualquer rublo sequer que fosse desviado da economia era facilmente perceptível pelas autoridades e repreendido com rigor. Portanto o surgimento de uma classe burguesa que concentrasse capitais em suas mãos era uma possibilidade bem remota.

À medida que o planejamento central é dificultado através do já mencionado "planejamento de baixo pra cima" e o controle da economia pelo Gosplan (Ministério do Planejamento) é enfraquecido, abre-se um grande espaço para o enriquecimento ilícito por parte das camadas administrativas do Estado e do Partido. Disto resulta uma nova classe de capitalistas "vermelhos", que passam a investir no mercado negro para aumentarem seus lucros e patrimônios pessoais. Detendo poder político e econômico, esta classe soviética passa a utilizar os mecanismos repressivos do Estado contra o proletariado (vide o Capítulo 8 da obra de Bill Bland, "Liberdade de contratar e demitir"), demolindo a força dos sindicatos e dos trabalhadores através da "flexibilização" dos direitos trabalhistas. Logo, a URSS se transforma em algo muito próximo de um Estado capitalista monopolista, em outras palavras, de uma ditadura sobre o proletariado.

A ditadura sobre o proletariado e a segunda economia

Finalmente chegamos ao ponto crucial deste artigo: a segunda economia ou, em outras palavras, o mercado negro privado na URSS. Keeran & Kenny definem a segunda economia soviética como "atividade econômica para ganho privado, seja legal ou ilegal" [6]. A economia privada persistia na União Soviética de Stálin, porém de forma legal. Um exemplo usual é o da agricultura, em que era permitido aos camponeses soviéticos possuírem uma pequena parte de terra para cultivar suas próprias plantas e criar seus próprios animais, como uma forma de complementação aos seus salários nas fazendas coletivas e/ou estatais. Calcula-se que em 1950, 22% do PIB da URSS vinha deste tipo de economia privada legal [7]. Já os tipos ilegais eram fortemente proibidos e coibidos pelo Estado, não representando problema sério ao socialismo. Dentre os tipos ilegais encontram-se práticas como utilizar dinheiro público para a construção de dachas, vender bens públicos a terceiros, alugar casas, vender combustível de carros pertencentes ao Estado, entre outros tipos de corrupção e desvio de bens do povo.

No entanto, a partir da morte de Stálin e do golpe revisionista, este mercado negro começou a crescer exponencialmente, resultando, no fim dos anos 70, em taxas que beiram os 35% da economia soviética [8], segundo especialistas na área como Gregory Grossman.

Neste sentido, podemos observar que a formação de uma nova classe burguesa fomentou o crescimento do mercado negro, o mercado capitalista. Quanto mais dinheiro era movimentado ilegalmente, mais a nomenklatura enriquecia, mais forte se tornava a economia de mercado e mais bizarro e irreal tornava-se o planejamento central socialista. Além disso, essa base capitalista clandestina da economia soviética fomentava as ideologias liberais no seio do país, já que a estrutura de produção material de uma nação influi tremendamente no pensamento, na ideologia e na cultura desta. Em outras palavras, criou-se as bases econômicas e sociais do capitalismo.

Os êxitos da planificação socialista

Como um contraponto ao fracasso econômico revisionista, é importante frisar os êxitos da economia socialista. Desde a introdução dos Planos Qüinqüenais, a URSS cresceu a taxas nunca antes vistas na história da humanidade, saindo de uma economia atrasada e semi-feudal e alcançando o posto de segunda economia do mundo em menos de 30 anos. Como exemplo, citarei alguns dados relativos à época:

*De 1930 a 1940, o crescimento médio da produção industrial foi de 16, 5% ao ano. [9]
*Crescimento industrial comparado entre 4 países, de 1919 a 1939:

Alemanha: —24.6%
Grã-Bretanha: —14.8%
EUA: +10.2%
URSS: +291.9% [10]


*Crescimento do capital fixo industrial, tomando como 100 o índice de 1913: 136 (1928) e 1085 (1940) [11]
*Crescimento do capital fixo agrícola, tomando como 100 o índice de 1913: 141 (1928) e 333 (1940) [12]
*Índice de incremento da produção industrial bruta de 1936 a 1938: crescimento de 88%. Sendo o aumento nas indústrias de bens de capital de 107% e, o nas indústrias de bens de consumo, de 66%[13]

Ao observar os dados, é impressionante o quanto que a URSS se desenvolvia economicamente. As proporções não são nem comparáveis aos dos países capitalistas de tão superiores. A planificação socialista fez o que as potências ocidentais demoraram 300 anos para fazer, em menos de 30. Fazendo a União Soviética, um país recém-formado, ultrapassar países já desenvolvidos como a Alemanha, a Inglaterra, a França, o Japão. Apenas os Estados Unidos se mantiveram na frente do Urso Vermelho. E o posto de segunda economia do mundo só foi retirado quando do colapso do país, em 1991.

Portanto, não se pode deixar de lado a planificação socialista, alegando seu suposto fracasso e entoando aos quatro cantos do mundo a superioridade da economia de mercado. Pois os sucessos soviéticos durante o tempo em que o planejamento dominou a política econômica são gigantescos, sendo dificilmente ultrapassáveis por qualquer economia capitalista. Como vimos, a introdução de mecanismos de mercado e o fortalecimento do mercado negro é que foram as principais causas da estagnação econômica da URSS.

Conclusão

Durante a Guerra Fria, as trocas culturais entre as nações do mundo não cessaram completamente e muito da propaganda e da ideologia burguesa penetrou em regimes socialistas. A União Soviética sofreu inclusive uma mudança radical após a morte de Stálin e o golpe revisionista de Kruschev contra as lideranças marxistas-leninistas restantes. Esta mudança, como já vimos, resultou em uma série de reformas que restauraram certos mecanismos da economia de mercado, dificultando o funcionamento no planejamento central. Tais reformas privilegiaram a alta cúpula da administração estatal, o que acabou por formar uma nova e poderosa elite capitalista, fomentando a existência de um mercado negro na URSS e a constituição de uma ditadura sobre o proletariado.

Esta debilitação da economia socialista acabou por criar uma estagnação terrível na União Soviética, que resultou em uma brusca queda do padrão de vida da população, uma grande concentração de renda na mão de poucos e na explosão de todo o tipo de atividade ilegal, incluindo o crime organizado - a temida máfia russa. Tudo isto foi feito com o consentimento do Partido, seja através da corrupção, seja através da má índole dos líderes. Fez-se vista grossa ao assunto, já que quase não se discutia a segunda economia na URSS, e manteve-se uma aparência de socialismo.

As reformas econômicas revisionistas foram apresentadas como medidas para o aumento da eficiência da planificação central e as atividades ilícitas varridas para debaixo do tapete.

Portanto formalmente a URSS permaneceu como uma economia socialista centralmente planificada até a perestroika de Gorbachev, mas na realidade, era um misto nenhum pouco harmônico de economia capitalista e socialista. Os problemas econômicos derivavam, em grande parte, da corrupção, do mercado negro e da confusão gerada na planificação quando da introdução da busca pelo lucro, da independência das empresas em relação ao Estado, da flutuação de preços, etc. O que Gorbachev fez, na verdade, foi legalizar boa parte do mercado negro capitalista e dissolver de vez os últimos resquícios da economia socialista, para assim beneficiar a nomenklatura e reestruturar a economia em frangalhos da URSS.

Concluo que as deficiências econômicas internas da União Soviética estavam mais ligadas às reformas capitalistas instauradas de maneira estabanada e pouco harmônica do que ao sistema socialista de planificação central. Até porque, pelos dados econômicos disponíveis, a URSS crescia vertiginosamente enquanto o regime marxista-leninista existia. Neste sentido, as causas econômicas internas do fim da União Soviética estão relacionadas à traição aos princípios socialistas, e não à sua aplicação coerente.


[1] Keeran & Kenny, Socialism Betrayed - Behind the Collapse of the Soviet Union, p. 51
[2] Mao Tsé-Tung, On Kruschov's Phoney Communism and its Historical Lessons for the World. N.A., trecho traduzido pelo próprio autor.
[3] E.G. Liberman: "Cost Accounting and Material Encouragement of Industrial Personnel", in: "Voprosy Ekonomiki" (Problems of Economics), No 6, 1955, in: M.E. Sharpe (Ed.): op. cit., Volume 1; p.7; citado em: Restauration of Capitalism in the USSR, de Bill Bland.
[4] Bill Bland, Restauration of Capitalism in the USSR, Chapter 1.
[5] ibid., Chapter 15.
[6] Keeran & Kenny, Socialism Betrayed - Behind the Collapse of the Soviet Union, p. 52
[7] Keeran & Kenny, Socialism Betrayed - Behind the Collapse of the Soviet Union, p. 55
[8] Keeran & Kenny, Socialism Betrayed - Behind the Collapse of the Soviet Union, p. 60
[9] Ludo Martens, Stálin - Um Novo Olhar, p. 73
[10] Bill Bland, Stalinism, palestra dada para Academia Sarat, em Londres. Dados de fontes ocidentais citadas no 17º Congresso do Partido Comunista de Toda a União (Bolchevique)
[11] Harpal Brar, Trotskismo x Leninismo - Lições da História, p.133
[12] Idem
[13] Hiroaki Kuromiya, Stalin's Industrial Revolution, p. 287

Publicado originalmente no Diário Vermelho (www.vermelho.org.br)

O Holodomor, novo avatar do anticomunismo "europeu"

Numa sociedade de classes a História é o resultado da luta de classes e não a efabulação feita em Hollywood e nas mídias dominadas pelos monopólios. Neste estudo, a historiadora Annie Lacroix-Riz fala-nos das campanhas sobre da “fome da Ucrânia, lançada em 1933 (…) quando os grandes imperialismos”, na sua intensa luta ideológica, sentem condições para a tentar impor.

A partir de novembro de 1917 sucederam-se sem descanso campanhas anti-bolcheviques tão violentas como variadas, mas a da “fome na Ucrânia”, lançada em 1933, voltou a aparecer com força nos últimos vinte anos. Desencadeia-se quando os grandes imperialismos, com a Alemanha e os Estados Unidos à cabeça, desejosos desde o século 19 de pilhar os imensos recursos da Ucrânia, se consideram em condições de o conseguir.

Por Annie Lacroix-Riz, para o Diario.Info

A conjuntura é favorável ao Reich em 1932-1933, quando o Sul da URSS (a Ucrânia e outras “terras negras”, o Norte do Cáucaso e do Cazaquistão) foi atingido por uma considerável baixa de colheitas e o conjunto da União por dificuldades de abastecimento que provocou o regresso a um racionamento severo. Uma grave “escassez”, principalmente durante a “soudure” (período entre duas colheitas), não especificamente ucraniana, segundo a correspondência diplomática francesa; uma “fome” ucraniana, segundo os relatos de 1933-1934 dos cônsules alemães e italianos, explorados pelos Estados ou por grupos dedicados à cisão da Ucrânia: a Alemanha, a Polônia, centro principal de agitação em Lwow e o Vaticano.

Esta escassez ou esta fome era resultante de fenômenos naturais e sociopolíticos: uma seca catastrófica sobreposta aos efeitos da retenção cada vez maior das entregas (abate de gado inclusive), a partir do fim dos anos vinte, feita pelos antigos koulaks (os camponeses mais ricos) rebeldes à coletivização. Esta fração, em luta aberta contra o regime soviético, constituía na Ucrânia uma das bases do apoio à “autonomia”, máscara semântica de cisão da região agrícola rainha das “terras negras”, para além de principal bacia industrial do país, em benefício do Reich. O apoio financeiro alemão, maciço antes de 1914, tinha-se intensificado durante a Primeira Guerra mundial, em que a Alemanha transformou a Ucrânia, assim como os países bálticos, na base económica, política e militar do desmantelamento do império russo. A República de Weimar, fiel ao programa de expansão do Kaiser, continuou a financiar “a autonomia” ucraniana. Os hitlerianos, logo que conquistaram o poder, divulgaram o seu plano de conquista da Ucrânia soviética e todos os autonomistas ucranianos (as profundezas policiais, diplomáticas e militares em convergência), entre 1933 e 1935, aliaram-se ao Reich que na altura era mais discreto quanto às suas pretensões sobre o resto da Ucrânia.

Com efeito a URSS não controlava na altura senão a Ucrânia oriental (Kiev-Kharkov), que voltara a ser soviética a partir de 1920, depois da cisão efetuada durante a guerra civil estrangeira: tinham-lhe arrancado grandes porções da Ucrânia, ou não lhe tinham sido atribuídas, apesar da afinidade étnica das suas populações, das promessas francesas em 1914 de entregar os despojos do império austro-húngaro à Rússia czarista aliada e da fixação em 1919 da “linha Curzon”. O imperialismo francês, um dos dois maestros (com Londres) da guerra estrangeira contra os soviéticos, e depois o “cordão sanitário” que se seguiu ao fiasco dessa guerra, ofereceu à Romênia, em 1918, a Bessarábia (Moldávia, capital Kichinev), antiga porção do império russo, e a Bucovina; a Tchecoslováquia recebeu diretamente a Rutênia subcarpática; a Polônia de Pilsudski, em 1920-1921, a Ucrânia ocidental ou Galícia oriental, outrora austríaca – capital Lemberg (em alemão), Lvov (em russo), Lwow (em polaco), Lviv (em ucraniano) – com o apoio do corpo expedicionário francês dirigido por Weygand. E isto quando, em 1919, a “linha Curzon” (nome do secretário do Foreign Office) tinha considerado esse território “etnicamente” russo: a “Rússia” devia recebê-lo dos seus aliados quando em conjunto com os Brancos tivesse corrido com os bolcheviques, o que não veio a acontecer.

Este distinguo geográfico é decisivo, porque Lwow tornou-se – e Lviv mantém-se – um centro importante do alarido alemão, polaco e do Vaticano sobre a “fome na Ucrânia, que começou no verão de 1933, ou seja, depois de uma excelente colheita soviética ter posto fim à crise dos abastecimentos. Se é que houve fome em 1932-1933, que atingiu o auge durante a “soudure” (entre as duas colheitas), o mês de julho de 1933 assinalou o fim dela. A campanha foi alargada a todo o campo anti-soviético, Estados-Unidos inclusive, onde a imprensa germanófila do grupo Hearst se apoderou dela. A fome não tinha sido “genocidária”, como reconhecem todos os historiadores anglo-saxões sérios, tais como R.W. Davies e S. Wheatcroft, não traduzidos em francês, ao contrário de Robert Conquest, agente dos serviços secretos britânicos que se tornou um prestigiado “investigador” de Harvard, ídolo da “faminologia” francesa a partir de 1995 [1].

A campanha original nem sequer tinha esgrimido o “genocídio”: Berlim, Varsóvia, o Vaticano, etc. maldiziam Stálin, os soviéticos ou os judeo-bolcheviques, estigmatizando a sua ferocidade ou a sua “organização” da fome e descreviam uma Ucrânia empurrada pela fome para o canibalismo. Quanto aos franceses, atribuíam aos planos secessionistas do trio esse alarido lançado enquanto que o Reich prometia ao ditador polaco Pilsudski, se este restituísse Dantzig e o seu corredor, que lhe entregava de bandeja a Ucrânia soviética que em breve iriam conquistar juntos: François-Poncet, delegado do Comitê des Forges e embaixador em Berlim, troçava dos soluços quotidianos debitados pela imprensa do Reich sobre o mártir ucraniano, truque grosseiro com intenções externas (anexar a Ucrânia) e internas (“difamar os resultados do regime marxista” [2].

A abundante correspondência militar e diplomática da época contraria a tese da ingenuidade dos “anjinhos” pró-soviéticos, cegos, durante a sua viagem de setembro de 1933 à Ucrânia, às mentiras e mistérios de Moscou, como Édouard Herriot: ou seja, a tese defendida em 1994 pelo demógrafo Alain Blum que iniciou em França o número dos “6 milhões de mortos”. Este símbolo concorrencial a que os ucranianos anti-semitas se agarraram tanto – era preciso pelo menos equiparar-se aos judeus, antes de passarem a ser muito mais, 7, 9, 10, 12, até 17 milhões pelo que conheço (para um efetivo total duma trintena de milhões de ucranianos soviéticos) – foi adoptado em Le Livre noir du Communisme em 1997 por Nicolas Werth. Mesmo assim este refutava na altura a tese “genocidária” que agora defende desde o seu empenhamento em “2000 num projecto de publicação de documentos sobre o Goulag (6 volumes, sob a égide da fundação Hoover e dos arquivos de estado da Federação da Rússia)” [3]. Número duplamente inaceitável: 1º Alain Blum deduziu-o de estimativas demográficas, visto que a URSS não fez nenhum recenseamento entre 1926 e 1939: ora, entre essas datas, no enquadramento de uma explosão industrial dedicada, desde o início da grande crise capitalista, à defesa contra a ameaça alemã, ocorreram gigantescas movimentações inter-regionais da população, que afetaram especialmente a Ucrânia agrícola coletivizada. O fraco crescimento da população ucraniana entre os dois recenseamentos não autoriza portanto a equivalência: déficit demográfico igual a mortos pela fome; 2º o modo de cálculo da estimativa é absurdo: Alain Blum baseou-se em especialistas de estatística russos que em 1990 reagruparam o decênio de 1930 de perdas presumidas – 6 milhões – num único ano de 1933 [4].

O número fatídico foi retomado por “sovietólogos” franceses ligados, tal como Stéphane Courtois, ou não ligados, aos defensores da “Ucrânia independente” laranja. Absurdo supremo, na Ucrânia oriental teriam pois morrido em poucos meses tantas vítimas – duas ou três vezes mais – como os judeus que foram exterminados, de 1939 e sobretudo de 1942 a 1944, num território que se estende da França aos Urais; e isso sem deixar quaisquer vestígios visíveis, fotos ou escritos deixados pelo genocídio nazi.

É neste contexto que se agitaram em França grupos “ucranianos”, como a associação “Ucrânia 33” que albergou o arcebispo de Lyon, e cujo presidente honorário era Monsenhor Decourtay. Depende da autoridade do Congresso ucraniano mundial, situado em Washington e presidido por Askold S. Lozynskyj, de quem o New York Times publicou a seguinte mensagem no dia a seguir a 18 de Julho de 2002: “quando os soviéticos foram obrigados a recuar perante a invasão dos nazis em Junho de 1941, massacraram os seus prisioneiros […] da Ucrânia ocidental presos e internados às dezenas de milhares em 1939 […]. Isso foi executado com a ajuda dos comunistas locais, sobretudo os etnicamente judeus. Esse massacre infelizmente não constituiu uma aberração dos atos soviéticos na Ucrânia. Em 1032-33 na Ucrânia oriental, os soviéticos já tinham assassinado cerca de 7 milhões de homens, de mulheres e de crianças ucranianas através de um genocídio estrategicamente planificado de fome artificial. O homem escolhido por Josif Stálin para perpetrar este crime foi um judeu, Lazar Kaganovitch.

O conhecido historiador britânico Norman Davies chegou à conclusão que nenhuma nação tinha tido tantos mortos como a ucraniana. O que foi em grande parte resultado dos atos dos comunistas e dos nazis. Os russos e os alemães eram uns bárbaros. Mas os judeus eram os piores. Traíram os seus vizinhos e fizeram-no com imenso zelo!” [5].

Estes anti-semitas frenéticos mostraram-se mais discretos em França, onde adulavam associações judaicas e a Liga dos Direitos do Homem em “colóquios internacionais” e em debates sobre “os genocidas” (judeu, armênio, ucraniano) [6], Exigiram em 2005-2006 a minha expulsão da universidade ao presidente de Paris 7, depois ao presidente da República Jacques Chirac, rotulando-me de “negacionismo” por ter dirigido pela Internet aos meus alunos um conjunto crítico de arquivos sobre os contos da carochinha da campanha germano-polaco-vaticana de 1933-1935. Acima de tudo não me perdoavam eu ter recordado em 1996 o papel, na Ucrânia ocupada pela Wehrmacht, da Igreja uniata da Galícia oriental submetida ao Vaticano e confiada ao bispo (de Lwow), Monsenhor Szepticky, que abençoou as matanças da divisão ucraniana SS Galicia saída dos grupos do uniata nazi Stefan Bandera [7]. Acrescentemos a esses dossiês comprometedores para os arautos do “Holodomor” que eu me atrevo a afirmar que a diabolização do comunismo e da URSS não resulta da análise histórica mas de campanhas ideológicas, que, não contente em ser marxista, sou judia e que um dos meus avós foi morto em Auschwitz – fato que tornei público em 1999, perante uma outra enorme campanha [8], e que todos esses excitados conheciam [9] elementos de natureza a mobilizá-los.

Falhou a realização do sonho em conseguir até mesmo o apoio dos judeus de França para uma campanha contra uma “judia-bolchevique” mascarada de “negacionista”! A perseguição, contra a qual se levantaram o Snesup e o PRCF, que lançou em Julho de 2005 uma eficaz petição apoiada pela (única) Libré Pensée [10], abrandou depois de os “ucranianos” terem, a 25 de Maio de 2006, sob a protecção da polícia do ministro do Interior, N. Sarkozy, prestado homenagem no Arco do Triunfo ao grande progromista Petlioura. Emigrado em França depois dos seus crimes de 1919-1920, fora abatido em 1926 pelo judeu russo emigrado Schwartzbard, e a defesa deste último gerou a Liga contra o anti-semitismo (LICA) que em 1979 passou a LICRA. Esta denunciou por fim em 26 de Maio de 2006, através do seu presidente Patrick Gaubert, esses anti-semitas de choque – depois de vários avisos frustrados de cautela em relação à pretensa “negacionista” Lacroix-Riz. A algazarra dos grupúsculos “ucranianos” irá recomeçar aqui, estimulada pelo Parlamento europeu?

A Ucrânia ocidental laranja, tutora (oficial) de toda a Ucrânia, ocupa de novo o centro de uma campanha que, desde a era Reagan – fase crucial do desmantelamento da Rússia posto em marcha a partir de 1945 pelos Estados Unidos – deve tudo ou quase tudo a Washington, tal como a precedente devia tudo ao dinheiro alemão. Os seus paladinos amontoam milhões de mortos duma Ucrânia oriental cujos cidadãos, embora dedicados ao primeiro chefe, nunca se juntaram à matilha. A CIA, como retaliação, armou-se em chefe de orquestra, apoiada 1º em ucranianos “anti-semitas e anti-bolcheviques, colaboracionistas importantes durante a ocupação alemã, emigrados quando a Wehrmacht foi expulsa da Ucrânia.

Fonte: ODiario.Info
Perspectivas acerca das eleições

Por Cristiano Alves


Recentemente o jornal A Nova Democracia denunciou, com êxito, a farsa eleitoral, o grande circo chamado "Eleições", tendo como símbolo maior disso a eleição do palhaço Tiririca. Vale lembrar aqui um trecho inesquecível da reportagem, em que afirma que "o selo perfeito para o primeiro turno do circo eleitoral foram os mais de um milhão e trezentos mil votos para o deputado Tiririca. Enquanto alguns esbravejavam clamando uma "reforma política" que impeça que Tiriricas arrastem outros de sua legenda, ele é uma grande prova da despolitização, vaziez, imprestabilidade da farsa eleitoral e ao mesmo tempo é o retrato fidedigno do que representa o sistema de governo do velho Estado".1

De fato, antes de comemorar a vitória de Dilma, há que se comemorar a derrota de Serra, que representou no processo eleitoral o que há de mais reacionário na política brasileira. Não que a campanha de Dilma seja necessariamente progressista ou revolucionária, mas por um lado ela estava com setores progressistas da sociedade, embora com alguns reacionários. Sua história de luta, inclusive, é digna de louvor, assim como parece que será boa gerente. A questão, entretanto, é a superação de um modelo ultrapassado e arcaico, incapaz de satisfazer às necessidades da classe operária, que é caracterizado pelo embrutecimento do proletariado, pela subcultura do forró, do funk da periferia, da novela global, da ignorância, do semi-analfabetismo, do misticismo, da aversão à ciência e à ética, do atraso.

Vivemos numa sociedade hipócrita que, ao mesmo tempo que prende ladrão de galinha, deixa passar impune o professor de universidade pública que comparece na faculdade apenas 1 vês no mês e de lá subtrai R$ 3.000,00 a R$ 6.000,00 pagos com o dinheiro do contribuinte. Este mesmo comportamento num país como Cuba ou a ex-União Soviética e o sujeito automaticamente receberia a justa pena do Direito Socialista. A mesma sociedade que prende alguém que subtraiu R$ 100,00 de uma carteira, mas deixa passar impune aquele que subtraiu 1 a 10 milhões dos cofres públicos. Enfim, como reza a letra da Internacional, "o crime do rico a lei o cobre".

Assistimos à uma sociedade brutalizada a cada dia por valores mesquinhos apresentados por novelas globais de teor elitista, consumista e mesmo racista, onde seleciona-se etnias específicas num país que tem a maior população negra das Américas, segunda maior do mundo, perdendo para a Nigéria apenas. Prova disso é que nenhuma novela global tem em seu papel principal um ator negro, talvez algumas raras tragam atrizes negras, mas normalmente contracenando com atores brancos. E se essa novela traz afrodescendentes, seu papel é sempre terciário, é o de faxineiro, de empregado, jardineiro... não que essas profissões não sejam importanes, mas na trama em si, normalmente tem pouca relevância se comparado com o papel principal, por exemplo. Mesmo nos EUA, que tem uma longa e forte tradição racista, essa mentalidade arcaica já foi superada, conforme se verifica em várias séries.

Enfim, fora a completa falta de ética, do abandono da coisa pública e do povo a um estado semi-bárbaro, o Brasil tem ainda que aturar os delírios elitistas de uma classe média esnobe, facilmente manipulada por organizações como a Globo e outras redes de TV, por revistas como a VEJA e jornais como Estadão, que em pouco ou nada contribuem para a sociedade onde vivemos, senão para a sua alienação com a propagação de mentiras, misticismo e propaganda imperialista.

Espera-se que no governo de Dilma Roussef haja um pouco da revolucionária que esta um dia foi, e que promova a educação no país sob parâmetros distintos daquele que há hoje no país, que o anticomunismo seja extirpado dos livros escolares e seja jogado na lata do lixo, seja da sala de aula, seja da história!

1- Em http://www.anovademocracia.com.br/no-70/3045-14-do-brasil-nao-vota-anula-ou-vota-em-branco

sábado, outubro 02, 2010

O grupo Baader-Meinhoff

Por Cristiano Alves

Após a II Guerra Mundial, a Alemanha Ocidental tornou-se um Estado vassalo dos EUA, fornecendo a estes bases aéreas sem as quais estes jamais teriam ameaçado a paz no Leste Europeu ou promovido massacres e genocídios em lugares como o Oriente Médio. Para se ter uma idéia do que isso significa, nenhum porta-aviões americano seria capaz de transportar bombardeiros invisíveis, caças F-16(que podem atacar alvos terrestres e aéreos) e caças F-15, de superioridade aérea. Assim, o nazismo havia acabado, mas havia sido erguido uma nova ordem tão nociva quanto este regime.

Ocorre que durante os anos 60, milhares de alemães eram contra a volta do fascismo em seu país, justamente aquilo que os americanos e os novos políticos representavam em ações criminosas como a Guerra do Vietnã, dentre outras. É nesse contexto que surge a RAF, isto é, a "Facção do Exército Vermelho", organização revolucionária que desejava estirpar da Alemanha Ocidental quaisquer resquícios de fascismo e tornar seu país uma República Democrática, como sua vizinha oriental.

Com a união de segmentos do movimento estudantil, intelectuais e alguns trabalhadores, surge uma nova organização que promovia ataques diretos contra os sucessores do fascismo, fossem eles a editora Springer(uma versão alemã da VEJA), a polícia alemã, responsável por ataques a manifestantes anti-imperialistas, ou mesmo bases americanas na Alemanha Ocidental, promovendo ainda resgates de prisioneiros políticos. Por estas ações, cuja liderança muitas vezes partia de Andreas Baader ou da jornalista Ulrike Meinhoff, o grupo ficou conhecido como Baader-Meinhoff, que as autoridades alemãs trataram de equiparar a prisioneiros de delito comum.

A despeito de seu caráter revolucionário, seu erro, entretanto, foi não ter construído um movimento de massas forte, que apoiasse seus atos e compartilhasse a sua causa, como ocorreu com os bolchevistas na Rússia. Acreditar que o capitalismo será derrubado com "ações de comandos" ou mero golpismo é uma enorma ilusão esquerdista.

O filme "The Baader-Meinhoff complex" retrata muito da história desta organização revolucionárias, embora muitas vezes o equipare a criminosos comuns. Pode-se dizer que é um bom filme, embora ele omita, intencionalmente, em muitas ocasiões, os ideais pelos quais lutavam os revolucionários alemães. No filme há muita ação, mas sem dúvidas uma importante ênfase nos textos de Ulrike Meinhoff, tão ou mais perigosos que as armas e atentados promovidos por sua organização.

Sem dúvidas, a despeito de seus erros, a RAF é um exemplo para as gerações, uma organização que lutou contra a injustiça e o imperialismo, por ideais nobres, ao contrário das gerações atuais mergulhadas nas drogas, na prostituição, vítimas da anomia.



Ditador americano Harry Truman infectou 696 gualtemaltecos

Cristiano Alves

O ditador americano Harry S. Truman, cujo governo foi responsável por medidas totalitárias como a "Caça às Bruxas", o holocausto de centenas de milhares de civis japoneses através dos primeiros atos de terrorismo nuclear da história, e o genocídio de pelo menos 2 milhões de coreanos, autorizou a utilização de experiências com seres humanos ao estilo do Dr. Mengele, que recebeu asilo no Brasil.

Ocorre que este fato, até então ocultado pela grande mídia, veio recentemente à tona no The Guardian e inclusive mencionado por Hillary Clinton, quase 60 anos após este crime. Os civis foram infectados por doenças como a gonorréia e a sífilis para testes com a penicilina. Este tipo de exames persistiu até os anos 60.

Fontes:

The New York Times: http://www.nytimes.com/aponline/2010/10/01/us/politics/AP-US-Syphilis-Experiment.html?_r=1&hp

The Guardian:
http://www.guardian.co.uk/world/2010/oct/01/us-apology-guatemala-syphilis-tests
PSTU cede espaço para o PSDB no último dia do horário político

Cristiano Alves


Nesta quinta-feira, dia 30/09, se deu o último dia do horário eleitoral, onde cada candidato e partido emitiu sua última mensagem ao eleitor.

Ocorre que no horário político do PSTU, entretanto, teve lugar o direito de resposta deste partido, o que deve ter estristecido muitos seguidores deste, talvez mesmo parecido uma injustiça para alguns que não fazem parte do PSTU. Ocorre que, para quem conhece a natureza deste partido, a realidade é bem diferente.

O PSTU, que tanto adora difundir as calúnicas de revistas como a VEJA, que tem na chefia de sua edição altos nomes do PSDB, de fato caluniou intencionalmente o candidato José Serra para, assim, ceder seu espaço para o PSDB. Todos aqui sabem que muito da ideologia do PSTU tem por fonte a Veja e outros órgãos burgueses ligados ao PSDB, de maneira que, assim, como bons trotskistas que são, apenas cederam seu espaço para a burguesia, a despeito de seu jargão.

O mesmo processo se deu em diferentes estados da federação.

segunda-feira, agosto 30, 2010

Расследовать фальсификацию исторических документов!

Urgente: Falsificação massiva de arquivos soviéticos!

Há alguns meses atrás as Notas Vermelhas denunciaram a atitude revisionista do governo da Polônia, que procura a todo custo eliminar o papel do nazismo dos livros de história para reescrevê-la com os soviéticos ocupando o mesmo papel, baseados no chamado "Massacre de Katyn". No dia 9 de maio de 2010 o governo russo liberou vários arquivos, que já havia sido prometidos desde os tempos de Gorbatchov. Acontece, que embora tivessem sido prometidos, até então não haviam sido abertos, atitude que despertou a suspeita de muitos.

Ocorre que, conforme denunciado pelo parlamentar russo Viktor Ilyuhin em plena Duma, estes documentos louvados pelos liberais russos e o governo polonês, há fortíssimas evidências de que tais arquivos são falsos, o que demonstra bem uma atitude torpe do atual governo russo, liberal e capitalista, num processo criminoso de falsificação de arquivos através de seu serviço secreto. Assim, na Rússia chegou a ser aberta uma "CPI" para a investigação desse processo de falsificação, por iniciativa do parlamentar da Duma Viktor Ilyuhin.

Segue-se um vídeo do parlamentar russo denunciando a falsificação, acima, e um artigo publicado no jornal A Verdade, registrando o mesmo processo.


Arquivos soviéticos foram falsificados por Yeltsin

Estes são tempos difíceis para os defensores do capitalismo na Rússia e nos países que integravam a União Soviética. Uma correnteza lava a história contada pelos gorbachovistas e a burguesia mundial sobre o período soviético sob a direção de Josef Stálin. Os arquivos sobre várias das principais “evidências do terror” das décadas de 30-40 do século passado então estão sendo novamente questionados e postos em dúvida. O motivo principal é a aparição de um agente do governo de Boris Yeltsin que afirma ter participado de alterações e falsificações de vários documentos, entre eles o de “O massacre de Katyn” e da “Carta de Béria nº 794/B” (nessa última ele mesmo teria falsificado a assinatura de Béria).


A denúncia foi tornada pública pelo deputado Viktor Ilyukhin, parlamentar da Duma russa pelo Partido Comunista da Federação Russa (PCFR), que foi contatado por telefone no dia 20 de maio pelo agente que queria passar informações sobre as execuções de oficiais poloneses em Katyn, caso conhecido como “O massacre de Katyn”. No mesmo dia, Ilyukhin encontrou-se pessoalmente com o ex-agente de Yeltsin e um dos encarregados pela falsificação de documentos soviéticos do período de Stálin. De acordo com o informante, ele resolveu falar porque não concorda com a situação que vive a Rússia e com a liberação dos documentos falsificados para a população.

Viktor Ilyukhin

Segundo o agente relatou ao deputado Viktor Ilyukhin, um grupo de falsificadores foi formado no início da década de 1990 (os documentos apareceram, “misteriosamente”, em 91-92) e eles foram providos de altos salários e materiais para as falsificações, como velhos carimbos e fôrmas para carimbos soviéticos. O grupo trabalhou na cidade de Nagorno até o ano de 1996 e depois seus membros foram transferidos para a vila de Zaretye. Entre os participantes do grupo de falsificação estariam o coronel Klimov, Rudolf Pichoya (chefe do arquivo russo), M. Poltoranin (amigo de Yeltsin) e G. Rogozin (chefe da segurança do presidente russo). Há de se observar que Rudolf Pichoya foi o responsável pela entrega dos documentos “secretos” ou “perdidos” do Pacote Fechado nº 1 (ou Pasta de Katyn) a Lech Walesa (presidente da Polônia) em Varsóvia, no dia 14 de outubro de 1992. Ele afirmou ainda ter sido ele quem falsificou a assinatura de Béria na carta conhecida como Carta de Béria nº 794/B e também as assinaturas de Stálin, Voroshilov, Molotov e Mikoyan.

A falsificação do grupo engloba importantes momentos da história soviética, a fim de incriminar o Estado Soviético. Buscava alterar documentos existentes e até criar outros. Fazem parte das falsificações: o ato de abdicação de Nicolau II, a Carta de Shelepin (que incrimina a URSS pela morte de cidadãos polacos) e a Carta de Béria nº 794/B. Diz ainda que sabe da participação do 6º Instituto do Estado-Maior Russo nestas alterações, acabando por entregar vários materiais que foram usados nas falsificações. Entre eles, fôrmas de carimbos da década de 1940, alguns carimbos falsos e marcas de carimbos e documentos.

Material para falsificação soviética

Viktor Ilyukhin tornou públicas as informações por meio da divulgação de um vídeo em que mostra parte do material que tem. Entre eles há o destaque para um carimbo similar ao usado na Carta de Béria e um documento de 202 páginas (também falsificado pelo mesmo grupo) tendencioso e que faz crer que Stálin, mesmo sabendo da iminência da guerra com a Alemanha nazista, não teria feito nada para a URSS se preparar.

No vídeo, o deputado afirma que o coronel Klimov fora o único responsável pela Carta de Shelepin (de 1959, direcionada a Kruchev), sendo então fácil comparar sua letra à letra dessa carta por meio de perícia. Quando o informante fazia parte do grupo, chegava a liberar milhares de páginas falsificadas. Disse que algumas ordens de falsificação teriam vindo diretamente do chefe do arquivo russo. Provavelmente o grupo ainda trabalha em algum lugar agora desconhecido.

Em junho passado, Ilyukhin pediu à Duma russa uma investigação parlamentar, devido ao tamanho dos fatos e aos altos funcionários envolvidos. Reclamou que tais falsificações buscavam igualar o stalinismo ao fascismo e que a atividade deste grupo coincidiu com a desclassificação de documentos do Politburo e do Comitê Central do Partido Comunista por uma comissão de governo liderada por Mikhail Poltoranin, que era um dos envolvidos nas falsificações.

Shelepin - Falso documentoVários documentos foram avaliados por especialistas, a pedido do PCFR, que acabaram por comprovar que os documentos são falsos. Nesse bolo de falsificações estaria um documento que tenta provar parcerias entre a NKVD (polícia soviética) e a Gestapo (polícia secreta nazista).

Em seu discurso à Duma, Ilyukhin fez menção aos carimbos que tem em sua mão para falsificações em nome de Béria e Stálin e algumas fôrmas dos anos 30 e 40 como prova. Reclamou à Duma uma comissão para investigar o massacre de prisioneiros de guerra poloneses em Kozi Gory, visto que, dos milhares de vítimas do “terror” dos sovietes, somente 162 crânios foram encontrados em Kharkov e apenas 62 tinham perfurações de bala. Já em Katyn, em sua maioria, os crânios apresentavam buracos de bala. Em Mednoe, por sua vez, dos 226 “poloneses” mortos encontrados, apenas 20 tinham marcas de bala. O que é uma prova de que as mortes não têm conexão alguma com um fuzilamento em massa.

O caso de Katyn é conhecido por ser um sinal de alerta ao nível a que se chegou nos ataques ao socialismo. Para isso são apresentados 49 pontos que comprovavam sua falsificação e que podem ser lidos, em inglês, no blog http://mythcracker.wordpress.com. Vários vídeos de Ilyukhin falando à Duma e à TV sobre o caso podem ser vistos na internet.

Os capitalistas podem atacar como for o socialismo, o marxismo-leninismo, mas a história mostrou, mostra e mostrará sempre a verdade.

Eduardo Augusto, Recife

Extraído de A Verdade ( http://www.averdade.org.br/modules/news/article.php?storyid=523 )

segunda-feira, maio 10, 2010

Comentários sobre a recente abertura dos arquivos soviéticos referentes à Katyn

(Resposta a alguns comentários sobre a abertura recente de arquivos referentes ao episódio de Katyn, extraído a partir de uma discussão em fórum acerca do assunto. Contém as devidas referências bibliográficas e factuais acerca do assunto. Por razões de economia de tempo resolvi postá-lo de forma bruta aqui, sem formatá-lo para artigo, o que talvez eu venha a fazer em momento posterior)

Cristiano Alves


O correto seria "Катынские арештовение", já que trata especificamente de prisões e vigilância destes, embora lá haja uma proposta de imposição da pena capital. Até hoje eu me pergunto quem iniciou esta estória idiota de Katyn, suponhamos que tenham sido mortos pelos soviéticos. Ora, meu caro, desde o primeiro momento em que alguém veste uma farda ele está assumindo o risco de matar e de ser morto, a morte de um militar é diferente da morte de um civil, numa guerra. Você acha mesmo que os poloneses nunca mataram um só soviético?

Aqui tem-se um problema sério que é o analfabetismo funcional de nosso povo, some a isso o fato de que as livrarias vendem livros seletos e de quase exclusivamente apenas uma corrente historiográfica, e, para rechear, quem aprende história por livros neste país? As pessoas aprendem sim, história por filmes! Filmes americanos, em geral, e agora até filmes poloneses!!! Interessante que a URSS é talvez o país que mais fez filmes sobre a segunda guerra, porém será que alguém aqui é capaz de citar ao menos um sem usar o Google?

As pessoas deveriam parar um pouco mais de pensar tanto em Katyn, e pensar em Khatyn(grafado também Hatyn), a aldeia bielorrussa cujos cidadãos, civis, foram completamente eliminados, sendo queimados vivos, um acontecimento bárbaro e trágico retratado em filmes como Idi i smotri, que não tem sequer 1/3 da publicação de filmes como "Katyn".

A propósito, quem disse que a Polônia não estava em guerra com a URSS. A Polônia havia já antes de Katyn inclusive dado ensejo para uma invasão militar ao invadiro aliado da URSS, a Tchecoslováquia, no território conhecido por "Zaolzie". Todo mundo fala da "partilha da Polônia", embora o país já não tivesse mais sequer um governo constituído, porém ninguém fala da Partilha da Tchecoeslováquia, consentida por Chamberlain e Daladier e feita entre nazistas e fascistas poloneses.

Já abordei anteriormente a linha de pensamento desses oficiais poloneses, muitos carregando nas mãos os sangue de milhares de insurgentes poloneses e revolucionários russos, caso estes fossem simplesmente liberados, seriam pelo menos 15 mil invasores a mais da URSS, já que provavelmente iriam se insurgir. A prova deste meu raciocínio é a Organização dos Nacionalistas Ucranianos, que eram em realidade nazistas, muitos de seus líderes foram presos na Ucrânia polonesa, porém, ironicamente, libertados na Ucrânia Soviética, pelo não reconhecimento das leis polonesas, o resultado também já foi mencionado aqui.

A Polônia, enquanto Estado Nacional, deve à URSS sua existência enquanto país, do contrário teria sido banida da face da Terra, palavras do próprio W. Churchill em seus "Discursos secretos".


Ainda sobre Katyn

É um absurdo que pessoas venham a ser fuziladas sem amplas chances de defesa num processo judicial e muita gente provavelmente concorda com esse raciocínio, assim como o defende de forma intransigente sob os parâmetros do Estado Democrático de Direito. Só que aqui a situação e o contexto são absolutamente diferentes.

A maioria das pessoas adota neste tipo de julgamento a premissa de que seus Estados são estados ditos "Democráticos de Direito" e tem plenas condições de assim ser, visto que não há nenhuma ameaça de invasão militar iminente em países como Brasil ou EUA, que já não são invadidos militarmente a cerca de 200 anos. É completamente diferente de um contexto como o da URSS, onde uma de suas repúblicas, a Rússia, tem em sua história mais de 700 anos de guerra. Será que alguém no hemisfério ocidental, fora os africanos, tem alguma capacidade de imaginar o que é viver num país com mais de 700 anos de conflitos militares? Exceto com respeitadíssimas e raras exceções, a resposta essa pergunta é negativa.

A URSS naquele momento histórico, isto é, na iminência de uma invasão militar de enormes proporções, ante um país cujo líder destacava como prioridade a eliminação racista de seu povo, e, saída há pouco tempo de uma guerra civil onde interviram 17 países estrangeiros tinha por mister a adoção de um Estado de Exceção e a tomada de decisões rápidas, muitas vezes tomadas quase que exclusivamente por seu Comissariado Popular dos Assuntos Internos. Isso a maioria das pessoas não leva em consideração, por que, intencionalmente ou não formam pontos de vistas absolutamente etnocentristas, a partir de sua realidade sem levar em conta certas condições históricas concretas.

Ademais, já discorri aqui quem eram esses oficiais e a natureza das relações russo-polonesas, já presentes na história desde os tempos do imortal N. Gógol, retratadas em sua obra "Taras Bulba".
Algumas reações ao texto crítico quanto a participação da NATO na Parada da Vitória:

O usuário de nome Kleber fez algumas indagações cabíveis neste blog(pois muitos provavelmente irão querer fazer os mesmos comentários ao meu artigo). Transcevo aqui a discussão travada acerca do assunto, que, embora tenha se dado informalmente, traz algumas referências bibliográficas e uma série de fatos:

Kleber: "Que a União Soviética foi aliada do monstro nazista entre 1939 e 1941, associando-se à Alemanha na invasão da Polônia, e aproveitando o clima para anexar Letônia, Lituânia e Estônia, além de partes da Romênia."

C. A.: Lamento informá-lo, meu caro, que alguém lhe passou a informação errada, e tendo você obtido a informação errada, é importante que você venha a saber o que realmente ocorreu.

A URSS era "tão aliada" da Alemanha nazista quanto a Inglaterra, França e EUA. Primeiro por que essa aliança jamais existiu, e quem afirmar isso é um mentiroso, difamador e pilantra de primeira categoria! O que existiu foi um Pacto de Não-Agressão, que qualquer pessoa com noções mínimas de Direito Internacional, que é, inclusive, matéria do CACD, sabe diferenciar de um acordo de Aliança. Outro fato importante é que esse Pacto se deu por razões extraordinárias. Antes dele a URSS tinha um Pacto com França e Tchecoeslováquia, porém, quando a Alemanha invadiu este último, a sua burguesia nacional, então no poder, preferiu trair os interesses nacionais a aceitar a ajuda da URSS, a França, ao contrário desta, se negou a ajudar seu aliado, traindo o pacto. Ressalte-se que a Tchecoeslováquia foi entregue de bandeja por Chamberlain e sua camarilha aos nazistas. Portanto nenhuma criatura no hemisfério ocidental do planeta goza de qualquer moral para criticar o acordo de NÃO-AGRESSÃO entre URSS e Alemanha nazista, dados os fatos.

Kleber: "Em junho de 1941 o antigo aliado, que Stalin tentava agradar de todas as maneiras, fez o que qualquer pessoa que tivesse lido Mein Kampf teria previsto: atacou a URSS."

C. A.: Existe uma diferença entre diplomacia e ideal político. A URSS tinha um acordo diplomático com os alemães e tentava cumprí-lo para não dar a outros países motivos para, junto aos alemães, invadir a URSS, o que quase aconteceu. Lembremos que a URSS não foi invadida só por alemães, mas também por romenos, húngaros, italianos, belgas, franceses, espanhóis, enfim, quase toda a Europa.

Kleber: "Ah, e não esqueça de Katyn, quando prisioneiros de guerra poloneses - oficiais, intelectuais, arttistas e altos funcionários escolhidos a dedo, por Stalin, foram assassinados pelo glorioso Exército Vermelho."

C. A.: Antes de lembrar de Katyn, lembro-me antes dos 20 milhões de soviéticos assassinados pelos bárbaros fascistas. Nem todos eles eram militares, eram na maior parte dos casos cidadãos trabalhadores, idosos, crianças, mulheres, homens... Esses 20 milhões são números concretos, e não divagações de governos totalitários e imperialistas muito mal travestidos de democráticos, governos estes que neste exato momento participam do massacre de milhões de iraquianos.

Segundo por que até hoje não existe certeza de que estes poucos milhares de poloneses assassinados, que eram, a propósito, militares, tenham sido assassinados pelos soviéticos. Existem sim, boatos e especulações em grande parte inspirados em documentos da Alemanha nazista. Terceiro, essa mentira lhe foi tão mal contada, que envolve até o Exército Vermelho, quando qualquer anticomunista de segunda sabe que quem fazia isso era o NKVD. Quarto, estes "oficiais assassinados", cujo número é inclusive exagerado, eram em muitos casos partidários do regime totalitário de Pilsudski, formados com esta ideologia, será mesmo que esses humanistas de araque tão preocupados com o destino desses oficiais também se lembram dos milhares de trabalhadores e revolucionários mortos pela tirania de Pilsudski quando da Revolução Proletária Polonesa?

Kleber: "A Segunda Guerra Mundial foi ganha pelos aliados, em conjunto"

C. A.: Claro, assim como nós(isto é, eu e você) estamos nesse exato momento ajudando a pacificar o Haiti, por mais que o soldado brasileiro é que esteja se expondo aos projéteis. Foi ganha pelos aliados, só que a Batalha de Stalingrado, meu caro, não ocorreu em Nova York, aliás, os americanos, profissionais em crimes de genocídio contra povos semi-armados, não sabem o que é guerra.

A única vez na história em que os EUA, enquanto Estado constituído, enfrentou uma potência à sua altura, após uma tentativa de invasão e anexação do Canadá, se deram muito mal, tiveram até Washington queimada. Depois disso os EUA nunca mais enfrentaram um exército de verdade, conformando-se com crimes contra povos mexicanos, indígenas, filipinos...

Se você gosta tanto de documentários sobre guerra feitos nos EUA, que tal você ler as declarações dos comandantes das Forças Armadas dos EUA sobre a guerra na Rússia? Que tal assistir o documentário "The battle of Russia"? Ou ler, ainda, os relatórios do embaixador Joseph Davies sobre a URSS? Ele que, a propósito, era um liberal. Não é preciso nem ler a versão soviética da guerra, só em se limitar a isso, garanto que já estará bem informado e apto a discorrer sobre o assunto.

Vergonha: NATO marchará na Praça Vermelha

(Artigo publicado originalmente no Orkut)
Cristiano Alves

Neste dia 9 de maio de 2010 comemora-se os 60 anos da Vitória sobre o fascismo, quando o Exército Vermelho, que enfrentou a maior invasão militar da história da humanidade, após repelir com heroísmo e galhardia o exército racista e genocida de Hitler, hasteou no Reichstag, um dos grandes símbolos do poder alemão, a bandeira vermelha com a foice e o martelo, símbolo indelével na história da humanidade que representa a liberdade e a vitória.

A segunda guerra mundial custou aos europeus 60 milhões de vidas, dentre as quais a de 20 milhões de soviéticos no que foi o maior holocausto da história da humanidade. Estima-se que cerca de 10 milhões de soldados do Eixo invadiram o país, sendo parte de seu contingente, principalmente, os alemães, embora sendo também composto de italianos, finlandeses, húngaros, dentre outras nacionalidades, que compunham mais de 50 mil soldados, o suficiente para tomar uma cidade do tamanho de Fortaleza, a contingentes de voluntários que cumpunham 200 soldados, como os suecos, o suficiente para guardar um Posto de Segurança Estático ou sabotar um aeroporto. De fato, a invasão da URSS, o que não é mostrado em nossos livros de história, não foi uma mera "invasão alemã", foi uma invasão de quase toda a Europa contra a república socialista, inclusive com o apoio da "Santa" Sé do Vaticano.

Mesmo em condições desiguais, os comunistas repeliram os invasores nazistas adotando a tática de guerrilha através dos chamados partizans, especialmente em lugares como a República Socialista Soviética da Bielorrússia, na RSS da Ucrânia, e combates regulares entre as forças armadas da URSS e do Eixo, especialmente em lugares como a guarnição cercada de Brest, na Bielorrússia, Leningrado, Moscou, Kursk e Stalingrado, estas últimas na Rússia soviética. Na capital soviética a resistência, dirigida pessoalmente pelo Secretário-Geral do PCUS, Primeiro-Ministro e Marechal I. V. Stalin, declarado pelo Patricarca Sergius, de Moscou, o "filho eleito eleito da providência para a salvação do país".

Este homem, de origem georgiana, filho de um sapateiro e uma lavadeira, acostumado a trabalhar pesado desde menino, pai de um filho martirizado pelos nazistas, preferiu ficar em Moscou mesmo ante a iminente tomada da cidade e, ainda assim, promover o desfile do Dia do Trabalho naquela urbes mesmo com a ameaça de uma invasão, uma verdadeira provocação às tropas hitlerianas. Assim, a que viria se tornar a "Cidade Heróica de Moscou" tornou-se uma das capitais européias a nunca ter sido pisada por um só coturno fascista, um orgulho que até esse 9 de maio podia ser compartilhado por milhões de russos. Bem, isto é, excluindo-se o fato de que na Parada da Vitória de 1946 os nazistas participaram, porém na condição de prisioneiros e escoltados pelo Exército Vermelho, numa posição subalterna e humilhante, de derrotados.

Acontece que, em escárnio às memórias de seus avós, a Rússia, que hoje em dia adota a mesma bandeira usada pelos colaboradores vlassovistas, que ajudaram Hitler a matar seu próprio povo, teve o infortúnio de contar com líderes que conseguiram fazer o que nem Hitler, com seus milhões de soldados armados até os dentes não conseguiu, Gorbatchov trocou seu país por mansões na Europa Ocidental e contratos com grifes renomadas de bolsas, disso todo mundo já sabe, porém agora Medvedev, o aluno mais fiel de Putin, autorizou os fascistas da NATO(OTAN), a participar do desfile da vitória de 9 de maio de 2010. Sim, aqueles responsáveis pela morte de milhares de irmãos sérvios, de milhares de cidadãos iraquianos, servos de um governo que inclusive cogitou ajudar Hitler militarmente durante a II Guerra Mundial e mesmo antes dessa contra a URSS e o seu povo, membros de uma organização que inclusive contratou velhos nazistas e hospedou seus meios ideológicos como a Rádio Europa Livre e terroristas como a Operação Gládio; irmão marchar em Moscou.

Chega a ser ridículo ver as fotos do ensaio de um exército vermelho que não é o Exército Vermelho, mas os "Capotes Vermelhos" britânicos, com um currículo que mais parece uma folha corrida, tendo promovido, por exemplo, além de guerras contra o antigo Império Russo na Criméia junto à França e Turquia, uma guerra contra a China para obrigar seus cidadãos a consumirem ópio, uma proeza invejável a traficantes do quilate de Abadia, Fernandinho Beiramar ou Andinho, ressalte-se ainda seu papel reacionário na chamada "Revolução Americana", ou "Guerra de Independência dos Estados Unidos", por estes reprimida de forma brutal, contando até hoje com o repúdio de seus parceiros de genocídio.

É um fato que antigo Exército Soviético jamais fora convidado para participar de desfiles militares em Washington, no Arco do Triunfo em Paris ou em Londres, porém, Medvedev e os líderes da Europa Ocidental decidiram que as tropas da NATO "merecem", além de sua condição de observadores, ou de sua participação ao menos em forma e sem desfiles na Praça Vermelha, participar também marchando e desfilando, e pelas fotos dos ensaios, o contingente não é pequeno, não é só um pelotão ou companhia, mas a julgar pelas fotos, quase um batalhão, com direito até à continência dos soldados russos. Ressalte-se que nem mesmo exércitos como os da República de Belarus e da Ucrânia, cujas forças foram númerosas na guerra anti-fascista, tiveram direito a tal regalia, limitando-se a comemorar o 9 de maio em seus respectivos países.

Medvedev garante aos açougueiros da OTAN regalias que nem outros países da CEI tem, que seus soldados, talvez cansados da devassa que promovem contra mulheres de países do sudeste asiático transformados em verdadeiros bordéis, agora tenham também o direito de abusar sexualmente de mulheres russas. Com a recepção calorosa de terroristas legalizados em território russo, especialmente o moscovita, qual será o próximo passo, privatizar a Praça Vermelha? Stalin e 20 milhões de russos se debatem, Yeltsin agradece!

As fotos do ensaio:
http://img188.imageshack.us/gal.php?g=natomoscou4.jpg

domingo, março 28, 2010

Ucrânia -Duas décadas após a desintegração da URSS

Duas décadas após a desintegração da URSS


Neste texto, Denis Netcheporuk, depois de fazer um retrato comparativo da Ucrânia de antes da derrota do socialismo com os dias de hoje, conclui: “Todas as reformas de mercado confluíram para o mesmo fim: a privatização da propriedade social, a destruição das empresas colectivas e a implantação sucessiva de um regime liberal ao serviço dos grandes proprietários. Infelizmente, tudo foi feito para proporcionar a prosperidade de uma minoria e a pauperização da maioria”.

Denis Netcheporuk* - 15.12.09

No momento da criminosa desintegração da URSS, consumada em 1991, a Ucrânia estava entre os dez países mais desenvolvidos do mundo. Isto, aliás, é reconhecido até pelos próprios nacionalistas burgueses.

As prestações sociais eram extraordinárias, mas por vezes as pessoas não as valorizavam. A Educação era gratuita e havia um sistema de saúde pública de qualidade e, sobretudo, integralmente gratuito. Segundo os objectivos traçados pelo Partido, no ano 2000 todos deveriam receber gratuitamente uma habitação independente.

Os preços dos principais produtos alimentares, os aluguéis de casa, os transportes, entre outros, não sofriam alteração há mais de 50 anos. Os serviços comunais, as tarifas do gás e da electricidade custavam kopeques [centésimos de rublo]. As pessoas consumiam produtos naturais. Só quem vivia fora da URSS sabia o que era o desemprego, a inflação, os sem-abrigo, os despedimentos compulsivos, as falências de bancos e a perda das poupanças, os créditos a juros de 30 por cento, etc..

Para a geração actual isto é pura ficção científica. Em 2009 não conseguem sequer imaginar que tal possa ser possível.

Retrocesso inaudito

Éramos 52 milhões de habitantes. Tínhamos não só armamento nuclear (o terceiro maior arsenal do mundo depois da Rússia e dos EUA), mas também um exército com um milhão de efectivos, capaz de defender a população e destruir qualquer inimigo. O país desenvolvia-se. Nós orgulhávamo-nos do nosso Estado. Mas, de modo inconcebível, em apenas 20 anos, o equivalente a quatro planos quinquenais soviéticos, transformaram-nos num dos países mais atrasados não só da Europa como do mundo. Um dos mais atrasados e desamparados segundo todos os indicadores. Parece irreal, mas a traição e o capitalismo fizeram a sua obra.

Tudo começou com a realização das reformas de mercado e a substituição do regime socialista pelo capitalismo. Este processo foi iniciado por Gorbatchov. Depois da dissolução da URSS, o capitalismo selvagem começou a ser implantado em cada país que a integrava pelos antigos ideólogos do comunismo, que, entretanto, trocaram a foice e o martelo pelo dólar. No nosso país, isto foi feito por Kravtchuk, na Rússia foi Iéltsine, na Geórgia, Chevardnádze, etc..

Confiança defraudada

A verdade é que na altura, em inícios dos anos 90, as pessoas ainda confiavam nos governantes. Cada cidadão sabia que os dirigentes do país, os deputados, o Partido, os funcionários deviam por definição trabalhar e trabalhavam em prol do bem-estar do povo e do Estado. Todavia, infelizmente, não tiveram em conta um pormenor importante: no poder tinham-se instalado os chamados democratas-patriotas da fornada europeísta, cujo único objectivo era o lucro e a obtenção de dinheiro à custa dos simples mortais.

Todas as reformas de mercado confluíram para o mesmo fim: a privatização da propriedade social, a destruição das empresas colectivas e a implantação sucessiva de um regime liberal ao serviço dos grandes proprietários. Infelizmente tudo foi feito para proporcionar a prosperidade de uma minoria e a pauperização da maioria.

Todas as desgraças do nosso país são obra de Kravtchuk, de Kutchma, Iuchenko e de todos aqueles que estiveram no poder nos últimos 20 anos. É preciso compreender que ninguém perguntou ao povo se queria ou não mudar para a via capitalista. Tudo foi feito às escondidas, sob a capa de um pretenso amor pela Ucrânia e pela nação, sob o pretexto da democracia e do humanismo europeu.


Os ricos, mais ricos…


Em resultado da contra-revolução capitalista, o povo ucraniano perdeu o poder e o controlo sobre tudo o que se passa no país. Hoje, a minoria governa a maioria. Cinquenta pessoas detêm um terço do Produto Interno Bruto. Os ricos tornam-se mais ricos, os pobres mais pobres.

Pela frente temos a crise económica-financeira. Os capitalistas tentam sair dela à custa da gente simples. O governo de Timochenko endividou todo o povo. O poder «laranja» continua a dedicar-se unicamente à venda de empresas e à contracção de novos créditos. Ainda por cima faz de tal política um mérito seu.

O actual presidente sublinha constantemente que se dirige a uma única nacionalidade da Ucrânia. Poderia parecer que isto é reflexo do grande amor de Iuchenko pelos ucranianos. Mas a verdade é que, em cada dia que passa, com esta equipa de «pseudo-patriotas» no poder, os dirigidos estão a tornar-se cada vez menos. Isto aplica-se também às pessoas que pertencem às chamadas «nacionalidades estrangeiras»… Em geral, todos estão a morrer e a sofrer na Ucrânia.

Números da vergonha


Por mais triste que seja temos de constatar que a composição da «nação» de que eles falam é a seguinte. Restam ao todo na Ucrânia cerca de 46 milhões de pessoas, dos quais:

• cerca de dez milhões de ucranianos vivem abaixo do limiar da pobreza;

• mais de três milhões estão desempregados;

• cerca de 1,5 milhões passam fome;

• cerca de dez milhões de reformados recebem a pensão mínima;

• cerca de 190 mil ucranianos adoecem anualmente de cancro, morrendo

900 em cada 1500 pacientes;

• cerca de 700 mil pessoas sofrem de tuberculose, segundo dados

estatísticos do Ministério da Saúde da Ucrânia;

• 440 mil pessoas estão infectadas com o vírus da AIDS;

• cerca de 150 mil pessoas estão na prisão;

• cerca de 900 mil pessoas sofrem de alcoolismo crónico;

• cerca de 500 mil toxicodependentes estão registados oficialmente, segundo dados do Ministério do Interior;

• quase 200 mil crianças vivem na rua;

• cerca de um milhão de pessoas não têm abrigo;



Se a isto acrescentarmos ainda o ressurgimento do analfabetismo e a
degradação moral da juventude, o quadro torna-se muito triste.

É preciso sublinhar que aqueles que conduziram e continuam a conduzir as reformas de mercado capitalistas devem ser responsabilizados por todas estas desgraças. São os partidos de direita, são os políticos liberais. Eles estão hoje no poder. Não existem diferenças entre eles. Os capitalistas são os mesmos independentemente da máscara. Tendo em conta tudo o que atrás foi dito, cada cidadão deve colocar a si próprio as correspondentes perguntas e, sobretudo, esforçar-se por encontrar as respostas lógicas, designadamente à seguinte questão: por que é que em dada altura votou a favor dos milionários e continuará a fazê-lo no futuro?



Publicado no jornal Komunist (06.11), órgão do Partido Comunista da
Ucrânia

Disponível em russo em:
http://www.komunist.com.ua/article/27/10381.htm
Tradução, título e subtítulos da responsabilidade da Redacção do Avante!

* Colaborador de Komunist, órgão do Partido Comunista da Ucrânia

Este texto foi publicado no Avante nº 1.880 de 10 de Dezembro de 2009
As informações divulgadas por este autor podem ser confirmadas por dados estatísticos de diversos órgãos insuspeitos de qualquer partidarismo, desde os quais a própria Organização das Nações Unidas.

quarta-feira, maio 13, 2009

Quando uma mentira é repetida muitas vezes

Por Cristiano Alves

Existe uma ideologia, um clichê, repetido com enorme frequência nos meios ideológicos(escolas, jornais, universidades, imprensa...) da burguesia a idéia segundo a qual comunismo seria o mesmo que nazismo. Esta idéia foi, há algum tempo, divulgada na TV pelo Presidente do STF Gilmar Mendes, em uma entrevista dada ao programa Roda Viva em dezembro de 2008.

A comparação de comunismo com nazismo é bizarra e espúria, carente de qualquer fundamento histórico, científico e nitidamente caluniosa, interessando apenas a intelectuais de mente pequena ou professores medíocres incapazes de pesquisar acerca daquilo que dizem ensinar. É bom lembrar que, conforme notifiquei em um artigo inédito a respeito do assunto, o nazismo é a única corrente filosófica expressamente proibida no Direito Brasileiro, ao contrário do comunismo. Enquanto o nazismo é reconhecido por sua ideologia de ódio e racismo, o comunismo clama pela solidariedade entre os trabalhadores e marca os chamados "Direitos Humanos de 2ª e 3ª Geração".

Apesar da fracassada e famigerada tentativa de criminalizar a corrente filosófica comunista na União Européia, não olvidemos que, ao passo que o nome Hitler está ligado ao ódio racista e à maior guerra da história da humanidade, o nome de Stalin está vinculado ao primeiro documento da história da humanidade a criminalizar o racismo, a Constituição da URSS de 1936. Graças a essa constituição, a ONU, quando de seu surgimento, adotou essa política no art. 2º e o Brasil, na CRFB de 1988 adotou-a nos arts. 4º(onde a compara ao Terrorismo), 5º e ainda designou uma lei específica para tal, de número 7.716, isto é algo que ninguém jamais poderá negar.

Recomenda-se, para acadêmicos de Direito e demais interessados no tema, a leitura do seguinte artigo científico "miniatura" de uma monografia que vem sendo atualmente desenvolvida:

http://rapidshare.de/files/47189449/Sobre_a_origem_hist_rica_do_crime_de_racismo_no_Direito_Constitucional_Brasileiro_sob_a__tica_do_Dir.html

quinta-feira, outubro 09, 2008

Educação para a morte

Vladimir Tavares


Marcando a estréia de Vladimir Tavares como novo autor do blog "Notas Vermelhas", é com prazer que este blog traz aos seus leitores a versão em português de um antigo desenho da Disney, já banido, que retrata a formação de um nazista. Didático e cômico, suas legendas foram editadas no Windows Movie Maker, acompanhando a voz do narrador em todas as ocasiões, o que se mostrou um importante passo em um trabalho amador. Confira e avalie este importante marco:

quinta-feira, agosto 14, 2008

Beijing Beijing, tchau tchau!
Cristiano Alves


O mundo assiste atento aos jogos Olímpicos de Pequim, iniciados na última sexta-feira, após muita turbulência algumas semanas antes da realização de tais jogos, onde alguns monges e liberais franceses bateram no peito para defender a causa do Tibet, fazendo, voluntariamente ou não, apologias a um regime responsável pela multilação de mulheres e a escravização de seres humanos, um "feudalismo amigável" muito bem exposto por Michael Parenti.

O fato é que por mais que haja na mídia de massa muita difamação, calúnia e injúrias contra o Estado chinês, não se pode negar que ele é, hoje e desde algum tempo, um Estado promotor do capitalismo, frequentemente me sua forma mais selvagem possível, assim segundo Eric Vanden Bussche, brasileiro que reside na República Popular da China, concedeu uma entrevista à BBC, principal órgão de imprensa do Reino Unido, onde revela alguns fatos de grande relevância.

Segundo Eric Bussche, "não há mais nada de comunista na China. A China diz que seu regime é um socialismo com características chinesas. Entretanto, as relações de trabalho – e a economia como um todo– abandonaram os dogmas socialistas e hoje a economia chinesa se aproxima muito mais de uma economia capitalista do que de uma economia planificada. Obviamente, ainda há certas diretrizes formuladas pelo governo central, mas não têm o impacto que tinham há 20, 30 anos". Essa entrevista condiz plenamente com a informação da ONU/cf. Mészaros segundo a qual, desde 1979, 300 milhões de chineses ficaram desempregados.

É importante frisar que a idéia de que a China já deu seu "tchau tchau" ao comunismo não é uma visão nem simplista nem unilateral "típica de folhetins burgueses", mas sim um fato constatado por vários estudos da OMT, dados da ONU, governo chinês e mesmo difundido em várias publicações de orientação marxista-leninista(adiante ML) como a Northstar Compass, jornal A Verdade e mesmo nas obras do renomado revolucionário albanês Enver Hodja, que denunciou o caráter revisionista do maoísmo, onde se atribuía o papel dirigente da revolução não ao proletariado, conforme defendia K. Marx, mas sim aos "estudantes", o que culminou na fracassada e famigerada "Revolução cultural" e posteriormente uma aproximação com os EUA contra a União Soviética, também revisionista, evocando a famosa passagem da ópera de John Adams, Nixon in China, onde Nixon questiona who are our enemies...?

Assim, durante a abertura dos jogos olímpicos constatou-se um fato há muito tempo já constatado, o abandonamento oficial do socialismo científico na China e mesmo do maoísmo. Em Pequim(também denominada "Beijing"), enfatizou-se mais o confucionismo do que o marxismo-leninismo ou mesmo o maoísmo, um nacionalismo ufanista mais próximo de Kung Fu Tsé e mais longe de Marx, Engels, Lenin e Stalin, estes dois últimos, as duas "espadas da revolução", segundo Mao. Some-se essa festa à existência de 3 bolsas de valores na China, à existência de bilionários no país, à existência da propriedade privada no país e, para quem ainda acha isso muito vago, à recente aprovação de uma lei histórica que consagra a propriedade privada no Direito Civil chinês, em consonância com outras leis que permitem a entrada dos grandes capitalistas no Partido Comunista Chinês.

Vale questionar, por que um capitalismo chinês seria melhor do que um americano? O que ainda faz alguns indivíduos crerem que a China é um país socialista? Na China, considerando os fatos, o Estado fascista já disse há muito tempo para o comunismo e os comunistas a seguinte frase: Beijing, Beijing, tchau tchau!
O papel da educação segundo o ministro sueco
Cristiano Alves


De acordo o blog Convenant Zone, utilizando-se de um estudo divulgado nas notícias do Yahoo, já retirado do ar, em 2007 uma pesquisa apontou que há entre os jovens suecos uma visão positiva a respeito do comunismo. Assim, conforme a fonte citada, 90% dos adolescentes suecos entre 15 e 20 anos de idade ignoram o conceito de Gulag e 40% acreditam que o "comunismo" incrementou a prosperidade no mundo. O blog não demonstra a porcentagem dos que não souberam responder ou pensam de forma diferente.

A pesquisa, dirigida por Camilla Andersson, chefe da Information About Communism, foi informada à agência de notícias sueca TT, demonstrando uma imagem positiva deste ideal político na Suécia, país que há pelo menos várias décadas tem sido alvo de constantes bombardeios de propaganda anti-comunista e terror psicológico disseminado pelas elites do país.

O estudo, feito entre 1004 adolescentes, demonstrou que 82% dos entrevistados não via Belarus como uma ditadura e 43% acreditavam que o comunismo fez menos de um milhão de vítimas, dados esses publicados no Dagens Nyheter, jornal diário do país. Ainda, 56% dos jovens suecos se mostraram descrentes na idéia de que as economias de mercado ocidentais são democracias e 22% apontaram o comunismo como uma estrutura social democrática.

Diante de tais resultados, um tanto positivos para um país onde tem-se tentado difamar a imagem do comunismo, declarou o ministro da educação sueco, Jan Bjoerklund, que ele planejava propor mais lições de história nos currículos do país e que nesses o Holocausto e supostos "crimes cometidos em nome da União Soviética e do comunismo" se tornassem obrigatórios. Vale questionar, que "história" quer o ministro sueco? Será que os suecos sabem quem iniciou a sua "família real"? Pressupõe-se que "escolas" são instituições de obtenção de conhecimento, e não meros "jardins de infância" ou centros de lavagem cerebral.


domingo, julho 20, 2008

Stalin é o maior russo da história, dizem os russos

Por Cristiano Alves


Indicado por Lenin e votado para ser o Secretário-Geral do Partido Comunista Bolchevique da União Soviética, Stalin desempenhou ao lado de Lenin um papel fundamental para a construção do socialismo no país. Aplicando as teses do revolucionário russo, Iósif Vissaryonovich Djugashvilli, nato na Geórgia, Cáucaso, conseguiu fazer com que o primeiro país de orientação socialista passasse de um país atrasado e agrário para um país industrializado com mordernidades e direitos a serviço de toda a população do país.

Ao contrário de outros países com uma história desenvolvimentista cujo desenvolvimento se deu através do colonialismo, invasões militares ou grandes empréstimos econômicos, a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas desenvolveu-se com o esforço abnegado dos trabalhadores e camponeses que acreditavam estar construindo um país justo e livre, sob o lema de desenvolver a revolução e esperar que um dia ela se expandisse a outros países desenvolvidos da Europa Ocidental. Essa crença tinha perfeita sintonia com os chamados "Planos Qüinqüenais", isto é, planos econômicos de 5 anos que visavam a satisfação de metas estabelecidas pelo governo soviético, norteadas pelos princípios da economia marxista de planejamento econômico e redução das desigualdades entre a cidade e o campo. Conforme atestam vários intelectuais russos e ocidentais, dentre os quais Anna Louise Strong, L. Feutchwanger ou L. Wittgenstein, a Revolução de Outubro não produziu somente o desenvolvimento industrial, como também humano, no país. Milhões de mulheres deixaram de ser simplesmente propriedades de seus maridos e ganharam notoriedade em vários setores da vida econômica, tendo sido emancipadas, ao passo que no mundo ocidental não passavam de escravas domésticas e sexuais. A URSS de Stalin produziu uma nova moral positiva de valorização do homem e da racionalidade como valores supremos, tendo esta era sido chamada de "Era dourada" e "um sonho da humanidade" por Wittgenstein.

Não bastassem os méritos do socialismo e sua liderança, Stalin se viu obrigado a, além de Estadista, assumir também a posição de Marechal do país em face da agressão hitleriana, em 1941. Descrito futuramente pelos seus maiores marechais como um homem inteligente e cauteloso, foi por seus aliados militares como Churchill e Roosevelt também descrito como sábio negociador e hábil estrategista, qualidades que permitiram liderar um país inteiro na defesa e vitória contra o fascismo alemãe, bem como a libertação de vários outros países fronteiriços, de tiranos subservientes a Hitler.

Tendo a Rússia e mais 14 países alcançado feitos inimagináveis em sua história só no século XX certamente rendeu uma fama indelével ao nome de Stalin. Por mais que tenha havido esforços incomensuráveis em apagar o seu nome da história, tenha sido durante a Era Khruschev, Brezhnev, Gorbatchev, Yeltsin ou Putin, todas essas impopulares e marcadas por fiascos na economia ou no plano internacional, Stalin lidera o título de "maior entre os russos" na pesquisa corrente feita pelo site Name of Russia(www.nameofrussia.ru), onde, dentre várias outras personalidades da história da Rússia, desde o viking Rurik, o Ruivo, até personalidades contemporâneas como o goleiro Yashin e o político B. Yeltsin.

O Generalíssimo Stalin, no presente momento em que a matéria é escrita, lidera com 443 731 contra 429 904 do tzar Nikolay II. Outros nomes que aparecem com grande destaque são o revolucionário V. Lenin, Príncipe Aleksander Nyevsky, o escritor A. Pushkin, o tzar Pedro I, a tzarina Catarina II, Yuri Gagarin, Ivan Grozniy e o cientista M. Lomonosov, todos relacionados com a preservação e divulgação da identidade russa. Por mais que os primeiros estejam em grande parte ligados à atividades guerreiras e militares, nomes estritamente ligados à produção de ciência como Lomonosov e Pushkin também ganham destaque. Enfatize-se que embora o nome de Nikolay II esteja mais ligado a corrupção, ao desperdício e à derrotas militares, houve recentemente uma grande campanha de setores ligados ao monaquismo que elevou o tzar russo, recentemente considerado "Santo" pela igreja, de posições retardatárias para as primeiras posições, ao passo que Stalin, a despeito de toda propaganda que há contra o seu nome, lidera em primeiro.

A pesquisa do site Name of Russia, por mais que apresente certas personalidades controversas em boas posições, mostra que, consonante com outras pesquisas de opinião, os russos preferem o comunismo e os líderes de Outubro, em especial Stalin, responsável por colocar em prática as idéias de Lenin para o país. Ainda no site Vkontakte.ru, um genérico russo do Orkut, os russos escolheriam para governálos Stalin, Putin(recentemente em 2º lugar), Lenin, Pedro I e então Aleksander Lukashenko, que é o atual presidente da República de Belarus, que de todas as ex-Repúblicas Soviéticas, é a que mantém mais laços culturais, econômicos e políticos com a Rússia.

quarta-feira, maio 28, 2008

Teses frankstenianas(1)

Cristiano Alves


O Estado brasileiro existe para poucos, ampara poucos e acoberta poucos. Sendo o Brasil um país de capitalismo selvagem, 40 milhões de miseráveis são as maiores vítimas das políticas anti-populares de governos sucessivos, de olhos fechados para a questão social, já que se torna mais fácil para este ou aquele "coronel" comprar um voto de um miserável faminto e doente.

Há quem sustente que sendo o Brasil um país de terceiro mundo com imensa dívida externa, a questão social fica comprometida por este que seria um "motivo de força maior", como nos fazem pensar os defensores do injusto Estado brasileiro, e isso justificaria, assim, um "abandono desculpável" da questão social. Essa tese, lamentavelmente, tem, inclusive, ganhado força no meio jurídico, sob o manto do que se conhece por "reserva do possível". Assim, baseados nessa tese, alguns juízes tem se pronunciado em favor do Estado em ações que demandam o fornecimento de remédios a pessoas com doenças graves sem condições de obtê-los, já que a Constituição Repúblicana fixa a obrigação estatal para com a saúde pública, um Direito Social. Reforçam ainda essa tese um coral de "copistas" das leis européias, fazendo uma inserção franksteniana do referido princípio sem levar em conta as possibilidades econômicas e materiais do Brasil.

O fato é que, no meio jurídico, há um grande número do método científico aristotélico, onde "a verdade seria um puro resultado de uma boa argumentação lógica". Assim, se "A" argumenta que 2+2=5 e "B", que não sabe que 2+2=4, sustenta que isso é falso, então "A" estaria correto, já que não se provou o contrário, incorrendo num formalismo lógico excessivo e perigoso, ignorando o moderno método científico empirio-crítico. O fato é que, ao contrário do que alguns juristas brasileiros apregoam, não há nada que justifique a isenção do Estado de suas obrigações sociais baseados no argumento da "reserva do possível". Estamos falando do país que, conforme bem demonstra o jornal A Nova Democracia, é o único fornecedor internacional de niobium, mineral utilizado na fabricação de diversos componentes metálicos, eletrônicos e principalmente aeroespaciais (afirma-se que sem o referido elemento, aviões sequer chegariam a decolar). Ainda, é sabido que o Brasil é auto-suficiente em petróleo, produz aviões de primeira linha, conta com uma biodiversidade imensa, que possibilita a liderança no mercado dos biocombustíveis, bem como uma série de medicamentos da floresta amazônica constantemente contrabandeados e patenteados por alienígenas que violam as leis nacionais de forma impune. Some-se a isso grande quantidade de riquezas minerais existentes em solo brasileiro, tais como abudante ouro e manganês.

Ora, há uma série de países menores do que o Brasil com dificuldades econômicas provenientes de embargos, tais como Belarus(sem oceano) e principalmente Cuba, bem como países infinitamente menores do que o Brasil, tais como Suécia e Bélgica, com recursos minerais escassos, que atendem às necessidades sociais de seu povo, especialmente no tocante ao aspecto saúde. Não se deve ignorar aqui os colossais montantes de reais perdidos para a corrupção e o desperdício. Por que, então, não pode o Estado brasileiro satisfazer a essas necessidades? Os pobres e miseráveis brasileiros não são culpados pelas aventuras e desaventuras de políticos de extrema má-fé!

Portanto, baseado nessas premissas, constitui uma falácia a justificativa, ou melhor, escusa, de que o atendimento da questão social estaria impedido em razão da dívida externa, baseado no argumento da "reserva do possível", já que se trata de uma lógica incorreta. Será que os nossos juristas nunca estudaram geografia ou introdução à economia? É certo que essa teoria alemã certamente não pode ser ignorada, porém não pode ser também copiada de forma franksteniana sem levar em consideração aspectos particulares, principalmente econômicos e geográficos de determinado país ou região.

1- De "Frankstein", personagem fictício fruto da junção de diversas partes de cadáveres, reanimado por eletricidade em laboratório.

quinta-feira, maio 15, 2008

Bonecos de Hitler agora estarão a venda para crianças ucranianas

Cristiano Alves


Não bastasse a onda de fascismo que vem corroendo as ex-Repúblicas Soviéticas, na Ucrânia e no Báltico se dão os maiores empreendimentos em favor da reabilitação dos criminosos que, violando todos os tratados e acordos internacionais, provocaram o maior holocausto do século XX, o extermínio de soviéticos, as maiores vítimas da segunda guerra mundial.

O presente regime ucraniano, fazendo a defesa ardente do capital e da propriedade privada, produz uma Ucrânia de uns poucos mafiosos super-poderosos, bilionários, em detrimento de uma população pobre e desolada, mão de obra agora acorrentada às companhias privadas dos EUA e Europa Ocidental. Para tal, segue-se também uma ideologia, inclusive recorrendo-se à demonização e vilipendiação de qualquer coisa que relembre a República Socialista Soviética da Ucrânia, uma das 3 repúblicas da URSS com representação na ONU(ao lado da Rússia e Belarus). Para "ocidentalizar" ainda mais a Ucrânia, as elites tem buscado uma espécie de "identificação" com a Suécia ou Alemanha. Para tal o país recentemente inaugurou monumentos ao traidor Ivan Mazepa, que durante os tempos do tzar Pedro I, o protetor dos cossacos que garantiu-lhes autonomia, desertou para as forças suecas do Rei Carlos XII para lutar contra o seu próprio povo e os russos durante a Guerra do Norte. Mazepa e Carlos XII foram derrotados e obrigados a se refugiar covardemente em uma fortaleza turca, onde ficaram até o final de suas vidas. Que tipo de país celebraria a sua própria invasão? Imaginemos a Irlanda celebrando o "dia da Inglaterra", ou os argentinos comemorando o "dia da invasão às Malvinas".

O fato é que não bastasse a exaltação de sua própria invasão, o país também reabilitou o criminoso de guerra Roman Shuhkevich, um homem que traiu o seu próprio povo para servir no Batalhão Rossignol, da Waffen SS, a mais sanguinária de todas as forças nazi-fascistas, responsável pela promoção da limpeza étnica, destruição de vilas e cidades, estupros e execuções em massa promovidos contra cidadãos pacíficos soviéticos.

Assim, exaltando sua própria invasão e reabilitando criminosos fascistas ao mesmo tempo em que o nome de lutadores da liberdade são jogados na lata do lixo e apagados dos livros de história, estarão agora à venda na Ucrânia bonecos de Hitler de clara alusão ao nazi-fascismo, bonecos estes produzidos em Taiwan e já comercializados em lojas especializadas na Ucrânia. A comercialização desses bonecos de clara apologia ao nazismo(o que na UE é inclusive considerado crime) ganhou destaque na mídia internacional, inclusive na BBC. Assim, no país que celebra seus invasores e reabilita seus traidores, agora as crianças ucranianas terão a liberdade de escolher se Hitler fica mais simpático em seus uniformes de comício ou em um capote da SS(não se esqueçam também do capote de couro!), afinal de contas a Ucrânia de hoje é "laranja, independente e livre".

A matéria:
http://ultimosegundo.ig.com.br/bbc/2008/04/23/boneco_de_hitler_esta_a_venda_na_ucrania_1283312.html

quarta-feira, maio 14, 2008

O terremoto na China será culpa do comunismo

Cristiano Alves


É um fato que a mídia reacionária sempre teve o costume de colar mortos por catástrofes naturais ou calamidades na culpa do "comunismo", quando essas se dão no território(e por vezes até fora dele) de qualquer país que adote um modelo econômico independente.

Assim, o Jornal Hoje, exibido na Rede Globo, fez questão de, indiretamente, responsabilizar o governo chinês pela morte de crianças em uma escola destruída pelo terremoto que recentemente abalou o país.

Esse tipo de atitude, ainda que seja apenas a ponta do iceberg, contra um país antagônico a Washington, que, apesar de estar a quilômetros de ser comunsita, nos mostra bem a forma como funciona o "showrnalismo", o "jornalismo do espetáculo e do sensacional". Assim, não se admirem se daqui há alguns anos 15.000 vítimas(1) do terremoto que abalou a China, transformarem-se em 150.000 "vítimas dos comunismo".

(1) Número até o presente momento calculado
9 de maio(53 anos da Vitória sobre a Alemanha fascista)

Para o dia 9 de maio, recomenda-se aos leitores de "Notas Vermelhas" o documentário "The battle of Russia", pruduzido em 1943 nos Estados Unidos da América. Um documentário sério e altamente esclarescedor sobre o real papel da União Soviética no mundo:

quarta-feira, abril 16, 2008

Os marxistas e o Tibet
Por Carlos Marques


Todo marxista deve ser contra a intervenção e intenção de subversão imperialista provocada pelo governo dos Estados Unidos contra o povo chinês. O Tibet foi, é e até quando o povo quiser, será da China.

A posição de certos ditos "esquerdistas" só confirma aquilo que Eduard Limonov costuma dizer, hoje em dia não interessa se você é de esquerda ou de direita, mas sim se é a favor ou contra o Sistema. Os llamas querem estabelecer no Tibet uma ditadura totalitária e feudal em conluio com o governo americano, que por sinal financia o Dalai Llama, a fim de garantir a instalação de tropas americanas na região. O Exército Americano é como uma praga de gafanhotos, se espalha por toda parte e causa danos incomensuráveis.

Posto aqui alguns vídeos bastante relevantes sobre a situação do Tibet:

Michael Parenti - Tibet: Feudalismo amistoso?
http://www.youtube.com/watch?v=WWGGjpJJCKE
(Entrevista com o famoso intelectual liberal americano autor de "O assassinato de Júlio César" e "A cruzada anti-comunista")


O Tibet FOI, É e SEMPRE será uma parte da China
http://www.youtube.com/watch?v=U7ayJABEax0
(Vídeo bastante eloqüente com fatos e fotos para você mostrar para o seu cachorro, ou melhor, esquerdista ou reacionário favorito)

Enquanto as pessoas continuarem a adotar atitudes lemingues, a agir como lemingues e pensar como lemingues, continuaremos na mesma fossa intelectual e tornaremos o mundo igual ou pior do que aquele em que vivemos.

sábado, julho 14, 2007

Por que a Constituição Americana é a mais antiga vigente?
(Resposta a um quesitonamento feito em um fórum virtual)

Sinceramente não conheço bem o Direito Americano, mas inclui-se, dentre outras razões, no plano político-econômico, o motivo citado pelo José Luiz aqui(isto é, a estabilidade econômica dos EUA), mas há que se frisar aqui que se trata de uma constituição histórica, que marcou um momento decisivo na história do neoliberalismo e do constitucionalismo, já que consagrou em uma CR os ideais da Revolução Francesa. Ademais, ela é do tipo "sintética"(a nossa, por exemplo, é analítica), ou seja, ela traz um conjunto de princípios gerais a serem atendidos, e esses princípios são regulamentados por normas específicas no Direito Civil, Direito Penal, Internacional... dos EUA. A Const. Soviética de 1936 é outro exemplo de constituição sintética, tendo durado muito tempo também.

Trazendo para a seara do Direito pátrio, temos uma constituição analítica que discorre sobre vários temas que ela poderia abordar na legislação infraconstitucional. Aliás, o interessante é que embora ela tenha praticamente uma "cripto-constituição" em seu Art. 5°, com mais de 50 incisos e constantes ECs versando sobre esse ou aquele parágrafo, inserindo ou excluindo esse ou aquele inciso, ela acaba dependendo de leis infraconstitucionais.

Há quem diga que isso se dá em fato de que o Poder Constituinte Originário, por ter saído de uma época draconiana de nossa história, quis consagrar direitos de forma que estes pudessem ser melhor observados se estivessem na CRFB, no entanto o bom marxista rapidamente enxerga a falácia dessa premissa, considerando que isso traduz mero idealismo, ou seja, é acreditar que o objeto se moldará ao conceito dele, e não o inverso.

No caso da CR americana o que ocorre é que neste país houve uma única revolução burguesa onde uma classe se firmou no poder. Esta chegou a ser emendada, inclusive flexibilizando o Processo Penal com a Emenda n° 16, e emendas que endureceram o Estado americano com teor despótico, tais como o "ato patriótico", dentre outros.
O poder dos capitalistas e a ditadura dos Bancos

Diz-se que sem a figura jurídica da Alienação Fiduciária a economia brasileira não se desenvolveria nos anos 70, pois seguindo a lógica do capitalismo, ela deu um grande impulso às compras a prazo. No entanto, os bancos encontraram nela uma forma de exercer seu poder leonino.

O Brasil é signatário do Pacto de San José da Costa Rica, um tratado internacional que proibe a prisão civil(ser preso por dívidas, por exemplo), embora admita essa modalidade no caso de pensão alimentícia atrasada, o que é mais do que justo, considerando que há até indivíduos que saem do emprego para não pagar a pensão de alimentos para os filhos que colocou no mundo.

O Brasil, no entanto, conserva ainda um fóssil jurídico nesse campo, que é a prisão civil do depositário infiel. Quem é leigo em direito pode até achar que isso é algo justo, pois não percebe o que existe por trás disso!

Se A compra um carro à B, enquanto A não paga o valor por completo o bem pertence ao banco fiaduciário. Se o devedor fiduciante não paga a prestação, o banco pode efetuar uma ação de busca e apreensão, exercendo uma clara violação do devido processo legal. Caso o bem não seja encontrado, a busca e apreensão pode ser convertida em depósito. De fato, o que existe é um depósito camuflado pelo rótulo de alienação fiduciária, o que é inconstitucional e anti-isonômico, como bem expõe o Prof. Dr. Juiz de Direito Pablo Stolze Gagliano.

Isso, para quem não sabe, é regulamentado pela Lei 10.931/04, que nada mais é do que uma "reciclagem" do Decreto Lei 911/69. Este é um claro fóssil da ditadura latifundiário-militar, tão clichê quanto a antiga farda verde-oliva(hoje se usa a VO camuflada). É a chamada "Lei dos Bancos", uma lei encabeçada pelos bancos privados que na prática garante a esses um poder de prisão disfarçado, é uma lei capitalista e draconiana, um absurdo diante do qual os marxistas não podem se calar!

domingo, outubro 15, 2006

O PT coreano e o revisionismo

Artigo do camarada William Bland, da Aliança Marxista-Leninista, do Reino Unido, sobre o sistema vigente político em vigor na Coréia do Norte. É importante a compreensão deste artigo para compreender melhor o que se passa na Coréia e elaborar uma crítica construtiva a este sistema, a despeito de qualquer que seja a posição no que se refere ao enfrentamento do imperialismo.

http://www.apaginavermelha.hpg.ig.com.br/coreiadonortepartido.html