Por Cristiano Alves
"O símbolo da foice e o martelo não traduz mais o comunismo da era digital. Quando que um desses jovens pegou em uma enxada ou uma foice pela última vez?" (Rodrigo Constantino)
Desde os 13 anos de idade sei o que é enxada, que usava para limpar terrenos inteiros, incluindo o quintal de casa, uma vez que morava nos arredores da cidade de Mossoró-RN. Não só em enxada, como também arado e facão, uma vez que fui voluntário numa fazenda em Serra do Mel, onde atuei como tradutor de russo voluntário. Também fiz isso nas Forças Armadas. Aliás, a última vez que peguei numa foice foi semana passada, para retirar o mato de frente de casa mesmo.
Mas bem mais do que eu, poderia citar por exemplo o Sindicato dos Petroleiros do RN, onde muitos comunistas não pegam só em enxada, mas trabalham com sondas, que são bem mais pesadas do que enxadas, e é fácil reconhecer alguém que trabalha com sondas, inclusive pelos vários problemas de saúde adquiridos que muitas vezes não são cobertos pelos seus planos miseráveis pagos por companhias privadas. Muitas vezes problemas adquiridos na velhice, sob condições paupérrimas por que o patrão que se dizia "amigo" do trabalhador não depositava seus valores previdenciários.
Rodrigo Constantino demonstra sua ignorância para o marxismo, quando diz que "os neomarxistas adoram odiar o capitalismo". Em nenhum trecho da obra de Marx, que ao contrário do autor desse artigo paupérrimo, eu li, está escrito que "comunismo é ódio ao capitalismo", ou que "o comunismo é a negação do capitalismo", do contrário, ele é a "negação da negação"(ver Manuscritos econômico filosóficos), em nenhum momento Marx fala em "destruir o capitalismo", mas sim em "superar o capitalismo" através da superação de seus mecanismos, em nenhum momento o marxismo é "antitecnologia", o que ele defende é que a tecnologia esteja ao alcance de todos, logo, por esse raciocínio, não há nada mais marxista do que um comunista ter iPhone, não há nada mais marxista do que um obreiro ou campesino possuir um, desde que não virem reféns de empresas que fornecem péssimo serviço de telefonia. iPhone não é invenção capitalista, mas invenção do homem sob o capitalismo. Se fôssemos abandonar todo tipo de invento por que ele surgiu sob determinado sistema, baseando-se em diferenças ideológicas, esse texto nem deveria existir, pois a escrita é uma invenção do homem sob o escravismo. Aliás, nesse aspecto até mesmo outro blogueiro de direita, Reinaldo Azeved, foi mais honesto, quando disse ser a internet uma "conquista da humanidade", e não "conquista do capitalismo". Também é deveras curioso como todo "espanca-vermelhos" fica irritado quando seu salário não entra no dia, trabalha 8 horas por dia, e não 14 horas, como ocorria na época em que a luta dos comunistas não tinha muita força. Goza de conquistas dos socialistas e comunistas e fala mal deles.
Agora resta saber de que frente de luta faz parte Rodrigo Constantino. Será que este indivíduo tão preocupado em policiar o que fulano ou cicrano usa para fazer ligações chegou a pegar em alguma enxada? Será que R. Constantino fez parte de algum órgão de luta coletiva? Ou será que sempre fez parte do time dos patrões, a quem demonstra sua subserviência incondicional na Revista inVeja?